A verdade sobre a greve da educação

A tentativa deste GDF de criminalizar os profissionais da educação pública sempre esteve explícita. Seja com o apoio a projetos que vetam a liberdade de cátedra e incentivam a vigilância ostensiva de professores, seja com a aplicação de multas milionárias à representação sindical da categoria, seja com a tentativa de impedir que o magistério exerça o direito constitucional à greve. Este, inclusive, é um direito usado como último recurso – como agora, frente à responsabilidade e ao compromisso dos profissionais da educação com a população do DF.

Abusividade, ilegalidade e desproporcionalidade passam longe do nosso movimento paredista, constituindo, sim, a natureza de uma política de total descaso com a educação pública, como a aplicada por este GDF. Um descaso que não recai apenas sobre as pautas financeiras da educação, mas também sobre questões estruturais para a consolidação de uma educação pública plural, inclusiva e de qualidade socialmente referenciada.

Não foi o Sinpro que descumpriu acordo firmado perante a Justiça Federal sobre a regularização do repasse das contribuições ao INSS de professores substitutos e, com isso, impediu milhares de docentes, inclusive com doenças graves, como câncer, de acessarem benefícios previdenciários.

Não é o Sinpro que nomeia professores e, portanto, também não é ele que resolve o déficit abismal de quadro efetivo nas escolas públicas. Tampouco é o Sinpro que autoriza a realização de concurso público.

Não foi o Sinpro que assinou acordo de greve e não cumpriu.

Não é o Sinpro que vem se recusando a negociar e a apresentar qualquer proposta mesmo com orçamento autorizado e com a previsão de um aumento de R$ 2,7 bilhões no Fundo Constitucional do DF 2026.

Também não é o Sinpro que escolhe utilizar bilhões do orçamento público em renúncia fiscal e perdão de dívida ao invés de investir em educação para a sociedade.

É lamentável, sobretudo em tempos de exposição dos graves prejuízos das fake news, que este GDF afirme, inescrupulosamente, que a greve da educação foi “convocada exclusivamente pelo sindicato”. O movimento paredista, necessariamente, tem que passar por assembleia geral, um espaço deliberativo. E foi isso que aconteceu no dia 27 de maio, quando milhares de professores e orientadores educacionais lotaram o estacionamento da Funarte e, em sistema de votação, decidiram paralisar os trabalhos.

Este GDF fala, sem respaldo, de “avanços concretos para a categoria”. O que não é mencionado é que o salário do magistério público é o penúltimo no ranking das remunerações das carreiras de nível superior do funcionalismo local.

Professores do DF já tiveram o piso salarial mais bem pago do Brasil, e, no atual governo, chegamos a ter vencimento-básico abaixo do piso nacional da educação. Nos cálculos deste GDF, não é mencionado que, de janeiro de 2019 a dezembro de 2025, a inflação acumulada prevista é de 47,40%, portanto, os 6% de reajuste pagos durante 3 anos é um percentual irrisório quando o tema são ganhos.

Também não é falado por este GDF que a própria Secretaria do Estado de Economia do DF mostrou, a partir da publicação do Relatório de Avaliação do Cumprimento das Metas Fiscais do 1º quadrimestre de 2025, que a despesa total com pessoal ficou R$ 3 bilhões abaixo do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal. Segundo dados da pasta, desde o ano 1 da primeira gestão do atual governador, em 2019, foi atingido, sequer, o limite prudencial da LRF para investimento em pessoal.

Também não se fala da redução progressiva de investimento de recursos financeiros na educação do DF. Em 2019, o percentual da educação sobre o orçamento total era de 17,9%, e caiu para 14,4% em 2024.

Segundo o Portal da Transparência, em 2023, o este GDF empenhou mais de R$ 216,3 milhões do Tesouro em publicidade e propaganda. O valor pago foi ainda maior: ultrapassou R$ 219,5 milhões. No mesmo ano, o governo empenhou apenas R$ 134,5 milhões para alimentação escolar, e pagou ainda menos: R$ 128,3 milhões. Naquele ano – e em outros, os estudantes encontraram larva na merenda escolar.

Quem compromete o funcionamento regular da rede pública de ensino é este GDF. Aliás, não só por ter causado a greve da educação, mas por ter, desde 2019, atuado para sucatear o ensino público. É este GDF que gera o prejuízo para as famílias e nossas crianças e adolescentes.

Afirmar ainda que a greve da educação tem “viés político-eleitoreiro” é outro disparate. O Sinpro tem luta! Quem costuma fazer estelionato eleitoral é o próprio governador Ibaneis Rocha, que, em campanha, disse que professor deveria ganhar igual a juiz e, agora, criminaliza e judicializa a greve da categoria.

Desde o início do ano aguardamos uma posição deste GDF. Foram realizadas assembleias com a categoria e inúmeras tentativas de negociação. Mas a resposta sempre foi “não”. O processo eleitoral do Sinpro é uma previsão estatutária do sindicato, que, em respeito aos profissionais da educação, sempre foi cumprida. Portanto, quem tenta utilizar da política para ter benefícios é o próprio governador, que foge à verdade para se eximir de cumprir com o que está constitucionalmente previsto.

Somos nós, a categoria do magistério público do DF, que batalhamos para arrancar os direitos que temos hoje. Nada foi implementado por benevolência. Portanto, é de total interesse do Sinpro, bem como de toda a categoria, manter a normalidade do ano letivo de 2025. Mas a garantia disso depende deste GDF.

Diretoria do Sinpro

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Os verdadeiros motivos da greve da educação na TV aberta

Em diálogo com a população, o Sinpro explica os verdadeiros motivos da greve da educação em propaganda veiculada na TV aberta. O material começou a ser exibido nesta quinta-feira (29/5).

No material, o sindicato explica que, há meses, tenta dialogar com o este GDF, mas que as respostas vêm sendo sempre “não”.

No vídeo, o Sinpro ainda afirma que as reivindicações do magistério público vão muito além de pautas financeiras. São citados os problemas de infraestrutura nas escolas, do impedimento de professores(as) em regime de contrato temporário acessarem benefício do INSS e do déficit de professores efetivos nas escolas públicas, mesmo com aprovados esperando serem nomeados.

Assista ao vídeo e compartilhe em suas redes sociais

Professores e orientadores educacionais entram em greve nesta segunda-feira, dia 2

Se não tem proposta, a resposta é greve! Essa foi a decisão que professoras, professores, orientadoras e orientadores educacionais tomaram na assembleia geral que aconteceu na manhã desta terça-feira (27). A greve terá início na segunda-feira, 2 de junho, em respeito à legislação que prevê 72 horas de antecedência na notificação da paralisação.

Foi aprovado, também, um calendário de mobilizações, com assembleias regionais, reunião do comando de greve – que será eleito – e uma nova assembleia geral no dia 5 de junho (veja calendário abaixo).

No final da manhã desta terça, a assembleia se converteu em ato público, e os participantes seguiram em passeata até o Palácio do Buriti, onde deram o recado: se a situação é grave, a resposta é greve! Em frente à sede do Executivo local, a categoria mostrou que está unida e mobilizada para garantir as pautas de reivindicações da Campanha Salarial 19,8% rumo à Meta 17 – reestruturação da carreira já!

“A decisão da assembleia reflete o esgotamento da categoria, que se vê obrigada a recorrer ao instrumento de luta mais enérgico para conseguir ser ouvida”, afirmou a diretora do Sindicato Márcia Gilda.

 

 

Reação

Na assembleia, a comissão de negociação do Sinpro recuperou o histórico recente que atesta que o sindicato vem tentando negociar com o governo Ibaneis Rocha desde início do ano. A pauta de reivindicações, debatida e aprovada pela categoria, foi levada à mesa e o GDF chegou a realizar estudos para iniciar a reestruturação da carreira, um dos pontos centrais da campanha salarial.

Entretanto, mais uma vez demonstrando nenhuma vontade política de acolher as demandas da categoria, o governo Ibaneis informou ao sindicato, na reunião de negociação em 21 de maio, que “não tem condições orçamentárias” para atender às pautas da Campanha Salarial do magistério público.

“Todo mundo sabe que Ibaneis Rocha abre mão de bilhões do orçamento do DF em renúncias fiscais e perdões de dívidas, então, não dá para aceitar o argumento de que não tem dinheiro”, afirmou a diretora do Sinpro Márcia Gilda. “O que está faltando a esse governo não é dinheiro, é vontade política, é tratar com prioridade a educação pública, a educação do seu povo”, completou.

 

Principais pontos de pauta

Uma das pautas prioritárias da campanha salarial do magistério é a reestruturação da carreira. Ao longo dos anos, a mudança tem se mostrado um mecanismo eficaz para a ampliação e a garantia dos direitos da categoria, principalmente na valorização do vencimento-base.

Entre os principais pontos da reestruturação da carreira estão o achatamento dos padrões de 25 para 15 e a chegada mais rápida ao topo da tabela salarial; a ampliação do percentual de mudança entre padrões, além de, no mínimo, dobrar os percentuais de titulação (especialização, mestrado e doutorado). Os pontos convergem na valorização profissional e, consequentemente, na promoção de uma educação pública socialmente referenciada.

>> Veja o ponto a ponto da reestruturação da carreira AQUI

 

Edição: Vanessa Galassi

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Categoria realiza assembleia com indicativo de greve nesta terça (27)

Nesta terça-feira (27/5), professores(as) e orientadores(as) educacionais responderão coletivamente ao descaso do governo Ibaneis-Celina com a educação pública. A categoria se reunirá em assembleia geral com paralisação e indicativo de greve, às 9h, no estacionamento da Funarte, para decidir os rumos da luta em defesa da Campanha Salarial 19,8% rumo à Meta 17 – pela reestruturação da carreira já!.

Desde o início do ano, o Sinpro vem buscando negociar a pauta de reivindicação da categoria com o governo local. Entretanto, o GDF afirma que não há qualquer proposta aos mais de 30 mil profissionais que estão diariamente na luta para que a população do DF tenha acesso a um ensino de qualidade.

Em reunião com a Comissão de Negociação do Sinpro no dia 21 de maio, marcada justamente para a apresentação formal de uma proposta ao magistério, o GDF alegou que “não teria condições financeiras” para formalizar a minuta.

O argumento central foi de que a Certidão Orçamentária do Tribunal de Contas do DF, que identifica a relação entre a receita corrente líquida e a despesa de pessoal do Distrito Federal, indica o limite prudencial ultrapassado.

Em nota pública, o Sinpro alerta que, “ao se tratar da matemática dos gastos públicos, o GDF pode fazer escolhas: há opções, por exemplo, de redução da renúncia fiscal, da diminuição do perdão de dívidas e outras decisões que não ampliem a desvalorização dos profissionais do magistério público”. “Não atender às pautas dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais das escolas públicas é uma opção política do governo Ibaneis-Celina”, afirma o sindicato.

Diante da recusa do GDF, nas assembleias regionais do dia 22 de maio, a categoria mostrou que está mobilizada e foi unânime na avaliação de que é preciso intensificar as ações. Para professores(as) e orientadores(as) educacionais, é necessário utilizar como estratégia de pressão todos os direitos constitucionais dos trabalhadores, até que o governo apresente uma proposta concreta.

Campanha Salarial

Uma das pautas prioritárias da campanha salarial do magistério é a reestruturação da carreira. Ao longo dos anos, a mudança tem se mostrado um mecanismo eficaz para a ampliação e a garantia dos direitos da categoria, principalmente na valorização do vencimento-base. Com a reestruturação da carreira reivindicada na campanha salarial atual, a ideia é dobrar o vencimento-base do magistério.

Entre os principais pontos da reestruturação da carreira estão o achatamento dos padrões de 25 para 15; a ampliação do percentual de mudança entre padrões e a valorização da progressão horizontal (especialização, mestrado e doutorado) a partir da ampliação dos percentuais entre as tabelas salariais. Os pontos convergem na valorização profissional e, consequentemente, na promoção de uma educação pública socialmente referenciada.

>>  Veja o ponto a ponto da reestruturação da carreira AQUI.

O Sinpro destaca que a ampliação e a garantia dos direitos dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais da rede pública de ensino do DF depende da unidade, mobilização e participação de toda a categoria nas atividades convocadas pelo sindicato.

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Sinpro oferece ônibus para assembleia geral dia 27; confira os locais de saída

Para garantir a ampla participação dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais na assembleia geral, com paralisação, nesta terça(27), o Sinpro disponibilizará ônibus para a categoria, com saída de várias cidades e do entorno. A assembleia geral, com paralisação e indicativo de greve, às 9h, no estacionamento da Funarte, que decidirá os rumos da luta em defesa da Campanha Salarial 19,8% rumo à Meta 17 – pela reestruturação da carreira já!, será às 9h, no estacionamento da Funarte.

O Sinpro reforça que todas as conquistas da categoria são fruto de mobilização, unidade e luta. Da mesma forma, novos direitos e avanços só serão possíveis com a participação ativa nas atividades convocadas pelo Sindicato.

Estratégica

Um dos eixos da atual campanha salarial é a reestruturação da carreira. O mecanismo vem se mostrando eficaz para eficaz para a ampliação e conquistas de direitos dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais.

Entre os principais pontos da reestruturação da carreira proposta pelo Sinpro estão: dobrar o vencimento-base; achatamento dos padrões de 25 para 15, com incentivo financeiro para quem está no topo da tabela salarial; aumento dos percentuais de titulação; e gratificação para coordenador. Veja o ponto a ponto completo AQUI

 

Confira os locais e horários de saída dos ônibus:

 

Edição: Vanessa Galassi.

 

Categoria responderá coletivamente ao descaso de Ibaneis-Celina com a educação

Em comunicado à população do DF, veiculado na TV aberta, o Sinpro explica a atual situação da educação pública diante do governo Ibaneis-Celina e informa que o GDF “empurra a categoria para a greve”. Sem proposta do governo local para as pautas essenciais à valorização dos(a) profissionais da educação e para uma educação pública de qualidade, o sindicato lembra: “nossa resposta será coletiva”.

Na peça, o Sinpro ainda convoca professores(as) e orientadores(as) educacionais para a assembleia com paralisação e indicativo na greve terça-feira (27/5), às 9h, na Funarte. Assista ao comunicado.

 

Assembleias regionais dia 22 de maio; participe

No dia 22 de maio, professores(as) e orientadores(as) realizarão assembleias regionais para aprofundar as discussões sobre a Campanha Salarial 19,8% rumo à meta 17 – pela reestruturação da carreira já!. Os encontros serão realizados em 14 regiões administrativas, sempre às 9h e às 14h. No Plano Piloto, excepcionalmente, foi confirmada também uma assembleia às 19h. Veja a lista completa abaixo.

Além de debates em torno das reivindicações do magistério público do DF, as assembleias − que são espaços democráticos de diálogo − terão como objetivo mobilizar a categoria para a assembleia geral do dia 27, com paralisação e indicativo de greve. A atividade será no estacionamento da Funarte, às 9h.

 

 

Campanha Salarial

Uma das pautas prioritárias da campanha salarial do magistério é a reestruturação da carreira. Ao longo dos anos, a mudança tem se mostrado um mecanismo eficaz para a ampliação e a garantia dos direitos da categoria, principalmente na valorização do vencimento-base. Com a reestruturação da carreira reivindicada na campanha salarial atual, a ideia é dobrar o vencimento-base do magistério.

Entre os principais pontos da reestruturação da carreira estão o achatamento dos padrões de 25 para 15; a ampliação do percentual de mudança do padrão e a valorização da progressão horizontal (especialização, mestrado e doutorado) a partir da ampliação dos percentuais entre as tabelas. Os pontos convergem na valorização profissional e, consequentemente, na promoção de uma educação pública socialmente referenciada.

Veja o ponto a ponto da reestruturação da carreira AQUI.

Negociação

Em reuniões na primeira quinzena de maio, o GDF apresentará estudos orçamentários e jurídicos para iniciar as alterações do plano de carreira pelo achatamento dos padrões de 25 para 15; a valorização dos percentuais de titulação e a ampliação do quantitativo de liberação para estudo.

Para o Sinpro, esse é apenas o início do processo negocial. “Temos força e condições de arrancar toda a reestruturação do plano de carreira e o percentual de reajuste de 19,8% rumo à Meta 17 do PDE”, afirma a diretora do Sinpro Márcia Gilda.

 

Calendário de Lutas

Como parte do calendário de lutas da Campanha Salarial, o Sinpro realizará ações de mobilização, como o Sinpro nas Cidades e atividades do Convoca Já!.

O Sinpro destaca que a ampliação e a garantia dos direitos dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais da rede pública de ensino do DF depende da unidade, mobilização e participação de toda a categoria nas atividades convocadas pelo sindicato.

 

Veja o local das assembleias regionais, que serão realizadas sempre 9h e 14h:

Brazlândia: CEM 01

Ceilândia: CEE 02

Gama: Subsede

Guará: CED 03

Núcleo Bandeirante: CEMUB

Paranoá: CEF 01

Planaltina: Subsede

Plano Piloto: Sede

Recanto: CEF 101

Samambaia: CEE 01

Santa Maria: CEE 01

São Sebastião: CAIC Unesco

Sobradinho: CEM 01(ginásio)

Taguatinga: CEMAB

 

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* Publicado originalmente em 20/05/2025.

Diretora do Sinpro fala sobre campanha salarial e luta por educação sem preconceito ao Educação em Destaque

Em entrevista ao programa Educação em Destaque, nesta sexta-feira (18/4), às 12h, a diretora do Sinpro Márcia Gilda detalhará a Campanha Salarial 19,8% rumo à Meta 17 – Pela reestruturação da carreira já!. A campanha do magistério público está nas ruas de todo o Distrito Federal, em defesa da educação pública de qualidade e da valorização dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais. Clique abaixo para assistir ao programa.

 

 

Na entrevista, Márcia Gilda falará ainda sobre o trabalho do sindicato no enfrentamento ao racismo e na defesa do respeito à diversidade de gênero nas escolas. “Nossa atuação vai além da questão remuneratória. Precisamos garantir um ambiente escolar livre de discriminação, onde todos possam ensinar e aprender com dignidade”, afirmou.

O programa Educação em Destaque vai ao ar todas as sextas-feiras, às 12h, pela Destaque 61 – Assessoria e Consultoria em Educação e Comunicação, com o apoio do Sinpro.

“Educação é movimento e não cabe em ponto”, diz diretora do Sinpro em audiência na CLDF  

Em audiência pública na Câmara Legislativa do DF, nessa terça (8/4), a diretora do Sinpro Márcia Gilda criticou a instalação do ponto eletrônico nas unidades administrativas e regionais de ensino e as visões engessadas do processo educacional. O debate, solicitado pelo Sinpro e viabilizado pelo deputado Gabriel Magno (PT), faz parte do calendário de lutas da categoria do magistério público, aprovado na assembleia do dia 27 de março.

 

 

“Educação é movimento e não cabe em ponto”, disse Márcia Gilda. Ela destaca que o sistema foi instalado sem qualquer diálogo com o sindicato e com os(as) trabalhadores, além de desconsiderar as especificidades do trabalho desenvolvido pelos(as) profissionais desses locais. “O ponto eletrônico deve ser combativo pela categoria de forma coletiva, e é por isso que ela também integra a nossa campanha salarial 19,8% rumo à Meta 17 e pela reestruturação da carreira já!”

Resultado da audiência, o deputado Gabriel Magno encaminhou à SEEDF requerimento com a solicitação de acesso integral ao processo de licitação para instalação dos Registradores Eletrônicos de Pontos com reconhecimento facial. Sem resposta, o mandato do parlamentar, Sinpro e outras representações da educação acionarão o Tribunal de Contas e o Ministério Público.

O parlamentar ainda articulou reunião entre o Sinpro e o secretário da Casa Civil, Gustavo Vale Rocha, para tratar da questão do ponto eletrônico nas unidades administrativas e regionais de ensino.

A SEEDF chegou a ser convidada para participar da audiência dessa terça, mas, mais uma vez, preferiu não dialogar com a categoria. “Deixo aqui meu o repúdio; lamentamos muito. Serão sempre bem-vindos e sempre convidados, mesmo que negando os convites sistematicamente”, disse o deputado Gabriel Magno.

 

Desinvestimento
A instalação de Registradores Eletrônicos de Pontos com reconhecimento facial nas unidades administrativas e regionais de ensino, que custou cerca R$ 3 mi aos cofres públicos, foi implementada pela SEEDF em março deste ano de forma unilateral.

Em pouco mais de um mês de funcionamento, o sistema se mostrou inviável, e tem causado prejuízos à prática pedagógica e à saúde mental de servidores.

Para a diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) Rosilene Corrêa, “a SEEDF está dando atestado de desconhecimento de como seu próprio sistema funciona”, uma vez que a implementação do ponto não tem viabilidade.

“Poderíamos estar aqui discutindo, sim, a implantação de ponto eletrônico, mas dentro de uma realidade que é nossa, a partir do que temos que executar e fazer, mas chegar na contramão, é uma forma de punição”, afirmou.

 

Trabalho inviabilizado
Fernando Sousa, coordenador intermediário da Unidade de Educação Básica (Unieb) de Ceilândia, contou que chegou a cancelar duas formações, por falta segurança jurídica para que pudesse deslocar da Unieb ao local da capacitação.

“Qualquer pessoa que entenda sobre educação sabe que é impossível entender a dinâmica da educação e fazer algo dentro de algo tão fechado como o ponto eletrônico”, disse.

A formadora da Unidade-Escola de Formação Continuada dos Profissionais da Educação (Eape) Gigliola Mendes leu uma carta dos(as) servidores da escola e mostrou que o ponto eletrônico desconsidera as complexidades que marcam o trabalho docente.

“O ponto eletrônico nos faz negar o direito à educação e à formação dos professores que estão atuando nos locais mais distantes, porque o ponto não considera as especificidades. Impor o ponto eletrônico é negar a natureza intelectual, dinâmica, territorial e expandida do nosso trabalho”, disse.

Erika Kokay, deputada federal (PT-DF), afirmou que o ponto eletrônico lembra controle sobre educadores e educadoras. Para ela, a medida que impede que haja educação em movimento vem de um conjunto de ações que representam um projeto contra a educação.

“Estamos vivenciando um controle, uma tentativa de culpabilizar os educadores pela ausência de estrutura dentro das próprias escolas, ou seja, ausência de condições de funcionamento. Precisamos fazer um dossiê e levantar todas as realidades que os educadores estão enfrentando diariamente”, disse a parlamentar.

 

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Reestruturação da carreira é estratégica na campanha salarial; veja o ponto a ponto

O circuito de assembleias regionais para discutir a campanha salarial do magistério público do DF foi concluído. Agora, a categoria se prepara para a assembleia geral, com paralisação, marcada para esta quinta-feira (27/3), às 9h, no estacionamento da Funarte. Entre os itens da pauta, a reestruturação da carreira, ponto estratégico da campanha salarial junto com a reivindicação pelo reajuste de 19,8%, rumo à meta 17 do Plano Distrital de Educação (PDE).

A reestruturação da carreira tem sido um mecanismo eficaz para a ampliação e a garantia dos direitos dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais. O plano de carreira de 2007, por exemplo, gerou alteração na tabela salarial que resultou em reajuste médio de 50%. No plano de carreira seguinte, em 2013, essa alteração trouxe reajuste de 25% à categoria.

 

 

A luta pela reestruturação do atual plano de carreira segue a linha de implementação de melhorias e de valorização do magistério público. Veja os principais pontos:

Dobrar o vencimento-base

A reestruturação da carreira reivindicada na atual campanha salarial traz a tabela salarial que resultou da minuta discutida em outubro de 2022 com o GDF, publicada em dezembro do mesmo ano. Estruturada em 15 padrões e sete etapas, a tabela prevê mais que o dobro do vencimento-base.

Para se ter ideia, pela tabela salarial atual, recém-empossados com especialização (PQ4 padrão 1) e jornada de 40 horas (maioria da categoria), têm remuneração-base de R$ 6.655,25. Pela tabela apresentada na reestruturação da carreira, a remuneração passa para R$ 15.139,30.

Pela tabela defendida pelo Sinpro na atual campanha salarial, professores em regime de contratação temporária, que têm remuneração vinculada ao padrão 1, etapa III da tabela salarial, passam a receber R$ 12.111,44. Atualmente, o vencimento é de R$ 6.055,72.

 

Achatamento dos padrões de 25 para 15

A proposta do Sinpro é reduzir os padrões da tabela salarial de 25 para 15, com incentivo financeiro para quem está no topo. Com isso, os maiores salários são atingidos mais rápido.

O achatamento dos padrões atinge diretamente o cálculo da aposentadoria de quem entrou no magistério público de 2004 a 2019 − que tem como benefício a média de 80% dos maiores salários. Isso porque, quanto maiores os salários ao longo da vida laboral, maior a média encontrada.

A estratégia de achatamento dos padrões é totalmente possível. Em 2005, por exemplo, com a alteração do segundo plano de carreira do magistério (Lei nº 3.318 /2004), o Sinpro garantiu a redução dos padrões de 31 para os atuais 25. A mobilização da categoria foi determinante para a conquista.

 

Antecipação dos padrões

Atualmente, os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais podem antecipar um padrão a cada 5 anos. Basta apresentar certificado de cursos, com soma de ao menos 180 horas. A luta é para que essa antecipação seja feita a cada 3 anos, acelerando ainda mais o caminho para chegar ao topo da tabela salarial.

 

Valorização do percentual entre padrões

A cada ano, o(a) professor(a)/orientador(a) educacional avança um padrão na tabela salarial. A diferença da remuneração entre um padrão e outro é variável. A reivindicação é para que esse percentual seja de, no mínimo, 3% ao ano, em cada mudança de padrão.

 

 

Valorização da formação

A tabela salarial mais recente está dividida em seis etapas: da PQ1/PV1 à PQ6/PV6. Os(as) professores(as)/orientadores(as) educacionais são encaixados em cada uma das etapas de acordo com a formação: graduação, especialização, mestrado e doutorado.

Nessa progressão horizontal, são aplicados percentuais em relação à tabela de professores(as) e orientadores(as) educacionais com graduação (PQ3/PV3|OQ3/OV3), que funcionam como valorização da  titulação do(a) professor(a) ou orientador(a) educacional. Atualmente, esses percentuais são de 5% para especialização, 10% para mestrado e 15% para doutorado. A luta é para que esses números, no mínimo, dobrem. Além disso, a defesa é pela criação da tabela de pós-doutorado.

 

Formação continuada

Ampliação do percentual de afastamento remunerado de servidores(as) ativos(as) para estudos de 1% para 2%. O plano de carreira vigente limita o afastamento remunerado a 1% dos(as) servidores(as) ativos para participação de Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu (mestrado e doutorado).

 

 

Gratificação para coordenador

O Sinpro luta para que coordenadores(as) pedagógicos(as) recebam gratificação nos mesmos moldes das demais gratificações de exercício. Ou seja, a luta é para incluir a gratificação de coordenação pedagógica no plano de carreira, com o mesmo regramento das demais gratificações de exercício. Essa gratificação será atualizada com o mesmo percentual aplicado à remuneração.

 

GDF Saúde aprimorado

A luta é para que o GDF Saúde (plano de saúde da categoria) seja pago integralmente pelo governo do DF. Ainda é reivindicada a ampliação do atendimento para rede nacional, com a inclusão de dependentes ascendentes.

 

Gratificações e outros auxílios

A reestruturação do plano de carreira defendida na atual campanha salarial traz a extensão do pagamento da Gratificação de Atividade de Alfabetização (GAA) para quem atua nos anos iniciais do Ensino Fundamental e Primeiro Segmento da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Também é proposto o pagamento da Gratificação de Atividade de Ensino Especial (GAEE) aos(às) professores(as) e orientadores(as) educacionais de escolas regulares que atendam a estudantes com transtorno ou deficiência.

A reestruturação do plano de carreira ainda prevê a criação de auxílio para locomoção aos(às) professores(as) itinerantes entre as unidades de ensino.

 

Progressão na carreira para CTs

A proposta de reestruturação da carreira ainda reivindica que professores(as) em regime de contratação temporária, ao serem efetivados(as), tenham direito a averbar o período de serviço para progredir na carreira.

 

Isonomia nos percentuais da coordenação pedagógica

A luta do Sinpro é para que servidores(as) do magistério em atividade pedagógica nas escolas, com jornada de 20 horas, tenham tempo de coordenação pedagógica equivalente a 37,5% da carga horária de trabalho.

Em 2023, a luta da categoria, organizada pelo Sinpro, garantiu o aumento do percentual de coordenação pedagógica de quem tem jornada de 20 horas, que foi de 33% para 35% da carga horária de trabalho.

 

Para além da reestruturação da carreira

A atual campanha salarial também insere na pauta de luta itens da pauta de reivindicações do Sinpro, aprovadas pela categoria em assembleia. Entre eles, a ampliação do valor do auxílio-alimentação. A proposta do Sinpro é que o valor do auxílio-alimentação dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais seja o mesmo pago aos(às) servidores(as) da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Atualmente, os servidores da CLDF recebem auxílio-alimentação de R$ 1.935,12.

Acesse AQUI a Pauta de Reivindicações completa

 

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