Dia do jovem trabalhador reabre debates sobre sua participação no meio sindical

Nesta terça (24), comemora-se o dia do jovem trabalhador. A data é uma iniciativa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e tem como principal objetivo destacar a importância dos novos profissionais no mercado de trabalho. Por outro lado, a comemoração traz consigo uma reflexão sobre a alienação política da juventude e a redução de sua participação nos embates sociais.
Segundo o estudo Tendências Globais de Emprego para a Juventude, divulgado em 2017, pela OIT, 30% dos jovens brasileiros estão desempregados. Esse valor é maior que o dobro da média mundial, que gira em torno de 13,1%, e pode aumentar em 2018.
A partir da consumação do golpe e da aprovação de nefastos projetos, como a reforma trabalhista e a terceirização sem limites, o cenário para os jovens ficou ainda pior: um mercado de trabalho precarizado e muitas incertezas. Além disso, em períodos de crise e baixo crescimento econômico, são eles os primeiros a serem demitidos. Daí é que surge a necessidade da participação do grupo nas lutas sociais e sindicais para reivindicações de melhores condições de trabalho e salários dignos.
De acordo com o secretário-geral da CUT Brasília, Rodrigo Rodrigues, a diminuição da participação da juventude no meio sindical está ligada a uma questão ideológica que envolve o capitalismo. “Não diria que a juventude está despolitizada. Pelo contrário, ela está alienada por uma política capitalista individualista, que também é uma forma de politização. O sindicato é uma entidade que busca trazer soluções para uma categoria de trabalhadores coletivamente. Se a pessoa não acredita na coletividade, tampouco enxergará no sindicato uma entidade que represente interesses que sejam seus”, avalia.
Para Rodrigues, o capitalismo vende o individualismo como uma forma de solucionar questões sociais. “O esforço individual é o que é valorizado e incentivado. Obviamente, o individualismo desdobra-se numa questão política que é a não participação coletiva.”
Quanto à inserção da juventude na luta sindical, Rodrigues acredita que é uma questão complexa e que é preciso enfrentar o debate na sociedade. “É uma disputa de narrativas que deve ser feita. É preciso discutir com trabalhador jovem ainda dentro do processo de formação e buscar formas de inseri-lo nas mobilizações. Não apenas a questão sindical, mas, sobretudo, destacar que é pela organização coletiva que consegue superar as dificuldades”, finaliza.
Fonte: CUT Brasília

Governo e empresas de saúde se unem para privatizar o SUS

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A transferência de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) para financiar o atendimento de atenção de Alta Complexidade dos planos privados de saúde é uma das propostas que está sendo debatida pelo atual governo ilegítimo e golpista de Michel Temer (MDB-SP) com os empresários do setor. Segundo apresentação feita por Alceni Guerra, ex-ministro da Saúde no governo Fernando Collor e ex-deputado federal pelo DEM, a meta seria garantir que metade da população deixe de ser atendida de forma pública, gratuita e universal e passe a pagar pelo atendimento privado nos planos de saúde.
A proposta, debatida no último dia 10 de abril, em Brasília, contou com a participação da Federação Brasileira de Planos de Saúde (Febraplan), do Ministério da Saúde, de deputados e senadores. Em São Paulo, nas próximas semanas, há pelo menos dois eventos marcados entre os empresários da saúde e representantes de países como, Estados Unidos, Reino Unido, entre outros, para debater propostas que limitem o acesso público ao atendimento de saúde.
Em nota, a CUT e demais centrais sindicais condenaram as iniciativas do empresariado e denunciaram mais este ataque do governo ilegítimo de Temer aos direitos da população. “O conteúdo da proposta é a destruição do Sistema Único de Saúde (SUS) enquanto garantia do Estado ao acesso das políticas de saúde para todos os cidadãos, e um ataque frontal aos direitos humanos dos brasileiros.”
Para a secretária geral-adjunta da CUT, Maria Faria, é, mais uma vez, a intervenção do capital financeiro internacional e nacional em políticas públicas promovidas pelo Estado, como o acesso gratuito ao sistema público de saúde, garantido na Constituição Federal.
“Eles querem inserir suas empresas com o objetivo de aumentar ainda mais o lucro e, com isso, diminuir a responsabilidade e intervenção do Estado no fortalecimento de uma saúde pública e universal. E o mais grave é que eles têm o apoio do atual governo ilegítimo de Temer”, denuncia.
Além disso, segundo a secretária da Saúde do Trabalhador da CUT, Madalena Margarida, a proposta enfraquece a participação popular na formulação, acompanhamento e controle da política pública de saúde.
“A proposta dos empresários que controlam os planos de saúde fortalece o Conselho Nacional de Saúde Suplementar, onde eles atuam com mais poder, e praticamente destitui o Conselho Nacional de Saúde, onde a CUT, outras centrais e a sociedade civil atuam e trabalham em defesa do fortalecimento do SUS.”
Para o vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), José Sestelo, existe uma estratégia retórica por parte do empresariado e do atual governo de se utilizar o termo Sistema Nacional de Saúde na proposta apresentada. “A estratégia deles eu não diria que é exatamente em oposição ao SUS, mas quase como uma ressignificação. Os empresários não querem a extinção completa do SUS, eles querem que o SUS seja conveniente aos seus interesses”, explica.
A tesoureira da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social (CNTSS), Celia Regina Costa, cita a pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), que constatou que praticamente 70% da população não têm plano de saúde e os que têm, muitos são oriundos de plano empresarial, para denunciar o impacto de propostas como a que está sendo debatida pelo governo golpista de Temer.
“A maior parte das pessoas que têm plano de saúde é devido ao benefício garantido em convenções coletivas dos trabalhadores e trabalhadoras”, explica Celia, ao concluir que, “com esse ‘novo’ sistema proposto pelos empresários, só quem tiver emprego com carteira assinada, um sindicato combativo ou muito dinheiro poderá cuidar da saúde.”
“É a transformação da saúde em mercadoria”, critica.
Mobilização contra o desmonte do SUS
A secretária geral-adjunta da CUT, Maria Farias, conclama o movimento sindical a se apropriar da pauta e mobilizar a população em defesa da saúde pública, gratuita e de qualidade para todos e todas, como garante a Constituição, em resposta aos ataques de empresários do ramo e do governo do ilegítimo Temer.
“Com a reforma Trabalhista, a terceirização, a Emenda Constitucional 95, que limita por 20 anos os investimentos para saúde e educação, e agora mais essa nova proposta dos empresários, não há outra alternativa senão a luta e a mobilização”, defende.
A secretária da Saúde do Trabalhador da CUT, Madalena Margarida, também diz que é urgente e necessário a mobilização em torno da defesa da saúde pública. “Estamos sendo privados de direitos, mas nunca é tarde para lutar. Toda a sociedade deve defender o SUS, porque todos nós dependemos dele. É defender o futuro da saúde dos trabalhadores e das trabalhadoras.”
Com informações da CUT

Unida, esquerda do DF lança manifesto em defesa da democracia e de Lula

Militantes de vários segmentos se reuniram em um ato suprapartidário, nessa quinta-feira (19), no Teatro dos Bancários em Brasília, para o lançamento de um manifesto em defesa da democracia e pela liberdade de Lula. A atividade integra a série de ações que está sendo realizada em todo o país pela manutenção do sistema democrático e pelo direito de Lula ser candidato nas eleições de 2018.
“Estamos aqui hoje para dizer que eles prenderam Lula para prender o Brasil que ergueu a cabeça, o país que vestiu a própria humanidade e dignidade. Nesse manifesto, estamos dizendo que nesta cidade existem homens e mulheres que vão caminhar juntos para que tenhamos a liberdade de Lula, frente ao que ela representa. Somos todos Lula”, destacou a presidente do Partido dos Trabalhadores de DF, deputada federal Erika Kokay.
O manifesto é uma proposta do PT-DF e pretende reunir milhares de assinaturas para, em seguida, ser entregue a Lula em Curitiba no próximo mês. Entre outros pontos, o documento faz um apanhado sobre o golpe e como a prisão política de Lula se encaixa na deterioração do Estado de direito.

 

“Para cometer esse crime (o golpe), contaram com a omissão e a passividade suspeitas do Judiciário e a manipulação criminosa dos órgãos de comunicação, agindo contra os interesses do seu próprio país. Rapidamente teve início o desmonte das estruturas econômicas, trabalhistas e sociais, o ataque insidioso às instituições de ensino universitário e a destruição gradual da organizações de ciência e tecnologia, indispensáveis ao desenvolvimento sustentável da nação brasileira”, afirma trecho do manifesto.
Na interpretação de Alexandre Varela, representante da Frente Povo Sem Medo, o país passa por um momento grave, que se alterna em fases. Para o militante, o cenário preocupante reforça a necessidade de se combater o fascismo. “Precisamos construir movimento que supere diferenças. É necessário ter clareza de que unidade deve se dar nas ruas com o povo sem medo de lutar. Vamos levantar nossas velhas bandeiras e reconquistar direitos”, disse.
A ação contou ainda com a participação do professor de Direito da Universidade de Brasília, Marcelo Neves. O docente apontou que o processo de condenação que prendeu Lula é nulo, já que o juiz que julgou o caso ─ Sérgio Moro ─ foi parcial. “Estamos com o Judiciário envolvido nesse golpe. Esse é um golpe que se fortifica porque tem uma linguagem judicial que põem nele uma aparência de legalidade. Esse cinismo da elite se expressa. Tem que estar mobilizados e em alerta permanente. Precisamos impedir a estagnação e o retrocesso, seja na lei ou na marra”, ressaltou.
“É importante que todos aqui considerem esse manifesto como seu. Estamos vivenciando uma ruptura democrática que não tem limites determinados e, por isso, a luta para que Lula seja livre é uma longa e árdua”, finalizou Kokay.
Fonte: CUT Brasília

Luta pela liberdade de Lula unifica centrais no 1º de Maio nacional em Curitiba

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Pela primeira vez desde a redemocratização do Brasil, a CUT e demais centrais sindicais – CSB, CTB, Força Sindical, Intersindical, Nova Central e UGT – farão um 1º de Maio unificado em Curitiba, no Paraná, pedindo a liberdade do ex-presidente Lula, detido injustamente sob a condição de preso político por um crime que não cometeu, e a garantia dele ser candidato à presidência da República nas eleições de 2018.
É em nome do sindicalismo e dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, da democracia e para o Brasil voltar a ter crescimento econômico, que o 1º de Maio terá no mesmo palanque todas as centrais sindicais juntas, com as mesmas bandeiras de luta, explicou o presidente da CUT, Vagner Freitas, em entrevista coletiva em frente à sede da Polícia Federal de Curitiba, na manhã desta quarta-feira (18).
“Quando Lula foi presidente da República as categorias que representamos tiveram aumento real de salário. Nossos empregos não foram sucateados e nossas empresas públicas não foram vendidas a preço de banana. Se estamos aqui anunciando essa agenda unificada, é porque a vida do trabalhador e da trabalhadora era muito melhor com Lula”, disse.
“Todos os dirigentes que estão aqui são defensores da classe trabalhadora, da CLT, das condições de trabalho e sabem da importância de ter uma legislação sindical que proteja o trabalhador contra a ganância do patrão”, explicou Vagner, reforçando que Lula foi o primeiro a anunciar que, se eleito, revogará as reformas do golpista e ilegítimo Michel Temer (MDB-SP), como a nova legislação Trabalhista, que tirou direitos históricos e criou um mercado de trabalho precário e informal.
“É interesse do trabalhador que Lula possa concorrer às eleições. A classe trabalhadora deve ter o direito de escolher como alternativa para presidir o Brasil um ex-presidente que respeitou os trabalhadores e trabalhadoras e mais fez pelos pobres deste país. É esse o principal entendimento das centrais”, destacou o presidente da CUT.
Vagner lembrou ainda que Lula, quando presidente da República, foi quem recebeu as centrais sindicais para ouvir as demandas dos trabalhadores e, com isso, colocar em prática a política de valorização do salário mínimo, que resgatou milhões de pessoas da pobreza e ajudou a aumentar o poder de compra da população mais pobre, entre outras políticas construídas para melhorar a qualidade do vida dos trabalhadores.

GIBRAN MENDESGibran Mendes
Vagner Freitas, presidente da CUT, durante coletiva de imprensa do 1º de maio unificado

Para o presidente da Intersindical, Edson Carneiro Índio, o 1º de Maio conjunto será em defesa dos direitos dos trabalhadores, da democracia e da liberdade de Lula. “Vamos sinalizar para o grande capital e para a elite política do Brasil que a esquerda e o campo popular vencerão as eleições 2018 para restabelecer a democracia e garantir a soberania do voto popular”, ressaltou.
Já o secretário-geral da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Canindé Pegado, condenou a prisão política do ex-presidente Lula, alegando que foi uma decisão arbitrária e que a legislação foi alterada para poder prendê-lo.
“Tirar os direitos de Lula se defender e se candidatar é um golpe. Se querem fazer alterações na Constituição Federal, que se faça a reforma do Judiciário inteiro. O que defendemos é cidadania e direitos iguais a todos os cidadãos. Nossa expectativa é sair daqui com Lula nos braços”.
O presidente nacional da CTB, Adilson Araújo, criticou o governo imoral e ilegítimo de Temer, que impõe uma agenda de retrocessos com o fim de direitos consagrados e reforçou que a “prisão de Lula é o aprisionamento de um povo que um dia sonhou em ter uma condição mais digna de vida”.
“Por isso é justo levar solidariedade e seguir na resistência. O 1º de Maio vai acontecer em todo o Brasil, mas ganhará maior importância em Curitiba”, completou.
João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical, leu o manifesto que as seis centrais fizeram em conjunto. Ele destacou em sua fala que Lula foi o único presidente da República capaz de unir os trabalhadores, levar políticas de inclusão e distribuição de renda, além de garantir o desenvolvimento e a soberania nacional.
“Essa decisão foi histórica porque até agora nunca tínhamos realizado um 1º de Maio unificado. Mostramos que entre nós aumentou a tolerância e a compreensão do que nos une e do que é necessário fazer na sociedade brasileira. Junto com Lula, a Força Sindical marchou unificada nas conquistas. Ao vir aqui na coletiva e no acampamento, a Força tem certeza que só fará grandes mudanças em conjunto”.
Com informações da CUT

Bandeiraço no STF denuncia caos no campo após o golpe e pede Lula livre

A militância do acampamento Lula Livre em Brasília engrossou a luta por direitos e democracia nesta terça-feira (17). Trabalhadores de diversos coletivos sociais como Movimento de Pequenos Agricultores – MPA e Movimento Trabalhadores Sem Terra – MST realizaram bandeiraço em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF). Além da luta permanente pela liberdade de Lula, eles tiveram como pauta específica a realização da reforma agrária e de melhores condições de vida no campo.
O diretor do MPA, Bruno Pilon, relembrou o massacre de Eldorado dos Carajás. Para ele, o momento é um marco na história da luta camponesa. “Hoje, completam-se 22 anos do massacre e da impunidade. Na época, 19 camponeses que lutavam pela terra foram assassinados a sangue frio, sob a luz do dia e, até hoje, os criminosos seguem impunes. Além disso, relembramos os dois anos de golpe instaurados a partir do impeachment da ex-presidenta Dilma. Por isso, nosso objetivo aqui é justamente marcar e reforçar o processo de resistência e mostrar o descontentamento da classe trabalhadora em relação ao que se passa no país, desde a perda de direitos e início da ruptura democrática”, explicou.

 Dirigente do MST, Alexandre Conceição ressaltou a importância de Lula no andamento da reforma agrária no Brasil. “Estamos pressionando e STF e denunciando a prisão arbitrária de Lula, os 22 anos de impunidade do Massacre de Eldorado dos Carajás e, principalmente, denunciando que após o processo de golpe houve a paralisação completa da reforma agrária. A mobilização segue firme, já passamos de 20 novas ocupações e não vamos enfraquecer. A reforma agrária é de extrema importância para o povo brasileiro, pois é a partir da distribuição de terra que se estabelece um processo democrático e de ampla produção de alimentos que chegam saudáveis e mais baratos à mesa do povo brasileiro. Mas para que haja reforma agrária no país é necessário acabar com o golpe e restaurar a democracia”, concluiu.

Já o secretário de Finanças da CUT Brasília, Julimar Roberto, reforçou a necessidade de democratização da mídia. “Desde o início do golpe, a impressa golpista tem sido extremamente partidária. Com isso, assuntos tão importantes como esse que está sendo discutido hoje não chegam à população. Nós, a classe trabalhadora e os movimentos sociais e sindical não vamos nos acostumar com a prisão de Lula. Seguiremos firmes e na luta por igualdade de direitos e democracia”, concluiu.
A ação faz parte das atividades do acampamento Lula Livre e do Abril Vermelho do MST. Diversas outras ações serão realizadas ao longo da semana.
Fonte: CUT Brasília

Vox Populi: Lula ficou mais forte depois da prisão ilegal

Pesquisa do Instituto Vox Populi, realizada entre os dias 11 e 15 de abril, mostra que o ex-presidente Lula, mesmo depois de ter sido preso, mantém a liderança e até ampliou sua vantagem sobre os demais candidatos às eleições de outubro.
Segundo a pesquisa, 41% dos brasileiros consideram que Lula foi condenado sem provas, 44% consideram que a prisão de Lula foi injusta e 58% acham que ele tem o direito de ser candidato novamente à presidência da República, mesmo depois da prisão.
Na pergunta espontânea sobre intenção de votos para presidente da República, Lula marcou 39% (eram 38% na pesquisa Vox de dezembro de 2016).

Vox Populi – 17/4/2018

Nos cenários comparáveis de segundo turno, Lula marca 56% x 12% contra Geraldo Alckmin do PSDB (eram 50% x 14% em dezembro), 54% x 16% contra Marina Silva, da Rede, (eram 52% x 21%) e 54% x 20% contra Joaquim Barbosa, do PSB (eram 52% x 21%).
Segundo o diretor do Vox Populi, Marcos Coimbra, a pesquisa mostra que aumentou o sentimento de que o ex-presidente é vítima de uma injustiça e de que recebe um tratamento desigual por parte do Judiciário”.
A pesquisa constata o aumento da simpatia ao PT e a diminuição da rejeição a Lula. “A prisão de Lula, da forma como ocorreu, parece ter afetado a visão do cidadão comum, de forma a torná-la mais favorável ao ex-presidente”, avalia Coimbra.



Site escancara machismo e misoginia na música popular brasileira

Quando a música Só Surubinha de Leve foi lançada pelo funkeiro carioca MC Diguinho, logo viralizou nas plataformas de streaming e chamou a atenção de muita gente para o fato de que fazia abertamente apologia ao estupro com a frase “Taca bebida/ Depois taca a pica/ E abandona na rua”. Chocadas com a violência da letra, as publicitárias Carolina Tod, Nathália Ehl, Rossiane Antunez e Lilian Oliveira resolveram se unir para debater como a música “retrata e reflete o quanto nossa sociedade caminha a passos lentos com relação ao respeito à mulher enquanto indivíduo”. Foi assim que o grupo criou o projeto MMPB – Música Machista Popular Brasileira.
“Antes do MMPB surgir, existia a vontade de fazer um projeto pessoal criativo. Somos um grupo de quatro mulheres publicitárias, e queríamos usar nossa criatividade e habilidades pra criar algo 100% nosso. Sendo assim, juntamos as cabeças e resolvemos criar um projeto feminista, causa que acreditamos e lutamos todos os dias. Essa inquietação ficou mais aguçada com a polêmica da música Só Surubinha de Leve, então nos reunimos e resolvemos dar destaque para outras músicas de outros tantos gêneros que também são machistas. A ideia é mostrar pra pessoas como a mulher é retratada de forma bem questionável na nossa música há muito tempo. As letras são sintomáticas de uma sociedade sexista”, declaram as publicitárias por e-mail.
O site expõe músicas de vários estilos cantadas por homens e mulheres, com letras escancaradamente machistas e outras que trazem o sexismo enrustido, flagrado nas entrelinhas. Além de funk, há sertanejo, samba, bossa nova, rap, axé, entre outros gêneros músicais. Ao clicar no botão “Dá um shuffle”, o site apresenta uma música aleatória, com letra, vídeo, uma explicação do porquê a faixa é problemática e, em alguns casos, links para matérias, informações sobre violência contra a mulher e ferramentas de conscientização.
É possível sugerir a inclusão de músicas brasileiras sexistas de todos os tipo. A lista é grande e traz também ícones históricos da Música Popular Brasileira, como Cartola (Vou Contar Tintim por Tintim) e Noel Rosa (Mulher Indigesta), Dorival Caymmi (Marina), Vinicius de Morais (Formosa) e, é claro, o clássico Ai Que Saudade da Amélia, em que Ataulfo Alves eterniza uma referência feminina altamente negativa: “A ‘mulher Amélia’ acabou virando uma ‘referência’ na sociedade. A Amélia virou uma persona considerada um tipo de mulher desejada, uma vez que era do tipo que cuidava dos afazeres do lar como ninguém. Na letra, os autores deixam claro que, Amélia só era mulher de verdade porque sua vaidade era inexsitente. Afinal de contas, naquela época uma mulher muito vaidosa não era tão bem vista”, aponta o texto que acompanha a música.
“Acreditamos que o sentimento de ‘choque’ é muito presente não só quando percebemos que gostamos de música machista mas também quando percebemos que já reproduzimos alguns desses pensamentos machistas. Estamos o tempo inteiro reparando e identificando coisas que antes passavam despercebidas, e lidar com isso faz parte do processo. O choque é inevitável, mas deles estamos tirando análises que de alguma forma estão nos paramentando para continuar lutando a favor de uma sociedade mais igualitária”, afirma o grupo.
A intenção do site é uma só: “provocar reflexão. O que essas músicas têm em comum? Por que essas músicas incomodam – ou deveriam – incomodar muito mais?”, questionam na apresentação do projeto. “Acreditamos que a partir do momento que as pessoas tomam consciência do machismo e a misoginia presentes nas canções, elas também conseguem levar isso para os outros campos da vida em sociedade. Quando se identifica esse tipo de discurso sexista, fica muito mais fácil identificar e combater o machismo no dia a dia”, declaram.
Fontes: RBA e CUT Brasília

Nem chuva nem frio espantam militância no acampamento Lula livre, em Curitiba

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Nem a chuva fina nem as baixas temperaturas afugentaram militantes e visitantes do acampamento Lula Livre, instalado nas proximidades da sede da Superintendência da Polícia Federal de Curitiba, onde Lula está isolado desde o dia 7 de abril, do já tradicional “bom dia, presidente Lula!”.
Nesta segunda-feira (16), também participaram da saudação os líderes das bancadas do PT na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (PT-RS), e do Senado,  Lindberg Farias (PT-RJ).
Pimenta comemorou a ação do MTST que ocupou o tríplex do Guarujá que o juiz Sérgio Moro diz pertencer a Lula com o objetivo de  desmascarar a farsa que foi o julgamento. Segundo o deputado, a intervenção escancara a hipocrisia de todo o processo e a condenação de Lula, culpado de ganhar um apartamento que não é seu e, sim, da construtora OAS.
Gibran Mendes
Ele falou também dos frutos que o acampamento solidário e vigília permanente pela libertação de Lula que estão servindo de modelo para a instalação de outros campos de resistência. O acampamento de Curitiba está cada dia maior e já está ‘dando cria’, destacou o parlamentar gaúcho, usando uma expressão típica da Região Sul do Brasil.
“Os primeiros ‘filhos’ vieram de Fortaleza, no Ceará, e de Brasília, no Distrito Federal, que já estão com suas estruturas montadas. Outro está nascendo no Rio de Janeiro e até o fim de semana que vem vai ter acampamento permanente por Lula Livre espalhado por todo o país. Vai ter até protesto em inglês, francês e japonês”, contou Pimenta, referindo-se às mobilizações internacionais que estão cada dia mais forte.
Comissão parlamentar visitará Lula nesta terça
Lindberg Faria anunciou, durante sua fala, que nesta terça-feira (17) uma comissão de senadores realizará visita às instalações onde Lula é mantido como preso político, impedido de receber visitas de amigos.
“Iremos ver as condições em que o ex-presidente se encontra, por conta do que está acontecendo, do episódio do avião, onde um piloto disse para ‘jogar esse lixo [Lula] pela janela’, e do cidadão que provocou transtornos no primeiro dia do acampamento, ofendendo a [pré-candidata à presidência da República pelo PCdoB] Manuela d’Ávila e, após causar tumulto, entrou para a sede da PF aqui em Curitiba”, denunciou.
Gibran Mendes
Quanto ao isolamento do presidente Lula, que na semana passada não pode receber uma comissão de nove governadores e três parlamentares, o senador considera um fato grave, uma afronta aos direitos humanos. Ao impedir a visita,  uma juíza paranaense alegou em sua decisão que “o preso Luiz Inácio Lula da Silva não poderia gozar de privilégios na atual situação”. Isso é um desrespeito a Declaração Universal de Direitos Humanos. É uma afronta, diz Lindberg.
“O isolamento do ex-presidente é grave. Em 1979, em plena ditadura militar, o próprio Lula visitava presos políticos. O que está acontecendo com ele hoje é ilegal e está se tornando um fato político de quebra de braço entre os poderes Judiciário e Legislativo”, declarou o senador.
“Significa uma afronta e extrapola a competência e prerrogativa da Justiça. Mostra, ainda, que a Lava Jato cada vez mais age na ilegalidade e desrespeito à Constituição Federal. Ele contou, ainda, que semana passada foram aprovadas duas diligências para averiguar as condições do ex-presidente, no plenário do Senado: uma comissão externa e uma comissão de Direitos Humanos.
Paulo Pimenta disse que uma comissão externa de deputados de vários partidos foi aprovada e também acompanhará a agenda dos Senadores. A visita está prevista para acontecer no início da tarde e, conforme disseram os parlamentares, a juíza responsável pela proibição da comissão de políticos na semana passada, será comunicada pelo Poder Legislativo.
Caravanas
Ao longo da manhã chegaram novas caravanas para fortalecer a resistência do acampamento em Curitiba vindas do Vale do Jequitinhonha (MG), Florianópolis (SC) e do extremo oeste do estado catarinense.
Durante todo o dia de hoje acontecerão oficinas de dança, apresentações artísticas e culturais e atos políticos, além da presença de parlamentares que passarão o dia no acampamento reforçando as mobilizações.
Programação desta tarde
15h30 – Gerson Bientinez – voz, violão e percussão
17h – Batucadada Resistência, com Lindbergh e Paulo Pimenta – Tragam seus instrumentos
18h – Sorteio do mosaico de Javier Guerrero, com imagem de Lula
Resistência interestadual
Além da capital do país, que montou seu acampamento nas imediações do Estádio Nilson Nelson depois de sofrer perseguição do governo do Distrito Federal, em Fortaleza, na Praça da Justiça, aproximadamente 400 militantes encontram-se acampados e só levantarão de lá quando o ex-presidente sair da sede da PF em Curitiba pela porta da frente.
Em ambos acampamentos permanente, o dia conta com programação cultural e artística, além de atos políticos pela liberdade de Lula.
Com informações da CUT

Acampamento Lula Livre é montado em Brasília

Na manhã dessa quarta-feira (11), a Frente Brasil Popular montou o Acampamento Lula Livre no centro de Brasília. Cerca de 500 integrantes de movimentos sociais de todo país estão no espaço que deverá crescer ao longo dos próximos dias.
Originalmente, o espaço foi montado no gramado do Teatro Nacional. Mas houve discordância da Secretaria de Segurança do DF e os militantes foram para o espaço em frente ao Palácio do Buriti. Os acampados se reunirão com o GDF nesta quinta (12) para negociar a volta ao local de origem.
“Queremos chamar atenção da sociedade para a arbitrariedade na prisão de Lula, condenado sem provas pelo juiz Sergio Moro. Sua prisão, mesmo sem ter esgotado todos os recursos da 2ª instância, representa uma nítida violação dos direitos fundamentais. Além disso, prender Lula é a demonstração do ataque de setores conservadores da sociedade brasileira ao pensamento de esquerda e às organizações populares”, afirmou Marco Baratto, integrante da direção nacional do MST.
Massacre de Carajás
O Acampamento Lula Livre também compõe a Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária, do MST. Em 2018, completam-se 22 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás. Nessa terça-feira (10), ocupações de terra em todo país deram o ponta pé inicial na Jornada que tem como lema “Eldorado dos Carajás – 22 anos de impunidade: Reforma Agrária e Lula Livre já”.
Ainda segundo Baratto, “Só no ano de 2017, foram mais de 65 mortes de camponeses. Não temos dúvidas que esse recorde de mortes e causado devido a impunidade, fortalecida com o golpe de 2016”.
Fonte: MST, com informações da CUT Brasília

Violência policial não intimida militantes e caravanas começam chegar a Curitiba

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As bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha, atiradas pela Polícia Militar de Beto Richa (PSDB-PR), governador do Paraná, contra os milhares de trabalhadores e trabalhadoras que estavam em frente à Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, para dar apoio ao ex-presidente Lula, não intimidaram a militância.
“A ação violenta da PM começou no exato momento em que a aeronave que trazia Lula pousou no heliporto da PF. Parecia uma ação planejada para impedir que Lula ouvisse o clamor popular, que soubesse que não estava sozinho, que tinha apoio do povo trabalhador”, afirmou o secretário de Comunicação da CUT, Roni Barbosa, que completou: mas não adiantou nada, mesmo machucados, a maioria permaneceu no local.
E o acampamento montado antes mesmo do ex-presidente chegar a Curitiba na noite deste sábado (7) para a vigília permanente em defesa da democracia e pela liberdade de Lula cresceu mais e já conta com manifestantes vindos dos estados da Bahia, Maranhão, Espírito Santo, Mato Grosso, Santa Catarina, entre outros.
A presidenta da CUT-PR, Regina Cruz, avisa que ao menos 40 ônibus com caravanas em defesa de Lula livre estão em direção ao local e a concentração aumenta a cada hora. O PT de Minas Gerais, reunido na manhã deste domingo, decidiu organizar 10 ônibus, que sairão amanhã pela manhã rumo a Curitiba.
“A mobilização está bonita. Já temos uma estrutura de barraca. Muitos companheiros aqui do bairro estão ajudando, abrindo a porta das suas casas. Temos água, comida, nada vai faltar para os companheiros e companheiras. É uma vigília permanente, não tem data nem hora pra terminar. Esse pessoal que está aqui hoje já não sai mais daqui e vai ficar por tempo indeterminado”, afirmou.

GIBRAN MENDESGibran Mendes
Acampamento começa a ocupar os arredores da Superintendência da PF, em Curitiba. Moradores são solidários aos acampados em defesa da democracia e Lula livre

As frentes também estão chamando para a próxima quarta-feira (11) um dia Nacional de Mobilização em Defesa de Lula Livre, com articulações internacionais para que atos ocorram também em todas as embaixadas do Brasil no exterior.
Um acampamento nacional em Brasília, na Praça dos Três Poderes, em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), também está sendo organizado.
“A frustração e tristeza que sentimos agora devem ser convertidas em fonte de energia para lutar pela reconstrução da democracia no Brasil e pela libertação de Lula. Não é hora de desânimo e desespero, é hora de organização e ação”, diz trecho da nota assinada pelas duas frentes.
Em breve, daremos mais informações sobre os locais e detalhes das mobilizações.
Violência em Curitiba
A brutalidade com que a PF de Curitiba tratou os manifestantes que defendem Lula causou perplexidade entre os militantes e lideranças políticas que estavam no local no momento da violência. Entre os feridos estavam três crianças e diversas pessoas tiveram de ser hospitalizadas.

A brutalidade da PF será abordada na coletiva de imprensa que ocorrerá por volta das 15h, no acampamento que abriga os manifestantes da vigília permanente na defesa de Lula. Às 16h30, está prevista uma entrevista coletiva do advogado de Lula, Cristiano Zanin, e da presidenta do PT, Gleisi Hoffmann.
O secretário de Comunicação Nacional da CUT, Roni Barbosa, explica que toda confusão foi iniciada no momento em que o avião de Lula pousou e critica a tentativa do aparato policial do Estado de tentar impedir que Lula, um preso político, pudesse ouvir os gritos de solidariedade do povo em Curitiba.
“Não sei se conseguiram, pois os manifestantes foram guerreiros e continuaram gritando mesmo debaixo de bombas. Eles tentaram montar uma cena para que as emissoras de TV filmassem, mas eles não conhecem a capacidade de resistência do povo que permanecerá na luta e em vigília até que Lula esteja livre”, ressalta Roni.
Diante da grave violência praticada contra pessoas que celebravam, pacificamente, um culto ecumênico e se preparavam para receber Lula nas imediações da sede da PF, o Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia tomou providências.
O Coletivo informou que, após intervenção do setor de Prerrogativas da OAB/PR, o 4º Distrito Policial de Curitiba recebeu a advogada representante do Coletivo, acompanhada do Procurador Geral da OAB/PR, para lavratura de um Boletim de Ocorrência coletivo, incluindo todas as vítimas da violenta ação policial.
Interdito proibitório
Após a decisão da Justiça, que deferiu liminar de interdito proibitório na ação proposta pela Prefeitura de Curitiba para proibir que os manifestantes se mantenham em vigília em frente à Superintendência da Polícia Federal, o Coletivo de Advogadas e Advogados pela Democracia também protocolou habeas corpus coletivo contra decisão.
Com informações da CUT

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