Coletivos da CNTE se preparam para encontro em Curitiba
Jornalista: sindicato
Em virtude do cenário político do país, de ameaça à democracia brasileira e da necessidade de dar apoio à Vigília Lula Livre, as reuniões dos coletivos da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) serão realizadas, em Curitiba (PR), no mês de agosto. As convocatórias já foram encaminhadas aos sindicatos, com as orientações para o envio de representantes e a programação.
O encontro do Coletivo de Funcionários da Educação, sob a coordenação do professor José Carlos Bueno do Prado (Zezinho), está marcado para os dias 27 e 28/8. A programação prevê a análise de conjuntura, com Heleno Araújo, presidente da CNTE, e a exposição sobre o Seminário Internacional de Funcionários de Escolas da IE, com Guelda Andrade, secretária de Políticas Educacionais do Sintep/MT, e Valdivino de Moraes, secretário executivo da CNTE. Além disso, haverá debates sobre a política nos estados e os desafios para o exercício da atividade profissional.
A Secretaria de Assuntos Municipais estará à frente da oficina de trabalho com o tema “Planos de Carreira e Remuneração: estruturas de carreira e impactos financeiros”, de 20 a 22 do mesmo mês, na capital paranaense. “O objetivo é a leitura do orçamento, das planilhas de arrecadação dos municípios, e checar o que é destinado à educação. Assim, podemos ´casar` as informações com as campanhas salariais. A proposta é municiar os sindicalistas para quando estiverem na mesa de negociação”, explica Cleiton Gomes, secretário da área na Confederação.
As datas de 29 e 30/8 serão dedicadas às atividades do Coletivo de Combate ao Racismo, que terão como eixo norteador os “130 anos da não abolição”. O debate será em torno das perdas políticas da população negra diante das ações do governo antidemocrático do país. “Também teremos a apresentação do balanço da atuação de entidades como o Movimento Negro Unificado e o Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades. Abordaremos, ainda, as propostas para a reorganização dos núcleos para o enfrentamento diário do racismo nas escolas”, explica Iêda Leal, secretária de Combate ao Racismo da CNTE.
Está prevista agenda dos integrantes dos coletivos no espaço da Vigília Lula Livre.
A revista Retratos de Escola, uma publicação da Escola de Formação da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (Esforce/CNTE), abriu a chamada de artigos para a edição de número 24, volume 12, com o tema “Os 30 anos da Constituição de 1988: educação entre avanços e retrocessos”.
As submissões serão aceitas de 11 de agosto a 16 de setembro de 2018, e devem ser realizadas no site, por meio do acesso ao link https://bit.ly/2P5VuyT. Lá está disponível, também, as normas para o envio dos textos. A estimativa é de que a publicação, veículo de diálogo entre profissionais da educação, estudantes, pais, mães, entidades acadêmicas e sindicais e poderes públicos, seja divulgada em dezembro deste ano.
Mercadante: Bolsonaro propõe barbaridades na educação
Jornalista: Leticia
Tem gente que pensa que a candidatura de Bolsonaro é um problema exclusivo da direita e, do ponto de vista eleitoral, realmente é. Isso porque o candidato da continuidade do golpe e de suas políticas neoliberais, que é o tucano Geraldo Alckmin, e o candidato formal do golpe, que é Henrique Meirelles, terão que disputar parte dos eleitores conservadores com a extrema direita e sua truculência.
Entretanto, a democracia e os direitos humanos são princípios inegociáveis. Tratam-se de valores civilizatórios que devem ser defendidos por toda a sociedade, sempre. A democracia é um regime de governo tão fantástico que permite até aqueles que a ameaçam e a agridem, defensores da ditadura militar e de uma suposta intervenção militar, serem candidatos. E ainda, os que acreditam que a formação do povo brasileiro está relacionada à “indolência dos indígenas e à malandragem dos africanos” disputarem o voto popular, de uma população majoritariamente afrodescendente.
O próprio candidato apoia publicamente notórios torturadores, como no caso do voto que proferiu, no plenário da Câmara dos Deputados, em razão do golpe contra a presidenta Dilma. Também pediu, no passado recente, o fuzilamento dos que defendiam as privatizações, que, agora, ele próprio apoia incondicionalmente.
Mas, entre tantas barbaridades, o que mais choca são as propostas para a educação. Sob o falacioso pretexto de combater o marxismo e implantar uma proposta educacional obscurantista, homofóbica e preconceituosa, inspirada na chamada “escola sem partido”, o candidato propõe a descabida troca da educação presencial pela educação à distância, em todos os níveis de ensino.
No ensino fundamental ainda temos um imenso desafio para a alfabetização, o exame que introduzimos, em 2012, de Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA), revelou que 22% das crianças não leem, 34% não escrevem e 54% não dominam os princípios básicos da aritmética, até os oito anos de idade, como deveriam. E 75% dessa defasagem está concentrada em crianças que vivem em situação de pobreza, na periferia das grandes cidades, semiárido nordestino e população ribeirinha da Amazônia.
Iniciamos um imenso esforço de cobertura para creches e pré-escola para fortalecer o processo de aprendizagem e convivência, especialmente para esse público das crianças de famílias pobres e não letradas, que estão concentradas em 180 mil escolas. Lançamos o Pacto Nacional para Alfabetização na Idade Certa (Pnaic) assegurando material pedagógico, uma bolsa de estudos e um programa de formação continuada, em parceria com as universidades públicas, para todos os 300 mil professores e professoras alfabetizadoras. Paralelamente, avançamos na escola de tempo integral, complementando a formação com reforço em português e matemática, com mais atividades de educação física e artes. O Ideb tem avançado acima do esperado nos anos iniciais do ensino fundamental.
E a grande dificuldade está nas escolas em regiões de pobreza, onde falta muito, inclusive banda larga e internet. Pois bem, o candidato quer tirar as crianças do processo de convivência e de aprendizagem na escola e substituir por educação à distância.
Essa proposta já está presente na reforma do ensino médio do governo do golpe, que pretende substituir parte substancial da grade curricular por ensino à distância, efetivar a inaceitável privatização do Fundeb, sem qualquer controle de qualidade, quando todos sabem das carências de recursos e de investimentos em grande parte das escolas públicas brasileiras.
Na prática, o que o candidato está defendendo é a liberação desenfreada da educação à distância com o claro objetivo de privatizar a educação pública. O pior é que esse disparate vem acompanhado da flexibilização da ação do Estado na regulação e no controle da qualidade, com o fim da exigência de fiscalização sobre os polos presenciais no ensino superior e a oferta de cursos técnico-profissionalizante que não constem no Catálogo Nacional de Cursos Técnicos, como está ocorrendo no governo Temer.
Sem qualquer controle de qualidade sobre as instituições e os conteúdos que serão oferecidos pela modalidade a distância, vivenciaremos uma segregação educacional selvagem. É a institucionalização de um verdadeiro apartheid educacional, entre os alunos das escolas privadas com ensino presencial e da escola pública com ensino à distância, que esteve muito presente na história do Brasil.
A expansão da educação hibrida, que combina a presencial e a distância, vem ocorrendo em todo o mundo, mas com acompanhamento dos critérios de controle e de qualidade. As novas tecnologias devem ser utilizadas como complemento da jornada escolar, ou seja, para aprimorar a relação professor-aluno, para enriquecer a convivência escolar e para inserir os alunos na sociedade do conhecimento. Foi para isso que ampliamos o número de laboratórios de informática nas escolas e distribuímos tabletes para professores do ensino médio. As novas tecnologias digitais não devem esvaziar as escolas, a pretexto de uma patrulha ideológica fundamentalista e descabida.
Além disso, a convivência escolar é fundamental para a formação dos nossos estudantes. A escola é um ambiente de descoberta do conhecimento, do convívio com a diversidade, a cultura e a formação, tendo como complementação o ensino das artes e da educação física. A escola deve preparar para a vida em um sentido amplo, familiar, social e profissional. Nas periferias dos grandes centros urbanos, em que violência e as drogas estão tão presentes, a exclusão do ambiente escolar é um imenso e perigoso atraso civilizatório e um aumento do risco para as crianças, os jovens e suas famílias.
O candidato realiza um ataque permanente à discussão sobre a diversidade nas escolas, contribuindo para o aumento do preconceito e do obscurantismo. Acontece que, por mais que alguns queiram negar, há diversos casos de crianças que sofrem com o bullying e que voltam para casa chorando, todos os dias, vítimas de agressões, em razão da intolerância. Por isso, a escola deve ser acolhedora,permitindo a convivência respeitosa com todas as diferenças.
Bolsonaro também declarou, recentemente, que usaria um lança-chamas para queimar e retirar os simpatizantes do patrono da educação brasileira, Paulo Freire, do Ministério da Educação. Conheci Paulo Freire quando ele voltou do exílio, no final dos anos 70 e dávamos aula na PUC/SP. Um intelectual brilhante, denso, criativo, inovador e uma pessoa delicada, respeitosa, que sempre tinha algo a ensinar, em cada frase, em todos os gestos.
Além de ser o brasileiro com maior número de títulos de doutor honoris causa em todo mundo, Paulo Freire é um homem que dedicou sua vida à educação e deu uma contribuição inestimável para o país, a partir da construção da pedagogia libertadora para a educação na alfabetização de jovens e adultos. Ele passou parte importante de sua vida no exilio forçado, para superar a perversa herança histórica do analfabetismo. É só lembrar que em 1920, 75% da população brasileira era analfabeta.
Em vida, Paulo Freire foi perseguido pela ditadura militar, que exilou, torturou, censurou e amordaçou a democracia brasileira. Agora, já morto, tem sua memória e sua obra afrontadas por um candidato à presidência da República, que agride recorrentemente o Estado democrático de direito. Mas, assim com a luta democrática derrotou a ditadura militar, nas eleições de 2018, com o voto popular, vamos derrotar os candidatos dos golpes, todos eles, sejam do golpe de 1964 ou 2016.
*Por Aloizio Mercadante
Reforma do ensino médio precariza o mercado de trabalho
Jornalista: Leticia
Que trabalhador o país quer para um futuro bem próximo? A pergunta de Rosilene Corrêa, secretária de finanças da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), na audiência pública sobre o Estatuto do Trabalho, no Senado, hoje (9), é chave para o entendimento da precarização trabalhista em andamento no país. Ela foi uma das participantes do evento, presidido pelo senador Paulo Paim (PT-RS), que teve como foco a discussão sobre as relações de trabalho, a terceirização e o desemprego no Brasil.
Na visão da educadora, quando há uma reforma de ensino médio em curso, que traz apenas como obrigatórias as disciplinas de português e matemática, significa dizer que os alunos concorrerão sem qualificação e de forma desigual para acesso à universidade e ao mercado de trabalho. E há a desvalorização da carreira de magistério, com a contratação de pessoas com notório saber. “A educação pública sofre um atentado. Pode parecer que só diz respeito a alunos e professores, mas não. A reforma do ensino médio atende à necessidade de mercado. Outras áreas vêm sendo terceirizadas há muitos anos, o porteiro, a merendeira, o pessoal da limpeza”, explica Rosilene.
A dirigente denunciou, ainda, a situação dos educadores temporários, com carga de trabalho abusiva e sem horário de coordenação. “A unidade da classe trabalhadora se faz necessária, mais do que nunca. Temos a tarefa dura de combater tudo isso. A escola tem o papel estratégico de fazer o debate com toda a comunidade”, esclarece a secretária de finanças da CNTE.
Dados apresentados na audiência pública demonstram que os trabalhadores terceirizados recebem salários 30% menores, trabalham três horas a mais e sofrem mais acidentes de trabalho. “No modelo brasileiro, se ganha pelo achatamento dos direitos sociais, coisifica-se a pessoa e a submete, muitas vezes, a trabalho em condições análogas as de escravo”, esclarece Guilherme Guimarães, presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra).
Participaram, ainda, da audiência, representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Ministério Público do Trabalho, Movimentos dos Advogados Trabalhistas Independentes, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), dentre outras instituições. Estatuto do Trabalho
São, aproximadamente 600 artigos, oriundos de 20 audiências públicas. A proposta é conferir maior segurança jurídica aos empregados e empregadores, com melhora significativa na relação trabalhista e redução das desigualdades sociais. O documento foi produzido por subcomissão da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, com a participação de especialistas nacionais e internacionais, além de ministros do TST, juízes do Trabalho, procuradores, auditores, juristas, servidores públicos, aposentados, centrais sindicais e representantes do empresariado.
O Estatuto do Trabalho é resultado da atuação do senador Paulo Paim(PT-RS), em parceria com dezenas de entidades e instituições, para a elaboração do documento, também conhecido como “a nova CLT”. A proposta recupera e amplia direitos retirados do trabalhador com a reforma que está em vigor desde novembro de 2017.
CNTE se solidariza com ativistas em greve de fome por justiça
Jornalista: Leticia
Representantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) prestaram solidariedade, nesta terça-feira (7), aos ativistas que estão em greve de fome em Brasília (DF) há oito dias. Eles acompanharam os militantes Zonália Santos, Jaime Amorim,Vilmar Pacífico (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST), Rafaela Alves e Frei Sérgio Görgen (Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA), Luiz Gonzaga, o Gegê (da Central dos Movimentos Populares – CMP) e Leonardo Armando (Levante Popular da Juventude) ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde o grupo protocolou pedido de audiência com os 11 ministros. Os grevistas estão sem se alimentar em ato a favor da liberdade do ex-presidente Lula e como forma de denúncia da perda da soberania nacional, da volta do mapa da fome no país, do aumento da violência e do golpe contra a democracia.
Para Heleno Araújo, presidente da CNTE, a disposição dos militantes em lutar contra a injustiça da prisão de Lula e as perdas de direitos no país é importante para o povo e os movimentos sociais e sindicais. “São 13 milhões de desempregados no Brasil. Sabemos que o desemprego causa carência de alimento para boa parte da população. Esses companheiros, com disposição de fazer greve de fome contra a fome e pela justiça, merecem nosso apoio. Também é uma causa pela educação”, disse.
Mesmo com alimentação restrita à água e soro e a apresentação de sintomas como fadiga, sono e dores musculares, os manifestantes continuam firmes. Eles têm apoio médico, psicológico e de voluntários, no Centro Cultural de Brasília (CCB), e já receberam visitas de políticos, religiosos, representantes de entidades da sociedade civil e do povo Guarani. *Manifesto da greve de fome
“Nós, militantes dos movimentos populares do campo e da cidade, ingressamos conscientemente na “Greve de Fome por Justiça no STF”, iniciada no dia 31 de julho de 2018, em Brasília, por tempo indeterminado.
Nossa opção por esse gesto extremo de luta decorre da situação extrema na qual se encontra nossa Nação, com a fome e as epidemias retornando e o desemprego desgraçando a vida de nosso povo.
O que motiva nossa decisão é a dor e o sofrimento dos brasileiros e brasileiras.
Nossa determinação nasce também pelo fato de que o Poder Judiciário viola a Constituição e impede o povo de escolher pelo voto, soberanamente, o seu Presidente e o futuro do país”. * Texto protocolado, no STF, em 31/7/18.
Participe da Jornada Pedagógica "A Escola dos meus Sonhos"
Jornalista: Leticia
O Instituto Paulo Freire realização entre os dias 8 e 11 de agosto a Jornada Pedagógica “A Escola dos Meus Sonhos”, com o Prof. Moacir Gadotti, Presidente de Honra do Instituto Paulo Freire. O curso é gratuito, composto por 4 videoaulas, com certificação de 8 horas, que traz importantes reflexões sobre a educação que temos e que queremos no nosso país, na escola dos nossos sonhos. Para mais informações e inscrição clique aqui.
"Os mais ricos não são solidários para com o país"
Jornalista: Leticia
Como tornar o sistema tributário mais justo para garantir que o Estado possa assumir seus compromissos de saúde, educação e segurança? Esse foi o tema discutido na videoconferência “Reforma Tributária Solidária”, promovida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), na tarde desta segunda-feira (6), em Brasília (DF).
Participaram deste evento o presidente da CNTE, Heleno Araújo; Floriano Martins de Sá Neto, presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip), e Charles Johnson da Silva Alcantara, presidente da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco).
“Os mais ricos não são solidários para com o país”, destacou Charles Alcantara, denunciando a regressividade do sistema tributário brasileiro. O presidente da Fenafisco lembrou que a Constituição de 1988 estabelece que o imposto precisa se pautar pelos critérios de universalidade, generalidade e progressividade, mas que atualmente o o país não está seguindo esses princípios.
O presidente da Anfip, Floriano de Sá Neto, também criticou: “No modelo atual, os que ganham mais pagam menos e os que têm menor renda, pagam mais imposto”. Floriano alertou: “Muitos repetem o mito de que a carga tributária brasileira é alta, mas ela se equipara ao de países desenvolvidos. E é preciso dizer para o trabalhador e para a sociedade: reduzir a carga tributária significa menos saúde, educação e segurança pública”. Propostas
“Podemos melhorar o sistema sem alterar a Constituição”, garantiu Charles Alcantara. Para ele, é preciso construir propostas que envolvem buscar uma nova tabela de imposto, que possa de fato cobrar mais de quem tem mais (e menos de quem ganha menos), revogar a lei que dá isenção para lucros e dividendos, e em seguida reduzir impostos sobre o consumo. “A gente não precisa ter uma desigualdade tão indecorosa num país tão rico como o nosso. É preciso chamar os mais ricos para essa responsabilidade “, concluiu Alcantara.
Durante a conferência, o presidente da Anfip, Floriano de Sá Neto, apresentou o livro “A Reforma Tributária Necessária”. Disponível para download gratuito, a publicação foi escrita por 42 especialistas e reúne 39 artigos com um diagnóstico aprofundado do sistema tributário brasileiro. O material também apresenta as oito premissas da Reforma Solidária para enfrentar a desigualdade social.
“Ao realizar essa conferência, a CNTE dá um ponta pé inicial nesse debate que deve ser ampliado por nossas entidade filiadas, em seminários, nos municípios e estados, em parceria com a Anfip e a Finafisco”, destacou o presidente da CNTE, Heleno Araújo. “Não dá pra reivindicar piso salarial e mais investimento em educação, sem entender que a forma de tributar nesse país é perversa e precisa mudar”, acrescentou Araújo. Por fim, o presidente da CNTE conclamou as entidades filiadas a incluir o debate da reforma tributária solidária nas cartas de compromisso que serão apresentadas aos candidatos nas próximas eleições. >> Acesse a videoconferência completa na página da CNTE no Facebook Movimento Reforma Tributária Solidária
O Manifesto do Movimento Reforma Tributária Solidária é uma campanha para fomentar o debate amplo, plural e democrático para corrigir as anomalias do sistema tributário brasileiro percebidas na comparação com países capitalistas relativamente menos desiguais. Acesse o site: http://reformatributariasolidaria.com.br.
A data de 6 de agosto é de valorização e reconhecimento dos funcionários de escola. Sancionada em 2014, a lei 13.054 instituiu o Dia Nacional dos Profissionais de Educação, como forma de resgate da atuação e do trabalho qualificado daqueles que lidam com a educação no espaço escolar e com as futuras gerações.
A comemoração remonta à mudança que inseriu os funcionários de escola habilitados na categoria de profissionais da educação escolar básica, juntamente com professores e pedagogos, no exercício profissional e na luta pelo ensino de qualidade. A CNTE homenageia os trabalhadores que dão vida à escola.
E o golpe continua: governo Temer indica o corte de milhares de bolsas de estudo e pesquisa para estudantes e professores/as
Jornalista: Leticia
Os efeitos da Emenda Constitucional nº 95/2016 (Teto dos Gastos), que asfixia o orçamento das áreas sociais pelo próximo período de 20 anos e limita novos investimentos em, por exemplo, saúde e educação, começam a ser sentidos.
No último dia 01 de agosto, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES emitiu uma Nota ao Ministério da Educação – MEC em que explicita os efeitos mais imediatos do teto imposto ao seu orçamento para 2019, aprovado agora, no Congresso Nacional, pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Depois de assegurado na LDO a manutenção para 2019 do mesmo orçamento de 2018, a CAPES foi notificada sobre um corte em seu orçamento que implicará, já para agosto de 2019, no corte de mais de 93 mil bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado, além da suspensão de pagamento de 105 mil bolsistas de três importantes programas de formação dos profissionais da educação básica, como o Pibid e o Parfor.
Só um governo inimigo da educação e de seu povo é capaz de praticar tamanha atrocidade. Veja a Nota da CAPES na íntegra.
Reforma do Ensino Médio é retrocesso para a educação
Jornalista: Leticia
A reforma de ensino médio proposta pelo bloco de poder que tomou o Estado brasileiro por um processo golpista, jurídico, parlamentar e midiático, liquida a dura conquista do ensino médio como educação básica universal para a grande maioria de jovens e adultos, cerca de 85% dos que frequentam a escola pública. Uma agressão frontal à constituição de 1988 e a Lei de Diretrizes da Educação Nacional que garantem a universalidade do ensino médio como etapa final de educação básica.
Os proponentes da reforma, especialistas analfabetos sociais e doutores em prepotência, autoritarismo e segregação social, são por sua estreiteza de pensamento e por condição de classe, incapazes de entender o que significa educação básica. E o que é pior, se entende não a querem para todos.
Com efeito, por rezarem e serem co-autores da cartilha dos intelectuais do Banco Mundial, Organização Mundial do Comércio, etc., seus compromissos não são com direito universal à educação básica, pois a consideram um serviço que tem que se ajustar às demandas do mercado. Este, uma espécie de um deus que define quem merece ser por ele considerado num tempo histórico de desemprego estrutural. O ajuste ou a austeridade que se aplica à classe trabalhadora brasileira, da cidade e do campo, pelas reformas da previdência, reforma trabalhista e congelamento por vinte anos na ampliação do investimento na educação e saúde públicas, tem que chegar à escola pública, espaço onde seus filhos estudam.
A reforma do ensino médio que se quer impor por Medida Provisória segue figurino da década de 1990 quando MEC era dirigido por Paulo Renato de Souza no Governo Fernando Henrique Cardoso. Não por acaso Maria Helena Guimarães é a que de fato toca o barco do MEC. Também não por acaso que o espaço da mídia empresarial golpista é dado a figuras desta década.
Uma reforma que retrocede ao obscurantismo de autores como Desttut de Tracy que defendia, ao final do século XIX, ser da própria natureza e, portanto, independente da vontade dos homens, a existência de uma escola rica em conhecimento, cultura, etc., para os que tinham tempo de estudar e se destinavam a dirigir no futuro e outra escola rápida, pragmática, para os que não tinham muito tempo para ficar na escola e se destinavam (por natureza) ao duro ofício do trabalho.
Neste sentido é uma reforma que anula Lei Nº. 1.821 de 12 de março de 1953. Que dispõe sobre o regime de equivalência dos cursos de grau médio para efeito de matrícula nos curso superiores e cria novamente, com outra nomenclatura, o direcionamento compulsório à universidade. Um direcionamento que camufla o fato de que para a maioria da classe trabalhadora seu destino são as carreiras de menor prestigio social e de valor econômico.
Também retrocede e torna, e de forma pior, a reforma do ensino médio da ditadura civil militar que postulava a profissionalização compulsória do ensino profissional neste nível de ensino. Piora porque aquela reforma visava a todos e esta só visa os filhos da classe trabalhadora que estudam na escola pública. Uma reforma que legaliza o apartheid social na educação no Brasil.
O argumento de que há excesso de disciplinas esconde o que querem tirar do currículo – filosofia, sociologia e diminuir a carga de história, geografia, etc. E o medíocre e fetichista argumento que hoje o aluno é digital e não agüenta uma escola conteudista mascara o que realmente o aluno desta, uma escola degradada em seus espaços, sem laboratórios, sem auditórios de arte e cultura, sem espaços de esporte e lazer e com professores esfacelados em seus tempos trabalhando em duas ou três escolas em três turnos para comporem um salário que não lhes permite ter satisfeitas as suas necessidades básicas. Um professorado que de forma crescente adoece. Os alunos do Movimento Ocupa Escolas não pediram mais aparelhos digitais, estes eles têm nos seus cotidianos. Pediram justamente condições dignas para estudar e sentir-se bem no espaço escolar.
Por fim, uma traição aos alunos filhos dos trabalhadores, ao achar que deixando que eles escolham parte do currículo vai ajuda-los na vida. Um abominável descompromisso geracional e um cinismo covarde, pois seus filhos e netos estudam nas escolas onde, na acepção de Desttut de Tracy estudam os que estão destinados a dirigir a sociedade. Um reforma que legaliza a existência de uma escola diferença para cada classe social. Justo estes intelectuais que em seus escritos negam a existência das classes sociais.
Quando se junta prepotência do autoritarismo, arrogância, obscurantismo e desprezo aos direitos da educação básica plena e igual para todos os jovens, o seu futuro terá como horizonte a insegurança e a vida em suspenso. * Filósofo e Educador. Professor do Programa de Pós Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)