GREVE | Após ação do Sinpro e deputados, presidente do TJDFT diz que vai propor conciliação ao GDF
Jornalista: Vanessa Galassi
Em reunião realizada nesta quarta-feira (4/6), representantes do Sinpro e deputados distritais solicitaram do presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT), Waldir Leôncio Júnior, a instalação de método de resolução que paute a greve da educação. O desembargador se comprometeu a provocar o Governo do Distrito Federal para que seja estabelecida mesa de conciliação.
Durante a reunião, os representantes do Sinpro e os deputados distritais presentes relataram ao presidente do TJDFT a indisposição do governador Ibaneis Rocha em fortalecer a democracia através da negociação direta dos itens da campanha salarial do magistério público.
Sinpro afirma ao presidente do TJDFT que está, como sempre esteve, disposto a realizar negociação propositiva
Ainda foi informado ao desembargador que, durante meses, o Sinpro tentou avançar em negociações concretas com o GDF, mas não obteve avanços. Sem saída, a categoria aprovou em assembleia geral a greve, que teve início nessa segunda-feira. Entretanto, antes mesmo que o movimento iniciasse, o governador Ibaneis Rocha, a vice, Celina Leão, e a secretária de Educação do DF, Hélvia Paranaguá, judicializaram a greve, decisão que não traz qualquer tipo de benefício para nenhuma parte da comunidade escolar.
O presidente do TJDFT também ouviu dos representantes do Sinpro e dos deputados distritais que Ibaneis Rocha recusou a reunião solicitada pela Mesa Diretora da Câmara Legislativa do DF para discutir sobre as demandas dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais que estão em greve.
Durante a reunião desta quarta, o Sinpro ainda afirmou total disposição de estabelecer negociação propositiva com o GDF para avançar nos pontos da campanha salarial do magistério público e na consolidação de uma educação pública de qualidade.
Luta do magistério público do DF é luta da classe trabalhadora
Jornalista: Vanessa Galassi
A defesa da greve dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais das escolas públicas do Distrito Federal ultrapassa qualquer disputa orçamentária. É um movimento que une trabalhadores do serviço público e privado na defesa de conquistas históricas, como o direito de greve e a garantia dos direitos humanos.
Reunidos no auditório do Sinpro nesta terça-feira (3/6), em ato organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT-DF), dezenas de líderes de sindicatos, movimentos sociais, como o MST, e do movimento estudantil afirmaram que a garantia de uma educação pública de qualidade em um DF e um Brasil marcados por desigualdades históricas é uma questão de equidade e emancipação.
Em todas as falas, a denúncia das ações inescrupulosas do governo Ibaneis-Celina e da secretária de Educação, Hélvia Paranaguá, que, antes mesmo de iniciar a paralisação do magistério público, judicializaram a greve, quiseram criminalizar o movimento e espalharam via imprensa embustes que vêm sendo, diariamente, desmascarados.
“Nós nos importamos com a nossa população. É por ela que estamos em greve. Uma educação de qualidade depende da valorização de seus profissionais. Não valorizá-los é estratégia para impedir que os filhos da classe trabalhadora tenham oportunidades e pensamento crítico”, disse a diretora do Sinpro Márcia Gilda.
O ato de solidariedade à greve dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais dessa terça (3/6) se desdobrou em outras ações conjuntas. A realização de manifestação com trabalhadores de todas as categorias será encaminhada ao Comando de Greve da Educação para que seja organizado ato/aula histórico.
Decisão abusiva
A partir de motivação do governo Ibaneis-Celina, com o aval da secretária de Educação, Hélvia Paranaguá, a desembargadora do Tribunal de Justiça do DF e Territórios Lucimeire Maria da Silva decidiu aplicar multa de R$ 1 milhão por dia de greve, além do corte de ponto de quem aderir ao movimento paredista.
Em sua decisão, feita às pressas, a desembargadora afirma que a deflagração da greve é abusiva. Segundo ela, o movimento que luta por uma educação de qualidade pode causar danos e prejuízos imediatos a toda rede pública de ensino.
“Apenas no ano passado, essa desembargadora, escandalosamente, recebeu R$ 1,3 milhão de salário, o equivalente a 16 anos de vencimento básico de um professor. Isso sim é abusivo”, disse o presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues.
Para ele, a luta da do magistério é mais do que justa e vai além das pautas inseridas na campanha salarial da categoria. “Queremos justiça social, valorização da escola pública, e educação de qualidade para a classe trabalhadora.”
O presidente da CUT Brasil, Sérgio Nobre, participou do ato de solidariedade dessa terça (3/6) e afirmou que a tentativa de cerceamento do direito de greve sob a alegação de “serviço essencial” é um movimento realizado em vários estados do país governados por ultraliberais. Para ele, é urgente que a classe trabalhadora se atente a essa realidade e se organize.
“Se é essencial (o serviço), tem que ter negociação. Se achar que com repressão e ameaça econômica vai impedir a luta, não vai, porque a gente sabe que a luta é justa”, alertou Nobre.
Por vídeo, o professor e representante dos trabalhadores brasileiros na Organização Internacional do Trabalho (OIT), Antonio Lisboa, disse que vai apresentar à agência multilateral vinculada à ONU denúncia contra os abusos cometidos pelo governo Ibaneis-Celina à greve dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais do DF.
Solidariedade
A diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) Rosilene Corrêa lembrou no ato desta terça-feira (3/6) que os(as) profissionais do magistério público do DF contribuem para a formação crítica e intelectual de meio milhão de pessoas. “Portanto, é, sim, uma luta da classe trabalhadora”, afirmou
“Essa solidariedade que vemos aqui não é só com esta entidade (Sinpro), mas com a educação, que é a solução para a sociedade”, avalia a sindicalista.
A fala do dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Urbana Raimundo Nonato foi uma das reflexões que devem ser feitas diariamente por todos e todas que precisam trabalhar para se sustentar – os que não são herdeiros. “Sem educação, o filho do gari vai ser gari, a filha da empregada doméstica vai ser empregada doméstica. É a educação que mostra um caminho de oportunidades pra gente”, analisa.
O apoio à greve da educação veio também de quem está atrás das carteiras nas salas de aula. “Se o governo não tem compromisso com quem ensina, não tem compromisso com quem aprende. Esse é o pior governo que o DF já teve”, discursou a estudante Letícia Resende. Presidenta da União dos Estudantes Secundaristas do Distrito Federal (UESDF), ela foi aplaudida pelo auditório lotado.
Ainda participaram do ato os deputados distritais Gabriel Magno (PT), Chico Vigilante (PT) e Fábio Felix (PSol), além dos federais Erika Kokay (PT-DF) e Reginaldo Veras (PV-DF).
Matéria com participação de Marina Maria, da CUT-DF
Categoria enfrenta truculência em frente à SEEDF e segue firme na greve
Jornalista: Vanessa Galassi
O governador Ibaneis Rocha, sua vice, Celina Leão, e a secretária de Educação, Hélvia Paranaguá, tiveram nesta terça-feira (3/6) a certeza de que as tentativas de retalhamento à greve dos(as) professores e orientadores(as) educacionais não serão bem sucedidas.
Em frente à Secretaria de Educação do DF, centenas de profissionais da educação se manifestaram para cobrar valorização e uma educação pública de qualidade. A pressão fez com que o secretário executivo de Educação, Isaías Aparecido, recebesse a Comissão de Negociação do Sinpro.
Manifestação em frente à SEEDF | Foto: Sinpro-DF
Durante a conversa, o secretário executivo disse que há necessidade de reabertura da negociação. “A negociação tem que ser robusta, propositiva, onde nossa pauta seja colocada no centro da discussão e a educação esteja no orçamento”, disse a diretora do Sinpro Márcia Gilda aos manifestantes que permanecerem em frente à SEEDF durante a reunião.
Ela ainda disse com firmeza: “Não é decisão judicial que define os rumos do nosso movimento. Quem define os rumos do nosso movimento é essa categoria, que nunca deu um passo atrás”.
O deputado distrital Gabriel Magno (PT) intermediou a reunião, e afirmou que “não há recordação de uma greve que começa com uma ação tão dura, truculenta e autoritária por parte do GDF”. “E olha que essa categoria já fez greve em todos os governos”, destacou o parlamentar.
Truculência
Pacificamente, os(as) professores(as) e orientadores(es) educacionais entraram no shopping ID, rumo à Secretaria de Educação. Nas mãos, apenas cartazes e megafone.
Ao chegarem à porta de entrada da SEEDF, a reação do governo Ibaneis-Celina e da secretária da pasta Hélvia Paranaguá: spray de pimenta, empurrões e muita tensão.
Professores e orientadores lutam por valorização e educação pública de qualidade | Foto: Sinpro-DF
A ordem foi para que se fechasse as portas do shopping, de forma que ninguém que estava do lado de fora pudesse entrar.
Os manifestantes não desistiram. Seguiram firmes e fizeram com que o governo recebesse a Comissão de Negociação do Sinpro.
Mais ações
Ainda nesta terça-feira (3/6), desde 14h, a categoria do magistério público realiza panfletagem na Rodoviária do Plano Piloto. O objetivo é dialogar com a população.
Mais tarde, às 19h, será realizado o “Ato em solidariedade à luta dos professores”, organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), com a participação de diversas categorias de trabalhadores de todo o DF. A atividade será no auditório do Sinpro (SIG).
Assembleia
Professores(as) e orientadores(as) educacionais das escolas públicas realizam assembleia geral para definir os rumos da greve nesta quinta-feira (5/6). A atividade será às 9h, no estacionamento da Funarte.
As manifestações de apoio à greve dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais não param de chegar. Em todas elas, a declaração de que a greve é justa, legal, necessária; e que o governo Ibaneis-Celina ultrapassa todos os limites ao criminalizar o movimento, aplicar multa milionária e, mais uma vez, tratar a educação sem respeito. A seguir, a nota do Observatório de Educação Básica (ObsEB), vinculado à Faculdade de Educação – Universidade de Brasília (FE/UnB).
NOTA DE APOIO ÀS/AOS PROFESSORAS/RES E ORIENTADORAS/RES EDUCACIONAIS DA REDE PÚBLICA DE ENSINO DO DISTRITO FEDERAL
O Observatório de Educação Básica (ObsEB), vinculado à Faculdade de Educação – Universidade de Brasília (FE/UnB), espaço de natureza política, científica, acadêmica e social, defende a educação pública, gratuita, laica, de qualidade social e democrática. Com base nesses princípios, vem a público manifestar solidariedade às professoras/res e orientadoras/res educacionais da rede pública de ensino do Distrito Federal, em greve desde o dia 02 de junho de 2025, por melhores salários, carreira, condições de trabalho e valorização profissional.
Ao mesmo tempo, repudiar a judicialização do movimento grevista, uma afronta ao previsto na Constituição Federal de 1988, artigo 9º, que garante o direito de greve a todos os trabalhadores, como mecanismo de busca de garantia de direitos da classe trabalhadora; e conclamar as autoridades distritais a buscarem os meios para o atendimento das reivindicações salarias das/os trabalhadoras/es da Educação.
São educadoras/res que lutam pelo cumprimento da Meta 17 do Plano Distrital de Educação – PDE (2014-2024) que prevê a valorização dos profissionais da educação da Rede Pública de Educação Básica, ativos e aposentados, de forma a equiparar seu vencimento básico, no mínimo, à média da remuneração das demais carreiras de servidores públicos do Distrito Federal, com nível de escolaridade equivalente. Meta esta que deveria ter sido cumprida até o sexto ano do PDE.
A educação pública, gratuita e de qualidade social é direito constitucional de milhares de crianças, jovens e adultos da Capital Federal e deve ser garantida com respeito, salário digno e valorização dos profissionais da Educação básica pública.
Ato da classe trabalhadora em apoio ao magistério nesta terça (3)
Jornalista: Vanessa Galassi
Trabalhadores(as) de várias categorias do DF realizarão ato em solidariedade aos(às) professores e orientadores(as) educacionais nesta terça-feira (3/6), às 19h, no auditório do Sinpro (SIG). A atividade é organizada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT-DF).
No vídeo que chama para a atividade, o presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues, lembra que o governo não apresentou qualquer proposta à pauta do magistério vinculada à campanha salarial que traz reivindicações tanto financeiras como pedagógicas.
“Ao criminalizar a greve, (o governo Ibaneis) está criminalizando o direito dos trabalhadores de lutarem por seus direitos. É por isso, contra esse absurdo que foi decidido pela Justiça do Distrito Federal, que precisamos fazer um ato em solidariedade à educação, à greve dos professores e contra a criminalização do direito de greve”, afirma Rodrigo Rodrigues.
O Sinpro orienta a participação da categoria no ato desta terça e reforça que a unidade e a mobilização devem ser fortalecidas.
A decisão dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais pela greve, após inúmeras tentativas de negociação, revelou a verdadeira face do governador do Distrito Federal. Ibaneis Rocha em vez de dialogar, judicializa. Em vez de escutar, ameaça. Em vez de reparar, quer cortar ponto e aplicar desconto em salários. Transforma um direito constitucional em caso de tribunal. E o tribunal, que deveria ser um lugar de justiça, vira algoz.
Nesse sábado (31/5), a desembargadora do Tribunal de Justiça do DF e Territórios Lucimere Maria da Silva manteve a punição injusta e imoral contra a greve do magistério público. Ela não só negou recurso do Sinpro para garantir a legalidade da paralisação como utilizou do próprio cargo para obrigar o sindicato a publicar em seus meios de comunicação a decisão absurda que vai ao encontro dos propósitos e do caráter do governador Ibaneis Rocha.
Ao se debruçar em planos macabros que visam à desmoralização do Sinpro, o governador Ibaneis Rocha e a desembargadora Lucimere Maria da Silva tentam tirar de professores(as) e orientadores(as) educacionais o direito de resistir. Querem destruir a representação política da categoria, sustentada com o dinheiro dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais.
Na decisão publicada às pressas pela desembargadora – que deve também a professores(as) a profissão que hoje exerce –, fica ainda evidente que, entre os objetivos que antecedem a publicação da peça, está a investida na apropriação do dinheiro da categoria do magistério público. A sentença diz que, caso haja descumprimento da ordem judicial, a mensalidade sindical dos(as) filiados(as) ao Sinpro deverá ser retida e depositada em conta judicial vinculada ao processo. Para onde irá esse dinheiro após o fim dessa história de terror, é uma incógnita.
Ibaneis quer silenciar o magistério público e impedi-lo de exercer o direito de greve. Mas ele é pequeno diante da nossa força e da nossa história. Parafraseando a canção “Recado”, de Gonzaguinha, que fala da resistência e do desafio à censura e à opressão da época da ditadura militar no Brasil, se mandar calar, mais nós falamos. Porque o Sinpro é a ideia de um DF onde todos possam, de fato, exercer o direito humano à educação pública de qualidade; e ideias são indomáveis.
CNTE manifesta apoio à greve da educação e contra retaliações de Ibaneis
Jornalista: Vanessa Galassi
Educadores e trabalhadores do DF e do Brasil, de todas as categorias, vêm se manifestando em apoio à greve dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais das escolas públicas e contra as medidas autoritárias do governador Ibaneis Rocha e da desembargadora do Tribunal de Contas do DF Lucimeire Maria da Silva. Abaixo, nota da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), que se soma à luta. Assista também ao vídeo do presidente da CNTE, Heleno Araújo, em apoio ao movimento paredista.
NOTA DA CNTE
O ataque ao direito dos/as trabalhadores/as segue a passos largos nos tempos em que vivemos! Mal a Assembleia Geral dos Professores e Professoras da rede pública de ensino do Distrito Federal aprovou a greve da categoria, e antes mesmo de seu início, indicada para começar no dia de hoje (02 de junho, segunda-feira), o Tribunal de Justiça do DF julgou de forma absolutamente célere a ilegalidade do movimento justo e legítimo dos/as trabalhadores/as em educação da capital da República.
Trata-se, obviamente, de um ato que ataca o próprio direito constitucional à greve, insculpido em seu artigo 9º, que assegura aos/às trabalhadores/as a liberdade de exercer essa forma de manifestação coletiva. Ao impor uma multa draconiana e exorbitante ao sindicato da categoria no caso de seu descumprimento, a Justiça do DF abre mão de ser um importante agente e ator na mediação e negociação da contenda entre o Sinpro/DF e o Governo Distrital. A adesão ao governo interdita a possibilidade de superação do conflito, prejudicando ainda mais a população usuária desse tão importante serviço público.
A liminar pedida pelo Governo do DF indica claramente uma obstrução à garantia constitucional à negociação coletiva dos/as trabalhadores/as, contrariando os preceitos contidos na Convenção nº 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), já ratificada pelo Brasil desde o ano de 2010. O seu descumprimento por parte do GDF sugere, inclusive, denúncias nos foros internacionais e junto à própria OIT, já que a postura do Governo do DF burla a garantia à negociação coletiva, mesmo a norma internacional ainda padecer de regulamentação pelo Congresso Nacional.
Os/as educadores/as de todo o Brasil se solidarizam aos/às companheiros/as do DF e se somam à luta encampada pelo Sinpro/DF. A tentativa clara de criminalização de um movimento justo e legítimo não nos calará! Greve não é crime e a sua mediação deve ser assegurada tanto pelo GDF quanto pelo Poder Judiciário.
Somos todos e todas educadores/as e exigimos que a contenda representada pela negativa de atendimento à pauta da categoria dos/as professores/as do Distrito Federal seja superada em mesa de negociação, cumprindo os princípios basilares de boa-fé que todo processo negocial exige e os bons governantes atendem.
A mediação de conflitos é atributo necessário para se governar em uma democracia plena e é esse o desejo dos/as professores/as do Distrito Federal.
Participantes de Encontro de Direito Sindical repudiam decisão que declarou greve abusiva
Jornalista: Alessandra Terribili
Participantes do IX Encontro de Direito Sindical da ABRAT (Associação Brasileira da Advocacia Trabalhista) publicizaram uma moção de repúdio à decisão cautelar que declarou a abusividade da greve do magistério público no DF. De acordo com a moção, “a decisão ignora e desrespeita o art. 9º da Constituição Federal, constituindo-se em afronta aos princípios básicos de nosso Estado Democrático de Direito; tratando-se, sem sombra de dúvidas, de mais um e intolerável ataque aos direitos sociais dos trabalhadores brasileiros.
Leia a íntegra do texto abaixo.
MOÇÃO DE REPÚDIO
Advogados e advogadas de todo Brasil e líderes sindicais, reunidos em Maceió, durante o IX Encontro de Direito Sindical da ABRAT, de 29 a 30 de maio de 2025, REPUDIAM VEEMENTEMENTE a decisão cautelar exarada no processo 0721074 29.2025.8007.0000, Ação de Abusividade de Greve C/C obrigação de fazer com pedido de tutela de urgência, ajuizada pelo Distrito Federal contra o Sindicato dos Professores no Distrito Federal, que em sede de tutela emergencial, em despacho proferido pela Desembargadora do TJDF Sra. Lucimeire Maria da Silva, reconhecendo a abusividade da greve deliberada em assembleia do Sinpro no dia 27/05/2025, que se iniciaria em 02/06/2025, determinou:
1- Que cessem imediatamente todas as providências para a paralisação anunciada;
2- Fixação de multa de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) em desfavor do Sinpro, a partir da ciência da decisão e na hipótese de descumprimento;
3- Corte no ponto de todos os servidores a partir da ciência da decisão;
4- O Sindicato deve promover todas as providências para o cumprimento do hora decidido.
A decisão ignora e desrespeita o art. 9º da Constituição Federal, constituindo-se em afronta aos princípios básicos de nosso Estado democrático de Direito. Tratando-se, sem sombra de dúvidas, de mais um e intolerável ataque aos direitos sociais dos trabalhadores brasileiros.
Greve | Assembleias regionais elegem comando de greve na segunda, 2/6
Jornalista: Letícia Sallorenzo
O primeiro dia de greve de professores(as) e orientadores(as) educacionais começa com assembleias regionais. Às 9h de segunda-feira, 2 de junho, essas assembleias elegerão o comando de greve. Serão eleitos 39 integrantes, proporcionalmente distribuídos por regionais (veja tabela).
A primeira reunião do comando de greve eleito também será na segunda (2/6), às 19h, na sede do Sinpro no SIG, em preparação para a assembleia geral da quinta-feira (5/6), às 9h, na Funarte.
Qualquer professora(a) e orientador(a) pode votar nos integrantes do comando de greve. Mas, para se candidatar ao comando de greve, é necessário ser filiado(a) ao Sinpro.
Funções do Comando de Greve
O comando de greve é a instância que organiza e coordena uma greve, discutindo estratégias, orientações e decisões a serem tomadas pela assembleia dos trabalhadores. É o corpo que formula as diretrizes para a greve, sendo um ponto central de discussão e planejamento para a mobilização dos trabalhadores.
Também são funções do comando de greve:
– Definição de estratégias de ação/atividades que visam à atingir os objetivos da mobilização.
– Fiscalização e controle, com monitoramento da adesão dos trabalhadores, a comunicação com a base e negociações.
Greve da Educação
Professores(as) e orientadores(as) educacionais decidiram em assembleia entrar em greve por tempo indeterminado, a partir de 2 de junho. O movimento paredista é motivado por uma série de descumprimentos do governo de Ibaneis Rocha e Celina Leão – inclusive judiciais.
Além das pautas da Campanha Salarial 19,8% rumo à Meta 17 – reestruturação da carreira já!, a categoria também reivindica o cumprimento do acordo de greve de 2023; a nomeação todos os professores(as) aprovados no último concurso para o magistério, zerando o déficit de efetivos na rede, e a regularização do envio da relação de contribuições previdenciárias dos(as) professores(as) em regime de contratação temporária ao INSS, problema que vem impedindo 17 mil pessoas de tirarem atestados médicos superiores a 15 dias. O compromisso de regularização, feito na Justiça Federal, foi descumprido pelo GDF, e milhares desses professores, inclusive com doenças graves, como câncer, continuam sem poder acessar o benefício previdenciário, mesmo após perícia realizada pelo governo atestando a enfermidade.
É de total interesse do Sinpro, bem como de toda a categoria, manter a normalidade do ano letivo de 2025. A garantia disso, entretanto, depende do GDF.
Este GDF ditador; todos às assembleias regionais desta segunda (2/6)
Jornalista: Vanessa Galassi
Um milhão de reais por dia. Essa foi a multa que este GDF, por meio do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT), resolveu aplicar aos professores(as) e orientadores(as) educacionais da rede pública como punição ao movimento grevista. Além disso, profissionais que aderirem ao movimento paredista estão ameaçados de ter o ponto cortado. O Sinpro-DF vai recorrer da decisão.
A deflagração da greve do magistério público se deu em assembleia geral da categoria no dia 27 de maio, e terá início no dia 2 de junho (em cumprimento às 72 horas de antecedência da notificação da paralisação).
A publicação do documento do TJDFT, nas últimas horas dessa quinta-feira (29/5), impede a liberdade de organização e a atividade sindical da categoria do magistério, além de ferir normas da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Chama atenção ainda os critérios adotados pelo tribunal ao analisar os julgamentos sob sua alçada. Tarda mais de um ano para julgar o pagamento do retroativo da sexta parcela de reajuste de 2015, mesmo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), transitada em julgado, favorável aos(às) professores(as) e orientadores(as) educacionais. Entretanto, quando o caso trata da apropriação do dinheiro da categoria, a decisão é dada em questão de horas.
Com o mau uso do poder político, este GDF beneficia, exclusivamente, a si mesmo. Usa da autoridade para se eximir de atender necessidades básicas da educação pública e de seus profissionais: uma fuga ao dever constitucional.
Este GDF alimenta a crise. Endereça a própria abusividade a pais e mães de família que têm no exercício da docência o próprio sustento. Logo este GDF, que tem o legado do desinvestimento na educação pública e é citado em escândalos contra a democracia.
A categoria deve estar ciente de que o advogado do Sinpro não participou de reunião conjunta com a Procuradoria Geral do DF. O contato foi realizado unicamente com a desembargadora Lucimeire Maria da Silva, autora da decisão, via ligação telefônica.
Na conversa, foi discutida a possibilidade de audiência de conciliação, procedimento comum em ações judiciais, e que não pressupõe suspensão ou encerramento de greve. Em nenhum momento, o advogado sequer sugeriu a possibilidade de suspender o movimento paredista para que este GDF voltasse a negociar. Essa decisão só pode ser tomada em assembleia geral da categoria do magistério público.
E o mais gritante: o gabinete da desembargadora informou ao advogado do Sinpro que o Governo do Distrito Federal se recusava a iniciar qualquer negociação com o sindicato.
Portanto, a nota da Secretaria de Educação do DF enviada ao portal Metrópoles traz afirmações, no mínimo, levianas.
A situação é grave e acende todos os alertas quanto a legalidade, a legitimidade a ética e a moral deste GDF.
Mais que nunca, o momento é de unidade. É urgente que todos(as) os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais estejam presentes nas assembleias regionais desta segunda-feira (2/6). Nestes espaços, serão discutidos os rumos das ações da categoria diante da farsa instalada perversamente não só contra o magistério público, mas contra o direito humano à educação.