Ministro da Educação diz como a Bolívia erradicou o analfabetismo

O ministro da Educação da Bolívia, Roberto Aguilar, foi um dos conferencistas do primeiro dia do IV Encontro do Movimento Pedagógico Latino-Americano, que acontece no Centro de Convenções do Actuall Hotel, na região metropolitana de Belo Horizonte. Ele revelou como seu país conseguiu reverter o sistema educacional para erradicar o analfabetismo.
A principal medida, conforme Roberto Aguilar, foi tratar a educação como direito fundamental, função suprema e a primeira responsabilidade financeira do Estado. É assim que o governo de Evo Morales promoveu revolução educacional na Bolívia, desde que assumiu o país, em 2006. Além da erradicação do analfabetismo, o país chegou a um índice de abandono escolar na casa dos 2% no último ano, resistindo à política privativista da educação que invade a América Latina.
A grande virada nas políticas da educação na Bolívia, conforme o ministro, aconteceu em razão da vontade de o presidente Evo Morales em dar prioridade ao ensino no país. “O presidente Morales sempre expressou que a educação é um direito dos povos. A ordem é onde houver uma criança haverá uma escola”, afirmou o ministro, acrescentando ser essa a única maneira de oferecer a seus povos as condições dignas de vida.
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Segundo o ministro, a educação é um direito de todos sem discriminação e sem exclusão; é intracultural, intercultural, plurilíngue, produtiva, descolonizadora, científica técnica e tecnológica, além de ser obrigatória, pública e gratuita até o nível superior. “Temos que promover a educação da vida e na vida para viver bem em harmonia com a mãe terra”, comentou.
De acordo com Roberto Aguilar, a revolução iniciou a partir da aprovação da Lei 070, Avelino Siñani – Elizardo Pérez, no Parlamento. “Pela primeira vez na história uma lei foi aprovada sem haver debate na Casa Legislativa, uma vez que o governo já havia debatido com toda a sociedade, todos os sindicatos dos trabalhadores da educação e o movimento dos estudantes”, ressaltou.
Conforme o ministro boliviano, Morales teve a preocupação de construir um novo Estado Plurinacional, respeitando a memória, a história, a ciência, os saberes e os conhecimentos dos povos e nações, considerando as diversas realidades de sua população de pouco mais de 10 milhões de habitantes, que somam 36 povos e nações indígenas originários do campo e as diversas línguas.
 JOR4010A construção da nova educação transformou o modelo singular para o plural. O Estado-Nação passou ao Estado Plurinacional, que deixou de pensar na Economia para as economias; da Justiça para a pluralidade jurídica; de uma língua oficial para a pluralidade linguística do Estado; de uma Educação para as educações, que atendessem a todos e todas. Passou de um currículo único para os currículos; da qualidade para as diversas formas de qualidade educacional. “É uma construção continua, participativa, coletiva, democrática, comunitária e social, acumulando resistências sociais e populares contra a colônia, o império e o neoliberalismo”, garantiu Roberto Aguilar.
Dentre os desafios, o primeiro, Roberto Aguilar destacou as políticas do Estado para o acesso, a permanência e a qualidade do ensino com igualdade de condições e oportunidades. Dessa forma, a preocupação foi atrair desde a educação infantil às diversas formas educacionais alternativas para os adultos e a educação popular permanente para os trabalhadores.
Foi dessa forma, observou o ministro, que a Bolívia conseguiu erradicar o analfabetismo no país, reduzindo em 15 anos a taxa de 13,3%, em 2001, para 2,8%, no ano passado. Entre 2006 e este ano, o Estado conseguiu alfabetizar cerca de um milhão de pessoas. “A cada semana o presidente Morales inaugura pelo menos três novos centros educacionais”, lembrou o ministro.
Segundo ele, foram construídos, ampliados, reformados e equipados mais de 3 mil estabelecimentos educativos e atualmente já somam 16.077 escolas, “com condições de oferecer uma educação produtiva, técnica, tecnológica e científica.”
Para esse sucesso, o governo dobrou os investimentos na educação pública nos últimos dez anos. O percentual do PIB passou de 4,5%, em 2005, para 9%, no ano passado. Conforme os dados apresentados pelo ministro, isso significou um crescimento de mais de 236% nos investimentos na educação em dez anos. Em 2006, eram aplicados o equivalente a R$ 3 bilhões, e em 2016, esse valor passou para R$ 10,3 bilhões no ensino público.
Neste modelo educacional, a valorização dos professores e a formação profissional também receberam prioridades. Roberto Aguilar destaca que a participação dos sindicatos é essencial neste processo. Em 2000, 25% dos professores eram temporários, em 2016, este índice chegou a 1,7%. O governo investiu na carreira dos trabalhadores em educação.
O IV Encontro reúne cerca de 750 dirigentes sindicais de 21 países da América Latina e Europa, além de representantes dos sindicatos filiados à CNTE. A programação tem atividades até sexta-feira, 17.
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Publicado em Quinta, 16 Novembro 2017 09:39

Educação indígena ainda é precária nas escolas do Brasil

O índio Bororo Felix Adugoenau, professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), disse que a educação indígena nas escolas brasileiras ainda é muito precária. Ele um dos painelistas da tarde de hoje na reunião dos Povos Indígenas, que acontece no Actuall Hotel, em Belo Horizonte, dentro das atividades que precedem o IV Encontro do Movimento Pedagógico Latino-Americano.
Educadores indígenas e não índios do Brasil e países latino-americanos estão socializando as experiências das políticas educacionais locais para construção de uma pauta de luta com os pontos semelhantes que atendam a educação dos povos originários da América Latina.
Durante o painel “A realidade dos povos indígenas no Brasil”, Félix Adugoenua explicou que apesar de existir legislação no país para implantação da educação indígena a realidade nos municípios e estados são bem diferentes. “Temos estados e municípios sem educação indígena por falta de regulamentação da lei e interesse das secretarias estaduais e municipais de educação”, ressaltou.
Felix lembrou que muito do que Paulo Freire disse por meio da Pedagogia do Oprimido acontece atualmente nas aldeias. “Ainda somos muitos colonizados e hoje nossos irmãos indígenas seguem a cartilha que oprime nosso povo, que é ainda pior”, observou lembrando o educador símbolo da educação libertadora no Brasil.
O evento continua nesta terça-feira com os trabalhos em grupos que vão discutir os desafios das populações indígenas para a educação com o apoio da organização sindical.

Gestão solidária é a esperança para novas gerações no Brasil, diz ex-ministra de Dilma

A professora Eleonora Menecucci, ex-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República no governo da presidenta Dilma Rousseff, declarou que a gestão solidária é a esperança para o Brasil superar a crise imposta pelos golpistas e suas políticas neoliberais de retirada de direitos sociais. Ela abriu o Encontro da Rede de Trabalhadoras da Educação, que começou na manhã de desta segunda-feira (13/11), em Belo Horizonte, dentro das atividades do IV Encontro do Movimento Pedagógico Latino-Americano.
Sob a coordenação da secretária geral da CNTE, Fátima Silva, a mesa de abertura do Encontro de Mulheres tratou da conjuntura política no Brasil e condição da Mulher e o Poder Político. Eleonora falou para dirigentes sindicais de 14 países da América Latina, representantes de sindicatos da educação dos Estados Unidos, Suécia e Noruega, além das mulheres das entidades sindicais de todos estados brasileiros.
A ex-ministra disse que o golpe no Brasil serviu apenas para atender o mercado e os defensores do consenso de Washington, retirar a esquerda do poder, acabar com os direitos sociais e evitar a candidatura do ex-presidente Lula em 2018. “Dilma foi retirada da Presidência por não querer abafar a operação Lava Jato. Aquela gravação do senador Romero Jucá reiterou isso”, lembrou ela.
Segundo ela, os golpistas querem retirar a esperança do povo, mas as pessoas não podem ficar em casa diante de uma situação tão grave, em que as políticas neoliberais estão acabando com os direitos sociais. “Hoje são mais de 14 milhões de desempregados no país, sendo cerca de 60% são mulheres. Por isso, temos que ocupar as ruas, os espaços culturais e as praças para manifestar nossa revolta. Não podemos ter medo e ficar paralisados. Temos que reagir”, ressaltou Eleonora.
“Cabe à juventude manter a luta e reinventar uma nova forma de fazer política. Temos que implantar a gestão da solidariedade para contrapor a pregação do mercado que diz que as pessoas devem ser gestores de si mesmas, atuando sozinhas. Temos que gerir com foco no coletivo e construir a esperança”, afirmou a ex-ministra.
O evento, que acontece no Actuall Hotel em Belo Horizonte, continua no período da tarde, com palestras. Ao mesmo tempo acontecem as reuniões temáticas “A Educação Pública e os Direitos LGBTI” e “Povos Indígenas”.

Após o golpe, os direitos LGBT estão ameaçados no Brasil, diz especialista

O secretário de Direitos Humanos da CNTE, Christovam Mendonça, afirmou que, após o golpe no Brasil, os direitos LGBT estão ameaçados e é algo muito preocupante diante das políticas conservadoras defendidas pelo governo ilegítimo de Michel Temer. O alerta foi feito na reunião que debate a Educação Pública e os Direitos LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Intersexual), que acontece no Actuall Hotel, em Belo Horizonte, dentro das atividades que precede o IV Encontro do Movimento Pedagógico Latino-Americano.
Christovam fez uma apresentação sobre a Discriminação por Orientação Sexual e o processo histórico de reconhecimento da diversidade sexual na tarde de hoje, 13, para representantes do movimento sindical da educação do Brasil e países da América Latina.
Segundo ele, o Brasil é o país que mata um homossexual por dia, muitos por crimes bárbaros que não são investigados. “As mortes no país representam 44% das vítimas em todo o mundo. Ainda assim, conseguimos nos reunir para debater a temática, como neste evento”, comentou.
Diferente do que tem acontecido após o golpe no Brasil, Christovam lembra que a partir de 2003, nos governos de Lula e Dilma Rousseff, as políticas de direitos LGBT avançaram no país. Foi criado o Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos LGBT, ocorreram as conferências nacional, estaduais e municipais dos direitos LGBT. “Também em 2010 foi instituído o 17 de maio, como Dia Nacional de Combate à Homofobia”, observou.
A reunião tem o propósito de promover a socialização das políticas de direitos LGBTI nos países da América Latina e Espanha e definir os pontos de avanços para pautar a luta contra a homofobia nas escolas públicas e na sociedade. Os debates se encerram nesta terça-feira.

Educadores começam hoje em BH a debater a educação pública na América Latina

Educadores latino-americanos começam a debater, nesta segunda-feira (13/11), as temáticas sobre o papel da educação pública e dos sindicatos na melhoria do ensino público no Brasil e 18 países da América Latina. São mais de 700 participantes, incluindo os representantes dos 50 sindicatos afiliados à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). O evento acontece nas dependências do Actuall Hotel, em Belo Horizonte (MG).
Hoje iniciam-se as reuniões sobre “A Educação Pública e os Direitos LGBTI” e “Povos Indígenas”. Também começa o Encontro da Rede de Trabalhadoras da Educação, que vai tratar da temática “Mulher, Política e Poder”. A professora Eleonora Menecucci, ex-ministra de Políticas para as Mulheres da Presidência da República no governo da presidenta Dilma Rousseff, fará a palestra de abertura com o tema “Mulher e Poder Político”.
Na terça (14/11), além de continuar os debates com as temáticas de hoje, também acontecem as reuniões para discutir a “Educação Infantil como Direito e Política de Estado” e “Educação Superior”. Todas as discussões vão contar com palestrantes e debatedores do Brasil, dos países Latinos, dos Estados Unidos e Europa. Ainda no dia 14, ocorre a reunião de cúpula da Internacional da Educação para América Latina (IEAL).
O evento é organizado pela IEAL, em conjunto com a CNTE, e com o apoio de Larärforbundet, da Suécia, e Utdannings Forbundet, da Noruega. Nos 15 a 17 inicia o IV Encontro do Movimento Pedagógico Latino-Americano, com o tema “Democracia e Resistência: Educação Pública em Luta”.

Acontece o IX Encontro Brasileiro da REDESTRADO: Trabalho docente e a educação pública em debate

Nos dias 8, 9 e 10 de novembro, acontece na Faculdade de Educação da Unicamp, Campinas, o IX Encontro Brasileiro da REDESTRADO, que versará sobre o Trabalho docente no século XXI: conjuntura e construção de resistência.
A Rede Latino-Americana de Estudos sobre Trabalho Docente, criada em 1999, promove bienalmente encontros internacionais intercalando-os com outros nacionais nos anos ímpares. Neste ano, o Encontro Brasileiro contará com pesquisadores e representantes sindicais do exterior, além dos brasileiros. São profissionais que atuam em diversas instituições científicas e sindicais, pesquisam o trabalho docente com vistas a divulgar o conhecimento científico e promover o debate sobre a educação pública, tanto em seus países como no Brasil.
O Encontro Brasileiro está organizado em torno de 12 eixos temáticos e terá como atividades: painéis com representantes de diversos países e de diversas regiões brasileiras, apresentação de trabalhos, mesas-redondas, além de filmes e lançamentos de livros.
A programação completa pode ser consultada aqui. 
Informações adicionais podem ser obtidas pelo e-mail: redeestradoixencontro@gmail.com

Moção de repúdio à tentativa de criminalização dos lutadores e defensores das águas de Correntina/BA

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE, entidade representativa dos profissionais do setor público da educação básica brasileira, REPUDIA de forma veemente a tentativa reiterada de imprimir a imagem de vândalos e terroristas (!!!) aos agricultores da região do município de Correntina/BA que defendem, tão somente, o direito ao uso racional das águas do Rio Arrojado, integrante da Bacia do Rio Corrente, um dos afluentes do Rio São Francisco na Bahia.
Há anos vem acontecendo na região um verdadeiro desastre ambiental causado pela expansão irresponsável do agronegócio que, segundo estimativas, já destruiu quase 70% de todo o cerrado da região do oeste baiano, além da negligência e a absoluta captura do Estado que deveria regular e fiscalizar o uso e apropriação desse bem maior do planeta Terra que é a água. A expansão do agronegócio na região para a produção de soja, milho e café, basicamente, em grandes áreas de uma monocultura destrutiva do meio ambiente, retira e se apropria de uma quantidade de água de quase 110 milhões de litros diários. Para se ter um ideia desse quantitativo, toda a cidade Correntina/BA, com suas quase 35 mil pessoas, consomem aproximadamente 3 milhões de litros de água por dia. Não existe a menor sustentabilidade em um modelo como esse!!
As águas do Rio Arrojado, alvo dessa destruição desde pelos menos a década de 1970, se agravou recentemente quando, em 2015, o Comitê da Bacia do Rio Corrente deliberou que não houvesse mais concessões para uso de recursos hídricos da bacia. O Ministério Público Estadual recomendou, assim, ao Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado da Bahia que não concedesse novas outorgas para grandes empreendimentos na bacia. Mas nada disso segura a ganância do agronegócio! E os órgãos reguladores do Estado, cúmplices do grande capital, se mostram totalmente capturados pelos interesses mais nefastos do agronegócio destruidor.
O episódio ocorrido na última semana, quando pequenos agricultores e moradores da região de Correntina decidiram se manifestar nas fazendas que destroem os seus rios seculares e secam as suas águas ancestrais, é só o aguçamento de uma situação de tragédia ambiental da região. Como já disse Bertolt Brecht, “do rio que tudo arrasta se diz que é violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”.
Os/as educadores/as brasileiros/as repudiam a tentativa de criminalização das lutas sociais e se solidarizam com todos os moradores e defensores das águas do cerrado do oeste baiano e, em especial, da região de Correntina/BA. O Rio Arrojado está em agonia e pede socorro! Gritemos, então, por ele!
Brasília, 08 de novembro de 2017
Diretoria Executiva da CNTE

CNTE participa da audiênca pública "O Estatuto do Trabalho: uma lei para todos"

Na manhã desta segunda-feira (6), a secretária de finanças da CNTE, Rosilene Corrêa Lima, participou da audiência Pública “O Estatuto do Trabalho: Uma lei para todos”, realizada pela subcomissão da Comissão de Direitos Humanos do senado em Brasília. O Estatuto é uma proposta do senador Paulo Paim (PT-RS) para substituir a atual legislação, em especial a recém-aprovada reforma trabalhista. Para Paulo Paim, é preciso propor novas leis que harmonizem os direitos dos trabalhadores e dos patrões, sem pesar apenas para o lado mais forte da balança. A intenção é realizar debates com a sociedade até que a proposta possa ser aprovada por um novo parlamento, que vai se formar a partir das eleições de outubro de 2018.
Na avaliação de Rosilene Lima, a proposta de um Estatuto do Trabalhador é bem vinda e terá apoio da CNTE. No entanto, lembrou que para concretizá-lo, é preciso eleger um congresso mais progressista. Rosilene também acrescentou que os trabalhadores em educação já estão sentindo os efeitos da precarização das relações de trabalho. “Nós, sindicalistas, somos atacados diariamente. Há uma tentativa de descredenciar pessoas que têm interesses diferentes dos que estão colocados por essa reforma”, ressalta Rosilene.
Essa deslegitimação também foi registrada pela vice-presidente da Anamatra, Noêmia Porto: ela relatou que os jornais estão atacando a entidade com o intuito de constranger a magistratura. Noêmia apoia a audiência pública para debater um novo Estatuto do Trabalho: “Só a discussão plural, técnica e abrangente é capaz de incorporar problemas reais do mundo do trabalho”, reforçou.
Também participaram da audiência a ministra do Tribunal Superior do Trabalho, Kátia Arruda, a desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, Silvana Abramo, o procurador regional do trabalho, Cristiano Paixão, o auditor fiscal do trabalho, Alex Miller, além de representantes da UGT, Intersindical, Sinait, Apresefe, dentre outras entidades. Os participantes apontaram que empregos precários, perda de direitos, enfraquecimento da justiça de trabalho e das entidades sindicais são as consequências da reforma trabalhista aprovada recentemente pelo Congresso.
Contribuições para o Estatuto
Além de apontar os problemas da reforma, os participantes apresentaram algumas sugestões para serem incluídas no Estatuto do Trabalho. A juíza Valdete Severo chamou a atenção para questões sociais: “Ao falar do tema trabalho estamos falando na construção de um país. E a gente percebe que a herança escravocrata está muito viva entre nós e isso aparece na forma da desvalorização do trabalho. A nossa colonização acabou moldando um tipo de visão que não reconhece no trabalhador alguém que mereça direitos”, explicou Valdete. Para ela , a reforma trabalhista enganou também empregadores: “Se os trabalhadores receberem pouco isso vai diminuir o consumo e assim a produção também cai. Baixos salários e elevada instabilidade é ruim tanto para trabalhadores como empregadores”, pontua. Para reforçar esse aspecto social, ela sugeriu mudar o nome para “Estatuto dos Trabalhadores e Trabalhadoras”, dentre outras sugestões técnicas para tornar o direito do trabalho mais acessível ao conjunto dos trabalhadores.
Ana Claudia Bandeira, da ANPT, destacou: “Mais do que resistir à reforma trabalhista é preciso avançar. Daqui pra frente vamos ter que tratar essa brecha como uma oportunidade, vamos construir um texto que vá além da CLT”. Ana Claudia reforçou a necessidade de incluir, no Estatuto, a inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, dentre outros dispositivos que podem ser melhorados.
A desembargadora Silvana Abramo sugeriu que seja incluída de forma expressa no Estatuto do Trabalho, a proibição do trabalho escravo, repetindo o que está previsto hoje no artigo 149 do Código Penal. Também sugeriu que o estatuto incorpore a expressa proibição do trabalho infantil, com idade mínima de 18 anos para o trabalhador, com autorização para estágio ou aprendizado a partir dos 16 anos.
Sobre a subcomissão do senado
A Subcomissão Temporária do Estatuto do Trabalho foi instalada em agosto com o objetivo de elaborar um estatuto para substituir a atual Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Além disso, a proposta seria uma alternativa à reforma trabalhista apresentada pelo governo e aprovada recentemente pelo Congresso.

Carta aberta em defesa e promoção da Conferência Nacional Popular de Educação – CONAPE

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, entidade representativa de mais de 4,5 milhões de trabalhadores/as das escolas públicas do País, vem a público reiterar seu compromisso com a realização da Conferência Nacional Popular de Educação – CONAPE e de suas etapas preliminares, a serem organizadas democraticamente pelos Fóruns Populares de Educação espalhados pelo Brasil.
A tentativa do MEC em desarticular a CONAPE, propondo tardiamente e sob bases antidemocráticas que destituíram o Fórum Nacional de Educação e alteraram as regras para a Conferência Nacional de Educação – CONAE, ou seja, mantendo vigentes a Portaria 577/2017 e o Decreto de 26 de abril de 2017, deve ser rechaçada pelas entidades que integram o Fórum Nacional Popular de Educação – FNPE, na medida em que não há como reaproximar o campo progressista educacional do MEC golpista.
Neste sentido, a CNTE convoca as suas 50 entidades filiadas para manterem o compromisso de realização das etapas da CONAPE, seja sob a coordenação dos Fóruns Estaduais e Distrital de Educação, seja por meio dos Fóruns Populares de Educação, caso os primeiros optem por aderir à CONAE governamental.
O FNPE e a CONAPE foram forjados na luta contra o golpe institucional que se mantém no Brasil e contra os desmandos do Ministério da Educação, que rompeu com o processo de participação democrática voltado ao debate, à elaboração e à fiscalização das políticas educacionais.
Por essas razões, não podemos retroceder na luta de denúncia das (des)medidas do Golpe contra a educação, tampouco voltar a andar de mãos dadas com quem diuturnamente ataca direitos da sociedade, em especial da classe trabalhadora.
Brasília, 1º de novembro de 2017
Diretoria da CNTE

Nota pública: formação escolar cidadã, democrática e plural não pode reverberar ideologias reacionárias e fascistas

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, entidade representativa de mais de 4,5 milhões de profissionais das escolas públicas brasileiras, entre ativos e aposentados, efetivos e contratados a qualquer título, vem a público manifestar preocupação com o material produzido pela Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais – SEDUC/MG, visando à preparação de estudantes da rede pública para o Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM.
Em material voltado à redação do ENEM, a SEDUC/MG propõe aos estudantes uma dissertação sobre o tema “Interferência familiar durante o processo educacional e a autonomia das escolas”, com dois textos de apoio e uma charge. Um desses textos transcreve ipsis litteris a propaganda do movimento reacionário Escola sem Partido, que prega a Lei da Mordaça nas escolas, dando, assim, vasão à propagação desse tipo de ideia junto aos estudantes.
O movimento Escola sem Partido se pauta na pseudo neutralidade ideológica e política para, de forma dissimulada, impor a sua ideologia fascista nas escolas públicas. E é no mínimo temerário que governos de matizes progressistas reverberem essas posições reacionárias. Do ponto de vista dos/as educadores/as, não é desta maneira que se promove o debate sobre a participação social nas escolas, colocando em risco princípios democráticos consagrados na Constituição brasileira.
Na última semana, a CNTE se manifestou contrária à decisão da 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) que, a pedido da Associação Escola sem Partido, decidiu alterar os critérios de correção da redação do ENEM, admitindo qualquer forma de expressão dos estudantes que pretendem acessar as Universidades Públicas, ainda que contrárias aos princípios consagrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas e na Constituição Federal e leis infraconstitucionais do Brasil.
Naquele momento, a CNTE externou profunda preocupação com uma decisão do Poder Judiciário que permite transigir na questão dos direitos humanos, podendo amplificar o preconceito contra negros, mulheres, indígenas, população LGBT e outros segmentos historicamente perseguidos em nossa sociedade.
No caso do material pedagógico da SEDUC/MG, tal como apresentado, lamentavelmente, ele pode mais instigar a violência física e psicológica contra os profissionais da educação e fomentar práticas antidemocráticas nas escolas, do que, propriamente, conscientizar os estudantes a questionar e a repudiar as concepções fascistas da Escola sem Partido.
Diante da gravidade da situação, requeremos à SEDUC/MG que suspenda a entrega desse material ou que o recolha onde já foi distribuído.
Brasília, 1º de novembro de 2018
Diretoria Executiva da CNTE

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