Começa o Outubro Rosa

José Cruz/ABr

A CNTE, que representa mais de 2,5 milhões de trabalhadores da educação básica no país, reconhece a importância do Movimento Outubro Rosa, que quer estimular a prática do exame preventivo anual contra o câncer de mama. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), as mulheres representam mais de 80% dos docentes da Educação Básica brasileira. Em nome das mulheres da educação por ela representadas, a CNTE convoca as entidades filiadas a divulgar a iniciativa.
A campanha Outubro Rosa acontece desde 2008. É um movimento internacional que busca sensibilizar governos e entidades privadas sobre a necessidade de compartilhar a responsabilidade pela saúde da mulher, particularmente quanto ao câncer de mama, por meio da oferta de equipamentos adequados e informação.
Números – O câncer da mama é o que mais acomete as mulheres em todo o mundo. Em 2013, estimaram-se para o Brasil 52.680 casos novos da doença, com uma projeção de risco de 52 casos a cada 100 mil mulheres. Em quatro das cinco regiões brasileiras, o câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres, sem considerar os tumores de pele (não melanoma): Sudeste (69/100 mil), Sul (65/100 mil), Centro-Oeste (48/100 mil) e Nordeste (32/100 mil). Na Região Norte, é o segundo tumor mais incidente (19/100 mil), ficando atrás do câncer do colo do útero (23/100 mil).
A secretária de Relações de Gênero da CNTE, Isis Tavares, lembra que as consultas de rotina são importantes a partir dos 40 anos e fundamentais após os 50 anos, faixa etária mais afetada.Casos na família, entretanto, podem resultar no desenvolvimento da doença em mulheres mais jovens: “Uma das questões mais relevantes desse movimento é garantir que a mulher tenha uma vida com qualidade. Para nós, as políticas atuais do governo federal em relação ao câncer de mama e de colo de útero são extremamente importantes e mostram um resultado da luta das mulheres no movimento social. Nossos sindicatos vão divulgar a campanha e estimular a participação da categoria. E o outubro rosa é um momento também para as educadoras chamarem a atenção para o assunto dentro da escola”.
Lançamento – A ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), participa nesta quarta-feira (1º/10) do lançamento da campanha Outubro Rosa, às 18h30 , na Praça dos Três Poderes, em Brasília/DF. “A intenção da campanha é despertar atitude e consciência da mulher para que ela sempre esteja alerta com as mudanças e alterações em seu corpo, sobretudo nos seus seios, e procure uma unidade básica de saúde mais próxima de sua casa. A mulher pode e deve conhecer seu próprio corpo para que ela tenha o controle sobre ele”, alerta a ministra Eleonora Menicucci.
O Outubro Rosa conta com a adesão de diversos órgãos e entidades da Administração Pública Federal e Distrital. Com a finalidade de chamar a atenção das mulheres e da sociedade para a necessidade das medidas preventivas, durante todo o mês diversos monumentos e órgão públicos receberão iluminação rosa.
Em Brasília, serão iluminados os prédios do Congresso Nacional, Palácio do Planalto, Supremo Tribunal Federal, Biblioteca Nacional, Monumento JK, Palácio do Buriti e Anexo, Catedral, Ponte JK, Palácio da Justiça, Itamaraty, sede da SPM-PR no Centro Cultural Banco do Brasil, Delegacia da Mulher e Câmara Legislativa do DF.
A programação do lançamento da campanha inclui também a abertura da exposição fotográfica “Recomeço”, de mulheres mastectomizadas de Brasília, no Centro Cultural Três Poderes. As imagens ficam expostas de 1ª a 9 de outubro.
Veja aqui a programação.

Reajuste do piso do magistério: a luta continua!

Passada a mobilização em torno do Plano Nacional de Educação (a luta agora fica por conta da elaboração democrática e aprovação dos planos subnacionais até 24/06/2015), a CNTE convoca a categoria para atuar em defesa da Lei do Piso (nº 11.738), em especial pela valorização real (acima da inflação) do valor do piso. Para 2015, a estimativa de crescimento do piso nacional não deverá ser inferior a 13%, à luz do crescimento consolidado do valor per capita do Fundeb entre 2012 e 2013.
A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) já convocou atividades no Congresso Nacional para os dias 7 e 8 de outubro, a fim de pressionar os parlamentares a votarem temas de interesse dos prefeitos, entre eles, a derrubada do recurso que impede a aplicação imediata do INPC como único critério de reajuste do piso do magistério.
Desde 2011, quando o PL 3.776/08 foi aprovado na surdina pela Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, a CNTE tem atuado para manter suspensos os efeitos do referido Projeto de Lei, que compromete inteiramente a perspectiva de cumprimento da meta 17 do PNE. Esta, por sua vez, pretende equiparar em até 6 anos a remuneração média do magistério com a de outras categoriais com mesmo nível de escolaridade.
Em 2012, como encaminhamento do grupo de trabalho formado por parlamentares da Câmara Federal e entidades da sociedade civil, a CNTE apresentou proposta de adequação do critério de reajuste do piso pautada no crescimento nominal das receitas do Fundeb, a qual, consequentemente, mantinha a perspectiva de valorização do piso acima da inflação. Porém, a proposta não prosperou por pressão dos governadores e prefeitos!
Agora, tendo em vista a mudança de grande parte dos parlamentares do Congresso Nacional, os gestores estaduais e municipais concentrarão seus esforços para convencer os deputados a derrubarem o recurso que impede a aplicação do INPC. E isso requererá muita pressão dos trabalhadores para evitar tamanho prejuízo.
No dia 8 de outubro a Direção Executiva da CNTE estará reunida em Brasília para debater e aprovar o calendário de mobilização nacional em defesa do piso, da carreira e das condições de trabalho de nossa categoria. Portanto, fiquemos todos de prontidão para atuarmos com força e determinação, novamente, nessa pauta de extrema importância para a qualidade da educação e a valorização efetiva de seus profissionais.

Plebiscito Constituinte teve 7,5 milhões de votos sim

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Cerca de 7,5 milhões de brasileiros disseram “sim” ao Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana – o que representa 97,05% dos votos feitos em urnas por todo o País, instaladas durante a Semana da Pátria (1 a 7 de setembro). A organização da campanha pretende entregar as assinaturas aos presidentes dos três poderes, em um ato público a ser realizado em Brasília, nos dias 14 e 15 de outubro.
Planejada com apoio da CUT e da CNTE por 70 entidades dos movimentos sociais de todo o País, a campanha nacional quer ampliar a participação e representação popular. O Plebiscito Popular luta por uma Assembleia Constituinte que será exclusivamente eleita e terá poder soberano para mudar o Sistema Político Brasileiro. “Levando em consideração a voz contrária e a mídia tradicional que não deu espaço, como se esse debate não tivesse a mínima importância, mostramos que o Brasil está apto para ter uma constituinte nova”, avaliou o presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas. Para ele, conseguir quase 8 milhões de assinaturas, tendo como obstáculo a blindagem da mídia e um baixo orçamento, foi um resultado espetacular.
O sindicalista comparou a votação com o Plebiscito realizado na Escócia, sobre a separação do Reino Unido, onde 4 milhões de pessoas participaram, ou seja, a metade do Plebiscito Constituinte.
Mais de 40 mil urnas foram espalhadas por todo o território nacional, registrando 6.009.594 votos. Além disso, 1.744.872 pessoas participaram da votação pela plataforma virtual. A coordenadora da campanha Paola Estrada disse que o número de votos virtuais poderia ter sido ainda mais expressivo. Durante o período de votação, o site registrou mais de 5 milhões de acesso, entretanto sofreu ataques e tentativas de hackeamento, que atrapalharam a finalização de muitos votos.
Dificuldades em São Paulo – Apesar de ter sido o estado que mais recolheu assinaturas (2.617.703), São Paulo enfrentou alguns problemas. De acordo com o grupo, o governador tucano Geraldo Alckmin impediu que as urnas fossem colocadas nas escolas estaduais. “Faz parte do processo de enfrentamento contra o nosso plebiscito. Afinal de contas, ele [Alckmin] é defensor do financiamento empresarial de campanha, um dos pontos que queremos mudar com a reforma política”, explicou Freitas.
Para João Paulo Rodrigues, da direção nacional do Movimento Sem Terra (MST), mais do que uma consulta, o plebiscito é fruto de manifestação, de protesto e de luta. Para ele, o instrumento deu uma injeção de ânimo no grupo para realizar uma grande plenária com militantes e movimentos sociais em Brasília, no próximo mês.
Rodrigues diz que o ato será a oportunidade de fazer uma organização de campanha politico-pedagógica, debatendo com a sociedade a importância de se fazer a reforma política. “Essa reforma vai privilegiar os trabalhadores, os sem terra, as mulheres, os homossexuais. Enfim, todos aqueles que não se sentem representados na política”, completou.
Os votos contrários não chegaram a 200 mil. Brancos (0,20%) e nulos (0,17%) somados ficaram abaixo de 30 mil votos.

Nota de pesar da CNTE pelo falecimento de Abelardo da Hora

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A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) lamenta o falecimento do artista plástico pernambucano Abelardo da Hora, aos 90 anos, nessa terça-feira 23/9, em Recife. Escultor, desenhista, gravurista e ceramista, era também poeta e professor.Criou, em 1948, a Sociedade de Arte Moderna do Recife, com o objetivo expandir a arte popular e desenvolver um trabalho de educação para jovens e adultos.
Em setembro de 2013, durante encontro do Movimento Pedagógico Latino-Americano, evento organizado pela CNTE e pela Internacional da Educação (IE), imortalizou o educador pernambucano Paulo Freire em uma escultura em bronze de tamanho real, na Universidade Federal de Pernambuco. Manifestamos nossas condolências aos familiares e amigos.
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Brasília, 24 de setembro de 2014.
Roberto Franklin de Leão
Presidente

Paulo Freire: Educação para a consciência

Paulo Freire afirmava que “não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”.
Em 19 de setembro de 1921 nascia em Recife – PE um dos mais notórios pensadores da educação no Brasil. Referência mundial, Freire criou a Pedagogia do Oprimido, que se tornou um movimento educacional como forma de mobilização social.
Educador comprometido com a vida, para muito além de ideais, pensa a existência. A práxis da liberdade construída por ele colocava em xeque o conceito de que a democracia se dava apenas com participação da população pelo voto, manipulado pelos lideres conservadores e populistas. A organização dos movimentos de cultura popular provoca o surgimento de diversos mecanismos de intervenção política e social de mobilização e conscientização das massas.
Paulo Freire dizia que enquanto a escola conservadora procura acomodar os alunos ao mundo existente, a educação libertadora tem a intenção de inquietá-los. Os Círculos de Cultura criados por ele para alfabetizar a população a partir da realidade tinha o objetivo de as pessoas aprenderem a ler mais do que palavras: ler a vida, ler o mundo. Com um pensamento pedagógico assumidamente político, apontava que educar é conscientizar, é instrumentalizar a parcela mais desfavorecida da sociedade para entender sua situação de oprimida e agir em favor da própria libertação.
A teoria e a prática freirianas, cujo eixo principal e fundante era o diálogo nascido na prática e enraizado na liberdade, que organizou grupos para a alfabetização de um sem número de pessoas, levaram João Goulart a nomeá-lo coordenador do Programa Nacional de Alfabetização.
Os também notáveis educadores Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro, fundadores da Universidade de Brasília, atuaram em defesa da democratização do ensino brasileiro, com a universalização da escola pública, laica e gratuita. O primeiro foi o criador e o primeiro diretor da Campanha Nacional de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (atual CAPES), a qual dirigiu até o golpe de 1964. Darcy Ribeiro foi ministro da Educação e chefe da Casa Civil do Governo João Goulart.
O golpe militar de 1964 ceifou as práticas revolucionárias dessas três referências em educação, expulsos do país, abortando um processo que poderia ter nos trazido a evolução educacional com que tanto sonhamos ainda hoje.
Quero, nesse dia em que Paulo Freire completaria 93 anos, prestar-lhe a merecida homenagem. Quero também refletir sobre os avanços conquistados pela luta das trabalhadoras e trabalhadores em educação juntamente com parcela significativa da população organizada e sobre a importância da percepção sobre o momento crucial da conjuntura brasileira. O Governo brasileiro nos últimos 12 anos, com seus programas sociais, resgatou milhares e milhares de pessoas da pobreza extrema e incluiu nas escolas milhões de crianças e adolescentes. Garantiu questões importantes com a aprovação do Plano Nacional de Educação e com a destinação de parcela significativa dos recursos do pré-sal para a educação.
Faz-se importante registrar que a luta por uma educação de qualidade e pública foi capitaneada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE, que realiza de 17 a 19 de setembro, exatamente em Recife, a Conferência da Rede de Trabalhadoras da Educação da Internacional da Educação da América Latina, reunindo representantes de entidades de 15 países, filiadas à Internacional da Educação da América Latina. A abertura do evento se deu com um grande ato em homenagem a Paulo Freire, que contou com mais de 300 educadores reunidos em frente à escultura do educador na Universidade Federal de Pernambuco.
Reconhecemos a necessidade de avanços, mas temos certeza de que os investimentos necessários, instrumentos pelo quais tanto lutamos, estão dados para que a educação pública de qualidade seja implementada.
Porém, nesta eleição para a Presidência da República a democratização da educação e os recursos a ela destinados estão em jogo. Não podemos permitir retrocessos. É inadmissível que em nome de compromissos de campanha assumidos com banqueiros e produtores de cana-de-açúcar, escondidos pela cortina de fumaça da defesa do meio ambiente, a produção do pré-sal seja diminuída e, em consequência, os recursos para a educação se tornem exíguos. Está claro que a candidata à reeleição, a presidenta Dilma Rousseff é a garantia da destinação dos recursos previstos para a educação e dos avanços ainda necessários para nossa educação se aproximar daquela que sonhava Paulo Freire.
E mais que isso, ela afirma que a educação terá primazia em seu próximo mandato. Diz que a “política educacional atual que busca de forma integrada melhorar todos os níveis de ensino, da creche até a pós-graduação” terá cinco prioridades: Colocar as crianças desde cedo nas creches e nas pré-escolas; alfabetizá-las na idade certa; expandir o ensino de tempo integral; ampliar o acesso dos jovens ao ensino superior e profissionalizante e valorizar o professor. As portas do futuro estão abertas com a garantia – dada por lei – de que grande parte das riquezas geradas pelo petróleo no pré-sal sejam investidas na educação. Com Dilma Presidenta a política educacional global, integral e inclusiva para que todos os brasileiros de todas as classes sociais tenham acesso à educação de qualidade está afiançada.
As valiosas reflexões de Paulo Freire sobre a libertação dos oprimidos pela educação pública, laica e de qualidade, nos convoca a tomar uma posição clara e corajosa nessas eleições. Afinal, as educadoras e os educadores do Brasil querem avanços ou querem retrocessos? É o momento de dar essa resposta reelegendo Dilma Presidenta.
(BRASIL247, 19/09/2014)

CNTE lança caderno com avaliação do Plano Nacional de Educação

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A sanção da Lei nº 13.005, publicada em edição extra do Diário Oficial da União do dia 26 de junho de 2014, é fruto de árdua luta da sociedade por um Plano Nacional de Educação (PNE) que responda às demandas urgentes da educação (pública) brasileira. Contudo, há entraves e armadilhas no PNE que podem minar sua capacidade de consecução das metas, sendo, portanto, papel do Caderno de Educação produzido pela CNTE esclarecer e contribuir com a mobilização social para a defesa da escola pública, universal, gratuita, laica, democrática e de qualidade socialmente referenciada. Confira a publicação completa aqui.

Programa de Marina propõe certificação e meritocracia para professores

Em seu programa de governo (pág. 110) a candidata Marina Silva prescreve a seguinte fórmula para a composição dos salários dos professores da educação básica pública: “A primeira metade da majoração salarial será implantada gradualmente, na proporção do crescimento do orçamento federal para a educação em relação ao PIB, em conformidade com o PNE. A segunda metade será vinculada ao cumprimento de metas de desempenho em sala de aula, aos resultados do Exame Nacional para Docentes, à participação em cursos de formação continuada e à docência em escola integral”.
Além de resgatar o pernicioso debate da certificação – que não associa as condições de trabalho dos educadores e a realidade socioeducacional dos estudantes à proficiência destes nos testes estandardizados – o programa da candidata Marina atrela 50% da perspectiva de melhoria salarial dos professores a uma avaliação totalmente descabida no atual estágio da educação brasileira, que exige, incondicionalmente, valorizar os profissionais da educação (inclusive os funcionários administrativos, sonegados no referido programa) e munir as escolas de condições apropriadas e equânimes de aprendizagem em todo país.
Esses e outros itens do programa da candidata Marina estão em total desacordo com as pautas da CNTE, pelo seguinte:
A CNTE não concorda com Exame Nacional de Certificação, pelas razões acima expostas, por se tratar de política que não resolverá o problema da qualidade da educação e nem valorizará os profissionais, pelo contrário! Em 2003 esse debate foi derrotado na gestão do senador Cristóvão Buarque à frente do MEC, embora reiteradamente alas neoliberais do Congresso Nacional tentem reintroduzi-lo no cenário nacional. Infelizmente, a estratégia 7.36 do PNE abre brechas a esse tipo de iniciativa inspirada em governos tucanos Brasil afora, mas a CNTE e seus sindicatos filiados têm o compromisso de combatê-la permanentemente.
A meritocracia na educação, na qual se pauta o programa da candidata Marina, não dialoga com o direito à educação pública e de qualidade para todos/as, visto que se sustenta no aprofundamento de testes padronizados que visam aferir determinado desempenho em escolas e comunidades extremamente distintas, avaliando igualmente os desiguais. Dado seu caráter injusto, esta proposta encontra-se em desuso até mesmo nos EUA, onde teve início e há tempos é sistematicamente criticada por sua principal idealizadora, a Dra. Diane Ravitch.
Com os novos artigos 61 e 62-A da LDB, e à luz dos incisos V e VIII do art. 206 da Constituição Federal, a valorização da carreira dos profissionais da educação básica depende de diretrizes nacionais pautadas no cumprimento integral e na consequente valorização do piso do magistério (além da regulamentação do piso para todos os profissionais), e não será com simples programa federal pautado na meritocracia que se estabelecerá uma política promissora nessa área.
O programa também não apresenta critérios para equiparar a remuneração média do magistério com outras categorias de mesmo nível de escolaridade (meta 17 do PNE), sobretudo por meio da regulamentação dos recursos do Fundo Social do pré-sal (art. 8º, § 1º, II da Lei 7.990). Pior: o referido programa de governo pretende substituir o regime de partilha do pré-sal (julgado ineficiente de forma oportunista) pelo de concessão, que visa repassar recursos do petróleo para a iniciativa privada, reduzindo as fontes de receitas para a educação e demais políticas públicas.
Em nenhum momento a candidata se compromete em lutar pelo efetivo cumprimento da Lei 11.738, que também prevê no mínimo 1/3 da jornada do/a professor/a para atividades extraclasses.
Somos contra a certificação de professores!
Somos contra a meritocracia na educação!
Somos contra a privatização do pré-sal!
Não aceitaremos que o país dê passos para trás na política educacional, desconsiderando as deliberações da 1ª CONAE e os reais objetivos da Lei 13.005 (PNE), que pautam a universalização do acesso e a permanência com qualidade dos estudantes na escola (integral) e a valorização dos trabalhadores escolares.

Todas pela igualdade

foto oficial rede mulheresO encontro da Rede de Trabalhadoras da América Latina chegou ao final em Recife, PE, com a confraternização das quase 300 participantes. Segundo o presidente da CNTE, Roberto Leão, o balanço do encontro foi extremamente positivo. “Durante esses três dias assistimos à construção de uma pedagogia que busca independência e autonomia. Um movimento que vai levar desse encontro um pouco da diversidade, da cultura, dos ritmos e da alegria do povo brasileiro”, disse.
grupo redeNo terceiro dia (18/9) da conferência da Rede de Trabalhadoras da Educação da América Latina, as participantes se organizaram em grupos para tratar de temas relacionados ao trabalho na região. Foram formados sete grupos, que discutiram, entre outros pontos, como e o que é necessário para que a Rede se articule e fortaleça o movimento pedagógico latino-americano. Os educadores também debateram formas de serem mais propositivos e garantirem a elaboração de políticas educativas com perspectiva de gênero em cada país.
Suzane Barros da Costa, Coordenadora Geral do Sinterg – Rio Grande/RS, falou da importância do diálogo: “Aqui, a gente pode fazer uma troca de realidades de países da América Latina e do Brasil, que é bastante grande com uma diversidade significativa entre os estados e principalmente entre os municípios. Como representante de um sindicato municipal, acredito que essa troca de experiências e de realidades vai fomentar a discussão da igualdade de gênero, que deve estar presente em todas as nossas esferas de trabalho”.
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Para a diretora do Sinpro-DF, Rosilene Corrêa, o encontro da Rede de Trabalhadoras da Educação da América Latina foi riquíssimo: “Uma experiência que todo trabalhador deveria ter e participar. Infelizmente, não dá para todo mundo. Mas esse foi bem representativo. Um momento de muita riqueza para a troca de experiências com outros países. O que é lamentável é se deparar com situações de que ainda há muito a fazer. Mesmo no Brasil, temos muito que avançar e em outros identificamos situações piores que no nosso país”.
“Esse tipo de encontro é importante para a troca de conhecimentos e de experiências, porque vemos países e organizações já estruturadas e alguns ainda começando a dar os primeiros passos. A ideia principal é repassar as melhores práticas uns aos outros e entender os desafios. A proposta de uma Rede como essa é importante para repassar e compartilhar”, destacou Yaw FRIMPONG, da Union of Education Norway (UEN).
De acordo com Beatriz Cerqueira, coordenadora do Sindute, MG, a ocasião estimula a maior participação da mulher no movimento social: “Nós do Sindute, MG, viemos com 17 companheiras, porque achamos importante e entendemos a necessidade de empoderar as mulheres nesses espaços da política sindical. Queremos parabenizar a CNTE por ter propiciado essa oportunidade aos sindicatos de base e dizer que saímos daqui mais fortalecidas para a luta que fazemos em nossos estados”.
“É o primeiro evento internacional que eu venho e estou aprendendo muito. Vejo que poderemos levar daqui bastante conhecimento”, afirma Joseilda Barboza, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Cabo de Santo Agostinho, PE. Ela acredita que os temas debatidos são voltados para a questão social que está no dia a dia das educadoras: o papel da mulher na sociedade, da política e nos movimentos sindicais. “A integração com os outros países é excelente. Além de a gente aprender a língua, também o conhecimento que eles trazem soma ao que nós temos aqui. E a gente vê que a realidade na questão do papel sindical não é diferente. Todo sindicalista, brasileiro ou estrangeiro, sofre a mesma pressão, tem que lutar sempre”, pontua.
Segundo Julia Ortiz, de Prichma, Honduras, foi possível abordar o papel social das educadoras para além da escola: “Levamos deste encontro muitas estratégias de luta e de organização das Mulheres. Aqui vimos como exigir do estado o respeito ao direito da mulher e à sua saúde reprodutiva. E que nós mulheres tenhamos espaço dentro da política pública e incidência sobre o estado para podermos participar na defesa e na construção de uma sociedade mais justa e igualitária”.
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Yobana Salinas, ChileYobana Salinas, presidente do Sindicato Nacional Nº2 de Trabalhadores da Fundação Integra, Chile, também destacou a importância social da educação: “Cremos que é fundamental não só o tema da educação em âmbito pedagógico, mas também em âmbito social. E quando falamos em social, falamos não só de questões políticas, de currículo. Podemos incorporar tudo o que tem a ver com sexualidade, igualdade de gênero, parte econômica etc. Questões fundamentais para a educação, desde os mais pequeninos. Se não rompermos com a desigualdade por meio da educação, dificilmente o faremos”.
Segundo Fátima Silva, secretaria de relações internacionais da CNTE, o encontro irá produzir um documento com as diretrizes e estratégias para ampliar a atuação da Rede na região. “O texto reafirma os pontos que colocamos aqui: a busca por equidade dentro das organizações sindicais, exigências de políticas públicas relativas a previdência social, saúde da mulher, combate à violência contra a mulher e também a garantia dos direitos sexuais e reprodutivos”, concluiu.
No último dia, a Internacional da Educação convocou as educadoras a participarem da campanha mundial “Em defesa da educação pública”, que será apresentada na sede das Nações Unidas, no dia 5 de outubro, Dia Mundial dos Docentes. A IE está captando imagens de escolas brasileiras para edição de um vídeo, que será exibido na ocasião, e convocando os educadores e educadoras a produzirem fotos para compor um álbum que represente a realidade da educação no país. Além disso, está colhendo assinaturas de professores de todo o mundo que serão colocadas numa mensagem que será entregue ao Secretário Geral da ONU Ban Ki-Moon, no dia 24 de setembro. Roberto Leão assinou o documento durante o encontro da Rede.
Veja todas as fotos do evento na página da CNTE no Facebook.

Edição impressa da Retratos da Escola é lançada em Pernambuco

 
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A nova edição da revista Retratos da Escola foi lançada em sua versão impressa durante a Rede de Trabalhadoras da Educação da América latina, que aconteceu em Recife, PE, de 16 a 19 de setembro. No encerramento do encontro, a nova edição foi apresentada para as quase 300 participantes do evento.
rede douradoA publicação, que traz o tema “Educação Básica: Políticas e Processos Mundiais” passa agora a ter uma nova editora: Leda Scheibe, que já fazia parte do conselho editorial da Revista, assume o comando no lugar de Luiz Dourado. O professor foi homenageado com uma placa pela contribuição dada por ele na formação dos educadores ao longo dos seis anos da Retratos da Escola.
À frente da Revista, Scheibe disse que pretende manter a linha editorial, mas que promoverá algumas aberturas “e em concordância com o conselho editorial, poderá propor algumas atualizações, dando abertura a um fluxo contínuo de artigos e eventualmente inovações”, disse. Embora já faça parte da equipe da Retratos da Escola, ela ressaltou que assumir o comando “é um desafio muito grande”.
Heleno Araújo, Secretario de assuntos educacionais da CNTE, explicou que a abertura para artigos na Revista “é para ter maior participação daqueles trabalhadores da educação básica que fazem mestrado e doutorado e podem contribuir na formatação e no conteúdo para continuar o debate a partir da revista”, afirmou.
Segundo ele, a Retratos da Escola ajuda na discussão da pauta de reivindicação dos sindicatos filiados e na reflexão do gestor público, a partir daquilo que os professores universitários pesquisam, estudam e tratam sobre a politica educacional para a educação básica”, concluiu.
rede lanca2A próxima publicação, que deverá ser lançada no inicio do ano, já está em andamento e terá como tema os Desafios do Plano Nacional de Educação 2014 – 2024, recentemente aprovado. “O PNE traz certamente muitas discussões a serem feitas no acompanhamento dele e da cobrança para que seja efetivamente realizado no que se propõe. Ao mesmo tempo há a discussão do que podemos propor daqui para frente também em relação as metas que estão sendo colocadas”, disse Scheibe.
Veja todas as fotos do evento na página da CNTE no Facebook.

Boletim do segundo dia do encontro da Rede de Mulheres

 
Confira o que aconteceu no segundo dia da conferência da Rede de Trabalhadoras da Educação da Internacional da Educação da América Latina.
Faça o download do arquivo completo aqui.
Veja a versão do boletim em espanhol aqui.

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