Carta aberta em defesa do ensino médio público de qualidade

O Ministério da Educação do golpe anunciou que realizará, na próxima quinta-feira (2), uma discussão em mais de 28 mil escolas públicas e particulares, envolvendo mais de 509 mil professores, sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do ensino médio. Entretanto, o arbítrio, a falta de diálogo e o entendimento, indispensáveis em qualquer reforma educacional, criaram um generalizado e forte movimento da comunidade educacional pela revogação da Lei 13.415/2017, que instituiu a chamada “reforma do ensino médio”, e pelo cancelamento da proposta do golpe para a BNCC do ensino médio.
Assim como parte considerável dos educadores, dos trabalhadores da educação e dos estudantes, tenho a convicção de que as discussões em torno da BNCC são indissociáveis da reforma do ensino médio. Depois da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, de várias associações acadêmicas e científicas, agora, a própria SBPC aprovou, por unanimidade, moção pela revogação da lei do ensino médio e pela rejeição da proposta de BNCC do governo Temer.
Isso significa que não é possível avançarmos nas discussões em torno da Base, antes de superarmos os gargalos e os equívocos estabelecidos pela Lei, que instituiu um verdadeiro apartheid educacional no Brasil.
Precisamos lembrar que a reforma do ensino médio do golpe possui um vício de origem. Editada por medida provisória, sem qualquer participação da sociedade, a proposta inicial do governo Temer tentou acabar com as disciplinas de filosofia, artes, educação e sociologia. Ainda mais grave, não fixou os conteúdos obrigatórios mínimos que deveriam ser oferecidos a todos os estudantes como dever do Estado, transferindo para as redes a oferta dos itinerários formativos.
Essa foi a primeira tentativa, em duas décadas, de mudança da LDB por medida provisória. Em resposta ao autoritarismo, houve um forte questionamento dos professores e uma intensa mobilização dos estudantes, que se posicionaram contra essa reforma do ensino médio e ocuparam mais de mil escolas em todo o país. A vitória da resistência dos estudantes foi parcial, com a apresentação, no Congresso Nacional, de um projeto de conversão, que recuperou parte do histórico de discussões sobre o tema na a Câmara dos Deputados, com a flexibilização do currículo, a abertura de espaços para a educação profissional e técnica, entre outros.
Entretanto, a reforma do ensino médio do golpe manteve sérios problemas para um ensino médio público e de qualidade. Além de abrir espaço para que 40% da grade curricular do ensino médio seja oferecido na modalidade à distância, esvaziando o ambiente escolar, a Lei 13.415/2017 permite que os recursos públicos da escola pública passem a ser compartilhados por instituições privadas, permitindo a inaceitável privatização Fundeb, quando todos sabem das carências de recursos e de investimentos em grande parte das escolas públicas brasileiras.
Também admite que profissionais práticos com notório saber e não licenciados possam ministrar aulas. Além disso, as disciplinas obrigatórias foram reduzidas a português e a matemática e a jornada obrigatória do currículo, que é de 2,4 mil horas, foi reduzida para 1,8 mil horas, ou seja, os direitos de aprendizagem dos estudantes se restringiram ao que couber nessas 1,8 mil horas.
Tudo isso vai na contramão do modelo de excelência do ensino médio e do recente esforço do Estado brasileiro em implementar a educação em tempo integral. Se, por exemplo, os Institutos Tecnológicos Federais, que são locais em que há educação integral, fossem considerados um país, o desempenho seria de 2º lugar em Linguagem, 11ª em ciências e 30º em matemática entre os 70 países mais ricos do planeta, no Programa Internacional de Avaliação de Alunos para jovens de 15 anos de 2015.
Alunos da faixa etária do ensino médio devem aumentar a convivência escolar. A escola é um ambiente do conhecimento, do convívio com a diversidade, da cultura e da formação, tendo como complementação da formação o ensino das artes e da educação física. A escola, especialmente na faixa etária do ensino médio, deve preparar para a vida em um sentido amplo, familiar, social e profissional.
Em um cenário da periferia dos grandes centros urbanos, em que violência e as drogas estão tão presentes, a exclusão do ambiente escolar é um imenso e perigoso atraso civilizatório. Não se trata de ser contra a novas tecnologias digitais na educação utilizadas na educação a distância. Até porque, nós também avançamos nesse tema, com a ampliação da rede de laboratórios e de banda larga nas escolas, com a distribuição de tablets para os professores, com a disponibilização de conteúdos digitais e com o portal do professor, incluindo a plataforma Kehn Academy para biologia, matemática, física e química, como auxilio na preparação de aulas.
Acontece que essas novas tecnologias devem ser utilizadas como complemento das atividades escolares, ou seja, para aprimorar a relação professor-aluno, a participação e enriquecer a jornada escolar, não para esvaziar ou para tirar os alunos da escola. O mais grave é que a reforma do ensino médio de Temer e dos golpista abre a possiblidade da educação à distância para 40% da grade curricular no ensino médio, sem qualquer controle de qualidade e com um forte viés privatizante da educação.
É evidente que todos esses problemas e anacronismos da reforma do ensino médio também se expressam na BNCC do ensino médio completamente alterada pelo Ministério da Educação do golpe e encaminhada ao Conselho Nacional de Educação em abril, sem qualquer participação popular. Assim como na Lei, com exceção a português e matemática, a proposta de BNCC do golpe abandona completamente as demais disciplinas, não deixando claro o que deve ser garantida como direito de aprendizagem em áreas como: química, física, história, geografia, entre outros.
No mesmo sentido, não apresenta os conteúdos mínimos que devem ser assegurados nas matérias optativas, que serão ministradas de acordo com a escolha do aluno por uma das seguintes áreas do conhecimento: linguagens e suas tecnologias, matemática e suas tecnologias, ciências da natureza e suas tecnologias, ciências humanas e sociais aplicadas e formação técnica e profissional. Ainda que essa estrutura de ensino médio em que há um núcleo comum e uma série de matérias optativas seja mantido, a BNCC deve contemplar tanto a parte comum, quanto os itinerários formativos que compõem a parte diversificada.
Outro ponto de profunda discordância, é a ruptura da BNCC do ensino médio com o que foi definido na BNCC do ensino fundamental, criando uma fissura na educação básica e rompendo com a visão sistêmica da educação da creche à pós-graduação, que tínhamos implementado. É como se retornássemos a um passado de falsas oposição na educação, como havia no passado recente, entre educação técnica e educação propedêutica e entre educação básica e educação superior, que já parecia superado.
É fato que a atual estrutura curricular do ensino médio, com no mínimo treze disciplinas, é extremamente rígida e não dialoga com a diversidade de interesses dos estudantes desse nível de ensino. Foi por isso, que nosso governo democrático abriu um amplo processo de discussões sobre uma nova Base Nacional Comum Curricular, que recebeu mais de 12 milhões de comentários e sugestões e que previa 70% do currículo com o mesmo direito de aprendizagem e 30% para itinerários formativos optativos.
A nossa proposta contemplava uma Comissão Nacional Coordenadora que acompanharia e definiria os parâmetros comuns para a implantação do novo currículo, incluindo os itinerários formativos optativos, fazendo os ajustes necessários. Agora, com o golpe, a competência é exclusividade das redes, sem mediação e monitoramento, o que pode levar a distorções e desequilíbrios no interior das redes ou entre elas, porque as redes são muito heterogêneas e as escolas também.
Com Temer e sua precarização do ensino público, vivenciaremos uma segregação educacional selvagem, entre os alunos das escolas privadas e os alunos das escolas públicas que representam 87% das matrículas no ensino médio, um verdadeiro apartheid educacional, que já esteve muito presente na história do Brasil. Os alunos das escolas privadas continuarão tendo acesso à boas escolas, que já possuem uma jornada presencial extensa e mais o complemento dos recursos tecnológicos digitais. Já os alunos das escolas públicas serão submetidos a um currículo frouxo, que não garante o mesmo direto à aprendizagem, somado a uma educação à distância sem qualquer controle de qualidade.
Por isso tudo, o dia o dia D de discussão da BNCC se transformou no dia D de denúncia dos impactos e dos desmontes que a BNCC e a reforma do ensino médio do governo do golpe terão na educação brasileira. Trata-se de um simulacro de participação social para dar um verniz de legitimidade a um projeto que tem problemas sérios de concepção. É preciso ampliar os debates e aprofundar a reflexão sobre o tipo de Brasil que teremos com essa BNCC e com essa reforma.
Precisamos de mais discussões, mais diálogo e mais negociação. A reforma do ensino médio precisa assegurar o verdadeiro direito de aprendizagem para todos os estudantes desse nível de ensino e uma efetiva participação da comunidade educacional, acadêmica e científica, não de arremedos autoritários, privatizantes e autoritários.
Aloísio Mercadante é *ex-ministro da Educação.

CNTE organiza videoconferência sobre Reforma Tributária Solidária

Na próxima segunda-feira (6/8), será realizada uma vídeoconferência para divulgação do projeto “Reforma Tributária Solidária”, no auditório da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), às 14h. O presidente da Anfip, Floriano Martins de Sá Neto, e o presidente da Fenafisco, Charles Johnson da Silva Alcantara, irão participar do debate.
De acordo com o Manifesto do Movimento Reforma Tributária Solidária, o objetivo da campanha é fomentar um debate amplo, plural e democrático para corrigir as anomalias do sistema tributário brasileiro percebidas na comparação com países capitalistas relativamente menos desiguais, nos quais o sistema de impostos tem caráter progressivo, decorrente da maior participação da tributação sobre a renda e a propriedade em relação à incidente sobre o consumo.
Atualmente o sistema tributário é injusto. Apenas seis brasileiros concentram a mesma riqueza de metade da população. Mas, na hora de pagar o imposto, essa diferença não é levada em consideração. A Reforma Tributária Solidária vai reduzir os impostos sobre o consumo, que tanto afetam o trabalhador e a classe média.

Moção de repúdio à agressão física do prefeito de Moreno/PE aos professores/as do município

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE, entidade representativa dos profissionais do setor público da educação básica brasileira, REPUDIA de forma veemente a agressão do prefeito da cidade de Moreno/PE, Vavá Rufino (PTB), perpetrada contra professores/as municipais que se encontravam em legítimo movimento de reivindicação salarial.
No dia 25 de julho, os/as professores/as municipais estavam realizando uma atividade para pressionar a gestão municipal a cumprir a lei e, seguindo a Lei do Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério Público de Nível Básico, reajustar os vencimentos da categoria em 6,81%. Em uma legítima manifestação, os/as professores/as encontravam-se mobilizados na prefeitura da cidade cobrando o cumprimento da legislação, em um ato absolutamente corriqueiro e normal. Em uma ação totalmente destemperada e desequilibrada, o prefeito partiu para agressões físicas contra professores que estavam no local tentando ligar o equipamento de som do ato. A agressão foi registrada por fotos e presenciada por todos que se encontravam no local.
Não é possível e tampouco aceitável que um gestor municipal não saiba lidar com manifestações sociais legítimas, ações essas protagonizadas por seus servidores, a quem o prefeito tem a obrigação, por dever de convívio diário, de respeitar e valorizar em seu exercício profissional. O desequilíbrio emocional do prefeito de Moreno não se sobreporá ao descumprimento de sua gestão na concessão do reajuste legal a que os/as professores/as de seu município têm direito por lei. E tampouco sua ação violenta contra aqueles a quem ele devia valorizar irá alterar o fato de que, diante do reajuste legal e necessário de 6,81%, a sua desastrosa gestão ofereceu somente 2,95% de reajuste, não aceito pelos/as professores/as e, por isso, ainda nunca pagos.
Ora, como aceitar um reajuste salarial tão indigente? Como não reivindicar o percentual assegurado por lei? Ou o prefeito Vavá Rufino aprende a lidar com suas emoções e a respeitar as manifestações legítimas dos/as servidores/as e trabalhadores/as de seu município, ou assuma que não tem condições para exercer o cargo que ora ocupa.
Os/as educadores/as de todo o Brasil repudiam a ação do prefeito contra professores/as de seu município, exigem uma reparação pública do gestor e se solidarizam com os profissionais agredidos. Uma boa educação começa pelo bons tratos e respeito entre as pessoas, especialmente daqueles de onde deveriam vir os melhores exemplos.
Brasília, 26 de julho de 2018

Dia 2 de agosto será de mobilização contra a BNCC do Ensino Médio

Devido à convocação do Ministério da Educação (MEC) e do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) para o “Dia D” de debate nas escolas sobre a Base Nacional Comum Curricular do Ensino Médio, previsto para 2 de agosto, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) orienta as afiliadas a promoverem intenso calendário de mobilização e denúncia para discutir com os/as trabalhadores/as as reais consequências das medidas propostas pelo governo antidemocrático.
Além do livro “BNCC e Reforma do Ensino Médio”, produzido pela entidade e lançado em maio de 2018, a instituição elaborou texto de subsídio voltado ao tema, caso o sindicato local opte por convocar paralisação nessa data. Também disponibilizou carta escolar para que cada escola do país registre a indignação com as mudanças no currículo. O instrumento também pede a revogação da Lei 13.415 e a rejeição das alterações indicadas. Está previsto, ainda, o envio de panfleto acerca do assunto voltado aos educadores e a população em geral.
A luta, neste momento, é decisiva para desmascarar a intenção do MEC de viabilizar mais um golpe midiático.

CNTE participa de Reunião Regional da Internacional da Educação para América Latina na Bolívia


A diretoria da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) participou, nesta segunda-feira (23/7),  da Reunião Regional da Internacional da Educação para América Latina, em Cochabamba, na Bolívia.
Foram tratadas as seguintes temáticas: Panorama político educacional latino-americano e mundial; a privatização, mercantilização e financiamento educativo; e a qualidade educacional e processos de avaliação: qual deve ser o perfil de um modelo educativo democrático e inclusivo no âmbito do movimento pedagógico latino-Americano.
Veja os debates:
https://youtu.be/yZM51CVUfh0

Moção de repúdio à Câmara de Vereadores de São Lourenço do Sul/RS pela aprovação do projeto Escola sem Partido

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE, entidade representativa de mais de 4 milhões de trabalhadores das escolas públicas brasileiras, vem a público REPUDIAR a aprovação pela Câmara Municipal de São Lourenço do Sul/RS do Projeto Escola sem Partido, que “institui, no âmbito do sistema municipal de ensino, o Programa Escola sem Partido” que ficou conhecido no Brasil como Lei da Mordaça.
Nossa manifestação contrária se volta especialmente aos autores da referida proposição legislativa, a saber os vereadores Adrean Peglow (PSDB), Paulinho Pereira (PSDB), Matias Fromming (PSDB), Dari Pagel (PP) e Jonatã Harter (PDT). Estes desconhecem ser a escola o espaço privilegiado de um Brasil soberano e igualitário, construído diariamente por trabalhadoras e trabalhadores em educação, que devem ser bem remunerados e formados, com crianças e adolescentes participativos, respeitosos e respeitados, no exercício de uma educação que promova o respeito à cidadania.
Cumpre lembrar aos desavisados vereadores de São Lourenço que, de forma inadvertida aprovaram esse projeto, que o mérito dessa proposta já foi julgado pelo STF na apreciação de um caso similar no Estado de Alagoas e, à época, decidiu suspender a sua aplicação. Trata-se de uma iniciativa calcada no retrocesso sócio educacional e cultural e que, em boa hora, a corte máxima do judiciário brasileiro impediu sua propagação por ofender os princípios da liberdade de expressão e de ensino, do pluralismo de ideias e concepções pedagógicas e da gestão democrática do ensino, conforme prevê o artigo 206, incisos II, III e VI da Constituição Brasileira.
Atentamos ainda para o fato de que o projeto em tramitação na Câmara Federal ainda não passou pela Comissão Especial que trata do assunto e que vários/as educadores/as, referências nacionais e internacionais no campo da educação, se colocam contrários à mordaça a ser imposta nas escolas, pois esta solidifica a barbárie e todos os preconceitos, fanatismos religiosos, ignorância, falta de civilidade e de solidariedade, além de promover e fomentar o machismo, o racismo e a xenofobia.
Os/as educadores/as brasileiros/as, verdadeiros conhecedores do ambiente educativo, são os representantes mais qualificados para exprimir as contribuições que a educação pública de qualidade pode fazer à sociedade.
A CNTE está atenta a essa aberração chamada Projeto de Escola Sem Partido, em qualquer lugar que ele seja proposto e/ou aprovado, colocando-se à disposição dos/as trabalhadores/as em educação do município para qualquer enfrentamento jurídico que sejam obrigados a empreender.
Brasília, 17 de julho de 2018
Direção Executiva da CNTE

Professores se formam em Guerrero e homenageiam colegas assassinados

A formatura de 74 novos professores do estado de Guerrero, no México, em 13 de julho, não estava completa. Faltavam os 43 estudantes da Escola Normal Rural Raul Isidro Burgos, desaparecidos em 26 de setembro de 2014. O nome de cada um foi chamado, mas as cadeiras permaneceram vazias para relembrar um dos casos de maior violação de direitos humanos do país nos últimos tempos.
Há quase quatros anos, a polícia municipal, com outros homens armados, vinculados ao crime organizado da região, alvejaram o ônibus que transportava os estudantes de forma violenta e desproporcional. Ao pararem os veículos, os passageiros foram colocados em viaturas policiais e nunca mais apareceram. Os alunos viajavam para Iguala. Iam negociar transporte para que outros estudantes viajassem até a capital e pudessem participar de marcha em homenagem às vítimas de massacre histórico, ocorrido em 1968, quando forças federais fuzilaram centenas de estudantes.
Eles também planejavam protestar contra a morte de militantes camponeses simpatizantes do PRD (Partido da Revolução Democrática), que desapareceram, em 2013, após confronto com a polícia em uma manifestação por fertilizantes para os produtores da região de Iguala. Investigações ligavam os assassinatos a José Luis Abarca, prefeito da cidade, acusado de ter ligações com o narcotráfico. Sem provas concretas, o prefeito da cidade seguiu impune.
Mal sabiam os futuros professores que eles próprios seriam vítimas de chacina. Sem aviso, a Polícia do Estado abriu fogo a um dos ônibus, matando seis pessoas e ferindo 40. Outros 43 foram detidos pela Polícia, mas desapareceram imediatamente depois.
No mesmo ano, as autoridades mexicanas disseram que a polícia teria entregado os estudantes a um cartel de drogas local, Guerreros Unidos, que incinerou os corpos num lixão nas redondezas. Mais de 130 pessoas foram presas, dentre elas o prefeito de Iguala, assim como oficiais da polícia e traficantes. Porém, uma equipe internacional de especialistas expôs que não havia evidências forenses que colaborassem com a conclusão das investigações mexicanas.
No entanto, os indícios analisados pela promotoria, de acordo com os juízes, sugerem que os 43 estudantes foram vítimas de execução sumária, ou seja, foram julgados, condenados e executados de uma só vez, como em um fuzilamento. O processo aponta que as vítimas foram detidas, privadas de liberdade e transportadas ao lugar onde foram mortas.
As instâncias judiciais se recusaram a emitir ordens de busca e apreensão contra os 56 acusados, entre eles o ex-prefeito de Iguala, José Luis Abarca e a esposa dele, María de los Ángeles Pineda, suspeitos de terem mandado matar os estudantes, os policiais municipais de Iguala e Cocula, e supostos membros do cartel Guerreros Unidos.
CNTE na luta pela memória das vítimas
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) apóia as famílias dos 43 jovens desaparecidos, acompanha de perto e luta para manter viva a memória sobre o caso. Em 2016, representantes da entidade se reuniram com embaixadora do México, Beatriz Paredes, com o objetivo de exigir que o governo mexicano esclarecesse o desaparecimento dos jovens.
Outra ação em benefício das vítimas foi a moção em solidariedade aos familiares quando o caso completou três anos. Trecho do documento destaca que “A escalada de violência no México nos dias de hoje é resultado de mais de uma década de uma política fracassada de combate ao narcotráfico, iniciada quando, ainda no ano de 2006. Ali foi iniciada essa estratégia de guerra do Estado contra o narcotráfico, que já vitimou em pouco mais de 10 anos, mais de 130 mil vidas, entre mortos e desaparecidos. O principal erro dessa estratégia de enfrentamento do crime organizado encontra-se, justamente, no efeito que gerou o total descontrole do Exército e das forças de segurança do país, que carecem de marcos regulatórios de sua atuação, o que termina por contagiar todo o sistema de segurança do país, desde os de nível federal até as polícias municipais”.

Dia do Basta: em defesa da democracia e do petróleo para a educação

Em 10 de agosto, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e os sindicatos filiados participam das ações do Dia do Basta, promovido pelo Fórum das Centrais. A data marca as mobilizações em defesa da democracia e dos direitos do povo brasileiro, ameaçados pelo desgoverno do país.
A Confederação se mobiliza com a intenção de dar um basta à privatização da Petrobras, que compromete a soberania do Brasil no setor energético e os recursos para a viabilidade do Plano Nacional de Educação (PNE); ao desmonte das políticas educacionais e à perseguição ao ex-presidente Lula, dentre outros retrocessos do cenário político.
Outras lutas e reivindicações fazem parte da agenda da classe trabalhadora nesse dia, dentre elas estão criar políticas, programas e ações imediatas para enfrentar a falta de emprego e o subemprego crescentes, revogar a Emenda Constitucional 95/2016, que congela os investimentos públicos por 20 anos, renovar a política de valorização do salário mínimo, revogar pontos negativos da Reforma Trabalhista e da Terceirização, que precarizam os contratos e condições de trabalho e assegurar o direito e o acesso ao Sistema Público de Seguridade e Previdência Social.

Nota de apoio à deputada Erika Kokay

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação manifesta total e veemente repúdio ao tratamento inaceitável porquanto agressivo, misógino e discriminatório, dispensado à deputada Erika Kokay durante a audiência pública da Comissão Especial destinada a proferir parecer sobre Projeto de Lei 7180/2014, conhecido como Escola sem Partido. Manifesta, ainda, total apoio à deputada, defensora incansável dos direitos humanos.
Grande parte dos membros da Comissão que trata de tema extremamente relevante à educação brasileira, desconsidera os princípios educativos de ética e respeito. Tanto é verdade que apoia um PL que amordaça educadores/as e pretende reverter avanços conquistados com muita luta por trabalhadores/as da educação e parlamentares que acreditam em uma educação pública de qualidade.
Reiteramos que a educação deve contribuir efetivamente para a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, que promova o bem de todos e todas, sem preconceitos de origem, raça, religião, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
Reafirmamos nosso apoio à deputada Erika Kokay, parlamentar atuante em defesa dos direitos de brasileiras e brasileiros, especialmente das vítimas de pessoas que defendem os mesmos princípios discriminatórios daqueles que querem uma escola que amordace, não permitindo que alunos e alunas pensem, reflitam e construam valores coerentes com uma sociedade igualitária.
“Não basta saber ler que ‘Eva viu a uva’. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.” (Paulo Freire)
Por uma educação pública de qualidade!
Contra o Projeto Escola sem Partido!
Contra toda forma de discriminação!
Em defesa da ética e do respeito no parlamento brasileiro!
Brasília, 12 de julho de 2018.
Diretoria Executiva

Pressão de entidades adia votação do parecer da Escola sem Partido

Os professores demonstraram, ontem (11), a força de mobilização da categoria. Ao lado dos parlamentares da oposição e de estudantes, impediram, na comissão especial na Câmara dos Deputados, por meio de protesto, a votação do parecer do relator Flavinho (PSC-SP) ao Projeto de Lei (PL) nº 7.180/2014, que institui a Escola sem Partido, também, conhecida como “Lei da Mordaça”.
Os requerimentos e as questões de ordem dos parlamentares e os gestos de resistência dos manifestantes adiaram a leitura e votação do parecer, ainda sem data definida. No documento, o substitutivo do relator estabelece que as salas de aula e as áreas de circulação em instituições de ensino tenham cartazes com os seis deveres do professor. Um deles determina que não podem cooptar alunos para nenhuma corrente política, ideológica ou partidária.
“As mobilizações continuarão para enfrentar esse retrocesso. A proposta da Escola sem Partido é inconstitucional e leva a educação para a Idade das Trevas”, destaca Fátima Silva, secretária geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), que esteve presente na manifestação. Em Nota Pública, divulgada no último dia 3, a entidade repudia o projeto de lei, por se pautar em conceitos e critérios políticos, sociais e pedagógicos diametralmente opostos aos estabelecidos na Constituição Federal e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei 9.394/1996), que têm a gestão democrática e o pluralismo de ideias e concepções Pedagógicas como pilares da educação formal no Brasil.
Após as 19h, os deputados federais encerraram a sessão para participarem da votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
Sobre o PL nº 7.180/2014
A “Lei da Mordaça” defende o afastamento da oferta de disciplinas com o conteúdo de “gênero” ou “orientação sexual”, com consequência direta sobre os livros paradidáticos e didáticos, as avaliações para o ingresso nas universidades, as provas para entrada na carreira docente e as instituições de ensino superior. Inclui, ainda, a fiscalização da prática docente, com canal de denúncia, e a ideia de que os valores de ordem familiar têm precedência sobre a educação escolar nos aspectos relacionados à educação moral, sexual e religiosa.

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