CNTE convoca categoria para a Greve Geral da Educação Pública

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) está mobilizando toda a categoria para aprovar o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB) permanente e com mais recursos para a educação pública. Para que consigamos fazer ouvirem a nossa voz, a Confederação solicita, no dia 18 de março, que as redes municipais liberem seus profissionais e/ou promovam conjuntamente com a comunidade escolar, atividades com o intuito de chamar a atenção da sociedade e das representações políticas federais para a necessidade de aprovar a Proposta de Emenda Constitucional nº 15/2015, que visa instituir o novo FUNDEB em patamares compatíveis com as necessidades dos entes subnacionais.

O FUNDEB, aprovado pela emenda constitucional nº 53/2006, expira esse ano e caso não seja renovado, mais de 3.500 municípios do país sofrerão graves retrocessos no financiamento da educação, comprometendo o atendimento escolar de milhares de estudantes. Todos os estados equilibram o financiamento das matrículas da creche ao ensino médio através desse Fundo Contábil. Sendo que, para os municípios, ele é ainda mais vital, dado o acúmulo de matrículas assumidas por esses entes desde a vigência do FUNDEF (1998). Assim sendo, o fim do FUNDEB ou a sua renovação em patamares inferiores ao necessário, sobretudo sem maior aporte financeiro da esfera federal, causará situações de verdadeira insolvência em muitas municipalidades. Razão pela qual convidamos essa administração pública a se somar na luta pela aprovação urgente do novo FUNDEB permanente.

Clique aqui e acesse todo o material da greve.

Fonte: CNTE

CNTE estimula mobilizações no Dia do Trabalhador Aposentado

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) sempre teve como pauta a defesa intransigente daqueles que sempre estiveram e que continuam na luta pela manutenção e ampliação dos direitos conquistados e a defesa da escola pública de qualidade socialmente referenciada.

No dia 24 de janeiro comemora-se o dia do/a aposentado/ e a CNTE incluiu em seu calendário de mobilização, aprovado no último CNE, essa data, com o objetivo, não só de celebrar, mas também de dar visibilidade para toda sociedade dos problemas que a classe está enfrentando, entre eles, o desmonte da Previdência Pública no Brasil.

Para que essa pauta seja implementada, a sugestão é que todos os sindicatos filiados promovam mobilizações em lugares públicos, sejam atividades de lazer – músicas, danças, bem como ações políticas de denúncia do momento que se está vivendo – problemas de saúde, de discriminação e de tantas ameaças aos trabalhadores/as aposentados/as.

Clique aqui e confira todos os materiais de divulgação produzidos para esta campanha.

 

Fonte: CNTE

Nota de desagravo a Paulo Freire, Patrono da Educação Brasileira

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, entidade representativa de mais de 4,5 milhões de educadores das escolas públicas brasileiras, entre professores, especialistas e funcionários, ativos e aposentados, contratados a qualquer título, vem a público repudiar com veemência as ofensas do presidente da República Federativa do Brasil e de seus subordinados que têm a petulância de tentar depreciar a imagem de um dos maiores e mais respeitáveis educadores de nossa pátria, Paulo Freire.

Freire, que além de contribuir com a alfabetização crítica de milhares de jovens e adultos no Brasil e no mundo, sendo um dos pedagogos mais lidos e estudados pelas principais universidades do planeta, onde inclusive lecionou em algumas delas, também ajudou a organizar a resistência de nosso povo contra a ditatura civil-militar, da qual o presidente foi e é apoiador, dado seu saudosismo pelo sistema autoritário que matou e fez desaparecer mais de 4 mil brasileiros e brasileiras.

Ao invés de atacar personalidades ilustres do país, com reconhecimento mundial – coisa que o atual chefe de Estado do Brasil jamais conseguirá alcançar, pelo contrário, o mundo o despreza –, seria mais oportuno que a atual gestão pública acordasse do pesadelo a que submeteu o país e começasse a fazer algo de produtivo. Para ficar na seara da educação, o MEC não conseguiu implementar um mísero projeto eficaz para a educação ao longo de um ano! Os dois ministros que por lá passaram, o último ainda está por ironia ou desgraça do destino no cargo, só se preocuparam em cortar o orçamento das universidades, dos institutos federais, das pesquisas acadêmicas, insuflando a estupidez, a ignorância e a intolerância.

Sobre a palavra substantiva proferida pelo presidente, vejamos com quem ela realmente se parece. Segundo o dicionário Houaiss da língua portuguesa, energúmeno é aquele possuído pelo demônio, possesso; indivíduo que, exaltado, grita e gesticula excessivamente; indivíduo desprezível, que não merece confiança; boçal, ignorante etc. Para nós está claro quem é o energúmeno dessa história.

A CNTE aproveita a oportunidade para reiterar o convite a toda sociedade brasileira, em especial aos educadores e educadoras do Brasil, para acompanharem as festividades do centenário de nascimento de Paulo Freire, que se iniciarão no próximo ano. Sendo que em setembro de 2021, o Estado de Pernambuco e o Brasil receberão educadores/as de todo o planeta para homenagear nosso grande mestre da educação.

“Eu sei que as coisas podem ficar ainda pior,
Mas eu também sei que é possível intervir para melhorá-las”
… Assim “É absolutamente essencial para os oprimidos participar
no processo revolucionário com uma consciência cada vez mais
crítica de seu papel como sujeitos de transformação”
Paulo Freire

Brasília, 17 de dezembro de 2019
Diretoria Executiva

Educadores brasileiros repudiam a escalada de violência nas Filipinas e denunciam política fascista do presidente Rodrigo Duterte

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, entidade representativa dos/as profissionais da educação básica do setor público brasileiro, toma conhecimento, de forma consternada, da escalada de violência verificada nesse país do sudeste asiático, fomentada, em alto grau, pelo seu maior representante político. As Filipinas elegeram um presidente que a cada dia se mostra mais violento com o seu povo, em especial as camadas mais pobres de sua população.

 

Esquadrões da morte e uma política de justiçamento popular criaram um verdadeiro clima de terror no país que, igual ao Brasil, viu emergir em seu cenário político lideranças populistas de caráter fascista e autoritário. Em meio à crise política e econômica, a eleição de Duterte representou em seu início de governo, em grande medida, uma expectativa e esperança de enfrentamento às questões centrais que afligiam o povo filipino. Lançando mão de suas altas taxas de popularidade, o presidente Rodrigo Duterte começou um processo sangrento de perseguição e repressão aos ativistas políticos filipinos que, sob qualquer sinal de divergência à sua política, eram taxados de inimigos da pátria.

O incremento do autoritarismo do presidente veio acompanhado do crescimento vertiginoso da violência politica e policial no país. Da primeira, resultou a perseguição política de membros do Partido Comunista filipino e do afastamento arbitrário da presidente da Suprema Corte do país; da segunda, a formação de esquadrões da morte feita, basicamente, por membros oriundos das forças oficiais de segurança do país que, autorizados pelas falas e declarações bélicas de seu presidente, se sentiram autorizados a implementar, na prática, um verdadeiro extermínio de seu povo. Dados do Tribunal dos Povos dão conta de mais de uma centena de ativistas sociais mortos e a prisão política de quase mil filipinos.

O discurso de ódio propalado pelo presidente Duterte se assemelha muito com o que é verificado no Brasil pelo atual mandatário. A verborragia do presidente asiático chega ao cúmulo de, sem constrangimentos de quaisquer espécies, dizer publicamente que já tentou uma empregada sua quando adolescente; ou mesmo quando insufla a sua população a cometer crimes de ordem sexual contra opositoras mulheres. Qualquer semelhança com o que verificamos no Brasil não é mera coincidência, mas representa o advento de um discurso e prática políticas de ódio assumidos pelas atuais lideranças da extrema-direita no mundo.

A política antidrogas levada a cabo pelo presidente filipino já levou à morte por execução sumária de mais de 10 mil de seus compatriotas. Assumiu como lema o fim das drogas em seu país, mas não formula nenhuma política pública para isso. O seu objetivo é exterminar pequenos traficantes e usuários, crendo que, assim, obterá êxito em sua missão. Não enfrenta nunca os grandes traficantes, mas é excelente em criar factoides para induzir o seu povo a pensar de que está fazendo algo correto e justo.

Os/as educadores/as brasileiros repudiam a política implementada no país asiático! Sabemos todos/as que o fim desses ditadores sanguinários é sempre o julgamento no Tribunal Penal Internacional e a lata de lixo da História! Seguimos a denunciar as suas atrocidades e a exigir respeito aos direitos humanos do povo filipino!

Brasília, 10 de dezembro de 2019
Direção Executiva da CNTE

PISA: muita importância para uma avaliação questionável

Há quase duas décadas, o PISA, mais importante avaliação educacional do mundo, tem o poder de derrubar ministros, determinar mudanças em políticas públicas, gerar manchetes alarmantes, elevar o status dos países líderes do ranking e ridicularizar os lanterninhas. O veredito, porém, pode ser questionado. Neste ano, parte dos resultados da Espanha não será revelado por “comportamento inverossímil” na resposta de 5% dos estudantes. É o exemplo mais recente de uma sucessão de anomalias – boicotes, escolas fantasma, falhas de impressão, amostras desequilibradas, problemas de tradução e erros informáticos, como aponta o apanhado de distorções publicado pelo diário espanhol El País. Pode-se levar a sério o PISA?

A provocação dá nome ao livro dos franceses Bertrand Daunay e Daniel Bart (Pode-se levar a Sério o PISA? O tratamento do texto literário em uma avaliação internacional, Mercado das Letras, 2018, 216 páginas). Para a dupla, do ponto de vista didático e científico, a resposta é um corpulento “não”. Daunay, professor da Universidade de Lille, é especialista em didática da língua e da literatura francesas. Bart, professor pela mesma instituição, pesquisa práticas da avaliação. Nos últimos anos, ambos vêm analisando o conteúdo e a forma do exame trienal realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – o Brasil participa desde a primeira edição, em 2000.

Afirmam os autores que o PISA pode ser decomposto em duas partes. A primeira seria o exame em si. A prova divulgada hoje foi aplicada em 2018 a 600 mil estudantes de 15 anos em 79 países. Mediu competências em Leitura, Matemática e Ciências. Para Bart e Daunay, um primeiro problema é a promessa de avaliar competências “para a vida futura” com base em testes tradicionais numa prova escrita – modalidade de avaliação que existe desde o século 16. O caráter internacional do exame é fortemente questionado. Como conceber uma avaliação justa, que contemple as especificidades de contextos tão distintos quanto os de Brasil, China, Finlândia, Cazaquistão e Marrocos? Bart e Daunay vão dizer que, na prática, esse é um aspecto ignorado. Algo que colide com a propaganda oficial da OCDE, para quem uma das forças do PISA seria trabalhar o mais próximo possível da realidade e da cultura própria dos estudantes.

Superada a prova, vem a segunda parte do PISA. Periodicamente, a OCDE publica relatórios sobre os resultados. Eles costumam funcionar como guia de ação para governos e suas políticas educacionais. É de se esperar rigor científico na análise, mas Bart e Daunay classificam, provocativamente, algumas delas como “piadas” – e outras como “imprecisões, clichês, banalidades, generalidades, bizarrices”.

A coleção de impropriedades é volumosa. Em publicação do PISA de 2011, o senso comum: “Para serem eficazes, os sistemas educacionais devem poder contar com pessoal competente e talentoso, meios pedagógicos e infraestruturais adequados, bem como alunos motivados e dispostos a aprender” – algo, de fato, bastante óbvio; em texto de 2014, a generalização: “Nos países cuja cultura é inspirada pela tradição confuciana, os alunos, os pais e os professores atribuem um grande valor à educação e ao sucesso escolar, e numerosos observadores estimam que essa especificidade cultural oferece uma grande vantagem a esses países” – o próprio PISA admite que nem todas as nações com esse background alcançam bom desempenho; de volta a 2011, o preconceito: “A pontuação dos alunos oriundos de ambientes socioeconômicos desfavorecidos seria nitidamente mais próxima da pontuação dos alunos favorecidos se eles se dedicassem mais à leitura e considerassem a aprendizagem sob uma luz mais positiva”.

Na mesma linha estão as afirmações sobre Leitura, Matemática e Ciências. Ao analisar os relatórios da OCDE, os autores denunciam que o termo “evidências” estaria sendo usado pelo PISA para defender concepções didáticas e recomendações práticas que, na verdade, estão longe de ser consensuais entre os especialistas.

Bart e Daunay atacam o modo de escrever do PISA como uma forma de argumentação que se opõe ao raciocínio científico e filosófico. Afirmar algo como “evidente” é autoritário e fecha porta a divergências – o contrário do que a ciência deveria fazer. Na visão dos autores, a aposta em recomendações que desconsideram as especificidades locais (e pior, que repisam clichês pedagógicos) retira qualquer utilidade pedagógica do exame. Na visão da dupla, seria fundamental incentivar o debate sobre como melhorar o ensino. “O PISA, ao contrário, apresenta suas opções como naturais e não como problemáticas”, escrevem. “Seu discurso produz um efeito mais de imposição do que diálogo.”

A dupla francesa não está isolada na crítica. O exame vem sendo questionado desde sua primeira edição, em 2000. Alguns aspectos recorrentes: o PISA avalia competências e não disciplinas, que é como as escolas apresentam o conhecimento; o recorte da amostra de alunos por idade e não por grau de escolaridade dificulta a comparação entre nações (países com alta distorção idade-série e repetência, como o Brasil, podem ser prejudicados); há muitos segredos em relação às escolhas metodológicas e dados relevantes do exame, sobretudo questões da prova (a OCDE revela poucas delas).

A divulgação dos resultados também é alvo de reparos. Em 2016, os jornalistas Marcelo Soares e Gustavo Heidrich denunciaram problemas no preenchimento dos questionários brasileiros na edição de 2015. Confrontada, a OCDE admitiu falhas em dados sobre o Brasil. O reconhecimento do equívoco é uma exceção na postura do PISA. “Não se encontra quase nunca, nos relatórios do Programa, debate argumentado com as posições ou as teses defendidas por esses autores críticos, como é geralmente o caso nos textos científicos”, escrevem Bart e Daunay. “Essa ausência de debate leva à impressão de autoevidência no PISA, isto é, de que as escolhas e as afirmações desse Programa não precisam de fundamentação ou justificativa, sendo, por isso, naturalizadas.”

(Artigo de Rodrigo Ratier – UOL – Blog ECOA, 3/12/2019)

Fonte: CNTE

Políticas privatistas assediam a educação na América Latina

Seguindo a mesma dinâmica utilizada de manhã, o painel sobre a Conjuntura das Políticas Educacionais teve dois palestrantes: Combertty Rodriguez, Coordenador Geral do escritório regional da IEAL (Internacional da Educação para América Latina) e Gabriella Bonilla, Consultora do OLPE (Observatório Latino-americano de Políticas Educativas), ambos com muita experiência nos temas presentes na agenda da IEAL para o Movimento Pedagógico.

Combertty iniciou sua palestra afirmando que a privatização e o comércio educativo são o centro de um projeto sem limites, já que não são objeto de regulamentação nos países. Dessa maneira, os grandes grupos que investem na venda dos serviços educativos trabalham dentro da legalidade de cada país, mesmo em países de governos progressistas, sendo que nestes a situação é menos enfatizada. Ele esclareceu que a realidade de favorecer o que é privado usando fundos públicos está instalada em toda a região. Organismos internacionais como OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), Banco Mundial e BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) promovem essa mesma lógica do empreendedorismo: um currículo básico, homogêneo e globalizado que forma mão de obra barata para abastecer o mercado. “Os Ministérios da Educação não garantem a implementação de uma política educacional adequada, mas atuam como fomentadores do comércio educativo, e produzem políticas públicas com visão privada”, lamentou Rodriguez.

Ele também lembrou que o Movimento Pedagógico Latino-americano é uma estratégica política organizativa para defender a educação pública como um direito social e humano, reafirmando seu caráter público, como forma de enfrentamento aos interesses privatistas e, assim, introduziu a apresentação de Gabriela Bonilla.

A consultora da OLPE, detalhou alguns dados que retratam a educação pública em vários países da América Latina. Ela explorou um pouco mais a questão do papel das instituições financeiras internacionais (Banco Mundial e BID) nos processos de comercialização da educação. Utilizando exemplos da Colômbia, Peru, República Dominicana e do Uruguai, Gabriela demonstrou como a educação privada e o lucro educativo estão conectados com os interesses das políticas que vão sendo implementadas pelos governos na região.

Seja através de redes de serviços ligadas ao sistema público, comércio de produtos educativos, do financiamento de centros educativos ou através da gestão privada com recursos públicos, a educação vai se consolidando como um produto nas mãos de grupos empresariais com uma presença marcante de grupos religiosos. “O maior risco desse processo é que se privatiza a relação com a Educação, se deixa de vê-la como um direito humano que tem que ser garantido a partir de políticas públicas e se reconfigura uma relação privada, onde o estudante e sua família já não são sujeitos desse direito, e sim consumidores de produtos educativos”, concluiu.

O último painel foi oportunidade para cada uma das organizações afiliadas à IEAL presentes, trazer informes sobre a educação pública em seus países. Pela CNTE do Brasil, o Secretário de Assuntos Educacionais, Gilmar Soares Ferreira, detalhou o clima de hostilidade que está sendo criado em torno da educação pública, estimulado pelas políticas do atual governo. “Temos sido atacados com cortes sucessivos nas verbas para a educação, uma narrativa desabonadora para desprestígio do papel dos educadores, assim como esforços para criminalizar e perseguir professores e professoras. Temos feito o enfrentamento às tentativas de padronizar o currículo e retirar a autonomia dos docentes, assim como aos esforços de tornar a militarização da escola um programa de governo”, informou Gilmar.

Amanhã a programação se inicia com trabalhos em grupo para planejamento das ações futuras do Movimento Pedagógico Latino-americano.

Foto e Texto: Jordana Mercado

Fonte: CNTE

Resistência e protagonismo feminino nos sindicatos da América Latina

O painel de análise de conjuntura “Mulheres e seu papel politico na América Latina” apresentado pela Secretária de Relações Internacionais da CONADU, Yamile Socolovsky,
chamou a atenção para as lutas e os desafios das mulheres militantes. “A política global na América Latina sempre se caracterizou como uma situação de assédio ideológico à nossa
democracia”, disse Yamile. Ela lembrou que a luta das mulheres pelos espaços de poder se desenvolveu em condições sumamente adversas, especialmente ao longo da década de 90, quando se consolidou o programa político, econômico e cultural impulsionado pelos setores dominantes na América Latina. “Isso gerou um cenário de sucateamento do Estado e do bem-estar social, perda de direitos e a deterioração das condições de vida.”, pontuou.

Para Yamile, até a década de 90, se associava o sindicalismo à corrupção, reproduzindo desigualdades e fortalecendo a capacidade do Estado através da legislação e políticas públicas distorcidas. Mas ao mesmo, foi nesse cenário que se produziu resistência naquela década. “É importante levar em conta que abrimos caminhos para a chegada ao poder de governos do campo popular. Fomos resistência, mas as resistências, normalmente, ficam invisíveis.”, completou.

Para a palestrante, a mobilização feminina tem avançado com potência e atravessa todas as organizações, com possibilidade de avanços ainda maiores mesmo nos governos populares. Por outro lado, é uma resposta às violências patriarcal e de gênero que volta a crescer na sociedade, especialmente no último período.

Com essa compreensão de que a disputa de espaço é incessante, ela apontou a necessidade de que as mulheres pensem em novas formas de fazer política, ou seja, numa construção coletiva popular, massiva, jovem e, sempre, anti-neoliberal. Na perspectiva sindical ela acredita que o maior desafio é pensar e elaborar como nossas organizações podem incorporar o tema de gênero e empoderamento feminino em todas as frentes de atuação dos sindicatos. “A política é uma ferramenta de transformação social e as classes dominantes são contra essa ferramenta de acesso aos espaços de poder. O que acontece na América Latina é uma ação concreta de perseguição. Novamente tenta-se associar os Sindicatos à corrupção, em termos ideológicos, como vemos na Bolívia, no Chile e Colômbia, onde houve assassinatos e prisões políticas e ataques à juventude das periferias.”, concluiu.

O Encontro da Rede de Mulheres continua amanhã e trará informes a respeito de pesquisas sobre gênero e educação na América Latina, sobre as resoluções do último Congresso da
Internacional da Educação (IE) em Bangkok, Tailândia. Além de oportunizar a realização do planejamento da Rede com políticas de igualdade e perspectiva de gênero, para o período 2020-2022.

Fonte: CNTE

Encontro da Rede de Mulheres Trabalhadoras em Educação: potência feminista para fortalecer todas as lutas

O encontro da Rede de Mulheres Trabalhadoras em Educação da Internacional da Educação para América Latina (IEAL) retomou a programação de hoje (03/12) com palestra da
professora de Sociologia da rede estadual de Educação do Paraná, Eliana Santos. Ela exibiu vídeos de resistência das mulheres na América Latina, iniciando com “O olhar de cozer as nossas dores”. Eliana denunciou o desmonte das políticas para mulheres que foi levado a cabo ainda na gestão golpista de Temer, e valorizou a resistência das mulheres. “Governo destruidor de todas as ações implementadas nos governos populares. Ele extinguiu diversos ministérios, como exemplo: das Mulheres e Igualdade Racial, Casa da Mulher Brasileira, entre outros”, lembrou.

Para a socióloga, com a destruição das politicas públicas e com a retirada de direitos conquistados historicamente com muita luta, as campanhas de defesa foram para as ruas com a participação fundamental das mulheres. “Milhares delas foram às ruas. No Paraná, não foi diferente porque também tínhamos um governo privatista e retrógrado”, exemplificou.
Se reportando aos dias de hoje e sobre o atual governo, Eliana Santos reforçou o cenário desastroso, dizendo que com a extinção de vários ministérios, a realidade vivida é de um
governo de retrocessos com fundamentalismo religioso, de militares e com práticas nazistas.

“A maioria dos ministérios é liderado por homens. Qual deles representa o Ministério da Mulher? Se a Ministra de Estado da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, hoje, assume uma posição submissa, de família tradicional abominando outros tipos de família. É um Ministério machista e fundamentalista. Assim como outros órgãos de um governo que volta ao período, onde não tínhamos nenhuma legislação”, explicou.

Pequenas revoluções
A professora socióloga Eliana Santos relatou algumas experiências vivenciadas no Paraná. “Estamos desenvolvendo aqui no Paraná o Clube de Leitura Feminista que esta no seu terceiro ano. Iniciamos o clube com a leitura do “100 anos da Revolução Russa”, sendo essa organizada por mulheres russas e a experiência foi ótima”. Eliana falou sobre algumas bibliografias reverenciando Paulo Freire.

Para Eliana, devem ser organizados grupos de empoderamento das mulheres, a exemplo do que já ocorre no Paraná. “As experiências dos grupos organizados nas escolas com pequenas reuniões-conversas nos locais de moradia ou de trabalho contribuem bastante para esse empoderamento mesmo em número pequeno. Quem sabe serão pequenas revoluções?”, questionou. Ela recomendou leituras como “A caça às bruxas e o Surgimento do Capitalismo”, que dialoga com as mulheres que foram fundamentais para a resistência. “Hoje, com a retirada de todos os nossos direitos, sendo o alvo as mulheres pobres e a juventude negra. Eles retrocedem”, desabafou e concluiu “temos um Estado machista e opressor, casos de feminicídio aumentando, mas resistiremos”.

rede mulheres ieal 2019 12 03

Igualdade de gênero
A Coordenadora Regional da IEAL, Gabriela Sancho, apresentou painéis com dados do Comitê Consultivo sobre as implicações para a lei de Trabalho OCDE informados na 55ª reunião do Conselho Executivo, realizado nos dias 19 e 21 de novembro de 2019, que serão enviados aos Sindicatos e organizações.

Já a secretária geral da CTERA-Argentina e integrante do Comitê Executivo Mundial da Internacional da Educação (IE), Sonia Alesso, revelou que no último Congresso Mundial, a
região do mundo que registrou uma participação muito pequena foi a América Latina. “Durante o Congresso foi realizado uma pesquisa geral das participações que podemos enviar a cada Sindicato. Neste documento foi analisada a participação de observadores e delegados. Na Internacional foi fomentada a preferência de participação de mulheres e jovens o que não foi apontado na pesquisa. No entanto, essa é uma tarefa que temos que discutir. Porém, também hoje uma boa notícia: a sede do encontro de 2023 será em Buenos Aires, Argentina”, revelou Alesso. Ela ressaltou que é necessário garantir ampla participação de mulheres.

“Precisamos ter uma grande delegação e, assim, superar a participação anterior. Temos que estar presente com 60% de mulheres delegadas e observadoras. Isso tem que tornar uma
realidade”, frisou a secretária geral do CTERA. Em relação às resoluções, Sonia Alesso destacou que no tema democracia a América Latina teve uma participação boa, com resoluções importantes vinculadas ao tema de gênero, com um olhar muito atento à democracia. “O melhor dos últimos tempos. Também foram adotadas resoluções de solidariedade aos países que estão em luta”, revelou.

O Encontro da Rede de Mulheres encerrou-se, deixando como desafio a questão de como aumentar e facilitar o acesso de mais mulheres aos espaços de poder e nas posições de
liderança e tomada de decisões nas organizações sindicais. O resultado do trabalho em grupo que se propôs a apontar sugestões de como chegar a esses resultados, será sistematizado e divulgado aos participantes em breve.

marielle franco

Compromisso

Em 14 de março de 2018, Marielle Franco, vereadora no Rio de Janeiro, defensora dos Direitos Humanos e das minorias, foi covardemente assassinada. Ela e seu motorista, Anderson Gomes foram executados e as investigações ainda não apontaram os mandantes do crime. Ao encerrar o Encontro, a secretária geral da CNTE e vice-presidenta da IEAL, Fátima Silva, entregou a cada participante uma placa em memória de Marielle, com o endereço do local em que ela foi assassinada. “O Brasil e o mundo merece saber quem mandou matar Marielle. Encerramos o encontro com o compromisso de seguir a luta de todas as mulheres defendendo uma sociedade mais justa e igualitária para todas e todos”, concluiu.

Fotos e Texto: Jordana Mercado

Fonte: CNTE

CNTE participa de Plenária em defesa do Serviço Público

Marcada para o dia 26 de novembro pelas oito principais centrais sindicais brasileiras – CUT, CGTB, CSB, CSP Conlutas, CTB, Força Sindical, Intersindical e NCST – a Plenária Nacional em Defesa dos Serviços Públicos Municipais, Estaduais e Federais, das Estatais, do Brasil e dos Trabalhadores será realizada no Teatro do Sindicato dos Bancários, em Brasília (DF). A Plenária é uma reação dos servidores municipais, estaduais e federais ao pacote que desmonta o serviço público e destrói direitos dos trabalhadores do setor. A CNTE vai participar da reunião e levará contribuições para unificar as mobilizações em torno da defesa dos serviços públicos e dos direitos da classe trabalhadora.

Pela manhã, às 9h30, a Plenária Nacional debaterá o impacto das reformas e privatizações na qualidade dos serviços públicos e na soberania nacional. Às 11h, os sindicalistas discutirão ações unitárias em defesa da qualidade dos serviços públicos, do papel estratégico das empresas estatais, fundações e institutos públicos para o crescimento econômico, proteção social das classes populares e desenvolvimento soberano do Brasil.

À tarde, a partir das 14h, o tema em foco será o diálogo com as entidades comprometidas com a democracia, parlamentares e lideranças sociais. A Plenária encerra com um ato político, previsto para às 16h.

Veja mais detalhes no site da CUT Brasil.

Com informações da CUT Brasil

Proposta de criar canal para denunciar professores é mais um instrumento de perseguição contra os educadores

A proposta da atual ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, de criar um canal de denúncia contra os professores do país é mais uma atrocidade que, de forma recorrente, os gestores públicos do Governo Bolsonaro cometem contra a educação e os/as educadores/as brasileiros/as. Um governo que valoriza a estupidez e a violência não poderia mesmo escolher outro alvo de seus ataques que não a educação!

A escola deve ser um ambiente de liberdade por parte dos/as educadores/as e educandos. Um espaço que garanta respeito, admiração, reciprocidade e trocas permanentes entre o/a professor/a em sala de aula e estudante. Assim é no mundo inteiro e, até aqui, esse é o melhor modo pelo qual a autoridade do/a docente se constrói junto às crianças e jovens. Mas o governo que se esmera em dar dignidade aos ignorantes e cargos aos indigentes não pode se prestar a valorizar a educação. Os ataques aos profissionais da educação, aos estudantes, às universidades, às escolas, ao livre pensamento e exercício profissional do magistério, que vem de todos os lados deste governo, só constroem desconfiança e minam qualquer relação positiva que se pode potencialmente ter na relação estabelecida dentro de um ambiente escolar.

Essa proposta da ministra ajuda a consolidar o caldo cultural a que estamos todos submetidos nos tempos de hoje, em que o/a professor/a parece ter virado o inimigo público da nação desde que este grupo político chegou ao poder em Brasília. Esse clima de animosidade que se instalou contra o exercício livre do magistério e da docência, que vai ao encontro de políticas defendidas por movimentos como o da “Escola sem Partido”, não favorece a educação e tampouco o processo de ensino-aprendizagem. Cria e constrói uma relação de suspeição permanente entre estudantes e pais com os seus professores/as. Estratégias como essas interditam o diálogo saudável que deve existir no ambiente escolar.

Nesse sentido, os/as educadores/as de todo o país repudiam a postura da ministra que, não pela primeira vez, demonstra claramente a sua relutância com o direito à educação, assegurado no texto de nossa Constituição de 1988. Não aceitaremos essa postura de criminalizar o exercício de nossa profissão e exigimos respeito!

Brasília, 22 de novembro de 2019
Direção Executiva da CNTE

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