Aumento de práticas antissindicais é flagrante após reforma trabalhista

Definitivamente, o cenário imposto à classe trabalhadora pode ser considerado um dos piores no último século. Diante da reforma trabalhista, aprovada em 2017, uma série de dúvidas, inseguranças, precarizações e perdas de direitos foram implantadas. Associado a isso, foi constatada uma crescente nas práticas antissindicais que, na maioria das vezes, é flagrada na demissão de dirigentes sindicais em exercício. E a fragilização das leis trabalhistas vinda com a reforma é uma das explicações mais plausíveis para esse tipo de prática.
“A partir do momento que o patrão se vê com uma legislação totalmente favorável a ele, não há dúvidas de que vai se beneficiar disso. E isso significa que todo e qualquer impedimento para que ele lucre cada vez mais será eliminado. É nessa lógica que a figura do dirigente sindical se vê prejudicada, pois é ele quem faz o contraponto dentro da empresa para que o lucro do patrão não seja em detrimento dos direitos e benefícios dos trabalhadores”, explica o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto.
O mais recente caso de demissão de dirigente sindical no Distrito Federal aconteceu no último dia 1º. A secretária de Juventude da CUT Brasília, Maria do Socorro Neves Santos, foi demitida pela empresa M2Sys, de tecnologia e serviços de processamento de imagem, sob a justificativa de “medidas administrativas necessárias”.
Maria do Socorro, que também integra o quadro de dirigentes do Sindpd (Sindicato dos Trabalhadores de Empresas e Órgãos Públicos e Privados de Processamento de Dados, Serviços de Informática e Similares e profissionais de Processamento de Dados do Distrito Federal), compunha o efetivo da M2Sys há nove anos, e tem sido figura ativamente presente nas lutas em defesa da sua categoria.
“Não tem explicação para essa demissão. Enquanto nossa legislação trabalhista prezava pelos direitos dos trabalhadores, nunca tive sequer problemas com a empresa. Agora, sem qualquer justificativa, sou demitida. A gente sabe que essa demissão não pode acontecer, pois sou dirigente sindical em exercício. Mas com as leis frágeis como estão para o lado do trabalhador, isso, de certa forma, era previsível”, afirma Maria do Socorro.
Além dela, outro dirigente CUTista foi vítima de perseguição política e da prática antissindical. Mauro Mendes, que compõe a diretoria estadual da Central, foi demitido no mês de maio pela empresa RCS Tecnologia, que presta serviço na Universidade de Brasília.
Na época de sua demissão, outros 14 trabalhadores terceirizados foram desligados, mas, apenas Mauro não foi realocado em outro órgão que tivesse contrato com a RCS.
“Do grupo de demitidos, eu era o único ativamente inserido em atividades sindicais. Estou há mais de 20 anos na UnB e nunca medi esforços para defender os direitos dos servidores e trabalhadores terceirizados da universidade. Não há outra explicação para minha demissão que não seja a perseguição por eu ser dirigente sindical”, avalia Mauro Mendes.
Na teoria, a nova legislação trabalhista manteve a estabilidade empregatícia para dirigentes sindicais, de um ano após o término do mandato classista. A demissão só pode ser efetivada diante de falta grave do funcionário devidamente comprovada mediante ação judicial, chamada Inquérito para Apuração de Falta Grave (súmula 379 do TST).
Na avaliação do advogado Eymard Loguercio, tendo o amparo da lei, somente a Justiça é quem pode determinar a demissão de um dirigente sindical. O jurista explica que mesmo que o dirigente seja demitido por justa causa, deve ocorrer uma comunicação prévia entre empresa e sindicato. “Se o dirigente, que tem resguardo judicial é demitido, imagine como fica o cenário para trabalhador? Sempre que um dirigente é desligado da empresa sem uma falta grave e sem justificativas plausíveis, deve-se atentar ao fato de estar ocorrendo práticas antissindicais”, analisa.
Para o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto, “a demissão dos dirigentes sindicais é também consequência da crescente onda de criminalização do movimento sindical, que vem ocorrendo com mais estímulo após o processo de golpe parlamentar no país”.
Britto destaca ainda as ações que a Central está promovendo para impedir que fragilizem as entidades sindicais e as pessoas que lutam em defesa do trabalhador. “A CUT está junto dos sindicatos, tomando as medidas para reverter essas demissões e também fazendo um relatório que será entregue à Organização internacional do Trabalho (OIT), denunciando todas as retaliações e práticas de assédio, inclusive, assassinatos que estão ocorrendo contra nossos companheiros e companheiras”, disse.

CUT Brasília vira ponto de coleta de lixo eletrônico

Uma caixa com os dizeres “deposite aqui seu lixo eletrônico” será colocada na sede da CUT Brasília nessa semana. A iniciativa é simples, mas pode gerar emprego, desenvolvimento sustentável e até salvar vidas. A ação, realizada em parceria com a ONG Programando o Futuro, marca o Dia do Meio Ambiente, comemorado neste 5 de junho.
“É preciso que a classe trabalhadora se aproprie da preservação do meio ambiente. E nós, enquanto entidades organizadoras de trabalhadores e trabalhadoras, temos que ensinar a fazer isso. Temos que conscientizar sobre o consumo e o descarte adequado”, afirma a secretária de Meio Ambiente, Vanessa Sobreira. A dirigente cutista lembra que, “a qualidade de vida de trabalhadores e trabalhadoras não se restringe a pautas economicistas” e que a defesa do meio ambiente deve ser “uma das bandeiras prioritárias para a construção de um mundo melhor e mais igualitário”.
Vanessa Sobreira ainda afirma que a ideia é que os sindicatos filiados à CUT também adotem a iniciativa. “Vamos incentivar que cada sindicato nosso coloque em suas sedes as caixas de coleta de lixo eletrônico e discutam com suas bases os impactos que isso trará às nossas vidas.”
De acordo com informações do Programa da ONU para o Meio Ambiente – Pneuma, dos países emergentes, o Brasil é o que mais gera lixo eletrônico. A cada ano, são descartados no país cerca de 97 mil toneladas métricas de computadores; 2,2 mil toneladas de celulares; 17,2 mil toneladas de impressoras.
O problema é que, quando este material é descartado indevidamente, podem ocorrer contaminação do solo e da água, além de doenças graves, como câncer, em pessoas que coletam produtos em lixões, terrenos baldios ou na rua. Isso porque o lixo eletrônico possui alto teor de chumbo, cádmio, mercúrio, berílio e outros componentes. Além disso, esse tipo de lixo tem na sua composição grande quantidade de plástico, metais e vidro, materiais que demoram mais de meio século para se decompor.
Entretanto, se descartados de forma adequada, além da preservação do meio ambiente, o lixo eletrônico pode gerar inclusão digital, capacitação técnica e até emprego. Pelo projeto da ONG Programando o Futuro, da qual a CUT Brasília se tornou parceira, esse lixo eletrônico pode ser tratado e reutilizado em iniciativas sociais e educacionais. É o caso dos computadores, por exemplo, que têm vida útil curta para vários setores empresariais e governamentais e, após levados para a ONG, são utilizados em projetos com pessoas em estado de vulnerabilidade social.
Como participar

A Estação de Metarreciclagem da ONG Programando o Futuro recebe equipamentos de órgãos e empresas públicas, empresas privadas e também de pessoas físicas. As coletas desses equipamentos são realizadas de três formas:
* Funcionários da Estação de Metarreciclagem buscam os equipamentos em data e hora marcada (por meio de agendamento realizado pelo telefone da Estação e mediante volume mínimo de 300kg).
* O próprio doador pode ir até a Estação e entregar os equipamentos ou;
* As doações podem ser entregues nos postos de coletas instalados em Brasília

Justiça comprova legalidade da greve dos servidores de Santo Antônio do Descoberto

O funcionalismo público de Santo Antônio do Descoberto, município goiano que fica a cerca de 50 Km do centro de Brasília, alcançou uma vitória esta semana. Em greve há mais de 20 dias, agora, os servidores poderão engrossar ainda mais a luta por direitos.
Contra a ameaça de corte de ponto e outras retaliações, o sindicato que representa a categoria, Sindsad/GO, entrou com ação na Justiça pedindo parecer sobre legitimidade da greve iniciada em 15 de maio. A desembargadora responsável pelo caso, Dra. Amélia Martins de Araújo, do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), avaliou como legal o movimento paredista do funcionalismo e proibiu os gestores de realizarem descontos nos salários dos servidores ou substituir os grevistas por professores contratados temporariamente.
“Desse modo, defiro o pedido de tutela de urgência, a fim de que não seja frustrado o movimento grevista e que o ente público não realize descontos nos vencimentos dos participantes ou sua substituição por professores contratados temporariamente, contudo deverão ser resguardos os interesses da sociedade, razão pela qual serão impostas condições para a tutela ora deferida”, diz o parecer do TJGO.
Para a presidenta do Sindsad, Clenilda Melquíaldes, com essa decisão, os trabalhadores poderão intensificar a luta. “Com a comprovação da conformidade da greve mais trabalhadores aderirão ao nosso movimento. Seguiremos o que foi determinado pela Justiça e aguardamos  que nosso pleito seja atendido o quanto antes”, explica.
Uma nova assembleia acontece nesta sexta-feira (8), às 9h, em frente à prefeitura. No encontro, o sindicato dará os informes à categoria e traçará as próximas ações.
Entenda a greve
Os servidores municipais da administração e da saúde aderiram à greve contra o descumprimento da Lei Municipal 1.056/2017, que trata do reajuste salarial. Já os professores, cruzaram os braços contra o corte de quase 50% dos seus rendimentos mensais, sob a justificativa da prefeitura de que os cálculos para a remuneração do magistério estavam incorretos. De lá pra cá, o prefeito sequer abriu a mesa de negociações para dialogar com o funcionalismo e mantém-se inflexível.
“Precisamos nos manter unidos. A qualquer momento sairá a sentença sobre os cortes salariais e contamos com empenho e participação de todos e todas na assembleia”, conclamou a presidenta do Sindsad/GO.

Governo golpista brasileiro na lista suja da OIT


Antonio Lisboa, Secretário de Relações Internacionais da CUT Brasil, denuncia, na Organização Internacional do Trabalho, que a reforma trabalhista viola as convenções 98 e 154 da OIT.
Em nome de todas as Centrais Sindicais Brasileiras, desmacara as mentiras do governo golpista sobre a reforma trabalhista.
Confira o vídeo:
https://www.facebook.com/cutbrasilinternacional/videos/vb.306465879781787/449154442179596/?type=2&theater

Centrais sindicais lançam agenda prioritária para o Brasil nesta quarta (6)

O Fórum das Centrais (CUT, CSB, CTB, Força Sindical, Intersindical, Nova Central e UGT) lança na próxima quarta-feira (6) a “Agenda Prioritária da Classe Trabalhadora”, documento unificado com as 22 propostas para o desenvolvimento do Brasil.
O lançamento será às 10h, na sede do Sindicato dos Químicos de São Paulo, que fica na Rua Tamandaré, 348, Liberdade, e contará com a presença dos presidentes de todas as centrais.
Na “Agenda Prioritária da Classe Trabalhadora” as centrais sindicais apresentam propostas de uma agenda socioeconômica de transformação orientada pelo combate a todas as formas de desigualdade e pela promoção do emprego de qualidade, pela liberdade, pela democracia, soberania nacional e justiça social.
A agenda propõe, de imediato, medidas de combate ao desemprego e ao subemprego crescentes que já atingem 28 milhões de trabalhadores, como a criação de frentes de trabalho, com atenção especial para os jovens; a retomada das obras de infraestrutura e a implementação de políticas de amparo aos desempregados, com aumento das parcelas do seguro desemprego, vale transporte para o desempregado, vale gás, subsídio de energia elétrica, entre outras.
Na semana seguinte, as centrais apresentarão o documento para os parlamentares do Congresso Nacional, para presidentes da Câmara, do Senado e para líderes partidários. Nos próximos meses, entregarão também para os candidatos à presidência da República, bem como para entidades representativas da sociedade.
Serviço – Lançamento da “Agenda Prioritária da Classe Trabalhadora”
Data: 06/06, quarta-feira, às 10h
Local: Sindicato dos Químicos de São Paulo – rua Tamandaré, 348, bairro Liberdade

Crise na indústria da alimentação é culpa de Temer

A paralisação dos caminhoneiros é legítima e, ao contrário do que tem noticiado a imprensa golpista, alinhada à posição das entidades que representam as indústrias, não é a principal causa da morte de milhões de aves nos últimos dias, nem dos prejuízos que o setor de alimentação vem amargando nos últimos meses.
A afirmação é do presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação (Contac-CUT), Siderlei Oliveira, que apoia a mobilização dos caminhoneiros.
O dirigente explica que o mercado já vinha enfrentando problemas desde que a Polícia Federal deflagrou a Operação Carne Fraca, em março de 2017, para investigar denúncias de adulteração de produtos comercializados pelos frigoríficos e estabelecimentos.
“Quem não se lembra da onda de boatos sobre ter papelão na carne consumida pelos brasileiros?”, questiona Siderlei, que considerou a operação da PF irresponsável e claramente influenciada pelo mercado estrangeiro.
“As vendas externas da produção brasileira caíram graças à operação”.
Outro fator que agravou os problemas do setor, continua o presidente da Contac-CUT, foi o embargo europeu à carne brasileira.
“Tudo começou em março desse ano, com a decisão do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, de proibir temporariamente nove frigoríficos brasileiros, entre eles a BRF, de exportar para países da Europa com a justificativa de uma suposta contaminação de salmonela nos alimentos”, lembra Siderlei.
Por conta dessa medida, diz ele, a União Europeia proibiu, no dia 19 de abril, frigoríficos brasileiros de exportarem carne de frango, sendo 12 deles, da BRF.
Segundo o presidente da Contac-CUT, os estoques cresceram e nenhuma medida foi tomada para escoar esse excedente que não foi exportado no mercado interno.
A paralisação dos caminhoneiros, explica o dirigente, ajudou a agravar ainda mais a situação do setor. Os estoques estão parados nas fábricas sem chegar nem ao mercado interno desde o dia 21 de maio, quando começou o movimento contra os preços abusivos do diesel e do pedágio. Paralelamente, o processo de produção também ficou comprometido.
Ocorre que essa produção é um ciclo. Da incubação ao abate, há a criação e o alojamento das aves e porcos, até que o produto final esteja pronto para a comercialização. Esse processo foi paralisado e os animais ficaram sem ter o que comer, já que não chegava a ração que deveriam ser entregues pelos caminhões.
“Eles não têm o que comer, porque o caminhão não foi entregar. Por isso você vê o canibalismo, o pinto comendo o pinto, o porco comendo a orelha do outro porco. É instinto. Mataram todos, porque não tinham como criar. O pintinho e o porco não tinham o que comer”, lamenta Siderlei.
Por isso, uma eventual normalização dos transportes, não vai resolver de imediato a situação, diz o dirigente.
Emprego em risco
Com a paralisação da produção, segundo Siderlei Oliveira, não há dúvida que o emprego está ameaçado. Ele diz que nas grandes empresas há uma certa segurança para os trabalhadores por causa dos custos e da experiência.
Pequenas empresas podem fechar as portas
Ele avalia que, em um curto prazo, os preços podem cair para o consumidor. Mas as cerca de 33.320 pequenas e médias empresas, que já operam em seus limites, não conseguirão baixar os preços para escoar a produção, não aguentarão e, provavelmente, terão de fechar as portas.
Para Siderlei, o governo “safado”, só apresenta propostas loucas para atender às reivindicações dos caminhoneiros, mas não pensa em uma estratégia de abastecimento nem para garantir a alimentação dos animais, nem para ajudar o mercado a “desovar esse estoque”.
Ao mesmo tempo, o retorno à produção não pode ser considerado como reestabelecimento da normalidade. O embargo europeu continua e o Brasil é um dos maiores exportadores mundiais de carne de boi e frango.
“Aí, você sai de uma paralisação de caminhoneiros, tendo que produzir e sem ter onde botar tudo o que já está pronto”, diz o presidente da Contac-CUT.
Pequenas empresas, grandes prejuízos
Com um eventual fechamento das pequenas fábricas, quem ganha são os grandes conglomerados, como BRF e JBS. Para a Contac-CUT, a concorrência com as “pesadas” é injusta porque elas têm condições de se sustentarem nesse caso. Não ocorre com as pequenas e, mais uma vez, não há nenhuma sinalização do governo em proteger essas empresas.
“O setor passa por crise, e não há perspectiva. O mercado europeu está se mantendo com a produção local e o Brasil está com fábricas cheias, tentando vender mais barato no mercado interno e quebrando as pequenas indústrias”, diz Siderlei.
Caminhoneiros
Para a Contac-CUT não se pode culpar os caminhoneiros por um problema que já vinha acontecendo. Siderlei Oliveira explica que algo tinha que ser feito para frear os aumentos abusivos dos combustíveis.
“Estava na hora de fazer algo, mas acho que não vai ficar só aí. Quando a rotina voltar, o que vai ‘pegar’ para o povo é a gasolina e o gás de cozinha, que não vão ter redução”
Siderlei destaca que o diesel é usado para o transporte pesado. Já a gasolina é no dia-a-dia e quem sente os impactos dos altos preços é o trabalhador e trabalhadora, especialmente os mais pobres.
“A gasolina é usada no transporte pequeno, do armazém para o mercado, do mercado para casa. Não existe solução somente com as medidas propostas do governo para aos caminhoneiros. Estão tapando a cabeça e destampando o pé. E enquanto isso, a bomba fica ligada, pronta para explodir”.
Ditadura nunca mais
Mesmo considerando legítima a paralisação dos caminhoneiros, o presidente da Contac-CUT considera inaceitáveis as manifestações de apoio a uma intervenção militar.

Petrobrás: sai Parente, entra Monteiro; nada muda para o povo

Empresário, banqueiro, executivo, bem relacionado com o mercado financeiro e internacional. Essas são as condições exigidas pelo atual Conselho de Administração da Petrobrás e MiShell Temer para o currículo de presidente golpista da empresa. Ivan Monteiro, o nomeado, cumpre o requisito entreguista.
Braço direito do Deus Mercado, Monteiro foi vice-presidente de Finanças do Banco do Brasil entre 2009 e 2015. Antes de se tornar presidente interino da Petrobrás, ocupava a diretoria financeira e era o responsável pelo programa de privatização da empresa, que tem como meta vender R$ 21 bilhões em ativos até o fim deste ano.
A luta dos petroleiros iluminou para a população brasileira que a crise instalada no país está diretamente ligada com a atual política de preços e a privatização do Sistema Petrobrás. A greve dos petroleiros e dos trabalhadores caminhoneiros e a pressão da população, fizeram com que Pedro Parente pedisse demissão.
Contudo, Monteiro, ao aceitar a nomeação, exigiu a não interferência do governo no seu plano de política de preço atrelada ao preço internacional do petróleo. Mantendo o projeto de privatização da Petrobrás e ignorou as reivindicações do povo que é o acionista majoritário da empresa. Em seu primeiro dia de reinado, aumentou em 2,25% o preço da gasolina nas refinarias. Em um mês o combustível teve 11% de aumento, enquanto a inflação cresce 0,6%. Em dois anos de governo Temer, o gás de cozinha teve a maior alta em 15 anos. Se a política de preços da Petrobrás continuar, um botijão de gás poderá chegar aos R$100,00. Valor fora da realidade da população. Os aumentos consecutivos levaram 1,2 milhão de brasileiros a voltar a cozinhar com lenha e carvão em 2017, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Mudar a política de preços para uma que condiz com o real valor do petróleo, que é produzido e refinado no Brasil, além de mudar o atual governo que gere o país em benefício dos empresários e não do povo é urgente.
Se com duas categorias em greve o presidente da Petrobrás pediu arrego, o que aconteceria com uma greve geral de todos os setores? Vamos tirar o Temer do poder. E apesar de Ivan Monteiro ser mais do mesmo, o povo brasileiro está unido e seremos muito mais dos mesmos em defesa da Petrobrás e do Brasil.
Fonte: FUP

CUT repudia decisão contra greve dos petroleiros e prática antissindical

Em mais uma medida autoritária, o governo ilegítimo e golpista de Michel Temer apelou ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) para impedir a greve dos petroleiros que estava programada há meses e que cumpriu todos os requisitos necessários previstos pela lei de greve.
A CUT repudia essa prática antissindical e a perseguição desse governo ao movimento legítimo dos trabalhadores e trabalhadoras da Petrobras.
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) realizou assembleias nos seus 13 sindicatos, aprovou um calendário de mobilizações que incluía paralisações de advertência, a greve e uma pauta de reivindicações que, para além de defender os interesses corporativos da categoria, tem por objetivo defender a soberania nacional e a população brasileira, vítima dos aumentos abusivos dos combustíveis.
A pauta aprovada foi: redução do preço do gás de cozinha, da gasolina, do diesel, contra a privatização da Petrobras e mudança da política de preços da companhia baseada nas cotações do dólar e do barril de petróleo no mercado internacional.
Todo processo organizativo da paralisação foi realizado muito antes da greve dos caminhoneiros. Por isso desmentimos categoricamente os colunistas da mídia que querem desinformar a população brasileira, associando a greve dos petroleiros ao movimento dos caminhoneiros.
Essa é mais uma tentativa dos setores da imprensa que apoiaram e apoiam o golpe e do governo ilegítimo de desmoralizar e diminuir o legítimo e legal direito de greve dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil e, em particular, dos petroleiros.
Cabe ressaltar que essa política de preços de Pedro Parente imposta à Petrobras foi a principal causa do caos que se instalou no país pela paralisação dos caminhoneiros. A nova política de preços da Petrobras, que reajusta o preço do gás de cozinha e dos combustíveis diariamente para pagar os acionistas da empresa, sobretudo estrangeiros, é irresponsável e abusiva.
A população, além de ser penalizada por não conseguir comprar gás, ainda sofre os efeitos dos aumentos dos combustíveis nos preços dos alimentos, vestuário, educação etc.
E hoje, para conseguir atender as justas reivindicações dos caminhoneiros para baixar o preço do diesel, o governo anunciou que vai aumentar impostos e cortar recursos para as áreas de educação, saúde e segurança, em vez de mudar a política de preços e diminuir os valores a serem pagos aos investidores e especuladores estrangeiros, aos banqueiros internacionais e às empresas petrolíferas multinacionais.
Reafirmamos que o Brasil não tem necessidade de importar petróleo. Temos capacidade de produção e refino para garantir a produção de 100% dos nossos combustíveis. No entanto, o atual presidente da Petrobras instituiu uma política de produção que deixa ociosas nossas refinarias – que passaram a operar com apenas 68% de sua capacidade – para importar mais de 30% de combustíveis, onerando os preços internos e dando lucros para as companhias internacionais de petróleo.
Essa é uma política deliberada para quebrar a empresa e prepará-la para a privatização. Assim como a reforma trabalhista, esse é mais um pagamento do governo àqueles que financiaram o golpe, desestabilizaram o país, geraram instabilidade política e econômica, além da maior crise de abastecimento da história.
O compromisso desse governo ilegítimo não é com o povo, mas com os banqueiros internacionais e as grandes empresas petrolíferas que querem se apossar do nosso petróleo, pré sal e gás.
Diante da gravidade da política adotada pelo atual governo, com consequências danosas para a Petrobras, os petroleiros e a sociedade brasileira, a CUT manifesta preocupação com a decisão apressada da ministra do TST que, por meio de liminar, decidiu decretar a greve ilegal e estabelecer multas milionárias.
Os petroleiros cumpriram com todas as exigências legais, inclusive avisando da paralisação com a antecedência prevista na lei, e sequer foram ouvidos antes que fosse tomada tal decisão, como prevê a legislação. Esse mesmo Tribunal não teve a mesma rapidez para tomar decisões dessa natureza quando os interesses patronais são contrariados.
A CUT lamenta e repudia que o Judiciário trabalhista tenha se curvado aos interesses dos banqueiros internacionais, das multinacionais do petróleo e dos golpistas que estão vendendo a preço de banana nossas empresas e o patrimônio da nação.
A CUT apoiou e vai continuar apoiando as reivindicações e as mobilizações dos trabalhadores e trabalhadoras da Petrobras representados pela Federação Única dos Petroleiros. Queremos dar um basta nessa política de preços que penaliza a população.
Queremos a redução dos preços do gás de cozinha, da gasolina e do diesel e a retomada da produção pelas refinarias brasileiras da Petrobras. Somos contra a importação de combustíveis das multinacionais do petróleo e, assim como os petroleiros, entendemos que é urgente a demissão do presidente da empresa, Pedro Parente, responsável por essa política de destruição de uma empresa que é estratégica para o crescimento e o desenvolvimento do Brasil.
Contra a Privatização da Petrobras!
Em Defesa da Soberania Nacional!
Fonte: CUT Nacional

Petroleiros não se intimidam com decisão do TST e mantêm greve

Ao tomar conhecimento pela imprensa, na noite desta terça-feira, 29, da decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que declarou ilegal a greve dos petroleiros, o coordenador geral da FUP, José Maria Rangel, afirmou que a categoria não se intimidará e que a greve está mantida. “A justiça do trabalho está agindo como a justiça do capital. Esse é o papel que ela tem cumprido ao longo dos últimos anos”, declarou o líder petroleiro, diante dos movimentos sociais e sindicais que participaram de uma plenária unificada das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, na sede da CUT do Rio de Janeiro.
José Maria Rangel criticou o TST por ter tomado uma posição sem ouvir o lado dos trabalhadores. “O principal ponto que eles colocam é o fato da greve ser política. A primeira coisa que os ministros do TST tinham que se perguntar é como que eles chegaram ao Tribunal. Foi através de indicação política. O fim da Justiça do Trabalho, imposta pelo golpe, também é uma decisão política. O fato de Pedro Parente está destruindo a Petrobrás é uma decisão política. Tudo em nossa vida gira em torno da política”, ressaltou o coordenador da FUP.
“Eles queriam que a gente visse o desmonte que a Petrobrás está sofrendo e morrêssemos igual carneiro, com as lágrimas escorrendo? Nós não vamos fazer isso”, declarou, afirmando que os juízes do TST não vão intimidar os petroleiros.
“Nós sabemos o que está em jogo neste país. Nós não vamos ter que impedir os petroleiros de entrarem para trabalhar porque eles não vão trabalhar, pois sabem o que está acontecendo dentro da Petrobrás. Eles sabem que está em curso um processo de entrega do patrimônio público”, explicou José Maria, ao comentar as multas diárias de R$ 500 mil que o TST determinou, por cada medida de paralisação que os sindicatos realizarem, inclusive piquetes.
A greve dos petroleiros começa nacionalmente nas bases da FUP, a partir do primeiro minuto desta quarta-feira, 30.
Acompanhe minuto a minuto a greve dos petroleiros, acessando o Radar FUP: http://www.radarfup.com.br/minuto-a-minuto/

Professores da rede particular aprovam proposta e agradecem apoio da comunidade

Em assembleia realizada na tarde desta terça-feira (29), a ampla maioria das professoras e professores da rede particular de ensino de São Paulo, aprovou a proposta do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieesp) – entidade que representa as escolas particulares – de manter as cláusulas sociais do Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) por um ano, mas mantém estado de greve. Depois da assembleia, a categoria fez uma passeata da sede da entidade, na vila Clementino, até a Av. Paulista.
“Foi uma luta histórica, mas ainda não acabou. Também foi aprovada em assembleia, por mais de três mil professores, que se os patrões não assinarem o acordo na próxima semana nós iremos parar outra vez na próxima quarta-feira (6)”, afirma Silvia Barbara, diretora do pelo Sindicato dos Professores (Sinpro-SP).
A principal pauta da categoria na campanha salarial em andamento é manter as cláusulas sociais, como férias de 30 dias remuneradas e bolsa de estudo para os filhos dos professores, entre outros.
“A Convenção, construída por mais de 20 anos, é muito importante porque regulamenta desde a admissão até o processo de demissão do professor. Depois da aprovação da reforma trabalhista, os patrões decidiram modificar ou acabar com 40% dos direitos adquiridos”, disse Silvia, que completou: “os professores saíram daqui bastante felizes”.
O movimento também agradeceu o apoio de pais, mães, alunos e entidades sindicais, como a CUT, que apoiaram a mobilização dos professores e professoras pela manutenção dos direitos e reajuste de salário.
Pais e alunos das escolas onde as aulas foram paralisadas se expressaram nas redes sociais a favor do movimento grevista, que triplicou em menos de uma semana. No dia 23 de maio, quando aconteceu a primeira paralisação da categoria, 33 escolas pararam suas atividades. Nesta terça-feira, mais de 100 escolas não abriram.
Em seu perfil no Facebook, a jornalista Rita Lisauskas, por exemplo, postou um texto indignado com a postura da escola de seu filho que não queria paralisar as aulas nesta terça. Em protesto, afirmou que não mandaria o filho para a escola. Dezenas de mães apoiaram a decisão da jornalista e falaram que fariam o mesmo.
Para o diretor executivo da CUT, Júlio Turra, “só a luta dos professores da rede particular  – paralisando mais de 100 escolas na capital neste 29 de maio –foi capaz de dobrar a intransigência dos tubarões do Ensino e prolongar por mais um ano a atual convenção coletiva, assegurando os direitos nela contidos”.
Ele, que também é professor, informou que nesta quarta-feira (30), outros sindicatos da base da FEPESP (federação estadual da categoria), como o Sinpro-ABC, também em estado de greve, farão assembleias para colocar a proposta patronal em votação.
“É uma vitória também contra a malfadada “reforma trabalhista” do golpista Temer, que pretendia ter acabado com a ultratividade dos acordos e convenções coletivas –  mecanismo que antes garantia a manutenção do CCT por tempo indeterminado se houvesse recusa na negociação por parte do empregador”, finalizou Julio.

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