Sem alarde, Temer encaminha privatização de BB e Caixa

Da mesma forma que o golpe não usa mais canhões e fardas, a privatização também ganha outros ares e, sem alarde, é encaminhada pelo governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB) de maneira fatiada para amenizar a repercussão.
Nesta semana, o Banco do Brasil (BB) anunciou o fechamento de agências e o presidente da Caixa Econômica Federal, Gilberto Occhi, apesar de afirmar que o banco não seguirá o mesmo caminho, indicou fechar os pontos deficitários.
Coordenador da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa, Dionísio Siqueira, aponta que o objetivo primordial dos golpistas é reduzir o papel da Caixa, único banco ainda 100% público no país.
“Você começa a ver corte no Minha Casa Minha Vida, na oferta de crédito, o não aporte do governo para empréstimos. Aliado a isso, vemos notícia de que os juros do BB e da Caixa já são maiores do que o do mercado. Isso tudo é uma forma de restringir o acesso do público ao crédito e, além de dificultar a saída da crise, ainda descapitaliza o banco”, explicou.
O remédio final para isso, aponta Siqueira, é bem conhecido pelos brasileiros. “No final, como houve na Europa, é o sistema financeiro quem irá dar a solução, vai vir com um pacote de privatização dos bancos públicos, aumento de impostos e retirada de direitos, como já vemos.”
Em pedaços
De acordo com o dirigente, o plano de privatização de Temer tira das mãos do país até mesmo setores lucrativos, como a loteria.
“O plano de privatização posto pelo governo é feito em pedaços. A Caixa Seguridade já está na mira, já criaram uma empresa chamada Lotex para vender a parte da loteria, algo que lembra, inclusive, o projeto de mudança de nome da Petrobrás para Petrobrax, do Fernando Henrique Cardoso. E vendem a parte lucrativa, a loteria, que é instantânea e tem muito recurso”, falou.
Outro risco, alerta Dionísio Siqueira, é o banco abrir mão do Fundo de Garantia, vendendo a ideia de que aumentaria a rentabilidade se todos os bancos pudessem operar.
“Isso reduziria o controle e a segurança do fundo para os trabalhadores, além de enfraquecer o poderio da Caixa para fazer política de habitação e programas sociais. O banco tem crescido muito e só não avança mais por conta das políticas que o governo está implementando”, criticou.
Negociação – A Contraf (Confederação dos Trabalhadores no Ramo Financeiro) discutirá essa questões em negociação marcada com a empresa para esta quinta (24) e sexta-feira (25). Também na pauta, as novas normas que cortaram funções, principalmente as operacionais, como de caixa, que afetam diretamente a população.
As reuniões acontecem paralelamente a mobilizações de organizações sindicais que também lançaram nessa quarta (23) a campanha “Se é público, é para todos” em defesa das estatais e dos investimentos em serviços públicos.
Custo da transferência
Para refrescar a memória de quem não viveu a privatização dos bancos públicos, o secretário de Organização do Ramo Financeiro da Contraf, Carlindo Dias de Oliveira,o Abelha, alerta para os impactos que a venda do patrimônio traz para o país.
“Ao trabalhador, fica a insegurança de permanecer ou não, há a perda de benefícios e, em pouco tempo, a junção das duas marcas resulta em enxugamento de pessoal. Se pegarmos a união do HSBC e do Bradesco, por exemplo, vamos ver que o primeiro tinha 19 mil trabalhadores e o segundo, 89 mil. Só que o Bradesco já caminha para ter o mesmo quadro de antes da fusão, porque o ramo aposta na rotatividade”, pontuou.
Uma rotatividade que ocorre com a demissão do trabalhador no topo da pirâmide para contratação com menor salário e menos benefícios. Esse cenário impacta diretamente na qualidade do serviço prestado ao público.
“Além disso, ao perder o caráter público, o banco deixa de ter como meta principal financiar o desenvolvimento, oferecer juros mais baixos, incentivar a produção agrícola, a habitação de menor custo, o desenvolvimento das empresas. E isso vem acompanhado de terceirização, os bancos privatizados passam a jogar o cliente que quer ir à boca do caixa, por exemplo, para bancos postais ou auto atendimento”, definiu.

Dirigentes sindicais atuam no Senado e retardam projetos golpistas

Dando continuidade ao calendário de lutas da CUT, diversos dirigentes de movimentos sociais e sindical se reuniram com parlamentares nesta quarta-feira (23). Durante todo o dia as entidades articularam o enfrentamento aos projetos que tramitam no Senado e representam retrocessos incalculáveis para toda classe trabalhadora. A peregrinação surtiu efeito. A votação no Senado do PLC 30 (que estabelece a terceirização irresponsável e sem limites), prevista inicialmente para quinta (24), foi retardada temporariamente em busca de uma alternativa. Houve compromisso do presidente da Câmara de também segurar a votação  do Projeto de Lei 4302/1998, que também prevê a liberação generalizada  do trabalho terceirizado.
A luta contra o PLC 30 foi uma das principais pautas do dia. Entretanto, os sindicalistas também fizeram o enfrentamento aos projetos como PEC 55 (antiga 241 na Câmara) que congelas gastos públicos por 20 anos, à reforma do ensino médio (MP 746/2016) e a muitos outros projetos que retiram direitos.
O movimento sindical reivindica que seja aprovado o substitutivo do senador Paulo Paim (PT-RS), referente ao PLC 30. O substitutivo apresentado por Paim foi construído a partir de audiências com trabalhadores de todo o Brasil, a CUT e outras centrais sindicais, durante mais de um ano, e aponta o caminho para a regulamentação digna da terceirização.
No início do dia a primeira reunião foi com senador Paulo Paim, onde foram discutidas estratégias e melhor caminho para a classe trabalhadora. Logo depois, representantes de centrais sindicais se reuniram com presidente do Senado, Renan Calheiros. Eles pediram que Renan interceda junto ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, para que não seja votado em Plenário o Projeto de Lei 4302/1998, que também prevê uma suposta regulamentação do trabalho terceirizado. Este projeto estava encostado há  anos, foi ressuscitado agora, passando a tramitar em regime de urgência, para servir como mais uma alternativa dos parlamentares golpistas e vinculados ao empresariado para emplacar a subcontratação ilimitada.
Ficou agendada nova reunião do Paim com as centrais sindicais para fechar posição em relação ao relatório final. Será na quarta (30), às 15h, na Comissão de Direitos Humanos do Senado.
E no final da tarde os representantes dos movimentos sociais e sindical se reuniram com parlamentares na Liderança do PT para debater sobre as melhores formas de enfrentamento a retirada de direitos.
No encontro, dirigentes e parlamentares reiteraram que somente a mobilização de todos poderá barrar os retrocessos.
“Estamos numa guerra e os ataques vêm de todos os lados. Vamos para cima, fazer muito barulho e incomodar. Todos precisam ver os perigos que rondam os trabalhadores”, afirma a senadora Vanessa Grazziotin.
“Vivemos um período difícil em que os ataques são propositais. Precisamos resistir, por isso vamos divulgar em todos os locais a importância da mobilização do dia 29 na Esplanada dos Ministérios (#OcupaBrasília) Será um dia de muita luta, vamos juntos, estudantes e trabalhadores defender nossos direitos e a democracia”, afirma a dirigente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Marianna Dias.
“Esta situação que vivenciamos representa a consumação do golpe de Estado. Os ataques estão sendo feitos e já imaginávamos que essa seria a situação pós golpe.  Ainda temos chances de barrar os retrocessos, porém é preciso a participação de todos. Realizaremos uma grande mobilização no dia 29 e mostraremos a esse governo golpista nossa força”, explica a secretária de Relações de Trabalho da CUT Brasília, Graça Costa.
Confira o calendário de lutas da CUT :
29/11 – #OcupaBrasília contra a PEC 55
A votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, a PEC da Morte que desmonta o Estado, está prevista para o próximo dia 29, no Senado. Por isso, a CUT e os sindicatos filiados, movimentos sociais e o movimento estudantil estarão em peso em Brasília neste dia, quando realizarão o ato #OcupaTudo em frente ao Congresso, para dizer “não” à PEC que retira dinheiro da saúde, da educação e outros investimentos sociais. A concentração para a atividade será às 16h, no Museu da República, com marcha ao Congresso Nacional às 17h.
7 e 8/12 – Plenária Nacional FBP
A direção nacional da Frente Brasil Popular, composta por representantes da CUT e outras centrais sindicais, movimentos sociais e estudantil, se reunirão em Belo Horizonte (MG) para discutir os rumos da luta do grupo em resistência ao golpe encabeçado por Michel Temer contra a população brasileira.
9/12 – Coletivo Trabalhadores com Deficiência
Neste dia, a CUT Brasília e sindicatos filiados realizarão reunião para discutir a formação do Coletivo de Trabalhadores com Deficiência. O grupo trabalhará pautas específicas para os trabalhadores com esta condição, inclusive com abordagem dos retrocessos ao grupo com o golpe de Michel Temer. O horário da atividade ainda será definido.
12/12 – Coletivo de Mulheres
A Secretaria de Mulheres Trabalhadoras da CUT Brasília realizará o segundo ciclo da Oficina de Mulheres, que aborda o empoderamento feminino para combater o golpe e lutar por políticas públicas afirmativas para elas. A atividade será realizada durante todo o dia, no Cedec (912 Sul).

Rollemberg mantém “recalote” e isola aposentadas acampadas

Contra o “recalote” do GDF no pagamento das pecúnias de licenças-prêmio dos professores aposentados, um grupo de docentes segue acampado em vigília no Palácio do Buriti desde segunda (21). Devido ao bloqueio de circulação de pessoas no local e cerco aos manifestantes pela Polícia Militar, a mando do governo Rollemberg, outro grupo de professores permanece solidário do outro lado da cerca instalada ao redor do acampamento.
O objetivo da vigília é pressionar o governador caloteiro Rodrigo Rollemberg para que se posicione e apresente uma proposta que quite a dívida com professores que se aposentaram em 2015 e 2016. Desde julho de 2015 a categoria tenta negociar com o GDF o pagamento desses passivos de mais de 1,4 mil aposentados. No entanto, como ocorreu com outras categorias, o governo não apresentou nenhuma proposta que atendesse as demandas dos trabalhadores.
Ao contrário de cumprir os compromissos de governo e respeitar direitos dos servidores, a posição do caloteiro Rollemberg tem sido usar tática de guerra, para minar os “inimigos” e de atacar qualquer tipo de protesto contra seu governo. Na manhã dessa terça (22), além de colocar um cordão policial que impedia a entrada de outras pessoas para engrossar a mobilização, foi impedida, também, a entrada de água, alimentos e o uso dos banheiros. Quem saísse do acampamento não conseguia retornar.
A dirigente do Sinpro e da CUT Brasília, Nilza Cristina, esteve presente no local e afirmou que as medidas tomadas pelo governador evidenciam a incapacidade para negociação. “Permaneceremos aqui resistindo para exigir o pagamento em atraso dos aposentados. Essas medidas tomadas pelo governador não enfraquecerão nossa

Tempo de conciliação acabou

A ascensão dos discursos homofóbicos, machistas, racistas, xenófobos e racistas no Brasil e ao redor do mundo deixou explícito que avanços econômicos não são suficientes para mudar estruturas desiguais e preconceituosas encravada na alma dos povos.
Para essa transformação é preciso outro modelo que não o capitalismo, sinônimo de racismo, conforme apontaram os professores que abriram o seminário sobre a questão racial no novo contexto político brasileiro, que a CUT promoveu nesta quarta-feira (23), em São Paulo.
Segundo o professor de Direito na Universidade Mackenzie e presidente do Instituto Luiz Gama Silvio de Almeida, as reformas propostas pelo Legislativo e amparadas pelo Judiciário representam a disputa por recursos financeiros e conceitos de sociedade que adotaremos.
“A Constituição brasileira coloca como prioridade os direitos sociais, por isso é preciso destruir a Constituição como forma de inviabilizar saúde, educação e direitos sociais por meio de projetos como a PEC 55 (que congela investimentos em saúde e educação nos próximos 20 anos). Aí não precisa nem dar tiro para exterminar a população negra e impedir que dispute o orçamento”, definiu.
Diante disso, defende o professor, é preciso entender que o tempo de conciliação acabou. “Precisamos falar sobre como superar o capitalismo porque não dá mais para esperar, precisamos ir para além de negociações e pactos conciliatórios. A PEC 55 mostra não há mais disposição de uma camarilha que tomou conta do poder de negociar qualquer pacto. Estão dispostos a tudo, inclusive de tirar nossas vidas para impor projeto de poder. Não há mais conciliação possível.”
Cota para debate
Almeida acredita que as políticas afirmativas acumuladas nos últimos anos servirão para a resistência e ressaltou que o movimento negro deixou a discussão sobre política e economia em alto nível nas mãos dos brancos. “Isso resultou em um discurso racista que todas as instituições, inclusive sindicais, reproduzem.”
Como exemplo, o professor que é pós-doutor pelo departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), doutor em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Direito Político e Econômico, ressaltou que só é lembrado para os debates em 13 de maio e 20 de novembro.
“Isso fez com que eu repensasse algumas questões. Se você não me chama para discutir a reforma tributária, não vou aceitar ser chamado para discutir culpa de homem branco. Precisamos mudar, inclusive, para educar nossos companheiros brancos e brancas. Se queremos ter um país e um mundo melhores dentro desse jogo que se desenha, não podemos deixar a questão racial de fora. Não estou nem falando de ética, mas de política, o país é inviável com racismo, não dá para falar em democracia com racismo interferindo na equação. E para acabar com democracia basta aprofundar o racismo porque a base social é negra.”
Como se aprende racismo
O racismo que se expressa, aponta o professor, até mesmo nas instituições formadoras e destruidoras de valores.
“Há 20 anos estou na faculdade de Direito e posso afirmar que vai piorando e não melhorando as pessoas. Sujeito entra cheio de amor e esperança e sai de lá um grande leitor de parágrafos, insensível com algumas questões que tinha profunda sensibilidade. As instituições são racistas porque a sociedade é racista.”
Para ele, o STF (Supremo Tribunal Federal) também é exemplo disso. “Quando entra nas profissões jurídicas, piora ao quadrado, muitos no Supremo eram altamente respeitáveis, com viés progressista ou liberal, defendiam liberdade individual. A ministra Carmen Lúcia foi uma das maiores entusiastas da política de ação afirmativa. Desconsideramos o papel das instituições na formação dos sujeitos, na formação das mentalidades. E não agimos para mudar instituições e estruturas sociais.”
Silvio Almeida defende que a esquerda não será legítima se não tiver a luta contra o racismo em sua essência. “Quem é de esquerda tem que pensar na luta anti-racista. Se não pensa o racismo, não é de esquerda. Temos que recusar esse mundo e não aceitar certas coisas, ter o socialismo em nossa boca e repudiar algumas outras. O capitalismo é uma delas.
Dois países
Para expressar a necessidade de pensar a política de igualdade racial como disputa de hegemonia, a professora de Cultura e Comunicação da USP, Rosane Borges, disse que há dois Brasis no mesmo Brasil.
O primeiro, exclusivamente branco, ocuparia o 38º lugar no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). O segundo, negro, está na 110º posição.
“Quando pegamos dados do feminicídio, do genocídio da juventude negra, vemos que a pobreza está estruturada na questão racial. Se a esquerda não pensar isso, não vai pensar projeto concreto de desenvolvimento.”
Rosane também falou sobre o momento de ascensão conservadora e detectou que, para além do discurso fascistóide, o Brasil enxerga a volta de um nacionalismo combinado com políticas de costumes.
“É uma política que ataca os direitos reprodutivos, sexuais, de gênero, raça, racismo e de pluralidade. É um nacionalismo que ataca outra noção de família fora do Estatuto da Família, a concepção de uma religião que não concebe outros tipos de religião”, fala.
O que sempre fomos
De mesma forma que Silvio de Almeida, ela, também apontou que ao deixar de aproveitar os momentos de ouro no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de discussão das políticas de igualdade, os movimentos sociais perderam a oportunidade de confrontar o imaginário que move a concepção do outro.
“Enquanto as centrais não adotarem essas questões como eixo de disputa, deixamos margem de manobra para que fossem disputadas pela direita. A não leitura do que foi 2013 fez com que a direita capitalizasse mentalidades e imaginários, o que as pessoas queriam para além do pão. A guinada à direita tem a ver com o que sempre fomos. Lula dizia que no governo dele todo mundo ganhava, mas você não pensa em todo mundo ganhar bem se não atacar privilégios, inclusive da branquitude”, definiu.
A professora, porém, acredita que este momento de crise é justamente a grande oportunidade para mexer nas estruturas arcaicas do Estado brasileiro.
“Cabe a nós neste momento de reordenação do jogo ter a clareza de que não se disputa a hegemonia sem abordar o racial. A questão racial deve ser a questão central, se perdermos essa oportunidade, vamos perder também a chance de protagonizar a luta e o que é a população brasileira.”

Terceirização sem limites pode pegar atalho e nem depender do Senado

Uma nova ameaça contra os direitos dos trabalhadores ressuscitou neste mês de novembro na Câmara dos Deputados, e chega a ser ainda mais prejudicial que o projeto de lei complementar (PLC) 30, que atropela praticamente toda a legislação trabalhista atual. Estamos falando do projeto de lei 4.302/1998, que estava sem qualquer movimentação há 14 anos e voltou das cinzas no último dia 17, quando o relator da matéria, Laércio Oliveira (SD-SE), apresentou parecer favorável à matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Curiosamente, Laércio Oliveira (SDD-SE, partido de Paulinho da Força) é empresário ligado ao setor da terceirização e vice-presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC).
“O setor empresarial e ruralista dentro e fora do Congresso Nacional vem atuando em todos os espaços para precarizar ainda mais as relações de trabalho. O objetivo é aumentar os lucros, independente do estrago que isso faça na vida dos milhares de trabalhadores e trabalhadoras”, lembra Julimar Roberto, secretário de Administração e Finanças da CUT Brasília.
A última movimentação do PL foi em 2002, quando foi aprovado na Comissão de Trabalho da Câmara, após parecer favorável do ex-deputado do PMDB goiano Sandro Mabel, hoje assessor especial do governo ilegítimo Michel Temer. Mabel também é autor do PL 4.330, hoje PLC 30 no Senado, que almeja a liberação da terceirização da atividade-fim, abrindo brecha para a subcontratação sem fim e sem controle, deixando portas e janelas abertas para total precarização do trabalho e a facilitação do calote no trabalhador, ilegalidade já existente neste tipo de contratação.
O agravante do PL 4.302/1998 é que ele já teve parecer favorável dos plenários da Câmara e do Senado, e depende apenas da aprovação final da Câmara, onde a correlação de força entre representação de trabalhadores e empresários é totalmente desnivelada, pendendo claramente para o setor patronal.
“Como o projeto 4.302 é antigo, se o presidente da CCJ, Osmar Serraglio (PMDB/PR), quiser levar direto para o plenário da Câmara, ou tiver um requerimento para isso, ele pode. E aí, se aprovado, vai direto para sanção presidencial”, alerta o assessor técnico do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Neuriberg Dias.
Segundo ele, “o projeto é extremamente preocupante e atende exclusivamente a agenda do setor empresarial”. Isso porque além da terceirização ilimitada e irresponsável, o PL ainda amplia o trabalho temporário para 12 meses (hoje limitado a 3 meses + 3), sem limite de renovação, e implementa o trabalho intermitente (aquele realizado por hora, dia, mês), também sem limite. “É um tripé que desestimula a contratação direta e, consequentemente, impede que o trabalhador tenha os direitos trabalhistas fixos e integralmente garantidos”, explica Neuriberg Dias.
Diante da conjuntura política preocupante, movida por um golpe parlamentar sobre a sociedade, o mais provável é que Laércio Oliveira pressione o presidente da CCJ para dar celeridade ao projeto de lei 4.302, e tenha apoio para isso.
Nesta quarta-feira (23/11), dirigentes da CUT e de outras centrais sindicais se reunirão com o presidente do Senado, Renan Calheiros, para tratar do PLC 30, que tem previsão de votação para esta quinta (24). Eles aproveitarão a ida e esticarão a visita até a Câmara, onde conversarão com o presidente da Casa, Rodrigo Maia, sobre a necessidade de barrar o avanço do PL 4.302.

CUT Brasília integra ações pelo fim da violência contra a mulher

O Coletivo de Mulheres da CUT Brasília reafirmou nesta terça-feira (22/11) a participação ativa nas atividades que compõem a campanha “16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher”, iniciada no último dia 20. Várias atividades já foram agendadas para a ação que, neste ano, tem como tem “Machismo. Já passou da hora. #podeparar”.
A primeira atividade relativa ao tema, com a participação da CUT Brasília, foi realizada nessa segunda (21). Dirigentes sindicais de várias categorias panfletaram em frente à Agência Nacional de Águas (ANA) para denunciar caso de assédio sexual contra uma trabalhadora terceirizada da agência reguladora.
A próxima atividade do calendário pelo fim da violência contra a mulher será nesta quinta (24), convocada pela deputada federal Erika Kokay (PT-DF). A atividade consiste em um ato, chamado “Unid@s pelo fim da violência contra a mulher”, que será realizado das 17h às 19h, na rodoviária do Plano Piloto.
Outra atividade importante será realizada no dia 6 de dezembro: Dia do Laço Branco, campanha que tem como objetivo sensibilizar, envolver e mobilizar os homens no engajamento pelo fim da violência contra a mulher. Neste dia, trabalhadores e trabalhadoras do DF darão um abraço simbólico à Casa da Mulher Brasileira, espaço de 3.671 m2 divididos em seis blocos funcionais, que reúnem serviços de delegacia, juizado, defensoria pública, apoio psicossocial, abrigo para alojar mulheres vítimas de violência por até 48 horas e uma brinquedoteca com monitores para as crianças que acompanharem as mulheres, com funcionamento 24 horas todos os dias da semana. Embora a importância da Casa da Mulher Brasileira, lançada no governo Dilma, o espaço foi desativado, curiosamente, após o golpe de Michel Temer.
“A violência contra a mulher é uma triste realidade que deve ser combatida todos os dias, em todas as instâncias, das diversas maneiras possíveis. Este tema não tem qualquer chance de fazer parte da agenda do presidente ilegítimo Michel Temer. Por isso, nós dos movimentos sindical, sociais e estudantil temos que unir forças e dizer um basta a isso”, avalia a secretária de Mulheres da CUT Brasília, Sônia de Queiroz.
Empoderamento na base
De acordo com Sônia de Queiroz, a partir de fevereiro de 2017, serão realizadas rodas de conversa nos sindicatos, com a participação de dirigentes e da base sindical. Nos encontros, serão tratados temas que empoderem as mulheres, como feminismo, a história da classe trabalhadora com foco na mulher, entre outros assuntos. A primeira roda de conversa será no Sindetran.
Feminicídio
O Brasil é o quinto país do mundo em número de assassinatos de mulheres, segundo o Mapa da Violência de 2015. Esse e outros dados de violência de gênero foram reunidos no Dossiê Feminícídio, lançado em novembro pelo Instituto Patrícia Galvão. O levantamento também faz um alerta para a importância de dar visibilidade ao cenário de violência, a fim de mudar práticas consideradas normais que podem, no entanto, resultar em mortes.
Veja abaixo o calendário completo de atividades pelo fim da violência contra a mulher no DF
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Sindicato dos Bancários rejeita e combate reestruturação arbitrária no BB

Uma nova reestruturação do BB, anunciada neste 20 de novembro, pode ter muitos desdobramentos, até a preparação para um futura privatização não pode ser descartada, por causa das declarações levianas sobre o BB feitas pelo presidente ilegitimo Michel Temer, em entrevista recente .

A direção do Sindicato dos Bancários de Brasília se reunirá, nesta segunda (21), para avaliar todos os desdobramentos dessa reestruturação, mas já adianto que não aceitaremos nenhuma forma arbitrária de implementação das medidas especialmente que causem transtornos aos trabalhadores e/ou incentivem o assédio moral para adesão ao planos de aposentadoria (ainda lembro do PDV dos anos 1990) ou ao plano de ajuste de jornada de trabalho (uma luta antiga da categoria para respeito ao direito conquistado e legislado nos anos 1930).
Sendo assim cabe a nossa vigília e mobilização permanente para defender um grande patrimônio do povo brasileiro, que vai muito bem! Obrigado!. O Banco do Brasil é um empresa sólida graças ao empenho e à dedicação de seus funcionarios e funcionárias. Isso se confirma considerando que banco registrou lucro líquido de R$ 7 bilhões em set/16, representando um retorno de 10,0% a.a. O resultado estrutural do BB, que representa o desempenho antes das despesas com provisões e tributos, apresentou crescimento de 9,8% na comparação 9M16/9M15. O resultado foi influenciado positivamente pelas performances da Margem Financeira Bruta (MFB) e das despesas administrativas. Remuneração aos acionistas alcançou R$ 2,1 bilhões no 9M16 e o Conselho Diretor do Banco do Brasil, reunido em 01/11/2016, aprovou a distribuição de R$ 305 milhões a título de remuneração aos acionistas sob a forma de Juros sobre Capital Próprio (JCP), parte desses recursos vai inclusive para o governo, acionista majoritário do BB.
A direção do banco fez um comunicado ao público  e também por meio de intranet. No comunicado o bano informa que entre as medidas aprovadas estão:
A revisão e o redimensionamento da estrutura organizacional do BB em todos os seus níveis: estratégico (direção geral), tático (superintendências), de apoio (órgãos regionais) e de negócios (agências). O plano prevê que a rede de atendimento será reorganizada, onde 379 agências serão transformadas em postos de atendimento (PA) e 402 serão desativadas, sem comprometer a presença do BB nos municípios em que atua.
Foi aprovado Plano Extraordinário de Aposentadoria Incentivada (PEAI), com período de adesão voluntária até 9 de dezembro de 2016, que prevê incentivo aos funcionários que reúnam condições para se aposentar (até 18.000 aptos a aderir voluntariamente ao plano).
Eduardo Araújo
Presidente
Sindicato dos Bancários de Brasília

Pela democracia e contra o racismo, milhares ocupam Paulista

A Marcha da Consciência Negra chegou à 13ª edição neste domingo (20), em São Paulo, em um cenário completamente diferente de quando surgiu.
Enquanto na primeira, o Brasil era o país da esperança por mais igualdade e mais direitos, neste 20 de novembro a marcha teve o papel de cerrar os punhos contra o avanço do conservadorismo, do racismo e do ataque a direitos históricos, especialmente da classe trabalhadora.
Em um domingo de muito sol,  milhares de pessoas tomaram a Avenida Paulista para mostrar, porém, que a resistência segue pelos setores identificados como alvos pelo governo golpista de Michel Temer (PMDB), conforme destacou a diretora Executiva da CUT Nacional, Rosana Fernandes.
“Nossos votos foram roubados e estamos aqui mais uma vez na luta pela democracia e pelos direitos dos negras e negros no Brasil. Queremos construir uma sociedade onde todos possam viver de forma digna e construir suas vidas de forma unificada. O momento é de reflexão e luta para manter direitos neste país”, apontou.
Da mesma maneira, a secretária de Combate ao Racismo da CUT-SP, Rosana Aparecida da Silva, ressaltou a resistência do povo negro no mundo do trabalho. “Temos muito que avançar nesta luta pela igualdade de direitos, contra a PEC 55 e a terceirização. E aqui empunhamos nossa bandeira contra o racismo, a homofobia e a violência que vitima milhares todos os anos”, afirmou a dirigente enquanto seguia em caminhada pelas ruas da capital.
Com atividades desde às 11h, a marcha saiu em caminhada pela Av. Paulista, às 16h, descendo a Rua da Consolação, passando pela Rua Xavier de Toledo e encerrando, às 19h10, nas escadarias do Teatro Municipal, local onde foi lançado,  em 1978, o Movimento Negro Unificado (MNU).
Houve um breve momento de tensão com a interferência de grupos de direita que agendaram ato para o mesmo horário e local como forma de provocação. Mas a luta dos movimentos ligados às frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo prevaleceu.
Coordenador da Conen (Coordenação Nacional de Entidades Negras), Flávio Jorge, ressaltou que a luta contra  a desigualdade, mote central da Marcha da Consciência Negra, não pode ser desvinculada do momento político do país.
“A população negra é 53% do país, são 190 milhões de brasileiros e a maioria entre os pobres, os principais atingidos por esse desmonte que está acontecendo no Brasil”, destacou.
Como a luta não se faz sem mística e cultura, houve congada e capoeira de Angola. E um palco armado na Paulista recebeu poetas negros e com deficiência para declamar poesias que falavam sobre racismo e o papel de coadjuvante que ainda ocupam.
Em outro espaço, com vestidos de noiva, negras carregavam cartazes em que apontavam o dedo para o padrão de beleza imposto do cabelo liso e do nariz fino, que rebaixa a auto-estima de milhares de jovens ao redor do mundo.
Contra a violência e o golpe
Ainda sobre o momento atual, o militante da Agenda Preta, Júnior Rocha, lembrou que os movimentos também protestavam contra a política de extermínio de jovens que a Polícia Militar pratica em São Paulo.
“Hoje estamos aqui na Paulista para denunciar o genocídio da juventude negra. Estamos juntos para barrar a violência policial e construir uma democracia, que ainda não chegou à comunidade negra e estamos lutando para que isso aconteça”, falou, lembrando que os cinco jovens assassinados por um Guarda Municipal em São Paulo é apenas uma mostra dos que acontece nos bairros distantes do centro.
Para o coordenador da Uneafro, Douglas Belchior, esse momento de convulsão social e disputa ideológica também abre janela de oportunidades para que o movimento negro se organize.
“Somos o maior alvo deste momento de retrocesso e percebemos isso, por um lado, com a retirada de direitos, e, pelo outro, pelo recrudescimento da violência contra nosso povo. Todos os dias temos chacinas, temos mortes pelas mãos da polícia, um braço armado que existe para nos matar e negar direitos. Hoje é mais um dia de pensar sobre isso e agir a partir dessa realidade”, disse.
Como outras lideranças, Júnior também apontou a necessidade de defender o que avançou até hoje no Brasil na luta pela igualdade.
“Estamos aqui para dizer não ao golpe e defender a manutenção das políticas de cotas e outras medidas de inclusão que deram oportunidade aos negros de concorrer em pé de igualdade.”
Liderança da zona leste da cidade de São Paulo e delegada estadual e municipal de políticas para as mulheres, Valquíria Torres Magalhães Rocha, acredita que vencer o golpe é vencer o racismo e o machismo.
“Em pleno século 21, nenhuma mulher merece ser violentada e espancada e não podemos aceitar o golpe, uma forma de escravidão. Todos os avanços que conseguimos em relação à mulher negra, vamos perder, se deixarmos o golpe prevalecer”, alertou.

Dia da Consciência Negra reforça luta contra retirada de direitos

Em 20 de novembro é comemorado o dia da Consciência Negra, uma homenagem a Zumbi dos Palmares, líder quilombola que dedicou a sua vida combatendo a escravatura no período do Brasil Colonial. A data simboliza a luta e a resistência por liberdade e igualdade racial.
Segundo o secretário de Combate ao Racismo da CUT Brasília, André Luiz Conceição, a data é lembrada neste ano dentro de um contexto político complexo. Por isso, exige um enfrentamento ainda maior. Para o dirigente, as medidas do governo golpista de Temer representam a consumação do golpe no país e a retirada de direitos da maioria da população. O retrocesso, que já é grave para toda a classe trabalhadora, atinge com impacto ainda maior as minorias, afirma André.
Exemplo disso são os constantes ataques que prejudicam diretamente a população negra. Desde que tomaram de assalto o poder, Michel Temer e seus aliados têm retirado pastas que, durante anos, foram instrumentos para busca da igualdade racial e social.
“Com o governo Temer todas as políticas públicas voltadas para as minorias foram imediatamente relegadas. A começar com a extinção do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos (MMIRDH). Foi o sinal dos golpistas ao futuro das políticas de igualdade racial e inclusão social. O ministério da Educação, por exemplo, ganhou um ministro golpista que é contra a política de cotas raciais. Já vivenciamos a redução de programas de acesso à educação (Prouni, Fies), a entrega da educação pública às Organizações Sociais (O´s) e agora ainda temos de lutar contra a famigerada PEC 55 (antiga PEC 241) que congela investimentos em saúde e educação por 20 anos”, explica.
Desigualdade no trabalho
Pesquisa divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que apesar da redução das desigualdades raciais vivenciadas ao longo da última década e meia, com uma relativa melhora do mercado de trabalho para a população negra, a mudança ficou longe de promover a equidade de valorização do trabalho exercido pelos negros em relação aos não negros. E a tendência agora é uma reviravolta, com passos atrás a partir desse governo. Em 2014, o homem negro recebia 71,6% da remuneração do não-negro, enquanto a mulher negra recebia 50,5%, metade da remuneração do homem não-negro.
A diferença de salário entre trabalhadores brancos e negros no Distrito Federal é de R$ 821,56, valor 34% maior do que a média nacional. No país, essa diferença é de R$ 611,35. Enquanto os brancos no DF recebem, em média, R$ 3.137,35, os negros ganham 26% a menos, ou seja, R$ 2.315,79. As informações são de uma pesquisa do Ministério do Trabalho, realizada em dezembro de 2014, a mais recente sobre o tema.
As taxas de desemprego entre os negros são mais elevadas do que em outros segmentos.  Segundo o estudo do Dieese, historicamente, os negros convivem com grandes patamares de desemprego, mesmo em regiões onde sua presença é expressiva, como Salvador, Fortaleza e Distrito Federal. E esse número torna-se ainda maior quando se trata das mulheres negras.
Na luta por acabar com essas desigualdades no mundo do trabalho, muitas ações são feitas pelos sindicatos. Um desses momentos de luta são as negociações coletivas de trabalho que buscam conquistar cláusulas nesses acordos que dizem respeito à questão do (a) negro (a) trabalhador (a). A atenção à conquista de garantias relacionadas à igualdade de raça/cor nos acordos e convenções coletivas de trabalho está crescendo. Entre 2006 a 2014, nota-se um crescimento 66,67% em cláusulas de combate à discriminação; igualdade de oportunidade; isonomia salarial; saúde e ações afirmativas. O Dieese entende que são instrumentos importantes para garantir avanços na luta contra as desigualdades.
Diante desses dados, é fundamental a intensificação da luta contra as desigualdades raciais. Para o dirigente CUTista, André Luiz, o enfrentamento deve ser intensificado em todos os setores para evitar ainda mais retrocessos.
“Os ataques estão vindo de todos os lados e nosso papel enquanto entidade sindical é promover debates e mostrar a necessidade da luta por igualdade, principalmente diante de um governo que não respeita políticas de inclusão. 20 de novembro é um dia em que devemos refletir e lutar por uma sociedade mais justa. Nosso principal objetivo é quebrar o circulo de exclusão de negros que até hoje existe no Brasil e, juntos, construirmos uma nação plural, com políticas de qualidade para negros, LGBT`S e para toda população brasileira”, conclui o dirigente da CUT Brasília, que é presidente do Sindser, sindicato dos servidores do DF.
Vulnerabilidade social
Também para a advogada, ativista socioambiental, militante de questões étnico-raciais e presidente da Comissão da Verdade Sobre a Escravidão no DF e entorno, Lucélia Saraiva Aguiar, a situação pós golpe de Estado é de vulnerabilidade social. Com atual governo as ações que promovem a igualdade racial, que já são mínimas, correm o risco de serem extintas como as políticas de cotas, de acesso à educação, especialmente a de nível superior, e muitos outras.
“Nós tínhamos o Ministério da Igualdade Racial, que, no governo (golpista) de Temer, perdeu o status de ministério e foi reduzido para uma secretaria pequena. Poucos foram os avanços em relação às cotas. Temos um Congresso majoritariamente conservador que está atacando programas sociais e os direitos conquistados a duras penas. Diante disso, a luta e resistência do povo negro deve ser feita por meio das mobilizações nas ruas, de ocupações dos espaços públicos que nos é de direito, e, principalmente, por meio da formação política. Somente assim, garantiremos nosso espaço. Nossa luta dura 500 anos e não vai parar por aqui, será fortalecida”, reforça.
Lucélia Aguiar ainda explica sobre a necessidade da inserção do negro em todos os setores da sociedade. “Vivemos uma falsa abolição da escravatura, basta olharmos o atual cenário. A democracia racial é um mito, apesar de alguns avanços, ainda somos mal remunerados, a desigualdade principalmente entre mulheres negras é visível. Ainda ocupamos os piores cargos e o mercado em si é extremamente desfavorável. Por isso, entendemos que o dia 20 de novembro não é um dia de comemoração e sim um dia de reflexão e resistência”, afirma.
“O combate à retirada de direitos, contra o racismo, contra intolerância religiosa, por mais representatividade política, direitos sociais e políticas de inclusão devem prevalecer não apenas neste dia 20 de novembro, mas continuadamente. Zumbi vive por sua coragem e bravura. Salve Dandara (guerreira esposa de Zumbi); salve todo o povo negro que é guerreiro e luta todos os dias por vida, por direitos, por igualdade e liberdade. São 500 anos de batalha e não permitiremos que nenhum governo golpista retire direitos” reafirma Lucélia Aguiar.
Confira algumas programações sobre o mês da Consciência Negra:
Dia 19/11 – 7° Encontro da Questão racial: O negro antes e depois da abolição – O evento será promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores em Correios (Sintect-DF). A partir do meio dia em Ceilândia.
Dia 28/11 – Comissão da Verdade sobre Escravidão no DF e Entorno promovida pelo Sindicato dos Bancários de Brasília (Seeb-DF). O evento acontece a partir das 18h30 no Teatro dos Bancários.
Lançamento do livro: Quilombo Mesquita – história, cultura e resistência.
Em São Paulo:
Dias 22 e 23/11 – II Encontro Nacional para a Promoção da Igualdade Racial promovido pela Confederação dos Trabalhadores em Comércios e Serviços (Contracs-CUT), em São Paulo.
23/11 – A Questão racial no novo contexto político brasileiro, promovido pelas Secretarias Nacional e Estadual de Combate ao Racismo e Secretaria Nacional de Cultura da CUT, com o apoio da Fundação Friedrich Ebert. O encontro acontece na sede nacional da CUT, em São Paulo.

Rodoviários param nesta sexta (18) para exigir segurança

Os Terminais de ônibus Samambaia Sul, Samambaia Norte e Recanto das Emas, os três maiores das cidades do DF, vão parar às 11h desta sexta (18). Será um protesto dos motoristas e cobradores contra a falta de segurança.
Segundo o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Jorge Farias, a onda de violência contra motoristas, cobradores e usuários, dentro dos coletivos ou nas paradas, cresceu assustadoramente no último ano. Segundo levantamento da
Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social o assalto a coletivos é o crime que mais cresceu no Distrito Federal no último mês. Os ataques aumentaram 49,4% em março, na comparação com o mesmo mês de 2015.  Passaram de 158 casos para 236. Se for considerado o primeiro trimestre de 2016, o roubo cresceu 26,7% em relação ao mesmo período do ano passado.
O crescimento da violência e dos riscos aos profissionais e populares vem crescendo nitidamente desde 2013. Tanto que de lá para cá, o Sindicato dos Rodoviários coordenou uma série de manifestações por mais segurança e participou de reuniões com representantes do GDF e da PM. “Não queremos mais promessas. Estamos cansados desse governador mentiroso e caloteiro, sem compromisso com a vida de todos nós. Já realizamos vários encontros com o comando da Polícia Militar e representantes do governo. Mas os riscos, a sensação de insegurança e desproteção só aumentam, assim como os casos de violência que a categoria e a população enfrentam. O medo ronda em cada viagem que realizamos”, desabafa Marcos Junio, diretor do Sindicato e da CUT Brasília.
O presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto, convoca todos os dirigentes e militantes CUTistas para apoiarem a manifestação. “Não é só uma questão de solidariedade a uma categoria que sempre apoia as lutas dos demais trabalhadores. É uma luta em defesa da vida de todos os trabalhadores, trabalhadoras e usuários do transporte coletivo, que vivem sendo assaltados e correndo risco de morte nas paradas e no interior dos ônibus. É uma luta da população para exigir providências de um governo omisso, mentiroso, caloteiro, sem compromisso com a população”, afirma.
Confira a evolução da violência, da insegurança e dos protestos:
Durante tentativa de assalto, motorista de ônibus é esfaqueado em Samambaia
Assaltos a ônibus no Distrito Federal aumentam 50% em um ano
Crescem crimes de roubo de carros e assalto a ônibus no Distrito Federal
Assalto em ônibus dispara e obriga governo do DF a ampliar patrulhamento nas cidades mais atacadas (2015)
Ponto de ônibus é assaltado diariamente em Samambaia
Motorista de ônibus é baleado em assalto no Recanto das Emas, no DF
Passageiros quebram janela e pulam de ônibus para fugir de assalto no DF
Motoristas e cobradores fazem protesto contra violência na Estrutural (01/2016)
Por mais segurança, rodoviários e moradores fecham a Estrutural, no DF (04/2015)
Rodoviários do DF fazem carreata em Samambaia para pedir segurança (01/2015)
Rodoviários protestam após série de assaltos em cidade do DF (02/2014)

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