Bolsonaro monitora greves e corta salários em mais um ataque aos servidores

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O presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL) ataca mais uma vez os direitos dos servidores públicos federais. Desta vez, ele quer impedir os servidores de lutar por melhores salários e condições de trabalho. Uma instrução normativa do governo federal, de maio deste ano, colocada em prática agora, prevê o monitoramento de movimentos grevistas dos servidores e desconto dos dias parados.

É evidente que tanto Bolsonaro quanto seu ministro da Economia, Paulo Guedes, transformam os servidores públicos em seus alvos principais, afirma Sérgio Ronaldo da Silva, Secretário-Geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef).

“Cada dia fica mais aproveitado o que Guedes falou sobre os servidores, que ia colocar uma granada no bolso do inimigo”, afirmou o dirigente em referência à declaração do ministro, dada em uma reunião ministerial no dia 22 de abril de 2020, quando anunciou a proposta de suspender por dois anos os reajustes salariais de servidores públicos.

“O funcionalismo, no entanto, não vai se intimidar, continuar fazendo greve sempre que for necessário”, avisa o dirigente que está estudando providências no âmbito jurídico junto como associações que defendem o setor e com partidos políticos como o PT.

Monitoramento de greve

Pelo sistema de controle implantado pelo governo Bolsonaro, que está on-line, os órgãos públicos devem informar ao governo sobre como greve e trabalhadores que aderirem aos dias parados descontados de seus salários. A medida afeta todos os órgãos da administração pública direta, como ministérios, agências reguladoras e até mesmo universidades, que possuem autonomia.

O texto da instrução normativa diz: “Constatada a ausência do servidor ao trabalho por motivo de paralisação decorrente do exercício direito de greve, os órgãos e entidades integrantes do Sipec – Sistema de Pessoal Civil de Administração Federal – deve processar o desconto da remuneração correspondente ”

Para o secretário geral da Condsef, a medida não é necessariamente uma novidade. Ele explica que as opções como este são característicos do governo Bolsonaro, que flerta com o autoritarismo e atua para que suas decisões sejam impostas à sociedade brasileira.

“Desde 2019, quando assumiu a presidência, ele vem atacando direitos com medidas provisórias, decretos, instruções normativas, atropelando todo e qualquer processo democrático. Isso é autoritarismo e Bolsonaro é assim porque não tem capacidade de lidar com o contraditório ”, crítica o dirigente.

É perseguição, diz Dieese

Em entrevista ao Jornal Brasil Atual, Fausto Augusto Junior, diretor técnico do Dieese reforçou que a instrução normativa “é mais uma das ações de perseguição ao movimento sindical, que ser coibidas e enfrentadas”.

Ele lembra também os sindicatos são “bases da democracia e precisam ser protegidos, com direitos garantidos. E um deles, certamente, é o direito de greve ”.

Fausto Augusto Junior lembra que costumeiramente as paralisações no setor público são sucedidas por conformar sobre o desconto ou adequação dos dias parados.

“Quando tem um mecanismo automático, o que a gente vê é muito mais do que uma questão meramente administrativa. Trata-se de uma questão política ”, ele disse.

Sérgio Ronaldo, da Condsef, lembra ainda que o direito de greve dos servidores públicos foi garantido na Constituição de 1988, mas desde então não foi regulamentado. O Supremo Tribunal Federal (STF), já teve o entendimento de que se aplica ao setor público, as mesmas regras da iniciativa privada.

O que fazer?

Assim como cita Fausto Augusto Jr, do Dieese à Rede Brasil Atual, Sérgio Ronaldo também afirma que o momento é de não deixar de enfraquecer a mobilização dos trabalhadores. Em especial em ano pré-eleitoral. “Não tem outra saída. O ideal seria que o presidente da Câmara [Arthur Lira, PP-AL] terá a decência de pautar o impeachment de Bolsonaro, mas se depender da vontade do parlamento, ficamos em desvantagem. Por isso a mobilização é fundamental para virar o jogo em 2022. ”

Momento grave

Não é novidade que uma conduta de Bolsonaro tem desestabilizado o sistema político do Brasil e isso resulta em desequilíbrio social ainda maior do que o país já vinha enfrentando desde o governo do golpista Michel Temer, responsável por implementar a política de destruição que se exacerba com Bolsonaro .

Seu governo a cada dia se deteriora mais, por conta dos mais diversos fatores como o fracasso no enfrentamento à pandemia, uma condução caótica da economia que tem resultado em aumento do desemprego, empobrecimento da população e não descontrole dos preços de alimentos e preços.

Esse enfraquecimento, refletido nas pesquisas de opinião que mostra o aumento na taxa de rejeição do presidente. Segundo Sérgio Ronaldo, este quadro é que faz com que Bolsonaro flerte cada vez mais com o autoritarismo característico dos anos de chumbo no Brasil, – a ditadura militar (1964/1985).

“O momento é realmente grave. O DNA de Bolsonaro é esse. Ele não tem nenhum pudor em fazer tudo que faz. O governo está atolado de militares. Bolsonaro já colocou mais de 11 mil no governo. Pelo menos seis mil destes cargos devem estar ocupados por civis e não por militares ”

Por outro lado, diz o dirigente, Bolsonaro, enquanto ataca a democracia, usa dinheiro público para promover manifestações em seu favor. Em reportagem da Folha de SP, a Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP / SP), afirma que os custos das manifestações feitas pelo presidente em cidades paulistas já superam R $ 1,2 milhão.

“Ao inverter de visitantes e se solidarizar com famílias de matadas, Bolsonaro faz aglomerações, não usa máscara, gasta dinheiro público e assim prova que não está ‘nem aí’ para os brasileiros”, diz o dirigente que completa: “ele não entende de economia, de país, de nada. O motoqueiro só entende de fazer estripulias como faz. E é preciso reagir a isso, senão não sobrará pedra sobre pedra’.

(CUT, André Accarini, 24/08/2021)

Fonte: CNTE

Participe da live de apoio ao portal do Bicentenário da Independência

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Na sexta-feira, 27 de agosto , as 20 horas, será realizada a live “Prosa e Cantoria Celebrando Independências”. O encontro reúne o Presidente Emérito da Academia Mineira de Letras, professor, músico e compositor Olavo Romano, a dupla de músicos e professores Carlos Fernando Cunha e Cacáudio, da UFJF, com mediação da radialista Luiza Glória, da Rádio UFMG Educativa e do professor da UFMG, Tarcísio Mauro. A Live será exibida pelo Youtube, no canal do Portal do Bicentenário: https://youtu.be/LYp897YGNTk .

Sobre o Portal do Bicentenário 
O Portal do Bicentenário é uma iniciativa constituída em REDE por universidades, faculdades e estruturas similares, programas de pós-graduação, centros, núcleos e grupos de pesquisa, instituições de representação de pesquisadores(as) e de programas de pós-graduação, sindicatos docentes, instituições de representação de estudantes, movimentos sociais, cidadãs e cidadãos brasileiros(as) que visa produzir, editar, fazer curadoria, organizar e disponibilizar conteúdos sobre os 200 anos da Independência do Brasil e seus desdobramentos, analisados por todos os campos do conhecimento (científicos e escolares), na arte, na cultura e nos mundos do trabalho.

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(Portal do Bicentenário, 23/08/2021)

Fonte: CNTE

PEC dos Precatórios atenta contra a separação dos poderes, o pacto federativo e a educação pública

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A PEC 23/2021, de autoria do Presidente da República, é mais um expediente catastrófico de um governo enterrado no caos social, econômico e político-institucional. O país amarga a retomada galopante da miséria, da inflação, da desassistência às políticas públicas, enquanto segue naufragado na crise sanitária, no desemprego, na retirada de direitos sociais e trabalhistas. A ingerência e os abusos governamentais, juntamente com erros crassos na economia, na saúde, na educação e em outras áreas sociais têm custado milhares de vidas e roubado a esperança do povo em restabelecer sonhos e condições de vida mais digna. Mas com fé e força redobradas na luta coletiva, iremos vencer mais essa batalha!

Neste sentido, a PEC dos Precatórios precisa ser derrotada, desde já, no debate público e, posteriormente, no Congresso Nacional. É inadmissível mais um golpe desse desgoverno contra a Democracia e o Estado de Direito. Ao propor CALOTE aos precatórios federais de grande monta, numa só tacada, o governo desrespeita as decisões do Poder Judiciário, afronta os detentores dos precatórios (na maioria estados e municípios) e ataca, mais uma vez, a educação pública. Entre 2022 e 2023, a educação possui, através de diferentes entes federativos, mais de R$ 30 bilhões de precatórios do antigo Fundo do Ensino Fundamental. Só para as redes estaduais estão empenhados mais de R$ 26 bilhões nesses dois anos, com destaque para a Bahia (R$ 8,8 bi), Pernambuco (R$ 4 bilhões) e Ceará (R$ 2,6 bilhões).

O calote do governo tem ao menos um motivo e uma consequência extremamente graves. A razão consiste em furar o teto de gastos imposto pela Emenda Constitucional 95, coisa que não se permitiu, por exemplo, para financiar a pandemia, especialmente o auxílio emergencial de R$ 600,00 para a população desempregada e desamparada. Com esses recursos extras, o governo prevê editar um novo programa social em substituição ao Bolsa Família, promovendo, assim, a campanha de reeleição de Jair Bolsonaro. Já a consequência desastrosa dessa medida irresponsável, imoral e inconstitucional recairia para os futuros presidentes eleitos, que teriam de arcar com os parcelamentos dos precatórios atuais, além daqueles a serem empenhados ano a ano.

Para combater essas aberrações do governo Bolsonaro, convidamos a todos/as para a live que a Frente Social Nacional pela Subvinculação dos Precatórios do Fundef para a Educação e seus Profissionais realizará no próximo dia 25 (quarta-feira), às 19h, nos canais do facebook.com/cntebrasil e youtube.com/cntebrasil.

A presença dos/as trabalhadores/as em educação e demais segmentos da sociedade na referida live é de extrema importância para aprofundarmos o debate sobre o CALOTE nos precatórios da União e suas consequências para a sociedade, assim como para promovermos um intenso calendário de mobilização e incidência política, jurídica e social capaz de derrotar esse absurdo proposto por um governo desacreditado pela ampla maioria da população.

Contamos com a presença de todos/as!
Brasília, 23 de agosto de 2021
Diretoria da CNTE

Fonte: CNTE

Declaração do Ministro da Educação de que crianças com deficiência atrapalham o aprendizado das outras é repugnante

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O Ministro da Educação Milton Ribeiro, em entrevista concedida à TV Brasil, teve a pachorra de dizer, em alto e bom som, no último dia 09 de agosto, que a presença de crianças com deficiência nas salas de aula atrapalha o aprendizado das outras crianças. Se essa inescrupulosa fala não constrange o ministro como gestor federal da educação brasileira, deveria, ao menos, constrangê-lo como cristão que diz ser. Mas sabemos bem que, desde os tempos de Jesus Cristo, a hipocrisia dos fariseus é marca indelével ainda das sociedades humanas.

O Brasil é signatário da Convenção Internacional das Pessoas com Deficiência, aprovada pelo Decreto Legislativo nº 186, de 2008. Nesse tratado internacional, internalizado por nosso ordenamento jurídico pátrio, a inclusão da pessoa com deficiência deve ser plena e absoluta em todos os espaços e aspectos da vida social, inclusive e principalmente na educação.

O próprio Supremo Tribunal Federal, em dezembro de 2020, já havia suspendido a eficácia de um Decreto do Governo Bolsonaro que se arvorava em falar de uma Política Nacional de Educação Especial que pretendia pôr fim, pasmem todos nós, aos esforços de inclusão desse segmento da população. Segundo o entendimento do STF, o decreto contrariava o modelo de educação inclusiva, ao deixar de dar absoluta prioridade à matrícula desses educandos na rede regular de ensino.

Mas tudo isso parece passar despercebido do atual Ministro da Educação. Ou trata-se mesmo de uma ação deliberada de, mesmo derrotado em seus arroubos de intolerância e preconceito, insistir em sua pauta maléfica a toda sociedade brasileira. Trata-se mesmo de um recurso comum e usual dos membros desse governo que se instalou no Brasil.

Os/as educadores/as brasileiros/as repudiam, mais uma vez, o posicionamento desse ministro da educação de Bolsonaro, que envergonha o Brasil e o mundo! Na contramão de todos os avanços civilizatórios, o ministro que já foi condenado por falas homofóbicas, comete mais uma atrocidade contra o país e seu povo. O mínimo que devemos esperar agora é que, junto do todo esse governo incompetente e corrupto, esse ministro caia e saia de imediato das funções institucionais que usurpa. A educação brasileira merece mais!

Brasília, 17 de agosto de 2021

Direção Executiva da CNTE

Fonte: CNTE

Piso dos professores: Câmara aprova recurso para votar reajuste em Plenário

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A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (17), por 225 votos, o recurso contra a apreciação conclusiva do Projeto de Lei 3776/08, do Poder Executivo, que reajusta o piso salarial nacional dos professores pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado nos 12 meses anteriores.

Dessa forma, o projeto deve ser analisado pelo plenário da Casa e não será submetido à sanção presidencial. A diferença de votos foi de apenas três a favor do recurso: foram 225 votos a favor e 222 contra.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação veio a público nas redes sociais pressionar deputados/as para que suspendessem a votação do recurso 108. “O piso do Magistério é a principal política de valorização dos professores e professores do ensino básico público. O recurso 108, colocado em votação nesta terça, sem nenhum debate, acaba com a perspectiva de valorização do Magistério “, assegurou a CNTE.

>> SAIBA QUEM VOTOU A FAVOR E CONTRA A REDUÇÃO DO PISO DO MAGISTÉRIO (Quem votou “NÃO” tentou acabar com o Piso do Magistério nesta terça. Quem votou “SIM” votou pela educação).

Entenda

O recurso foi liderado pela governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), que à época era deputada federal, e mais 57 deputados contra o parecer do relator da CFT na época, deputado José Guimarães (PT-CE).

O parecer conclusivo da Comissão de Finanças e Tributação (CFT) é contra substitutivo do Senado, mantendo o parecer da Câmara aprovado em 2009 a favor do texto original.

 

Fonte: CNTE

Greve dos servidores: veja no mapa as mobilizações e atos em todo país

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Esta quarta-feira, 18 de agosto, é dia de greve dos servidores públicos municipais, estaduais e federais e de mobilizações e atos de toda a classe trabalhadora do Brasil em apoio à paralisação nacional, que é contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 32, da reforma Administrativa, e em defesa dos empregos, contra a privatizações e demais pautas dos trabalhadores de todas as categorias.

Se aprovada, a reforma Administrativa destruirá os serviços públicos, afetando todos os brasileiros, que já lutam pela sobrevivência e sofrem todos os tipos de ataques do governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL). A mobilização faz parte da onda crescente de protestos populares que vem tomando as ruas desde o mês de maio deste ano.

A PEC 32 ataca ainda os servidores públicos, considerados ‘marajás’, pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que ignora que metade desses trabalhadores ganha menos de R$ 3 mil. A reforma Administrativa não atinge os verdadeiros altos salários, como de juízes, militares, entre outros.

A luta contra a PEC 32 é pauta principal deste dia, mas a mobilização é também contra o desemprego, pelo auxílio emergencial de R$ 600, por vacinação já para todos e todas, contra as privatizações e o empobrecimento da população. São motivos mais que suficientes para que a classe trabalhadora manifeste seu basta, diz Sérgio Nobre, presidente nacional da CUT.

>> Veja no mapa a seguir os locais das mobilizações (clique no mapa para navegar nas informações)

(CUT Brasil, 18/08/2021)

Fonte: CNTE

CUT e centrais sindicais repudiam jabutis da MP 1045

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As Centrais Sindicais repudiam as mudanças aprovadas na Câmara dos Deputados no texto da MP 1045/2021 por se configurarem em matérias estranhas ao conteúdo original, constituindo-se em verdadeiros “jabutis”. Propomos que os conteúdos das políticas de proteção de empregos e de geração de ocupações devem ser objeto de projeto de lei específico, devidamente analisado e debatido nas instâncias do Congresso Nacional, com ampla participação das representações dos trabalhadores, dos empregadores e do governo. As novas medidas de flexibilização laboral e afastamento dos sindicatos das negociações mais uma vez seguem a linha da precarização e aumentarão a vulnerabilidade dos trabalhadores e das trabalhadoras. O enfrentamento do gravíssimo problema do desemprego depende, diretamente, da estratégia econômica orientada pelo investimento público e privado, pela sustentação da renda do trabalho e pelos mecanismos de proteção social.

Dentre os principais pontos prejudiciais aos trabalhadores e às trabalhadoras, as Centrais Sindicais destacam:

1. Possibilidade de o trabalhador com contrato de trabalho suspenso contribuir como segurado facultativo, conforme as alíquotas estabelecidas para o segurado obrigatório (art. 18 do PLV). É o empregador que deve pagar a contribuição previdenciária, e não o trabalhador, em momento de pandemia e dificuldades financeiras, com redução salarial.

2. Instituição do Programa Primeira Oportunidade e Reinserção no Emprego – Priore (arts. 24 e seguintes do PLV). O Programa traz à tona dispositivos da MP nº 905, MP da Carteira Verde-Amarela. A alteração configura matéria totalmente estranha ao texto original da MP nº 1.045 e não guarda relação alguma com as medidas excepcionais e transitórias contidas na MP.

3. Criação do Regime Especial de Trabalho Incentivado, Qualificação e Inclusão Produtiva – Requip (arts. 43 e seguintes do PLV) e a inclusão do Programa Nacional de Prestação de Serviço Social Voluntário. Também matéria estranha ao texto original da MP. “Embora o objetivo ‘social’ do programa seja relevante, trata-se de um programa que promove a exploração da mão de obra, subvertendo o direito ao trabalho assegurado como direito social pela Constituição.” [1]

4. Alteração de vários artigos da legislação trabalhista atual, recuperando dispositivos da MP nº 905 e da MP nº 927, também matérias estranhas ao texto original da MP nº 1.045. Há graves modificações nas normas que definem gratuidade da justiça, afetando, consequentemente, o direito de acesso à Justiça, fundamental em momento de pandemia e crise econômica, com a ocorrência de muitas demissões. Além delas, alterações substanciais no tocante à fiscalização do trabalho e extensão de jornada.

As Centrais Sindicais reiteram que o objetivo da MP nº 1.045 é reeditar as regras da MP nº 936, de 2020, com fins de garantir a redução de jornada e salários e a suspensão de contratos, para assegurar a manutenção de postos de trabalho durante a crise sanitária causada pela pandemia, e não instituir programas que criam vagas de trabalho precárias, com menos direitos, além de alterar a legislação trabalhista existente e que assegura os direitos da classe trabalhadora.

Por fim, há de se destacar, em relação à inserção de matérias estranhas ao texto original de Medida Provisória, o posicionamento do Supremo Tribunal Federal. Por meio de sua jurisprudência, o Tribunal afirma que “Viola a Constituição da República, notadamente o princípio democrático e o devido processo legislativo (arts. 1º, caput, parágrafo único, 2º, caput, 5º, caput, e LIV, CRFB), a prática da inserção, mediante emenda parlamentar no processo legislativo de conversão de medida provisória em lei, de matérias de conteúdo temático estranho ao objeto originário da medida provisória”.[2]

Por todo o exposto, as Centrais Sindicais manifestam seu repúdio às mudanças aprovadas e continuarão atuando junto ao Senado Federal para que a MP nº 1.045 restrinja-se ao seu objeto inicial.

São Paulo, 11 de agosto de 2021.

Sérgio Nobre, presidente da Central Única dos Trabalhadores – CUT
Miguel Eduardo Torres, presidente da Força Sindical – FS
Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores – UGT
Adilson Gonçalves de Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB
Antonio Neto, presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros – CSB
José Reginaldo Inácio, presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores – NCST
Ubiraci Dantas Oliveira, presidente da CGTB – Central Geral dos Trabalhadores do Brasil
Atnágoras Lopes, Secretaria Executiva Nacional da CSP – Conlutas
Edson Carneiro Índio, Intersindical – Central da Classe Trabalhadora
Emanuel Melato, Coordenação da Intersindical – Instrumento de Luta e Organização da Classe Trabalhadora José Gozze, presidente – Pública Central do Servidor

[1] Nota Técnica. Projeto de Lei de Conversão à Medida Provisória nº 1.045, de 27 de abril de 2021. Luiz Alberto dos Santos.
[2] ADI nº 5.127, rel. p/ o ac. min. Edson Fachin, j. 15/10/2015, P, DJE de 11/05/2016.

Fonte: CNTE

Senado pode votar PL 5595, que obriga retorno às aulas presenciais durante a pandemia

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Nesta quinta-feira (12), o Plenário do Senado pode votar o projeto de lei que torna a educação serviço essencial – proibindo greve e exigindo retorno às aulas presenciais em todo território nacional. O PL 5595/2020 está previsto para entrar na pauta da Casa a partir das 16h.

De acordo com o CNTE, o projeto de lei tem por objetivo obrigar o retorno às aulas presenciais durante uma pandemia de COVID-19 sem oferecer segurança para a população.

“Apesar da tendência de queda, o Brasil ainda tem uma alta taxa de transmissão da Covid-19. O governo Bolsonaro não investiu na educação pública e nem garantiu, até o momento, condições seguras de retorno às aulas presenciais – pelo contrário, vem cortando verbas da educação, deixando as escolas sem infraestrutura adequada. Além disso, diversos estudos mostram que os protocolos sanitários adotados na maior parte das escolas apresentam deficiências que podem agravar a pandemia de Covid-19 ”, se posicionou a CNTE em nota.
De acordo com uma proposta, cada ente federativo deverá elaborar os seus procedimentos para o funcionamento das escolas.Os órgãos de educação, saúde e assistência social devem participar desse planejamento, e os estados e municípios recebem 30 dias, a partir da publicação, para implementar o retorno às aulas.

 

“Retorno às aulas presenciais somente com condições sanitárias”

Para tentar pressionar senadores sobre a importância de vetar o PL 5595, a CNTE está à frente da campanha “Retorno às aulas presenciais somente com condições sanitárias” , com o intuito de cobrar das autoridades como medidas para uma volta às aulas segura e alertar sobre a população sobre os perigos de retorno sem segurança sanitária.

Histórico

De autoria da deputada Paula Belmonte (Cidadania-DF), uma proposta tramita no Senado Federal após ter sido aprovada na Câmara em 20 de abril, por 276 votos a favor e 164 contra. Na época, a CNTE se posicionou a respeito, mostrando que era preciso enfatizar que, ao contrário do que afirmamos os apoiadores do projeto de lei, professores e professores não pararam de trabalhar ao longo do período pandêmico. Em todas as pontas da educação, esses profissionais têm se dedicado ao modo árduo a novas rotinas. Na educação básica, um trabalho por vezes triplicado, sem recursos em muitos casos para atender de modo eficiente aos preceitos de uma educação de qualidade que assegure o aprendizado. Na educação superior, para além do ensino, a pesquisa extensão não paralisaram em momento algum:

Já no Senado Federal, o PL 5595 tem relatoria do senador Marcos do Val (Podemos-ES). Esta será a quarta vez que ele entra na pauta do Plenário da Casa. O tema já foi objeto de duas sessões de debates no Senado, em maio e em julho.

Fonte: CNTE

CNTE participa do Encontro Regional Educação Pública e Povos Indígenas promovido pela IEAL

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Neste dia 9 de agosto, o Comitê Regional de Educação da Internacional da América Latina (IEAL) celebrou o Dia Internacional dos Povos Indígenas com o evento “Encontro Educação Pública e Povos Indígenas”. Todas as organizações filiadas convocaram participantes pertencentes a populações indígenas para a atividade, realizada em modo virtual, às 11h (horário de Brasília).

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) marcou presença no evento, que contou com a representação de professores/as indígenas de todo país.

 

Educação indígena: tema central

“É essencial que as organizações sindicais da educação assumam esse desafio de organizar as populações indígenas – e cada povo tem o seu próprio perfil, seus próprios costumes e culturas. Não somos nós que vamos dizer quais são as demandas dessas populações – são eles que vão dizer qual é o tipo de educação que querem e as organizações sindicais devem promover essa reflexão”, afirmou Combertty Rodrigues, coordenador geral do escritório regional da IEAL (Internacional da Educação para América Latina), na abertura do Encontro.

A secretária geral da CNTE, Fátima Silva, que também é vice-presidente da IEAL, reforçou: “Nós na América Latina temos uma dívida impagável, imensurável com todas as populações indígenas. O direito de bem viver dos indígenas é desrespeitado nas políticas públicas e na sociedade. Tivemos etnias totalmente dizimadas. Que esse dia de hoje não seja um dia de celebração, mas que seja um dia de reconhecimento e de compromisso com os educadores indígenas, respeitando e atendendo às especificidades da educação escolar indígena, desde a educação infantil até a Universidade”.

Principais demandas 

O presidente do Simted Caarapó, Apolinário Candado, fez uma breve apresentação dos sindicatos de profissionais da educação do Brasil e articulou a participação dos Professores Indígenas da Região Grande Dourados (MS) – municípios Caarapó, Douradina e Dourados. Em seu relato, apontou preocupação com o avanço do agronegócio “que nos tira a terra, as nossas famílias e as nossas vidas”. 

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Professores indígenas da Região Grande Dourados (MS) participam do evento virtual – Foto Simted Caarapó

“Neste Dia  Internacional dos Povos Indígenas, o Encontro é um importante espaço para nossa reflexão enquanto educadores latino americanos sobre a situação educacional e da resistência dos povos originários na luta pela preservação de suas culturas e tradições bem como de seus territórios e da demarcação definitiva de suas terras” – destacou Apolinário. 

A técnica de enfermagem e assistente social, Vanusa Kaimbé, também esteve presente no Encontro e desabafou: “É cansativo a gente resistir. A gente queria só existir. Nós vivemos no Brasil, e aqui invadem nossos territórios, nossos corpos, nossos espíritos, todos os dias há uma invasão, tiram nossas vidas”. 

Vanusa relatou o caso recente da jovem indígena Daiane Kaingang, no noroeste gaúcho, que foi encontrada morta em meio a uma lavoura: “Tiraram a vida de uma menina de 14 anos – além de a violentarem sexualmente, esquartejaram o corpo dessa mulher. Chega de genocídio, chega de violência! Nós respeitamos a vida da mãe terra. O ser humano não precisa tirar a vida do outro, então a gente precisa gritar para o mundo, mais respeito, mais amor, uma educação inclusiva”. 

Para a assistente social, é preciso respeitar a ciência dos povos indígenas, a biografia ancestral, a oralidade: “A educação precisa mudar, incluir as periferias, os povos da floresta, os povos originários, os irmãos negros – é só assim que teremos uma educação de fato. Temos que dizer que nós existimos e resistimos. A nossa disputa é pela vida, pela mãe Terra e pelo planeta”.
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Combertty Rodriguez participa do Encontro Regional Educação Pública e Povos Indígenas

Fonte: CNTE

Governo tenta aplicar calote nos precatórios do Fundef, prejudicando os investimentos na educação básica e na valorização de seus profissionais

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Foto: Roberto Parizotti

O Executivo federal enviou ao Congresso Nacional, nesta segunda-feira (9), medida provisória prevendo a substituição do programa Bolsa Família pelo Auxílio Brasil, com valor ainda a ser definido para a população de baixa renda. E a intenção do governo consiste em financiar esse programa através do fatiamento do pagamento de precatórios aos estados e municípios – sobretudo do antigo Fundo do Ensino Fundamental (Fundef) –, numa manobra fiscal para acomodar os novos investimentos no famigerado teto de gastos imposto pela emenda constitucional nº 95.

As entidades que subscrevem esta nota reconhecem a importância do Bolsa Família e de outros programas de transferência de renda, criados ainda no Governo Lula e mantidos em governos subsequentes – muitos com alterações de nomenclaturas e, infelizmente, com cortes em valores e no número de famílias atendidas –, porém, tal como se tentou aprovar na PEC 15/2015 (Fundeb permanente) a vinculação dos programas de renda às rubricas educacionais, rechaçamos a intenção do governo Bolsonaro em utilizar os recursos da educação para financiar o Auxílio Brasil.

Os cortes e os contingenciamentos orçamentários na educação são marcas indeléveis do atual governo. Somente em 2021, o MEC mantém suspenso o investimento de R$ 1,55 bilhão em seu orçamento, e as escolas de nível básico deixaram de receber R$ 1,2 bilhão para adequar suas estruturas ao enfrentamento da pandemia do coronavírus. No último dia 4, o governo editou a MP nº 1.060, suspendendo o repasse de R$ 3,5 bilhões para estados e municípios poderem adquirir computadores e internet banda larga para estudantes e professores das escolas púbicas. Estima-se que mais de 20 milhões de estudantes do ensino obrigatório não acessaram as aulas remotas durante a pandemia por falta de equipamentos.

Mantendo-se numa direção ultrajante, o governo agora deseja bloquear o pagamento de precatórios destinados a investimentos na educação e na valorização de seus profissionais, fato que prejudicará ainda mais as condições de oferta e qualidade nas escolas públicas.

Não admitiremos mais esse calote do governo Bolsonaro na educação e, desde já, conclamamos governadores e prefeitos para se posicionarem e mobilizarem contra essa medida irresponsável e prejudicial à educação. O financiamento do Auxílio Brasil e outros programas sociais devem partir das receitas do Tesouro, priorizando-se a aprovação da Reforma Tributária Solidária (com taxação de grandes fortunas e lucros e dividendos, além de outras medidas de equalização tributária) e a revogação da EC 95 (teto de gastos).
Em defesa da educação pública, gratuita, laica, democrática, de qualidade social e para todos/as: Calote NÃO!

Brasília, 9 de agosto de 2021

CNTE – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação
UBES – União Brasileira dos Estudantes Secundaristas
UNE – União Nacional dos Estudantes
Frente Norte e Nordeste pela Educação

Fonte: CNTE

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