Seminário 9 anos do PNE: “um plano que não saiu do papel”, lamenta CNTE

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A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados realizou ontem (11) seminário para avaliar os nove anos do Plano Nacional de Educação (PNE), a pedido do deputado federal Pedro Uczai (PT-SC). O seminário teve como objetivo fazer um balanço do PNE e promover um debate sobre como será o novo documento. 

Heleno Araújo, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), destacou a falta de implementação efetiva das metas. “Apesar de ter sido aprovado por unanimidade em 2014, o Plano Nacional de Educação não conseguiu mudar a educação do país nos últimos anos”, disse. Ele enfatizou a ausência de uma política educacional consistente durante os quatro anos do governo Bolsonaro, evidenciando a necessidade de uma abordagem mais efetiva e comprometida.

Para o pesquisador do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Gustavo Henrique Moraes, a educação brasileira tem trazido grandes desafios ao longo dos anos. Segundo ele, apesar do progresso na taxa de alfabetização e no acesso ao ensino superior, o país ainda enfrenta obstáculos significativos na garantia de uma educação de qualidade para todos. 

“Com uma nova abordagem, o PNE 2024-2034 pretende lidar com o déficit de aprendizagem decorrente da pandemia e ampliar o acesso à educação, buscando garantir um direito básico e essencial para todos os brasileiros”. 

Maurício Holanda Maia, representante do Ministério da Educação (MEC), apontou os desafios enfrentados nos últimos dez anos.“É importante relembrar os fatores que contribuíram para que o resultado não fosse como o esperado,  como a instabilidade política e econômica, além da polarização e do golpe legislativo, que limitavam os investimentos na área educacional.”  Ele abordou ainda a importância de superar as barreiras antidemocráticas e construir uma narrativa coletiva em prol da educação.

 

Alfabetização e graduação

Ao fazer um balanço do Plano Nacional de Educação (PNE), o pesquisador do Inep lembrou que houve avanço na taxa de alfabetização, que passou de 91,8% em 2012 para 94,4% em 2022. No entanto, as regiões Norte e Nordeste ainda apresentam taxas inferiores, com índices de 93,6% e 88,3%, respectivamente. Além disso, apenas uma em cada 50 turmas de educação de jovens e adultos está ligada à formação profissional, revelando uma lacuna na capacitação desses estudantes.

Os números também mostram baixo acesso à graduação. “De acordo com as pesquisas feitas pelo Inep, apenas 21,4% dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos frequentam o ensino superior, segundo dados do Censo da Educação Superior”. O atual PNE estabelece a meta de elevar esse índice para 33% até 2024. 

Levantamento da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra que apenas 21% dos jovens entre 25 e 34 anos concluíram o ensino superior, destacando a necessidade de aumentar essa taxa. 

O pesquisador ressaltou que, apesar do progresso na alfabetização, ainda existem mais de 10 milhões de brasileiros acima de 15 anos que não são alfabetizados. Ele enfatizou que o desafio do novo PNE não se limita ao cumprimento de metas, mas também à identificação das desigualdades educacionais no país e à implementação de ações efetivas para combatê-las.

 

Elaboração do PNE 2024-2034

Diante desses desafios, o presidente do CNTE  anunciou a realização da Conferência Nacional de Educação (Conae, nos municípios nos dias 28 e 29 de outubro. Esses eventos servirão para discutir e elaborar as estratégias que serão incorporadas ao novo PNE.Posteriormente, em janeiro, ocorrerá a conferência nacional, que definirá as estratégias a serem adotadas no período de 2024 a 2034. 

O deputado Pedro Uczai, presidente da Frente Parlamentar em Defesa do PNE, comentou que o novo plano deve ser entregue no máximo até dezembro de 2024, para que comece a ser posto em prática no ano letivo de 2025.

O deputado propõe que a Frente Parlamentar nos próximos encontros trate da participação da sociedade na elaboração do novo PNE. “Poderíamos colocar para que o público discuta junto conosco essa elaboração, e que os cidadãos não tenham que esperar apenas uma proposta da Câmara”, afirmou.

 

Fonte: CNTE

Educação é o tema com maior número de propostas enviadas pela sociedade para o Plano Plurianual

 

Educação é o tema com maior número de propostas enviadas pela sociedade à Plataforma Brasil Participativo: até o dia 6 de julho de 2023, 762 ideias de melhoria nesta área haviam sido cadastradas no sistema. 

O ranking foi apresentado pela diretora de Participação Digital e Comunicação em Rede da Secretaria Nacional de Participação Social da Presidência da República, Laila Bellix, durante a abertura do II Fórum Interconselhos, realizado na segunda-feira (10). O presidente da CNTE, Heleno Araújo, representou a Confederação no evento, que termina hoje. 

Saúde (753 ideias), Direitos Humanos e Cidadania (317) e Transportes (310) são os outros assuntos que também aparecem no ranking com propostas apresentadas pela população ao Governo Federal (veja abaixo tabela completa). 

“Esse é um processo bem dinâmico. Só nesse momento em que estamos aqui no Fórum, já recebemos mais de 100 propostas. É muito possível que a mobilização cresça ainda mais, já que estamos na última semana”, explica Laila, lembrando que o prazo para sugerir e votar termina na próxima sexta-feira (14). 

Até a tarde desta terça-feira (11), a Plataforma Participa Brasil já havia recebido mais de 6.300 propostas e computados 998.628 votos da população. Qualquer pessoa pode fazer sua sugestão ao governo: basta acessar a plataforma com a sua conta Gov. 

As 20 propostas apresentadas que receberam mais votos até o momento são das áreas de Justiça e Segurança Pública, Educação, Direitos Humanos e Cidadania, Previdência Social, Meio Ambiente e Mudança do Clima, Cidades, Defesa, Saúde, Trabalho e Emprego e Turismo. 

Os projetos mais votados serão analisados pelo governo e poderão ser incluídos no projeto de lei que será enviado ao Congresso ainda em agosto de 2023. Clique aqui para dar sua sugestão e votar. 

Segundo Laila, esse é o maior processo de participação social via internet da história do Governo Federal, patamar alcançado “graças à mobilização conjunta e ao engajamento. O que estamos fazendo aqui é a retomada da participação digital. Se a gente for olhar em perspectiva, nós tivemos 11.000 participantes, em 2013”, relembra.

Para o Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macedo, o envolvimento dos cidadãos nas plenárias presenciais e na internet mostra que o atual governo está virando a página do fascismo. 

“Nós estamos virando a página do ódio, da intolerância e abrindo um novo ciclo no país onde as pessoas são ouvidas, onde o povo é protagonista desse processo. O planejamento está sendo construído a várias mãos: as mãos do povo e as mãos da sociedade civil”, afirmou durante o Fórum. 

 

Fórum Interconselhos

O Fórum Interconselhos é uma das instâncias do processo de elaboração e monitoramento da execução dos Planos Plurianuais (PPA), que estabelecem diretrizes e prioridades para os orçamentos da União nos quatro anos seguintes.

Este será o segundo dos três fóruns previstos no calendário do PPA Participativo 2024-2027. O primeiro, realizado em abril, lançou as bases do processo. O terceiro será no final de agosto, antes do envio do PPA ao Congresso Nacional.

Neste ano, conselheiros e conselheiras, junto com representantes da sociedade civil, estão acompanhando a elaboração do PPA participativo com a realização de plenárias nos 27 estados e no Distrito Federal e a contribuição da população na plataforma digital Brasil Participativo.

 

 Temas com maior número de propostas na Plataforma Brasil Participativo*

RANKING TEMA No PROPOSTAS VOTOS MOBILIZADOS
1 EDUCAÇÃO 762 106.042
2 SAÚDE 753 151.294
3 DIREITOS HUMANOS/CIDADANIA 317 47.334
4 TRANSPORTES 310 16.115
5 MEIO AMBIENTE E MUDANÇA DO CLIMA 277 27.010
6 DESENVOLVIMENTO E ASSISTÊNCIA SOCIAL  263 13.538
7 TRABALHO E EMPREGO 244 15.439
8 CIDADES 181 14.492
9 JUSTIÇA E SEGURANÇA  174 110.664
10 GESTÃO E INOVAÇÃO EM SERVIÇOS PÚBLICOS 173 18.048

 

*Levantamento parcial considerando o recorte de 11 de maio de 2023 a 6 de julho de 2023. Fonte: Secretaria Nacional de Participação Social 

 

Foto: Neto Talmeli/Prefeitura de Uberaba-MG

FONTE: CNTE

Documento do FNE que pede revogação do NEM é entregue ao ministro da Educação

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Nesta quinta-feira (6), representantes do Fórum Nacional da Educação (FNE), do qual a CNTE faz parte, entregaram ao ministro da Educação Camilo Santana o parecer do grupo sobre o Novo Ensino Médio. O documento de 19 páginas traz as propostas das entidades do FNE para a reforma do ensino médio e pede a revogação da Lei 13.415/2017. 

Segundo o coordenador do FNE e presidente da CNTE, Heleno Araújo, o ministro considerou muito importante o papel do Fórum para esse debate e que o MEC vai analisar o documento e apresentar uma resposta em até 30 dias. 

“O Ministério tem até o dia 6 de agosto para avaliar todas as propostas recebidas, inclusive as sugestões apresentadas em consulta pública e nos webinários com especialistas para sistematizar as colocações e fazer um encaminhamento sobre o NEM”, explica.

O parecer do FNE faz um panorama sobre a evolução do direito à educação desde a Constituição Federal de 1934 e traz apontamentos específicos sobre cada tópico da reforma do NEM. Ao fim, sugere a revogação da lei. 

“Há também a referência ao artigo 23 da LDB, que mostra que uma possível revisão ou revogação do NEM não iria inviabilizar as experiências formativas que já vêm sendo desenvolvidas pelas escolas”, reforça Heleno. 

Ao entregar o documento ao ministro, Heleno ressaltou a ele que a diversidade de posicionamentos e opiniões existentes no grupo de trabalho temporário do FNE dedicado ao tema não impediu a formação de um consenso. “Todos nós defendemos o direito à educação. A construção do nosso parecer representa a disposição que todos tiveram para o diálogo”. 

Clique aqui para ler o parecer do FNE entregue ao MEC na íntegra.

Foto: Mariana Leal

Fonte: CNTE

Governo Federal abre votação para definir prioridades para os próximos anos: 10% do PIB para educação está na pauta

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Você sabia que o Governo Federal está com uma votação aberta para definir projetos prioritários para os próximos anos? Trata-se do programa Brasil Participativoem que a sociedade civil propõe suas ideias para serem executadas. 

Uma das propostas inscritas é o investimento de 10% do Produto Interno Bruno (PIB) como uma das metas do Plano Nacional de Educação (PNE) para o período de 2024-2034. 

Os projetos mais votados serão analisados pelo governo e poderão ser incluídos no projeto de lei que será enviado ao Congresso ainda em 2023. Com isso, o MEC avaliará a incorporação da proposta no Plano Plurianual (PPA), que é um documento elaborado de quatro em quatro anos, sempre no primeiro ano de mandato do presidente. 

O PPA define metas, diretrizes e programas do Governo e deve ser entregue às (aos) senadoras(es) e deputadas(os) no Congresso Nacional até 31 de agosto, junto à Lei Orçamentária Anual (LOA). 

Como participar? 

Para votar, entre na Plataforma Participa Brasil pelo link  e faça o login na sua conta GOV. Até hoje, a proposição de destinar 10% do PIB para a educação recebeu apenas 253 votos. O prazo para votar termina no dia 14 de julho. 

Saiba mais sobre o PNE

Uma das principais políticas públicas para a área de ensino da última década, o PNE, instituído em 2014 por meio do Projeto de Lei 13.005, está longe de ser cumprido. 

Dentre as 20 metas estabelecidas para as esferas federal, estadual e municipal, 85% não foram alcançadas e 65% delas entraram em retrocesso. Saiba mais aqui.

 

Fonte: CNTE

Projeto de Lei que estabelece o Programa Escola em Tempo Integral é aprovado na Câmara dos Deputados

O Projeto de Lei que cria o Programa Escola em Tempo Integral foi aprovado pela Câmara dos Deputados na noite de segunda-feira (3). Segundo o Ministério da Educação, o objetivo é ampliar a oferta de tempo integral nas escolas de educação básica de todo o país, chegando a 1 milhão de novas matrículas.  “A meta é alcançar, até o ano de 2026, cerca de 3,2 milhões de matrículas nesta modalidade. O PL permite também fomentar a conectividade nas escolas”, informa o MEC. 

Estão previstos incentivos de R$2 bilhões aos estados e municípios para os anos de 2023 e 2024. O PL segue para tramitação no Senado e, se aprovado, os recursos serão transferidos por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação.  Até o ano de 2026, o MEC pretende investir R$4 bilhões para que o número de matrículas aumente ainda mais. 

Idealizado pelo MEC, o programa busca viabilizar uma política de pactuação para alcance da meta 6 do Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece a oferta de “educação em tempo integral em, no mínimo, 50% das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 25% dos(as) alunos(as) da educação básica”. O Relatório do 4º Ciclo de Monitoramento das Metas do PNE 2022 mostra que o percentual de matrículas em tempo integral na rede pública brasileira caiu de 17,6%, em 2014, para 15,1%, em 2021. 

Aprovado em Plenário da Câmara, o PL é o substitutivo do deputado Mendonça Filho (União-PE), para o Projeto de Lei 2617/23, do Poder Executivo.

No atual formato, os recursos que chegam aos entes federados pela União não podem ser usados em pesquisas e atividades curriculares complementares. O PL abre a possibilidade de aplicar os gastos também para essas finalidades, além de outros itens como remuneração de profissionais de educação, concessão de bolsas e compra de material didático, por exemplo.

Para a CNTE, não basta investir em tempo integral se não houver um currículo atrativo para alunos/as. “O Estado brasileiro precisa fazer mais pelas nossas crianças, adolescentes, jovens e adultos para atender, de fato, ao direito à educação, de forma integral, com qualidade social e a valorização dos/as profissionais da educação”, avalia o presidente da Confederação, Heleno Araújo. 

Heleno lembra o caso de Pernambuco, onde hoje há um acúmulo de jovens fora da escola. “Esse estado é referência por ter um dos maiores números de matrículas de alunos em tempo integral e o que vemos lá é um histórico de acúmulo de jovens fora da escola. Ano passado, havia 300 mil alunos matriculados no ensino médio e 800 mil jovens a partir de 15 anos de idade que não estudam e nem trabalham. Temos ressalva a esse projeto que está tramitando”, diz. 

Serão consideradas matrículas em tempo integral aquelas em que o estudante permanece na escola ou em atividades escolares por tempo igual ou superior a sete horas diárias ou a 35 horas semanais em dois turnos, sem sobreposição entre eles.

Segundo a Agência Câmara, o projeto determina que as matrículas pactuadas no âmbito do programa sejam registradas no Censo Escolar subsequente à sua criação. Não valerão aquelas de programas anteriores de fomento à educação integral e as já computadas como de tempo integral para fins de recebimento do Fundeb.

Serão consideradas, para cada ente federativo, apenas as matrículas da etapa prioritária. Assim, estados não poderão computar matrículas em tempo integral abertas na educação infantil; e municípios não poderão computar aquelas do ensino médio de suas unidades. O PL depende, ainda, da avaliação do Senado.

Arte:MEC

Fonte: CNTE

Novo Ensino Médio prejudica o início da formação profissional dos jovens, afirma CNTE em audiência no Senado 

As políticas e perspectivas para a ampliação da oferta de cursos técnicos e profissionalizantes no Brasil foram temas de debate em audiência pública realizada no Senado, na manhã desta quinta-feira (6). A reunião foi convocada pelo senador Paulo Paim (PT), que defende a educação profissional como base para qualificar a população do país. “Oferecer cursos técnicos e estimular as matrículas dos jovens e adultos massivamente asseguram sustentabilidade e competitividade à economia de qualquer país”, disse o senador.  Paim afirma que apenas 9% dos jovens brasileiros estão matriculados em cursos técnicos, situação considerada grave por ele, podendo afetar a economia. 
 

Participante na audiência, a Secretária de Assuntos Educacionais da CNTE, Guelda Andrade, reconheceu a importância da capacitação técnica para a juventude, mas lamentou como o Novo Ensino Médio (NEM) tem prejudicado o início da educação profissional. “O NEM minimiza toda a parte técnica da profissionalização e deixa nossos estudantes em condições reducionistas, com uma formação muito apequenada. Os itinerários desmontam a concepção de formação”, afirmou. 

 

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Foto: Divulgação

 

Ex-aluna do curso técnico magistério, Guelda defende que a formação profissional seja implementada de acordo com as necessidades do território. “Precisamos levar em consideração os artigos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), além de pensar em uma proposta humanizada que atenda aos jovens trabalhadores/as e adultos. Para isso, temos que garantir a bolsa permanência aos matriculados”, afirmou.  Guelda criticou as parcerias público-privadas e defendeu que o Estado possa garantir uma educação pública e gratuita. 

O presidente da Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (Proifes/Federação), Nilton Brandão, concordou com Guelda. Segundo ele, o dinheiro público deve ser direcionado para a educação pública e “não para servir grupos privados sob falso prognóstico de estar ajudando quem mais precisa”. 

Nilton fez críticas à falta de uma política permanente de educação profissional e elogiou a atuação dos Institutos Federais. “Desde 2008, os Institutos Federais são a melhor proposta de capacitação para profissionalizar estudantes do interior do Brasil. Mas precisamos reparar a defasagem salarial dos professores que trabalham nesses locais”. 

Já a reitora do Instituto Federal da Bahia (IFBA), Luzia Matos, propôs a criação de um sistema nacional de qualificação de trabalhadores, ressaltando a necessidade de se investir em políticas afirmativas para a população negra. “Devemos focalizar nesses grupos mais vitimizados pelas injustiças sociais e desigualdades”, argumentou.  

Magno Rogério Carvalho, Secretário de Qualificação e Fomento à Geração de Emprego do Ministério do Trabalho, ressaltou que, para se pensar em políticas públicas de formação profissional, “deve-se ir além da empregabilidade no modo tradicional. Atualmente, o mercado de trabalho deu lugar ao mundo do trabalho com diferentes possibilidades”. 

Ele sugeriu utilizar a estrutura do Sistema Nacional de Emprego (Sine), presente em mais de 1400 localidades do país. “Podemos aproveitar a capilaridade do Sine para capacitação das pessoas”. 

O representante do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Felipe Esteves Pinto, revelou que 84% de todos os alunos que concluíram os cursos técnicos da instituição estão empregados. Ele entende que o valor e status social da educação profissional precisa mudar no Brasil. 

“Existem novos empregos surgindo, o que aponta para a necessidade de aperfeiçoar os trabalhadores. É um efeito impulsionado pelas novas tecnologias e a digitalização. Outro ponto relevante é o fomento à aprendizagem ao longo da vida”, explicou. 

 

Fonte: CNTE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Conselho de Entidades pede mobilização por mais participação de alunos e professores na Consulta Pública sobre NEM

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Em reunião realizada na manhã desta quinta-feira (29), o Conselho Nacional de Entidades (CNE) da CNTE aprovou seis eixos de mobilização dos/as trabalhadores da educação para os próximos meses, além de fazer ajustes no calendário de ações para o segundo semestre. 

O presidente da CNTE, Heleno Araújo, chamou a atenção para o fato de que a participação de estudantes e professores na consulta pública do MEC sobre o Novo Ensino Médio está abaixo do esperado, se comparada com a participação de gestores.  

“Precisamos incentivar que trabalhadores e alunos respondam à consulta. Temos que mostrar nossa força contra a Lei 13.415/2017, que representa o desmonte do ensino médio”, disse. Até hoje, a Plataforma Participa + Brasil informa que 10 mil contribuições foram recebidas. Veja: https://www.gov.br/participamaisbrasil/reestruturacao-da-politica-nacional-de-ensino-medio 

É possível responder à Consulta por WhatsApp,  enviando “MEC” para o número (11) 97715-4092, ou por meio do link bit.ly/consultapublicaonlinemec-web, que direciona para o aplicativo. 

Além de pedir mais engajamento na Consulta sobre o NEM, o Conselho recomendou: 

  1. Intensificar ações de mobilização nos Estados pela retirada do Fundeb do novo marco fiscal, na semana de votação na Câmara dos Deputados; 
  2. Continuar pressionando o Banco Central para que se reduza a taxa de juros, atualmente em 13,75%; 
  3. Fortalecer a atuação para fazer valer nos municípios o Piso Salarial, o desenvolvimento na carreira e a formação continuada; 
  4. Ação da CNTE: promover seminários sobre “O pedagógico do PNE em debate”
  5. Reforçar a pauta de luta pela gestão democrática nas escolas, destacando a importância das eleições diretas para as direções escolares

A Vice-Presidente da CNTE, Marlei Fernandes, lembrou que o alto nível de conservadorismo do Congresso Nacional, “ coloca espada no governo toda vez que tem um projeto que favorece a classe trabalhadora”, e reforçou, mais uma vez, a necessidade de juntar forças.

Clique aqui para acessar o calendário de ações e mobilização. 

Gestrado/UFMG

O encontro contou ainda com a participação do pesquisador Edmilson Pereira Junior, coordenador do Grupo de Estudos Sobre Política Educacional e Trabalho Docente (Gestrado/UFMG), que apresentou os resultados de uma pesquisa  da Gestrado sobre as condições de trabalho e práticas de avaliação em escolas do Nordeste. 

Edmilson mostrou um panorama sobre os tipos de vínculos profissionais, jornada, dados de gestão escolar e autonomia de pessoas que trabalham em 46 escolas de 246 municípios dos Estados da Bahia, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. “Somente 62,8% dos/as trabalhadores  dessas cidades são concursados; 31% foram contratados como temporários ou substitutos”, revelou. 

Fonte: CNTE

Desvalorização dos profissionais da educação ajuda a ampliar violência na escola

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Foto: Fernando Frazão – Agência Brasil

Com o crescimento de ataques às escolas no Brasil nos últimos meses, a preocupação com a violência contra os colégios cresceu. Entre setembro de 2022 e abril de 2023, ao menos cinco ações fatais foram registradas.

Desde 2011, pelo menos 52 pessoas morreram em atentados em instituições educacionais brasileiras e, segundo um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de 2017, 12,5% dos/as  professores do país disseram ser vítimas de agressões verbais ou de intimidação de alunos pelo menos uma vez por semana, o mais alto índice entre as 34 nações pesquisadas.

Um levantamento do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) mostra ainda que quase metade dos estudantes da rede pública estadual já sofreu algum tipo de violência na escola, dado que aponta para agressões presentes em todos os ambientes escolares.

Recentemente, a Agência Câmara, ligada à Câmara dos Deputados, divulgou uma cartilha para analisar a questão. O material traz  muitas das propostas defendidas pela CNTE, como a articulação entre segurança, políticas públicas, garantia de direitos e novas práticas culturais que reorientem crenças, valores e emoções.

O conteúdo informa ainda a necessidade de toda a comunidade escolar estar atenta a incidentes que envolvam bullying, isolamento social, preconceitos, falta de habilidades de resolução de conflitos, falta de apoio emocional, baixa autoestima e fracasso escolar.

Dentre as propostas para resolução do problema estão práticas de formação e de qualidade para todos, construção e vivência de relações escolares democráticas, enfrentamento dos processos de medicalização, patologização e judicialização da vida de educadores e estudantes, promoção de políticas públicas que possibilitem o desenvolvimento de todo e algo que a CNTE julga essencial: a valorização do trabalho do professor.

Presidente da Confederação, Heleno Araújo ressalta que parte importante do combate a ações violentas é a melhoria da estrutura escolar capaz de permitir que educadores, educadoras e estudantes se identifiquem com a escola.

O tema é pauta da entidade há muito tempo e, em 2007, a revista Retratos da Escola (https://www.cnte.org.br/images/stories/retratos_da_escola/retratos_da_escola_01_2007.pdf) já tratava do assunto a partir da necessidade de gestores públicos valorizarem os professores e professoras.

“Os profissionais da educação enxergam a escola como ambiente violento e são violentados dentro dela. A violência institucional começa quando governadores se recusam a fazer concurso público e mantém 80% do quadro formado por trabalhadores e trabalhadoras temporárias. Esse cenário impede que os profissionais sejam beneficiados por uma política de formação continuada e afeta o comprometimento com a escola”, explica.

Além disso, acrescenta o dirigente, a resolução dos problemas cotidianos do ensino perde espaço para a busca de resultados em um ambiente pouco democrático.

“Não há debate porque a escola está sufocada pela necessidade de atingir índices das avaliações que tiram tempo de participação social e diálogo. Temos diretores que estão há mais de duas décadas à frente dos colégios, sem que exista uma necessária alternância democrática”, comenta.

Escalada do extremismo de direita

Enquanto isso, especialistas apontam que o extremismo de direita segue a afetar o ambiente de ensino. O relatório “Ultraconservadorismo e Extremismo de Direita entre Adolescentes e Jovens no Brasil”, lançado em dezembro de 2022 e encaminhado ao grupo de transição da área de educação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), associa o crescimento de atos de violência à escalada do ultraconservadorismo e à falta de criminalização desses discursos e práticas.

A CNTE defende ainda que medidas como o fim dos programas de militarização de escolas, o desarmamento da sociedade, a promoção de políticas de saúde mental e a resposta firme aos discursos fascistas são indispensáveis para prevenir atos terroristas.

Fonte: CNTE

Educadores brasileiros apoiam a greve nacional da enfermagem e, em solidariedade de classe, se somam na defesa do Piso Salarial Nacional da categoria

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Reunidos no Conselho Nacional de Entidades (CNE) da CNTE na manhã do dia de hoje (29/06/2023), os/as trabalhadores/as brasileiros/as da educação básica pública se manifestam em apoio à Greve Nacional da Enfermagem que vem sendo, pouco a pouco, decretada em todos os Estados da Federação.

Enfermeiros/as, técnicos/as e auxiliares lutam em defesa do Piso Salarial Nacional da Enfermagem que tem encontrado resistência, pelo forte lobby do setor da saúde complementar e privado no Brasil, até na instância máxima do poder judiciário brasileiro. No último dia 23 de junho, ao devolver o pedido de vistas no Supremo Tribunal Federal, o ministro Dias Toffoli indicou uma terceira via no julgamento que está ocorrendo no STF. Ao aderir às teses defendidas pelo setor privado de saúde, defendeu um piso de enfermagem regionalizado para os funcionários regidos pela CLT.

A luta por um piso salarial nacional representa importante instrumento de valorização profissional e de combate às desigualdades regionais a uma categoria que, em período tão recente, foi tão fundamental ao Brasil. O mínimo de retribuição que o país deve dar a esses profissionais da saúde é o reconhecimento ao seu direito laboral mais básico: uma remuneração justa.

Ombreados na mais nobre solidariedade de classe, e conscientes do vínculo fundamental no campo dos direitos humanos e sociais da saúde e da educação, professores/as e funcionários/as da educação de todo o país se somam nessa justa e legítima reivindicação desses/as trabalhadores/as da saúde brasileira. Certos da vitória dessa luta, bradamos em defesa do Piso Salarial Nacional da Enfermagem.

Brasília, 29 de junho de 2023.

Conselho Nacional de Entidades (CNE) da CNTE

Fonte: CNTE

Conselho de Entidades pede mobilização por mais participação de alunos e professores na Consulta Pública sobre NEM

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Em reunião realizada na manhã desta quinta-feira (29), o Conselho Nacional de Entidades (CNE) da CNTE aprovou seis eixos de mobilização dos/as trabalhadores da educação para os próximos meses, além de fazer ajustes no calendário de ações para o segundo semestre. 

O presidente da CNTE, Heleno Araújo, chamou a atenção para o fato de que a participação de estudantes e professores na consulta pública do MEC sobre o Novo Ensino Médio está abaixo do esperado, se comparada com a participação de gestores.  

“Precisamos incentivar que trabalhadores e alunos respondam à consulta. Temos que mostrar nossa força contra a Lei 13.415/2017, que representa o desmonte do ensino médio”, disse. Até hoje, a Plataforma Participa + Brasil informa que 10 mil contribuições foram recebidas. Veja: https://www.gov.br/participamaisbrasil/reestruturacao-da-politica-nacional-de-ensino-medio 

É possível responder à Consulta por WhatsApp,  enviando “MEC” para o número (11) 97715-4092, ou por meio do link bit.ly/consultapublicaonlinemec-web, que direciona para o aplicativo. 

Além de pedir mais engajamento na Consulta sobre o NEM, o Conselho recomendou: 

  1. Intensificar ações de mobilização nos Estados pela retirada do Fundeb do novo marco fiscal, na semana de votação na Câmara dos Deputados; 
  2. Continuar pressionando o Banco Central para que se reduza a taxa de juros, atualmente em 13,75%; 
  3. Fortalecer a atuação para fazer valer nos municípios o Piso Salarial, o desenvolvimento na carreira e a formação continuada; 
  4. Ação da CNTE: promover seminários sobre “O pedagógico do PNE em debate”
  5. Reforçar a pauta de luta pela gestão democrática nas escolas, destacando a importância das eleições diretas para as direções escolares

A Vice-Presidente da CNTE, Marlei Fernandes, lembrou que o alto nível de conservadorismo do Congresso Nacional, “ coloca espada no governo toda vez que tem um projeto que favorece a classe trabalhadora”, e reforçou, mais uma vez, a necessidade de juntar forças.

Clique aqui para acessar o calendário de ações e mobilização. 

Gestrado/UFMG

O encontro contou ainda com a participação do pesquisador Edmilson Pereira Junior, coordenador do Grupo de Estudos Sobre Política Educacional e Trabalho Docente (Gestrado/UFMG), que apresentou os resultados de uma pesquisa  da Gestrado sobre as condições de trabalho e práticas de avaliação em escolas do Nordeste. 

Edmilson mostrou um panorama sobre os tipos de vínculos profissionais, jornada, dados de gestão escolar e autonomia de pessoas que trabalham em 46 escolas de 246 municípios dos Estados da Bahia, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. “Somente 62,8% dos/as trabalhadores  dessas cidades são concursados; 31% foram contratados como temporários ou substitutos”, revelou. 

Fonte: CNTE

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