Dia de paralisação termina com milhares na avenida Paulista

Na tarde desta quinta-feira (22), um grande ato, em São Paulo, encerrou o “Dia Nacional de Paralisação e Mobilização”. De acordo com a organização, 30 mil pessoas compareceram ao protesto, que começou na avenida Paulista e terminou na Praça da República, ambos endereços na região central da capital paulista.
O ato finalizou um dia de atividades em todo o País, com importante adesão da classe trabalhadora, que paralisou fábricas e se mobilizou em ruas e praças, para pedir a saída de Michel Temer da presidência e a preservação dos direitos trabalhistas. As categorias presentes se uniram aos bancários, que estão em greve há 17 dias.
O secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre, alertou para os riscos da gestão comanda por Michel Temer. “Esse governo quer destruir a previdência para que os bancos possam oferecer esse serviço. Eles querem a reforma trabalhista para voltar ao período pré-Getúlio, vamos ter empresas sem trabalhadores. Não há um único trabalhador no Brasil que não tenha motivos para estar na rua, lutando por seus direitos”, encerrou.
Para o afirmou o presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, o ato correspondeu às expectativas. “Hoje, os municipais, os metalúrgicos e outras categorias se uniram aos bancários, que já estão em greve, para promover um grande dia de luta em defesa dos direitos trabalhistas. É um primeiro passo rumo à greve geral.”
Da mesma forma pensa o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques. “Foi muito boa a adesão às paralisações. O clima dos trabalhadores é de apreensão, pela perda de emprega e pela perspectiva de perda de direitos e salários. Deu para perceber que há uma vontade muito grande de partir para a greve geral, a assembleia geral aprovou a greve geral”, afirmou Rafael.
Educação e greve dos bancários
Nesta quinta-feira (22), o governo federal anunciou uma Medida Provisória que pretende interferir no currículo do Ensino Médio, retirando disciplinas como Artes e Educação Física. Para a presidenta da Apeoesp, Maria Izabel, a Bebel, a medida é “absurda”.
“A reforma do Ensino Médio retira do currículo justamente as matérias que provocam a crítica e a reflexão, além de provocar demissões de professores. É um enxugamento da qualidade  do ensino, prejudicando justamente quem estuda em escola pública”, explicou a dirigente.
No carro de som que ia à frente do ato, dirigentes defendiam o ex-presidente Lula, que tem sido perseguido politicamente pelo juiz Sérgio Moro, grande mentor da Operação Lava Jato.
“Anteontem, em Nova Iorque, diversas entidades sindicais do mundo todo manifestaram apoio ao Lula. Isso mostra o quanto ele é importante para a classe trabalhadora mundial. Além disso, mostrou que não estamos sós nessa luta, a unidade é fundamental, inclusive para caminharmos rumo a greve geral”, afirmou João Felício, ex-presidente da CUT e atual presidente da Confederação Sindical Internacional, entidade com 180 milhões de sócios, congregando centrais sindicais do mundo inteiro.
A presidenta do Sindicato dos Bancários, Juvândia Moreira, lembrou que a categoria é a primeira a entrar em greve depois do golpe intituído no Brasil, que levou ao poder Michel Temer. A dirigente criticou a entidade patronal, que tem imposto dificuldades na negociação com os trabalhadores. “Tivemos nos últimos doze anos, aumento real. Porém, neste ano, os banqueiros, maiores sanguessugas da nação, apresentam proposta de reajuste com perda salarial. Eles são sócios desse grupo e querem diminuir o custo do trabalho para concentrar renda”, finalizou.

Passeatas, greves e marchas: é o esquenta para greve geral

Em todas as regiões do país, no campo e na cidade, a classe trabalhadora deu o recado: golpistas não terão vida fácil e não dormirão tranquilos se resolverem levar adiante o projeto de retirada de direitos previsto pelo governo ilegítimo de Michel Temer.
Movimentos de ao menos 13 estados cruzaram os braços e organizaram atos públicos convocados pela CUT, demais centrais e organizações que compõem as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo neste Dia Nacional de Paralisação e Mobilização Rumo à Greve Geral e por Nenhum Direito a menos.
A Paraíba foi um dos estados em que a mobilização começou desde as primeiras horas da manhã. Motoristas e cobradores promoveram piquetes e impediram a cruzaram os braços, impedindo a circulação de ônibus e trens da CBTU, em João Pessoa.
Também por lá, comerciários organizados pelo Sinecom-JP e Contracs aderiram à paralisação. Da mesma forma que os trabalhadores da Sindipetro-PE/PB, que realizaram assembleias nas bases.
No Paraná, como em todo o sistema Petrobrás, tudo parado, incluindo a Repar (Refinaria Presidente Vargas), em Araucária.Em Curitiba, trabalhadores dos Correios organizaram um ato em defesa da empresa.
No Rio Grande do Sul, uma grande marcha tomou as ruas de Porto Alegre. A truculência, porém, foi forte na Carris, a empresa municipal de transporte coletivo de Porto Alegre, algo que não diminuiu a mobilização.
Em Goiás, a concentração foi na Alego (Assembleia Legislativa de Goiás). Os servidores estaduais da saúde pública estão no terceiro dia de Greve. Cerca de 2000 trabalhadores denunciaram o desmonte da rede de seguridade social promovido pelo governo golpista e parte do Congresso.
No Espírito Santo, os metalúrgicos trancaram a BR logo às quatro da manhã para denunciar o golpe, enquanto em Minas Gerais, professores estaduais, metroviários e bancários realizaram uma assembleia na Praça da Estação. Eletricitários, metalúrgicos e trabalhadores dos Correios em BH partiram da porta da Cemig em caminhada até a praça Sete. Alunos realizaram uma assembleia e paralisaram a UFMG. Professores municipais fizeram assembleia na praça Afonso Arinos. Em Contagem, os metalúrgicos trancaram a rodovia local às 4h.
A capital do Pará, Belém, teve uma passeata que saiu de São Brás e seguiu pela Avenida Nazaré rumo à Praça da República. Também houve um ato em frente à TV Liberal, afiliada à Globo, para denunciar a participação da mídia no golpe.
Em Brasília, a manifestação começou cedo com panfletagem dos comerciários e bancários na W3 Sul. Várias categorias realizarão atos, assembleias e paralisações ao longo dessa quinta feira.  Na capital do Amapá, Macapá, centrais sindicais e movimentos sociais realizaram um ato público na região central.
Em Florianópolis, capital de Santa Catarina, os trabalhadores do setor de transporte paralisaram por duas horas as atividades. No Rio Grande do Norte, estudantes fecharam a UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) e trancaram os acessos à rodovia local.
Em Recife, trabalhadores fecharama a Avenida Sul e Imperial. Em frente a Fiespe, houve um ato contra os retrocessos que podem atingir a classe trabalhadora.
No Piauí, a paralisação ocorreu na Praça da Bandeira. Em Fortaleza, capital do Ceará, desde oito horas manifestantes de diversos sindicatos e centrais sindicais realizam ato em uma das principais avenidas do centro, a Duque de Caxias. Em frente ao Banco do Brasil, o movimento fez um ato para fortalecer a greve dos bancários.
Também no estado, jornalistas cearenses participam do Dia Nacional de Paralisação e Mobilização contra as medidas do governo federal que atacam a classe trabalhadora, como a flexibilização da CLT, a reforma da previdência e os projetos de lei em discussão no Congresso que congelam o gasto público e provocam retração de direitos.
Os dirigentes do Sindjorce denunciaram no ato o arrocho salarial que os jornais do estado querem impor aos profissionais de imprensa.
Os atos em São Paulo ocorreram no ABC, capital e interior. Os metalúrgicos do ABC promoveram uma grande concentração na Avenida Roberti Kennedy, em São Bernardo do Campo. Na fábrica da Toyota também teve paralisação.
Ainda em São Bernardo, trabalhadores ligados ao Sindicato dos Profissionais da Confecção paralisam atividade na empresa Via Santony. Enquanto os químicos cruzaram os braços na empresa Ortobom e na Solvay, em Santo André.
Na sede do Bradesco, na Cidade de Deus, em Osasco, onde atuam 10 mil pessoas, ocorreu paralisação neste dia de luta.
O pessoal da garagem do serviço funerário da cidade de São Paulo suspendeu as atividades. Os operários do canteiro de obras da Sirius e os trabalhadores centro de tecnologia de Campinas também se integraram à mobilização.
Houve paralisação do Sindicato dos Metalúrgicos em Taubaté, que se concentram na Praça Dom Epaminondas e seguiram em caminhada até a Rodoviária Velha. Em São Carlos, houve atraso na entrada do turno dos metalúrgicos na empresa Tecumseh.
Movimento do Sindsaúde, na porta da Secretaria Estadual de Saúde, próximo ao Hospital das Clínicas. Haverá uma assembleia de trabalhadores Estadual de Saúde e uma passeata até o vão livre do Masp
As manifestações seguem em todo o país e, em breve, o Portal da CUT disponibilizará mais informações sobre o Dia Nacional de Paralisação e Mobilização.

Dia Nacional de Paralisação: rumo à greve geral e por nenhum direito a menos

As principais centrais sindicais do Brasil – CUT, CTB, UGT, Força, NCST, CSP-Conlutas e Intersindical –, e as entidades que formam as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo realizam no próximo dia 22 o Dia Nacional de Paralisação, rumo à greve geral – Nenhum direito a menos.
As paralisações, atrasos na entrada, assembleias nas portas dos locais de trabalho, passeatas e manifestações ocorrerão durante todo o dia em todo o País.
São Paulo
Em São Paulo, berço do golpe, às 10h, trabalhadores iniciarão uma concentração na frente da FIESP, Avenida Paulista, 1313, onde às 11h, os sindicalistas entregarão a diretores da FIESP a pauta em defesa dos direitos sociais e trabalhistas.
Às 15h, trabalhadores e militantes de várias categorias profissionais iniciarão concentração em frente ao Vão Livre do Masp, onde os professores da Rede Pública Estadual estarão reunidos em assembleia.
Às 16h, haverá um ato público com todas as categorias profissionais que vão participar do Dia de Paralisação.
Nenhum direito a menos
Além das dezenas de projetos que preveem a ampliação da terceirização apoiada por Temer, vários ministros do governo falaram em outras propostas que tiram direitos da classe trabalhadora, entre elas, a reforma da Previdência, com idade mínima de 65 anos e redução de benefício; mudanças na Lei trabalhista para permitir acordos de redução de salários, 13º e fatiamento das férias; e a PEC 241 que reduz os investimentos sociais, em especial nas áreas de saúde e educação.
É contra esses ataques aos direitos sociais e trabalhistas que todos os trabalhadores têm de participar do Dia Nacional de Paralisação e se preparar para a greve geral, explica o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas.
“Dia 22 de setembro, todos nós, trabalhadoras e trabalhadores, temos que estar nas ruas, dando um recado para esse governo golpista, dizendo que não vamos tolerar que mexam em nossos direitos. Rumo à greve geral”, convocou o dirigente.
As centrais sindicais defendem um projeto de desenvolvimento com geração de emprego e distribuição de renda, trabalho decente, aposentadoria digna e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salário.

CSI lança em Nova Iorque campanha “Estamos com Lula”

A Confederação Sindical Internacional (CSI) lançou nesta terça-feira, em Nova Iorque, a campanha “Estamos com Lula” (“Stand with Lula”), simultaneamente à abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Representando mais de 180 milhões de trabalhadores sindicalizados em 162 países, a CSI decidiu defender o ex-presidente das arbitrariedades judiciais de que vem sendo alvo pelos setores mais reacionários da sociedade brasileira.
Agradecendo “muito” a mobilização do conjunto do sindicalismo internacional, da central estadunidense AFL-CIO, dos movimentos sociais e ONGs representativas, o presidente da CSI, João Felicio, destacou que o “movimento da defesa de direitos e da democracia é o que dá à Confederação a expressividade que tem”.
“A coisa mais linda que o Lula fez foi inserir a população mais pobre e defender nossa soberania, projetando nosso país no cenário mundial. É raro um presidente sair do governo com 80% de ótimo e bom. E é pelo profundo preconceito da elite brasileira, da classe média alta, com a contribuição que deu para a construção da espetacular central que é a CUT e de um partido chamado PT, que eles querem cassar Lula”. “Não deixaremos o nosso companheiro ser condenado”, enfatizou o presidente da CSI.
João Felicio denunciou o golpe movido contra a presidenta Dilma Rousseff, que ao lado de Lula construiu um “projeto de ampliação do salário e do emprego decente” e alertou que “antes derrubavam governos com a força para implantar ditaduras e hoje fazem uma orquestração entre a imprensa, o judiciário e partidos sem voto que querem voltar ao poder sem passar por eleições”. Com Temer, condenou, o que está no governo é “uma visão totalmente diferente de Brasil do que vinha sendo implementado nos últimos 12 anos, um projeto que exclui o país do cenário político mundial, um projeto subordinado, que é o de uma elite econômica, não o nosso”.
“Este ato aqui em Nova Iorque é um passo decisivo na campanha que lançamos no final do ano passado. Como a imprensa e as estruturas do estado brasileiro atacam Lula, são cada vez mais importantes estas manifestações fora do país e elas só tendem a crescer. Estou indo para a Índia na semana que vem, para a África do Sul e a Europa no do mês de outubro. Vamos fortalecer esta campanha e quebrar o bloqueio no Brasil”, ressaltou o secretário de Relações Internacionais da CUT, Antonio Lisboa.
Segundo a secretária-geral da CSI, Sharan Burrow, o objetivo é defender o ex-presidente de abusos judiciais no Brasil e denunciar os “poderosos interesses” que tentam impedir sua livre atuação política.
Convidado a fazer uma saudação por teleconferência, o ex-presidente Lula agradeceu o empenho dos sindicalistas na campanha e condenou a tentativa de setores da imprensa e do judiciário de “amedrontar as pessoas”, com a prática “intimidatória de criminalizar pelas manchetes dos jornais”.

Rumo à greve geral

A Executiva da CUT Nacional, suas estaduais e os Ramos que compõem a base dos trabalhadores cutistas reuniram-se em Brasília no dia 14 de setembro, após dois dias de intensa mobilização que reuniu de 10 a 15 mil manifestantes na capital federal nos dias 12 (“Fora Temer e Fora Cunha”) e 13 (“NENHUM DIREITO A MENOS”, contra a PEC 241).
Essas mobilizações engrossam as manifestações que antes mesmo da consumação da farsa do impeachment da presidenta Dilma tomaram as ruas de todo o país contra o golpe e agora continuam pelo “Fora Temer”. Milhares de jovens, mulheres, intelectuais, artistas, trabalhadores e trabalhadoras estão indicando claramente que não reconhecem este governo golpista e que repudiam as medidas e políticas de ataque aos direitos sociais, previdenciários e trabalhistas, de entrega de nossos recursos econômicos e naturais para as multinacionais, notadamente no caso do Pré-sal.
Os ataques do governo golpista se desdobram à cada dia. A cada momento o cerco contra a democracia e o estado de direito se intensifica, como se viu no grotesco e perigoso espetáculo montado por procuradores da Lava Jato que “com convicção, mas sem provas” tentam incriminar o ex-presidente Lula, mostrando ao Brasil e ao mundo a utilização política, tendenciosa e parcial do judiciário brasileiro. A CUT repudia tal operação como um atentado contra os direitos elementares dos cidadãos e tentativa de criminalizar não só a figura de Lula, mas o PT, outros partidos de esquerda e o conjunto das organizações sindicais e populares que hoje estão em pé de luta em defesa dos direitos e conquistas ameaçados pelos golpistas.
Diante da urgência desse quadro, após discussão baseada em informes das estaduais e ramos de nossa central, crescem as condições para uma greve geral que derrote o conteúdo regressivo do golpe, partindo da afirmação intransigente de “NENHUM DIREITO A MENOS”.  A CUT prioriza junto às suas bases a preparação da Greve Geral no próximo período, apoiando as greves em curso pelo Brasil e indicando desde já o seguinte:
22 DE SETEMBRO – DIA NACIONAL DE PARALISAÇÃO E MOBILIZAÇÃO RUMO À GREVE GERAL – A greve geral passa pelo “esquenta” do dia 22, por isso a importância da participação da CUT nacional, estaduais, ramos e macrossetores na organização da mobilização e paralisação nesse dia, rumo á greve geral. Foram definidos os passos para o dia 22:

  • Intensificar a preparação do Dia Nacional de Paralisação e Mobilização de 22 de setembro como um “Esquenta da Greve Geral”, reforçando a interrupção total ou parcial do trabalho;
  • Intensificar a construção do dia 22 junto às Frentes Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo;
  • Continuar a construir esse “esquenta” com as outras centrais sindicais para que também mobilizem suas bases;
  • Os ramos devem continuar a convocar suas bases para a paralisação no dia 22;
  • Todos os estados devem organizar  plenárias de sindicatos e movimentos parceiros – como já vem sendo feito – para potencializar o “Esquenta da Greve Geral”;
  • Os macrossetores também deverão contribuir na construção da mobilização.

26 DE SETEMBRO – REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA EXECUTIVA AMPLIADA  – Reunião para a realização de balanço das atividades do dia 22 e definir data (indicativa) para a Greve Geral ainda neste ano. Continuar a construir a mais ampla unidade de ação com as demais centrais sindicais e com as Frentes nesse processo de preparação da Greve Geral por “NENHUM DIREITO A MENOS”, preservando sempre a autonomia da CUT na agitação das palavras de ordem que consideramos centrais na atual conjuntura.
05 DE OUTUBROMOVIMENTO DE PARALISAÇÃO DO FUNCIONALISMO PÚBLICO NO COMBATE À PEC 241 (DF). Convocar em conjunto com entidades do funcionalismo federal, estadual e municipal, um segundo Dia Nacional de Paralisação e Mobilização tendo como centro o combate à PEC 241 que congela os “gastos” com os serviços públicos por 20 anos. A Executiva Nacional da CUT considera que esta não é uma luta específica dos servidores públicos que terão seus salários e direitos afetados diretamente, mas do conjunto da classe trabalhadora, pois o que traz a PEC 241 é um verdadeiro desmonte do Estado e de suas políticas sociais, afetando diretamente todos os trabalhadores e o povo que necessitam de um serviço público de qualidade (Educação e Saúde públicas, por exemplo).
PLANO DE LUTAS – As ações que constam do Plano de Lutas da CUT para o Segundo Semestre (anexo), definidas na reunião da Direção Nacional de 18 e 19 de agosto de 2016, e reavaliadas pelos dirigentes na reunião, são coerentes com o momento e devem continuar a ser executadas.
DIRETAS JÁ – A CUT, diante da ilegitimidade do governo Temer, um governo sem voto popular e que representa interesses estranhos aos da maioria da população brasileira, se soma á exigência de que a palavra seja dada ao povo – pois é a soberania popular que é a base da democracia – através de eleições Diretas Já com a instalação de Constituinte para a reforma desse sistema político apodrecido que pretende legitimar o golpe.
EIXOS DA  LUTA – OS EIXOS E PALAVRAS DE ORDEM QUE NORTEARÃO TODAS AS AÇÕES CUTISTAS SERÃO:

  • “NENHUM DIREITO A MENOS”;
  • “Rumo à Greve Geral”
  • “Fora Temer”; e
  • “Diretas Já, com assembléia constituinte para a reforma política”.

Greve dos bancários 2016 já é a maior da história

A greve nacional dos bancários 2016 é a maior da história. Nesta segunda-feira (19), décimo quarto dia de mobilização, 13.071 agências tiveram as atividades paralisadas, um recorde para a categoria. O número representa 56% do total de agências do Brasil.
Clique aqui e veja a galeria de fotos do 14º dia de mobilização.
O crescimento do movimento, que entrou na sua terceira semana, é uma resposta ao desrespeito apresentado pala Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) com a categoria, ao não apresentar, nas duas últimas rodadas de negociação, melhorias na proposta já rejeitada.
Roberto von der Osten, presidente da Contraf-CUT e um dos coordenadores do Comando Nacional dos Bancários, lembrou que a retirada das faixas e dos cartazes organizada pelos bancos para impedir a nossa manifestação e para tentar deixar a nossa greve invisível não teve sucesso. “Pretendiam fazer com que a população acreditasse que a nossa greve fracassou. Somado a isso, pressionaram e constrangeram para que alguns trabalhadores furassem a greve. Os bancários e bancárias continuaram firmes e cada vez mais indignados com o desrespeito e com a truculência destas ações antissindicais dos bancos.”
Para ele, os banqueiros precisam entender que não queremos redução dos nossos salários. “Apelamos para o bom senso dos bancos: precisamos retomar as negociações para, além dos nossos salários, garantir emprego, saúde, segurança, condições de trabalho e igualdade de oportunidades, PLR maior, valorização do piso da categoria, melhorar VA e VR e tantos outros assuntos que temos pendentes. A sociedade quer muito entender os motivos desta greve. E nós estamos explicando. Nenhum direito a menos? Só a luta te garante!”, completou.
Principais reivindicações dos bancários
Reajuste salarial: reposição da inflação (9,62%) mais 5% de aumento real.
PLR: 3 salários mais R$8.317,90.
Piso: R$3.940,24 (equivalente ao salário mínimo do Dieese em valores de junho último).
Vale alimentação no valor de R$880,00 ao mês (valor do salário mínimo).
Vale refeição no valor de R$880,00 ao mês.
13ª cesta e auxílio-creche/babá no valor de R$880,00 ao mês.
Melhores condições de trabalho com o fim das metas abusivas e do assédio moral que adoecem os bancários.
Emprego: fim das demissões, mais contratações, fim da rotatividade e combate às terceirizações diante dos riscos de aprovação do PLC 30/15 no Senado Federal, além da ratificação da Convenção 158 da OIT, que coíbe dispensas imotivadas.
Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS): para todos os bancários.
Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós.
Prevenção contra assaltos e sequestros: permanência de dois vigilantes por andar nas agências e pontos de serviços bancários, conforme legislação. Instalação de portas giratórias com detector de metais na entrada das áreas de autoatendimento e biombos nos caixas. Abertura e fechamento remoto das agências, fim da guarda das chaves por funcionários.
Igualdade de oportunidades: fim às discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transexuais e pessoas com deficiência (PCDs).

Governar para o pobre é o motivo da perseguição, diz Lula

Um dia após os procuradores da República Daltan Dallagnol e Henrique Pozzobon substituírem as provas cabais por forte convicção para acusar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de comandar um esquema de corrupção na Petrobrás, o petista concedeu uma coletiva em São Paulo.
Nesta quinta-feira (15), logo no início da sua intervenção, Lula disse que não faria um show de pirotecnia “como fizeram ontem”. Muito menos iria se comportar como alguém perseguido ou que estivesse reivindicado um favor.
Seria uma declaração de um cidadão indignado com as coisas que aconteceram e que estão acontecendo neste país, declarou. “Neste país tem pouca gente com a vida mais pública, mais fiscalizada do que a minha. Isso desde o tempo em que eu era dirigente sindical nas greves de 1968 e 1969.”
Lula ressaltou que a perseguição está diretamente ligada ao sucesso de seu governo. “Quando começamos a dar certo na presidência, em 2005, tentaram fazer o que fizeram com a Dilma agora. Parcela da mídia brasileira e do Poder Judiciário agiu do mesmo jeito. O objetivo era tirar o Lula já em 2005”, disse.
Para o ex-presidente, o que desperta a ira de parcelas do país é a inclusão do povo pobre no orçamento do país.
“Quando entrei, falei que aqui não ia mais se falar em gasto quando se tratasse de educação. Mas de investimento. Esse país não seria mais só exportador de soja, mas também de conhecimento. Foi aí que fizemos a quantidade de universidades federais que fizemos, Fies, ProUni”, recordou.
Show de horrores
Segundo Lula, a caçada ao seu legado é parte do mesmo processo que vitimou Dilma. “Convocaram uma coletiva para mostrar o crime que o Lula cometeu. Até pensei em ir para a China me esconder, será que esqueci de algum crime que teria cometido? E descobri que tanto meus acusadores, quanto parte da imprensa brasileira estão mais enrascados e mais comprometidos do que pensavam que eu estava. Porque construíram uma mentira, uma inverdade e o prazo está chegando ao fim. Já cassaram Cunha, já elegeram Temer pela via indireta, pelo golpe, já derrubaram Dilma. Agora tem que definir um mocinho e um bandido, dar um desfecho, acabar com vida política de Lula.”
Para ele, as provas viraram questões secundárias. “A lógica (das investigações) não é mais a dos autos do processo, é a da manchete dos jornais. Quem vamos criminalizar pela manchete, quem vamos demonizar? E está acontecendo isso desde 2005. O PT é tido como partido que tem de ser extirpado da história brasileira. Assim fizeram com a Dilma e assim querem fazer comigo”, avaliou, antes de voltar a negar as acusações que lhe atribuem.
“Dedicaram-me um apartamento que não tenho, uma chácara que não é minha. Disseram que sou o ‘comandante máximo’ de um esquema corrupção. Eu tenho a convicção de que quem mentiu está numa enrascada”, falou.
Ao citar o caso de um helicóptero com 400 quilos de cocaína do deputado estadual Gustavo Perrella (SDD-MG) apreendido em 2013, ele exemplificou como a justiça atua de forma seletiva e arrancou risos do público.
“Eles pegaram um avião com 450 quilos de pasta de cocaína. Eles viram o avião. Eles pegaram a cocaína. Eles tinham a prova, mas eles não tinham a convicção”, comentou, em alusão à já classifica frase do procurador Dallagnol.
À disposição da Justiça
Lula voltou a dizer que está à disposição da justiça, mas cobrou respeito. “Vou prestar quantos depoimentos forem necessários, mas uma coisa têm de aprender, estão tratando com um cidadão que conquistou o direito de andar de cabeça erguida neste país. Provem uma corrupção minha que eu vou a pé para cadeia”, desafiou.
O ex-presidente apontou também a necessidade de fortalecer instituições como o Ministério Público Federal, mas alertou que a ânsia por cinco minutos de fama podem comprometer um trabalho honesto.
“Continuo com a mesma crença que tinha antes, os companheiros que compõem o corpo do MP têm de ficar muito atentos porque não podem impedir que meia dúzia de pessoas estraguem a história de uma instituição tão importante para este país e que eu ajudei a  construir na Constituição de 1988.”
Culpado por olhar para os pobres
O problema de adotar uma espiral de mentiras, defendeu, é que uma falácia chama a outra. “A desgraça de quem conta uma mentira é que precisa passar a vida mentindo. Disseram que eu tinha coisas que não tinha e se não sabe como dizer, peçam desculpas a Lula. Não continuem tentando inventar coisa para justificar a primeira mentira”, lamentou.
Lula cobrou ainda da imprensa o mesmo destaque que deram à apresentação dos procuradores e disse acreditar que seus méritos são os grandes responsáveis pela ojeriza que causa em seus adversários.
“Espero que tenha o mesmo destaque que meus acusadores tiveram ontem. Só igualdade e oportunidade de as pessoas poderem ouvir. Porque no fundo, no fundo estou querendo falar com mais pobres. Estou orgulhoso de saber que a perseguição a mim é pelas coisas boas que fizemos neste país.”
Militância na rua
Do lado de fora do hotel onde Lula fez seu pronunciamento, centenas de militantes se apinhavam na expectativa de ver o ex-presidente e manifestar apoio. Bandeiras de movimentos sociais se misturavam com as do PT. Por ali, passaram diversas lideranças políticas que foram acompanhar o pronunciamento do petista.
“Eu tenho certeza que o Lula é inocente. O maior crime do Lula foi ter feito os pobres desse País terem dignidade. Hoje, vemos pobres, negros e mulheres no poder, isso só acontece porque o Lula foi presidente”, afirmou Helena Adami, professora da rede municipal.
Logo após encerrar seu pronunciamento, Lula saiu para saldar a militância e foi ovacionado pelas centenas de pessoas. O ex-presidente precisou do auxílio de uma escada móvel para conseguir enxergar todos e agradecer o apoio.
Pouco depois das 14h30, os manifestantes começaram a esvaziar o local, liberando as vias para os carros.

CUT seguirá defendendo os direitos da classe trabalhadora

A CUT participou nesta quarta-feira, 14, de reunião entre o Ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, e representantes das centrais sindicais.
O presidente da CUT, Vagner Freitas, deixou claro durante a audiência que o fato dele estar na reunião, com a vice-presidente Carmen Foro, e o secretário de Assuntos Jurídicos Valeir Erthle, não significa que a CUT reconhece esse governo. Porém, como representantes da classe trabalhadora, a maior central do Brasil não pode se furtar a a representar o trabalhador. E representar o trabalhador diante do atual cenário é dizer que não vai negociar a retirada de direitos, que vai organizar um Dia Nacional de Paralisação, no dia 22, contra o desemprego, as reformas da Previdência e trabalhista e qualquer ataque aos direitos conquistados nos últimos anos.
O presidente da CUT, abriu sua fala dizendo que a CUT não reconhece esse governo, que o ministro do Trabalho “faz parte de um governo que não deveria existir porque não foi eleito e, portanto, não tem legitimidade.”
O dirigente disse ainda que a CUT não vai aceitar idade mínima para aposentadoria – “isso é um retrocesso enorme” -, nem tampouco o negociado sobre o legislado, muito menos aumento de jornada de trabalho. Se o governo mandar essas medidas para o Congresso Nacional, “vamos para greve geral”, disse Vagner.
Independentemente das reformas, o presidente da CUT disse ao ministro que a Central e os movimentos populares continuarão lutando nas ruas pela volta do Estado democrático de direito no Brasil e contra a retirada de direitos sociais e trabalhistas.

Crime de Lula foi se negar a governar para poucos, diz Vagner

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi denunciado pelo Ministério Público Federal nesta quarta-feira (14) de comandar um suposto esquema de corrupção na Petrobrás. Cabe agora ao juiz federal Sergio Moro decidir se aceita a acusação e transforma Lula em réu.
Para o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, a investigação é seletiva e tem como objetivo minar qualquer chance da volta de um modelo de governo calcado no desenvolvimento com distribuição de renda.
“Hoje o Brasil viveu um dia triste, porque uma investigação seletiva, que não é republicana, tentou expor para o mundo como comandante da corrupção o maior comandante da esperança do povo brasileiro”, definiu.
Vagner destacou que o motivo da perseguição à Lula é ter mudado a forma como o governo enxergava o país, de um lugar para poucos e transformá-lo numa República para muitos.
“Lula é comandante da retirada de milhões de pessoas da linha da miséria, comanda os trabalhadores para que seus direitos não sejam vilipendiados, comanda a esperança de termos um Brasil que não seja apenas para alguns, de termos futuro para nós e para nossos filhos. E que esse futuro não seja atrelado aos interesses do capital internacional. Isso fez com que fosse colocado de maneira infame como chefe de quadrilha”, criticou.
O dirigente ainda ressaltou que a CUT estará ao lado do ex-presidente. “Nós, da CUT, sabemos que defender os trabalhadores é defender nossa autonomia e independência, o pré-sal, os investimentos em saúde e educação públicas de qualidade, a manutenção dos direitos e, portanto, defender Lula, que representa tudo isso. Nós estaremos juntos para que o país continue crescendo e não tenhamos nenhum retrocesso”, falou.
E as provas?
Durante coletiva convocada logo após a divulgação da denúncia, o advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, também apontou que a atuação do Ministério Público é “política”.
“O MPF elegeu Lula como ‘maestro de uma organização criminosa’, mas ‘esqueceu’ do principal: a apresentação de provas dos crimes imputados”, afirmou.
Ele também destacou que não há documentos que provem ser do ex-presidente o triplex no Guarujá atribuído ele.
Leia abaixo a nota dos advogados do ex-presidente.
Veja íntegra da nota dos advogados de Lula:
Denúncia do MPF é truque de ilusionismo; coletiva é um espetáculo deplorável.
Luiz Inácio Lula da Silva e sua esposa Marisa Letícia Lula da Silva repudiam publica e veementemente a denúncia ofertada na data de hoje (14/09/2016) pelo Ministério Público Federal (MPF), baseada em peça jurídica de inconsistência cristalina.

A denúncia em si perdeu-se em meio ao deplorável espetáculo de verborragia da manifestação da Força Tarefa da Lava Jato. O MPF elegeu Lula como “maestro de uma organização criminosa”, mas “esqueceu” do principal: a apresentação de provas dos crimes imputados. “Quem tinha poder?” Resposta: Lula. Logo, era o “comandante máximo” da “propinocracia” brasileira. Um novo país nasceu hoje sob a batuta de Deltan Dallagnol e, neste país, ser amigo e ter aliados políticos é crime.
A farsa lulocentrica criada ataca o Estado Democrático de Direito e a inteligência dos cidadãos brasileiros. Não foi apresentado um único ato praticado por Lula, muito menos uma prova. Desde o início da Operação Lava Jato houve uma devassa na vida do ex-Presidente. Nada encontraram. Foi necessário, então, apelar para um discurso farsesco. Construíram uma tese baseada em responsabilidade objetiva, incompatível com o direito penal. O crime do Lula para a Lava Jato é ter sido presidente da República.
O grosso do discurso de Dallagnol não tratou do objeto da real denúncia protocolada nesta data – focada fundamentalmente da suposta propriedade do imóvel 164-A do edifício Solaris, no Guarujá (SP). Sua conduta política é incompatível com o cargo de Procurador Geral da República e com a utilização de recursos públicos do Ministério Público Federal para divulgar suas teses.
Para sustentar o impossível – a propriedade do apto 164-A, Edifício Solaris, no Guarujá – a Força Tarefa da Lava Jato valeu-se de truque de ilusionismo, promovendo um reprovável espetáculo judicial- midiático. O fato real inquestionável é que Lula e D. Marisa não são proprietários do referido imóvel, que pertence à OAS.
Se não são proprietários, Lula e sua esposa não são também beneficiários de qualquer reforma ali feita. Não há artifício que possa mudar essa realidade. Na qualidade de seus advogados, afirmamos que nossos clientes não cometeram, portanto, crimes de corrupção passiva (CP, art. 317, caput), falsidade ideológica (CP, art. 299) ou lavagem de capitais (Lei nº 9.613/98, art. 1º).
A denúncia não se sustenta, diante do exposto abaixo:
1- Violação às garantias da dignidade da pessoa humana, da presunção da inocência e, ainda, das regras de Comunicação Social do CNMP.
A coletiva de imprensa hoje realizada pelo MPF valeu-se de recursos públicos para aluguel de espaço e equipamentos exclusivamente para expor a imagem e a reputação de Lula e D. Marisa, em situação incompatível com a dignidade da pessoa humana e da presunção de inocência. O evento apresentou denúncia como uma condenação antecipada aos envolvidos, violando o art. 15, da Recomendação n.º 39, de agosto de 2016, do Conselho Nacional do Ministério Público, que estabelece a Política de Comunicação Social do Ministério Público.
2- Não há nada que possa justificar as acusações.
2.1 – Corrupção passiva – O ex-Presidente Lula e sua esposa foram denunciados pelo crime de corrupção passiva (CP, art. 317, caput), no entanto:
2.2.1 O imóvel que teria recebido as melhorias, no entanto, é de propriedade da OAS como não deixa qualquer dúvida o registro no Cartório de Registro de Imóveis (Matricula 104801, do Cartório de Registro de Imóveis do Guarujá), que é um ato dotado de fé pública. Diz a lei, nesse sentido: “Art. 1.245. Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis”. A denúncia não contém um único elemento que possa superar essa realidade jurídica, revelando-se, portanto, peça de ficção.
2.2.2.  Confirma ser a denúncia um truque de ilusionismo o fato de o documento partir da premissa de que houve a “entrega” do imóvel a Lula sem nenhum elemento que possa justificar tal afirmação.
2.2.3. Lula esteve uma única vez no imóvel acompanhado de D. Marisa — para conhecê-lo e verificarem se tinham interesse na compra. O ex-Presidente e os seus familiares jamais usaram o imóvel e muito menos exerceram qualquer outro atributo da propriedade, tal como disposto no art. 1.228, do Código Civil (uso, gozo e disposição).
2.2.4. D. Marisa adquiriu em 2005 uma cota-parte da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop) que, se fosse quitada, daria direito a um imóvel no Edifício Mar Cantábrico (nome antigo do hoje Edifício Solaris). Ela fez pagamentos até 2009, quando o empreendimento foi transferido à OAS por uma decisão dos cooperados, acompanhada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo. Diante disso, D. Marisa passou a ter a opção de usar os valores investidos como parte do pagamento de uma unidade no Edifício Solaris – que seria finalizado pela OAS — ou receber o valor do investimento de volta, em condições pré-estabelecidas. Após visitar o Edifício Solaris e verificar que não tinha interesse na aquisição da unidade 164-A que lhe foi ofertada, ela optou, em 26.11.2015, por pedir a restituição dos valores investidos. Atualmente, o valor está sendo cobrado por D. Marisa da Bancoop e da OAS por meio de ação judicial (Autos nº 1076258-69.2016.8.26.0100, em trâmite perante a 34ª. Vara Cível da Comarca de São Paulo), em fase de citação das rés.
2.2.5. Dessa forma, a primeira premissa do MPF para atribuir a Lula e sua esposa a prática do crime de corrupção passiva — a propriedade do apartamento 164-A — é inequivocamente falsa, pois tal imóvel não é e jamais foi de Lula ou de seus familiares.
2.2.6. O MPF não conseguiu apresentar qualquer conduta irregular praticada por Lula em relação ao armazenamento do acervo presidencial. Lula foi denunciado por ser o proprietário do acervo. A denúncia se baseia, portanto, em uma responsabilidade objetiva incompatível com o direito penal
2.3 – Lavagem de Capitais
Lula foi denunciado pelo crime de lavagem de capitais (Lei nº 9.613/98, art. 1º) sob o argumento de que teria dissimulado o recebimento de “vantagens ilícitas” da OAS, que seria “beneficiária direita de esquema de desvio de recursos no âmbito da PETROBRAS investigado pela Operação Lava Jato”.
2.3.1 Para a configuração do crime previsto no art. 1º, da Lei nº 9.613/98, Lula e sua esposa teriam que ocultar ou dissimular bens, direitos ou valores “sabendo serem oriundos, direta ou indiretamente, de crime”.
2.3.2 Além de o ex-Presidente não ser proprietário do imóvel no Guarujá (SP) onde teriam ocorrido as “melhorias” pagas pela OAS, não foi apresentado um único elemento concreto que possa indicar que os recursos utilizados pela empresa tivessem origem em desvios da Petrobras e, muito menos, que Lula e sua esposa tivessem conhecimento dessa suposta origem ilícita.
Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira

Cassação de Cunha inicia derrubada do golpismo

A cassação do deputado golpista Eduardo Cunha, envolvido até o pescoço em corrupção e lavagem de dinheiro, é apenas o pontapé inicial para o “Fora Temer e Fora golpistas”. Eles usurparam o governo e estão colocando o país na rota do caos social, com roubo de direitos e conquistas históricas dos trabalhadores, com entrega de estatais e das riquezas naturais do povo ao capital nacional e internacional, com desmonte do serviço público para todos.
Com essa definição, o presidente da CUT Brasília Rodrigo Britto sintetizou o sentimento geral de todos os que em Brasília e em todo o País exigiram “Fora Cunha” em manifestações realizadas no início da noite dessa segunda-feira (12). A pressão foi essencial para que a Câmara dos Deputados retomasse a sessão de cassação do mandato do ex-presidente da Casa, um dos artífices do processo fraudulento de impeachment de Dilma Roussef e representante-mor dos setores financiadores do golpe de Estado consumado no País.
Em Brasília, a CUT e as Frentes Brasil Popular e Brasil Sem Medo realizaram manifestação a partir das 18h, partindo do Museu Nacional até a frente do Congresso Nacional.  O ato terminou por volta das 22h, pouco antes da votação na Câmara, que decidiu pela cassação do mandato por 450 votos favoráveis contra dez contrários e nove abstenções. Com a decisão do Plenário da Casa, que coloca fim ao processo de cassação mais longo da história do Conselho de Ética Câmara, Cunha perde também seus direitos políticos por oito anos e o direito a foro privilegiado. Com isso, os vários processos que tramitam contra ele no Supremo Tribunal Federal sobre a Operação Lava Jato serão julgados pela primeira instância.
O presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, disse que “qualquer resultado que não fosse a cassação do Eduardo Cunha seria pavoroso para a história do país, uma vergonha. Foram levantadas contra o Cunha provas suficientes para que ele não só fosse cassado mas encaminhado ao Judiciário para ser preso”.
Para Freitas, “Cunha e Temer são a mesma coisa. Um não existe sem o outro. Ambos tiraram uma presidente eleita do poder, sem qualquer crime, apenas para acobertarem suas falcatruas, e vão pagar por isso. A saída do Cunha é o pontapé inicial para o ‘Fora Temer’”, finalizou.
Unidade
Em Brasília, o ato pelo “Fora Cunha” reuniu servidores públicos de vários estados do país acampados na capital federal, a juventude, integrantes de movimentos sociais e sindical que, juntos, pediram o fim do golpismo que tem objetivo claro de detonar com a classe trabalhadora e a sociedade em geral.
“Não pode parar! Daqui pra frente, é resistir e ocupar”, gritavam os manifestantes em frente ao espelho d’água doCongresso Nacional, em ritmo de samba.
Marcos Breda, dirigente do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense, adjetivou Cunha como “ladrão da Pátria brasileira” e disse que a luta continua. “Amanhã (nesta terça-feira), teremos na Câmara dos Deputados a votação que entrega o petróleo brasileiro às multinacionais (PL 4567/2016). Nós defendemos que o petróleo seja para a Saúde e Educação, e não podemos aceitar que ele seja entregue para as multinacionais, como quer o Serra, o Temer e todos os golpistas que tomaram o Brasil de assalto”, informa o petroleiro que participou da manifestação pelo “Fora Cunha”, nessa segunda-feira (12).
Vários atos foram realizados em todo o país na noite dessa segunda para pedir a saída de Cunha e do presidente Michel Temer e por eleições Diretas Já.
Caras de pau
Cunha, que já teve a maioria dos deputados federais como aliados, terminou cassado, com apenas dez fiéis defensores. Entre eles, Paulinho da Força (SD-SP), dirigente sindical golpista, e Marcos Feliciano (PSC-SP), citado em caso de tentativa de estupro. Além deles, votaram com Cunha Carlos Andrade (PHS-RR), Carlos Marun (PMDB-MS), Arthur Lira (PP-AL), João Carlos Bacelar (PR-BA), Wellington Roberto (PR-PB), Julia Marinho (PSC-PA), Dâmina Pereira (PSL-MG) e Jozi Araújo (PTN-AP).
O líder do governo Michel Temer na Câmara, André Moura (PSC-SE), foi um dos nove deputados que se absteve na votação. Também se abstiveram Rôney Nemer (PP) e Laerte Bessa (PR), ambos representantes do Distrito Federal.
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