Quase 10 mil pessoas com mais de 60 anos participaram do Enem 2024

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Educação superior depois dos 60. Dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), revelam o aumento na participação de pessoas idosas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2024). Cerca de 9.950 pessoas com mais de 60 anos realizaram o exame, que é a porta de entrada para o ensino superior no Brasil.

Nos últimos domingos, 3 e 10 de novembro, 4,3 milhões de candidatos responderam às provas de redação, linguagens, ciências humanas, ciências da natureza e matemática. Segundo os dados do Inep e do MEC, entre os inscritos, 2,9 milhões (67%) tinham até 18 anos; 420 mil (9,7%) tinham entre 19 e 20 anos; 639 mil (14,8%) tinham entre 21 e 30 anos; 350 mil (8,1%) tinham entre 31 e 59 anos; e quase 10 mil (0,23%) tinham mais de 60 anos.

Embora represente menos de 1% do total de participantes, o número de pessoas com mais de 60 anos de idade foi o maior número registrado desde 2020. Na época, cerca de 11.700 candidatos desta faixa etárias participaram das provas.

Entre os/as candidatos/as idosos/as que responderam às provas em 2024, 558 estão cursando o ensino médio na modalidade de educação para jovens e adultos (EJA).

Para o secretário de aposentados e assuntos previdenciários da CNTE, Sérgio Kumpfer, a alta participação está relacionada a uma nova perspectiva de viver essa fase da vida.

“É maravilhoso ver isso acontecendo. Estudar é uma, entre tantas possibilidades, que deve estar no horizonte de aposentados e aposentadas. Esse dado coloca uma questão fundamental: governo e sociedade precisam se preparar para um mundo com mais pessoas idosos/as. Por isso é muito importante a garantia de uma aposentadoria justa, para, depois de tantos anos dedicados ao trabalho, todos terem condições de realizar sonhos, que não eram possíveis de compatibilizar com a carga horária de trabalho”, disse.

“Os nossos aposentados/ as não desejam “ir aos aposentos”. Desejam, sim, uma vida intensa e ativa sempre”, completou.

 

Número de candidatos do Enem com mais de 60 anos ao longo dos anos:

2018- 9.704

2019- 8.259

2020-11.768

2021- 6.004

2022- 5.900

2023- 8.531

Os indicadores são confirmados pelo Censo da Educação Superior de 2023, divulgado recentemente. O estudo mostra que o Brasil registrou 9.977.217 matrículas nos cursos de graduação e sequenciais de formação específica — presenciais e a distância. Dessas, 60.735 matrículas foram de pessoas com 60 anos ou mais.

Quase metade dos alunos nessa faixa etária (30.692) ingressou no ensino superior em 2023.

 

Escrito por: Redação CNTE – Fotografia: Divulgação/PRO 60+

Infraestrutura e estabilidade são cruciais para a PNEERQ, diz secretária do MEC

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“Para a educação antirracista funcionar, é preciso ter estabilidade nas escolas!” Essa foi a afirmação da secretária de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), do Ministério da Educação (MEC), Zara Figueiredo, sobre as perspectivas da Política Nacional para Educação Étnico-Racial e Quilombola na educação básica (PNEERQ).

A secretária esteve reunida junto aos dirigentes das entidades filiadas à CNTE, na reunião do Coletivo de Combate ao Racismo Dalvani Lellis, nesta terça-feira (12), em Brasília. Durante o encontro, Zara apresentou aos educadores as perspectivas e questões fundamentais para que a educação étnico-racial seja uma realidade em todas as salas de aulas da educação básica pública.

“Um momento de troca de saberes e também de nos organizarmos para promover uma escola inclusiva e antirracista”, disse o secretário de Combate ao Racismo da CNTE, Carlos Furtado.

 

Geovana Albuquerque

 

Segundo estudos do departamento que ela coordena no órgão, as escolas públicas onde estudantes negros e negras são maioria possuem mais trocas de professores e pior infraestrutura de apoio.

“Precisamos debater também onde estão colocados os professores que irão colocar a política em prática. Aqueles que são concursados e possuem melhor formação e experiência não estão nas escolas que mais precisam deles”, disse.

A contratação temporária de professores da rede pública também foi destacada por ela como fator a ser superado. “Só será exitosa por completo se tivermos carreira. Quando discutimos educação antirracista, no ponto de vista das redes de ensino, se não considerarmos o elemento estabilidade dos profissionais, não teremos condições de ter uma política sólida”.

 

Geovana Albuquerque

 

Incentivo aos estudantes 

Dados de 2019 reunidos pela Secadi revelam uma diferença de quase 20% no nível de alfabetização entre crianças brancas e negras matriculadas do 2º ano do Ensino Fundamental. Enquanto 70,4% de estudantes brancos estavam alfabetizados, apenas 52,6% de alunos negros atingiram o nível de aprendizagem desejado.

Em 2021, apesar de a queda nos níveis de aprendizagem ter sido influenciada pela pandemia de Covid-19, a diferença entre os dois grupos continuou expressiva. 52,4% de crianças brancas obtiveram os níveis indicados de alfabetização, contra 44% registrados entre as crianças negras.

“Existem dois grandes desafios da PNEERQ: a infraestrutura das escolas e o racismo institucionalizado que existe entre o corpo docente”, apontou Zara.

 

Geovana Albuquerque

 

“Temos constatado a baixa expectativa dos professores sobre o aprendizado dos estudantes negros. Todo mundo que dá aula sabe que, quanto maior a expectativa que temos sobre os nossos estudantes, mais eles tendem a nos responder positivamente em relação ao aprendizado. Eles sabem que existe uma espera positiva sobre… A baixa expectativa do docente sobre o quão longe o aluno negro da educação básica pode chegar tem um peso enorme no racismo e no desenvolvimento de seu aprendizado”, destacou.

Para a secretária, não basta ter um currículo rico nas relações étnico-raciais, é preciso ter preocupação com a aprendizagem dos estudantes. “De nada adianta termos a nossa história e cultura presente no currículo se não há a preocupação da escola com a aprendizagem do seu estudante e se ele não sabe ler”, reforçou.

 

 

Geovana Albuquerque

 

“A PNEERQ reflete a grande desigualdade que a pandemia e as gestões passadas aprofundaram. Ela reflete o que precisamos consolidar para evitar que essa agenda nos seja tomada e pensar numa política que seja condizente com esse momento em que vivemos. Precisamos desse debate e conversar com quem faz a educação na ponta. O movimento negro educador precisa entrar no terceiro capítulo dele, que é a disputa dos espaços de decisão”, finalizou.

 

Escrito por: Redação CNTE – Fotografias: Geovana Albuquerque

CNTE e educadores acompanham resultado de pesquisa de avaliação formativa na Malásia

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Nos dias 8 e 9 de novembro, a comitiva brasileira que integra a pesquisa de “Círculos de Aprendizagem Conduzidos pelo professor para Avaliação Formativa”, promovida pela Internacional da Educação (IE) e pelo Grupo de Estudos sobre Política Educacional e Trabalho Docente (GESTRADO/UFMG), e com apoio da CNTE no Brasil, desembarcou na capital da Malásia, Kuala Lumpur, no sudeste asiático, para a apresentação prévia dos resultados do estudo.

O encontro marcou o fim do período de um ano em que educadores/as de sete países (Coreia do Sul, Costa do Marfim, Gana, Malásia, Uruguai, Suíça e Brasil) se dedicaram a entender e a investigar os processos de avaliação da aprendizagem de estudantes das escolas públicas.

Durante 12 meses, o projeto de Avaliação Formativa desenvolveu um experimento com professores da educação básica pública dos sete países sobre a avaliação formativa dentro das escolas. Entre os objetivos, a pesquisa contrapõe os métodos avaliativos em larga escala a que profissionais da educação são submetidos, e busca desconstruir o sentido da avaliação como uma forma de punir as pessoas.

“Constatamos que todos os países enfrentam dificuldades para desenvolver o projeto. Entretanto, apesar de todos os desafios e realidades, eles conseguiram desenvolver e comprovar que é sim possível realizar uma avaliação formativa no espaço das escolas públicas”, relata a secretária de Assuntos Educacionais da CNTE, Guelda Andrade.

Além da dirigente, duas professoras brasileiras, Rosana Lucia Pereira de Moraes, do Distrito Federal, e Sibele da Silva Siegle, do Rio Grande do Sul, participaram da apresentação dos resultados da pesquisa.

 

reprodução

 

“Foi uma experiência ímpar. Bom sabermos que, mesmo geograficamente distante, os/as profissionais/as da educação vivem as mesmas dificuldades, mas que a luta e a resistência são marcos de esperança. Gratidão à CNTE por tão grandiosa oportunidade”, celebrou Rosana.

O grupo brasileiro também contou com a presença dos mediadores do projeto, representantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Maíra Kascher Santos e Alexandre Duarte. Segundo Alexandre, o seminário de fechamento da pesquisa mostrou que o Brasil não é o único na luta por uma educação pública de qualidade, principalmente entre as nações do sul global.

“Compartilhar as experiências do projeto com os demais países demonstrou que temos muitas pautas em comum e uma forma de resistência semelhante, somando os esforços dos sindicatos e da academia na construção de uma agenda junto aos professores e professoras”, avaliou.

 

reprodução

 

De acordo com Guelda, por meio do processo de avaliação formativa nas escolas públicas, é possível que os professores retomem a autonomia de suas salas de aula, tornando seus estudantes protagonistas do processo de construção do conhecimento.

Considerando que a maioria dos professores participantes atua nos anos iniciais da educação, com a alfabetização de crianças, a aplicação do projeto da avaliação formativa se dá pela escrita e leitura dos seus estudantes.

“O professor consegue dialogar com o estudante, para juntos construírem a melhor forma de aprender. Na avaliação formativa, é o professor que faz a análise da sua própria prática diária e pensa nas estratégias para que essa criança aprenda. Esse é um método de avaliação mais humano e diferente de outras metodologias em larga escala que não consideram o contexto, realidade social e território em que o aluno está inserido”, completa.

 

Escrito por: Redação CNTE – Fotografias: Reprodução

Coletivo debate efetivação de prática educacional antirracista nas escolas

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As perspectivas e estratégias para a construção de uma educação pública antirracista pautaram a reunião do Coletivo de Combate ao Racismo da CNTE Dalvani Lellis, nesta terça-feira (12). Em Brasília, dirigentes das secretarias de combate ao racismo das entidades filiadas à Confederação participaram do momento de reflexão e troca de experiências para a implementação de um ensino voltado à superação das desigualdades étnico-raciais.

“Um momento de troca de saberes e também de nos organizarmos para promover uma escola inclusiva e antirracista”, disse o secretário de Combate ao Racismo da CNTE, Carlos Furtado.

 

Geovana Albuquerque

 

“Tarefa de todos”, pontuou a secretária-Geral da CNTE, Fátima Silva, sobre o combate ao racismo e à discriminação racial. Ela ainda reiterou sobre ser uma tarefa diária e não restrita somente ao dia 20 de novembro, data em que é celebrado o Dia da Consciência Negra.

 

Geovana Albuquerque

 

“É um compromisso para o qual o mundo do trabalho se despertou e começou a enxergar. E as centrais sindicais, a CNTE e suas entidades precisam ir no mesmo sentido, fortalecendo essa política… Creio que o momento que estamos vivendo, é algo a ser celebrado, e acontece em função de um governo democrático popular que elegemos após quatro anos sem essa atenção. Mas se não fosse essa luta, não estaríamos vivendo esse momento, celebrando a visibilidade que a cor negra está ganhando”, enfatizou Fátima.

 

Diferenças que unem 

A Professora Adjunta da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília, Renísia Garcia, abriu as atividades do coletivo com a palestra “Educação, Antirracismo e Interseccionalidade: Caminhos possíveis e implementação da lei 10.639/2003, que introduziu o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira no currículo da educação básica.

Em sua fala, ela ressaltou ser crucial que o próprio movimento negro reconheça e considere as especificidades e diferenças que existem dentro dele para a construção de uma educação antirracista fortalecida dentro das universidades.

 

Geovana Albuquerque

 

“Precisamos começar a fazer o debate racial também entre os nossos pares e ter a consciência de que nós teremos muitos inimigos e inimigas nesse caminho. O que queremos quanto educação antirracista cabe no desenho que opera nas universidades… então, nessa perspectiva, precisamos refletir os fatores que nos unem nessa luta”, salientou.

Coordenadora Nacional do Movimento Negro Unificado, a professora Rosa Negra, destacou o encontro como uma oportunidade de renovar energias e fortalecer o coletivo para o trabalho. Agradeço por estarmos discutindo pautas caras para nós”, disse.

 

Geovana Albuquerque

 

“A lei 10.639/2003, já alcançou a maioridade e até hoje não vimos o trabalho sendo refletido nos estados e municípios… Nós, enquanto homens e mulheres negros, temos grande responsabilidade, pois somos o movimento que está implementando na ponta a pauta racial e defendendo a vida e história do nosso povo negro.”

 

Escrito por: Redação CNTE – Fotografias: Geovana Albuquerque

Calendário de ações e mobilizações da CNTE

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Novembro de 2024

11 – Dia de atos públicos pelo PNE como projeto de nação.

14 a 16 – Cúpula Social do G20, no Rio de Janeiro.

20 – Dia de combate ao racismo.

20/11 a 10/12 – 21 dias de atividades pelo fim da violência contra as Mulheres.

25 – Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres.

29 – Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino.

 

Dezembro de 2024

1 – Manifestações de combate a AIDS.

10 – Seminário Nacional “POR LA PÚBLICA, CREAMOS ESCUELA” (Campanha da IE), por mais recursos públicos para escola pública, contra a privatização das nossas escolas! Promovido pela CNTE em ação conjunta com a Comissão de Educação do Senado Federal.

17 e 18 – Reunião da Direção Nacional da CUT.

23.12 a 05.01 – Recesso na CNTE.

 

Fevereiro de 2025

11 e 12 – Encontro das/os Aposentadas/os.

19 – Reunião da Direção da CNTE.

20 e 21 – Reunião do CNE-CNTE.

Definir data – Reunião do Conselho Editorial da Revista Retrato da Escola, no Recife com apoio da FUNDAJ.

 

Março de 2025

08 – Dia de Luta em defesa dos Direitos das Mulheres.

Abril de 2025

22 a 28 – Semana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública.

 

Maio de 2025

01 – Atos públicos no dia do/a Trabalhador/a.

16 – As ações fundamentais dos/as Funcionários/as da Educação.

17 – Combater à LGBTfobia.

 

Julho de 2025

17 e 18 – Encontros simultâneos dos Coletivos da CNTE, no Recife/PE.

 

Agosto de 2025

06 – Investir na formação dos/as Profissionais da Educação.

 

Setembro de 2025

07 – Marcha dos/as excluídos/as.

 

Outubro de 2025

05 – Aplicação das recomendações da ONU para a Profissão Docente.

15 – Dia das/os Professoras/es

28 – Valorizar as/os servidores públicos é melhorar o atendimento dos serviços públicos.

22 – Reunião da Direção da CNTE.

23 e 24 – Reunião do CNE-CNTE.

 

Novembro de 2025

20 – Lutar pela igualdade racial.

(Definir duas datas para as reuniões do Conselho Fiscal em 2025)

 

Janeiro de 2026

15 a 18 – 35o Congresso da CNTE, em Brasília/DF.

 

Orientar, subsidiar com textos e estimular os estudos e debates nas escolas sobre:

22 de março – a água;

07 de abril – Combate ao Bullying e à violência na escola;

22 de abril – Educar pelo Planeta.

05 de junho – o Meio Ambiente;

03 de Julho – combate a discriminação racial;

12 de agosto – o papel social da juventude;

19 de setembro – o legado de Paulo Freire:

16 de outubro – a alimentação saudável;

25 de novembro – Eliminação da violência contra as mulheres;

10 de dezembro – a prática dos direitos humanos.

 

Escrito por: CNTE

Primeiro dia do Enem 2024 registra alta de participantes comparado à edição anterior

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Cerca de 4,3 milhões de pessoas se inscreveram no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2024) em busca de uma vaga no ensino superior. Desse total, 73,4% participaram do primeiro dia de provas, aplicadas no domingo, 3 de novembro, em todo o país. O índice revela um aumento de 1,5% comparado ao Enem 2023, que registrou 71,9% de presença.

A quantidade de estudantes que estão concluindo o ensino médio na rede pública e se inscreveram no Enem subiu para 94%. O número é 36% maior do que em 2023, quando 58% dos estudantes concluintes da etapa fizeram a inscrição.

14 das 27 unidades da federação tiveram 100% dos seus estudantes concluintes do ensino médio inscritos no Enem 2024.

Para o presidente da CNTE, Heleno Araújo, a maior participação de estudantes no Enem resulta da leitura de que exista um compromisso sério do governo em estimular a continuidade dos estudos.

“Esse compromisso incentiva e contribui com as inscrições e confia no processo de elaboração, aplicação e resultados das provas. Ou seja, há confiança no processo e, com isso, maior adesão”, avalia.

O balanço foi apresentado pelo ministro da Educação, Camilo Santana, e pelo presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Manuel Palácios, durante a coletiva de imprensa realizada no Inep, em Brasília, ao fim da aplicação das provas.

Para o MEC, os dados mostram o impacto de políticas de incentivo à participação dos estudantes, como o programa Pé-de-Meia. Os participantes do programa que realizarem os dois dias de provas do Enem receberão uma parcela de bônus no incentivo no valor de R$ 200 em 2025.

Para o cálculo, foram usados como base de comparação os dados divulgados pelo Censo Escolar de 2023. Os índices definitivos dependem da consolidação por parte da empresa aplicadora e deverão ser informados em janeiro de 2025, quando os resultados do exame forem divulgados.

 

O Enem

Há mais de duas décadas de existência, o Enem tem sido o principal meio de entrada para a educação superior no país, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e de iniciativas como o Programa Universidade para Todos (Prouni).

A prova avalia o desempenho escolar dos estudantes ao término da educação básica. Aplicada em dois domingos, no primeiro dia, os participantes respondem questões de linguagens e ciências humanas, além da redação.

Na próxima etapa, marcada para o dia 10 de novembro, será a vez dos inscritos resolverem os itens de ciências da natureza e matemática. O gabarito oficial e os cadernos de questões serão divulgados no portal do Inep em 20 de novembro.

 

Escrito por: Redação CNTE – Fotografia: Paulo Pinto/Agência Brasil

Acesso a óculos aumentaria renda de crianças em até R$ 300 mil, revela pesquisa

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As perdas de aprendizagem associadas a problemas de visão têm se mostrado um problema ainda mais complexo no desenvolvimento dos estudantes. Uma pesquisa realizada pela Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira (IAPB) e pela Fundação Seva revela que o acesso a óculos na infância poderia aumentar os ganhos dos alunos em até R$ 296,5 mil ao longo de sua vida adulta.

A pesquisa tem como base os dados do Global Burden of Disease (GBD), que estima que pelo menos 800 mil crianças brasileiras vivem com problemas oftalmológicos não corrigidos, como miopia e hipermetropia, além de uma pesquisa chinesa, que mostra a diferença positiva no desempenho de alunos que possuem acesso a óculos em teste de matemática, ciências e chinês, comparado aos que não enxergam adequadamente.

O diretor-executivo da IAPB no Reino Unido, Peter Holland, explica que “a pesquisa indica que o resultado obtido por crianças sem óculos é metade do registrado por crianças com boa visão, o que significa que elas aprendem metade do que seus colegas.”

As consequências da ausência de óculos foram convertidas em anos de escolaridade perdidos, isto é, o tempo em que o aprendizado ficou abaixo do desejado. Em seguida, os pesquisadores relacionaram os dados de escolaridade à expectativa de renda, levando em conta para cada ano de aprendizado completo um incremento de 10% nos rendimentos futuros.

Como resultado, a pesquisa constatou que, se uma criança brasileira de 5 anos recebe óculos para correção de grau no início da sua vida escolar e o utiliza até seus 18 anos, ela terá ao longo da sua vida uma renda, em média, 78,1% maior do que se nunca tivesse corrigido e melhorado o seu aprendizado.

Para Peter Holland, a diminuição do aprendizado dos estudantes afeta não somente as famílias de forma individual, mas também tem um efeito cumulativo nas economias. O diretor-executivo avalia que apontar a dimensão do problema é uma forma de reunir esforços para corrigir a falta de acesso a óculos no país.

 

Desafios

Até que seja feito o diagnóstico dos problemas de visão e a prescrição dos óculos para os estudantes, os pesquisadores apontam desafios que precisam ser superados. Entre eles estão o acesso aos cuidados oculares e a atenção ao tema no sistema educacional como um todo. “Em regiões com acesso limitado a serviços de saúde, garantir a adesão e o uso consistente dos óculos pode ser mais desafiador”, afirma Peter Holland.

Outra lacuna – a do teste do reflexo Vermelho (TVR) ou “Teste do Olhinho” – também precisa ser superada antes mesmo da criança ingressar na escola. Nem todos os recém-nascidos realizam o teste na maternidade, e nem passam por exames oftalmológicos nos primeiros anos de vida, como recomenda a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), para a detecção precoce de problemas oculares.

 

Projetos e iniciativas

Em 2023, pesquisadores reunidos no 1º Fórum da Câmara Técnica de Oftalmologia do Conselho Federal de Medicina (CFM) lançaram a “Carta pela saúde ocular das crianças brasileiras”. Entre outras recomendações, o documento defende a ampliação da rede de assistência oftalmológica na atenção básica e a garantia de realização nas maternidades.

No Senado Federal, tramita, desde maio de 2023, uma proposta para alterar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), assegurando o direito dos alunos da educação básica à assistência oftalmológica e auditiva. O PL n.º 2695/2023 chegou a ser aprovado em outubro do mesmo ano na Comissão de Educação (CE), e aguarda atualmente a análise de outras comissões antes de seguir para votação.

Na época, a secretária de assuntos educacionais da CNTE, Guelda Andrade, salientou a importância da assistência aos estudantes, dado os impactos que a falta de aparelhos auditivos e óculos causa na vida e no desempenho escolar.

“Traz qualidade de vida para o estudante […] é uma demanda fundamental para o processo de aprendizagem, para a convivência em sociedade e para o desenvolvimento da sua vida acadêmica e profissional”, apontou.

 

Com informações do Portal Terra/Estadão

Escrito por: Redação CNTE – Fotografia: Joédson Alves/Agência Brasil

Painel debate politicas educativas para fortalecimento da docência

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A Importância da discussão de políticas educativas com entidades governamentais e não governamentais em nível mundial para fortalecer a profissão docente e gerar o debate foi tema do Painel sobre “As Recomendações da ONU e o chamado urgente para os/as profissionais da educação sejam bem remunerados/as valorizados/as e respeitados/as no segundo dia do Seminário Internacional da Educação, nesta quarta-feira (30.10)

As 59 recomendações são resultado de mais de dois anos de pesquisa e discussões com pedagogos e representantes globais e trazem a urgência e a relevância de uma educação pública robusta e sustentável de acordo com Sonia Alesso, presidenta da Internacional da Educação da América Latina (IEAL)  e secretária geral da CTERA  – Confederação dos Trabalhadores em Educação da Republica da Argentina);

 

Thainá Duete

 

A elaboração do documento, apresentado pela Internacional da Educação em parceria com as Nações Unidas, traz recomendações que visam garantir condições dignas de trabalho para os docentes, financiamento público adequado e uma abordagem educacional inclusiva, alinhada aos princípios de justiça social, cidadania global e preservação dos recursos naturais.

O valor do trabalho docente e a importância de se combater narrativas que culpam professores pelos desafios educacionais, muitas vezes disseminadas por setores conservadores foi destacado por Sonia. Em sua fala, elaressaltou a necessidade de um novo contrato social para a educação, propondo o uso regulado das novas tecnologias e a proteção dos dados de alunos e professores, em especial frente ao avanço da inteligência artificial.

Thainá Duete

 

Sonia lembrou que a educação não deve ser apenas uma formação acadêmica, mas também um espaço de construção de consciência sobre democracia, sustentabilidade e igualdade. “A proposta inclui a criação de sistemas educativos que considerem os desastres climáticos, comunicação e humanidade”, afirmou.

No mesmo painel, o Secretário de Articulação Intersetoriale com os Sistemas de Ensino do MEC, Maurício Holanda Maia, destacou a necessidade da reflexão sobre a democracia e o papel do professor, enfatizando que, apesar da evolução tecnológica, a relação interpessoal na educação permanece fundamental. Segundo ele o essencial da educação é a relação entre as pessoas e essa não vai mudar porque a tecnologia não muda.

Thainá Duete

 

Na sua avaliação, a complexidade da luta por valorização dos professores no Brasil, perpassa o fato de que existem no país milhares de municípios e cada um possui suas particularidades. “Democracia, graças a Deus significa independência de três poderes. E no Brasil, uma federação com 5.560 municípios, 27 estados e o Governo Federal, épreciso respeito por essas instancias”, disse.

Ao final do Seminário Internacional da Educação, foi feita a leitura da Carta de Fortaleza, que será apresentada aos representantes da Cúpula de Líderes do G20 que acontece no Rio de Janeiro em novembro. O documento é um Manifesto e conclamação ao compromisso com a Educação Pública e a Valorização dos Profissionais da Educação.

 

Escrito por: Redação CNTE – Fotografias: Thainá Duete

A educação pelo mundo – relatos e realidade

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Sentimentos, percepções e ações necessárias para a valorização da educação, de trabalhadores e do financiamento do ensino público. O segundo dia do Seminário Internacional da Educação, realizado em Fortaleza, Ceará, começou com relatos de representantes de sindicatos e movimentos de vários países pelo mundo, América Latina e países de língua portuguesa.

Em três blocos, os panelistas falaram da experiência em diferentes países, cada um com sua realidade, e todos com a visão de que “sem educação ninguém pode pensar um país” como afirmou Eduardo Mendonça, de Guine Bissau.

 

Thainá Duete

Preocupações comuns com o impacto negativo das políticas de direita nos sistemas educacionais, apontando para o risco de redução de financiamento e questionando as prioridades governamentais em diferentes países permearam as falas.

Roberto Baradel, da Argentina, descreveu um cenário difícil para a educação pública no país. “Para todos os trabalhadores e trabalhadoras, estamos em um contexto muito complicado, e não se trata apenas da direita, mas do avanço de políticas direitistas” disse.

Thainá Duete

 

Em Angola, os governos, mesmo após sucessões de presidências, “nunca dedicaram uma atenção particular ao setor da educação”, reforçou Admar Jingoma. Ele ressaltou que o financiamento destinado à educação no país tem sido muito baixo, e a falta de investimento gera problemas graves de acesso ao sistema educacional, dificultando o atendimento da crescente demanda da população jovem.

Na Costa Rica, o atual “governo de direita” segundo Yorgina Alvarado, “conseguiu posicionar a ideia de que a educação é um gasto” e implementou “recortes substanciais” nos investimentos em educação e saúde. Ela afirma que esses pilares são essenciais para a “paz e justiça social” no país, e critica o congelamento salarial no setor público desde 2018.

 

Thainá Duete

 

Na Alemanha, Maike Finnern lembrou que o partido de extrema-direita, AfD (Alternativa para a Alemanha), agora é o segundo mais popular, representado em todos os parlamentos estaduais e no parlamento nacional. Na sua avliação,  “a AfD pode anular qualquer atividade educacional que contrarie suas visões ideológicas” com tentativas de intimidar professores que atuam contra a discriminação e análogos antidemocráticos e intolerantes. “Vamos continuar nossa luta conjunta para fortalecer a educação pública e a democracia.”, afirmou.

 

Thainá Duete

 

Aqui no Brasil, o impacto de governos de diferentes espectros foi muito prejudicial para a educação e “piorou com a extrema-direita e foi recuperado pelo governo democrático e popular em Lula a partir de 2023!”, como destacou Heleno Araújo, presidente da CNTE.  Embora, segundo ele os investimentos em educação ainda sejam insuficientes, já que “mais da metade dos recursos é destinada ao pagamento de juros e amortizações da dívida”. Para ele, isso resulta em uma desigualdade profunda no país.

 

Thainá Duete

Escrito por: Redação CNTE – Fotografia: Thainá Duete

CNTE lança 2ª edição da Revista Vitalidade no Seminário Internacional da Educação

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A 2ª edição da Revista VITALIDADE foi lançada durante o Seminário Internacional da Educação, em Fortaleza, Ceará. A publicação, que trata de envelhecimento e aposentadoria, traz uma reflexão sobre como usar o tempo e como envelhecer bem e com saúde. Uma oportunidade de se reinventar quando chegar a aposentadoria.

A leitura de Vitalidade, 100 páginas, oferece notícias sobre rede de apoio, respeito aos aposentados, solidariedade, resistência e direitos humanos abordados em matérias levantadas por 25 sindicatos filiados à CNTE.  Além de dez matérias sobre os mais variados temas como direitos, participação social, corpo e mente saudáveis e vida digital. Este último, abordado também no artigo “Como melhorar a saúde dos aposentados na era digital’.

Os cuidados e a proteção da pessoa idosa são abordados no artigo Política Nacional de cuidados: proteção para a população idosa. Quem precisa de Cuidados. A revista é “um brinde à vontade de viver e poder escolher, à sua maneira, como praticar a vitalidade diariamente! ”, segundo definiu o Secretário de aposentados Sérgio Kumpfer. Afinal, como foi dito ao final do lançamento no Seminpario, em voz uníssona: ”Aposentados, sim! Inativos Nunca! Educadores, Sempre!  Boa leitura!

 

Escrito por: Redação CNTE – Fotografia: Thainá Duete

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