Aos 94 anos, Previdência nunca esteve tão em risco
Jornalista: Leticia
A Previdência Social completou 94 anos nesta terça-feira (24), data em que se celebra também o Dia dos Aposentados. Para marcar a data, a CUT promoveu um seminário em sua sede, na capital paulista, para tratar da sobrevivência do regime diante dos seguidos golpes do governo golpista de Michel Temer (PMDB).
Para o presidente da Fenapi (Federação Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), Wilson Ribeiro, ao atacar o poder de compra dos inativos, o governo reforça a opção de tesourar a economia ao invés de incentivá-la.
“Desvincular o aumento do salário do aumento da economia é um erro terrível, porque, quando o governo passou a dar aumento real, o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu. O aposentado passou a comprar porque precisava, devido aos anos de defasagem acumulados. Queremos aquilo que pertence a nós, aquilo que é fruto da nossa contribuição durante anos”, afirmou.
Mais do que pensar na economia, o secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre, ressalta que a preocupação de Temer é fazer um contraponto ao modelo de desenvolvimento com inclusão dos mais pobres capitaneado pelo ex-presidente Lula e pela presidente eleita Dilma Rousseff. “A grande diferença entre nós e os golpistas é que para nós o pobre passaporte para mudarmos o país, fazermos crescer por meio da inclusão economia, nas universidades. Estão desmontando todas as políticas sociais porque não deram golpe para que conseguíssemos voltar em 2018, mas para que fiquem 20, 30 anos no poder.”
O dirigente defendeu que a direção do golpe pela capacidade de reação da classe trabalhadora. “O golpe de 1964 aconteceu porque a classe trabalhadora não reagiu. Precisamos construir a unidade de todos os trabalhadores, inclusive os aposentados dentro da CUT. O que está vindo aí só se enfrenta se houver unidade.” Visão equivocada
Secretário de Administração e Finanças da Central, Quintino Severo, também apontou que o fim da Previdência, junto com a reforma trabalhista, representa uma visão de Estado mínimo.
“Temos a missão de impedir que este governo golpista acabe com a Previdência e a transforme apenas em uma questão de receita para beneficiar o capital. Vimos o que representa esse direito, quando foi atrelado ao ministério da Previdência, algo que nem a ditadura fez. Não é possível ficar até 65 anos trabalhando na agricultura ou na boca de um forno. Não podemos comparar trabalhador em péssimas condições com outro fica em um escritório. Essa é a maior injustiça que esse governo colocando nos ombros da classe trabalhadora neste país”, disse. Desmanche
Na avaliação do supervisor técnico do escritório do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), Victor Pagnani, a PEC 241/55 (Proposta de Emenda à Constituição), que congela os investimentos públicos por 20 anos, mostram como os gastos serão enxugados no governo.
“É um novo regime fiscal do Estado, que congela as despesas primárias, com serviços públicos, mas que não inclui as financeiras, para pagamento de juros e amortização das dívidas. Corta dos pobres que necessitam dos serviços públicos para poder pagar aos bancos, rentistas, aquele 1% dos brasileiros que possuem altas aplicações financeiras.”
O governo parte, afirma, de um diagnóstico de que as despesas crescem de forma descontrolada, mas ignora que o financiamento da Seguridade ocorre de maneira tripartite. “Isso é uma falácia porque só considera as contribuições feitas por empresas e trabalhadores e não as contribuições feitas pelo governo. Impostos são recolhidos para financiar a Seguridade Social, é um direito do cidadão em um sistema tripartite”, alerta.
Para ele, seria possível um outro modelo de ajuste fiscal, que incluísse a redução da taxa de juros, a volta do crescimento econômico, a reforma tributária com o fim das desonerações e o imposto de renda sobre lucros, dividendos e grandes fortunas.
Com a PEC do congelamento dos gastos aprovado, reformas que atingem os mais pobres, como a mudança na Previdência, seria questão de tempo.
“É cruel igualar a idade de aposentadoria entre homens e mulheres, que tem cuidados com casa e filhos e mais interrupções por conta da maternidade. Assim como acabar com a aposentadoria especial para os rurais, que tem um trabalho degradante. O objetivo é que desistam da Previdência social e migrem para Previdência privada. Pela primeira vez nos últimos 13 anos o mínimo teve ganho abaixo da inflação”, lamentou Pagnani.
Durante o encontro, a Fenapi também aprovou um documento que será entregue em Brasília com reivindicações dos trabalhadores aposentados. Clique aqui para ler.
Cerca de mil terceirizados que atuamna limpeza e preparo de merenda nas escolas do Distrito Federal participaram na manhã desta terça-feira (24) de um ato em frente à empresa Juiz de Fora. Os trabalhadores estão, desde o início do ano, em greve pelo atraso de salários, tíquete alimentação e 13º salário. Ao todo, são mais de três mil famílias com suas contas atrasadas pelo descaso da empresa.
Os protestos seguiram para a Praça do Buriti e às sedes da Secretaria de Estado da Educação (SEE) no Setor Bancário Norte e na 607 Norte. Às 17h, os dirigentes do Sindiserviços, sindicato que representa a categoria, se reunirão com representantes da empresa e também do governo para cobrar uma solução rápida. A reunião será na sede da Secretaria de Estado da Educação no Setor Bancário Norte.
O sindicato vem desde 2016 denunciando a empresa pelos recorrentes atrasos e desrespeitos trabalhistas com seus empregados junto ao Ministério Publico do Trabalho (MPT) e na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE/DF).
OAB pressiona Carmen Lúcia por delações da Odebrecht
Jornalista: Leticia
No último domingo (22), o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia, defendeu que a presidenta do Superior Tribunal Federal (STF), Carmen Lúcia, decida rapidamente sobre a homologação das delações premiadas da Odebrecht.
Para Lamachia, Carmen Lúcia deve anunciar a decisão até o final do recesso do STF, que será no início de fevereiro. “Não há tempo a perder. É o que a sociedade brasileira espera. Não é cabível que, em situações excepcionais como esta, se aguarde tanto.”
Uma semana antes de sua morte, o então ministro do STF Teori Zavascki havia anunciado que interromperia suas férias para analisar as delações da Odebrecht e decidir se seriam homologadas.
Com a morte de Teori, além da homologação das delações, outra difícil decisão deve ser tomada pelo STF, quem passará a ser o relator do processo da Lava Jato na mais alta corte do País.
A Rede Brasil Atual noticiou que um grupo de magistrados do STF tem defendido a nomeação do ministro Celso de Mello para a relatoria da Lava Jato na corte. Porém, antes de tudo a presidenta Carmen Lúcia precisa dar um parecer informando a quem compete a decisão de nomear o novo relator, se ela mesma ou o presidente da República.
Debater e alertar a sociedade para os impactos da proposta de reforma da Previdência enviada pelo governo federal ao Congresso Nacional. Esse é o principal objetivo do seminário “Em defesa do direito à aposentadoria para todos”, promovido pela Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) e pela Associação Nacional dos Participantes de Fundo de Pensão (Anapar), que será realizado em Brasília (DF), no dia 27 de janeiro. Centrais sindicais e outras entidades representativas também participarão do evento.
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até 25 de janeiro
Para o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira, as mudanças pretendidas poderão ser nocivas, sobretudo para os brasileiros mais carentes. “A proposta foi apresentada sem nenhuma discussão com trabalhadores e sociedade. Por isso, é fundamental discutirmos o papel da previdência pública, que deve ser um mecanismo de proteção social e não um produto de capitalização, como alguns defendem. Também é urgente derrotar a falácia de que a nossa previdência está falida”, afirma.
“O argumento de déficit da Previdência Social não se sustenta. O modelo de seguridade social adotado no país, consagrado pela Constituição de 1988, está baseado em três pilares: contribuição dos empregadores e contribuição dos trabalhadores e contribuição do Estado. A proposta do governo Temer só vem consolidar a inadimplência da União, que desvia os recursos devidos ao setor para pagamento dos juros aos bancos”, diz Antonio Bráulio de Carvalho, presidente da Anapar.
Outro importante tema do seminário serão as ameaças aos participantes de fundos de pensão. Uma delas é o PLP 268/2016, que acaba com a representação dos trabalhadores nas entidades. Deverá ser aprovado, no final do seminário, um documento com a posição das entidades participantes sobre os temas debatidos. Serviço:
Seminário “Em defesa do direito à aposentadoria para todos” Local: Hotel San Marco Endereço: Setor Hoteleiro Sul Quadra 5 Bloco C / Asa Sul / Brasília (DF) Horário: 9h às 18h Inscrições no site do Fenae Programação: 9h – Credenciamento 9h30 – Abertura 10h –Papel social da Previdência pública e consequências das reformas para os trabalhadores
Palestrantes: Luís Nassif (jornalista) e Denise Lobato Gentil (professora de Economia da UFRJ)
Moderador: Antônio Braulio de Carvalho (presidente da Anapar) 12h – Almoço 14h – Rumos da Previdência complementar e ameaças à representação dos participantes
Palestrantes: Claudia Ricaldoni (vice-presidente da Anapar), José Eymard Loguercio (mestre em Direito pela UNB e sócio do escritório LBS Advogados) e Erika Kokay (deputada federal).
Moderadora: Fabiana Matheus (diretora de Administração e Finanças da Fenae) 16h – Encaminhamentos 17h30 – Encerramento
Nota técnica do Dieese condena a Reforma da Previdência
Jornalista: Leticia
Na última quinta-feira (19), o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou uma nota técnica sobre a PEC 287 que dita as normas para a Reforma da Previdência pretendida pelo governo do presidente ilegítimo Michel Temer.
O texto critica a Reforma da Previdência e afirma que ela reduzirá a “abrangência e a capacidade de proteção social”. De acordo com a nota técnica do Dieese, há uma relação entre a PEC 287 e a PEC da morte.
“A mudança radical da Previdência e da Assistência se articula com o Novo Regime Fiscal, implementado pelo governo federal por intermédio da Emenda Constitucional 95 (antiga PEC 241/55), que estabelece, para os próximos 20 anos, o teto dos gastos públicos primários, isto é, de todas as despesas, exceto das financeiras”, afirma o texto. Confira a Nota Técnica do Dieese na íntegra:
'Delatado, Temer não tem condições para nomear ministro do STF', diz professor da USP
Jornalista: Leticia
O presidente Michel Temer, por ser mencionado nas delações da Operação Lava Jato, não tem condições de nomear um novo ministro para o Supremo Tribunal Federal (STF), em substituição a Teori Zavascki, morto ontem (19), num acidente aéreo em Paraty (RJ). É o que afirma o professor titular da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) Gilberto Bercovici, em entrevista à Rádio Brasil Atual, hoje (20). Pelo regimento do STF, o ministro a ser nomeado herdará todo o processo da Operação Lava Jato, o que inclui a homologação de dezenas de delações premiadas de empreiteiras, o que pode implicar Michel Temer, além da cúpula de partidos como o PMDB e o PSDB.
“O maior agravante é que ele (Temer) é mencionado nas delações. É complicado nomear alguém que pode investiga-lo. É uma situação moral complicada. Eu, particularmente, acho que Temer não tem a mínima condição de nomear um substituto para Teori, porque, independentemente da qualidade do indicado, a pessoa terá a suspeição da população”, explica o professor.
Segundo Gilberto, além do fato de ser delatado, outro motivo que deslegitima a nomeação por Temer é o fato de não ter sido eleito diretamente. “Na realidade, o atual presidente não tem a legitimidade do voto popular. O ministro indicado pelo presidente, na verdade, é indicado por alguém eleito pelo povo, daí vem a legitimidade do STF.”
Bercovici também critica a pressa da imprensa tradicional para a escolha do substituto de Teori.
Reforma da Previdência vira piada nas redes sociais
Jornalista: Leticia
Após o governo federal anunciar a proposta de reforma da Previdência, que exige mínimo de 65 anos para a aposentadoria e 49 anos de contribuição para receber o benefício na íntegra, uma série de memes (saiba mais no quadro) circulam pelas redes sociais, como facebook, whatsapp, youtube entre outros.
Em uma busca rápida no google por ‘memes reforma da Previdência’, mais de 50 mil resultados são encontrados. Bebês trabalhando para garantirem a aposentadoria, idosas apoiadas por bengalas indo trabalhar, por que ainda não conseguiram o benefício, caveiras em filas do INSS são os mais comuns.
Para o vice-presidente do Sindicato, Aroaldo Oliveira da Silva, o humor ajuda na crítica às propostas do governo federal.
“Apesar das brincadeiras, o assunto é muito sério e não podemos perder de vista que a reforma da Previdência quer inviabilizar o acesso à aposentadoria para milhões de trabalhadores”, avaliou o dirigente.
Presidente da CUT repele tentativas de retirada de direitos conquistados e garantidos por lei
Jornalista: Leticia
No jornal Valor Econômico desta quarta-feira (18), foi publicada matéria com a opinião do presidente da CUT, Vagner Freitas, sobre a difícil conjuntura que o Brasil passa, com destaque sobre as principais reformas que estão sendo promovidas pelo governo do presidente da República sem voto. A entrevista aconteceu na semana passada e o título publicado não corresponde aos principais pontos da conversa, especialmente no que se refere à Previdência Social, cuja ênfase deveria ter sido que “Nunca uma proposta foi tão mobilizadora contra o governo Temer”, como a de acabar com a Previdência.
Segue abaixo a íntegra da entrevista.
Boa leitura!
“Conjuntura para esquerda é difícil “, diz presidente da CUT
Por Andreia Jubé e Fernando Exman
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, disse em entrevista ao Valor que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva “não tem o direito de descansar” neste momento em que a esquerda precisa de sua candidatura. Um dos aliados mais próximos a Lula, Freitas admite que a conjuntura é “difícil” e não será fácil a esquerda retornar ao poder. Mesmo assim, argumenta que é preciso ter um candidato forte pelo menos para fazer o debate político.
Freitas afirma que a CUT – que representa 33,6% dos trabalhadores sindicalizados – continuará pedindo a “renúncia” do presidente Michel Temer e definirá, no fim do mês, nova agenda de mobilizações contra as reformas da Previdência Social e trabalhista. No entanto, ele reconhece que a central até hoje não conseguiu mobilizar os trabalhadores, “organizadamente”, nas ruas pelo “Fora, Temer”.
O presidente da CUT acredita, contudo, que a luta contra a reforma previdenciária conseguirá unificar o movimento sindical.
“Nunca uma proposta foi tão mobilizadora contra o governo Temer”.
A seguir, os principais pontos da entrevista. Valor: Como será a relação da CUT com o governo Temer? Vagner Freitas: Queremos a renúncia do presidente Michel Temer e a convocação de eleições diretas já, em todos os níveis, para que se reinstaure a democracia. Entendemos que o Brasil vive um momento de exceção, um regime não democrático, por isso, não podemos ter uma relação como se nada tivesse acontecido. As ações do presidente Temer demonstram que o golpe era contra os trabalhadores, como a reforma previdenciária, a trabalhista, a PEC 55 [que fixou um teto para os gastos públicos], todas para retirar direitos. Valor: Mas há representantes da CUT dialogando com o governo, participando de reuniões. Freitas: Claro que a vida é dura, e existem momentos em que setores da central acabam tendo que ter alguma interlocução com o governo. Os espaços em que representantes da CUT mantêm conversas formais com o governo são para impedir a retirada de mais direitos. Valor: Qual a agenda de manifestações para este ano? Freitas: Já no primeiro trimestre voltaremos às ruas com o “Fora, Temer”, com as “Diretas Já”, e contra as reformas previdenciária e trabalhista. No dia 31 de janeiro a CUT reúne a sua Executiva nacional, e vamos discutir as datas também com a Frente Brasil Popular e a Frente Povo sem Medo. Temos a proposta de uma grande atividade de rua na primeira quinzena de março, aproveitando o Dia Internacional da Mulher, já que as mulheres são muito afetadas por essas reformas. Valor: Outras centrais estão dialogando com o governo. A CUT está isolada neste enfrentamento? Freitas: Não vejo a CUT isolada, eu a vejo amparada pelos trabalhadores. Agora tem um ingrediente que não conseguimos ainda: fazer os trabalhadores irem para as ruas, organizadamente, pelo “Fora, Temer”, pela volta da democracia, eu reconheço isso. Não conseguimos fazer uma greve geral contra a retirada de direitos.
“Até as lideranças que foram a favor do golpe já vêm a público dizer que o governo Temer é pior que o da Dilma” Valor: O senhor acredita que a oposição à reforma da Previdência unificará as centrais? Freitas: Até as lideranças que foram a favor do golpe, ou pelo menos que não se colocaram contrárias, já vêm a público dizer que o governo Temer é pior que o da Dilma porque retira mais direitos dos trabalhadores. Essa união das centrais virá muito mais da unidade dos sindicatos. Como um sindicato de qualquer central vai concordar com essa reforma, que inviabiliza o trabalhador de se aposentar? Nunca uma proposta foi tão mobilizadora contra o governo Temer. A discussão chegou às igrejas, aos botecos, à mesa do jantar, o trabalhador está com medo de não se aposentar. Isso é o que mobilizará, inclusive na construção da greve geral. Valor: Mas o governo tem uma base sólida no Congresso e está confiante na aprovação da proposta. Freitas: Vamos pressionar os parlamentares na sua cidade, no seu Estado, vamos deixar claro que quem votar a favor da proposta do governo é traidor da classe trabalhadora. Vamos colocar as “carinhas” deles em outdoors, em postes, nas redes sociais. Vamos pressioná-los nos gabinetes em Brasília, nos Estados, nos aeroportos. Valor: A CUT quer travar toda a reforma no Congresso, ou aceita conversar sobre alguns ajustes? Freitas: O nó da questão é que entendemos que o governo Temer tem a pretensão de repassar a Previdência aos bancos, para que se torne ativos a serem vendidos, e não uma política pública para os trabalhadores. Eles não querem modernizar, não veem a Previdência como um direito, veem como um gasto. É o conceito que nos preocupa. Valor: Mas a CUT acha que a instituição precisa ser modernizada? Freitas: Se esse governo fosse legítimo, deveria chamar um fórum nacional para discutir a Previdência, as relações de trabalho, como aconteceu nos governos Lula e Dilma. A CUT participaria para levar suas opiniões. Achamos que tem que formalizar a mão de obra para ter novos trabalhadores ingressando no sistema, tem que combater a sonegação, incentivar que os jovens adentrem no mercado com carteira assinada para garantir o futuro do sistema. Valor: Essa mesma ótica vale para a reforma trabalhista? Freitas: Dizem que a CUT é intransigente, mas ela só tem posições que defende com radicalidade, somos abertos ao diálogo. Por que somos contra a reforma trabalhista deste governo? Numa conjuntura dessa, um governo ilegítimo, crise entre os Poderes, crise econômica, alta taxa de desemprego, é nesse ambiente que se vai fazer proposta boa para os trabalhadores? Valor: Então a CUT acha que mudanças como a flexibilização de jornada, que o governo propõe, devem ser discutidas em outro ambiente? Freitas: Entendemos que tem de ter 40 horas semanais de jornada, por exemplo, eles querem 48, 52, 54 horas. Queremos um fórum específico para discutir isso. A CUT não está satisfeita, senão não teria sido criada em 1984. Desde aquela época, propomos uma renovação da CLT mas para melhor, não para pior. Valor: O anúncio da reforma trabalhista reuniu representantes das centrais sindicais, das entidades patronais e o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Isso não demonstra, em teoria, uma mobilização social a favor da reforma? Freitas: Não é verdade que o Poder Judiciário trabalhista seja a favor da reforma. Eu até acho que por motivos diferentes dos da CUT, mas não é verdade. Mesmo as centrais que apareceram naquele dia, acham que há um grande debate em relação isso, que essa reforma é para acabar com o papel dos sindicatos. Não há interesse do governo em fortalecer as organizações sindicais. Valor: A proposta prevê um representante dos trabalhadores nas negociações coletivas. Freitas: Mas é diferente de representação sindical. Neste caso, você faz a discussão a partir da estrutura do sindicato. Mas nesta proposta, significa que você pode ter um trabalhador, que nem associado ao sindicato é, que pode ser eleito, com a participação do patrão, para discutir questões à revelia do sindicato. Chamam isso de inovação! Isso é o novo peleguismo. Valor: Não está marcada nenhuma reunião das centrais e dos sindicatos contrários à reforma para que seja feita uma mobilização? Freitas: Outra das coisas que fico muito injuriado no Brasil é se fazer as coisas na calada da noite, ao apagar das luzes. É verdade que a Dilma fez também, para ser bem sincero. Mas, no apagar das luzes, no fim de dezembro, para que se faz uma coisa dessas sabendo-se que o Brasil está de férias? Claro que nós estamos com dificuldades para fazer esse fórum. Nós vamos chamar as centrais sindicais e os sindicatos que sejam contrários a essa proposta para criarmos uma organização que resista a isso. Valor: Essa agenda de retomada de conversas e planejamento de manifestações corre em paralelo ao lançamento de uma candidatura do ex-presidente Lula? Freitas: O que nos unifica é o “Fora, Temer”, “Diretas Já”, contra a reforma trabalhista, contra a reforma previdenciária e “Nenhum Direito a Menos”. Tendo eleição, vários agrupamentos terão suas preferências. Valor: Nesse cenário, o presidente Lula tem escolha de não se jogar na campanha eleitoral? Freitas: Se depender da minha opinião, não. Não é a CUT, que não tem coloração partidária. Eu, Vagner Freitas, sou defensor e batalhador pelo imediato lançamento da candidatura de Lula a presidente da República. Ele é a maior liderança que os trabalhadores já construíram no Brasil e seria extremamente importante que ele se lançasse candidato, até para fazer o debate nacional. A direita está achando que ela vai ficar discutindo apenas entre ela, mas nós temos uma liderança popular. É uma grande esperança para os trabalhadores e uma pedra no sapato dos conservadores.
“O que nos unifica é o ‘Fora, Temer’, ‘Diretas Já’, contra a reforma trabalhista, contra a reforma previdenciária” Valor: Mas o ex-presidente Lula está preparado para sair candidato em condições distintas do passado? Ele está numa malha de processos jurídicos, investigado pela Lava-Jato. Está disposto? Freitas: Eu vejo o presidente Lula muito animado. Indignado com a perseguição que ele sofre e que os trabalhadores sofrem neste desgoverno. Ele tem 71 anos de idade e um legado extraordinariamente importante. Talvez tivesse direito ao descanso, mas agora não tem mais. Pode acontecer, se o presidente não for o candidato, uma desorganização de candidaturas da esquerda brasileira enfraquecidas e que só colocam água no moinho dos conservadores. Ele pondera muito as questões familiares, as questões pessoais. Mas, como é um homem que tem compromisso com o Brasil e com os trabalhadores, ele se sacrificaria até pessoalmente para estar nessa caminhada. Valor: Ele já tomou essa decisão? Freitas: Ele precisa falar, né? Eu tomei por ele [risos]. Se ele me ouvisse e se fosse só pela minha opinião pessoal, a decisão está tomada. O que eu posso dizer é que no Partido dos Trabalhadores é uma vontade da ampla maioria e sei também de lideranças de fora do PT que também entendem que para a esquerda brasileira seria a melhor alternativa neste momento. Cada vez mais ele vai se convencendo disso [candidatura]. Valor: O senhor fez aqui um registro de uma insatisfação sobre a forma da ex-presidente Dilma governar. Os resultados da administração dela e a forma como foi interrompido o seu mandato podem atrapalhar o retorno da esquerda ao poder? Freitas: A CUT tem autoridade moral para dizer que a presidente Dilma é vítima no processo e por isso somos solidários com ela o tempo inteiro. A CUT fez críticas às gestões da presidenta Dilma e do presidente Lula. As pessoas esquecem, mas fomos às ruas para nos manifestar contra a política econômica, o absurdo da indicação do [Joaquim] Levy para ser ministro da Fazenda, quando das medidas tomadas na calada da noite sobre as pensões. Fizemos manifestações na frente do Banco Central e no Congresso Nacional. Temos que restaurar a democracia numa eleição direta já. Valor: Mas a conjuntura é favorável? Freitas: Não acho que seja favorável. É uma conjuntura difícil e a eleição, para a esquerda, não será fácil. Você tem um crescimento do comportamento conservador no mundo todo, mas temos que ter uma alternativa para fazer o debate político. Não é só para ganhar a eleição. O Brasil precisa debater politicamente ideias diferentes das que estão colocadas aí. No mundo está se generalizando a ideia da violência e da intolerância contra o contraditório. Temos que ter uma candidatura como a do Lula e outras que venham trazer os valores democráticos, de humanismo e um Estado que seja interventor na economia. Se vai ganhar ou vai perder, os eleitores é que vão se pronunciar nas urnas.
CUT lamenta morte de ministro do STF e pede investigação séria
Jornalista: Leticia
A Central Única dos Trabalhadores manifesta seu pesar pela morte de Teori Zavascki, ministro do Supremo Tribunal Federal, e dos demais ocupantes da aeronave que caiu nesta quinta-feira em Paraty, e sua solidariedade aos familiares, amigos e ao Judiciário brasileiro como um todo.
Pela importância e o papel que cabia a Zavascki neste momento da história nacional, somamo-nos àqueles que exigem que a investigação sobre as razões da queda do avião seja feita de forma transparente, célere, responsável e com a participação de observadores indicados pela sociedade civil brasileira e internacional.
Esperamos que a tragédia seja tratada com o respeito e seriedade que a Nação merece e exige. Central Única dos Trabalhadores
Em carta, deputados americanos defendem Lula e criticam Moro e Temer
Jornalista: Leticia
Um grupo de 12 deputados do Partido Democrata dos Estados Unidos divulgou nesta quarta-feira (18) uma carta endereçada ao embaixador do Brasil em Washington, Sérgio Amaral, onde denunciam o juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, de perseguir o ex-presidente Lula com decisões “arbitrárias”.
Nela, os congressistas afirmam que estão “preocupados com a perseguição ao ex-presidente, que viola as normas de tratados internacionais que garantem o direito da defesa para todos os indivíduos”, de acordo com o jornal Folha de S. Paulo, que teve acesso ao documento.
“Nos últimos meses, ele tem sido alvo de uma campanha de calúnias e acusações não comprovadas de corrupção pelos grandes veículos privados de mídia alinhados com as elites do país”, denunciam, lembrando que “Lula se mantém como uma das figuras políticas mais populares no Brasil de hoje e é visto como uma série ameaça nas urnas por seus oponentes políticos”.
“Lula tem sido alvo de um juiz, Sergio Moro, cujas ações parciais e arbitrárias tem ameaçado seu direito de defesa. Por exemplo, o juiz ordenou a prisão arbitrária [a condução coercitiva, em março de 2016] do ex-presidente só para servir de intimação, embora não houvesse nenhuma indicação de que o ex-presidente não quisesse depor na Justiça”, segue a carta.
“Exortamos as autoridades federais do Brasil a fazer todo o possível para proteger os direitos dos manifestantes, líderes de movimentos sociais e líderes da oposição, como o ex-presidente Lula”, prosseguem os deputados.
Eles criticam Michel Temer por tem agido “para proteger figuras políticas corruptas, para impor uma série de políticas que nunca seriam apoiadas em uma eleição nacional e pressionar adversários nos movimentos sociais e nos partidos de oposição”.