Mulheres exigem maior participação nos sindicatos

Rede de Trabalhadoras da Educação da América Latina
Painel “Mullher, política, poder e organização”, durante a tarde do 2º dia do Encontro da Rede de Trabalhadoras da Educação da América Latina

A conquista de mais espaço para as mulheres em condições igualitárias passa por mais acesso a cargos de decisão dentro do próprio movimento sindical. Essa é uma das definições do segundo dia do Encontro Rede de Trabalhadoras da Educação da América Latina.
A Conferência da Rede de Trabalhadoras da América Latina – IEAL, começou na terça-feira (16) e prossegue até sexta (19), com a presença de cerca de 300 trabalhadores da educação ligados à Confederação Nacional do Trabalhadores em Educação (CNTE), à Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (ProIfes-Federação) e à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee), entidades afiliadas à Internacional da Educação.
Com o tema Mulher, política, poder e organização, a rede de mulheres quer trocar experiências em busca de igualdade e equidade. As demandas das mulheres devem ser incorporadas à pauta pública, uma vez que elas “são sujeitos autônomos com capacidade para dialogar com os vários segmentos da sociedade internacional e nacionalmente, e exigir a inclusão da perspectivas de gênero nas políticas públicas”, definiu Maria Teresa Cabrera, da Executiva da IE.
A avaliação foi feita durante o Painel “Mullher, política, poder e organização”, durante a tarde do segundo dia de encontro da Rede de Trabalhadoras da Educação da América Latina. Segundo Cabrera é necessário que se faça primeiro o dever de casa: “Por isso é fundamental que a IE propicie e contribua para que entidades filiadas determinem políticas para elevar a participação das mulheres”.
Cabrera fez uma autocrítica em relação ao movimento sindical e reforçou que o trabalho da IE é importante para que as organizações sindicais comecem a dar o exemplo. “Porque temos de ser coerentes. Se vamos reclamar em nível de governo e da sociedade a participação das mulheres, temos de dar o exemplo. Não podemos reclamar de algo que não fizemos em nosso espaço”, concluiu.
Para Estela Diaz, secretária da mulher da Central de Trabalhadores da Argentina, CTA, as mulheres ainda precisam disputar espaços dentro dos sindicatos. Ela fez uma ampla análise do atual momento social e político da América Latina. Para Estela, “a autonomia das mulheres está ligada ao trabalho digno e de qualidade”.
Encontro da Rede
Estela Diaz, secretária da Mulher da Central de Trabalhadores da Argentina, CTA, diz que as mulheres ainda precisam disputar espaços dentro dos sindicatos

De acordo com Estela, é preciso buscar uma sociedade mais humanista, baseada no valor das pessoas com espaço para as trabalhadoras. “Acredito que vivemos um contexto de mudanças no mundo do trabalho com profundas transformações que desafiam, de forma especial, nós trabalhadoras e o próprio movimento sindical”, disse.
Durante os debates, a plenária fez várias intervenções defendendo mais espaço para as mulheres dentro de entidades sindicais. A avaliação é que as mulheres dominam e ocupam praticamente 100% dos espaços nas unidades sindicais e pedagógicas de base dos sindicatos, “mas quando se chega ao nível de diretoria o número cai bastante e, quanto ao comitê executivo, o nível de participação é incomparavelmente menor”, disse Cabrera.
Assista ao VT sobre a tarde do segundo dia de encontro da Rede de Trabalhadoras da Educação da América Latina:
Mulheres exigem maior participação dentro do movimento sindical

Mulheres tem mais autonomia com políticas públicas

A participação das mulheres nos espaços de poder e as políticas públicas para garantir e assegurar uma sociedade menos desigual e mais justa permearam os debates durante a manhã do 2o dia de encontro da Rede de Trabalhadoras da Educação da América Latina, realizado em Recife, PE.
“A entrada massiva das mulheres no mercado de trabalho tem gerado diferentes reações na sociedade e nos espaços públicos”, avaliou Tatau Godinho, Secretária de Políticas do Trabalho e Autonomia Econômica das Mulheres, da Secretaria de Política das Mulheres do Governo Federal.
Ela falou no Painel “Políticas públicas do governo brasileiro, mercado de trabalho, combate à violência e saúde” e destacou medidas simples que têm feito a diferença, por exemplo, na vida de trabalhadoras rurais. Tatau Godinho citou o programa de documentação da mulher rural, que já possibilitou a emissão de mais de 1 milhão de documentos. “A questão de documento não é só econômica, é importante para a construção da identidade dessas trabalhadoras”, disse.
Programas de garantia de creche, de combate à violência doméstica e de qualificação profissional foram listados por ela como mecanismos que o governo brasileiro tem adotado para, cada vez mais, ampliar a autonomia das mulheres.
RedeMulheres170914 11O combate à violência contra a mulher e a garantia de melhores condições de saúde na rede pública de atendimento foram destacadas por Tatau e reforçadas por Pollyanna Magalhães, do Movimento Católicas pelo Direito de Decidir. Pollyana apresentou números referentes a questões polêmicas, como a descriminalização do aborto.
No Brasil, segundo informou, o aborto é a quinta causa de mortalidade materna. “Por isso, pensar no aborto é uma questão de saúde pública e de saúde da mulher”, disse. Em sua palestra sobre direitos sexuais e reprodutivos, Pollyanna explicou que não é a favor do aborto, mas da vida e do direito das mulheres de decidir: “O movimento Católicas Pelo Direito de Decidir não defende o aborto, mas a descriminalização, a legalização”, concluiu.
 

Boletim do primeiro dia do encontro da Rede de Mulheres

 
Saiba como foi o primeiro dia da conferêncida da Rede de Trabalhadoras da Educação da Internacional da Educação da América Latina, que reune representantes de entidades filiadas à IEAL de 15 países em Recife/PE até o dia 19/9.
boletim-dia17
Faça o download do arquivo completo aqui.
Veja a versão do boletim em espanhol aqui.
 

Primeiro dia (16/9) do encontro da Rede de Mulheres termina com ato público em Recife

 
ato politico
Cerca de 300 pessoas estiveram reunidas no Lago do Cavouco, em frente à escultura de Paulo Freire, que foi inaugurada no ano passado na Universidade Federal de Pernambuco durante o Movimento Pedagógico Latino-americano.
Bacamartes, recital de cordel (o cordelista Ailton Mangabeira contou em seus versos a história do educador Paulo Freire), banda de pífanos, zabumbas e a quadrilha Dona Matuta, atual campeã do Festival de Quadrilhas do Nordeste, levaram um pouco da cultura nordestina ao ato Político Pedagógico Cultural organizado em homenagem ao educador, que faria 93 anos na próxima sexta-feira, 19 de setembro. Na data haverá uma nova programação, com música, arte e cultura, além de uma mesa de diálogo sobre políticas educacionais para a próxima década e contribuição ‘freireana’.
O evento marcou o início da conferência da Rede de Mulheres da Internacional da Educação da América Latina (IEAL), que vai até dia 19/9 em Recife/PE. Além do Brasil, Costa Rica, Equador, Honduras, Peru, Argentina, Chile, Guatemala, Paraguai, Uruguai, República Dominicana, El Salvador, Estados Unidos, Noruega e Colômbia estão representados no evento.
“Vamos sair daqui com as energias renovadas, sabendo que somos capazes de construir uma educação pública libertadora como queria Paulo Freire”, disse Roberto Leão durante sua fala. A manifestação foi encerrada com uma poesia de João Alexandrino, do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (SINTEPE).
Reunião Nacional
reuniao nacional
Pela manhã, a Reunião Nacional de Mulheres da CNTE antecedeu a abertura da conferência da Rede de Trabalhadoras da Educação da América Latina, em Recife/PE. Cerca de 150 mulheres representantes dos sindicatos filiados acompanharam uma análise da conjuntura apresentada por dirigentes da CNTE.
Na mesa, a secretária geral, Marta Vanelli, a secretária de Relações Internacionais, Fátima Silva, a secretária de Relações de Gênero da CNTE, Isis Tavares, e o presidente Roberto Franklin de Leão, que avaliou o momento político, econômico e social do país: “A reforma política é necessária e a luta do movimento social é por um Brasil com crescimento e desenvolvimento social”, afirmou Leão.
Fátima destacou a situação da educação e do movimento sindical em outros países da América Latina e Central. Em relação ao Brasil, concluiu: “Temos a responsabilidade política de dizer que este país tem projeto e esse projeto está nas mãos de uma mulher”.
Para Isis, a questão da reforma política também é prioridade, reforçando o papel da mulher nos espaços de poder: “Queremos uma sociedade mais igualitária. Sem feminicídio. Vamos fazer uma grande revolução, vamos para a luta”.
A secretária de combate ao racismo da CNTE, Ieda Leal, de Goiás, falou sobre a importância das lutas sociais: “Me move falar 24 horas contra o racismo”. Representantes de Piauí, Minas, São Paulo e Rio Grande do Sul também se manifestaram no debate.
A rede
rede
Na abertura da conferência da Rede de Trabalhadoras em Educação da América Latina,  no começo da tarde desta terça-feira (16/9), o presidente da CNTE, Roberto Leão, comentou sobre o papel feminino no movimento: “No momento em que discutimos a necessidade de uma pedagogia latino americana é fundamental que ela seja construída com a participação das mulheres”.
A Rede de Mulheres Trabalhadoras faz parte do Movimento Pedagógico Latino-americano, coordenado pela IEAL, com o apoio de diversas entidades sindicais de educadores na América Latina. No Brasil, fazem parte a Confederação Nacional dos Trabalhadores em educação (CNTE), o Proifes – Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee).
Em nome do Comitê Regional da IEAL, a secretária de Relações Internacionais da CNTE, Fátima Silva, destacou a importância da participação das mulheres. “A luta é nossa, é da causa feminista e da classe operária, que é formada por homens e mulheres. Queremos uma sociedade justa e igualitária, de equilíbrio”, afirmou a vice-presidente da Internacional da Educação para a América Latina.
Maria Teresa Cabrera, representando a Internacional da Educação, convocou a todos e todas para uma jornada de trabalho importante: “Temos de encarar o desafio que a realidade impõe às mulheres todos os dias. Independentemente de cor, classe social ou preferências sexuais”.
gildasio
O professor e artista plástico Gildásio Jardim está expondo sua arte no encontro. Ele veio da cidade de Padre Paraíso, no Vale do Jequitinhonha. Filho de costureira, ele sempre acompanhou quando levavam para sua mãe os tecidos estampados, de chita. Daí, segundo ele, surgiu a inspiração para sua arte. “A solução que eu achei foi construir a tela com os próprios tecidos e retratar as personagens da minha realidade com a estética do sertão.”, disse.
O evento está sendo transmitido ao vivo no site da IEAL: http://youtu.be/SSMYsd8LxUw
Veja todas as fotos na página da CNTE no Facebook:https://www.facebook.com/cntebrasil

Ato Político Cultural em Homenagem a Paulo Freire em Pernambuco

Na próxima terça-feira, dia 16, acontecerá um ato público em frente à escultura de Paulo Freire, que foi inaugurada no ano passado na Universidade Federal do estado durante o Movimento Pedagógico Latino-americano, em comemoração ao aniversário de nascimento do educador, dia 19 de setembro.
O evento acontecerá às 15h, no Lago do Cacouco, UFPE, com a presença de cerca de 300 parcitipantes que estarão no Encontro da Rede de Trabalhadoras da América Latina – IEAL.
Confira a programação completa do ato:
16 de setembro
10h| Abertura da instalação
Paulo Freire em Labirintos (sala 31 do PPGE)
15h| Caminhada
Centro de Convenções da UFPE à escultura Paulo Freire (Lago do Cavouco)
16h| Paulo Freire em Cordel
Hailton Mangabeira (Macaíba-RN)
16h15| Pronunciamentos
19 de setembro
9h| Momento de música, arte e cultura
9h30| Homenagens
10h| Mesa de Diálogo
Políticas Educacionais para a próxima década e contribuição freireana
Deputada Tresa Leitão | ALEPE
Professor Alfredo Macedo | UFPE
Professora Socorro Valois | UFRPE
11H30| Lançamentos
Ouça o spot de rádio produzido para o evento aqui.

Rede de Trabalhadoras da América Latina se reúne em Pernambuco a partir de terça (16/9)

 
rede mulheres cabecalho
Nos dias 16 a 19 de setembro, Recife/PE recebe a Conferência da Rede de Trabalhadoras da América Latina – IEAL, com a presença de cerca de 300 trabalhadores da educação da Confederação Nacional do Trabalhadores em educação (CNTE), do Proifes – Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee), entidades afiliadas à Internacional da Educação. Com o tema Mulher, política, poder e organização, a rede de mulheres quer trocar experiências em busca de igualdade e equidade.
Na abertura haverá um ato público em frente à escultura de Paulo Freire, que foi inaugurada no ano passado na Universidade Federal do estado durante o Movimento Pedagógico Latino-americano, em comemoração ao aniversário de nascimento do educador, dia 19 de setembro.
A Secretária de Relações Internacionais da CNTE e vice-presidente da Internacional da Educação para a América Latina, Fátima Silva, conta que a programação inclui debates e painéis sobre política sindical, poder, gênero e paridade. “O objetivo é fortalecer cada vez mais os laços das mulheres trabalhadoras da educação de toda a América Latina, permitindo a consolidação cada vez maior da rede, que existe há 10 anos”. Segundo ela, o evento será um marco para o fortalecimento do movimento de mulheres em toda a região.
O encontro vai abordar também os contrastes vividos pela mulher no mercado de trabalho. Segundo Fátima, mais de 80% dos trabalhadores da educação básica na América Latina são mulheres, professoras e funcionárias. Mas só uma minoria ocupa cargos de poder: “As mulheres têm diso relevadas a um papel secundário. Quando nós vamos aos postos de decisão, ministérios de educação, secretarias estaduais e municipais de educação e também direções de escolas e sindicatos, há uma certa inversão, os postos são ocupados, em sua maioria, por homens, que acabam recebendo um salário maior já que o cargo garante essa gratificação. Exigimos igualdade em todos os aspectos, no mercado de trabalho, na vida. Acreditamos que temos de ter políticas reparadoras, como cotas. A questão da paridade na CUT e na própria na CNTE é uma forma de garantir espaço e condições às mulheres para alcançar o poder, sendo uma pauta permanente da rede de mulheres trabalhadoras de educação”.
PROGRAMAÇÃO
terça-feira, 16 de setembro de 2014
08:30-12:00 Reunião da CNTE
13:00-14:00 Abertura
14:00 Saída para o ato na UFPE – Universidade Federal de Pernambuco
15:00 Ato junto à escultura de Paulo Freire na UFPE
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
08:30-10:00 Painel: Mulher, política, poder e organização
o Teresa Leitão – Deputada Estadual PT/PE, Brasil
o Estela Díaz – Secretária da Mulher da CTA/Argentina
o Maria Teresa Cabrera – Executiva Mundial da IE
10:00-12:00 Debate
12:00-14:00 Almoço
14:00-15:30 Mulheres e Políticas Públicas: mercado de trabalho, combate à
violência e saúde
o Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República – Tatau Godinho
o Organização Internacional do Trabalho-OIT (convite aguardando confirmação)
o Católicas pelo direito de decidir – Pollyanna Magalhães e Nilsa Lira Casé
15:30-17:00 Debate
17:00-17:45 Rodas de Conversa
17:45-18:30 Processo do Movimento Pedagógico Latino Americano
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
08:30-12:00 Rodas de Conversa
12:00-14:00 Almoço
14:00-15:00 Lançamento da Revista Internacional da CNTE/Brasil
15:00-16:00 Apresentação das Rodas de Conversa
16:00-16:10 Intervalo para Café
16:10-17:00 Continuação da Apresentação das Rodas de Conversa
17:00-18:30 Recomendações finais e encerramento
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
08:30 Reunião da CNTE

Novo número da revista Retratos da Escola!

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A nova edição da revista Retratos da Escola já está disponível online (veja em http://www.esforce.org.br/) e aborda a Temática “Educação Básica: Políticas e Processos Mundiais”. A publicação se propõe a situar e contextualizar a educação básica em vários países (América Central, Argentina, Bolívia, Brasil, Canadá, Espanha, França, Palestina, Portugal e Uruguai), permitindo ao leitor entrar em contato com distintas visões sobre políticas públicas, gestão, avaliação, relação público e privado, e os desafios ao acesso e à permanência com qualidade a esse nível educacional. Retratos da Escola conta com mais duas novas indexações: DOAJ E IRESIE.
O editor, Prof. Luiz Dourado, agradece o efetivo apoio da coordenação da Esforce, professor Heleno Araújo, e da Secretária de Relações Internacionais da CNTE, professora Fátima Silva, que auxiliou nos contatos junto aos autores internacionais.

Culpar professores por queda no Ideb é falácia e covardia

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A declaração do vice-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação – Consed (ver aqui) de que a culpa pelas notas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB seria das greves de trabalhadores em educação, só pode ser entendida como subterfúgio de quem detém a prerrogativa de mudar uma situação calamitosa no país, mas se omite, insistentemente.
Contrapondo a lamentável declaração do Sr. Eduardo Deschamps, Secretário de Educação de Santa Catarina, vale lembrar que o amplo descumprimento da Lei do Piso do Magistério e as péssimas condições de trabalho nas escolas são fatores centrais para a baixa qualidade da educação. E não será jogando a responsabilidade para os professores que a situação da qualidade se resolverá nas escolas públicas.
Pesquisa da UnB e da UFSC, divulgada em 2013, revelou que apenas 0,6% das escolas públicas do país contam com infraestrutura adequada. No Norte e no Nordeste, 71% e 65% das escolas, respectivamente, possuem condições estruturais elementares (abaixo da média tolerável).
A recente pesquisa da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) mostra que o Brasil ocupa a penúltima posição em investimento por estudante e média salarial dos professores no nível básico de ensino, entre 35 países pesquisados. O salário dos professores brasileiros corresponde a 1/3 (um terço) da remuneração de europeus, japoneses, sul-coreanos e norte-americanos.
Pior: muitos estados e municípios brasileiros possuem mais professores em contrato temporário e precário de trabalho do que concursados. E a múltipla jornada – necessária para complementar a renda familiar dos professores – atinge quase 30% da categoria, comprometendo a qualidade do trabalho escolar e a saúde dos profissionais.
Na última década, segundo o relatório da OCDE, o Brasil avançou no financiamento da educação, passando os investimentos de 3,5% do PIB em 2005 para 5,9% em 2011. Também a diferença no financiamento entre os níveis superior e básico reduziu. Em 2000, o custo per capita de um estudante universitário era 11 vezes superior ao aplicado na educação básica. Hoje é o quadruplo (o que ainda é alto!). O orçamento do MEC para o nível básico, no mesmo período, saltou de 20% para 50%, o que é salutar, porém insuficiente.
A CNTE entende que ao invés de tentar procurar “bodes expiatórios” fora da gestão pública para explicar as notas do Ideb, os secretários de educação deveriam convencer governadores e prefeitos a pagarem o piso nacional do magistério numa estrutura de carreira digna – assim como os demais trabalhadores escolares – e a melhorarem as condições estruturais das escolas públicas, munindo todas com laboratórios, bibliotecas, quadras esportivas, banheiros decentes, acesso à internet, área de lazer e segurança.
O Plano Nacional de Educação orienta a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para as políticas educacionais, e, juntamente com a regulamentação do Custo Aluno Qualidade, do Sistema Nacional de Educação e com a equiparação remuneratória do magistério com outros profissionais de mesmo nível de escolaridade, deverá proporcionar um novo paradigma de investimento e gestão escolar no Brasil. Mas é fundamental que todas as esferas de governos (federal, estaduais, municipais e distrital) atuem em conjunto e façam cada uma a sua parte, para que a educação básica dê o salto de qualidade que a sociedade tanto almeja.

LGBT em pauta na campanha eleitoral

O recuo da candidata Marina Silva sobre pretenso apoio à causa LGBT, especialmente sobre o combate à homofobia e sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, ressuscitou a polêmica em torno de uma causa que insiste em ser renegada por grande parte da sociedade e dos políticos, mantendo-se marginalizada e suscetível à intolerância de milhares de pessoas em nosso país e no mundo.
O episódio em questão, envolvendo a candidata do PSB à presidência, ainda ganhou outra dimensão negativa que é a confusão entre a laicidade e a religião num estado democrático e de direito. Não é tolerável que sob ordem de pastores evangélicos ou de qualquer outro representante religioso, um/a postulante ao cargo máximo na política nacional recue de propostas sociais legítimas e que a cada dia se tornam mais necessárias e urgentes, inclusive sobre o aspecto da segurança pública.
Há quatro anos, a CNTE criou sua Secretaria e Coletivo Nacional LGBT, os quais visam debater e propor políticas públicas para promover a tolerância e o respeito à diversidade sexual, principalmente através da inclusão dessa temática nas escolas.
Entre 2011 e 2012, a CNTE participou da elaboração de manual do MEC para orientar o trabalho pedagógico sobre orientação sexual nas escolas, mas, lamentavelmente, por forte influência de uma bancada reacionária no Congresso Nacional comandada pelo então presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, pastor Feliciano (que já declarou apoio a Marina Silva), o material foi suspenso e as escolas deixaram de possuir importantes referências para o diálogo entre professores, funcionários, estudantes, pais e comunidade em geral acerca de um assunto cada vez mais visível aos olhos de todos, mas sem a devida compreensão e respeito da sociedade.
Também numa ação propositiva, a CNTE integra o Conselho Nacional de Direitos Humanos e tem participado das Conferências Nacionais de Políticas Públicas e Direitos Humanos de LGBT, realizadas nos governos Lula e Dilma, as quais objetivam promover a cidadania de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Neste sentido, a Confederação apoia integralmente as reivindicações da comunidade LGBT pelo “casamento gay” e pela criminalização da homofobia, conforme dispõe o PL 122/2006.
A CNTE entende que a construção de uma sociedade solidária e com oportunidades iguais de felicidade perpassa pelo respeito à individualidade de cada um e cada uma, assim como pelo compromisso de incluir a todos/as nos diferentes espaços de cidadania. E esses objetivos precisam ser pautas constantes dos diferentes governos que integram a federação do Brasil, em especial do governo federal, que possui instrumentos para induzir políticas públicas nas demais esferas administrativas. Prescindir dessa ação é condenar milhares de pessoas ao sofrimento, à discriminação e à violência, o que degenera nossa sociedade.
Por isso, pensemos também nessas questões ao votarmos em 5 de outubro!

CNTE debate estratégias para os trabalhadores

Desde ontem, vários companheiros e companheiras da CNTE – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, participam em São Paulo/SP, da reunião de trabalho com os funcionários da educação, promovida pela IEAL – Internacional da Educação para América Latina. A programação de hoje proporcionou um verdadeiro intercâmbio entre os participantes, pois foi momento de cada um dos países representados (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Paraguai e Uruguai) expor sua realidade, que em muitos aspectos é dura, especialmente quanto à falta de políticas de formação inicial e continuada, falta de planos de carreira e situações salariais complicadas.
Também é evidente que as mudanças vem acontecendo, como reflexo dos demais avanços sociais que contemplam a maioria dos países latinoamericanos, e é do entendimento de todos que esses avanços começaram desde que os funcionários passaram a se organizar em suas entidades, lutando inclusive pela unificação da categoria dos trabalhadores em educação, uma das bandeiras da CNTE desde a sua fundação.
“É muito importante entender o que significa o avanço do campo democrático popular no nosso país e nos países vizinhos. Algumas políticas que estão em prática hoje, são fruto dessa nova realidade somada aos fatos históricos que cada país vivenciou. E por isso a nossa luta por manter esse projeto vivo na América Latina é cada vez mais importante.”, avaliou Fátima Silva, Secretária de Relações Internacionais da CNTE e Vice Presidente da IEAL.
Programação
Sexta-feira, 5 de setembro
09:00h Como se organizam os funcionários ou “não docentes” nos países participantes
Apresentação por país
10:30h Intervalo
11:00h Continuação do tema anterior
12:30h Almoço
14:00h Definição de uma estratégia de trabalho por país e na América Latina
Trabalho em Grupos
15:00h Definição do conceito sobre funcionários, não docentes, trabalhadores da
educação ou outro
16:00h Intervalo
16:30h Debate e deliberações do plenário
Veja mais fotos na página da CNTE no Facebook.

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