Com Temer, país tem mais empregos precários e mal remunerados

O Brasil está gerando mais empregos precários e mal remunerados, aponta Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgado nesta sexta-feira (23) pelo IBGE.
Em 2017, o número de trabalhadores e trabalhadoras sem carteira assinada, portanto, sem direito a férias e 13º salário, entre outros benefícios, aumentou 5,7% – o de trabalhadores formais caiu 2%.
Além de não terem direitos, os informais recebem, em média, 44% menos do que o trabalhador que tem carteira assinada.
Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, esses dados mostram a incapacidade do golpista e ilegítimo Michel Temer (MDB-SP) de propor medidas para aquecer a economia do país e assim gerar emprego decente, e derrubam o discurso de que a reforma Trabalhista contribuiria para criar milhões de empregos no Brasil.
“O fato é que ele legalizou o bico por meio de sua reforma e, com isso, criou o cenário ideal para empresários inescrupulosos explorarem uma mão de obra que se torna barata pela total falta de opção e desespero”.
“O que gera emprego não é a retirada de direitos, não é flexibilização, é crescimento econômico. E a economia do Brasil só vai voltar de fato a crescer quando o governo aumentar os investimentos público e privado, e o povo voltar a consumir porque têm emprego e acreditam na política econômica”, diz Vagner.
O dirigente diz, ainda, que é preciso aumentar o acesso ao crédito, o gasto público e os salários, não o contrário, como os golpistas parecem acreditar. “Sem investimentos em máquinas, ciência, tecnologia e educação o país não voltará a crescer, muito menos gerar emprego decente e renda”, afirma Vagner.
O coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, confirma que a crise econômica contribuiu para a precarização do trabalho. Segundo disse em entrevista à um portal de notícia da grande imprensa,  só entre 2014 e 2017, o Brasil perdeu cerca de 3 milhões de postos de trabalho com carteira assinada e, “com isso, aumentou o número de trabalhadores contratados sem carteira assinada e por conta própria”.
Rendimento dos trabalhadores com carteira e dos sem carteira
Segundo o IBGE, no 4° trimestre de 2017 a média de rendimento mensal do trabalhador com carteira assinada no país era de R$ 2.090. Já o rendimento dos sem carteira assinada era de R$ 1.179 – uma diferença de R$ 911. No mesmo trimestre de 2016, a diferença entre o valor pago (já descontada a inflação) era menor – 40,5% ou R$ 818.
Trabalho por conta própria tem renda 25% menor do que os formais
A pesquisa também mostrou que o trabalho por conta própria aumentou 4,8% e que o rendimento médio em 2017 foi de R$ 1.567 – um pouco superior ao dos empregados sem carteira assinada, mas 25% menor que o dos trabalhadores formais.
Rendimento médio cresce 1,6% em 1 ano
O rendimento médio de todos os trabalhadores e trabalhadoras brasileiros, com e sem carteira arteira assinada, cresceu 1,6% – no caso dos trabalhadores com carteira assinada o aumento foi de, em média, 3,6% maior do que o recebido no ano anterior. Já o rendimento dos sem carteira caiu 1,8%, enquanto o do trabalhador por conta própria subiu 1,2%.

Apesar da crise econômica dos últimos anos, brasileiros ricos estão cada vez mais ricos


Enquanto a renda nacional e o PIB caiam, em meio à crise econômica dos últimos anos, a renda dos brasileiros mais ricos que pagam Imposto de Renda cresceu 7,5%. Já a renda dos trabalhadores e trabalhadoras caiu 3,3% no mesmo período, segundo cálculos feitos pelo economista do Ipea, Sérgio Golbeti, que analisou dados da Receita Federal entre os anos de 2013 e 2016.
Segundo Golbeti, essa distorção pode ter acontecido porque a aplicação financeira, lucros e dividendos aumentou em termos reais, enquanto os rendimentos tributáveis, como salários, caíram mais de 5% no período. E a maior parte dos rendimentos dos super-ricos vem de lucros, ações e dividendos isentos ou com baixa tributação – ou seja, que pagam menos impostos do que os salários –, como aplicações financeiras, heranças e doações.
Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, a análise comprova a forte concentração de renda deste Brasil que só interessa aos empresários e a elite econômica.
“O aumento da concentração de renda mostra que o sistema tributário brasileiro protege os ricos e é extremamente perverso com os pobres, com os trabalhadores e trabalhadoras, especialmente nos períodos de crise econômica”.
“Mais que isso, é a comprovação de que o governo do golpista e ilegítimo Michel Temer (MDB-SP) tem mantido esse quadro porque não tem política econômica que garanta o desenvolvimento, com investimentos públicos e privados que gerem emprego e distribuição de renda”, diz Vagner.
Segundo ele, “um dos reflexos das políticas de Temer que têm privilegiado corte de gastos, arrocho salarial e recessão em detrimento do crescimento econômico com distribuição de renda, é justamente a manutenção ou mesmo crescimento da concentração de renda nas mãos de poucos”.
A CUT denuncia há anos a injustiça tributária que penaliza os trabalhadores e trabalhadoras com altas alíquotas de imposto de renda descontadas diretamente na folha de pagamento. E a análise do economista do Ipea comprovou isso.
Enquanto os trabalhadores e trabalhadoras têm alíquotas de imposto de renda  de até 27,5% descontadas diretamente de seus salários, os chamados “super ricos”, aqueles que ganham acima de 160 salários mínimos por mês e não têm a contribuição descontada do salário, pagam em média 6,1% de sua renda de imposto. O fato é que eles têm uma infinidade de formas de “driblar o leão” e pagar menos impostos que os assalariados.
Segundo o documento da Receita Federal, analisado pelo economista do Ipea, apesar do número de pessoas mais ricas ter diminuído de 71.440 mil para 67.934 entre 2003 e  2016, a renda dessa parcela da população subiu de R$ 309,6 bilhões para R$ 399 bilhões. Ou seja, quem ficou no topo da pirâmide “mordeu” uma fatia ainda maior da renda disponível, enquanto os de baixo, os trabalhadores, perderam.
“Sem uma reforma tributária progressiva os ricos continuarão cada vez mais ricos. E é esse povo que quer fazer as reformas porque parte da preservação do patrimônio deles tem relação direta com a forma de como são distribuídos os recursos públicos”, diz o presidente da CUT.
Fonte: CUT Nacional

Frente Parlamentar em Defesa do Setor Elétrico Brasileiro quer referendo sobre privatização da Eletrobras

Trabalhadores e parlamentares apontam demissão de trabalhadores, aumento do preço e perda de soberania como consequências da entrega do sistema elétrico estatal ao capital privado
Derrotada a reforma da Previdência, a privatização da Eletrobras é a nova prioridade do governo Temer, que quer realizar a venda do sistema elétrico ainda neste semestre. No início da semana, a Câmara dos Deputados criou uma comissão especial para analisar a proposta.
Já os trabalhadores do sistema elétrico e políticos contrários à venda da estatal realizaram nesta quarta-feira (21) reunião da Frente Parlamentar em Defesa do Setor Elétrico Brasileiro e defenderam a necessidade de um referendo popular para que a população decida a questão. O proposta de referendo já conta com a assinatura de 260 deputados e senadores.
Para os integrantes da frente, a privatização do sistema elétrico deve acarretar demissões de trabalhadores e a “conta” da privatização vai cair no colo do consumidor, com aumento de até seis vezes no valor cobrado pela energia. “Nós já temos experiência em Pernambuco, no Maranhão e demais localidades, onde a iniciativa privada entrou. A primeira coisa que eles fazem é demitir”, disse o diretor da Federação Regional dos Urbanitários do Nordeste (Frune), Fernando Neves ao repórter Uélson Kalinoviski, para o Seu Jornal, da TVT.
Segundo a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), o governo acelera o desmonte do sistema elétrico com a venda de distribuidoras do norte e nordeste, cada uma delas com lance mínimo de R$ 50 mil reais. As companhias estaduais do Piauí, Alagoas, Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima seriam as que estariam em processo de privatização mais avançado.
Outra preocupação demonstrada pela senadora é com a soberania sobre os recursos hídricos. “Privatizar energia não significa só privatizar a geração e a distribuição, o que é muito grave, porque tira do Estado brasileiro a capacidade de planejamento e de combate às desigualdades regionais, e do próprio desenvolvimento nacional. Tira também a sua autonomia e soberania diante dos recursos naturais”, afirmou, referindo-se sobretudo à consequente privatização da água dos rios que movem as hidrelétricas.
Assista à reportagem do Seu Jornal, da TVT.

Não tem carro? Como o aumento da gasolina afeta a sua vida

A política do governo golpista e ilegítimo de Michel Temer (MDB-SP) de reajustar os preços da gasolina e do diesel diariamente e de elevar os impostos sobre os combustíveis está pesando no bolso não apenas de quem precisa abastecer o carro ou a moto nos postos.
Quem não tem carro também sente os efeitos dos aumentos em tudo o que consome. O preço do gás de cozinha, que teve aumentos sucessivos no último período, e o transporte público mais caro são exemplos de como a atual política de Temer compromete o orçamento de toda a população brasileira.
Desde julho de 2017, quando a Petrobras passou a reajustar os preços dos combustíveis quase todo dia e o governo aumentou em quase 30% as alíquotas de PIS/Cofins sobre os combustíveis, o preço da gasolina subiu cerca de 22% para o consumidor final e o gás de cozinha chegou a custar R$ 75,19 em novembro de 2017.
Outras consequências dessa política, que tem impacto direto na inflação e no custo de vida dos brasileiros, são as altas nos preços dos fretes rodoviários, dos alimentos, das roupas e calçados, pois todos fazem parte da cadeia produtiva que depende dos derivados de petróleo, seja por causa do aumento nos preços dos transportes ou o uso dos combustíveis na produção dos produtos.
“É evidente que essa política tem encarecido o preço dos produtos ao consumidor final e tem feito com que a Petrobras perca mercado”, diz o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel.
“Nos governos Lula e Dilma, as nossas refinarias estavam a plena carga, com condições de suprir o mercado interno e praticar preços acessíveis à população. Agora, por uma decisão do governo, reduzimos drasticamente a carga processada em nossas refinarias e aumentamos a importação”, denunciou o coordenador-geral da FUP.
“Temer diminuiu o papel do Estado e passou a incentivar o investimento privado. É um grande retrocesso e uma clara tentativa de atrair o capital estrangeiro para privatizar o setor de refino do Brasil”, criticou Rangel.
Em 2017, foram importados mais de 200 milhões de barris de derivados de petróleo, número recorde da série histórica da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Dados do Ministério de Minas e Energia mostram que cinco refinarias da Petrobras (Rlam, Reman, Reduc, Refap e Rpcc) já operam com capacidade inferior a 75%.
“Esse é o resultado desastroso da gestão do golpista Temer desde que colocou Pedro Parente, o seu representante direto, no comando da Petrobras. Temer e Parente são unha e carne”, ironizou Rangel.
Segunda gasolina mais cara do mundo
Outro resultado desastroso da atual política de Temer para o setor é o fato de que o Brasil passou a ter a segunda gasolina mais cara dentre os maiores produtores de petróleo do mundo, conforme apontou levantamento da consultoria Air-Inc, que consolida estatísticas globais de custo de vida e mobilidade.
Em 2017, o Brasil foi o maior produtor de petróleo da América Latina, superando o México e a Venezuela. Mesmo assim, o preço da gasolina ao consumidor final bateu recordes de aumento.
O técnico do Dieese na subseção da FUP, Cloviomar Cararine, explica que a contradição entre o fato de o Brasil ser um grande produtor e praticar preços altíssimos é fruto de uma decisão política do governo e da atual gestão da Petrobras que privilegia o mercado externo e não o nacional.
Ele explica que o governo voltou a praticar os reajustes dos preços de acordo com as oscilações do petróleo no mercado internacional, como era feito no governo do tucano FHC – 1995 a 2002 . “Aumenta o preço do barril de petróleo lá fora, aumenta aqui também”, explica o técnico do Dieese.
Para se ter uma ideia de como funciona essa variação, basta analisar as alterações no valor da gasolina da semana passada para cá. Nesta segunda-feira (19), a gasolina passou a ser vendida pela estatal a R$ 1,5148 o litro, uma alta de 1,82% em relação ao preço vigente na sexta-feira (16). Já o diesel teve um aumento de 1,5%.
“Em uma semana, podemos ter até dois realinhamentos de preços. O que acontece na prática é que o valor nunca diminui”, conclui Cloviomar.
Era Temer e a volta da instabilidade
O coordenador-geral da FUP, José Maria Rangel, critica os aumentos diários nos preços, sem transparência e sem o controle do consumidor.
“Da forma como está, isso significa que, se a OPEP resolver fechar as torneiras amanhã, os consumidores brasileiros é que vão pagar o preço e não saberão disso”, explica, relembrando diversos momentos da história em que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) interferiu na economia mundial ao tentar controlar o valor do barril de petróleo.
Rangel recorda-se, por exemplo, que, entre outubro de 1973 e março de 1974, o preço do petróleo aumentou 400%, desestabilizando a economia por todo o mundo.
“Essa política de Temer e Parente deixará o Brasil de novo completamente vulnerável a qualquer problema internacional”, lamenta.

Mulheres preparam 8 de Março histórico

No dia 8 de março, a CUT Brasília em parceria com os sindicatos filiados participará de uma grande mobilização para celebrar o Dia Internacional da Mulher. Batizado de “8 de Março Unificado”, a atividade reunirá diversos movimentos sociais e populares que prometem intensificar ainda mais a luta contra os retrocessos promovidos pelo governo ilegítimo de Michel Temer. O 8 de Março Unificado se estabeleceu em quatro motes: em favor da democracia; pela vida das mulheres; contra o racismo e em defesa dos direitos.
A concentração da mobilização acontece a partir das 14h no Museu Nacional da República. Às 17h, será realizada marcha até o Congresso Nacional. A ação contará com apresentações culturais, debates, oficinas para crianças, bazar e diversas outras atividades que buscam incentivar o debate e o engajamento de mulheres na luta por direitos e democracia, além de fazer o alerta não apenas às mulheres, mas à sociedade em geral sobre o atual cenário político. Veja o evento no Facebook

“Ano passado fizemos uma grande mobilização com cerca de 10 mil pessoas, e esse ano lutaremos para que esse número seja ainda maior”

De acordo com a Secretária de Mulheres Trabalhadoras da CUT Brasília, Sônia de Queiroz, todos os anos, quando chega o Dia Internacional da Mulher, já é tradição a Central Única dos Trabalhadores elaborar atividades que visam valorizar e conscientizar a população sobre a importância da mulher na sociedade, bem como a luta contra a violência, feminicídio, machismo e etc.
“Nós, da CUT Brasília, e demais movimentos como a Frente Brasil Popular (FBP) e Frente Povo Sem Medo (FPSM) queremos colorir a Esplanada com o vermelho da luta CUTista e o roxo do feminismo e trazer à tona esse debate tão importante. Ano passado fizemos uma grande mobilização com cerca de 10 mil pessoas, e esse ano lutaremos para que esse número seja ainda maior. Diante do aprofundamento do golpe, do Estado de Exceção, do fim dos direitos, mais que nunca, precisamos reagir. A nefasta reforma da Previdência, por exemplo, afeta diretamente a nós, mulheres. Por isso, iremos intensificar a luta em defesa das mulheres e da classe trabalhadora não só no dia 8, mas em todos os dias”, explica a dirigente.

Em audiência, senadores e sindicalistas refutam argumentos do governo à privatização da Eletrobras

Na manhã dessa terça-feira, 20, foi realizada audiência pública na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado para discussão do plano de privatização das empresas do setor elétrico, de petróleo e gás, dos portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, Casa da Moeda e outros. No entanto, a desestatização da Eletrobras e de suas subsidiarias foi o tema predominante no debate.
Para Tarcísio Freitas, Secretário de Coordenação de Projetos da Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimentos, a venda da Eletrobras é o grande projeto do pacote de privatizações.
Na ocasião, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) questionou a entrega da Eletrobras, avaliada em R$ 400 bi, por cerca de R$ 12 bi. Além disso, solicitou esclarecimentos sobre a venda das seis distribuidoras federalizadas pelo valor de R$ 50 mil cada, assim como, o acolhimento da dívida das empresas pela holding.
O Secretário Executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, afirmou que a Eletrobras não vai assumir as dívidas das distribuidoras. No entanto, a assembleia que deliberou pela privatização das seis estatais, aprovou também a admissão de R$ 11,2 bilhões em dívidas das distribuidoras, além de R$ 8,5 bilhões em créditos e obrigações.
Nelson Hubner, ex-ministro do MME e conselheiro administrativo da Centrais Elétricas de Minas Gerais (Cemig), criticou o projeto de privatização da Eletrobras. Ele destacou que, na contramão do Brasil, em países como China, Canadá e Noruega a gestão do setor elétrico e, majoritariamente, estatal. Além disso, apontou a privatização como futura responsável pelo aumento das tarifas e ineficiência do setor.
O Senador Hélio José (Pros-DF) disse que protocolou requerimento para criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para analisar o plano de privatização das estatais elétricas. Ele informou ainda que o Secretário Executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa vai ser convocado para prestar esclarecimentos sobre o assunto.
O engenheiro e diretor do Sindicato dos Urbanitários no DF, Ikaro Chaves, destacou que a 15Eletrobras foi responsável por construir o maior sistema interligado de energia elétrica baseado em energia limpa e renovável, “que hoje é referência no mundo inteiro”, disse.
Ele rebateu os argumentos do governo de que uma gestão privada é mais eficiente, utilizada para viabilizar a privatização da estatal. “Eficiente é interligar a Amazônia, é colocar, de 2003 até 2016, 15 milhões de brasileiros que estavam na escuridão no sistema elétrico. Eficiente e vender a energia mais barata do Brasil e tudo isso quem faz é a Eletrobras”, enfatizou Chaves.
Para o engenheiro, a CPI é uma importante iniciativa do Senado, uma vez que ele aponta a privatização da Eletrobras como um escândalo.

Vigilantes dão prazo final para deflagrar da greve

Em assembleia geral realizada na noite dessa terça-feira (20), a categoria dos vigilantes resolveu, por unanimidade, conceder o prazo até a próxima quarta-feira (28) para que haja uma proposta satisfatória por parte do sindicato patronal. Caso contrário, será decretada greve geral no DF por período indeterminado.
“A categoria demonstrou que tem paciência, mas que essa paciência está se esgotando. Atendendo a um pedido do ministério público, suspendemos nossa paralisação até a próxima quarta-feira. Se até o dia 28, não houver uma negociação decente, os vigilantes entrarão em greve”, relatou o deputado Chico Vigilante (PT).
Durante a assembleia, os diretores do Sindesv-DF, sindicato que representa a categoria, fizeram um relato da audiência no Ministério Público do Trabalho. Eles informaram que o MPT propôs a intermediação no impasse com a realização de audiências individuais com cada sindicato (patronal e sindical) para a discussão das negociações. A próxima reunião será dia 26/2, às 10h.
“Vamos dar um voto de confiança para o Ministério Público”, disse o presidente do Sindesv-DF, Paulo Quadros.
Segundo o sindicalista, “todos os impasses para fechar a Convenção Coletiva da categoria se dão em consequência da reforma trabalhista”. “Eles estão querendo que o sindicalizado pague a mensalidade diretamente no sindicato, o que é um retrocesso de mais de 30 anos; não querem liberar dirigente sindical e várias outras questões impostas pela reforma trabalhista. Mas a gente não vai aceitar”, diz.
Além da segurança da manutenção de direitos históricos, os trabalhadores vigilantes do DF também reivindicam reajuste salarial de 3,1% nos salários e 6,8% no tíquete alimentação – que hoje é de R$ 34,11.

Jefferson desiste da indicação da filha para ministério

O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, finalmente desistiu de lutar para que sua filha, a deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), ocupasse o cargo de ministra do Trabalho, vago há dois meses. No dia 3 de janeiro, ao sair do Palácio do Jaburu, em Brasília, onde havia selado a nomeação da sua filha como ministra, ele disse aos jornalistas: “É o orgulho, a surpresa, a emoção que me dá. É o resgate, sabe? É um resgate”, disse, referindo-se ao nome da família após condenação na Ação Penal 470.

Já o anúncio de que havia desistido da indicação da filha para o cargo foi feito via Twitter.
Após a desistência, Jefferson e o líder do PTB na Câmara dos Deputados, Jovair Arantes (PTB-GO), se reúnem com o presidente ilegítimo Michel Temer (MDB-SP) na manhã desta quarta-feira (21). Eles devem indicar ainda hoje um novo nome do partido para ocupar a pasta do Trabalho.
Segundo Jefferson, a desistência se deve à “indecisão” da presidenta do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, de julgar o mérito do caso, se referindo às liminares que impediram a posse de Cristiane. Cármen determinou que a decisão não cabe ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que havia autorizado a posse, e sim ao Supremo.
O cargo está vago desde 27 de dezembro, quando o deputado Ronaldo Nogueira (PTB-RS) pediu exoneração e voltou à Câmara. Ele deve se candidatar a reeleição neste ano. Desde então, o Ministério do Trabalho teve como interino o secretário-executivo, Helton Yomura.
Histórico da nomeação
Filha do ex-deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB e condenado no processo do mensalão, Cristiane Brasil foi anunciada como ministra do Trabalho pelo presidente no dia 3 de janeiro.
Um juiz de primeira instância suspendeu a posse da deputada atendendo a um pedido feito por meio de ação popular que questionava a nomeação de uma pessoa condenada pela Justiça do Trabalho a pagar R$ 60 mil por dívidas trabalhistas a dois ex-motoristas, como aconteceu com a filha de Jefferson.
O governo do ilegítimo e golpista Michel Temer (MDB-SP) recorreu à segunda instância, que manteve a posse suspensa.
No dia 20 de janeiro, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Humberto Martins concedeu uma decisão liminar (provisória) liberando o governo a empossar a deputada.
No entanto, em 22 de janeiro, Carmen Lúcia, também por meio de liminar, suspendeu a posse de Cristiane Brasil mais uma vez. Na ocasião, a ministra analisou uma reclamação movida pelo de advogados, que afirmou que a competência para julgar o caso era do STF, e não do STJ.
No último dia 14 de fevereiro, a presidente do Supremo cassou a decisão de Humberto Martins, e considerou que só o STF poderá decidir sobre a questão. Além disso, ela determinou que os autos do processo fossem enviados imediatamente ao Supremo.
Agora, sem a decisão final do Supremo, o PTB declinou da indicação de Cristiane Brasil e apresentará um novo nome ainda hoje.
Com informações da CUT

95% dos trabalhadores há mais de um ano desempregados são das classes C, D e E

Os brasileiros estão demorando, em média, um ano e dois meses para conseguir emprego no Brasil, segundo a pesquisa “O desemprego e a busca por recolocação profissional no Brasil”, realizada pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), divulgada nesta terça-feira (20). Em 2016, o tempo médio de desemprego era de cerca de um ano.
95% dos trabalhadores e trabalhadoras desempregados há mais de um ano são das classes C/D/E, 54% têm até o ensino médio e 58% têm filhos menores de 18 anos. A maioria é do sexo feminino (59%) e tem média de idade de 34 anos.
Entre os que foram demitidos, a maioria alega causas externas, principalmente ligadas à crise econômica, como redução de custos por parte da empresa para lidar com os efeitos da crise (35%), redução da mão de obra ociosa (12%) e o fechamento da empresa (11%).
As maiores vítimas do desemprego no país, que aumentou com a crise política e institucional que culminou com o golpe de Estado e continuou com ataques aos direitos sociais e trabalhistas, são os trabalhadores e trabalhadoras das classes menos favorecidas, com empregos precários.
“Nas crises econômicas todos os trabalhadores sofrem, mas os primeiros a serem atingidos são os que têm empregos precários, salários mais baixos e menor organização sindical”, diz o presidente da CUT, Vagner Freitas.
Confira a íntegra da pesquisa.
Segundo o estudo, entre os desempregados, 78% acham que têm condições de conseguir um emprego, mas a pouca experiência profissional (40%) dificulta a recolocação. Do total de entrevistados, 46% estão procurando emprego com carteira assinada; 29% buscam por qualquer tipo de oportunidade; 40% têm sido chamados para entrevistas – destes, 56% já recusaram algum tipo de oportunidade, principalmente por causa dos baixos salários (18%) ou ser longe de onde moram (13%).
Apesar disso, 61% estão dispostos a ganhar menos do que ganhavam no último emprego, pois o que importa é voltar para o mercado (23%) e pagar as despesas (22%).
Perguntados sobre o tipo de oportunidade que desejam, 46% preferem os postos com carteira assinada, enquanto 29% mencionam qualquer vaga, independente do formato.
Entre os que já tiveram emprego antes, 34% atuavam no segmento de serviços, 33% no setor de comércio e 14% na indústria. A média de permanência no último emprego foi de aproximadamente 2 anos e 9 meses.
De acordo com a pesquisa, entre aqueles que já tiveram algum emprego antes, 67% já haviam ficado desempregados anteriormente e 32% nunca haviam passado por esta situação. Em 56% dos casos, os entrevistados afirmam terem sido desligados da empresa. 17% dizem ter pedido demissão e 14% alegam terem feito acordos.
Levando em conta apenas os que pediram demissão, a principal razão apontada foi algum problema de saúde (15%), seguido da insatisfação com o salário (13%) e do desejo de poder dedicar mais tempo à família (11%).
As principais prioridades após conseguir um novo emprego serão voltar a consumir produtos que gosta, como roupas, sapatos, eletrônicos (51%), retornar ao padrão de compra no supermercado que tinham antes (47%) e voltar a realizar atividades de lazer, como saída a bares e restaurantes (46%).
Desemprego na “Era Temer”
Segundo o IBGE, o Brasil tem atualmente 12,3 milhões de desempregados. A maioria (53%) acha que conseguirá empregos nos próximos 3 meses, de acordo com o  estudo do SPC.
O futuro do emprego no Brasil em 2018, porém, divide a opinião dos entrevistados: 31% acreditam que o desemprego irá aumentar, 31% que irá continuar igual e 24% que irá diminuir.
No último emprego, 40% dos desempregados possuíam carteira assinada, 14% eram informais e 11% autônomos ou profissionais liberais. Já 8% dos desempregados estão em busca do 1º emprego.
A pesquisa foi realizada nas 27 capitais brasileiras, com 600 desempregados. A margem de erro é de 4 pontos percentuais para mais ou para menos. O índice de confiança é de 95%.

Empresas ainda não empregam trabalhadores com deficiência

Apesar de mais de 45 milhões de brasileiros terem algum tipo de deficiência – quase 25% da população -, segundo o Censo do IBGE de 2010, e uma Lei de Cotas (821/91) que prevê a contratação de trabalhadores e trabalhadoras com deficiência e reabilitados pelo RGPS (Regime Geral da Previdência Social),  empresas ainda insistem em tentar burlar a legislação. Alguns casos chegam a Justiça e empresas são condenadas por não cumprimento da lei que tem 27 anos.
Foi o que aconteceu com Construtora Fontanive Ltda, no Paraná, condenada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) a pagar R$ 50 mil reais de indenização por danos morais coletivos por discriminação contra trabalhadores e trabalhadoras com deficiência. Para se defender, a construtora entrou com um recurso alegando que não conseguiu cumprir a lei porque faltam pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
Não cumpriu a lei e ainda mentiu para se defender, na opinião de um dos coordenadores Nacional do Coletivo de Trabalhadores e Trabalhadoras com Deficiência na CUT e bancário, José Roberto Santana da Silva.
“É mentira, uma falácia bastante conhecida, dizer que falta trabalhadores com deficiência para as vagas. Os trabalhadores e as trabalhadoras com deficiência e reabilitados quando chegam aos processos seletivos são cortados antes de serem avaliados”.
Segundo José Roberto “o que falta é sensibilidade dos empresários em perceber que as pessoas com deficiência também são formadas, mestres e pós-graduadas, portanto aptas a se candidatarem para inúmeras funções”.
“A condição destes trabalhadores é vista pelos empresários como falta de capacidade por puro preconceito”, denuncia.
A legislação estabelece que, se a empresa tem entre 100 e 200 funcionários, deve destinar 2% das vagas a beneficiários reabilitados e pessoas com deficiência. Este percentual pode chegar a um máximo de 5% caso haja mais de 1.001 funcionários.
Segundo a RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), a contratação de pessoas com deficiência não chega a 1% dos registros em carteiras. Dos 46 milhões de brasileiros com carteira assinada, 418.521 são trabalhadores com deficiência e reabilitados.
A secretária nacional de Políticas Sociais e Direitos Humanos da CUT, Jandyra Uehara, diz que além da dificuldade que uma pessoa com deficiência tem para ser selecionada para uma vaga de trabalho, a falta de acessibilidade e condições de trabalho também prejudicam o cumprimento da lei.
“As empresas ainda não oferecem ambientes acessíveis, as cidades ainda não oferecem serviços de transporte acessível de qualidade, a oferta de ensino profissionalizante inclusivo ainda é praticamente inexistente, entre outros”, diz Jandyra, que alerta: “Com os ataques ofensivos do governo golpista e ilegítimo de Michel Temer contra a classe trabalhadora, o cenário é pior nas contratações destes trabalhadores”.
A reforma Trabalhista e a Lei da Terceirização ilimitada dificultam ainda mais o cumprimento da Lei de Cotas de trabalhadores e trabalhadoras com deficiência e reabilitados, já que o Estatuto da Pessoa com Deficiência só conta para a cota pessoas com deficiência contratadas de forma direta pelo empregador.
“Com a reforma Trabalhista e a terceirização irrestrita, aprovadas neste governo golpista, as empresas podem contratar de outras maneiras e dificultam a cobrança e as denúncias contra empresas que não cumprem a cota”, explica Jandyra.
A secretária de Políticas Sociais e Direitos Humanos da CUT reafirma a importância dos sindicatos em combater o ataque ofensivo de retirada de direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras em todos os setores e situações previstas no mercado de trabalho.
“As negociações coletivas nas datas bases de cada ramo, categoria ou grupo econômico, é um momento privilegiado para incluir garantias de cumprimento da legislação referente à inclusão das pessoas com deficiência no trabalho”.
Segundo Jandyra, muitas categorias já possuem cláusulas em suas convenções, mas, em face de atualização da legislação, é necessário adequar os textos, inclusive a terminologia. A dirigente destaca o papel da CUT em defesa da classe trabalhadora:
“A CUT atua junto aos órgãos competentes, cobrando a intensificação da fiscalização de todas as formas de violação, de precarização da força de trabalho das pessoas com deficiência, e organizando estes trabalhadores e trabalhadoras nas suas bases e ramos porque entende que essas lutas específicas não estão descoladas de nossas lutas gerais. São parte de uma luta mais ampla, por direitos humanos, em defesa dos interesses imediatos e históricos da classe trabalhadora, pela construção de uma sociedade justa, igualitária e inclusiva”, finaliza.
O que diz a empresa?
Procurada pelo Portal da CUT, a Construtora Fontanive Ltda, no Paraná, disse que já cumpre a Lei de Cotas para Trabalhadores com Deficientes, porém não divulgou nem o número de contratados e nem o número total de trabalhadores e trabalhadoras na empresa.
Sobre o processo
O processo está no Ministério Público do Trabalho (MPT) no Paraná e só irá se manifestar caso a empresa volte a entrar com recursos. Portanto, a causa foi uma grande conquista dos trabalhadores e das trabalhadoras com deficiência.

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