OcupaBrasília: CUT e CNBB discutem segurança da marcha

Reunidos na tarde desta terça-feira (23) na sede da CNBB em Brasília, o presidente da CUT Vagner Freitas e o coordenador do MTST, Guilherme Boulos, pediram ao secretário geral da CNBB dom Leonardo Ulrich Steiner, que interceda junto às autoridades do governo do Distrito Federal e os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado para que as forças policiais não entrem em confronto com os militantes que amanhã estarão em Brasília para protestar contra a retirada de direitos que estão sendo promovidas pelo governo ilegítimo e fragilizado de Temer.
Atento às questões políticas que derretem o país, especialmente os acontecimentos da última semana, dom Leonardo disse que a sociedade precisa ter conhecimento do que está acontecendo para ter direito de escolher o projeto que deve promover as reformas do país. “O povo deve decidir os próximos passos para a retomada da democracia”, avaliou o religioso.
Vagner Freitas concordou com o Bispo e manifestou preocupação com a segurança dos manifestantes: a polícia do GDF disse que fará vistoria em todos os participantes , “isso vai acirrar os ânimos das pessoas que estão há mais de 20 horas em viagem e vieram pacificamente protestar contra o fim dos direitos da classe trabalhadora”, afirmou o dirigente.
Para Boulos, a ação policial ostensiva que está sendo pensada poderá criar um confronto desnecessário, “os movimentos estão vindo para lutar por seus direitos e pedir que a democracia prevaleça”.
Comissão reunida com CUT e MTST – foto: Luciana WaclawovskyNa ocasião, a Comissão Brasileira de Justiça e Paz, organismo vinculado à CNBB confirmou que irá se juntar à marcha para fortalecer a luta das centrais e movimentos sociais, que vem dos quatro cantos do Brasil, para pressionar o Congresso Nacional a retirar as reformas trabalhista e previdenciária de pauta, além de garantir eleições diretas para escolher o melhor projeto de governo ao país já que as bases de Temer estão totalmente comprometidas após as graves denúncias divulgadas no último dia 17/05.

Dia 24: agora é em Brasília!

A CUT e as demais centrais reuniram-se na sexta-feira (19), em São Paulo, na sede da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), e decidiram adotar uma orientação conjunta para suas bases, de modo que todos participassem unitariamente das manifestações do domingo (21) em todo o Brasil, como de fato ocorreu.
Em São Paulo, a manifestação, convocada pela CUT e pela Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo para a Avenida Paulista, foi reforçada pela presença de outras centrais sindicais.
Os dirigentes das centrais também concordaram, na reunião, em fortalecer coletivamente a convocação para a Marcha da Classe Trabalhadora, em Brasília, na próxima quarta-feira (24). A exigência da CUT e das centrais é a retirada imediata das propostas de Reforma Trabalhista e Reforma da Previdência em tramitação no no Senado e na Câmara dos Deputados, respectivamente.
Participaram da reunião, além da CUT, a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), UGT (União Geral de Trabalhadores), Força Sindical, NCST (Nova Central Sindical dos Trabalhadores), CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), Intersindical, CSP-Conlutas e CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros).

Derrubar reformas e conquistar Diretas Já são prioridade absoluta para a CUT

Alçado por um golpe à condição de presidente da República, Michel Temer (PMDB) agora vive dias de agonia à frente de um governo moribundo por não ter sido capaz de acelerar a entrega de dois produtos fundamentais: a Reforma Trabalhista e a Reforma Previdenciária.
A avaliação é do presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, para quem os financiadores do golpe decidiram optar por alguém com maior popularidade (segundo pesquisa Datafolha de março deste ano, Temer é rejeitado por 55% dos brasileiros) e blindagem superior.
Portanto, explica Vagner, é mais provável que a escolha no caso da queda de Temer não seja pelos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ou do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), mas mire a ministra do STF (Supremo Tribunal Federal), Cármen Lúcia, que se reuniu no início de maio com empresários para discutir reformas.
Diante desse cenário, o dirigente aponta que o foco da luta da classe trabalhadora deve ser, em primeiro lugar, derrubar as reformas e, depois, a realização de eleições diretas com a participação do povo. E aponta que há clima para nova Greve Geral.
Para ele, somente esse cenário seria capaz de reestabelecer a democracia e a confiança na frágil conjuntura política e econômica. Confira abaixo a entrevista:
Qual peso dos atos no próximo dia 24, em Brasília, para a retomada da democracia? 
Vagner Freitas – O dia 24 não é o fim de uma trajetória, mas dá continuidade à nossa luta. Fizemos uma grande Greve Geral, os atos de domingo foram bons e o dia 24 já tinha sido chamado antes mesmo da gravação da JBS comprometendo o Temer.
Porém, as manifestações, é bom frisar, são focadas na proposta do governo das reformas Trabalhista e Previdenciária. Esse é o ponto central dos atos do dia 24. Claro, também iremos defender as Diretas Já, o Fora Temer e a assembleia nacional Constituinte. Mas o que dá unidade a esses protestos é a questão da retirada das propostas.
O trabalhador precisa entender que o motivo de uma parcela da direita brasileira, junto com a mídia, de querer colocar e agora tirar o Temer é pura e simplesmente para fazer reformas. A parcela da mídia e da direita que agora quer o fim do governo Temer é porque não tem condições de entregar o produto, fazer as reformas. E quer colocar no lugar dele qualquer um que seja, de maneira indireta, um outro que venha a fazê-las.
Por isso as reformas e as Diretas Já estão absolutamente juntas. Se você tem o Fora Temer e eleição indireta, significa que as reformas continuam, causando um grande prejuízo, tanto para o Estado brasileiro, quanto para os trabalhadores e a economia. O dia 24 se reveste de maior importância por conta da conjuntura política que vivemos.
O trabalhador não pode aceitar o golpe dentro do golpe. Quando pensa ‘por que ao invés de só discutir nossos direitos vai lá discutir política?’ Porque uma coisa ter a ver com a outra. Se consegue colocar o Temer para fora, mas adotam a eleição indireta, as reformas Trabalhista e da Previdência passam.
Conseguimos barrar isso até agora, então, temos que continuar construindo, mobilizando, acredito em um ato de muita gente, mas precisa dar continuidade. Temos que estar em luta até alcançarmos as eleições diretas, porque é a chance que temos de eleger presidente e um Congresso Nacional que não seja aliado a quem quer fazer as reformas.
A CUT dialoga constantemente com seus interlocutores no Congresso. Como está hoje a situação do parlamento em relação às reformas?
Vagner – A agenda das reformas continua e amanhã pela manhã a CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) vai discutir no Senado a Reforma Trabalhista. Esperamos que a oposição consiga obstruir esse tema. Querem fazer à revelia do povo, mas 90% dos brasileiros são contra. Por isso é importantíssimo o ato e a participação de todos.
A situação do Temer cria condições para uma nova Greve Geral?
Vagner – Cria. A Greve Geral é atrelada às reformas. Fizemos dia 28 e podemos fazer outra porque estamos dizendo que não vamos aceitar o ataque aos direitos trabalhistas e à aposentadoria. Claro que hoje a Greve Geral também acrescentaria a bandeira pelas Diretas Já. Ou conseguimos barrar as reformas ou teremos, inevitavelmente, outra Greve Geral.
A CUT cobra, em caso de saída de Temer, eleições diretas, mas isso depende de mudança constitucional ou da cassação da chapa Dilma-Temer. Qual você acha o caminho mais viável?
Vagner – O primeiro artigo da Constituição diz o poder emana do povo e em nome dele deve ser exercido. E o povo quer votar. Há uma proposta do deputado Miro Teixeira que defende esse caminho, do voto popular, mas o importante é sairmos da crise.
O Brasil precisa ter uma luz no fim do túnel, o país precisa voltar a crescer, ter desenvolvimento, parar o desemprego, parar essa bandalheira política. Como um golpista indiciado manda uma proposta de retirada de direitos para um Congresso majoritariamente corrupto? Não cabe isso.
A única forma de voltarmos à normalidade política é com um governo que tenha credibilidade e legitimidade. Para isso precisa ser eleito e precisa também fazer a eleição de um novo Congresso Nacional. Porque não adianta fazer a eleição do presidente da República no Congresso que está aí. Nossa proposta é eleição geral e Constituinte para fazer a reforma Política.

Em todo o Brasil, manifestações exigem Diretas Já!

O domingo (21) no Brasil teve manifestações por Diretas Já em capitais e cidades de 20 Estados e mais o Distrito Federal.
Em todos esses lugares, os manifestantes atenderam ao chamado da CUT e das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e gritaram forte Fora Temer – desmoralizado após a delação dos donos da JBS.
Em toda parte, cresce a consciência de que o atual Congresso Nacional não tem nenhuma legitimidade para prosseguir as reformas que atacam os direitos do povo. Muito menos, então, para escolher um presidente da República.
Por isso, o clamor é por eleições diretas já, uma vez que só uma solução que passe pela legitimação do voto popular poderá interromper o golpe e a crise política brasileira.
Apesar da chuva e do frio que marcou o domingo em muitas regiões,  os atos se sucederam da manhã ao final da tarde.
Em São Paulo, desde a noite de sábado aconteceu a Virada Cultural, uma série de shows em diversos pontos da cidade. Mesmo sob ameaça do Ministério Público, um grande número de artistas, ao se apresentar, gritou com o público Fora Temer e Diretas Já. Entre os artistas que entraram no clima de protesto estavam Daniela Mercury; Fernanda Takai (Pato Fu); Tulipa Ruiz e a dupla As Bahias e a Cozinha Mineira.
Veja um resumo das manifestações deste 21/5.
Acre
Convocado pela CUT, pela CTB e por outras entidades da Frente Brasil Popular, o ato com cerca de 700 pessoas, no Centro de Rio Branco, pediu Fora Temer e eleições diretas já. (Foto: Midia Ninja)
Amazonas
Em Manaus, centenas de militantes da Frente Brasil Popular e da CUT participaram de um ato na Praça do Congresso, no Centro.
Bahia
Em Salvador, a concentração foi no Campo Grande, de onde, às 15h, saiu uma passeata até o Farol da Barra. Cerca de 10 mil pessoas participaram do ato.
Ceará
O protesto na Praia de Iracema, em Fortaleza, reuniu cerca de 15 mil pessoas e foi chamado pelas Frentes Povo Sem Medo e Frente Brasil Popular. Ao mesmo tempo, uma caravana de ônibus partiu da cidade rumo ao #OcupaBrasília no dia 24.
Distrito Federal
Em Brasília, cerca de 2 mil manifestantes reuniram-se em frente à Biblioteca Nacional e realizaram um esquenta para o #OcupaBrasília, na próxima quarta-feira (24).
Goiás
No Centro de Goiânia, na Praça do Trabalhador, foi realizado o ato por eleições diretas. A manifestação foi convocada pela CUT, CTB e Frente Brasil Popular.
Maranhão
Uma carreata com 400 carros e 3 mil pessoas marcou o protesto convocado por centrais sindicais, além dos movimentos Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo em São Luís.
Mato Grosso
Em Cuiabá, manifestantes também querem Fora Temer e Diretas Já.
Mato Grosso do Sul
Em Campo Grande, manifestantes chamados pela Frente Brasil Popular pediram o fim das reformas e Diretas Já.
Minas Gerais
Em Belo Horizonte, pela manhã, milhares de pessoas se concentraram na Praça da Liberdade. O ato foi chamado pela Frente Brasil Popular, pela Central Única dos Trabalhadores e movimentos sociais.
No interior de Minas Gerais, manifestações também pediram Diretas Já. Em Juiz de Fora e Uberlândia manifestações reuniram centenas de pessoas.
Pará
Em Belém, ato convocado pela CUT pedindo a renúncia do presidente Michel Temer e a realização de eleições diretas, reuniu centenas de pessoas.
Em Altamira, no Sul do Pará, a população também protestou.
Paraíba
Em João Pessoa, ato exige que se pare imediatamente as reformas.
Paraná
O protesto no Centro de Curitiba, começou às 14h com uma concentração na praça Santos Andrade, de onde partiu uma marcha até a Câmara Municipal. Mesmo com chuva, cerca de 300 pessoas participaram da manifestação.
Pernambuco
Em Recife, manifestantes pediram Fora Temer e eleições diretas na Praça do Marco Zero, no Centro da cidade. A CUT-PE estimou em 5 mil o total de participantes.
Piauí
Em Teresina o ato Fora Temer, Por Diretas Já e Contra as Reformas foi realizado na feira do bairro Parque Piauí e recebeu expressivo apoio da população.
Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, ocorreram manifestações na orla de Copacabana, pela manhã, e nas ruas de São Conrado, no início da tarde, onde uma passeata foi até a frente do apartamento em que reside o deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara, onde realizaram um escracho.
Rio Grande do Norte
Em Natal, a concentração começou por volta das 9h na Praça das Flores e deu origem a uma caminhada com mais de 3 mil manifestantes.
São Paulo
Na Capital paulista, debaixo de chuva e com baixa temperatura, cerca de 20 mil manifestantes protestaram na Avenida Paulista contra o golpista Michel Temer e pediram eleições diretas já. O protesto concentrou-se em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp).
No interior paulista também ocorreram manifestações, em cidades como Poá, Ribeirão Preto, Campinas e Piracicaba (foto).
Santa Catarina
Em Chapecó, no interior catarinense, manifestantes também pediram Diretas Já.
Sergipe
O protesto em Aracaju foi realizado nos Arcos da Orla da Atalaia, na Zona Sul da Capital sergipana. O ato, com 500 participantes,  foi convocado pela Frente Brasil Popular, com a CUT, o MST, estudantes e o Levante da Juventude.
Tocantins
Em Palmas, dezenas de pessoas protestaram na Praça do Bosque, no Centro da Capital. No ato, também houve protestos contra a Reforma da Previdência e a Reforma Trabalhista.

Não vamos trocar um golpista por outro, defende CUT

Nunca foi fácil e não seria agora. Se não dava pra ver os milhares de rostos escondidos sob os guarda-chuvas na Avenida Paulista na tarde deste domingo (21), era fácil descobrir o que queriam as mais de 20 mil pessoas que enfrentaram a forte chuva: ‘Diretas Já’ foi o grito que tomou conta da principal avenida de São Paulo.
Por todo o Brasil, ocorreram atos organizados pelas entidades que compõem as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, entre elas a CUT. As mobilizações surgiram após delações dos executivos da JBS divulgadas nesta semana que colocam o ilegítimo Michel Temer (PMDB) no centro de um milionário esquema de corrupção.
Presidente da CUT Nacional, Vagner Freitas lembrou que a Globo está repetindo o que fez com o ex-presidente Fernando Collor ao tentar derrubar quem colocou no poder. Mas, novamente, não se trata de nenhum compromisso com os interesses nacionais. “Querem tirar Temer porque ele não consegue entregar o produto, fazer as reformas (da Previdência e Trabalhista). Mas querem tirar um golpista pra colocar outro”, afirmou.
Vagner reforçou que os movimentos não aceitarão ‘gambiarras’ ou qualquer saída que não seja a saída de Temer e eleições diretas. Falou da mobilização para o dia 24, quando centrais sindicais e movimentos sociais estarão em Brasília pedindo eleições diretas com votação do povo – e não eleição indireta, com a decisão nas mãos do Congresso, como querem a velha mídia e a parte conservadora dos parlamentares –, além do fim das reformas Trabalhista e Previdenciária que atacam a classe trabalhadora.
“Vamos ocupar Brasília e não nos venham com propostas golpistas. Eles querem entregar o pacote das reformas, nós queremos uma Constituinte. O povo não pode ser relegado a segundo plano.  O povo tem direito de votar e não vamos aceitar que nossos direitos sejam retirados”, disse.
Fora quem vier sem eleição direta
Presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, apontou que as mobilizações deste domingo são apenas o princípio de uma luta para a retomada da democracia. “Mesmo debaixo de chuva, o povo permaneceu até o final. Esse é só o começo da luta. Permaneceremos nas ruas até conseguirmos derrubar este governo golpista e a CUT-SP estará junto na ocupação de Brasília.”
Guilherme Boulos, coordenador do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), falou que uma eleição indireta irá colocar no poder outro presidente ilegítimo. “Hoje estamos gritando ‘Fora Temer’, mas se colocarem o Rodrigo Maia (presidente da Câmara) vamos gritar ‘Fora Maia’, e se entrar Cármen Lúcia (presidenta do STF), a mesma coisa.”.
Dirigente nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Teto), João Paulo, apontou que os próximos dias serão fundamentais para colocar fim ao governo golpista. “Essa semana é decisiva para nós porque além de lutas por diretas, temos que apresentar alternativa pra classe trabalhadora que não aguenta mais conviver com governo golpista de reformas. Por isso é extremamente importante ocupar Brasília dia 24”.
Liderança da Intersindical, Edson Carneiro, o Índio, alertou que a direita pode estar dividida no método, mas tem unidade no objetivo. “A direita e o grande capital estão divididos: uns querer Temer pra acabar com diretos trabalhar e a Previdência, outros querem eleições indiretas para acabar com a Previdência e os direitos trabalhistas”.
Para o coordenador da Central de Movimentos Populares (CMP) e da Frente Brasil Popular SP, Raimundo Bonfim, o Brasil assiste a uma das crises da maior gravidade. “É um quadrilha golpista no poder enquanto Eduardo Cunha (ex-presidente da Câmara) ganha sua mesada. Eles argumentam que não podem alterar a Constituição Federal,  mas desrespeitando as leis foi que eles deram  um golpe. Não permitiremos que o golpe continue”, apontou.
Pedidos de impeachment
Desde que o caso de Temer veio à tona, importantes entidades do Brasil divulgaram posicionamentos cobrando explicações de Temer e pedindo sua renúncia, como a CUT e a CNBB. Na madrugada deste domingo (21), foi a vez da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) decidir, em comissão especial, pela abertura de processo de impeachment contra o presidente Temer por crime de responsabilidade. O ilegítimo já coleciona outros nove pedidos na Câmara ingressados desde quarta-feira.
O governo golpista também tem enfrentado diariamente manifestações em diferentes pontos do Brasil. Inclusive atividades culturais acabaram ganhando peso político por parte do público. No sábado e na manhã de domingo (21), houve intervenções durante a Virada Cultural, em São Paulo, quando artistas como Daniela Mercury e a dupla As Bahias e a Cozinha Mineira pediram a saída de Temer. Na plateia, vários cartazes cobram o fim do governo Temer e eleições diretas.

Igrejas cristãs se unem contra as reformas e por Diretas Já!

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), entidade que reúne representantes das mais importantes igrejas cristãs brasileiras, católica e evangélicas, divulgou nesta sexta (19), em Brasília, um manifesto sobre o momento político do país.
No texto, as igrejas condenam enfaticamente o golpe e o ataque aos direitos sociais e exigem o fim da repressão às manifestações, a suspensão do andamento das reformas e a realização de eleições diretas para presidente e também para a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, para “restaurar a legitimidade da representação popular”.
No manifesto do CONIC, as igrejas conclamam os cristãos a uma “atitude de resistência profética em favor da democracia” e em defesa dos direitos à saúde, à educação, à previdência social e ao emprego.
O CONIC foi formado no final da ditadura militar, em 1982, reunindo as igrejas Católica Apostólica Romana, Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Episcopal Anglicana do Brasil e Metodista. Seu surgimento foi um salto num longo processo de articulação ecumênica das igrejas iniciado em 1975.
Confira a seguir a íntegra da declaração do CONIC.
 
SOBRE O ATUAL MOMENTO POLÍTICO DO BRASIL
Brasília, 19 de maio de 2017.
Nos últimos anos, as forças políticas conservadoras desenvolveram uma decidida campanha para retomar o poder no Brasil a qualquer preço. Fizeram de tudo para desestabilizar o primeiro mandato da presidenta Dilma Rousseff, visando sua derrota nas eleições de 2014.
Frustrados em seus intentos, aliaram-se aos maiores grupos de mídia para, sob a bandeira do combate à corrupção, alimentar uma indústria de denúncias de corrupção, noticiadas quase diariamente com alarde monumental. Muitas dessas denúncias se valeram de meios pouco transparentes para obter seus elementos de prova.
Essas forças chegaram ao poder com o impeachment da presidenta Dilma e a posse do vice-presidente Michel Temer. Este processo passou para a história como um golpe parlamentar perpetrado em nome da moralização da política brasileira e concretizou a ruptura democrática.
Desde então, o Poder Legislativo se fechou para a sociedade. O acesso às galerias – antes um espaço reservado à manifestação dos movimentos organizados em torno das pautas debatidas – foi substituído pelo fechamento dos acessos para a população e pelo cerco de policiais fortemente armados.
Em Brasília, trabalhadores e trabalhadoras, estudantes, indígenas e outros setores do movimento social são tratados como criminosos e impedidos de se aproximar até da Praça dos Três Poderes. Essa coibição ocorre diariamente, mas de forma mais intensa nos dias em que proposições que afetam suas categorias são discutidas e votadas nos plenários. As discussões são realizadas a portas fechadas, sem participação da sociedade civil.
Os patrocinadores do golpe levaram ao Executivo e ao Congresso uma pauta de retrocessos. Essa pauta é claramente defendida pelo mercado financeiro. Incluem o corte de programas sociais, o sucateamento dos serviços públicos, venda de terras para estrangeiros, até chegar à reforma trabalhista e à reforma previdenciária. Além disso, a criminalização de movimentos e organizações sociais, em especial os que trabalham com a demarcação de terras para povos indígenas, como é o caso da CPI da FUNAI/INCRA, indicam que há claro interesse em promover uma limpeza de território para garantir o interesse de ruralistas. Essas propostas representam um corte brutal nos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, da ativa e aposentados, além de colocarem sob risco a soberania do país. Essas reformas constituem um retrocesso ao capitalismo antes de 1929, portanto, não são medidas que modernizam a economia.
Tomaram o poder prometendo combater a corrupção. Esta, todavia, dominou o novo governo. No último dia 17 de maio vieram a público revelações nas quais o presidente em exercício e lideranças de seu governo são gravados avalizando e praticando atos de corrupção no exercício do cargo. Essas são as provas de que falta a esse governo a legitimidade para conduzir os destinos da nação, especialmente, quando se discutem propostas que afetam a vida de toda a população nos próximos cinquenta anos.
Diante desse quadro complexo, O CONIC – Conselho nacional de Igrejas Cristãs do Brasil – vem a público exigir:
1. o fim da repressão aos movimentos sociais, às manifestações populares;
2. a imediata suspensão da votação das reformas em andamento no Congresso;
3. a realização de eleições diretas para a Presidência da República e para as duas casas do Legislativo federal, com vistas a restaurar a legitimidade da representação popular.
Conclamamos as igrejas-membros do CONIC e a todas as pessoas cristãs que se coloquem em oração de intercessão pelo Brasil e, também, em atitude de resistência profética em favor da democracia, que garanta o acesso universal à saúde, à educação, à previdência social e ao emprego. Queremos uma democracia que garanta a distribuição de riquezas, garantia de direitos aos povos indígenas, taxação sobre grandes fortunas e que nos permita sonhar por novo céu e nova terra.
Nenhum direito a menos!
“É o amor de Cristo que nos move”
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC)

CUT exige: "Fora Temer, Retirada das Reformas e Diretas Já!"

A Central Única dos Trabalhadores divulgou nota para orientar a atuação de sua base e dos sindicatos, federações e confederações após divulgação das graves denúncias contra o presidente Temer e o senador Aécio Neves. A seguir, a íntegra do texto.

FORA TEMER, RETIRADA DAS REFORMAS E DIRETAS JÁ!

A Direção da CUT considera de extrema gravidade as denúncias, fartamente documentadas  com provas  consistentes e divulgadas ontem nos meios de comunicação envolvendo o presidente ilegítimo Michel Temer no pagamento de propina, oriundas da empresa JBS, a Eduardo Cunha com o objetivo de mantê-lo calado em relação a crimes de corrupção envolvendo o próprio Michel Temer e o núcleo do seu governo. As denúncias atingem também um dos expoentes das forças que lhe dão sustentação política e parlamentar, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves, que teria recebido recursos igualmente ilícitos de Joesley Batista, dono da JBS e que chegou a dizer, ao se referir a um de seus colaboradores: “Tem que ser um que a gente mata ele  antes de fazer a delação” .
Além da clara intenção de obstruir o trabalho da Justiça, os fatos tornam público, de forma irrefutável, a natureza criminosa da quadrilha que assaltou o poder ao promover o golpe contra  a Presidenta Dilma. Ao mesmo tempo, os fatos tornam insustentável a continuidade do governo golpista.
Neste momento crucial de aprofundamento da crise política, a CUT soma-se ao conjunto de forças democrático-populares para exigir Fora Temer, a retirada dos projetos da reforma da previdência e da reforma trabalhista da pauta do Congresso e a convocação e eleições diretas para eleger um novo Presidente e um novo Parlamento, com atribuições de poder constituinte. Deverá ser devolvido ao povo o direito soberano de escolher seus representantes para  pavimentar o caminho para as mudanças estruturais necessárias para restaurar  e  consolidar a Democracia e  promover um novo ciclo de desenvolvimento.
A CUT e os movimentos sociais representados pela Frente Brasil Popular e pela Frente Povo Sem Medo têm tido um papel fundamental na resistência ao governo golpista e a sua agenda neoliberal e regressiva, desencadeando um processo crescente de mobilizações nas capitais e cidades do interior nos dias 8, 15 e 31 de março e que culminaram na histórica greve geral do dia 28 de abril que envolveu mais de 40 milhões de trabalhadores/as. O recado foi dado: só a luta popular será capaz de derrotar o governo golpista e ilegítimo e de impedir que sejam retirados direitos fundamentais da classe trabalhadora.  Apesar de termos isolado o governo golpista, que conta com baixíssimo índice de aprovação, ele insiste em manter as reformas criminosas contra a classe trabalhadora.
Diante da gravidade do momento, a CUT orienta suas bases a permanecerem em estado permanente de mobilização, e as conclama a saírem às ruas das capitais e cidades do interior no próximo domingo, dia 21, e a ocuparem Brasília no dia 24 de maio para exigir:

QUE O CONGRESSO RETIRE DA PAUTA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA E A REFORMA TRABALHISTA

FORA TEMER!

DIRETAS JÁ!

Direção Executiva da CUT Nacional

Para CUT, não há eleição legítima sem povo

Em coletiva nesta quinta-feira (18), em São Paulo, o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, deixou claro que os movimentos sindical e sociais que compõem as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo não aceitarão qualquer saída ao governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB) fora das eleições diretas.
Para as organizações, ainda que protele a decisão, o cambaleante Temer (PMDB) já sabe que não tem condições políticas, governamentais e moral para se manter como presidente da República.
A questão agora é discutir o que ou quem o sucederá e acertaram que o eixo “Fora Temer, Diretas Já e pela retirada imediata das reformas Trabalhista e Previdenciária” norteará a luta.
“Entendemos que ele deve renunciar imediatamente à presidência e não aceitaremos o golpe dentro do golpe. O que se está construindo é a saída dele e a indicação por via indireta de outro qualquer nas hostes da república e que tem implicação nesta crise tanto quanto ele. Só não tem gravação. Ainda”, lembrou Vagner.
Segundo ele, a ascensão ao cargo sem consulta ao povo só aprofundará a crise, seja o escolhido da Câmara, Senado ou do Supremo Tribunal Federal (STF).
“(Se isso acontecer) nós vamos continuar fazendo a campanha pelas Diretas Já que vamos denunciar internacionalmente que os mesmos que construíram a crise continuam no poder, só trocando de nome. A crise é uma oportunidade para que o Brasil possa convocar eleições direitas elegendo um governo com credibilidade para propor mudanças econômicas necessárias para o Brasil sair da crise”, defendeu Vagner.
Calendário de lutas
Para o presidente da CUT, as ruas mostrarão nos próximos dias que o país não quer mais conviver com um governo marcado pela sujeira e a incompetência.
Em diversas cidades do país hoje acontecerão manifestações. Em São Paulo, a mobilização acontece na Avenida Paulista, às 19h, no vão livre do MASP.
No próximo dia 21, mais uma vez o povo vai às ruas em todo o Brasil pelo “Fora Temer” e dia 24 haverá ato centralizado em Brasília. Mas outras cidades também promoverão manifestações.
“A hora é de lutarmos para sair da crise e pelo retorno do desenvolvimento econômico, da credibilidade e pelo fim da bandalheira”, convocou Vagner.
Temer no lixo
Líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Teto), Guilherme Boulos, garantiu que sem eleições diretas não haverá paz. “Enquanto não houver eleições, não saíramos das ruas. Os mesmos que há um ano entraram pelas portas dos fundos sairão agora pela lata de lixo da história. A questão é o que vem depois. O Temer se agarra de maneira desesperada, inconsequente e patética como fez hoje, mas isso não dura”, apostou.
Coordenador Nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), Gilmar Mauro, acrescentou que, além das eleições para presidente, os movimentos cobraram um novo pleito também para o Congresso.
“Temos de conclamar todos, inclusive setores que apoiaram o impeachment por conta da ilusão construída pelos meios de comunicação e que agora se dão conta de que o golpe é político, mas também com retrocessos sociais votados por esse Congresso.”
Também nesse sentido, o coordenador da CMP (Central de Movimentos Populares), Raimundo Bonfim, disse que é hora de ampliar o diálogo. “Não nos indentificamos com os movimentos de direita, mas isso não significa que não queremos dialogar com a base que dizem representar.”
Negação da agenda – Presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), Carina Vitral, definiu como uma aberração entregar às mãos de quem aprofundou a crise o comando do Brasil.
“O programa escolhido nas eleições de 2014 é diametralmente distante do aplicado pelo Temer, esse programa dos juros altos, da reforma da Previdência, do ensino médio. As eleições diretas são única saída para devolver a soberania do volto popular e devolver para mãos do povo a decisão sobre os rumos do país. O Congresso aprofundou a crise política e não vamos confiar a ele os rumos do país”, ressaltou.

CUT e frentes convocam manifestações para domingo (21)

A CUT e as demais entidades que formam as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo vão realizar no próximo dia 21, em todo o Brasil, atos e manifestações para exigir a saída do ilegítimo presidente Michel Temer e eleições diretas.
Nesta quinta-feira (19), na sede da CUT em São Paulo, representantes das frentes irão se reunir para definir o formato da manifestação nacional no próximo domingo (21) e o reforço para a Marcha a Brasília no dia 24.
A Marcha, que foi convocada pela CUT e demais centrais sindicais, é uma prioridade do movimento sindical diante do novo cenário na política nacional após as denúncias contra Temer.
Segundo o presidente da CUT, Vagner Freitas, para propor reformas tão drásticas e nefastas no mercado de trabalho e na aposentadoria dos brasileiros, é preciso ter no mínimo condição política e moral, coisa que o grampo que o dono da JBS Joesly Batista comprovou, Temer não tem.
“No dia 24 vamos exigir a interrupção imediata da tramitação das reformas (desmontes) da Previdência e Trabalhista, que acabam com a aposentadoria e com a CLT”, disse Vagner, que complementou: “Um governo golpista e sua base de apoio não têm nenhuma condição moral de defendê-las”.
A denúncia contra Temer
As provas de corrupção e suborno envolvendo diretamente o golpista Michel Temer, numa operação com a JBS para calar o ex-deputado Eduardo Cunha comprovam, o que há mais de um ano afirmamos, que o ilegítimo Temer não tem nenhuma condição de continuar na presidência da República.
Só o voto popular pode resolver essa imensa crise política, resgatar a democracia e credibilidade na principal instituição brasileira. Qualquer outra saída será golpe dentro do próprio golpe.
É por isso, que a CUT e as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo convocam todos e todas para ocupar as ruas no próximo domingo, dia 21 de maio, de todas as capitais do país para exigir Fora, Temer e Eleições Diretas, Já! E preparar a maior Marchas a Brasília no dia 24.

A hora chegou! Vamos resgatar nossa democracia. Diretas já!

Em 17 de maio, mais um marco aconteceu na tão conturbada história política brasileira. Neste dia, estabeleceu-se o início da queda do golpismo. Após notícia amplamente divulgada de que o dono da JBS gravou Temer dando aval para comprar silêncio de Cunha e Aécio Neves pedindo R$ 2 milhões para pagar custos de sua defesa na Lava Jato, o império golpista começou a esfacelar.
Não demorou a estrondar nas paredes do Plenário da Câmara os gritos de “Fora Temer!” e que o pedido de impeachment fosse imediatamente protocolado. Em frente ao Palácio do Planalto, manifestações de protesto e um tremendo buzinaço.
Nesta quinta (18), o ilegítimo Temer desmarcou toda sua agenda e um silêncio sombrio paira por sobre o ‘teto do poder’.
A Central Única dos Trabalhadores em Brasília promoveu uma plenária emergencial nesta quinta (18), para que, junto aos sindicatos e movimentos sociais, traçassem os próximos passos do resgate da nossa democracia, tão duramente usurpada.
No encontro, que iniciou às 8h, a deputada federal Érika Kokay (PT/DF), alertou que esse é um momento ímpar. “Vamos barrar os ataques aos direitos que tramitam no Congresso Nacional, nada, desse governo ilegítimo e, comprovadamente corrupto, deve ser votado. Agora, precisamos de eleições diretas para que não haja novo golpe no país”.
Entre os encaminhamentos, uma ampla agenda de mobilização foi marcada. Para esta quinta (18), haverá atividade na Rodoviária do Plano Piloto, às 17h, e em seguida, será iniciada uma vigília, em frente ao Palácio do Planalto, a partir das 19h. O objetivo é pressionar o governo sem voto a renunciar, dando ao povo o direito de escolher seu governante através de eleições diretas.
Outra ação importante será um grande ato no domingo (21), que reunirá trabalhadores de todas as categorias, movimentos sociais e sindicais, e todo o conjunto da sociedade. O início do movimento está previsto às 10h, com concentração no Museu da República.
Na segunda (22), os movimentos se reunirão novamente para uma plenária ampliada, que discutirá a conjuntura política e traçará novas ações de combate ao golpe. A atividade acontece no Teatro dos Bancários, a partir das 19h.
Já na quarta (24), como previsto no calendário de lutas, trabalhadores de todo o país ocupam Brasília para dizerem NÃO a toda e qualquer retirada de direitos. A concentração está prevista para as 14h, no Estádio Mané Garrincha.
Para o secretário-geral da CUT Brasília, Rodrigo Rodrigues, esse é o momento de unidade, resistência e mobilização. “Precisamos deixar claro que o que está em jogo é o futuro do país. É hora de irmos às ruas com a cor vermelha, cor da luta. É importante que todos os trabalhadores estejam presentes nos atos e pressionem esse governo golpista”, destacou.
Confira a agenda:
A hora chegou! Vamos resgatar nossa democracia
Quinta (18/5)
17h – Atividade na Rodoviária do Plano Piloto
19h – Vigília em frente ao Palácio do Planalto
Domingo (21/5)
10h – Ato no Museu da República
Segunda (22/5)
19h – Plenária ampliada no auditório do Sindicato dos Bancários
Quarta (24/5) – Ocupa Brasília
14h – Concentração no Estádio Mané Garrincha
17h – Marcha
18h30 – Ato na Praça dos Três Poderes

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