CNTE divulga calendário de lutas de março e abril de 2025

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A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) disponibilizou o calendário de lutas de suas entidades filiadas nos meses de março e abril.

Trabalhadores e trabalhadoras da educação de todo o país já estão se mobilizando em defesa de uma educação pública de qualidade. Com atividades que incluem assembleias regionais, greves e paralisações, a categoria busca pressionar governos e gestores por melhorias na rede pública de ensino, reajustes salariais, valorização da carreira do magistério e condições de trabalho decentes em todo o Brasil.

Algumas entidades da rede pública de ensino estão em greve, enquanto outras se mobilizam para pressionar governos e gestores a atenderem as reivindicações da categoria.

Confira aqui as atualizações e o status das mobilizações:

Greves em andamento: 

– SINTE-PI: em greve desde 24/02/2025 na rede estadual do Piauí.

– SINTE/RN: greve deflagrada em 25/02/2025 no Rio Grande do Norte

Mobilizações e assembleias: 

– SINTEP/PB: dias 7/03 e 14/03/2025

– SIMPERE/PE: ato público em 12/03/2025

– SINPEEM: paralisação e assembleia em 18/03/2025

– APEOESP: assembleia em 21/03/2025

– SINTE/SC: assembleia em 26/03/2025

– SINPRO/DF: assembleia em 27/03/2025

– SEPE/RJ: paralisação e ato público em 28/03/2025

– CPERS: assembleia em 11/04/2025

Paralisações: 

– SINDIUTE/Fortaleza: dia 27/03/2025

– APP/PR: dia 29/04/2025

Acompanhe o site e as redes sociais da CNTE e de suas entidades filiadas para outras  informações e atualizações.

 

Escrito por: Redação CNTE | Editado por: Redação/CNTE

8 de março: educadores repudiam ataque violento à ato pacífico das mulheres

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Tem repercutido em todo o Brasil cenas de um violento atentado ocorrido na cidade de Sinop, em Mato Grosso, no último dia 08 de março, quando organizações políticas, representações partidárias e dos movimentos sociais e sindicais da cidade organizaram, assim como aconteceu em todo o país, atos de comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Mas o que só aconteceu em Sinop foi um carro passar em frente ao ato e jogar um artefato que, por verdadeiro milagre, não atingiu e tampouco feriu de morte nenhuma das mulheres que participavam da manifestação.

O mais estarrecedor no caso foi a omissão das forças de segurança pública da cidade que, mesmo tendo sido acionadas para dar proteção ao ato antes mesmo do dia 08 de março – e terem negligenciado a resposta à coordenação da atividade – não apareceram sequer no dia, quando, depois do ocorrido, foram acionadas. A bomba lançada de forma criminosa contra as manifestantes que participavam do ato explodiu e, mesmo assim, a Polícia Militar, lotada no município, não apareceu no local.

O clima de violência política instalado ainda nos dias de hoje nas cabeças de quem age por ideologias da extrema direita e atuam de forma misógina na sociedade deve cessar imediatamente e é papel das forças de segurança pública garantir o direito constitucional à livre manifestação. Não é admissível mais conviver nos dias de hoje com tamanha intransigência política desses setores sociais.

Os/as educadores/as de todo o Brasil, solidários/as às mulheres de Sinop e às organizações políticas da cidade que organizaram o ato na cidade no último dia 08 de março, repudiam a violência perpetrada contra uma manifestação justa e legítima, bem como a omissão da segurança pública da cidade. Exigimos esclarecimentos e apuração desse crime e atentado político, além da justa punição aos seus autores.

Brasília, 10 de março de 2025

Direção Executiva da CNTE

Frequência escolar cresce, mas desafios continuam para assegurar educação universal

                                                                                                                                                                                                                Elza Fiúza/Agência Brasil
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Os dados do Censo Demográfico 2022, divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam avanços significativos na frequência escolar em todas as faixas etárias, com destaque para o crescimento na educação infantil. 

Para as crianças de 0 a 3 anos, a taxa de frequência escolar saltou de 9,4% (Censo 2000) para 33,9% (Censo 2022), enquanto na faixa de 4 a 5 anos, o índice subiu de 51,4% para 86,7%, respectivamente.

No grupo de 6 a 14 anos, a taxa foi dos 93,1% aos 98,3%. Na faixa de 15 a 17 anos, a frequência subiu de 77,4% para 85,3%.

Esses números – preliminares – refletem um caminho promissor, mas também evidenciam desafios que ainda precisam ser superados para garantir o acesso universal à educação de qualidade desde os primeiros anos de vida.

Segundo Guelda Andrade, secretária de Assuntos Educacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), os dados do Censo 2022 trazem uma avaliação positiva, especialmente considerando os cortes de gastos e a falta de investimentos adequados do governo anterior. 

Apesar das dificuldades, Guelda considera que estados e municípios conseguiram avançar  na implementação de políticas educacionais, “mesmo diante de corte de recursos gritante, abrupto e violento”.  No entanto, ressalta que o Plano Nacional de Educação (PNE) não foi executado em sua integralidade, o que poderia ter ampliado ainda mais esses resultados.

“A frequência escolar na primeira infância é fundamental para o desenvolvimento integral da criança. A educação infantil ajuda a estabelecer rotinas, desenvolver habilidades sociais e emocionais. É uma forma de assumir pequenas responsabilidades e isso tem reflexo no adulto mais tarde”, pontua.

Crescimento na frequência de crianças em creches

O aumento na frequência de crianças de até 3 anos em creches e escolas desde 2000 pode ser explicado por uma maior conscientização da população sobre a importância da educação infantil. Guelda aponta que as famílias estão mais cientes de que a educação é um direito da criança e que o ambiente escolar oferece proteção e desenvolvimento adequado. Além disso, a necessidade de muitas mães de conciliar trabalho e cuidados com os filhos também impulsionou a demanda por vagas em creches.

“Acho que tem um despertar de consciência por parte da população de entender que a criança no espaço da escola, estando assistida, está mais protegida. Não tem  um lugar melhor para deixar o filho do que no espaço da escola, sendo as crianças assistidas por pessoas que têm formação adequada para atuar com elas nesse período, nessa faixa etária, nessa idade”, ressalta.

Políticas para garantir a conclusão da educação básica

Para garantir que todos os adolescentes concluam a educação básica, Guelda sugere a implementação de políticas de conscientização sobre a importância da educação, além de programas de bolsas e incentivos financeiros.

“A principal política é o despertar de consciência, fazendo com que as pessoas entendam que a educação não é o único, mas o principal meio para sair da realidade em que vivem e construir uma vida melhor. Por meio da educação, você conhece seus direitos e consegue superar qualquer condição de exploração.”

O papel dos governos na educação infantil

Ao ser questionada sobre o papel dos governos federal, estadual e municipal no enfrentamento dos desafios da educação infantil, Guelda enfatiza que precisam atuar de forma integrada. Ela destaca a necessidade de mais investimentos, mas também de uma gestão mais eficiente dos recursos já disponíveis.  

“Colocar para assumir as secretarias de educação quem de fato entende de educação, quem é da área da educação. E ter uma certa autonomia para esses gestores educacionais, para que eles possam fazer o movimento necessário para valorizar a educação pública”, destaca. “Mas o papel fundamental dos gestores é o de fortalecer as políticas educacionais. Respeitar e fortalecer as políticas educacionais para que a gente, de fato, consiga garantir a educação de qualidade num país tão diverso como o nosso”, complementa.

Fonte: CNTE

NOTA PÚBLICA SOBRE O PL 3.035/2020 (Inclusão Escolar)

CNTE requer a retirada do projeto da pauta da Câmara dos Deputados para aperfeiçoamentos

Mesmo reconhecendo o esforço do relator para tentar adequar algumas questões importantes, a exemplo das competências laborais do “Profissional de Apoio Escolar”, em consonância com a Lei Brasileira de Inclusão, há neste e em outros conceitos e dispositivos do parecer legislativo (PRLP n. 9) incongruências e lacunas que precisam ser superadas antes de o projeto seguir para apreciação final em plenário.

Entre os pontos ainda obscuros e/ou imprecisos, destacamos a necessidade de prever a formação pedagógica para os Profissionais de Apoio Escolar, quiçá e minimamente vinculada à 21ª Área de Serviços de Apoio Escolar, que consta nos anexos da Resolução CNE/CEB nº 4, de 22 de dezembro de 1999, podendo também ser estendida à formação em nível superior.

Quanto ao Atendente Pessoal, faz-se necessário constar no projeto a impossibilidade de utilização de recursos públicos da educação para financiar essas pessoas que, eventualmente, poderão ser indicadas pelos próprios familiares. Outra preocupação reside no financiamento das equipes multiprofissionais das áreas de saúde e assistência social, sobre as quais há vários projetos de lei prevendo suas inclusões no orçamento da educação, sem quaisquer contrapartidas de recursos que assegurem as políticas de manutenção e desenvolvimento do ensino e de valorização dos profissionais da educação. Lembramos que o art. 212-A, inciso XII da Constituição Federal subvincula 70% das receitas do FUNDEB para a remuneração dos profissionais da educação – muitos com defasagens salariais em razão de arrochos nos planos de carreira da categoria – enquanto que outras categorias profissionais pleiteiam o ingresso na rubrica da educação. E essa conta, simplesmente, não fecha! Atualmente, psicólogos e assistentes sociais estão na rubrica dos 30% do FUNDEB, com muitos tensionamentos nas redes de ensino.

A CNTE reitera seu compromisso com a inclusão escolar, haja vista defender historicamente as convenções internacionais e as legislações pátrias que tratam do tema, inclusive o Plano Nacional de Educação (Lei nº 13.005/2014). Contudo é preciso assegurar que o PL 3.035/20 e outros correlatos sejam exequíveis e não criem mais disparidades e tensões nas redes escolares, tornando-se “letras mortas” em razão da incapacidade de atender os legítimos anseios e direitos dos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades, matriculados ou que venham a se matricular em classes comuns do ensino regular.

Diante do exposto, reforçamos o pedido para adiamento da votação do PL 3.035/2020 e a reabertura do diálogo social, ao qual a CNTE se propõe a integrá-lo desde já.

 

Brasília, 26 de fevereiro de 2025
Diretoria Executiva da CNTE

 

Fonte: CNTE https://cnte.org.br/noticias/nota-publica-sobre-o-pl-3-035-2020-inclusao-escolar-70f4

Coletivo organiza realização da Conferência Livre de Saúde dos Trabalhadores da CNTE

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O Coletivo de Saúde da CNTE reuniu-se na quarta-feira (19) para articular os preparativos para a Conferência Livre de Saúde do Trabalhador e das Trabalhadoras da Educação Pública. O encontro virtual reuniu dirigentes dos sindicatos filiados de todas as regiões do país e definiu a participação da classe educadora em discussões nacionais sobre a saúde dos/as trabalhadores/as.

A reunião foi convocada pela secretária de Saúde dos Trabalhadores em Educação da CNTE, Francisca Seixas, que explicou o funcionamento das Conferências Livres e a importância da classe educadora nesse espaço de debate. 

Antecedendo a Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador (CNSTT), promovida pelo Ministério da Saúde, as Conferências Livres são espaços de participação social onde diferentes setores organizados da sociedade podem contribuir para a construção de políticas públicas de saúde dos trabalhadores.

Marcada para agosto de 2025, a etapa nacional reunirá os delegados eleitos em cada Conferência Livre, que representarão as diferentes áreas laborais na formulação das políticas de saúde para os trabalhadores brasileiros. 

“Tanto a Central Única dos Trabalhadores (CUT), quanto a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) já possuem conferências livres marcadas, mas o nosso debate aqui é definir como realizaremos a conferência da CNTE”, explicou Francisca.

Coletivo de Saúde em Recife

Francisca também lembrou a importância da participação dos sindicatos na reunião presencial do Coletivo de Saúde, marcada para os dias 17 e 18 de julho de 2025, em Recife, Pernambuco. 

“Precisamos da confirmação dos dirigentes que irão participar da reunião em Recife. Serão dois dias de intensos debates e apresentações, bem como a análise da conjuntura de todas as entidades sindicais”, disse.

Fonte: CNTE

Plenária debate temas complexos que impactam servidores públicos

O cenário político e econômico, desafiador para toda a população brasileira, traz elementos adicionais que impõem aos servidores públicos federais, estaduais e municipais enormes desafios. Se na luta contra a PEC 32/20, da reforma Administrativa de Bolsonaro-Guedes, a unidade da categoria foi fundamental, o momento segue exigindo o reforço dessa unidade.

Para debater temas tão desafiadores quanto complexos, as entidades que compõem a Aliança das Três Esferas (Condsef/Fenadsef, Confetam, Fenasepe, CNTE, CNTSS, Sinagências e Proifes), filiadas à CUT, convocam uma plenária virtual ampla que acontece no próximo dia 13 de fevereiro, a partir das 9h, horário de Brasília. A atividade será realizada via Zoom e o link será encaminhado pelas entidades.

No debate estará a reforma do Estado, a luta pela regulamentação da Convenção 151, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que estabelece o direito à negociação coletiva no setor público, o fim do Regime Jurídico Único (RJU), decretado por maioria no Supremo Tribunal Federal (STF).

Além disso, a PEC 66/23, que ficou conhecida como a “PEC da morte” e propõe aplicar de forma automática as regras da reforma da Previdência de Bolsonaro-Guedes (EC 103/19) para estados e municípios que ainda não estão adequados a ela, e a luta para que ministros do STF votem pela inconstitucionalidade do confisco dos aposentados e pensionistas também vão estar em pauta.

Especialistas e calendário de luta
Para cada um dos temas haverá participação de convidados especializados nos assuntos que farão a exposição e o resumo dos principais pontos e como isso afeta a categoria. Um calendário de ações e luta envolvendo todos os pontos em debate também será discutido.

Participe. O fortalecimento da unidade e da mobilização dos servidores da Aliança das Três Esferas é ingrediente essencial na busca de encontrar soluções para os diversos desafios que estão sendo impostos à categoria.

Vamos lutar por valorização, reconhecimento e discutir saídas que possam garantir, de fato, serviços públicos de qualidade para o Brasil e os brasileiros.

 

Fonte: CNTE

Seleção beneficiará iniciativas que promovem educação étnico-racial

 
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Mais um incentivo à educação para as relações étnico-raciais foi concedido pelo Governo Federal, por meio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi). 

Até o dia 14 de março de 2025, secretarias de educação contempladas com o Selo Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva poderão inscrever até duas iniciativas nas áreas da Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER) ou Educação Escolar Quilombola (EEQ), para receber apoio financeiro de R$ 200 mil por cada projeto. 

Serão selecionadas 20 redes de ensino para receber o apoio financeiro. As inscrições devem ser feitas no formulário online, disponível na aba Selo Petronilha, no portal do Ministério da Educação (MEC).

Cada secretaria poderá inscrever até duas iniciativas trabalhadas nas escolas, desde que elas tenham a educação para as relações étnico-raciais (Erer) e/ou a educação escolar quilombola (EEQ) como tema principal. Caso a secretaria inscreva duas iniciativas de Erer, pelo menos uma delas deverá estar vinculada à EEQ. 

Outros critérios e informações sobre o processo, critérios e prazos para as secretarias que já têm o selo, estão disponíveis e podem ser consultados no portal do MEC. 

O investimento será concedido por meio do Plano de Ações Articuladas para a manutenção, o fortalecimento, a sistematização e a disseminação das ações. 

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Selo Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva de Educação para as Relações Étnico-Raciais é uma certificação que busca reconhecer, valorizar e disseminar as iniciativas das secretarias de ensino que têm se destacado na execução da Pneerq

 

Os projetos inscritos passarão por uma banca de avaliação composta por:

  • – Dois representantes do MEC;
  • – Um representante do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed);
  • – Um representante da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime);
  •  - Um representante da Comissão Técnica Nacional de Diversidade para Assuntos Relacionados à Educação dos Afro-Brasileiros (Cadara);
  • – Um representante da Comissão Nacional de Educação Escolar Quilombola (Coneeq); e
  • – Um representante do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial(Sinapir), do Ministério da Igualdade Racial. 

 

Os resultados com as secretarias contempladas serão divulgados no dia 14 de maio de 2025, na página da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq), no site do MEC.

A interposição de recurso poderá ser feita até o dia 24 de maio de 2025. O resultado desse pedido será divulgado no dia 6 de junho de 2025, assim como as secretarias de educação contempladas com o apoio financeiro. 

Segundo explica o secretário de Combate ao Racismo da CNTE, Carlos Furtado, a Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola é uma forte ferramenta no combate ao racismo estrutural ainda enraizado na sociedade.

Além disso, destacou o potencial da política para a valorização da Educação Escolar Quilombola e as especificidades das comunidades; o fortalecimento da identidade cultural, empoderamento e senso de pertencimento entre crianças e jovens; e para o cumprimento de legislações que asseguram o ensino da história e cultura afro-brasileira, africana e indígena nas escolas (Leis 10.639/03 e 11.645/08).

“Isso é muito importante na nossa luta por uma escola sem racismo. Uma política necessária, pois ataca de frente as dificuldades e a desigualdade desde a creche até o Ensino Médio”, salienta.

 

Selo Petronilha

O Selo Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva de Educação para as Relações Étnico-Raciais é uma certificação que busca reconhecer, valorizar e disseminar as iniciativas das secretarias de ensino que têm se destacado na execução da Pneerq. 

 

Com informações da assessoria de Comunicação Social do MEC e da Secadi 

PNE será prioridade na Comissão de Educação do Senado em 2025, sinaliza senadora

CNTE reforça a importância de mobilização em estados e municípios para pressionar o andamento do Projeto de Lei do PNE no Congresso Nacional

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Passada a eleição para a presidência do Senado Federal, ocorrida no dia 1º/02, o foco agora se volta para a nova formação das 16 comissões permanentes da casa. Sete delas já possuem parlamentares indicados. Na Comissão de Educação (CE), a senadora Teresa Leitão (PT-PE) é cotada para presidir os trabalhos.

Em entrevista para a TV Senado, a parlamentar sinalizou a prioridade em atualizar o Plano Nacional de Educação (PNE), com metas para o ensino básico dos próximos dez anos, até o final de 2025.

A atualização do PNE também é um dos principais pontos de defesa e debate da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) neste ano. Segundo explicou o presidente da CNTE, Heleno Araújo, em reunião virtual com prefeitos, vereadores e líderes sindicais, na sexta-feira (31), a tramitação e aprovação do Projeto de Lei irão demandar esforços conjuntos nos estados e municípios em pressão para o andamento no Congresso Nacional.

Waldemir Barreto/Agência Senado
Waldemir Barreto/Agência Senado

 

“Este tema será abordado de forma intensa no primeiro semestre de 2025, com o objetivo de agregar nossas propostas no Projeto de Lei e que ele seja aprovado e a Lei sancionada no segundo semestre de 2025”, disse Heleno.

“Precisamos do engajamento nos estados e municípios, com a realização de seminários nas casas legislativas sobre os temas ligados aos objetivos descritos no Plano Nacional de Educação. A ideia é discutir o conteúdo e fazer um processo de pressão e mobilização para que esse projeto de lei tenha andamento no Congresso Nacional e a gente consiga aprová-lo ainda neste ano”, explicou o dirigente.

De acordo com a senadora Teresa Leitão, o processo será desafiador, uma vez que o PNE 2014-2024, prorrogado até o fim de 2025, têm lacunas que ainda não foram atingidas.

Andressa Anholete/Agência Senado
Andressa Anholete/Agência Senado

“Precisamos pontuar o novo PNE conforme a atual conjuntura, trazendo elementos que não existiam na década passada”, disse à TV Senado.

Ampla divulgação

Heleno explicou que o papel das mobilizações pró-aprovação do novo PNE é fazer pressão a partir das câmaras municipais. “Tentar organizar uma ou duas vezes ao mês um seminário, baseado nas metas descritas no Plano, sobre as principais demandas de municípios, dialogando com a representação de todo o segmento da comunidade escolar, transformando esses espaços em um lugar de mobilização e ampla divulgação para a população”, disse.

Regras para presidir as comissões

O Regimento Interno do Senado estabelece que é dos líderes partidários a responsabilidade de encaminhar à Mesa a lista de parlamentares titulares e suplentes de cada comissão.

Após a designação dos membros, cada colegiado deve se reunir em até cinco dias úteis para a instalação dos trabalhos e a eleição do presidente e do vice-presidente.

A votação é secreta e, em caso de empate, deverá ser repetida no dia seguinte. Se houver novo empate, será considerado eleito o parlamentar com mais idade.

É dever do presidente de cada colegiado:

  • Dirigir os trabalhos da comissão;
  • Designar relatores para as matérias;
  • Resolver questões de ordem;
  • Convocar reuniões; e
  • Desempatar votações abertas.

Publicado: 05 Fevereiro, 2025 – 14h07 | Última modificação: 05 Fevereiro, 2025 – 17h15

Escrito por: Redação CNTE

 TV Brasil/ Divulgação

Fonte: CNTE
Com informação da Agência Senado

A importância da formação permanente e continuada para a inovação do ensinar

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Na coluna de hoje trataremos de um eixo importante do Documento de 59 Recomendações produzido pelo Grupo de Alto Nível da ONU para dar conta do fenômeno que os especialistas em todo o mundo estão chamando de “apagão docente”. E como estamos aqui nos propondo a fazer uma leitura minuciosa desse documento, passando por todos os seus eixos e Recomendações de forma linear, do primeiro ao último, chegou a vez de falarmos da proposição da ONU que trata, naquele Documento, da formação permanente como prática indutora de inovação no ensino.

E muito pertinente esse tema ter caído justamente nessa semana, poucos dias depois de o Presidente Lula ter lançado o programa Mais Professores, que tem como objetivo induzir o ingresso na carreira docente, superando a falta de profissionais do magistério nas áreas de conhecimento com carência docente. O governo federal estima que esse programa deve beneficiar 2,3 milhões de professores e professoras em todo o Brasil, estimulando por meio de bolsas a matrícula em cursos presenciais de licenciatura.

Já nos posicionamos publicamente, quando do lançamento do programa, que o diagnóstico feito pelo Presidente Lula é absolutamente correto, quando indica todas as dificuldades de se ser e exercer a profissão de docente no Brasil, desde a violência no espaço escolar, passando pelas dificuldades de acesso às escolas, até no processo de formação. Mas o programa em si é insuficiente para dar conta de todas essas mesmas dificuldades elencadas pelo nosso maestro maior do Brasil. Mudanças estruturais que seriam necessárias para superar esse conjunto de problemas levantados não são priorizadas no programa Mais Professores.

E o que o Documento da ONU fala a esse respeito, nessa parte que aqui vamos abordar sobre a formação permanente e continuada de nossa profissão? O Eixo 5 traz 8 Recomendações que, indicadas aos países-membros das Nações Unidas, trata da dimensão da formação profissional como estratégia de inovação nas nossas práticas de ensino. A primeira delas se refere à formação inicial e de qualidade a todos e todas as docentes. Reparem que o texto fala explicitamente em formação de qualidade, algo fundamental e, especialmente no Brasil, prioritário de os governos assumirem como agenda central. O cenário atual brasileiro de termos muitas licenciaturas estruturadas em módulos de Educação à Distância (EaD) vai na contramão do indicado pelo Documento da ONU.

A segunda Recomendação se refere à necessidade de os/as professores/as de todos os níveis terem pelo menos um diploma de bacharel e/ou licenciatura e, idealmente, um curso de mestrado ou diploma equivalente. As instituições de ensino superior devem ser coordenadas, regulamentadas e monitoradas para garantir a coerência, a comparabilidade e a qualidade da educação destinada a para a formação de professores e professoras no Brasil. Ainda indica que as instituições privadas de educação que atuam na formação de professores/as devem ser devidamente regulamentadas para garantir um padrão mínimo de qualidade.

A terceira faz menção à formação inicial do corpo docente, que deve integrar teoria e prática para promover e fomentar habilidades de ensino positivas para a sala de aula, a fim de permitir que os/as professores/as desempenhem bem as suas funções. A formação inicial e desenvolvimento profissional contínuo dos/as professores/as, e aqui aparece a quarta Recomendação desse Eixo do Documento da ONU, deve ser transformada para preparar líderes em um novo ambiente de aprendizagem, com novos recursos tecnológicos e pedagógicos. Os profissionais do magistério devem ser não apenas provedores de informação, mas também guias e líderes ativos e inovadores no processo de aprendizagem e desenvolvimento social dos seus estudantes, a fim de “apoiar o desenvolvimento das suas capacidades de pensamento, da sua capacidade para resolução de problemas e suas habilidades de aprender de uma forma independentes e cooperando entre si”.

Outra Recomendação diz respeito à formação docente estar apta para prestar uma educação de qualidade centrada no estudante, que seja abrangente, transformadora, inclusiva, eficaz e relevante, também através da educação baseada na língua materna, quando aplicável, como no Brasil, onde temos muitas comunidades indígenas. Os/as docentes devem guardar um alinhamento mínimo na promoção do desenvolvimento sustentável. Isso, certamente, ajudará a professores e professoras a exercerem liderança e a também serem aprendizes ao longo da vida, como nos ensinou Paulo Freire. A capacidade de liderança educacional deve ser reforçada através do desenvolvimento da qualidade profissional contínua, e aqui aparece outra importante Recomendação, muito rara de se ver nas redes de educação básica brasileira: incluir programas de intercâmbio e iniciativas de pesquisa, que devem ser parte integrante da trajetória profissional de ensino de todo educador e educadora.

Por fim, mas não menos importante, e sintomático de como em nosso país ainda estamos longe de promovermos mudanças estruturantes nos nossos sistemas de ensino, a ONU recomenda também que os/as novos/as professores/as devem receber orientação próxima logo em seu começo de carreira, um acompanhamento que seja apropriado sob a supervisão de professores/as experientes e devidamente qualificados/as, bem como uma carga horária reduzida e recursos adequados durante seus primeiros anos na carreira. E no chão da escola, e aqui aparece a última Recomendação desse Eixo, as redes de ensino devem oferecer aos/às professores/as equipes interdisciplinares para que o conteúdo principal das disciplinas tenha conexões mais amplas. E isso só é possível com o exercício do pensamento crítico, como sempre nos inspirou o pensamento de Freire.

(*) Por Heleno Araújo, professor, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e atual coordenador do Fórum Nacional da Educação (FNE).

Acesse o site do Brasil Popular: https://brasilpopular.com/a-importancia-da-formacao-permanente-e-continuada-para-a-inovacao-nas-praticas-do-ensinar/

 

Escrito por: Heleno Araújo (*) – Jornal Brasil Popular/PE – Imagem: Reprodução

Valorização: especialistas debatem os desafios com o programa Mais Professores

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Em Pernambuco, mais de 17 mil participantes da edição de 2024 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) têm nota para o “Pé-de-Meia Licenciaturas”, segundo dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC).

Para concorrer à bolsa, é preciso ter alcançado nota igual ou superior a 650 pontos no Enem e se matricular em um curso presencial de licenciatura. A iniciativa faz parte do programa Mais Professores para o Brasil, lançado pelo governo federal na semana passada, com o objetivo de valorizar a carreira docente.

“Para se ter uma ideia, em uma consulta realizada com alunos de 15 anos, apenas 3% dos entrevistados manifestaram interesse em ser professores. Esse é um problema não só no Brasil, mas em todo o mundo. Aliás, o tema do G20 que trouxemos para o Brasil no ano passado foi a valorização dos professores. A ideia do programa é atrair, estimular e incentivar que mais pessoas queiram seguir a carreira docente”, explicou o ministro Camilo Santana, em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Além do incentivo financeiro no valor de R$ 1.050, sendo R$ 700 com saque imediato e R$ 350 destinados à poupança, o governo federal também visa incentivar o ingresso de docentes nas redes públicas de ensino da educação básica e ampliar a atuação em regiões com carência de professores — modelo semelhante ao programa “Mais Médicos”.

Neste caso, o participante receberá uma bolsa mensal no valor de R$ 2.100, além do salário do magistério, pago pela rede de ensino à qual está vinculado. No entanto, o que especialistas na área de educação têm discutido é que, embora essas ações sejam vistas como positivas, é necessário realizar outros investimentos na carreira docente, e isso passa por melhorias reais nas condições de trabalho.

Outras medidas precisam ser adotadas

O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Araújo, afirma que há uma expectativa de que outras medidas dentro do escopo do programa Mais Professores para o Brasil sejam adotadas.

“O que foi anunciado é pouco para uma mudança estrutural na valorização da nossa categoria. A fala do presidente Lula fez um diagnóstico preciso da nossa situação, quando ele relatou a dificuldade da nossa ida e volta à escola, o transporte, a violência no espaço escolar e a dificuldade do processo de formação”, destacou Heleno Araújo, em entrevista à coluna Enem e Educação.

Entre os pontos que precisam ser priorizados, o presidente da CNTE falou sobre a lei do piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério da educação básica, que enfrenta diversas dificuldades para ser aplicada, principalmente no âmbito municipal. Muitos prefeitos não aplicam os percentuais e a atualização do valor do piso, argumentando que a lei não existe mais devido à mudança do Fundeb em 2020.

“O governo também precisa dar atenção ao projeto de lei que está tramitando no Congresso Nacional, que trata do piso para os funcionários da educação, não apenas para os profissionais do magistério. Esse tema não foi tratado no programa, e isso se faz necessário”, afirmou Araújo.

Portanto, não basta apenas oferecer incentivos para a manutenção e formação dos estudantes de licenciatura, sem considerar melhorias efetivas ao longo da carreira desses profissionais. A pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Darcilene Gomes, reforça que, ao falar sobre a valorização da docência, isso significa falar da carreira, do salário, das condições de trabalho e da formação desses profissionais.

“As condições de trabalho ainda são precárias em boa parte do país: elevado número de turmas por professor; atuação em mais de uma escola; infraestrutura precária das escolas (ventilação inadequada, espaço inadequado etc.). Tudo isso faz parte da rotina dos professores. Com a formação, também temos problemas. O reconhecimento da carreira passa por muitas questões, inclusive tem um caráter político, da própria organização da profissão. Ter boa formação é igualmente importante”, afirmou.

Ainda segundo a pesquisadora da Fundaj, iniciativas como o Pé-de-Meia Licenciaturas são importantes, principalmente porque há critérios para a manutenção e o acesso à bolsa, como cursar a quantidade obrigatória de créditos de cada período; a cada semestre, obter resultados acadêmicos satisfatórios nos créditos matriculados, conforme o regulamento; e, após a conclusão da licenciatura, ingressar em uma rede pública de ensino em até cinco anos.

 

Escrito por: JCPE- Mirella Araújo – Fotografia: JOSIMAR OLIVEIRA

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