CUT convoca trabalhadores para dialogar com deputados e impedir a reforma

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O futuro e a dignidade da classe trabalhadora estão nas mãos dos deputados que compõem a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, que estão analisando a constitucionalidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 06/2019, de reforma da Previdência.

São 66 deputados que votarão, na próxima terça-feira (16),   o texto da PEC que o governo de Jair Bolsonaro (PSL) entregou em fevereiro. Caso seja aprovada na CCJ, a proposta segue para outras comissões até chegar ao plenário e ser votada pelos parlamentares.

Se a PEC for aprovada, o impacto das alterações será enorme tanto para a Previdência Social quanto para a  Seguridade Social. O que o governo quer é acabar com o sistema atual, onde quem está no mercado banca a aposentadoria dos que saíram, e criar uma Previdência privada, que só interessa ao sistema financeiro, em detrimento de uma aposentadoria e um sistema de saúde para todos e todas.

“É por isso que a CUT convoca seus dirigentes, militantes, trabalhadores e trabalhadoras para que procurem em suas cidades, nos seus estados, nos aeroportos e em suas bases eleitorais os deputados que compõem a CCJ e, por meio do diálogo pacífico, os faça compreender que votar a favor desta reforma é votar contra a classe trabalhadora”, explica a Secretária-Geral adjunta da Central, Maria Aparecida Faria.

“Este é um momento crucial na defesa do nosso direito a uma aposentadoria digna que garanta o nosso futuro, das nossas famílias e do povo brasileiro. Por isso, mais do que nunca é necessário retomarmos as ações de pressão junto aos parlamentares”, diz trecho da carta-convocatória que a CUT está enviado para todos os seus sindicatos, federações e confederações.

Para isso, foi elaborada uma agenda que se inicia nesta sexta-feira (12) e até a segunda-feira (15).

O final de semana é fundamental para fazer essas abordagens pacíficas, atos com faixas, panfletos que expressem os desejos da classe trabalhadora contra a reforma e pela manutenção do direito à aposentadoria, diz Maria.

No domingo (14) e na segunda-feira (15), a orientação é ir aos aeroportos nas cidades e estados, acompanhando a saída dos deputados da CCJ rumo a Brasília.

Os companheiros e companheiras têm disponibilizados materiais com os nomes dos deputados da CCJ  no link  https://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/ccjc/conheca/membros ; os abaixo-assinados no site da CUT: https://www.cut.org.br/acao/abaixo-assinado-contra-a-reforma-da-previdencia-2cc0 ; e informações sobre a  reforma da Previdência no Reaja Agora: https://reajaagora.org.br/

Para Maria Aparecida Faria todos, trabalhadores, dirigentes e militantes precisam explicar como a reforma da Previdência vai afetar a vida dos brasileiros ao falar com os deputados da CCJ  para convencê-los a votar contra a reforma.

“O relator da CCJ, o deputado Marcelo Freitas, do PSL, já apresentou seu parecer favorável, dizendo que esta proposta não fere a Constituição. Mas nós divergimos porque entendemos que ela fere muito a Constituição porque tira direitos garantidos na nossa Carta Magna, mexe com o direito humano de condição de vida e de sobrevivência”, afirma a Secretária-Geral Adjunta da CUT.

A dirigente entende que é preciso discutir melhor com a sociedade todos os aspectos da reforma da Previdência, já que ela, ao contrário do que diz o governo, não acaba com privilégios, acaba com o direito de aposentadoria de milhões de trabalhadores e trabalhadores, em especial os mais pobres.

“É uma reforma que potencializa a capitalização, que favorece o mercado financeiro, os bancos e traz prejuízos à classe trabalhadora. O maior exemplo disso é o nosso vizinho o Chile, que hoje claramente está fazendo um movimento inverso à capitalização porque lá não deu certo. Os idosos vivem na miséria e aumentou muito o índice de suicídios entre as pessoas de mais idade”.

Por isso, reforça a secretária, “cada um e cada uma tem um trabalho muito importante neste final de semana. Buscar e recepcionar nos aeroportos, ir até as bases eleitorais, independentemente do partido político desses deputados, que se comprometeram a representar  a sociedade brasileira na Câmara, e convencê-los a não votar a favor da PEC na CCJ no próximo dia 16”.

A dirigente acredita que a proposta pode ser derrotada com a posição crítica da sociedade, que em recentes pesquisas, como a do Datafolha e a da CUT-Vox Populi, se posicionaram contra a reforma: 65% dos entrevistados pela Vox e 51% dos entrevistados pelo Datafolha foram contrários a proposta de reforma da Previdência.

“Por isso, a nossa orientação é que com toda a calma e toda a responsabilidade, mas com firmeza e coerência, a gente procure esses deputados, dialogue também com suas bases, mostre porque essa reforma prejudica os trabalhadores, as trabalhadoras e a economia do Brasil”, diz Maria Faria.

“Temos até segunda para convencê-los, antes que eles voltem para Brasília”.

 É no diálogo, no convencimento político que nós vamos conseguir fazer com que essa reforma seja reprovada

– Maria Aparecida Faria

Confira a íntegra da carta-convocação enviada aos dirigentes em todo o país:

Às Estaduais e Ramos da CUT

Companheiros e companheiras,

A Reforma da Previdência foi apresentada pelo presidente Jair Bolsonaro em fevereiro de 2019 e no próximo dia 16 de abril deverá ser votada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde 66 parlamentares decidirão se ela continuará, ou não, percorrendo o caminho legal para a votação em plenário.

Estamos em um momento crucial na defesa de nosso direito a uma aposentadoria digna, que garanta nosso futuro, de nossas famílias e do povo brasileiro. Precisamos estar atentos e a postos para barrar qualquer tentativa de aprovação da proposta do governo pelos parlamentares que nesse momento integram a CCJ.

É preciso lembrar a esses parlamentares o que os(as) trabalhadores(as) e o povo esperam que façam na defesa de seus direitos: votar contra a Reforma da Previdência!

Mais do que nunca se faz necessário retomarmos as ações de pressão junto aos parlamentares para que votem contra a Reforma da Previdência já nesse momento inicial, ainda tramitando na CCJ.

Nesse sentido, a Cut orienta suas Estaduais e Ramos para as seguintes ações:

  1. Retomar o movimento de pressão junto aos parlamentares componentes da CCJ em suas

bases eleitorais, em seus estados e suas cidades, fazendo o corpo-a-corpo em ações como:

  1. Sexta-feira (12) a domingo (14) – forte e constante presença nos aeroportos, tanto na saída de Brasília como na chegada dos deputados a seus estados e cidades para o final de semana, fazendo abordagens, atos, levando faixas, cartazes, panfletos que expressem os desejos da classe trabalhadora contra a Reforma;
  2. Durante o final de semana (12 a 14) – acompanhar a agenda desses parlamentares em seus estados e cidades, fazendo a mesma pressão, abordando, conversando e convencendo cada um para que atendam às reivindicações dos(as) trabalhadores(as). Trabalhar durante todo o final de semana no convencimento desses parlamentares onde quer que estejam, no sentido de que votem contra o parecer do relator e portanto, impedindo que a tramitação prossiga no congresso;
  3. Domingo(14) e segunda-feira(15) – presença maciça nos aeroportos nas cidades e estados, acompanhando a saída dos deputados rumo a Brasília e levando as mesmas reivindicações da classe trabalhadora.
  4. Durante todo esse período os sindicatos e entidades CUTistas devem continuar a denunciar os deputados junto às suas bases e ao povo em geral e cobrar sua posição contra a Reforma da Previdência e contra a retirada de direitos.
  5. Materiais essenciais que poderão ser utilizados estão disponíveis no site da CUT: https://www.cut.org.br/acao/abaixo-assinado-contra-a-reforma-da-previdencia-2cc0; no Reajaagora: https://reajaagora.org.br/; e informações sobre a CCJ no link https://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes- permanentes/ccjc/conheca/membros.

É importante que nossos atos e atividades façam com que a sociedade perceba a CUT e suas entidades como defensoras dos direitos e da democracia no Brasil nesse momento difícil de nossa história.

Companheiros e companheiras, vamos à luta!

SOMOS FORTES! SOMOS CUT!

Vagner Freitas, presidente e Sergio Nobre, Secretário-Geral

CUT/Vox: 70% dos brasileiros estão insatisfeitos com o Brasil de Bolsonaro

Três meses após Jair Bolsonaro (PSL) assumir o governo, o desânimo e a insatisfação tomaram conta dos brasileiros. De acordo com a pesquisa CUT/Vox populi, subiu de 46% para 70% o percentual de brasileiros insatisfeitos com relação ao Brasil, entre setembro do ano passado, antes da eleição,  e abril deste ano, após cem dias de mandato de Bolsonaro.

Do total, 53% declararam estar insatisfeitos e 17% muito insatisfeitos. Outros 26% disseram que estão satisfeitos, somente 2% muito satisfeitos e 2% não souberam ou não quiseram responder.

Entre os entrevistados que se consideram anti-Bolsonaro, o percentual de insatisfação é maior do que a média geral: 55% estão insatisfeitos e 26% muito insatisfeitos, totalizando 81% de insatisfação com o Brasil.

A insatisfação com o Brasil é grande até entre os que se declararam apoiadores de Bolsonaro: 44% estão insatisfeitos e 10% muito insatisfeitos – 54% no total.

As piores medidas

Entre as propostas do governo mais reprovadas pela população estão a diminuição dos direitos trabalhistas, com 73% de reprovação; o fim do aumento real do salário mínimo, reprovado por 68% dos brasileiros; e a reforma da Previdência (65% são contra).

O acúmulo de notícias ruins na área econômica aumentou o medo de perder o emprego e também o de não conseguir se aposentar e, consequentemente, cresce a cada dia a insatisfação com o Brasil e com os rumos que o país está tomando, na avaliação do presidente da CUT, Vagner Freitas.

Ele se refere a notícias recentes como a sexta redução da estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todos os bens e serviços produzidos no país – que caiu de 1,98% para 1,97% este ano; a queda no Índice de Confiança da Indústria, medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que recuou 1,8 ponto de fevereiro para março – indicador caiu para 97,2 pontos, em uma escala de zero a 200, o menor nível desde dezembro passado; e os recordes de desemprego – em fevereiro país tinha 13,1 milhões de trabalhadores.

“É impossível estar satisfeito com essa conjuntura, com a paralisia da economia. Alie a isso as propostas do governo Bolsonaro – todas tiram direitos sociais e trabalhistas da classe trabalhadora e beneficiam os empresários – e está criado o quadro de insatisfação”.

“As pessoas estão perdendo as esperanças de uma recolocação, de um emprego decente, de uma vida melhor. Isso é o resultado dos cem dias de desgoverno Bolsonaro”, diz Vagner.

As chances da vida melhorar

Logo após as eleições, em outubro de 2018, 56% dos brasileiros acreditavam que suas vidas e a de suas famílias iriam melhorar. Após três meses de governo Bolsonaro, esse número despencou para 22%, revela a última rodada da pesquisa CUT/Vox Populi.

Os percentuais dos que tinham esperança de uma vida melhor despencaram também entre os pró-Bolsonaro após cem dias de governo. Apenas 44% ainda têm expectativas positivas – em outubro o índice era de 85%. Outros 7% acham que a vida vai piorar e 49% que vai ficar tudo como está.

Os anti-Bolsonaro estão ainda mais pessimistas. A vida piorou para 52% dos entrevistados; melhorou para 7% e ficou igual para 40%.

Apesar da piora na expectativa após três meses de gestão, os brasileiros ainda acham que tudo pode mudar até o fim do ano. Segundo a CUT-Vox, 55% acham que até o fim de 2019 as suas vidas e as de suas famílias vão melhorar; 18% aposta na piora; e 27% que vai ficar tudo igual.

Entre os anti-Bolsonaro, os percentuais são: 27% acreditam em melhora, 40% em piora e 33% acham que vai ficar tudo igual.

Entre os pró-Bolsonaro, as expectativas aumentam ainda mais: 82% acreditam que até o fim do ano a vida vai melhorar; 16% que vai ficar igual e apenas 3% que vai piorar.

Governo irrelevante

Um dado da pesquisa chamou a atenção do diretor-presidente da Vox Populi, Marcos Coimbra: cerca de 60% dos entrevistados não lembram nada do que Bolsonaro fez desde que assumiu o governo no dia 1º de janeiro, nem uma notícia.

E dos 40% que citaram algo, a maioria falou sobre a reforma da Previdência, que dificulta a concessão da aposentadoria e reduz o valor dos benefícios, e a liberação de armas.

Para Coimbra, as pessoas não estão se informando sobre como as medidas do governo, a falta de articulação política e as indefinições e brigas internas em áreas importantes como a Educação, afetam suas vidas. Estão bem longe do debate em redes sociais como o Twitter, avalia.

Metodologia

A pesquisa CUT-Vox Populi é quantitativa, com entrevistas pessoais e domiciliares, realizadas com o uso de tablets.

Público alvo

População brasileira com 16 anos ou mais, residente em áreas urbanas e rurais, de todos os estados e do Distrito Federal, em capitais, regiões metropolitanas e no interior, de todos os estratos socioeconômicos.

Amostra

Amostra nacional com 1.985 entrevistas, aplicadas em 120 municípios. Estratificação por cotas de sexo, idade, escolaridade e renda.

A margem de erro é de 2,2%, estimada em um intervalo de confiança de 95%.

Com informações da CUT

Reforma da Previdência pode levar ao desemprego mais meio milhão de pessoas

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Num país desigual como o Brasil, os benefícios da Previdência pagos aos trabalhadores rurais, idosos e aos carentes ajudam a sustentar famílias inteiras e são o esteio da economia de milhares de pequenas cidades brasileiras. A reforma da Previdência 2019 proposta pelo governo de Jair Bolsonaro, no entanto, ignora isso e pode levar a um efeito cascata que aumentaria em mais meio milhão o já elevado número de desempregados no país.

De acordo com a PEC 6/2019 apresentada pelo ministro da Fazenda, Paulo Guedes, os benefícios previdenciários passariam a ser calculados sobre a média de 100% das contribuições – o que rebaixaria o valor final – e somente após contribuir por 40 anos ao INSS o trabalhador teria direito ao valor integral. Além disso, os benefícios assistenciais, como os de Prestação Continuada (BPC), seriam desvinculados do valor do salário mínimo e não teriam garantida nem mesmo a correção monetária.

“Isso deverá produzir um importante impacto negativo na renda disponível de um grande contingente de famílias brasileiras de baixa renda”, afirma o economista Marcelo Manzano.

Estudo realizado pela Fundação Perseu Abramo (FPA) em 2.077 municípios brasileiros indica que em 1.946 deles (ou 93,7%) os valores recebidos via benefícios previdenciários superavam os repasses realizados pelo Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A maior parte do dinheiro que circula nessas cidades vem das aposentadorias pagas aos idosos, aos trabalhadores rurais, aos carentes e pessoas com deficiência via BPC.

“A Associação Brasileira de Municípios realizou sua assembleia em março e os prefeitos presentes foram unânimes: a reforma da Previdência, tal como vem sendo colocada pelo governo Bolsonaro, prejudicará muito os municípios e as prefeituras, uma vez que o empobrecimento da população, bem como a queda na economia de boa parte dos municípios, principalmente os pequenos e médios, com maior incidência no Norte e Nordeste, provocará não apenas queda na arrecadação como aumento da demanda pelos serviços públicos, especialmente na assistência social”, informa o estudo da FPA.

Segundo Manzano, a redução dos valores pagos pela Previdência teria efeitos arrasadores também para o mercado de trabalho.

“Cada um ponto do crescimento do PIB no Brasil nos últimos 20 anos significou crescimento entre 0,5% e 1,4% do mercado de trabalho. Como nosso país tem 90 milhões de ocupados, quando o PIB cresce 1%, na pior das hipóteses (os 0,5%) significa a expansão de 450 mil empregos”, explica o economista. “Se o contrário acontece, ou seja, a redução do PIB em 1% conforme projetado, nosso país pode perder aproximadamente 450 mil ocupações por ano em decorrência do desmonte do sistema de proteção social que está em vigor no país desde a Constituição de 1988.”

O efeito multiplicador da Previdência

A Previdência não significa só gasto que pode quebrar o Brasil, ao contrário do que quer fazer crer o governo Jair Bolsonaro.

Para dar uma ideia da importância dos recursos pagos pela Previdência no desenvolvimento nacional, Manzano explica que para cada real que a União transfere aos aposentados via Regime Geral da Previdência Social (RGPS), a economia cresce 0,53 mais. Quando esse real vai para os beneficiários do BPC, que são muito pobres e imediatamente gastam esses recursos, o efeito multiplicador é da ordem de 1,78 a mais.

É como se cada real que o governo gasta com a Previdência se multiplicasse e voltasse para o mercado 1,53 reais no caso da aposentadoria paga aos trabalhadores em geral e 1,78 reais quando se trata do que é pago via BPC.

“São recursos que estimulam as atividades econômicas nos municípios. Como é um número muito grande de pessoas, isso leva a um efeito multiplicador, promovendo outras atividades e fazendo com que a economia cresça”, afirma o economista.

“Ou seja, se de fato a reforma da previdência proposta pelo governo for aprovada nos termos em que foi apresentada, deverá afetar severa e negativamente o mercado de trabalho brasileiro”, avalia Manzano.

Com informações da CUT

Bolsonaro ignora realidade do mercado de trabalho e põe em risco a Previdência

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O governo de Jair Bolsonaro (PSL) quer impor aos trabalhadores e trabalhadoras uma reforma da Previdência com regras equivalentes ou até mais duras do que as praticadas em países desenvolvidos, desconsiderando completamente a situação do mercado de trabalho brasileiro, que registra recordes nos números de desemprego e de contratações precárias.

As consequências desta reforma neste cenário, segundo o economista e professor da Unicamp, Eduardo Fagnani, serão o fim do financiamento da Previdência Social e a extinção do direito à proteção na velhice.

“Essa reforma quer impor regras de países desenvolvidos, com IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] elevado, e desconsidera completamente que essa não é a realidade do Brasil, que ocupa a 9ª posição em desigualdade numa relação de 198 países, com um mercado de trabalho cada vez mais precarizado”, diz o professor.

A realidade do mercado de trabalho brasileiro

Atualmente, 52,6% dos trabalhadores brasileiros estão fora do sistema pleno de proteção social, isso sem considerar os 13,1 milhões de desempregados e os 4,9 milhões de desalentados, que desistiram de procurar emprego depois de muito procurar.

Esses trabalhadores (52,6%) não têm vínculo empregatício e, portanto, não têm proteção para o futuro, não têm acesso aos benefícios do INSS e não têm direito a FGTS. Trabalham por conta, são contratados de forma precária ou como Pessoa Jurídica, os chamados PJ’s.

Já os empregados com carteira assinada respondem por apenas 38,9% da força ocupada e os servidores públicos, 8,5%.

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua, do IBGE, e foram compilados pelos economistas José Roberto Afonso, professor do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), e Juliana Damasceno de Sousa, pesquisadora do Ibre/FGV.

Segundo o professor Eduardo Fagnani, o Brasil tem hoje 170 milhões de pessoas entre 14 e 65 anos em idade ativa. Desse total, 100 milhões fazem parte da População Economicamente Ativa (PEA), que estão no mercado de trabalho ou tentando se inserir, e 70 milhões estão fora, são aqueles que não trabalham nem estudam, que estão fora do mercado e outros, que é uma minoria, só estudam.

Do total da PEA, 27,9 milhões de trabalhadores estão subutilizados, segundo o IBGE – 13,1 milhões desempregados, 9,9 milhões subempregados e 4,9 milhões que não conseguem procurar empregos. Portanto, “estamos falando de uma população ocupada de aproximadamente 72,1 milhões de pessoas e de uma população excluída de 100 milhões”, diz Fagnani.

“Desse total, mais da metade trabalha sem carteira assinada e sem proteção. Com a reforma Trabalhista que ainda está sendo implementada, aqueles que ainda têm alguma proteção podem perdê-la a qualquer momento e terão dificuldade de contribuir com a Previdência Social”, explica Fagnani.

É nesse cenário que Bolsonaro propõe uma reforma da Previdência que tornam as regras ainda mais rígidas. Os trabalhadores, que já têm dificuldade de contribuir com as regras atuais, não vão conseguir mais pagar o INSS e isso terá reflexos no caixa da Previdência

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Desmonte do financiamento

Para o professor da Unicamp, se a reforma de Bolsonaro passar, daqui a 30 anos o resultado será o fim do financiamento do caixa da Previdência Social.

Isso porque, explica Fagnani, com a difícil realidade do mercado de trabalho sem proteção social, mais a proposta que pretende instituir o regime de capitalização, não existirá no futuro quem continuará pagando o Regime Geral de Previdência Social (RGPS).

“A Previdência Social como conhecemos pode simplesmente acabar. Aí teremos uma massa de trabalhadores numa corrida de obstáculos que jamais conseguirá vencer”, diz o professor.

Um trabalhador rural, que consegue contribuir em média 3,5 meses no ano, vai precisar trabalhar 100 anos para conseguir se aposentar

BPC

A consequência do desmonte, diz Fagnani, será a migração de cerca de 70% a 80% da população para a proteção social, o chamado Benefício de Prestação Continuada, que, segundo a proposta de Bolsonaro, terá o valor rebaixado de um salário mínimo para R$ 400.

“E além do valor rebaixado, há o risco de não haver correção monetária, ou seja, o governo poderá deixar esse valor congelado por 5, 7 ou até 10 anos. E o que era R$ 400 pode se transformar ainda em R$ 250”.

Com informações da CUT

Reforma pode aumentar percentual de idosos miseráveis de 3% para 70%

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A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 06/2019, que propõe mudanças nas regras da Previdência, do governo Jair Bolsonaro (PSL), pode acabar com a Seguridade Social que o Brasil conquistou na Constituição de 1988 e aumentar a pobreza entre os idosos.

Segundo estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), se a PEC for aprovada, a pobreza entre os idosos vai aumentar de 2% a 3% para 70% ao longo dos próximos anos.

O alerta foi feito pelo professor Eduardo Fagnani, do Instituto de Economia da Unicamp, durante o debate “Nova Previdência ou o Fim da Previdência?”, organizado pela Associação dos Docentes da Unicamp (ADunicamp). Segundo o professor, as novas regras propostas por Bolsonaro para aposentadoria e pagamentos do Benefício de Prestação Continuada (BPC) provocará um impacto negativo muito grande na economia das cidades brasileira.

A reforma impõe a obrigatoriedade da idade mínima para aposentadoria de 65 anos para os homens e 62 para as mulheres e aumenta o tempo mínimo de contribuição de 15 para 20 anos para os trabalhadores e trabalhadoras receberem 60% do valor do benefício. Se quiser receber o benefício integral tem de contribuir durante 40 anos.

As trabalhadoras mulheres e algumas categorias, como os rurais e os professores, serão especialmente prejudicadas pelo projeto. A proposta de Bolsonaro simplesmente exclui as aposentadorias específicas e não respeita o fato de que algumas profissões são essencialmente penosas e desgastantes.

Entre as propostas mais cruéis da reforma está a que diminui de um salário mínimo (R$ 998,00) para apenas R$ 400,00 o valor do Benefício de Prestação Continuada (BPC) pago aos idosos que vivem em situação de extrema pobreza a partir dos 60 anos. Somente a partir dos 70 anos, esses idosos terão direito ao benefício de um salário mínimo, que hoje é pago a partir dos 65 anos.

Municípios

“A previdência rural e a prestação continuada reduziram o êxodo rural no Brasil, reduziram o êxodo do Nordeste para o Sul. E entre 70% a 80% dos municípios brasileiros a transferência dos recursos da Previdência é maior que os recursos transferidos pelo fundo de participação municipal e aquecem a economia nas cidades de todo o país”, disse Fagnani.

O sistema brasileiro de seguridade social, atacado por esta reforma, é formado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), pelo seguro-desemprego, pelo BPC que beneficia idosos pobres e deficientes físicos e pelas previdências urbana e rural.

“Mais de 70% dos brasileiros só têm o SUS como porta de entrada para a assistência à saúde. Já o seguro desemprego beneficia cerca de sete milhões de trabalhadores e o BPC outros cinco milhões, enquanto a previdência urbana atende 20 milhões de aposentados e a rural 10 milhões”, afirmou Fagnani.

“No total, são cerca de 42 milhões de benefícios. Se cada pessoa tiver dois membros na família, eu estou falando em 120 milhões de pessoas. E, deste total, 70% recebem apenas o piso, ou seja, o salário mínimo”, argumentou.

Combate à desigualdade

Fagnani comparou o projeto de reforma brasileiro com reformas feitas em outros países. E concluiu que “reformas da Previdência são necessárias e são feitas em todos os lugares do mundo porque é preciso ajustar a expansão demográfica às regras do sistema. Países sérios, civilizados, desenvolvidos já fizeram suas reformas da previdência e estão fazendo a todo o momento. Mas eles não destroem o seu sistema de proteção social, porque sabem que é importante para o combate à desigualdade”.

O professor de Economia também afirmou que a propalada crise da Previdência é uma falsa crise e que os recursos que garantem a seguridade social não são o principal problema para o ajuste fiscal que o governo pretende impor.

“O problema no Brasil é que não há um diagnóstico da questão. Eu garanto para vocês que nos últimos 30 anos há mais de uma dezena de emendas constitucionais alterando a previdência social. No regime geral da previdência, o do INSS, nesse que há cerca de 20 milhões de pessoas recebendo um salário mínimo por mês, não há nada o que fazer, não é necessário fazer nada, além de alguns ajustes pontuais, não há necessidade de uma reforma geral. Eu garanto para vocês”.

Com a criação do fundo de previdência complementar, em 2012, com teto de R$ 5,8 mil reais, a questão da aposentadoria do servidor público federal também foi resolvida. “E ele vai se aposentar em 2050. Então o problema do funcionário público federal, no futuro – e você faz reforma pensando no futuro – também está resolvido”.

Fonte: Carta Campinas com ADunicamp

ATIVIDADE UNIFICADA | Plenária Geral da CUT Brasília e Conferência Estadual de Formação, nesta sexta (5)

Dirigentes sindicais, representantes de movimentos sociais e militantes cutistas participarão da Atividade Unificada da CUT Brasília, que une a Plenária Geral da Central e a Conferência Estadual de Formação, nesta sexta-feira (5/4). A atividade será realizada no Sindicato dos Bancários, a partir das 9h. As inscrições devem ser confirmadas até esta quarta-feira (3/4), às 18h, pelo telefone (61) 99944-2853 ou pelo email secretariageral@cutbrasilia.org.br.

José Dirceu, uma das figuras mais importantes do cenário político nos últimos tempos, fará análise de conjuntura política do Brasil. Na atividade, serão realizados outros debates que darão embasamento e impulso à construção da Greve Geral contra a reforma da Previdência de Bolsonaro (PEC 006/2019). Na parte da tarde, ainda serão eleitos os delegados do DF que participarão da Conferência Nacional de Formação.

“Essa atividade é mais um dos momentos essenciais da nossa luta contra a reforma da Previdência de Bolsonaro e a retirada de outros direitos que vêm sendo roubados da classe trabalhadora. É essencial que todas e todos participem do evento, se empoderem sobre os temas e se somem à luta pelo direito de aposentar”, convoca o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto.

Já a secretária de Formação da CUT Brasília, Nilza Cristina, lembra que a formação é um dos principais instrumentos de luta neste momento da história do país. “Só poderemos fazer o debate sobre os prejuízos da reforma da Previdência e ganhar o apoio da classe trabalhadora e da sociedade em geral se tivermos embasamento suficiente sobre o tema. Compartilhar experiências a partir da Conferência da CUT é importante para despertar nas lideranças a necessidade do protagonismo da formação no enfrentamento do cenário de retrocesso que estamos vivendo . Investir na formação sindical é estratégico para a reorganização da classe trabalhadora”, avalia.

Conferência Estadual de Formação

A Conferência Estadual de Formação é uma das etapas preparatórias da 4ª Conferência Nacional de Formação, organizada pela CUT, que será realizada de 27 a 31 de maio, em Belo Horizonte (MG).

Na Conferência Estadual, agendada para esta sexta-feira (5) como parte da Atividade Unificada da CUT Brasília, será apresentada a Conferência Nacional de Formação, realizado painel sobre a reforma da Previdência de Bolsonaro (PEC 006/2019) e expostas experiências de formação das entidades filiadas. Para encerrar a atividade, serão eleitos os delegados que participarão da Conferência Nacional.

Dica (muito) útil

O livro “Memórias”, de José Dirceu, será vendido na atividade unificada da CUT Brasília. Na obra, o autor fala de sua trajetória política desde a militância estudantil nos anos 1960, passando pelo exílio, o treinamento para guerrilheiro em Cuba, a vida clandestina no Brasil, até sua ascensão no Partido dos Trabalhadores, onde foi chefe da Casa Civil e figura fundamental na eleição de Lula. José Dirceu ainda fala sobre os bastidores da luta política dentro do PT e no governo.

Programação

9h – Abertura

9h20 – Análise de Conjuntura com José Dirceu

11h – Pauta Geral da Classe Trabalhadora

13h30 – Almoço

14h30 – Apresentação da Conferência Nacional de Formação –  César Augusto Azevedo – Educador da Escola Centro Oeste de Formação Sindical da CUT – ECO/CUT

15h30 –  Reforma da Previdência de Bolsonaro –  Marcos Rogério – Assessor jurídico da Liderança no PT o Senado.

17h – Exposição das experiências de formação das entidades filiadas e Política  Nacional de  Formação da CUT – Luciana Custódio – Diretora Sinpro DF

18h – Eleição dos delegados para 4º Conferência  Nacional de Formação e encaminhamentos finais.

 

Serviço
Plenária Geral da CUT e Conferência Estadual de Formação
DATA: 5 de abril, sexta-feira
HORÁRIO: 9h às 18h30
LOCAL: Sindicato dos Bancários, EQS 314/315 – Asa Sul

 

COMO PARTICIPAR: Inscrições gratuitas pelo telefone 99944-2853 ou pelo email secretariageral@cutbrasilia.org.br, até quarta-feira (3/4), às 18h.

Fonte: CUT Brasília

Ato denuncia herança maldita da ditadura, neste domingo (31)

Após o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro orientando as Forças Armadas a comemorarem o golpe militar de 1964, várias organizações se uniram para repudiar mais um desmando de Bolsonaro e denunciar a herança maldita que a ditadura deixou para o Brasil e o povo brasileiro. No DF, o ato Ditadura Nunca Mais! Será realizado neste domingo (31), no Eixão Norte (altura da 108), a partir das 9h. O dia 31 de março marca os 55 anos do início da ditadura no Brasil, finalizada em 1985.

 

“Não há nada a comemorar, e muito a denunciar! A ditadura foi torturadora, assassina, entreguista e elitista! Foram anos de repressão, inflação, arrocho salarial e retirada de direitos do povo. Não esqueceremos, para que nunca mais aconteça!”, afirma o dirigente da CUT Brasília, Yuri Soares.

Além da CUT, estão na organização do ato a CMP (Central de Movimentos Populares), a Frente Brasil Popular, a Frente Povo Sem Medo, PT, PSOL, PCdoB, PDT, PSB.

Um evento foi criado no Facebook da CUT Brasília. Confirme sua presença acessando http://bit.ly/AtoDitaduraNuncaMais

Como desmascarar a ditadura

“Milagre” econômico – Os que defendem a ditadura militar no Brasil constantemente afirmam que os 21 anos de repressão, morte e tortura foram marcados na verdade por um forte crescimento econômico, conhecido como “milagre econômico”. O dado que se mostra é de que a taxa média de crescimento nesse período girava em torno de 10% por ano. Mas a que custo? Especialistas em economia afirmam que o período da ditadura deixou como herança para o Brasil questões como o endividamento do setor público e o aumento da desigualdade social.

Fim da corrupção – Os entusiastas do regime militar também afirmam que o período de 21 anos foi marcado pela ação transparente e da probidade. Ao contrário, o período da ditadura militar foi um dos mais corruptos da história do país. E isso só não foi amplamente divulgado porque veículos de comunicação eram impedidos de publicar qualquer coisa contra o governo.

Um dos casos de corrupção cometidos durante a ditadura foi a cobrança de propina por parte de Delfim Netto, o pai do milagre econômico, então ministro da Fazenda, em obras de engenharia e financiamento para equipamentos de usinas hidrelétricas. Delfim sempre negou a acusação. O caso é relatado no livro Estranhas Catedrais: As Empreiteiras Brasileiras e a Ditadura Civil-militar, 1964-1988, escrito pelo professor Pedro Henrique Pedreira Campos, do Departamento de História e Relações Internacionais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

Controle da inflação – O tão falado controle da inflação foi feito durante a ditadura militar à custa das classes mais baixas e dos trabalhadores, que tiveram seus salários achatados. Com a mudança da fórmula de cálculo dos salários, que passou a ser feito pela inflação, o salário mínimo caiu 50% em valores reais entre 1964 e 1985. Foram precisos 30 anos para recuperar o poder salarial dos mais pobres.

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da UnB mostra que o 1% mais rico da população detinha entre 15-20% de toda a renda do país. No fim da ditadura, passou a controlar quase 30%.

A inflação, que foi controlada no início, explodiu na segunda metade do regime. Em 1985, o índice anual já batia 231%. Quatro anos depois, durante o governo Sarney, eleito indiretamente pelo Congresso, a inflação chegou a quase 2.000% em 12 meses.

Educação e saúde pública de qualidade – Durante a ditadura militar, foi abolido o investimento público mínimo no setor da educação e os militares abriram o ensino para a iniciativa privada, principalmente no ensino superior. As alterações foram feitas pela Constituição de 1967.

Sem verba para o setor público, a formação de novos docentes ficou prejudicada, os salários e as condições de trabalho de professores se desmantelaram e o ensino teve uma queda abrupta de qualidade.

Na área da saúde não foi diferente. No governo militar, o número de hospitais com fins lucrativos foi de 944 para 2.121, causando a precarização do serviço público de saúde, utilizada principalmente pelos mais pobres.

Mais emprego – As obras conduzidas pelo governo dos militares renderam mais emprego para o Brasil. Entretanto, com a intervenção dos militares sobre os sindicatos, diminuiu o poder de negociação das organizações que representam os trabalhadores e, consequentemente, houve arrocho salarial. A redução dos salários diminuiu também o custo de mão-de-obra, causando facilidade para que empresários contratassem novos trabalhadores.

Morte de “vagabundos” – É comum pensar que os mortos pela ditadura foram líderes sindicais e de movimentos políticos e sociais. Entretanto, o regime militar, também realizou o seqüestro, prisão e tortura de crianças. Os filhos de suspeitos de envolvimento na luta contra o regime militar eram fichados como “elementos subversivos” pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social). É o caso de Ernesto Carlos Dias do Nascimento, de um ano e três meses de idade, preso junto com os irmãos de 4, 6 e 9 anos, todos filhos de um casal ligado à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) de Carlos Lamarca.

Ainda são inúmeros os casos de mulheres e homens que foram estuprados nas prisões, mulheres grávidas que foram torturadas e obrigadas a parir dentro das prisões, em condições totalmente insalubres.

Segundo o relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV), de 2014, foram reconhecidos oficialmente 434 mortos e desaparecidos políticos no Brasil entre 1946 e 1988, a maioria após 1964, quando iniciou a ditadura no Brasil. Mas o próprio relatório indica que esse número vai muito mais além, já que não se tem o número de vítimas indiretas, torturados que sobreviveram e mortos que jamais foram contabilizados, especialmente os indígenas.

Fonte: CUT Brasília, com informações da BBC Brasil

Reforma de Bolsonaro joga a enorme conta da ‘economia’ nas costas dos pobres

O principal argumento do governo de Jair Bolsonaro (PSL) para convencer deputados e senadores a aprovar a reforma da Previdência é o de que o país economizará R$ 1,165 trilhão de reais em dez anos. O que ninguém diz é que para fazer essa economia o governo vai tirar dinheiro do bolso de mais de 35 milhões de brasileiros, trabalhadores da iniciativa privada, rurais e idosos em situação de miserabilidade que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Outro argumento falacioso, de acordo com a Frente Parlamentar de Oposição à Reforma, é o de que vai acabar com ‘privilégios nas aposentadorias’.

Na prática, afirmam os membros do Fórum, a reforma vai cortar benefícios e aposentadorias de assalariados e idosos em situação de vulnerabilidade.

O presidente da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco), Charles Alcântara, afirma que 75% do valor que Bolsonaro quer economizar vai atingir diretamente quem tem renda mais baixa.

É o que mostra estudo encomendado pela Fenafisco, em parceria com a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip). De acordo com o estudo, R$ 715 bilhões da economia que Bolsonaro pretende viriam às custas dos trabalhadores do regime geral que terão o acesso a aposentadoria restringido e o valor dos benefícios reduzido. Outros R$ 182 bi viriam da redução do valor do BPC. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC 006/2019) prevê redução do benefício de um salário mínimo (R$ 998,00) para R$ 400,00 aos idosos carentes.

A conta aumenta se forem levados em consideração os dependentes dos trabalhadores e trabalhadoras, alerta Charles Alcântara.

“Por baixo, num cálculo muito simples, se cada beneficiário tiver dois dependentes, passamos a falar de 105 milhões de pessoas que serão prejudicadas por essa proposta nebulosa”.

A secretária de Relações do Trabalho da CUT, Graça Costa critica a intenção do governo em penalizar os assalariados e os mais pobres para promover sua reforma da Previdência.

Ela cita um outro estudo realizado pela médica e pesquisadora especializada em Assistência Social, Luciana Jaccoud que mostra um dado alarmante: cerca de 1% da população idosa no Brasil vive em situação abaixo do limite de pobreza.

Caso a reforma seja aprovada, a redução dos benefícios e as alterações no BPC, em médio prazo, farão que o esse número aumente para 70%.

A solução

Para a Frente de Oposição à Reforma, que tem em sua base, além de parlamentares, entidades como a CUT, outras centrais sindicais, movimentos sociais e a Fenafisco (federação que reúne auditores das receitas estaduais), a alternativa é uma nova tabela de Imposto de Renda (IR).

Segundo Charles, o diagnóstico é o de que o sistema atual é uma anomalia.

Pela proposta da Frente, quem ganha até R$ 4 mil mensais estaria isento de imposto de renda. A tributação começaria a partir dessa faixa, gradativamente, chegando a 35% para quem ganha de 40 (R$ 39.920,00) a 60 (R$ 59.880,00) salários mínimos por mês. Quem tem renda acima de 60, pagaria 40% de IR.

Em números, segundo Charles, essa medida, em conjunto com a tributação de lucros e dividendos, que hoje são operações isentas, traria uma arrecadação de R$ 157 bilhões por ano, totalizando R$ 1,570 trilhões em dez anos, ou seja, R$ 400 bilhões a mais do que pretende economizar o governo com a reforma da Previdência.

De acordo com os dados do estudo apresentado em Brasília, nesta quarta-feira (20), a nova tabela de imposto de renda atingiria apenas 750 mil pessoas.

“No lugar de sacrificar 105 milhões de brasileiros que ganham até três salários mínimos mensais, para economizar R$ 1,1 trilhão, por que não tributar 750 mil pessoas que hoje ganham acima de 40 salários para arrecadarmos R$ 1,5 trilhão?, questiona Alcântara, que acrescenta: “ Eles são apenas meio por cento da população”.

Para Graça Costa a alternativa é correta. “Essa discussão já existe desde a CPI da Previdência, feita em 2017. O relatório final apontou que se as empresas que devem ao INSS quitassem suas dívidas, a previdência as contas já atingiriam o equilíbrio”.

Graça afirma ainda que “o relatório da CPI já demonstrava que a reforma da Previdência, nos moldes propostos tanto pelo ilegítimo Temer quanto por Bolsonaro, penalizando os mais pobres, é equivocada e desnecessária. Se há desequilíbrio nas contas, ele pode ser sanado com outras formas de arrecadação, uma delas, uma nova tabela de imposto de renda”.

Mais pobres pagam mais impostos

O presidente da Fenafisco, Charles Alcântara diz que mais de 50% da carga tributária no Brasil incide sobre o consumo e que isso gera uma ineficiência econômica. “Onera a produção, a mercadoria, e o orçamento das famílias, especialmente das mais pobres e da classe média.”

“Na prática, um assalariado destina quase toda a sua renda ao consumo de bens e serviços. Eles não têm recursos para poupar”, afirma Charles.

As entidades que formam a Frente também questionam o que seriam os privilégios que Bolsonaro quer acabar e reforçam que a PEC da reforma da Previdência não ataca nenhum privilégio.

A Frente

A Frente Parlamentar de Oposição à Reforma é um espaço de estudos e de articulação das mais de cem entidades participantes, entre elas movimentos sociais e sindical, em conjunto com parlamentares aliados, além de um espaço de orientação para as lutas contra a reforma da Previdência, que devem ser travadas, tanto no parlamento, quanto ruas, explica o presidente da Fenafisco, Charles Alcântara.

“Não barraremos essa reforma sem um amplo movimento de massa nesse país. Essa é uma luta de toda a sociedade. E tem que ser alicerçada nos movimentos de rua. Sem o calor das ruas, o Congresso, pelo perfil conservador, tende a aprovar a reforma”.

CUT lança site ‘Reaja Agora’ contra a reforma da Previdência de Bolsonaro

Para barrar a reforma da Previdência do governo de Jair Bolsonaro (PSL) e garantir o direito à aposentadoria da classe trabalhadora brasileira, a CUT lançou, na sexta (15), mais uma ferramenta de luta e mobilização contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 006/2019) que praticamente acaba com a aposentadoria de milhões de brasileiros.

O site ‘Reaja Agora’ permite aos trabalhadores e trabalhadoras se informarem sobre as principais alterações que o governo quer fazer nas regras da aposentadoria e como elas afetarão a vida de cada um. O site também dá acesso a uma calculadora, o chamado ‘Aposentômetro’, para que todos possam calcular e comparar quanto tempo falta para se aposentarem com as atuais regras e com as regras propostas por Bolsonaro, caso o Congresso Nacional aprove a PEC.

Todos e todas também poderão baixar diversos materiais, como panfletos, cards, vídeos e áudios, que podem ser usados para explicar as maldades da reforma em casa, no local de trabalho, nas ruas, nas redes e durante as mobilizações.

O secretário de Comunicação da CUT, Roni Barbosa, explica que o Reaja Agora’ tem o objetivo de fornecer informações para que os trabalhadores e trabalhadoras compreendam as consequências de não lutar para barrar essa nefasta reforma de Bolsonaro.

“A sociedade brasileira precisa ter a consciência de que, se essa reforma for aprovada pelo Congresso Nacional, é definitivamente o fim do direito à aposentadoria, é a condenação dessa e de futuras gerações à miséria”, alerta.

“E o site que a CUT acaba de lançar é mais uma ferramenta para informar e esclarecer a população sobre o que está em jogo. É uma forma de sensibilizar os trabalhadores a lutarem pelos seus direitos”.

Para Roni, a reforma de Bolsonaro vai exigir um tempo mínimo de contribuição que será impossível o trabalhador e a trabalhadora atingir. O dirigente se refere à obrigatoriedade de idade mínima de 65 anos para os homens e 62 para as mulheres e o aumento do tempo mínimo de contribuição de 15 anos para 20 anos para receber apenas 60% do valor do benefício – para ter acesso ao benefício integral, o trabalhador ou a trabalhadora terá de contribuir por pelo menos 40 anos.

“O governo não dá condições de emprego e ainda altera a legislação para criar trabalhos precários, sem qualquer estabilidade para o trabalhador, como ele vai conseguir atingir essas exigências?”, questiona Roni.

O site

Ao acessar o site ‘Reaja Agora, os trabalhadores e trabalhadoras terão acesso ao ‘Aposentômetro’ e ao texto de abertura que resume os principais impactos causados pela reforma de Bolsonaro. Há também os textos específicos, com explicações mais detalhadas sobre cada ponto do projeto.

Tem informações para todos os assuntos, que estão divididos nos seguintes temas: Regime Geral – setor privado; servidores públicos; capitalização da previdência; regras de transição; mulheres; professores; trabalhadores rurais; aposentados e pensão por morte; Benefício de Prestação Continuada (BPC); aposentadoria por invalidez; pessoa com deficiência; FGTS; e Abono Salarial – PIS/PASEP.

Há também a possibilidade de o trabalhador aprofundar seus conhecimentos sobre cada assunto acessando as matérias relacionadas, com análises políticas e econômicas de especialistas.

Além disso, é possível acessar e baixar os materiais de análise do Dieese que subsidiaram todo o conteúdo explicativo do site. Há duas versões logo abaixo de cada explicação: uma mais resumida e outra completa e detalhada.

 Na Pressão

O secretário de Comunicação da CUT, Roni Barbosa, explica que outra ferramenta que estará disponível no site é a plataforma ‘Na Pressão’, lançada pela CUT no ano passado e que permite contatar os parlamentares por e-mail, mensagens, telefone ou redes sociais.

Segundo Roni, a plataforma foi atualizada com as informações dos deputados e senadores eleitos em 2018 e será utilizada com mais intensidade se os parlamentares ameaçarem a avançar com a PEC da reforma no Congresso Nacional.

“Os trabalhadores e trabalhadoras podem começar a pressionar desde já. Intensificaremos essa pressão se os deputados e senadores sinalizarem que vão votar a reforma”, explica.

Para o secretário de Comunicação da CUT, a pressão nas redes é tão importante quanto a ação nas ruas, nos aeroportos e nas bases eleitorais dos deputados e senadores.

“Eles [parlamentares] sabem dos impactos eleitorais ao acabar com a aposentadoria de milhões de trabalhadores. Por isso, o site ‘Na Pressão’ também é uma importante ferramenta de luta, assim como as ações de rua”.

O site Na Pressão possibilita enviar, de uma só vez, e-mail para todos os parlamentares indecisos ou a favor da reforma da Previdência de Bolsonaro pelo link “Ativar Ultra Pressão”.

Ao clicar na foto individual do parlamentar, é possível acessar informações completas, como partido, estado e até mesmo contato para envio de mensagens por meio do WhatsApp.

Fonte: CUT Nacional

Rumo à greve geral: 22 de março é dia de luta contra a reforma da Previdência

Em várias cidades do Brasil, panfletagens, atos, manifestações e assembleias serão realizadas na próxima sexta-feira, 22 de março, o dia Nacional de Luta em Defesa da Previdência.

A data marca a resistência dos trabalhadores e trabalhadoras de todo o Brasil contra o fim do direito à aposentadoria, que é o que vai acontecer se a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 06/2019, da reforma da Previdência de Jair Bolsonaro (PSL), for aprovada pelo Congresso Nacional, onde está tramitando.

Sérgio Nobre, Secretário Geral da CUT, afirma que a data é um dia de alerta para que a classe trabalhadora se conscientize sobre a realidade do Brasil – de ataques aos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras – e um esquenta para uma greve geral que deve acontecer, caso Bolsonaro insista em aprovar a reforma da Previdência.

“Temos um grande motivo para uma greve geral e 22 de março será um dia de alerta. A CUT e as centrais orientaram seus sindicatos, que estão dialogando com os trabalhadores sobre o que representa essa reforma. A sociedade precisa ter noção do que está acontecendo”, diz o dirigente.

Entre as principais perversidades da proposta estão a obrigatoriedade da idade mínima para aposentadoria de 65 anos para os homens e 62 para mulheres, o aumento do tempo de contribuição 15 para 20 anos e o fim das condições especiais para trabalhadores rurais e professores terem direito ao benefício. A PEC da reforma da Previdência ainda traz a possiblidade de ser implantado o regime de capitalização, em que o trabalhador contribui mensalmente, em uma conta individual, administrada por financeiras privadas.

Ele alerta ainda que em países como México e Chile, onde o sistema foi adotado, o que se viu foi idoso com benefício reduzido de forma drástica e  vivendo de favores das famílias.

“Esse sistema de capitalização da previdência não serve para nada além de atender aos interesses dos bancos, tirando o dinheiro do trabalhador. É preciso entender que a Previdência também ampara as pessoas na viuvez, nos acidentes de trabalho, na doença e se houver um desmonte, o estrago será irreversível”, diz Sérgio Nobre.

Ele também considera que o Dia Nacional de Luta em Defesa da Previdência é um alerta à classe trabalhadora sobre a realidade imposta pelo governo Bolsonaro, que deu continuidade ao ataque aos direitos dos trabalhadores, iniciado pelo ilegítimo Michel Temer (MDB), com ações como a reforma Trabalhista e lei que ampliou a terceirização.

“Com Lula tivemos, no início do governo, programas como o Fome Zero, para acabar com miséria no Brasil, mais direitos e geração de emprego e renda. Bolsonaro já está há quase 90 dias no poder e até agora só o que fez foi atacar os direitos”, lembra Sérgio, que completa: além de acabar com o sonho da aposentadoria, enganando o povo brasileiro, o presidente fala apenas em flexibilização ainda maior da lei trabalhista com a ideia da carteira verde-amarela com menos direitos aos jovens que ingressam no mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que ataca a organização sindical por meio da Medida Provisória (MP) 873, que proíbe o desconto em folha de pagamento das mensalidades pagas pelos trabalhadores aos sindicatos.

Sérgio Nobre considera a MP uma atrocidade, “um ataque à democracia”. Ele afirma que “é uma maldade do governo para neutralizar a luta dos sindicatos pelos direitos dos trabalhadores, ameaçando inclusive autuar e prender a diretoria das entidades que não mudarem o desconto em folha pela emissão de boletos, conforme prevê a MP”.

Manifestação Popular

O desmonte do sistema previdenciário, o fim do sonho da aposentadoria e a tentativa de Bolsonaro ‘acabar de vez’ com as leis trabalhistas, na avaliação de Sérgio Nobre, são motivos para que o trabalhador reaja é vá às ruas na sexta-feira 22, Dia Nacional de Luta em Defesa da Previdência.

“A vida do trabalhador nunca foi fácil, mas foi sempre em momentos de dificuldade que a nossa luta conquistou e manteve direitos. E agora não pode ser diferente”, diz Sérgio, reforçando também a necessidade de pressionar parlamentares para que votem contra a proposta porque, segundo ele, é desta maneira que se sensibiliza parlamentares: “tem que dizer ‘camarada’, votei em você para melhorar a vida do povo e não para tirar direito do trabalhador”.

Veja os locais onde serão realizados atos no dia 22

São Paulo:

Capital: ato às 17h, em frente ao MASP, na Avenida Paulista

Rio Grande do Sul:

Porto Alegre: ato às 18h, na Esquina Democrática

Mato Grosso do Sul:

Campo Grande: paralisação com ato público às 9h na Praça do Rádio Clube. Em todo o estado a FETEMS realizou assembleias com os trabalhadores, que aprovaram greve geral no dia 22.

Ceará:

Fortaleza: ato às 8h na Praça da Imprensa (bairro Dionizio Torres)

Santa Catarina:

Florianópolis: ato em defesa da Previdência, às 17h, no Ticen.

Acre:

Rio branco: ato e panfletagem às 8h, em frente à sede do governo do estado (Palácio Rio Branco)

Reaja agora ou morra trabalhando! Clique aqui para baixar e compartilhar cards, cartazes e peças para redes sociais.

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