Corte de R$ 4,2 bilhões representa um retrocesso de dez anos na Educação do país

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Ao contrário dos governos de Lula e Dilma que aumentaram os recursos para educação de R$ 18 bilhões para R$ 115,7 bilhões entre 2002 e 2014, o equivalente a 218% de aumento real, por compreenderem o quanto o setor é estratégico para o desenvolvimento do país, para a formação profissional e até para a mobilidade social, o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) corta cada vez mais recursos e precariza esta área fundamental para o Brasil e para os brasileiros.

 O Ministério da Economia anunciou um corte de R$ 4,2 bilhões para o orçamento do Ministério da Educação em 2021, o que corresponde a 18,2% em relação ao orçamento deste ano. Somente para as universidades, haverá uma redução de R$ 1 bilhão, o que deve inviabilizar o cumprimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão.

“Essa redução no orçamento significará um retrocesso de dez anos em relação ao que se praticava nas universidades”, afirma o reitor e professor de Filosofia e reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), João Carlos Salles, que complementa: “Com essa diferença sobre as nossas responsabilidades atuais e de antes, quando tínhamos menos alunos, menos área construída, o corte inviabiliza, de fato, atividades de ensino”.

Para o reitor, falta visão estratégica no governo Bolsonaro. Investir em educação é fundamental para independência do país, afirma. De um lado há a formação voltada para as profissões ou ‘para retornos mais imediatos’. Por outro lado, universidades formam pessoas em áreas importantes como ciência, cultura e arte, diz o professor.

A educação contribui para uma formação cidadã e para um aperfeiçoamento da própria sociedade. As universidades são equipamentos  que se associam a um projeto de uma sociedade mais democrática, menos desigual mais independente, intelectualmente

– João Carlos Salles

O reitor lamenta que todos os ataques do governo ao setor tenham extrapolado o ambiente das redes sociais, em referência às diversas postagens feitas pelo ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, em redes sociais como o Twitter.

“A redução dos recursos dá continuidade à agressão que as universidades têm sofrido. Ano passado e até o primeiro semestre deste ano, as agressões eram feitas pelo Twitter. Eram agressões a dirigentes e a própria vida universitária, às áreas do saber. Agora, com frieza, aquilo que foi ameaçado pelo Twitter, está sendo executo por uma planilha, burocraticamente, sem compreender o significado estratégico e sem proteger a educação”, lamentou o reitor.

De acordo com o professor João Carlos Salles, o orçamento das universidades já estava defasado. As universidades cresceram nas últimas décadas com aumento de cursos, inclusão de alunos e por consequência, com mais equipamentos e ampliação das estruturas. Mas, o orçamento tem se mantido no mesmo valor nominal sem nem mesmo compensar a inflação. Atualmente, o orçamento é de cerca de R$ 149 bilhões.

Foi com mais investimentos que, em apenas 13 anos, os governos do PT  criaram 422 escolas técnicas, 18 universidades federais, 173 campus e programas como o ProUni e o Fies, que democratizaram o acesso ao ensino superior. Entre 2002 e 2014, o acesso ao ensino superior aumentou de 3,5 milhões para 7,1 milhões de estudantes.

Com os cortes nos investimentos promovidos por Bolsonaro e sua equipe econômica, liderada pelo banqueiro Paulo Guedes, em especial o corte previsto para o ano que vem, a situação da educação se agrava porque não se trata de um ‘bloqueio de recursos, como foi ameaçado no ano passado’, quanto o então ministro da Educação Abraham Weintraub, pressionou as gestões das universidades, acusando-as de permitir ‘balburdias’ nos campis de universidades como a Universidade Federal Fluminense (UFF), a Universidade de Brasil (UnB) e a própria UFBA, os  três primeiros alvos de Weintraub, que logo se estendeu a todas as universidades, explica o reitor.

 

Os cortes

A justificativa do governo para reduzir os recursos do MEC é de “crise econômica em consequência da pandemia do novo coronavírus”.

De acordo com nota publicada pelo ministério, por causa da crise, “a Administração Pública terá que lidar com uma redução no orçamento para 2021, o que exigirá um esforço adicional na otimização dos recursos públicos e na priorização das despesas”.

O corte, ainda de acordo com o governo, se dará nas despesas discricionárias ou não obrigatórias, geridas pelas próprias universidades, destinadas a custear gastos com a estrutura, como água, luz, limpeza, além de bolsas de auxílio a estudantes e assistência estudantil.

Para o reitor João Carlos Salles, ao usar a pandemia como justificativa, o governo acaba tratando todas as áreas como administração pública.

A universidade se torna mais uma repartição pública, porque não se compreende uma prioridade estratégica da educação e da saúde nesse momento

– João Carlos Salles

Para o reitor da UFBA, tratar como estratégicos a saúde e a educação é uma resposta aos anseios da sociedade por hospitais, escolas e universidades acessíveis e de qualidade. “É sobre aposta que a sociedade faz em seu futuro, então, ao tratar indistintamente e burocraticamente a administração pública, o governo não separa essa prioridade, apenas trata como uma fatalidade o que, de fato, é uma escolha”.

 

Mais, não menos

Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), em nota encaminhada ao MEC, argumentou que a redução de 28,2% no orçamento para o ano que vem fará com que as instituições não consigam cumprir com suas finalidades de ensino, pesquisa e extensão no próximo ano.

A nota aponta ainda que o MEC desconsidera o aumento de demandas geradas pela pandemia do novo coronavírus, que segundo a entidade, torna necessário o aporte de mais recursos para o retorno às aulas e não cortes, como quer o governo.

Fonte: CUT

Em 3 meses, quase triplica número de mortes de enfermeiros no Brasil do descaso

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O trabalhador do Serviço de Assistência Especializada de Porto Velho, em Rondônia, e membro do Conselho Regional de Enfermagem do estado, Raimundo Socorro Lopes Lamarão, faleceu na noite desta segunda-feira (10) vítima da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

Raimundo e mais 9 profissionais da enfermagem, que perderam suas vidas de ontem para hoje, vão elevar o número total de óbitos entre estes trabalhadores de 341 para 350, segundo o Observatório da Enfermagem, site criado pelo Conselho Federal da categoria (Cofen) para concentrar os números de infectados, mortos e internados.

Os óbitos entre estes profissionais quase triplicaram em três meses. Em maio eram 130 e o Brasil já era recordista mundial. A triste e desonrosa – para o país – medalha de ouro ainda é nossa, segundo o Cofen. Os Estados Unidos e a Itália, países que foram epicentros da pandemia do novo coronavírus, juntos, registraram 204 óbitos de enfermeiros, segundo dados de julho do National Nurses United e Federação Nacional dos Enfermeiros da Itália (FNOPI).

A negligência do governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) gera comportamentos de risco na sociedade, que tem a sensação de que a doença não é tão grave e intensifica o afrouxamento do isolamento social. Isso aumenta o risco do número de óbitos e casos da doença entre a população e com isso os profissionais de saúde ficam mais expostos, se contaminam e morrem mais.

A afirmação do diretor financeiro do Cofen e enfermeiro em Brasília, Gilney Guerra, sobre o desgoverno de Bolsonaro, vem acompanhada de uma forte opinião de que se o país tivesse mais investimento no Sistema Único de Saúde (SUS) estes números seriam bem menores.

“Só agora muitas pessoas entenderam o valor do SUS, que mesmo sucateado tem sido determinante para salvar vidas. Se as unidades de saúde tivessem mais equipadas, os profissionais de enfermagem tivessem mais treinamentos e os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) fossem de melhor qualidade estes números seriam menores, não só para os trabalhadores da saúde mas para toda sociedade”, afirma.

Em julho, segundo relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), o Ministério da Saúde, que está sem ministro há quase três meses, investiu apenas 26% dos recursos que recebeu para o combate a pandemia.  E é um dinheiro que poderia ter ajudado a salvar muitas vidas, aponta o enfermeiro.  

Os profissionais de enfermagem, segundo Gilney, arriscam suas vidas para salvar outras vidas, muitas vezes, improvisando por falta de estrutura e trabalhando com equipamentos defasados. Além disso, falta tecnologia para monitorar e ter dados precoces do estado de saúde dos pacientes.

Profissionais da saúde são os mais impactados

São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Amazonas e Mato Grosso foram os estados que mais registraram óbitos de profissionais de enfermagem. São as mulheres, entre 41 e 50 anos, a maioria entre os que perderam a  vida para a Covid-19, segundo o Observatório da Enfermagem.  

Entre os profissionais, os enfermeiros e enfermeiras são os que mais morrem pela doença, mas os trabalhadores da saúde como um todo são as maiores vítimas da pandemia.

Dos casos confirmados de Síndrome Gripal por Covid-19, segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), os que mais são contaminados são os técnicos e auxiliares de enfermagem (62.633), seguidos dos enfermeiros (26.555) e médicos (19.858).

No último dia 27 de julho, a Rede Sindical Brasileira UNISaúde, que representa mais de um milhão de profissionais do setor no país, denunciou Bolsonaro no Tribunal Penal Internacional (TPI), Corte sediada em Haia, na Holanda, que julga graves violações de direitos humanos, como genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra.  A organização acusa Bolsonaro de crime contra a humanidade e genocídio por sua atuação na pandemia.

Já é a quinta representação contra o governo.

217 médicos mortos pela Covid-19

Levantamento feito pelo Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), na última semana, quando o país registrou a marca de 100 mil óbitos pela doença, revelou que a categoria perdeu 217 colegas vítimas da Covid-19.  São Paulo, Rio de Janeiro e Pará foram os estados que mais perderam médicos que estavam na linha de frente do combate à doença.

A maioria dos mortos é homem com mais de 60 anos, grupo considerado de risco pela Organização Mundial de Saúde (OMS). 

Desvalorização dos profissionais de saúde

Para a médica e diretora do Simesp, Daniela Menezes, não se pode normalizar as mortes e os casos de coronavírus como Bolsonaro tem tentado minimizar desde o início da pandemia. O governo, segundo ela, com este descaso de Bolsonaro com a doença, tratando como a gripezinha, desconsiderando as mortes da população e dificultando as ações de saúde no combate à doença, é que mantem uma curva ascendente.

Mas segundo a médica, a categoria também tem enfrentado um aprofundamento da precarização do trabalho nesta crise em todos os âmbitos. “Neste momento de pandemia ao invés da gente ver a valorização dos profissionais da saúde, o Estado tem contratado terceirizado, sem vínculo empregatício, sem garantia de direitos e muito menos garantias de retorno ao posto de trabalho caso o profissional precise de uma licença de saúde, inclusive nos casos de Covid-19”, ressalta.

Gilney também lembra o descaso com os profissionais de enfermagem, que não tem um piso salarial digno, mesmo com 9 Projetos de Lei (PL) em tramitação no Congresso Nacional.

“Nós estamos morrendo por dar a cara a tapa e combater esta doença de frente, assim como também fazemos no combate a várias doenças, como tuberculose, dengue, H1N1, cuidando de idosos e crianças sem olhar raça, credo e classe social. A valorização tinha que vir há muito tempo. As palmas da população a gente aceita como homenagem, agora dos políticos a gente quer mais!”, enfatiza o enfermeiro da capital Federal.

Além disso, aponta ele, Bolsonaro vetou uma indenização que poderia ressarcir os profissionais de saúde por terem combatido uma boa guerra e isso mostra mais uma vez o valor que este governo dá para a categoria.

“O soldado que vai para guerra e morre a família é indenizada e é condecorada e nós, que também estamos numa guerra contra um vírus que mata milhões de pessoas, não temos este direito. Esta doença pode ter sequelas e os profissionais de enfermagem muitas vezes são arrimos de famílias, como será a vida destes profissionais que sobreviverem e que estão combatendo esta guerra diariamente?”, questiona Gilney. 

Fonte: CUT

Todo dia tem mobilização nas redes em defesa do Novo Fundeb. Veja como participar

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Os educadores, entidades e todos que lutam por uma educação de qualidade e valorização do professor no Brasil mantêm a pressão para a aprovação da renovação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), que está tramitando no Senado há 20 dias, com tuitaços, como um que será realizado nesta quarta-feira (12) e envio de mensagens aos parlamentares por meio do site Na Pressão. Todos podem participar. Confira nesta matéria porque é importante defender o Novo Fundeb e como participar da mobilização.

Por acordo de líderes a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 26/2020 do Novo Fundeb deve entrar na pauta de votação do Senado na próxima terça-feira (18), mas o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP) ainda não confirmou a votação para a próxima semana.  

A orientação da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) é pressão geral em cima dos parlamentares. Foi a pressão dos defensores da educação que fez o texto da relatora, Professora Dorinha Seabra (DEM-TO), ser aprovado em dois turnos na Câmara do Deputados, no último dia 21, costuma lembrar o presidente da entidade, Heleno Araújo.

Para ser aprovada a PEC precisa de 49 votos- o equivalente a três quintos do total de 81 senadores.

Tuitaço nesta quarta

Para esta quarta-feira (12), está marcado o tuitaço #AprovaFundeb, a partir das 10h, com o objetivo, é claro, de pressionar senadores a aprovarem o Novo Fundeb integralmente, sem nenhum destaque.

A CNTE alerta que é preciso manter a mobilização digital para que o novo Fundo seja votado o quanto antes, pois o atual fundo vence dia 31 de dezembro deste ano e sem ele milhares de crianças e adolescentes ficarão fora das escolas.

Acesse aqui material da CNTE para ação nas redes

Na Pressão

Uma ferramenta importante de mobilização, que facilita a ação dos militantes da causa é o site Na Pressão, que permite a qualquer cidadão ou cidadã entrar em contato com senadores e senadoras rapidamente. Simples e fácil de usar, o Na Pressão possibilita que você mande mensagens para e-mail, WhatsApp ou por meio das redes sociais dos parlamentares dizendo que você está de olho em quem vai votar contra ou a favor da educação no Brasil.

Acesse o Na Pressão, mande sua mensagem e divulgue nas suas redes: https://napressao.org.br/campanha/votafundeb.

Corpo a corpo

“Além do ‘tuitaço’ e das mensagens enviadas por meio do Na Pressão, nós estamos identificando a projeção de voto dos senadores, observando como cada um pretende se posicionar no plenário, para fazer um acompanhamento mais de perto. É uma forma de pressionar ainda mais e evitar que alguém favorável à PEC mude de lado”, conta o presidente da CNTE, Heleno Araújo, falando sobre o corpo a corpo que representantes da CNTE vêm fazendo no Senado para tentar virar votos contrários ou fazer indecisos votarem a favor da PEC.

Por que defender o novo Fundeb

  1. Muitas escolas ficarão sem recursos

Principal mecanismo de financiamento da Educação Básica, o Fundeb é atualmente responsável por 50% de tudo o que se investe por aluno a cada ano em pelo menos 4.810 municípios brasileiros (86% do total de 5.570 municípios). Se o Fundeb não for renovado, quase metade das escolas do país poderão fechar as portas, deixando alunos sem aulas. O Fundeb precisa ser permanente para que os estudantes não corram o risco de perder esse direito – e com mais recursos, para incluir os que ainda estão fora das redes.

  1. Corrige desigualdades socioeconômicas regionais

O Fundeb é um conjunto de 27 fundos que distribui os recursos da educação em todos os entes da Federação, diminuindo as desigualdades regionais no campo da educação. Para se ter uma ideia, apesar dos municípios obterem cerca de 18% da arrecadação tributária, e os estados 25%, esses entes são responsáveis, respectivamente, pelo atendimento de 43% e de 35% do total de matrículas escolares. O Fundeb torna essa distribuição de recursos mais justa, dando mais recursos para quem atende mais estudantes. Em 2019, receberam a complementação da União os seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco e Piauí. Com o aumento do aporte da União, dos atuais 10% para até 40% em 10 anos, a maioria dos estados será beneficiada com esses novos recursos.

  1. Promove a qualidade da educação pública

O CAQ (Custo-Aluno Qualidade) é um mecanismo para determinar o quanto o Brasil precisa investir por aluno ao ano para garantir um padrão de qualidade do ensino. Foi incluído em quatro das doze estratégias da Meta 20 do novo PNE (Plano Nacional de Educação, Lei 13.005/2014). Para realizar este cálculo, o CAQ considera condições como tamanho das turmas, formação, salários e carreira compatíveis com a responsabilidade dos profissionais da educação, laboratórios, bibliotecas, quadras poliesportivas, entre outros equipamentos, para cumprir a lei. O CAQ precisa ser regulamentado e o novo Fundeb permanente e com mais recursos da União poderá garantir esses recursos para a qualidade da educação.

  1. Valoriza os trabalhadores em educação

A CNTE propõe a subvinculação de no mínimo 80% dos recursos do Fundeb para remunerar todos os profissionais da educação. O aumento do aporte da União é uma forma de garantir melhores condições de trabalho, salário e carreira para as trabalhadoras e trabalhadores das escolas públicas. Essa valorização requer a imediata regulamentação do piso salarial profissional e de diretrizes nacionais para os planos de carreira da categoria, direitos previstos no art. 206 V e VIII da Constituição Federal.

  1. Fundeb atende a demanda por direito à educação!

O Fundeb já provou ser um instrumento extraordinário para aumentar o número de matrículas nas escolas. Mas os recursos ainda são insuficientes. O aumento do aporte da União no Fundeb, dos atuais 10% para 40% em 10 anos, além da inclusão de novas receitas ao Fundo (sobretudo as riquezas provindas da exploração de petróleo, gás e minérios), é importante para que o país de fato possa incluir, com qualidade, os mais de 2 milhões de crianças e adolescentes que ainda estão fora da escola. Também é necessário para a inclusão dos quase 80 milhões de jovens e adultos acima de 18 anos de idade que não concluíram a educação básica e os mais de 13 milhões de adultos analfabetos no país.

PEC do Novo Fundeb

A proposta aprovada pelos deputados prevê a ampliação de recursos da União para na educação pública dos estados e municípios, torna o fundo permanente, garante o subsídio para mais de 40 milhões de matrículas de redes estaduais e municipais de ensino em todo país e um piso salarial para os trabalhadores e trabalhadoras da educação.

Em geral, a renovação do Fundeb conta com amplo apoio. Na Câmara dos Deputados, a medida recebeu o aval de 499 parlamentares e apenas sete votos contrários no primeiro turno. No segundo, teve um placar de 492 votos a seis, com uma abstenção. Por se tratar de uma mudança na Carta Magna, ela também exige dois turnos distintos de votação no Senado.  

Tanto entre organizações civis do campo popular quanto entre a maioria dos parlamentares, a defesa atual é para que o Senado mantenha a versão aprovada pelos deputados. O texto propõe um aumento gradativo da participação da União no Fundeb, que sairá dos atuais 10% para 23% até 2026.

A pauta de renovação do Novo Fundeb se arrasta no Congresso Nacional desde 2015, data original da primeira PEC, e a demora na aprovação coloca em risco a continuidade de parte considerável do financiamento do setor educacional.

O fundo é considerado essencial para a manutenção da educação básica e canalizou, somente no ano passado, um total de R$ 156,3 bilhões para a rede pública.

O parecer da PEC ficou a cargo do senador Flávio Arns (Rede-PR), que manteve integralmente o conteúdo aprovado pelos deputados. Até o momento, ele não acatou emendas ao relatório.

“Esse texto foi aprovado praticamente por consenso na Câmara. No Senado, nós realizamos, no último ano, cerca de 15 audiências públicas. As consultorias do Senado e da Câmara trabalharam muito juntas”, destacou Arns em uma de suas últimas manifestações, ao mencionar a expectativa multilateral pela aprovação da proposta em sua integralidade.

Com informações da CNTE, Sinteal/CUT e do BdF.

Fonte: CUT

Infecção por Covid-19 é considerada acidente de trabalho

Com a decisão, é obrigatório o preenchimento da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) para garantir o integral cumprimento das obrigações por parte dos empregadores.

 Superior Tribunal Federal (STF) decidiu no dia 5 de agosto que a infecção por Covid-19 (coronavírus) será enquadrada como acidente de trabalho. Essa é uma vitória importante para os médicos e outros trabalhadores da saúde, que agora poderão comprovar a doença ocupacional, conquistando assim o direito à estabilidade por um ano e, em caso de falecimento, pagamento integral de pensão para dependentes.

Com a decisão, é obrigatório o preenchimento da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) para garantir o integral cumprimento das obrigações por parte dos empregadores. Confira o vídeo do diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), Erivalder Guimarães.

 

RePost: Sindicato dos Médicos de São Paulo

 

Reprodução: CUT

Mais de 98.650 mil pessoas já morreram de Covid-19 no Brasil

País se aproxima das 100 mil vidas perdidas e quase 3 milhões de casos confirmados sem que o governo de Bolsonaro acorde para o drama nacional.

 

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Com média diária de mais de mil mortes por dia e de mais de 43 mil novos casos confirmados de Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, o Brasil se aproxima rapidamente das 100 mil vidas perdidas e dos 3 milhões de casos da doença. E mais uma vez, em Brasília, na sua live semanal, o presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL) tratou a tragédia que abala milhões de pessoas com o descaso com que tenta encobrir a omissão do seu governo. 

“A gente lamenta todas as mortes, vamos chegar a 100 mil, mas vamos tocar a vida e se safar desse problema”, disse Bolsonaro, ao lado do ministro interino da Saúde, o general Eduardo Pazuello.

Às 8hs da manhã desta sexta-feira (7), Dia Nacional de Luta pela Vida e pelo Emprego, organizado pela CUT e demais centrais sindicais, o total de brasileiros mortos em consequência das complicações da Covid-19 chegou a 98.650. Mais de 2.918.554 de casos foram conformados, segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. A média móvel de novas mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 1.038 óbitos, uma variação de -2% em relação aos dados registrados em 14 dias.

Todas as regiões do país têm estados que registraram aceleração na média móvel de mortes por Covid-19 nesta quinta-feira (6). A Região Norte foi a única a indicar queda (-26%) na variação dos últimos 14 dias.

Centro-Oeste (+7%), Nordeste (-13%) e Sudeste (-2%) tiveram mais um dia estabilidade em suas médias e o Sul (+30%), com os três estados em alta, seguiu a apresentar aceleração nos óbitos. O Brasil se manteve estável (oscilação de -3% em 14 dias) com média móvel de 1.038 mortes/dia na última semana.

Mortes nos estados

Sete estados registraram alta na média de mortes nos últimos 7 dias: PR, RS, SC, MG, MS, TO e RN.

Dez estados estão com as mortes por Covid-19 estabilizadas, ou seja, os números nem subiram nem caíram significativamente: SP, DF, GO, MT, AC, AM, RR, BA, CE e PI.

Outros dez estados registraram queda no numero de mortes: ES, RJ, AP, PA, RO, AL, MA, PB, PE e SE.

Plataforma do Ministério com problemas

O Portal CUT decidiu publicar os números do consórcio de imprensa por causa das instabilidades que vêm sendo constatadas nas plataformas do Ministério da Saúde que causaram represamento de registros de casos da COnvid-19 nas última semanas em pelo menos seis estados. Isso provocou uma explosão de números, quando o acesso ao sistema foi normalizado.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, entre os dias 15 e 21 de julho, foram registrados menos de 700 novos casos diários, o que indicava uma queda drástica na disseminação do novo coronavírus. No dia 22, porém, foram inseridos de uma vez 18,6 mil casos.

Nos dias que se seguiram, os números diários de novos casos variaram entre 0 e 7.000. Situações semelhantes também ocorreram em junho, mas com menos frequência.

Brasil é epicentro da pandemia

O Brasil está no epicentro da pandemia há mais de um mês. Isso significa que, durante este período, o país foi o que mais registrou mortes diárias no mundo, de acordo com levantamento da Universidade Johns Hopkings, dos EUA.

Em todo o mundo foram registrados 19.128.901 casos confirmados e 715.55 mortes por complicações da Covid-19 desde o início da pandemia, em março.

Em primeiro lugar estão os Estados Unidos, com 4.884.406 casos e 160.111 mortes; em segundo o Brasil, com 98.493 mortes e 2.918.554 (a universidade computa os dados do Ministério da Saúde que foram divulgados nesta quinta-feira, 6).

O terceiro país da trágica lista é a Índia, que tem 2.027.074 casos e 41.585 mortes. Em quarto vem a Rússia, com 875.378 casos e 14.698 mortes.

São Paulo é epicentro no país

No Brasil, o estado mais afetado continua sendo São Paulo, que registra 24.448 mortes e 598.670 casos confirmados da doença. Nesta quinta-feira (6), a capital paulista ultrapassou as 10 mil mortes – 40% das mortes em todo o estado, e 10% das vítimas do país.

Flexibilização antes da hora

Mais da metade das mortes no estado de São Paulo ocorreu em apenas um mês. O agravamento da situação coincide com o fim de medidas de isolamento social, decretado pelo governador João Doria (PSDB). No início de julho, o tucano passou a abandonar, progressivamente, as medidas de proteção sanitária que vigoraram desde o fim de março, sem nunca terem sido rigorosas.

A flexibilização e a falta de medidas restritivas rigorosas para conter a disseminação do novo coronavírus no início da pandemia contribuíram para agravar o quadro em outros estados, como o Rio de Janeiro, o segundo mais afetado, com 13.941 mortes e 174.064 casos; e a explosão de casos no Paraná, que registra 2.200 mortes e 86.303 casos; Minas Gerais, com 3.304 mortes e 142.828 casos; Santa Catarina, com 1.357 mortes e 98.634 casos; e Rio Grande do Sul, com 2.231 mortes e 78.837 casos.

 

Reprodução: CUT

Lei Maria da Penha completa 14 anos com aumento da violência doméstica

Denúncias aumentaram quase 40% em abril; no mundo, 1 a cada 5 mulheres foi vítima em 2019.

Lei Maria da Penha, sancionada pelo ex-presidente Lula, completa 14 anos nesta sexta-feira (7), com a violência contra as mulheres em alta.

A pandemia do novo coronavírus (Covid-19), que agravou a crise econômica gerando mais desemprego, está no centro do aumento desta violência. As mulheres foram obrigadas a conviver mais com seus agressores também porque, para conter a disseminação do vírus, governadores e prefeitos decretaram o isolamento social e o presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL) propôs e o Congresso Nacional aprovou medidas como a redução de jornada e a suspensão dos contratos de trabalho durante a emergência sanitária, sob o pretexto de garantir os empregos, colocando mais agressores por mais tempo em casa.

Reportagem de Catarina Barbosa, do Brasil de Fato de Belém (PA), mostra que  as denúncias de violência contra as mulheres – recebidas pelo número 180 –  cresceram significativamente desde março, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou a pandemia mundial.

Os dados do aumento do número de denúncias são do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e apontam um crescimento de 13,35% em fevereiro, 17.89% março, 37,58% em abril, quando comparados ao mesmo período de 2019, revela a reportagem.

A violência doméstica e familiar é a principal causa de feminicídio não só no Brasil, mas em todo o mundo. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), 17,8% das mulheres do mundo sofreram algum tipo de violência física ou sexual no ano de 2019. Isso significa que quase uma a cada cinco mulheres em todo o planeta foi vítima deste tipo de crime, no ano passado. 

Para a advogada Sandra Lia Bazzo, integrante do Comitê da América Latina e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (CLADEM), o isolamento social, imposto pela pandemia, acirrou relações que já eram desrespeitosas e desiguais entre pessoas do mesmo convívio. Para além disso, agregam-se os fatores psicológicos e econômicos, além da ansiedade, desemprego e insegurança financeira.

“Dentro do que a gente conhece sobre o ciclo da violência, começa com pequenas ações e tende a aumentar gradativamente. Quanto mais tempo de convivência próxima e quanto mais essas relações não forem sólidas e respeitosas, maior o risco de incidência da violência”, resume.

A psicóloga norte-americana Lenore Walker identificou que as violências cometidas em um contexto conjugal ocorrem dentro de um ciclo que é constantemente repetido: tensão com o agressor; aumento da violência; seguidos de arrependimento e comportamento carinhoso. Entenda como evitar ou sair desse ciclo aqui.

A Lei

A Lei Maria da Penha foi uma homenagem à farmacêutica Maria da Penha, que sofreu duas tentativas de homicídio por parte do ex-marido e ficou paraplégica. Depois de 23 anos de abusos, ela conseguiu denunciar o agressor.

A lei foi criada para criar mecanismos que possam prevenir e coibir a violência doméstica e familiar em conformidade com a Constituição Federal (art. 226, § 8°) e os tratados internacionais ratificados pelo Estado brasileiro. São considerados crimes: violência física; psicológica; sexual; patrimonial; e moral.

Nesses 14 anos, uma série de mudanças foram implantadas: em novembro de 2017, foi publicada a lei 13.505/17, que determinou que mulheres em situação de violência doméstica e familiar devem ser atendidas, preferencialmente, por policiais e peritos do sexo feminino.

A lei também definiu, entre outras coisas, que é direito da mulher em situação de violência a garantia de que, em nenhuma hipótese, ela, seus familiares e testemunhas terão contato direto com investigados ou suspeitos de terem cometido a violência e pessoas a eles relacionadas.

Para denunciar

Para denunciar um caso de violência contra a mulher ligue para o número 180. Além de receber denúncias de violações contra as mulheres, a central encaminha o conteúdo dos relatos aos órgãos competentes e monitora o andamento dos processos.

O serviço também tem a atribuição de orientar mulheres em situação de violência, direcionando-as para os serviços especializados da rede de atendimento.

 

Reprodução: CUT

Entrevista com Junéia Batista sobre desafios e conquistas da luta feminista

Secretária da Mulher Trabalhadora da CUT Nacional, a assistente social Junéia Batista é uma sergipana do município de São Francisco, próximo a Propriá e Malhada dos Bois. Em 1964, com 6 anos e 4 meses, Junéia e sua família deixam Sergipe e vão morar em São Paulo, onde reside até hoje. “Tenho lembranças da minha infância em Sergipe, da casa de farinha, do pé de moleque e malcasada sensacionais, que tinha em Malhada dos Bois, de comer jaca dura, pitomba… Nasci numa cidade linda, bem pequenininha. A mercearia São Francisco é o lugar onde eu fui amparada pela parteira que também era a benzedeira da cidade”, recordou Junéia.

Ao longo dos 56 anos que se passaram, a nordestina ribeirinha construiu a partir de São Paulo uma trajetória marcada pela luta sindical e feminista, de âmbito nacional e internacional. Assistente social da Prefeitura Municipal de São Paulo desde 1988, Junéia Batista também é dirigente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais, Executiva Mundial da Internacional do Serviço Público, ex-presidenta do Comitê Mundial de Mulheres da Internacional, onde participa como convidada.

 

 

No dia 28 de julho, ela esteve no Encontro Estadual da Mulher Trabalhadora da CUT/SE, através da plataforma online, abordando ‘A Mulher na Política’. Nesta entrevista concedida ao site da CUT Sergipe, Junéia Batista conta um pouco da sua história e fala sobre alguns dos desafios e conquistas da luta feminista.

1. Quais dificuldades você encontrou para se firmar enquanto nordestina em São Paulo até se consolidar como uma liderança sindical e da luta feminista?

Sempre fui filiada a sindicato. Desde os 16 anos, no meu primeiro emprego, depois como bancária, também trabalhei em empresas de engenharia como secretária, depois em construtoras e sempre filiada a sindicato. Quando entrei na prefeitura, um médico me convidou para a direção do sindicato. Ele via que eu estava em todas as assembleias. Então eu fiz formação política. Fui entender o que é ser sindicalista. O que é estar ali no movimento sindical. O que é fazer parte deste mundo mais ‘dos homens’. Aí eu cheguei chegando. Como é sindicato municipal, onde a maioria somos mulheres, nunca tive problemas com machismo no sindicato. Também não sofri preconceito por ser nordestina, até porque tem muito nordestino aqui. A maioria das pessoas daqui de São Paulo tem um pezinho no Nordeste. Graças a Deus!

2. Qual foi seu marco inicial na militância feminista?

O movimento sindical foi que me levou para a militância feminista. Eu tenho certeza. Eu não tinha muita noção do feminismo. Eu sempre fui implicante, desde pequena… Sempre briguei pelos meus direitos, pelo meu salário, por isso entrei no movimento sindical e, nos anos 90, eu comecei nesta virada para o feminismo. Comecei a militar no Coletivo Nacional de Mulheres da CUT. Em 2000, passei a integrar o Comitê Mundial de Mulheres da Internacional de Serviços Públicos e comecei a fazer uma militância feminista, a entender o feminismo. A primeira constatação, que inclusive debatemos com vocês em Sergipe no nosso primeiro encontro, foi a questão da diferença de salários entre homens e mulheres. Depois, os cargos de empoderamento, e sobre à violência no mundo do trabalho traduzidos nos assédio sexual e moral. Aí eu fui me dando conta de que era uma violência que eu sofria já no mundo do trabalho. Comecei a me empoderar e a fazer campanhas. A primeira campanha que fiz foi sobre a diferença de remuneração entre homens e mulheres. “EQUIDADE SALARIAL JÁ”. Foi uma campanha maravilhosa. Caminhamos o mundo. Falamos em remuneração e não em salário, porque todo mundo pode ser professor e ter salário igual, mas na remuneração entram os cargos de chefia, adicionais, etc.

Fizemos uma pesquisa e descobrimos o que a gente já sabia: que as mulheres ganham bem menos que os homens, geralmente 30% a menos. Quase no mundo todo é isso. Em países da Escandinávia, a diferença é menor. Lá está quase atingindo a igualdade. Mas continua muito grande a diferença em todo mundo. Comecei debatendo por aí e depois partimos para discutir empoderamento, o debate da violência e também começamos a exigir participar das mesas de negociação, é muito importante estar neste espaço e colocarmos as nossas pautas.

3-De que forma começou sua atuação militante para além das fronteiras nacionais?

Eu representei a Internacional de Serviços Públicos em vários espaços do mundo. Na Organização Internacional do Trabalho, trabalhei na elaboração da Convenção 190 que fala sobre violência e assédio no mundo do trabalho e foi aprovada em 21 de julho do ano passado. Foram 10 anos de trabalho. Eu participei das conferencias mundiais da OIT, na cidade de Genebra de 2011 até o ano passado. Participei também até o ano passado das Conferências Mundiais de Mulheres da ONU que acontecem todos os anos no mês de março em Nova York, e de várias Conferencias Mundiais e Internacionais, com sindicatos do mundo inteiro, sempre falando sobre este temática de empoderamento da mulher neste espaço de poder em que os homens acham que só eles que dominam.

4-Quais os principais avanços e retrocessos da luta feminista aconteceram antes e depois do governo Dilma?

Antes dos governos de Lula e Dilma, governos democráticos populares, os avanços para as mulheres brasileiras se deram com a Constituição de 1988. Cito: o aumento da licença maternidade, a garantia para as trabalhadoras domésticas do registro em carteira, participação nos sindicatos da negociação coletiva. No governo FHC, começou a ser discutido, mas não prosperou, um projeto de renda básica que se consolidou com a entrada de Lula na presidência do Brasil. Isso foi essencial para a vida do nosso povo, principalmente para as mulheres, para as ‘mães solo’. A questão das mulheres terem direito à titularidade no Programa ‘Minha casa e Minha vida’ foi algo que empoderou muito as mulheres e trouxe um pouco de tranqüilidade, pois num contexto de violência doméstica e separação, as mulheres ficavam sem casa.

A lei Maria da Penha foi outro grande avanço, apesar de que eu concordo com a companheira da Bahia quando falou na nossa ultima reunião, que as mulheres ainda tem pouco acesso a esta informação. Importante: o homem paga pensão se ele tiver registro em carteira e ela conseguir comprovar. A lei Maria da Penha é mais aplicada onde há Delegacias da Mulher com estrutura. Então ela denuncia mais a violência sofrida, ela se sente mais segura, mas na maior parte do País isso tudo ainda é muito difícil. O Brasil segue sendo um dos países em segundo lugar em feminicídio….

Tivemos a Lei do Feminicídio, no governo da companheira Dilma, e avanços para o trabalho doméstico. As condições de vida das mulheres melhoraram muito nos governos de Lula e Dilma quando abriu aqueles crediários para as pessoas comprarem suas casas e comprarem tudo que precisavam. Antes destas mudanças, nada muito significativo. E agora a gente só vive de retrocesso.

5- No que se refere ao cenário da mulher brasileira na política, as eleições de 2020 que vão eleger prefeitas e vereadoras (sob o efeito das cotas de 30% para a mulher nos partidos), isso pode gerar mudança concreta na baixa representação feminina na política?

Eleições em tempos de pandemia: coisa rara, o fenômeno. Vale lembrar que na pandemia passada quase nenhuma mulher tinha sequer o direito ao voto. Hoje nós já conquistamos e, olhem só, podemos ser votadas. Ah, mas pra isso tivemos muitas batalhas. Ainda seguimos em guerra. Pois as mulheres precisam brigar por um pequeno financiamento para realizar a sua campanha.

Mesmo os partidos de esquerda reproduzem a política patriarcal com argumentos como “ah, eles têm mais chances”, “ah eles são mais preparados”! Então eu sei o que passamos na eleição passada, me lembro bem o que passaram as Secretarias Municipal (São Paulo), Estadual (São Paulo) e nacional do PT para conseguirem fazer um pequeno repasse para as candidaturas. Foi uma guerra. Isso em tempos em que a extrema direita levou dezenas de homens e mulheres para as Assembleias Estaduais, Câmara Federal, Senado, Governos Estaduais e o genocida para o Planalto.

Agora, 2020! Qual será a desculpa da macharada? “Em 2022 a gente pensa, agora mais do que nunca precisamos colocar ‘pessoas’ experientes…” Espero estar redondamente enganada. Espero. Ainda assim, eu tenho esperança! Sim, tenho. Acredito, por outro lado, que a mulherada dessa geração é de briga e que mesmo estando dentro da cota de 30%, nestas eleições, temos que fazer valer o nosso direito a um financiamento justo. Pra isso, precisamos conversar com as nossas representações municipais, afirmarmos que políticas afirmativas só se constroem na prática, para além dos planejamentos e discursos. Temos que pelejar. Saudações Cutistas e feministas.

Fonte: CUT Sergipe

 

Reprodução:  CUT BRASÍLIA 

Saiba como ajudar NA PRESSÃO pela aprovação do Fundeb no Senado

 

A luta por uma educação de qualidade é de toda sociedade. Sem Fundeb não haverá educação pública para todos. No site NA PRESSÃO você pode pressionar os senadores e ajudar a luta pela aprovação.

É preciso manter a mobilização digital para que o novo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Novo Fundeb) seja votado no dia 18 e aprovado no Senado Federal sem nenhuma mudança. Só assim a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 15/2015, que renova e torna permanente o Novo Fundeb será promulgada pelo Congresso Nacional. O tempo já está curto. O atual fundo vence dia 31 de dezembro deste ano e sem Fundeb milhares de crianças e adolescentes ficarão fora das escolas.

O apelo pela mobilização é do presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores e das Trabalhadoras da Educação (CNTE), Heleno Araújo. Se acordo com ele, foi a pressão nas redes que fez o texto da relatora, Professora Dorinha Seabra (DEM-TO), ser aprovado em dois turnos na Câmara do Deputados, no último dia 21. A proposta aprovada pelos deputados prevê a ampliação de recursos da União para na educação pública dos estados e municípios, torna o fundo permanente, garante o subsídio para mais de 40 milhões de matrículas de redes estaduais e municipais de ensino em todo país e um piso salarial para os trabalhadores e trabalhadoras da educação.

A aprovação histórica do Novo Fundo na Câmara só foi possível por causa da  grande pressão que a sociedade, sindicalistas, trabalhadores e trabalhadoras da educação e todos que lutam por um ensino público e de qualidade, diz Heleno. Para o dirigente, a pressão feita diretamente nas redes sociais e aplicativos de mensagens dos aos deputados e deputadas, por meio do site NAPRESSÃO da CUT foi fundamental para esta primeira vitória.

O #VotaFundeb chegou a ser o 13º assunto mais comentado no mundo no Twitter, diversos deputados gravaram vídeos e publicaram em suas redes se comprometendo a votar a favor do fundo, os sindicatos também pressionaram virtualmente os deputados em suas bases e mais de 20 mil pessoas pressionaram os parlamentares mais de 110 mil vezes pela ferramenta virtual de participação social, política e cidadã da CUT.

Até a ativista paquistanesa, Malala Yousafzai, se manifestou em defesa ao novo fundo. Em reportagem para a BBC News Brasil ela disse que “o Fundeb é fundamental para assegurar um futuro em que todas as meninas brasileiras possam ir à escola, não importa onde vivam”.

Para ajudar na mobilização digital para que o Novo Fundeb seja aprovado também pelos senadores, você pode acessar o NAPRESSÃO e isso pode ser feito com apenas alguns cliques.

Ao entrar na plataforma, você precisa clicar na “Campanha #VotaFundeb”, depois em “pressionar” e escolha um senador, de preferência quem está indeciso ou contra a PEC, e mandar seu recado.

Ao entrar na outra tela, aparecerá “pressione”, aí você só escolhe por qual rede quer pressionar o parlamentar, clique nesta rede e pronto. É só mandar uma mensagem pedindo para que ele vote a favor do Novo Fundeb.

Nas redes sociais, é só usar a hashtag #VotaFundeb ou participar dos tuitaços que acontecem periodicamente e são convocados pela CNTE ou pelos sindicatos que apoiam a PEC. Você pode também mandar uma mensagem direta para um dos três senadores do estado em que mora e lembrá-lo do seu voto antes de pedir o sim dele para o novo Fundeb.

 “A pressão para a aprovação total da PEC 15 deve continuar e até aumentar, porque, para os recursos serem liberados pelo governo Federal, uma Lei que regulamenta o texto de Dorinha precisará ser aprovada na Câmara, no Senado e ainda vai depender da sanção de Bolsonaro, que já se posicionou contra o fundo. Todo mundo pode ajudar a pressionar”, ressaltou Heleno se referindo ao presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL).

A professora e presidente do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação do Ceará (Sindiute), Ana Cristina Guilherme, disse que é fundamental a pressão pela aprovação da integra da PEC, que trará muitos avanços na educação pública.

“A permanência do Fundeb assegura que a educação pública seja política de Estado e não fique à mercê de governos, garante a valorização de todos os trabalhadores e trabalhadoras da educação, avança na questão do Custo Aluno Qualidade (CAQ), necessário para a escola pública investir e avançar na qualidade, aumenta o aporte financeiro da União de 12% para 23% e a universalização da educação infantil”, afirma Ana Cristina.

Estamos na luta, este ano teremos eleição, e temos dito, que partido que vota contra a Educação, não ganha eleição!- Ana Cristina

O professor, Secretário-Geral do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais do Curimatau e Seridó Paraibano (SINPUC) e presidente da CUT Paraíba, Sebastião José dos Santos, conhecido como Tião, disse que apesar de ter tido a primeira vitória na Câmara temos que superar os obstáculos que vêm pela frente e a vitória será com muita mobilização.

Tião disse que vai seguir as orientações da CNTE, como fez na votação na Câmara. Ele contou que fez uma live com os deputados de base e garantiu o compromisso deles com a educação em todas as redes sociais do movimento sindical na Paraíba. E agora isso será repetido com os senadores.

“Nesta semana faremos uma live com os três senadores da Paraíba para que eles vejam a nossa mobilização no estado e ouçam o clamor da sociedade e dos trabalhadores da educação pedindo a aprovação do financiamento da educação. É preciso que eles se sensibilizem e ouçam os seus eleitores”, disse Tião.

O professor e presidente da CUT Sergipe, Roberto Silva, voltou a lembrar da lei que irá regulamentar a PEC e disse que será preciso muita vigilância e pressão do movimento sindical e dos trabalhadores da educação para que o Fundeb passe a valer efetivamente.

“A mobilização deve ser permanente até a aprovação final da PEC e da lei regulamentadora, para que de fato tenha recursos públicos para melhorar a qualidade da educação pública desse país.  E não com recursos da iniciativa privada, como querem alguns parlamentares e o governo de Jair Bolsonaro. Por eles a educação será privada e poucos tirão direitos. #VotaFundeb”, finalizou o dirigente.

Edição: Marize Muniz

*Com colaboração das assessorias de imprensa das CUTs Ceará (Tarcísio de Aquino) ,  Paraíba (Lúcia  ) e do secretário de Comunicação da CUT Sergipe (Plinio)

 

Reprodução: CUT 

 

 

Presidente da CUT convoca para o dia Nacional de Luta pela Vida, em 7 de agosto

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As CUTs dos 26 estados e do Distrito Federal, os sindicatos, federações, confederações e representantes das demais centrais atenderam ao chamado e participarão com ações, homenagens e protestos, nos locais de trabalho e nas ruas, do Dia Nacional de Luta pela Vida e dos Empregos, na próxima sexta-feira, dia 7 de agosto. Veja abaixo onde vai ter ato e o que será feito.

Não podemos ver 100 mil mortos como um número frio, mas como uma tragédia. E para isso é preciso que a população manifeste sua insatisfação com este governo, afirma Sérgio Nobre, presidente da CUT, se referindo ao número de vidas perdidas para a Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus,   que o Brasil atingirá esta semana.

“Nós alertamos no início da pandemia, em março que se o governo federal não abraçasse a e coordenasse uma politica e um processo de isolamento social para que pudéssemos sair rapidamente dessa crise, preservando vidas e empregos, o país vivenciaria uma enorme tragédia”, diz Sérgio Nobre.

A tragédia anunciada de que o Brasil perderia milhares de vidas e que a economia do país iria para o fundo do poço por falta de um comando nacional para combater a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) se confirma a cada dia. Esta semana o país deve atingir a triste marca de 100 mil mortos por Covid 19 e todo mês milhares de trabalhadores e trabalhadoras perdem o emprego e não têm sequer esperança de uma rápida recolocação no mercado de trabalho.

Segundo país do mundo mais afetado pela pandemia, o Brasil soma 95.819 vidas perdidas e 2.808.076 casos confirmados.  Com o aprofundamento da crise econômica, 12,4 milhões de trabalhadores estão desempregados.

Foi este cenário que levou a CUT e as demais centrais a convocar uma grande manifestação no dia de luta pela vida e pelos empregos nesta sexta, dia em que provavelmente o país atingirá ou até mesmo ultrapassará os 100 mil mortos pela pandemia. 

Tanto os números de brasileiros mortos quanto desempregados poderiam ser evitados se o presidente da República não fosse irresponsável ao chamar a Covid-19 de gripezinha, defender o uso de remédio ineficaz (Cloroquina) contra a doença, promover aglomerações, não utilizar máscaras e não liberar recursos suficientes para a área de saúde e não apresentar sequer uma proposta de geração de emprego e renda .

A incompetência ou descaso com a pandemia é tamanha que, de março até 25 de junho, o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) via Ministério da Saúde gastou apenas $ 11,4 bilhões ( 29%) dos R$ 38,9 bilhões  que seriam destinados ao combate ao novo coronavírus. O valor foi revelado em uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), obtida pelo jornal Folha de São Paulo.

Infelizmente, o governo federal desprezou todos os alertas dos trabalhadores, abriu mão de coordenar esse processo e ainda atacou prefeitos e governadores que tentaram coordenar a quarentena em seus estados e municípios, lamenta Sérgio Nobre.

“A maioria das mortes tem atingido os trabalhadores, os pobres e a parte mais vulnerável da população brasileira”, afirma.

Crise econômica e social

O presidente da CUT ressalta que o país vive uma nova pandemia, a de demissões e fechamento de empresas, em especial as micro e pequenas, que  têm, entre seus proprietários, ex- trabalhadores que investiram suas poupanças e reservas financeiras em um negócio para manter suas famílias.

“São ex-bancários, químicos, metalúrgicos, gente que perdeu o emprego e que como única forma de sobrevivência, montou seu pequeno negócio para sustentar a sua família e agora está vendo o seu negócio fechar”, lamenta Sérgio Nobre.

Por todos esses motivos é que a próxima sexta-feira será o Dia Nacional de Luta em Defesa da Vida e dos Empregos (#7deAgostoLutapelaVida). Convocada pela CUT e demais centrais, as manifestações serão simbólicas para respeitar o distanciamento social necessário para ajudar a evitar a disseminação da Covid-19.

100 minutos de paralisação, um para cada mil vidas perdidas

Serão feitas paralisações de 100 minutos nos locais de trabalho, em homenagem aos 100 mil mortos e que neste período as pessoas parem para refletir sobre o que está acontecendo no Brasil.

Segundo o presidente da CUT, será um minuto de paralisação para cada mil mortos no Brasil, como homenagem àqueles que partiram e também como forma de prestar solidariedade e empatia pela dor dos familiares dessas vítimas. E ao mesmo tempo é um alerta de que o país precisa mudar de rumo.

Se você quer um Brasil com desenvolvimento e justiça social, faça esse movimento dos 100 minutos pela vida e pelo emprego e vamos dar um rumo novo para o nosso país que não merece passar pela situação que está vivendo hoje

– Sergio Nobre

“No dia 7 participe dessa mobilização, pare por 100 minutos. Que esta data seja um grande dia para homenagear aqueles que partiram e exigir mudança de rumo do país”, conclui Sérgio Nobre.

Veja como será no seu estado a mobilização pelo 7 de Agosto

Em São Paulo, na Praça da Sé, centro da capital, ao meio dia será realizado o Ato Nacional, puxado pelos presidentes das Centrais. Em seguida haverá um ato ecumênico em homenagem aos brasileiros que perderam a vida nesta pandemia.

Bahia

Um ato ecumênico, que será realizada na parte da manhã, com horário a ser definido, iniciará a manifestação em homenagem às vítimas da pandemia, em Salvador. Também serão fixadas, às 10h, cruzes no Farol da Barra, um dos símbolos da capital baiana. Faixas em passarelas da Avenida Paralela que dá acesso à rodoviária e ao aeroporto também farão parte do ato. Uma live em rede social está sendo organizada para que as pessoas se manifestem e peçam por “Fora, Bolsonaro”.

Ceará

Em Fortaleza será realizada pela manhã atividades com servidores da área da saúde que estão na linha de frente de combate ao coronavírus. À tarde, uma carreata, às 16 horas, percorrerá o bairro Barra do Ceará. A tarde também será realizada uma plenária virtual com as centrais sindicais.

Goiás

Na capital Goiânia , as entidades sindicais e movimentos sociais e populares convocam um Ato Simbólico na Praça Cívica, no dia 07, as 15 horas. O Ato simbólico será estruturado com 100 cruzes e faixas providenciadas pelo Fórum Goiano em Defesa dos Direitos, da Democracia e Soberania e pelas entidades participantes. Como o Ato será simbólico, cada entidade sindical e movimentos sociais e populares devem duas ou três pessoas para participarem.

Paraíba

Um carro de som percorrerá pela manhã algumas ruas da periferia da capital, João Pessoa, levando a mensagem do Dia Nacional de Luta em Defesa da Vida e dos Empregos. Ainda pela manhã haverá o “Amanhecer com Fora, Bolsonaro”. Os manifestantes colocarão panos pretos em suas janelas em protesto pelas 100 mil mortes ocorridas no país.

Pernambuco

No Recife, capital do estado, a concentração será a partir das 14h, na Praça da Democracia, no bairro do Derby, área central da cidade.

Rio Grande do Sul

Em Porto Alegre, capital do estado também haverá um ato com um culto ecumênico, das 11 horas da manhã ao meio dia. Em seguida, os manifestantes soltarão 100 balões pretos em homenagem às 100 mil vítimas da Covid 19 e colocarão faixas alusivas ao Dia  Nacional de Luta em Defesa da Vida e dos Empregos

Sergipe

A CUT/SE, em conjunto com outras centrais, vai realizar ato público, às 08 horas, na Praça General Valadão, no centro da capital, Aracaju. Neste ato, serão fixadas no local 100 cruzes em homenagem as 100 mil vidas perdidas pela Covid-19 no Brasil. Também será realizado o São João de Luto, com bandeirolas pretas, em memória das vítimas fatais no estado e no Brasil.

A programação das ações do 7 de Agosto em todo o País será divulgada nos sites e redes sociais das centrais, das suas estaduais e seus sindicatos. Serão respeitados todos os protocolos sanitários durante as manifestações.  #7deagostolutapelavida #ForaBolsonaro.

Como participar do Dia Nacional de Luta em Defesa da Vida e dos Empregos

– Use a hastag #7deAgostoLutapelaVida.

– Colocar cruzes brancas em locais de grande circulação de pessoas ou em pontos turísticos das cidades, circundando uma faixa (da cor preta) com a inscrição Fora Bolsonaro (em branco).

– Realizar ações nas ruas com a identidade visual da campanha como colagem de lambe, “adesivaços”, faixas em viadutos e circular com carro de som nas comunidades. Todos esses materiais estão disponíveis em um kit mídia no site da Campanha (https://www.campanhaforabolsonaro.com.br/ )

– Organizar carreatas pelas principais avenidas com carros identificados com a campanha Fora Bolsonaro, conduzidos por um carro de som. Todas as ações acima devem respeitar os cuidados sanitários e de distanciamento social.

– Estimular que todas as pessoas coloquem um pano preto nas janelas de suas casas como simbologia de adesão à campanha e, por fim, participar e divulgar o tuitaço que será realizado às 11 horas do dia 07 de agosto.

Com colega em coma por Covid-19, professores em MG pedem que prefeito feche escolas

Prefeito de Coronel Fabriciano passa por cima de decisão judicial, mantém trabalho presencial da categoria e casos de contaminação aumentam. Trabalhadores estão na luta para defender vidas

 
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Mesmo sem alunos, os trabalhadores e trabalhadoras da Educação de Coronel Fabriciano, no interior de Minas Gerais, foram obrigados a voltar as escolas  pelo prefeito, Marcos Vinícius da Silva Bizarro (PSDB), e o resultado é trágico: um professor está em coma e mais de 30 trabalhadores foram contaminados pela Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus. A categoria luta pelo  fechamento das escolas para preservar vidas. 

A decisão de abrir as escolas, apesar das aulas estarem proibidas, foi tomada pelo prefeito tucano depois que ele perdeu três ações na Justiça para reabrir as unidades de ensino. Bizarro não desiste de colocar as vidas em risco e já recorreu até ao Superior Tribunal Federal (STF) para conseguir a volta das  aulas presenciais, que havia sido marcado para 22 de maio, em plena pandemia.

A professora, Elisete Alves Pereira Novaes, que está liderando um movimento dos trabalhadores e das trabalhadoras da educação contra a medida do prefeito, gravou um vídeo fazendo um apelo para o chefe do executivo. Ela disse que a categoria só quer trabalhar com segurança e reforçou o pedido de fechamento das escolas.

“Prefeito, eu apelo. Feche as escolas de Coronel Fabriciano! Não estamos fugindo do trabalho, estamos fugindo de um vírus que não é uma gripezinha e que pode matar. Já temos um colega em coma e centenas de casos de trabalhadores da educação que estão adoecendo e a gente só quer proteger nossas vidas”, disse. Assista o vídeo.

Gripezinha é como o presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL), que zomba da pandemia que já matou mais de 94 mil pessoas e contaminou mais de 2,7 mil pessoas no Brasil, se refere ao novo coronavírus.

O descaso do prefeito com a categoria é enorme, Ele que já tirou direitos dos professores, não tem tomado nenhuma medida para evitar a proliferação da doença e ainda mantem os trabalhadores e trabalhadoras da educação dentro das escolas. O que não poderia ter acontecido, como garante uma liminar da ação ajuizada pela deputada Estadual, Bia Cerqueira (PT).

A liminar determina que não ocorra o retorno das atividades educacionais nas escolas da rede municipal de ensino de Coronel Fabriciano a partir do dia 25 de Maio de 2020, até que os órgãos públicos de saúde indiquem que é desnecessário manter o isolamento social para controle da disseminação da  Covid-19, com fixação de multa em caso de eventual descumprimento.

“Mesmo com a decisão judicial o prefeito manteve a convocação dos profissionais, o que levou a contaminação de quase 30 professores e o coma de um deles e mesmo assim ele vem tentando mudar a decisão recorrendo até ao STF, onde também perdeu. Isso é um caso típico de gestor que não compreendeu o que é uma pandemia e nem o seu papel neste momento”, disse a deputada Bia Cerqueira.

Elisete, a professora que apelou à humanidade do prefeito, diz que o trabalho que está sendo feito nas escolas, pode ser feito tranquilamente de casa e ainda com melhor qualidade, porque a categoria se sentirá mais segura e com menos risco até para os próprios alunos.

A professora disse que estão fazendo o planejamento semanal, enviando tarefas e vídeos e atendendo os alunos através de grupos no WhatsApp nos aparelhos celulares individuais. E que, quando precisa ou tem alguma demanda específica atendem algum pai ou mãe na porta da escola.

O pai de um aluno da Escola Municipal de Boa Vista, bairro de Coronel Fabriciano, Ernane Everton Soares da Silva, escreveu uma carta de apoio à luta da categoria, no qual reafirma que o posicionamento da prefeitura de manter os trabalhadores e trabalhadoras da educação dentro das escolas é imprudente, inclusive para pais e alunos. 

Segundo ele, o perigo é invisível para todo mundo, o que pode ser fatal. A transmissão do vírus pode acontecer sem que seja percebido, porque muitas pessoas são assintomáticas. E isso pode ocorrer tanto com as aulas presenciais quanto este formato atual, no qual trabalhadores e trabalhadoras da educação ficam na escola e às vezes os pais ou mães precisam buscar algum material pedagógico. 

“O meu filho poderia ter sido uma possível transmissor pelo fato do meu exame ter constatado que eu tive contato com o vírus em algum momento de forma assintomática.O mesmo risco pode ser verificado na outra ponta, quando estes profissionais são obrigados a interagirem com nós pais que por muitas vezes também podemos ser agentes transmissores da doença por meio das atividades físicas entregues ou mesmo pelo contato desnecessário”, diz trecho da carta.

Elisete disse que nas 23 escolas municipais de Coronel Fabriciano, tem gente com suspeita ou já contaminada pela doença, a prefeitura não está controlando a doença, não tem testagem e nem o número oficial de casos.

“Não sabemos o número certo de contaminados, porque a prefeitura nem faz questão de controlar isso. Nesta escola onde trabalha este professor que está em coma, mais 10 testaram positivo. Fora os que não têm coragem de dizer que estão doentes com medo de represálias. Se continuar assim, daqui uns dias nem terá trabalhador para ir para escola e nem dar aula”, afirmou a professora.

Além disso, aponta Elisete, a prefeitura deu só duas máscaras de panos para cada profissional, álcool em gel sem qualidade, os trabalhadores dividem computador, fazem fila para bater o ponto e a merenda está por conta de cada um.

A categoria já fez abaixo assinado, já denunciou em rádio, em TV e agora espera outra decisão da justiça, porque enviaram as cópias de atestados médicos comprovando o alto número de contágio da doença entre a categoria.

“Não tem condição de estar na escola, o prefeito trata a gente com picuinha, chama a gente de preguiçoso e quer punir a gente porque lutamos contra a reabertura das escolas. A gente vai até o final desta luta mesmo as vezes perdendo a esperança, porque o que a gente não pode perder é a vida”, ressalta Elisete.

*Edição: Marize Muniz

Reprodução: CUT

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