Escola também é lugar de discutir o combate ao machismo

Na última semana, após declarações machistas à um podcast, o influenciador e coach Thiago Schutz enviou uma ameaça de morte à atriz Lívia La Gatto porque ela ironizou a fala dele em rede social. Às vésperas do 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, a ação tornou-se um exemplo de como o combate ao machismo é necessário, pauta fundamental da sociedade, inclusive nas escolas, e demanda respaldo jurídico para garantir a segurança das vítimas.

Desde outubro de 2022, está em tramitação no Congresso Nacional a Medida Provisória 1140 que institui o Programa de Prevenção e Combate ao Assédio Sexual nas instituições de ensino federais, estaduais, municipais e distrital, públicas e privadas.

A medida pretende promover a prevenção e o combate à prática do assédio sexual nas escolas, capacitar docentes e equipes pedagógicas para o desenvolvimento e a implementação de ações destinadas à discussão, à prevenção, à orientação e à solução do problema nas escolas e implementar e disseminar campanhas educativas sobre o tema.

Caso seja aprovada pelos plenários da Câmara e do Senado Federal, a MP determina que as instituições encaminhem ao Ministério da Educação (MEC), anualmente, relatórios com as ocorrências de assédio sexual para subsidiar o planejamento de ações futuras.

Para que isso aconteça, essa discussão deve estar presente em todos os espaços da sociedade e no ambiente escolar, onde iniciativas de combate à violência se tornam parte do processo de formação dos jovens e adolescentes e antídotos para a misoginia, conforme aponta a secretária de Relações de Gênero da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e diretora da secretaria de políticas educacionais do Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF), Berenice D’Arc.

“A escola forma meninas e meninos, mas as famílias também são importantes para discutir o machismo e a não-violência contra a mulher e para que esses estudantes tenham a perspectiva de direitos iguais. Se queremos formar gerações não-sexistas, teremos de fazer um diálogo sobre um currículo que envolva as questões de gênero”, defendeu.
Experiências regionais

A Medida Provisória segue caminho semelhante ao de outros projetos aprovados em estados e municípios para fazer da escola um espaço educativo sobre a igualdade de gêneros.

Ações como a Lei 15484, aprovada em 2020 na Assembleia Legislativa do Rio Grande de Sul, propõem a promoção de ações para o combate à violência contra as mulheres e meninas no sistema estadual de ensino.

Autora do texto, a deputada estadual Sofia Cavedon (PT), ressalta a necessidade de governos comprometidos com o combate à violência contra a mulher para o sucesso de medidas em defesa da igualdade e como o contrário disso ajuda a promover retrocessos.

“Aqui o governo do estado ainda não assumiu a sua responsabilidade de implantar a lei. Então, como mandato, tomamos a iniciativa de conversar com as universidades e institutos federais. Fizemos cursos on line em 2021 e 2022 com professores, no dia 13 de março faremos o lançamento da terceira edição de uma cartilha para divulgação da lei e agora também com sugestões de bibliografias e atividades levantadas nesses cursos. Além de divulgar experiências de trabalhos feitos pelas escolas a partir das nossas mobilizações”, afirma.

A medida é válida para todo o sistema de ensino, inclusive escolas de rede privada, porque ajuda a dar respaldo à principal queixa das educadoras e educadores: o patrulhamento ideológico.

“Quando construímos essa lei, ouvimos dos professores que a principal queixa era o patrulhamento que promovia a perseguição e trazia dificuldade em fazer trabalhos e tratar de questões que retratassem as mulheres. Essa lei é fundamental para dar respaldo contra iniciativas conservadores que visam proibir a discussão sobre gênero e sexualidade. Temos de investir em formação e divulgação para mostrar que há uma medida que respalda o fortalecimento da defesa dos direitos e proteção das mulheres e meninas no sistema educacional”, alerta.

Mulheres na política

O apoio de parlamentares comprometidos com a igualdade de gênero, como comprova Sofia Cavedon, é fundamental. O crescimento do número de mulheres no Congresso Nacional é um dado importante, mas também no Legislativo a ocupação em espaços de poder, como mesas diretivas, é uma luta a ser travada, destaca Berenice D’Arc.

“Sabemos que avançamos muito, mas é preciso mais. A divisão entre homens e mulheres parlamentares é extremamente desigual. Por mais que nossas mulheres sejam capacitadas e duras na luta pela igualdade, é um espaço majoritariamente conservador e que tende a dificultar o trabalho sobre gênero na escola e nos lares. Temos muito a caminhar ainda para que o jogo ao menos se aproxima de ser igual”, avalia.

Histórico de avanços legais

Os governos petistas da presidenta Dilma Rousseff e de Luiz Inácio Lula da Silva tiveram como uma das marcas iniciativas de combate à violência contra a mulher.

Dentre elas, a Lei Maria da Penha, aprovada em 2006 durante o governo Lula, é considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) a terceira melhor legislação de proteção dos direitos da mulher no mundo.

Em 2015, já durante a gestão de Dilma, a Lei do Feminicídio transformou o assassinato de mulheres, cometido apenas por uma questão de gênero, em crime hediondo e sujeito a penas maiores.

No início deste ano, o governo Lula iniciou a discussão sobre um Projeto de Lei da Igualdade que irá impor descontos para empregadores que aplicarem condições salariais diferentes a trabalhadores e trabalhadoras que realizam a mesma função. A medida está sob análise jurídica do Planalto antes de ser encaminhada ao Congresso Nacional.

 

FONTE: CNTE

‘Sem salvação’: mais de 300 entidades pedem fim da reforma do Ensino Médio

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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Desintegradora, antipopular, autoritária, perversa, precarizante, privatizante, engodo, antidemocrática, desigual, fragmentadora, desregulamentadora, desescolarizadora, potencialmente catastrófica, sem qualidade. É extensa a lista de apupos que qualificam negativamente a reforma do Ensino Médio na carta aberta, assinada por mais de 300 entidades, que pede a revogação da política pública.

Sindicatos, grupos de pesquisa, associações científicas e de classe do campo educacional defendem que não há remendo possível para a reforma, enquanto seus formuladores falam em “revanchismo”. Pressionado, o Ministério da Educação (MEC) monitora a fervura do debate e prepara a convocação de um grupo de discussão sobre o tema.

“Os itinerários formativos são para poucos e privam os estudantes de conhecimentos básicos”. Heleno Araújo, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE, também signatária da carta), diz que professores de Geografia, História, Sociologia e Língua Portuguesa estão tendo que lecionar conteúdos “totalmente estranhos” às suas formações. “A reforma também descaracteriza a profissão, criando a figura da pessoa de notório saber, aumentando a terceirização e elevando a contratação temporária de docentes”.

Leia a nota completa de Rodrigo Ratier clicando aqui.

Por Rodrigo Ratier (06/03/2023)

Fonte: CNTE

Luta pela igualdade gêneros passa pela valorização da educação pública

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Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A formação da sociedade brasileira tem a educação como um fator fundamental e as escolas são um espaço privilegiado de luta contra o machismo e a misoginia. Mas para que isso aconteça é preciso valorizar as educadoras e educadores e oferecer condições dignas de trabalho, ação que inclui formação, bons salários e liberdade a quem está à frente da sala de aula.

Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) levará às ruas como uma das bandeiras em defesa de um país mais justo e igualitário a efetiva implementação da Lei Nacional do Piso, uma conquista ainda em disputa no Brasil e que afeta majoritariamente as trabalhadoras.

Segundo o Censo Escolar, em 2020, 81% das 2,2 milhões de pessoas que exercem a profissão na educação básica são professoras. Porém, o levantamento aponta que os homens recebem 12% a mais do que as mulheres.

Isso ocorre porque, conforme os níveis escolares avançam, a presença feminina cai: são 96% dos professores da educação infantil, 88% no ensino fundamental I, 67% no fundamental II e 58% no ensino médio.

Para reverter esse processo, a CNTE defenderá nas mobilizações em todo o país a implementação do ajuste do Piso em toda a carreira (incluindo Professores/as e Funcionários/as da Educação) como forma de ampliar o investimento, equilibrar as condições para as educadoras e educadores e combater a desigualdade.

Além da medida, a confederação aponta outras bandeiras que se somarão às pautas de combate ao machismo em todo o país, conforme destaca a Secretária de Relações de Gênero da entidade, Berenice Jacinto.

“As centrais sindicas e os movimentos populares e feministas estão se organizando para uma luta conjunta e o piso na carreira é uma das bandeiras, ao lado de outras questões fundamentais como o fim das escolas militarizadas, que são uma afronta à democracia e à pluralidade da educação. Sabemos que as mulheres são as mais afetadas quando a liberdade está ausente, porque só nos ambientes democráticos conseguimos lutar e avançar em direitos iguais”, avalia.

Pluralidade para igualdade

A dirigente aponta ainda os prejuízos que dois retrocessos recentes ligados à onda conservadora que tomou o país trazem para elas. O primeiro deles é a reforma do ensino médio. Implementado durante o governo do golpista Michel Temer (MDB), o projeto apresenta como proposta aulas complementares que não incentivam a autonomia e o empoderamento feminino ao ignorarem noções de desenvolvimento coletivo e da consciência de classe, fundamentais para reverter a lógica machista.

“A fragmentação dos complementos curriculares do ensino médio tirou a qualidade do ensino e adotou uma perspectiva de baixa qualidade de formação para o mercado de trabalho. Como base da pirâmide social, as mulheres perdem duas vezes, porque as disciplinas básicas caem em qualidade e prejudicam nossa formação e nossa ascensão, e porque as aulas que se propõem a ser de formação técnica ficam restritas a um modelo de trabalho baseado na lógica privatizante e tecnicista que não nos favorece”, explica.

Berenice destaca também projetos como o Escola Sem Partido, que vive uma perspectiva de retomada mesmo após a derrota no campo jurídico, e busca estrangular qualquer discussão sobre igualdade de gênero no país.

O antídoto a essas investidas, define, é aprimorar o processo de formação em espaços como as organizações sindicais para que um olhar plural se faça presentes também nas escolas.

Para isso, a CNTE apresenta ferramentas como a recém-lançada revista Mátria que visa contribuir com o debate sobre o empoderamento feminino e mostrar bons exemplos e caminhos para a divisão de poderes. “A Mátria tem um papel muito importante de trazer o olhar das trabalhadoras da educação para o modelo que queremos, com a valorização das dirigentes sindicais e das lideranças que vemos ocupar espaços. Nossa publicação pretende ser um instrumento valioso no processo de formação das nossas companheiras e companheiros”, reforça a secretária da CNTE. 

Fonte: CNTE

João Alexandrino, presente!

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Os/as educadores/as de todo o Brasil amanheceram no dia de hoje consternados com a notícia do falecimento do companheiro João Alexandrino. Dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Pernambuco (Sintepe), ocupou como coordenador o Departamento de Funcionários da Educação (DEFE) desta CNTE. Sob o lema de “funcionário da educação é também educador”, João participou da política sindical que, desde o Brasil, ganhou o mundo rompendo a invisibilidade dos/as funcionários e funcionárias das escolas brasileiras.

A sua atuação no Estado de Pernambuco, representando o segmento dos/as trabalhadores/as administrativos e analistas educacionais, o gabaritou a ocupar essa mesma função nacionalmente. E deixou orgulhosos/as todos/as nós que lutamos pela unidade dos que atuam na educação básica de nosso país. A política de unificação dos/as professores/as e dos/as funcionários/as da educação honrou os/as trabalhadores/as de educação brasileiros/as e deixou ao movimento sindical do país quadros qualificados como João Alexandrino.

Um lutador incansável pelo reconhecimento daquele segmento que historicamente foi invisibilizado dentro de nossas escolas, a sua partida agora deixará ao mundo, certamente, uma maior importância de todos os que atuam dentro das escolas, não somente os/as profissionais do magistério. Que seu triste falecimento nos deixe o orgulho e o ânimo da luta que vale a pena ser travada.

O seu empenho na implementação da política empreendida no Brasil do Profuncionário, que tanto nos orgulhou e representou a luta dos/as trabalhadores/as em educação do país, aponta a todos/as nós, agora, o norte de nossa luta nesse novo governo Lula. Em inspiração à sua causa, companheiro João, daremos por aqui prosseguimento a essa nossa bandeira de resgate desse tão importante programa de formação dos funcionários da educação de nosso país, criado e forjado pela nossa luta – e sua também – no primeiro governo do presidente que você tanto ajudou a eleger.

João Alexandrino, presente! Para sempre nos inspirará na nossa luta!

Brasília, 03 de março de 2023
Direção Executiva da CNTE

CNTE realiza primeira reunião de aposentadas(os) do ano

Na última quarta-feira, 1º de março, aconteceu a reunião do coletivo nacional de aposentadas e aposentados da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação). Os três diretores da Secretaria de Aposentados do Sinpro, Elineide Rodrigues, Consuelita Oliveira e Chicão, participaram do encontro. O presidente da CNTE, Heleno Araújo, e Sérgio Kumpfer, secretário de aposentados da entidade, também estiveram presentes.

O ponto principal da pauta era construir um planejamento para 2023. Ao longo do dia, representantes de diversos estados participaram de debates sobre a conjuntura – especialmente no que se refere à reforma da previdência, que interferiu duramente nas condições e na qualidade de vida dos aposentados e aposentadas -, avaliação do último período e perspectivas para o próximo. Houve também muita troca de experiências, com a socialização de ações exitosas que os sindicatos encaminham nos estados.

Para Elineide Rodrigues, coordenadora da Secretaria de Aposentados do Sinpro, a reunião foi muito proveitosa, e fica a expectativa para novos encontros. “Nós nos reunimos para fazer planejamento e avaliação, traçar novas ações, dividir nossas experiências e aprender com as demais”, contou Elineide. “Novos encontros serão necessários para fortalecer essa articulação nacional de professores(as) e orientadores(as) educacionais aposentados(as), pois somos um segmento muito prejudicado por reformas que mexeram com nossos rendimentos e com nossa dignidade”, afirma ela.

Diretores da Secretaria de Aposentados do Sinpro com o presidente da CNTE, Heleno Araújo.

 

 

 

Reunião do coletivo de aposentadas/os e assuntos previdenciários da CNTE debate estratégias para 2023

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Foto: Geovana Albuquerque

Nesta quarta-feira (1º) foi realizada a reunião do Coletivo de Aposentados/as e Assuntos Previdenciários da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação em Brasília (DF). A reforma da previdência, as prioridades e articulações no novo governo, as ações planejadas para 2023 pelas entidades filiadas e a produção da Vitalidade, revista do coletivo, foram os principais temas discutidos.

“Nós já vimos que se tivermos governos ultraliberais, que não colocam os trabalhadores no centro do projeto, nós sempre vamos perder. E foi isso que aconteceu nesses últimos anos. Infelizmente tivemos muitos retrocessos, principalmente no que diz respeito a não correção e não reposição da inflação e aos descontos previdenciários”, avalia o secretário de aposentados/as e assuntos previdenciários da CNTE, Sérgio Kumpfer. Para ele, é preciso lutar, esperançar e conquistar: “Espero que agora a gente possa abrir o caminho de reconstrução. E a nossa luta é permanente”.

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O assessor jurídico da CNTE, Eduardo Ferreira, fez um breve histórico das lutas da CNTE contra a Reforma da Previdência e outras medidas que afetaram as aposentadorias desde 2016. “A CNTE debate a PEC287/2016 desde a época do golpe do Michel Temer. Com o governo Bolsonaro veio o fortalecimento do grande eixo da reforma que era transformar todo o sistema previdenciário brasileiro em um sistema de capitalização. Nós não teríamos mais a coletividade regendo a previdência. Isso não foi consolidado, conseguimos manter o regime de repartição, mas eles conseguiram acabar com muitos direitos”, analisa.

A Reforma da Previdência teve uma amplitude geral, incluindo quem já era aposentado, os que estavam próximos de se aposentar, o regime próprio, o regime geral, trabalhadores urbanos e rurais. “O objetivo de médio e longo prazo da reforma é acabar com o regime próprio. A Emenda 103/2019 impede a criação de regime próprios. O que a lei permite é fazer a migração do regime próprio para o regime geral e não precisa comprovar o déficit – pode estar superavitário e com as contas em dia. Se o gestor aprovar essa mudança com o parlamento local, os aposentados podem cair na regra geral da noite para o dia”, alerta Eduardo Ferreira.

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Para o assessor da CNTE há uma insegurança jurídica geral e não há cenário para revogar a Reforma da Previdência pois o governo não tem maioria no Congresso. Mas é possível fazer alterações pontuais. “A gente pode, por exemplo, retirar a possibilidade de alíquota extraordinária. É aquilo que parece pouco de imediato, vai ser muito a médio e longo prazo. Estamos fazendo negociações para ver o que é viável, além das alíquotas”, conclui Eduardo.

Valorização profissional

O presidente da CNTE, Heleno Araújo, fez um relato sobre os diálogos com o governo federal e com parlamentares estaduais e federais. Entre os principais pontos de articulação estão as diretrizes de carreira da educação.

“A composição do MEC está carregada de pessoas que foram formadas com base na teoria do capital humano, em que o gerenciamento toma a frente, então a avaliação – que deveria ser a última etapa – passa a ser a primeira. O impacto disso é o achatamento da carreira, de ativos e aposentados. Então levamos ao ministério e aos parlamentares um projeto de lei sobre piso para os profissionais da educação e sobre as diretrizes a carreira para educação que mude a concepção gerencial e passe a valorizar os profissionais”, explicou Heleno Araújo.

Também foram discutidas as propostas de Reforma Tributária. Uma delas, a chamada Reforma Tributária Solidária, foi construída por trabalhadores e é pensada para financiar os serviços públicos de saúde, educação e assistência social, e promover a progressividade (ampliação da tributação direta, combate a evasão e outras medidas). Mas já existem propostas que pretendem reduz o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). “O maior imposto que financia o Fundeb pode diminuir. Então temos que ficar atentos e acompanhar com responsabilidade para que a educação não perca recursos”, reforçou o presidente da CNTE.

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Agenda de lutas
No próximo dia 8 de março – Dia Internacional da Mulher, a CNTE vai promover a mobilização nas ruas e nas redes em defesa dos direitos das mulheres, incluindo as pautas da classe trabalhadora. “As mulheres são maioria na educação e no serviço público, e por isso nós, homens e mulheres, precisamos estar nas ruas no dia 8 de março. Principalmente as aposentadas. E temos que levar a defesa do piso na carreira”, conclamou Heleno Araújo.

No dia 22 de março a Confederação estará mobilizada pelo Dia Nacional de Luta pela Aplicação do Piso na Carreira do Magistério Público. “A CNM [Confederação Nacional dos Municípios] entrou com processo contra a CNTE. Estamos disputando os casos. Defendemos que é preciso aplicar o piso na carreira e estamos lutando por isso”.

Balanço

No período da tarde, os participantes trocaram experiências e apresentaram planejamento das secretarias para 2023. As propostas de ações coletivas apresentadas durante a tarde foram as seguintes: que todas as entidades filiadas à CNTE organizem um coletivo de aposentados; incentivo à participação de aposentados em encontros estaduais, regionais e nacional; realização de ações culturais; investimento em formação; promoção de marchas e datas nacionais, que devem ser realizadas de forma criativa; e organização de viagens e lazer.

Publicação

Foi aprovada a produção da revista Vitalidade, voltada para as aposentadas e os aposentados, com objetivo de promover a troca de experiências e debater questões específicas. A previsão de lançamento é para o segundo semestre de 2023.

>> Acesse as fotos na página da CNTE no Facebook

Fonte: CNTE

No mês das mulheres, 21ª edição da Mátria conta como mulheres têm ocupado espaços de poder

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Chegou o mês de março e com ele as mobilizações em defesa de um mundo mais justo e igualitário ganham evidência. Quem acompanha os movimentos sindical e sociais sabe que a batalha não se restringe a esse período e conquistas como a paridade nas direções das instituições sindicais comprovam isso.

Mas sabemos também do simbolismo do 8 de Março e toda força que carrega a partir da luta empenhada por aquelas que abriram caminhos e nos indicaram possiblidades.

Para a Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação (CNTE), este é um mês de muito orgulho, porque traz mais uma edição da revista Mátria, nossa publicação que alcança a maioridade absoluta com o 21º número. São mais de duas décadas de reportagens que promovem debates, ideias e propostas para um novo modelo de sociedade.

Este número convida você a prestar atenção na capa. A partir da imagem da foto já histórica das mulheres presentes na posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, construímos a ideia da diversidade que esperamos ver se realizar após um período tenebroso de retrocessos e violência.

O grande destaque desta edição fica por conta da ocupação do poder por olhares e fazeres femininos, dentro e fora do Executivo, Legislativo e Judiciário. Inclusive no movimento sindical. Sabemos que ainda é necessário avançar muito, especialmente quando falamos de lugares de decisão, mas não podemos deixar de celebrar os avanços.

Abrimos este número com uma entrevista exclusiva com a comandante do Ministério das Mulheres, Cida Gonçalves, e conversamos também com a primeira senadora eleita por Pernambuco, Teresa Leitão, e a primeira mulher titular do Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil, Luciana Santos.

Seguimos em marcha com uma reportagem sobre como o feminicídio ainda se faz presente em nosso país e como destrói famílias.

Tratamos também da pobreza e dos desafios enfrentados por mães de todo o país para manter os filhos na escola e como a mercantilização da educação tem comprometido o futuro de milhares de jovens na América Latina.

Abordamos ainda um tema lamentavelmente atual, os ataques terroristas nas escolas e mostramos como discursos extremistas têm alimentado ações assim.

A Mátria apresenta também o perfil de Sonia Guajajara, à frente do primeiro ministério indígena de um país em crise social diante da miséria dos povos originários, a luta das trabalhadoras rurais para manter viva a diversidade nacional e mais um série de dicas culturais para aprender, lutar e levar para a sala de aula o debate sobre o machismo e o patriarcado.

 >> A Mátria é distribuída gratuitamente para sindicatos, escolas e bibliotecas públicas e você também pode ler aqui

Fonte: CNTE

Câmara pode votar nesta terça-feira MP que cria programa de prevenção do assédio sexual nas escolas

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 Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

A medida provisória (MP) que cria um programa para prevenção do assédio sexual nas escolas é o destaque da pauta do Plenário nas sessões marcadas a partir das 13h55 desta terça-feira (28).

MP 1140/22 institui o Programa de Prevenção e Combate ao Assédio Sexual no âmbito dos sistemas de ensino federal, estadual, municipal e distrital.

De acordo com o texto, caberá às instituições de ensino elaborarem ações e estratégias para cumprir os objetivos do programa, seguindo diretrizes como: esclarecimentos sobre os elementos que caracterizam o assédio sexual; fornecimento de materiais educativos e informativos com exemplos de condutas passíveis de serem consideradas assédio sexual; implantação de boas práticas para prevenir essas situações; e divulgação de canais acessíveis para denúncia no âmbito escolar.

As escolas também deverão estabelecer procedimento para investigar reclamações e denúncias de assédio sexual, garantidos o sigilo e o devido processo legal, além de divulgar informações sobre o caráter transgressor do assédio, que pode ter sanção nas esferas penal, civil e disciplinar.

Confira a notícia completa no site da Cãmara Legislativa clicando aqui.

Fonte: Agência Câmara de Notícias (28/02/2023)

Fonte: CNTE

Não há combate à LER/Dort sem condições dignas de trabalho

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Foto: Reprodução Caminhos da Reportagem – TV Brasil

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), 160 milhões de pessoas sofriam com doenças relacionadas ao trabalho em 2016. Além disso, a pesquisa também apontou que naquele ano as lesões e doenças relacionadas ao trabalho provocaram a morte de 1,9 milhão de pessoas. O estudo levou em consideração diversos fatores de risco ocupacional – o principal deles foi a exposição a longas horas de trabalho, que estava associada a cerca de 750.000 mortes.

Na área de ensino, que desde a Reforma do Ensino Médio observa trabalhadores e trabalhadoras da educação aumentarem as jornadas laborais, fator essencial para ampliar os riscos de adoecimento, o cenário vem se agravando.

Neste 28 de fevereiro, Dia Internacional de Combate às Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e por Distúrbios Osteomusculares (Dort), a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) alerta para a necessidade de implementação de condições dignas de trabalho como forma essencial de prevenção.

A reestruturação e reorganização das formas de trabalho, com redução de tempo de descanso, introdução de novas tecnologias, cobranças excessivas por resultados e queda nas remunerações promovem uma epidemia de doenças ligadas às atividades profissionais.

Dentre os sintomas mais comuns de LER/Dort estão as dores localizadas especialmente nos membros superiores e dedos, a dificuldade de movimentação, a redução na amplitude do movimento, as dificuldades para o uso dos membros, particularmente das mãos, e, mais raramente, áreas de hipotrofia ou atrofia. Além de fraqueza, cansaço, peso, dormência, formigamento, sensação de diminuição, perda ou aumento de temperatura e sensibilidade.

Ao defender revogação a reforma do ensino médio, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), aponta que a medida aprofunda a exposição de trabalhadores e trabalhadoras ao esforço repetitivo.

A secretária nacional da CNTE de saúde do trabalhador e da trabalhadora da educação, Francisca Seixas, destaca que a necessidade de assumir os chamados itinerários formativos faz com que o aumento do número de aulas associado a ações que acompanham essa atividade, como o preenchimento de mais diários digitais, expande o número de pessoas afetadas.

O cenário preocupante é comprovado por estudos como “Novas formas de trabalhar, novos modos de adoecer”, que a confederação produziu em 2021 a partir de uma pesquisa realizada com 714 profissionais da educação.

A pesquisa realizada no auge da pandemia apontou que a falta de profissionais, o contínuo processo de deslegitimação da autoridade apoiado em ataques da extrema-direita como o projeto Escola sem Partido e a perda da autonomia com a transformação dos educadores e educadoras em tarefeiros têm adoecido toda a categoria.

Para a dirigente, a saída para que as escolas sejam locais de saúde e não de sofrimento passa obrigatoriamente pela implementação da Lei do Piso, uma conquista ainda em disputa no país.

“Não há saúde sem a recomposição dos direitos da classe trabalhadora, sem emprego com jornada adequada e com salário digno. A aplicação da Lei do Piso, associada à revogação da reforma do ensino médio, que não cumpre nada do que propôs, nem foca na formação geral para o ensino superior, nem forma especialistas, porque é muito genérico, é essencial para uma educação qualificada e que ofereça dignidade às trabalhadoras e trabalhadores”, defende. 

Dia mundial de Combate a Ler

Fonte: CNTE

Voto Feminino no Brasil: a luta agora é por mais representatividade

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A Conquista do Voto Feminino no Brasil é comemorada nesta sexta (24). As mulheres brasileiras alcançaram o direito de votar há 91 anos, em 24 de fevereiro de 1932, por meio do Decreto 21.076, de Getúlio Vargas, que instituiu o Código Eleitoral.

Para a secretária de relações de gênero da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, Berenice D’Arc, é uma data a ser celebrada. “Para nós mulheres brasileiras o direito ao voto é fundamental, foi um marco na perspectiva do empoderamento”, avalia a dirigente. Para ela, o país ainda precisa alcançar a devida representatividade na participação política: “Nós somos a maioria do eleitorado, mas ainda somos poucas nas câmaras legislativas”.

Nas eleições de 2002, as eleitoras corresponderam a 52,65% das pessoas aptas a votar. A bancada feminina na Câmara dos Deputados em 2023 é composta por 91 mulheres – maior do que a eleita em 2018, de 77 mulheres. As mulheres vão representar apenas 17,7% das cadeiras da Câmara dos Deputados. No senado, apenas 4 senadoras foram eleitas em 2022 (na eleição anterior foram 5). 

“A nossa luta tem altos e baixos. Temos um novo governo, democrático e popular, temos 11 ministras, e isso pode fazer história nos quase 100 anos de votos das mulheres. Apesar de tudo ainda temos esperança de que nós possamos conquistar espaços maiores de representação, que a gente possa receber mais votos”, reflete Berenice D’arc.

História

O direito ao voto feminino é fruto das lutas do movimento feminista em defesa da equiparação de direitos entre homens e mulheres. Em nível nacional, o movimento feminista ganhou força em 1922, tendo à frente a professora Maria Lacerda de Moura e a bióloga Bertha Lutz, que fundaram a Liga para a Emancipação Internacional da Mulher – um grupo de estudos cuja finalidade era a luta pela igualdade política das mulheres.

O Rio Grande do Norte foi o primeiro estado a aprovar uma lei que garantia o direito de voto às mulheres (Lei Estadual 660, de 25 de outubro de 1927). Com a aprovação da lei neste estado, a primeira mulher a exigir seu alistamento foi a professora Celina Guimarães, de Mossoró. 

A internacionalização do movimento, conhecido como sufragista, favoreceu a conquista do voto feminino em diversos países. Na França, por exemplo, o voto feminino se tornou realidade em 1944 e, na Suíça, em 1971.

Em 1932, o Código Eleitoral brasileiro garantiu às mulheres acima de 21 anos os direitos de votar e serem votadas em todo o território nacional. Esse marco passou a ser comemorado a partir de 2015, com a promulgação da Lei nº 13.086.

>> Saiba mais – Acesse o livro da Edições Câmara sobre o voto feminino no Brasil 

Com informações da Agência Câmara

Fonte: CNTE

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