Bolsonaro planeja privatizar a Previdência, diz diretor do Diap

A reforma da Previdência, carro-chefe do governo golpista de Michel Temer, volta a assustar os brasileiros. Isso porque o presidente da ultradireita eleito, Jair Bolsonaro (PSL), já sinalizou que pretende retomar os debates sobre o tema no Congresso Nacional ainda este ano. Entretanto, o texto da reforma que hoje acaba com a aposentadoria dos brasileiros, pode ficar ainda pior.
De acordo com o jornalista, analista político e diretor de Documentação do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), Antônio Augusto de Queiroz, o governo Bolsonaro enxerga a reforma da Previdência de Temer “capenga”, mas “segue apoiando parte do texto como resposta ao mercado”. A ideia do novo governo, na verdade, seria, segundo Queiroz, “privatizar a Previdência, tornando-a um grande negócio; instituindo um teto muito baixo e retirando do seu perfil seus pilares de proteção à sociedade”.
Antônio Queiroz explica que, para aprovar o atual texto da reforma da Previdência é necessário primeiro suspender a intervenção militar no Rio de Janeiro. Além disso, Bolsonaro teria ajustes a fazer no projeto de Temer, o que depende de uma emenda aglutinativa ao texto, trâmite que necessita de tempo para ser finalizado. “Não há tempo hábil para aprovar uma reforma da Previdência este ano. Este novo governo também tem que negociar o conteúdo da proposta, construindo um ambiente favorável para a aceitação dos seus interesses. Hoje, o novo governo não tem a maioria dos votos, mas tem potencial”.
Nas próximas semanas, Bolsonaro deve se reunir com Temer para ajustar a transição dos mandatos. Dentre os temas debatidos, a reestruturação do sistema previdenciário ― de interesse dos dois lados― ganhará destaque. Em entrevista à Rede Record, o capitão reformado afirmou que planeja negociar a aprovação de, pelo menos, parte do que está em tramitação. O atual texto da reforma impõe uma idade mínima de 65 anos para homens e 62 para mulheres para requerer aposentadoria. Além disso, aumenta o tempo de contribuição mínima ao INSS de 15 para 25 anos. Também seria necessário contribuir pelo menos 40 anos para obter o benefício integral.
Na avaliação do secretário-geral da CUT Brasília, Rodrigo Rodrigues, a classe trabalhadora e as entidades que a organizam devem estar diariamente pressionando os parlamentares para que não seja aprovada no apagar das luzes uma reforma da Previdência que corte na carne do povo.
“Há uma nítida troca de interesses entre o atual governo e o presidente eleito. O futuro dirá qual será a moeda de troca. A reforma de Temer é totalmente nociva para todos os segmentos da sociedade e não foi discutida com o povo. A de Bolsonaro provavelmente será ainda pior. Precisamos estar atentos para as próximas ações do Congresso. É o futuro da nossa aposentadoria que está em jogo”, destacou.
Fonte: CUT Brasília

Novo texto da Lei Antiterrorismo é pior do que AI5, diz professora da USP

Os senadores do PT, com apoio de outros parlamentares progressistas, barraram na manhã desta quarta-feira (31) a votação do novo texto da Lei Antiterrorismo, que criminaliza e prevê penas de cinco a oito anos de prisão até para quem abrigar pessoas que tenham participado de manifestações e passeatas.
O tema foi colocado na pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado pelo senador não reeleito Magno Malta (PR-ES), aliado do presidente eleito, Jair Bolsonaro.
Os senadores de oposição pediram para a mesa marcar uma audiência pública para discutir o projeto que estava parado na Casa há dois anos.
Para o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), a proposta de endurecimento da lei acaba de vez com a democracia brasileira.
“Conseguimos garantir uma Audiência Pública para a discussão do tema e para explicar para as pessoas o que está por trás deste interesse do novo governo. Vamos lutar em todas as frentes pela autonomia dos movimentos sociais”, disse o senador.
É um AI-5 piorado
A historiadora e professora da USP, Maria Aparecida de Aquino, condenou veementemente o novo texto proposto pelo senador Lasier Martins (PSD-RS). 
Para ela, as mudanças propostas transformam a Lei Antiterrorismo em um Ato Institucional nº5 (AI-5) piorado. O AI-5, instituído durante a ditadura militar, suspendeu o habeas corpus, proibiu que advogados e familiares visitassem a pessoa presa e censurou a imprensa, entre outros atos de repressão.
“É extremamente grave essa criminalização, já que, até mesmo os regimes ditatoriais tinham cuidado em não utilizar medidas tão radicais, pois isso é proibir toda e qualquer possibilidade de oposição, de conviver com o diferente, o antagônico”, diz a historiadora da USP.
Segundo Maria de Aquino, caso seja aprovado o novo texto da Lei, o Brasil vai romper oficialmente com o Estado Democrático.
“Essa medida radical não é apenas grave para os cidadãos brasileiros, mas vai piorar a imagem do Brasil no exterior”, diz a professora, que complementa: “Isso é o que acontece quando se elege um candidato de extrema direita. É um efeito dominó”.
Nota do PT
Em nota, o PT comenta a ação para barrar a tramitação do projeto, diz que o novo texto “é um violento atentado à democracia brasileira” e alerta que é preciso manter a vigilância sobre o assunto.
Fonte: CUT Brasil 

FNSA intensifica ações para barrar a MP da Sede

Representantes de entidades que integram a Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental – FNSA – se reúnem em Brasília até quinta-feira (1/11) no combate à Medida Provisória 844/18, conhecida como MP da Sede e da Conta Alta, que prevê a privatização do saneamento.
Os trabalhadores participarão de reuniões com parlamentares para expor os riscos que a aprovação da MP representa. De acordo com organizações contrárias à iniciativa, é essencial derrubar a MP, pois ela favorece os interesses do capital privado e estrangeiro e, mais uma vez, penaliza os mais pobres.
A medida é mais um ataque promovido pelo ilegítimo governo de Michel Temer que modifica a lei 9.984/2000, que criou a Agência Nacional de Águas (ANA), e a lei 11.445/2007, que estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico.
A determinação afeta a titularidade dos municípios e o subsídio cruzado, um dispositivo que possibilita que cidades com menos recursos tenham acesso aos serviços essenciais de saneamento.
Para o secretário do Meio Ambiente da CUT, Daniel Gaio, essa investida de Temer, principal motivador do atual cenário de cortes de recursos de áreas essenciais como saúde e educação, é mais um ataque contra um direito humano básico do povo.
“Esta é mais uma atitude antidemocrática desse governo golpista, que até agora só agiu contra os interesses dos brasileiros. Se aprovada, vai piorar ainda mais a qualidade de vida da população. A CUT apoia a luta pelo saneamento e faremos o enfrentamento direto a essas medidas. Não podemos permitir que mais um direito seja retirado. Precisamos nos unir contra mais este ataque a um direito essencial da classe trabalhadora e de toda população”, explica o dirigente.
Nessa terça-feira (30), a MP foi discutida na Comissão Mista  do Senado Federal e, até a quinta-feira, novas mobilizações deverão acontecer.
 

Falta trabalho para 27,3 milhões e o único emprego que cresce é o informal

No Brasil da reforma Trabalhista do ilegítimo e golpista Michel Temer (MDB-SP), falta emprego para 27,3 milhões de pessoas e a geração de vagas formais de trabalho, com registro em carteira e direitos garantidos, estagnou e deu lugar a criação de postos informais, sem direitos e em condições precárias de trabalho.
É o que mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, divulgada nesta terça-feira (30). Segundo levantamento do trimestre encerrado em setembro, trabalhadores e trabalhadoras sem registro ou autônomos, ou seja, que trabalham por conta própria ou conseguiram uma vaga sem direito a 13º, FGTS, férias e salário fixo no final do mês, são responsáveis pela queda na taxa de desemprego de 12,4 para 11,9%.
Agora são 12,5 milhões de pessoas desempregadas no País, o que significa 474 mil pessoas a menos (-3,7%) em relação a junho. O nível de ocupação cresceu 1,5% no trimestre, com acréscimo de 1,384 milhão de pessoas no mercado de trabalho. No entanto, desse contingente a mais, 522 mil são empregados sem carteira no setor privado (4,7%), 432 mil são trabalhadores por conta própria (1,9%) e 88 mil sem carteira no setor público (3,6%).
“O problema maior desse avanço é que isso se deu em emprego sem carteira e por conta própria. É um resultado favorável, mas voltado para a informalidade e o aumento da subocupação”, comenta o coordenador de Trabalho e Rendimento do instituto, Cimar Azeredo.
Já os “subutilizados” aumentaram em 2,1% em um ano e somam 27,3 milhões. Esse total inclui os desempregados, pessoas que gostariam e precisam trabalhar mais e aqueles que desistiram de procurar emprego, os desalentados – 4,8 milhões de pessoas, ou 4,3% da força de trabalho do país.
Sem carteira
Em 12 meses, a participação dos empregados com carteira no total de ocupados caiu de 36,5% para 35,6%. Os sem carteira foram de 11,9% para 12,4% e os autônomos, de 25,1% para 25,4%.
O número de empregados com carteira assinada no setor privado caiu de 33,3 milhões para 32,9 no último ano, menos 327 mil vagas com direitos garantidos.
Os sem carteira aumentaram de 10,910 milhões para 11,511 milhões. E os trabalhadores por conta própria foram de 22,911 milhões para 23,496 milhões.
E a tendência é que aumente ainda mais a informalidade do mercado de trabalho, uma vez que o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), votou a favor da reforma Trabalhista, foi contra a PEC das Domésticas e a única proposta apresentada para combater o drama do desemprego no país foi a criação de uma carteira de trabalho “verde e amarela” com menos direitos trabalhistas.

Com Bolsonaro, combate ao trabalho escravo pode retroceder

No ano em que a Lei Áurea brasileira completa 130 anos e o país ainda luta para erradicar o trabalho escravo, o risco do combate a esse crime contra a classe trabalhadora ainda corre risco de retrocesso. Um dos principais conselheiros de Jair Bolsonaro (PSL), o ruralista Luiz Antônio Nabhan Garcia, compara o crime de trabalho escravo com simples irregularidades trabalhistas e defende a mudança no conceito do que é trabalho análogo à escravidão.
“Uma simples irregularidade trabalhista não pode ser transformada em trabalho escravo”, disse o fazendeiro e presidente União Democrática Ruralista (UDR), antes de reunião na casa do candidato de extrema direita com um grupo de cerca de 40 produtores rurais, relata reportagem de Cristiane Agostine, do jornal Valor Econômico.
O fazendeiro, cotado para comandar o Ministério da Agricultura em um eventual governo Bolsonaro, que tem muitos aliados no agronegócio, ignora o Código Penal brasileiro que define as condições atuais de escravidão. Não se trata de simples irregularidades trabalhistas e, sim, da exposição de trabalhadores e trabalhadoras a jornadas exaustivas e ambientes degradantes, ferindo a dignidade e a liberdade. A pena vai de dois a oito anos de prisão mais multa.
Segundo o Art. 149, do Decreto Lei nº 2.848, de 07 de dezembro de 1940, reduzir alguém a condição análoga à de escravo é submetê-lo a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto (redação dada pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003).
Para o ruralista aliado de Bolsonaro, que critica o combate ao trabalho escravo nos governos dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, do PT, a exposição de trabalhadores a condições degradantes e desumanas de trabalho é apenas uma questão econômica.
“Como é que quem está gerando emprego, produzindo, trabalhando, pagando imposto pode ser considerado escravagista? O que tivemos aí nos governos anteriores, em especial do PT, são instituições que foram transformadas em órgãos de perseguição ideológica. Isso não pode existir”.
“Essa analogia ao trabalho escravo tem de ser muito mais aprofundada”, disse Nabhan.

Trabalho escravo

Mais de 53 mil trabalhadores e trabalhadoras foram resgatados do trabalho escravo desde 1995, segundo o Ministério do Trabalho. No entanto, o número de autuações tem reduzido desde o golpe de 2016, que colocou no poder o golpista e ilegítimo Michel Temer, cuja equipe também já falou em rever o conceito de trabalho análogo à escravidão.
Em dezembro de 2017, Temer, inclusive, teve de voltar atrás e mudar o texto de uma Portaria do ex-ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, sobre as regras de combate ao trabalho escravo no país, editada em outubro, depois de críticas de organizações do mundo inteiro.
A Portaria de Nogueira, que saiu do Ministério para se candidatar a deputado federal pelo Rio Grande do Sul e perdeu a eleição, alterava conceitos de ‘trabalho forçado’, ‘jornada exaustiva’ e ‘condições análogas à de escravidão’.

Lista suja

Nogueira também tentou impedir a divulgação da lista com os nomes das empresas flagradas pelos auditores-fiscais do trabalho. Ele defendia que a inclusão da empresa na lista só poderia ser feita se a equipe fizesse um Boletim de Ocorrência (BO) e que só seria divulgada se ele autorizasse.
Quando assumiu, Temer impediu a divulgação da lista. Mas, em março de 2017, por decisão da Justiça, a lista voltou a ser divulgada.
A lista suja foi criada em 2003, durante o primeiro mandato de Lula, e transformou o Brasil em referência no combate ao trabalho escravo por expor publicamente empresas flagradas com trabalhadores em condições análogas à escravidão.
Fonte: CUT Brasil

Herzog, a censura e o passado sombrio que bate à porta

Vozes silenciadas e verdades ocultadas. Esse era o cenário imposto aos meios de comunicação na ditadura militar no Brasil. O árduo período, que se estendeu por mais de duas décadas, fez vítimas e deixou marcas dolorosas na vida de muitas pessoas. E nessas circunstâncias, há 43 anos, o jornalista Vladmir Herzog foi torturado e morto por militares. À imprensa, ficou o medo e a insegurança de exercer seu trabalho. Aos familiares, a dor da perda de um ente querido.
Além de jornalista, Herzog foi professor e cineasta. No dia 24 de outubro de 1975, aos 38 anos, foi convocado para apresentar-se ao Destacamento de Operações de Informação (DOI/CODI) para prestar depoimento sobre sua conexão com o Partido Comunista Brasileiro. No dia seguinte, foi encontrado enforcado em uma cela. Conforme o Laudo de Encontro de Cadáver expedido pela Polícia Técnica de São Paulo, Herzog se enforcara com uma tira de pano – a “cinta do macacão que o preso usava” – amarrada a uma grade a 1,63 metro de altura. Ocorre que o macacão dos prisioneiros do DOI-CODI não tinha cinto. Ele era retirado, juntamente com os cordões dos sapatos, segundo a praxe naquele órgão. No laudo, foram anexadas fotos que mostravam os pés do prisioneiro tocando o chão, com os joelhos fletidos – posição em que o enforcamento era impossível. Foi também constatada a existência de duas marcas no pescoço, típicas de estrangulamento.
O que assusta, porém, é a possibilidade real de tal panorama se repetir. A cada dia, mais profissionais de comunicação sofrem agressões ― sejam elas virtuais ou físicas. Paralelo aos ataques pessoais, a censura prévia também quer calar a liberdade de expressão de veículos independentes, um direito elementar em um Estado democrático.
De acordo com reportagem do El País, apenas neste ano, 137 profissionais de comunicação foram vitimas de alguma forma de agressão, todas em contexto político, partidário ou eleitoral.
Uma análise feita pela Organização Repórteres Sem Fronteiras constatou que, em uma lista de 180 países, o Brasil ocupa o 102º lugar, na classificação de liberdade de imprensa mundial. A observação apontou também que o ambiente de trabalho para jornalistas no país é cada vez mais instável.
No último dia 20, fiscais do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) invadiram a sede do Sindipetro-NF (Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense), em Macaé (RJ), e apreenderam exemplares do tablóide especial sobre as eleições do Portal Brasil de Fato. A justificativa para tal ato era que o material cotinha matérias pejorativas contra o candidato à presidência, Jair Bolsonaro (PSL).
Vale ressaltar que os ataques a jornalistas partem, principalmente, dos apoiadores de Bolsonaro, que vêem em seu candidato a legitimação do ódio e da intolerância ao diferente. É o capitão reformado também o político que mais acionou o Judiciário este ano para silenciar a oposição. Ao todo, são 23 ações movidas por ele para tentar retirar de circulação notícias negativas e posts críticos. Uma das ações é contra o jornal Folha de São Paulo, que denunciou que um grupo de empresários – entre eles Luciano Hang, dono da Havan – está contratanto empresas para disparar fake news contra o PT para a campanha de Jair Bolsonaro (PSL). Segundo a reportagem, os contratos chegam a R$ 12 milhões e fomentaram uma grande campanha de ódio contra o PT.
Outra prática de censura que também pode ser notada nas ações do candidato é a ausência aos debates propostos por veículos diversos e a concessão de entrevista apenas a jornalistas escolhidos por ele. Na terça (23), ao ser entrevistado pela Rádio Guaíba, Bolsonaro exigiu que as perguntas fossem feitas apenas pelo âncora do programa. Já os demais comunicadores da programação deveriam ficar calados. Não suportando tal situação, o jornalista Juremir Machado pediu demissão. “Achei humilhante e, por isso, estou saindo do programa. Foi um prazer trabalhar aqui por 10 anos”, disse ao vivo o profissional.
Na avaliação do secretário-geral da CUT Brasília, Rodrigo Rodrigues, o momento é critico e exige, mais que nunca, resistência. “Não podemos deixar que nos calem. Não podemos ser intimidados por quem defende a censura, a expulsão do país daqueles que pensam diferente. Vivemos em um país democrático e temos que fazer valer nossa democracia”, disse.
A coordenadora-executiva do FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação) e do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, Bia Barbosa, lembra que os únicos veículos de comunicação que não estão sendo atacados por Bolsonaro são justamente os que vêm exercendo ilegalmente o uso de concessões de rádio e televisão para favorecer deliberadamente o presidenciável.
“O FNDC e o Intervozes protocolaram semana passada uma representação no Ministério Público Eleitoral contra a Record e a Bandeirantes e contra uma concessionária do SBT no Pará, por campanha aberta em favor do candidato Jair Bolsonaro, já que a lei eleitoral impede que os concessionários de serviço público de radiodifusão exerçam favorecimento no processo eleitoral”, disse Bia Barbosa.
Segundo ela, “a comunicação alternativa, comunitária, popular, sindical, tem sido central para disseminar a contra narrativa de tudo isso que está acontecendo”. “Sem dúvida, a gente precisaria ter um sistema de comunicação público muito mais fortalecido para frente a esse tipo de problema.”
Fonte: CUT Brasília

ARTIGO | Eventos recentes e a metáfora com o Brasil

*Por Rodrigo Rodrigues
Nessa segunda-feira (22), a chama do Panteão da Pátria na Praça dos Três Poderes voltou a ser acesa. A estrutura, criada em 1986 para simbolizar a “chama eterna da democracia”, estava apagada desde agosto de 2016 devido a um vazamento de gás. Nessa mesma data, Michel Temer se apossou da presidência da República, através de um golpe parlamentar-jurídico-midiático, e deu início no Brasil ao desmonte do sistema de governo em que o povo exerce a soberania.
Seria então o reacendimento da pira uma metáfora para os dias sombrios que vivemos? Ainda é cedo para saber. Às vésperas do segundo turno das eleições, onde democracia e autoritarismo estão representados respectivamente pelos candidatos Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL), a chama que voltou a ser acesa pode significar no imaginário social a resistência de centenas de milhares de brasileiros que lutam contra a ascensão de um governo que defende a tortura, o fim do ativismo, o extermínio de todos os direitos.
Por mais que as pesquisas de intenção de voto indiquem vantagem para aquele que sempre soprou para que a “chama eterna da democracia” se apagasse, o suor e o sangue de negros, índios, proletariados, mulheres, LGBTIs, pessoas com deficiência são como gasolina diante de tal chama. Por mais obscenos que sejam os processos para colocar esse combustível na reserva, com presença de fraude eleitoral e manipulação maquiavélica em parceria com multinacionais, a “chama da democracia” persiste em ficar acesa, independente de qualquer vendaval.
Nós da CUT Brasília sempre lutamos e continuaremos lutando incessantemente para que a “chama eterna da democracia” nunca se apague; para que ela se expanda e consiga tirar do obscurantismo aqueles que encontram no opressor a saída para a opressão; para que a corrupção, a concentração de renda, a exploração da classe trabalhadora possam ser desacobertadas e banidas. Esperamos e acreditamos de fato que a chama do Panteão da Pátria na Praça dos Três Poderes indique, ainda que metaforicamente, dias melhores. Persistiremos na resistência, mantendo acesa a chama eterna da democracia que há em cada um de nós.
*Rodrigo Rodrigues é professor da rede pública de ensino do DF e secretário-geral da CUT Brasília

Atos contra Bolsonaro são resposta ao “fim do ativismo” defendido pelo presidenciável

No último sábado (20), centenas de milhares de mulheres e homens voltaram às ruas com o grito “Ele Não”, contra Jair Bolsonaro, candidato à presidente do Brasil. Desta vez, elas unificaram o discurso em torno de um único nome: Fernando Haddad (PT), o professor que disputa o segundo turno dessas eleições presidenciais com o capitão reformado do Exército. Longe de ser uma escolha por identificação partidária, o ato trouxe como tônica a defesa da democracia e dos direitos conquistados pelo conjunto da sociedade, inclusive o de exercer o ativismo.
“Os atos realizados dentro e fora do Brasil são uma resposta clara aos ataques de Bolsonaro não só contra as mulheres, mas também contra indígenas, LGBTIs, negros e a classe trabalhadora em geral. Mais que retirar direitos, Bolsonaro quer calar cada um de nós; quer nos proibir de ir às ruas, e não tem pudor ao dizer isso. E tirar de nós o direito do ativismo, seja ele qual for, é blindar o Estado de qualquer participação social e, consequentemente, acabar com a democracia”, avalia o secretário-geral da CUT Brasília, Rodrigo Rodrigues.
O dirigente sindical se refere ao pronunciamento de Bolsonaro no último 7 de outubro, logo após o resultado do primeiro turno das eleições, quando ele foi categórico ao afirmar: “Vamos botar um ponto final em todos os ativismos do Brasil”.
A declaração, que é claramente uma afronta à Constituição Federal, foi rebatida pelas organizações da sociedade civil e movimentos sociais. Uma nota de repúdioassinada por mais de 4 mil organizações desse tipo afirma que “trata-se de uma ameaça inaceitável à nossa liberdade de atuação”. “Não será apenas a vida de milhões de cidadãos e cidadãs ativistas e o trabalho de 820 mil organizações que serão afetados. Será a própria democracia brasileira. E não há democracia sem defesa de direitos”, diz a nota.
O documento, publicado no dia 15 de outubro, lembra ainda que “foi por meio do trabalho ativista de tantas entidades que o Brasil conquistou, por exemplo, leis como a do combate ao racismo e de enfrentamento à violência contra as mulheres; políticas públicas como o seguro desemprego e o financiamento estudantil; programas de combate ao desmatamento e de proteção dos animais; a Lei antifumo e a Lei da Ficha Limpa, que nasceu da iniciativa da sociedade civil para combater a corrupção nas mais diferentes esferas no país”.
Números não abalam a resistência
As pesquisas de intenção de voto vêm apontando Bolsonaro como favorito. Questionáveis, os estudos parecem não ter arrefecido os ânimos daqueles que lutam por um Brasil que não permite a ditadura, a tortura, os privilégios e a ausência de direitos.
A bibliotecária Jurema da Silva, de 35 anos, se somou às milhares de pessoas que realizaram o ato “Mulheres pela verdade e pela democracia”, realizado nesse sábado (20) no DF. Para ela, que é mulher e negra, é essencial que “a gente siga resistindo e nunca baixe a cabeça para o opressor”. “Desde sempre a construção social que vivemos mostrou que se eu não mantivesse minha resistência, eu teria que sucumbir. Sempre sofri racismo, desde a infância, então sempre tive que me manter firme. Não vou mentir, tenho muito medo de que ele (Bolsonaro) seja eleito e que esses ataques, como agressões e até mortes daqueles que se colocam contrários ao que ele pensa, se intensifiquem. Mas eu espero que a gente siga resistindo”, afirma.
Tais números que mostram a maioria da população com Jair Bolsonaro também perdem a solidez quando desmascarados os processos obscenos que os geraram. Reportagem do jornal Folha de São Paulo publicada no último dia 18, denunciou que a campanha de Bolsonaro foi construída ilegalmente com o apoio de mega-empresários.
A estratégia foi a seguinte: as empresas compram de agências – como a QuickMobile, Yacows, Croc Services e SMS Market – um serviço chamado “disparo em massa”, usando a base de usuários do candidato ou bases vendidas por agências de estratégia digital, o que também é ilegal. Então, disparou-se para essas pessoas, via WhatsApp, uma série de notícias falsas – as chamadas fake news – contra o PT, como a divulgação do Kit Gay para alunos do ensino básico, por exemplo. Segundo a reportagem, as doações ilegais de um só empresário chegam a R$ 12 milhões.
Para a coordenadora-executiva do FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação) e do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, Bia Barbosa, “essas eleições estão sendo muito influenciadas essencialmente pela internet, nas redes sociais, com as fake news sendo disseminado em massa”. Entretanto, ela destaca que a mídia tradicional também vem exercendo ilegalmente o uso de concessões de rádio e televisão para favorecer deliberadamente Jair Bolsonaro.
“O FNDC e o Intervozes protocolaram nessa semana uma representação no Ministério Público Eleitoral contra a Record e a Bandeirantes e contra uma concessionária do SBT no Pará, por campanha aberta em favor do candidato Jair Bolsonaro, já que a lei eleitoral impede que os concessionários de serviço público de radiodifusão exerçam favorecimento no processo eleitoral”, disse Bia Barbosa.
Segundo ela, “a comunicação alternativa, comunitária, popular, sindical, tem sido central para disseminar a contra narrativa de tudo isso que está acontecendo”. “Sem dúvida, a gente precisaria ter um sistema de comunicação público muito mais fortalecido para frente a esse tipo de problema.”
Fonte: CUT Brasília / Foto: PT-DF

Bolsonaro diz que quem pensa diferente dele terá duas opções: cadeia ou exílio

O candidato à presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) ameaçou neste domingo (21) com prisão ou exílio as pessoas que pensam diferente do seu discurso autoritário, racista, machista e homofóbico. Em vídeo transmitido a apoiadores de sua candidatura que se concentravam na Avenida Paulista, em São Paulo, o capitão reformado prometeu uma “faxina” e disse que a “petralhada”, termo pejorativo com que identifica todos os que discordam de seus posicionamentos, “não terão mais vez”.
Ele também atacou movimentos sociais e ONGs e disse que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mantido como preso político na sede da Polícia Federal, em Curitiba, vai “apodrecer na cadeia”. Bolsonaro também ameaçou com prisão o seu adversário no segundo turno das eleições 2018, Fernando Haddad (PT).
“A faxina agora será muito mais ampla. Essa turma, se quiser ficar aqui, vai ter que se colocar sob a lei de todos nós. Ou vão pra fora ou vão para a cadeia. Esses marginais vermelhos serão banidos de nossa pátria”, ameaçou Bolsonaro, que mais uma vez combinou um suposto discurso patriótico com exaltação violenta contra adversários políticos. “Essa pátria é nossa. Não é dessa gangue que tem uma bandeira vermelha”.
O candidato, acusado de se beneficiar de um esquema criminoso e milionário de caixa 2 bancado com dinheiro ilegal por uma rede de empresários, também bradou contra a corrupção, ameaçando Lula, Haddad, e também o senador Lindbergh Farias (PT-RJ). “Você vai apodrecer na cadeia. E brevemente você terá Lindbergh Farias (senador do PT) para jogar dominó no xadrez. Aguarde, o Haddad vai chegar aí também. Mas não será para visitá-lo, não, será para ficar alguns anos ao teu lado.”
“Petralhada, vai tudo vocês para a ponta da praia. Vocês não terão mais vez em nossa pátria”, afirmou o candidato em mais uma declaração autoritária e anti-democrática. “Não terão mais ONGs para saciar a fome de mortadela de vocês”, continuou Bolsonaro, se mostrando, mais uma vez, preconceituoso e despreparado para unir o Brasil.
Ele também prometeu tratar como atos terroristas ações do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) e do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). “Vocês, petralhada, verão uma Polícia Civil e Militar com retaguarda jurídica para fazer valer a lei no lombo de vocês”, ameaçou.
“Bandidos do MST, bandidos do MTST, as ações de vocês serão tipificadas como terrorismo. Vocês não levarão mais o terror ao campo ou às cidades.”
Confira trechos do discurso:
https://www.facebook.com/Brasil247/videos/341398209768056/
 

Na reta final da eleição, Haddad encosta em Bolsonaro, aponta pesquisa CUT/Vox

Na reta final do segundo turno das eleições, cai a diferença entre as intenções de votos nos candidatos a presidente da República Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL).
É o que revela pesquisa CUT-Vox Populi realizada nos dias 16 e 17, antes das denúncias de caixa 2 na campanha de Bolsonaro, divulgada nesta sexta-feira (19)
No cenário estimulado da pesquisa, Bolsonaro aparece com 44% das intenções de votos – 53% dos votos válidos, que exclui brancos/nulos e indecisos -; Haddad tem 39% – 47% dos válidos.
Considerada a margem de erro da pesquisa (2,2%) a diferença entre os dois candidatos pode checar a menos de 2%.
Neste cenário, o percentual dos que declararam que não vão votar em ninguém, vão votar em branco ou anular é de 12%. Outros 5% não sabem ou não responderam.
Haddad mantém a liderança na Região Nordeste, onde tem  57% das intenções de votos; entre as mulheres (42%), entre os eleitores com ensino fundamental (44%), e os quem ganham até 2 salários mínimos (45%)
Cenário espontâneo
Na simulação espontânea, Bolsonaro tem 43% das intenções de votos, 54% dos votos válidos, que exclui os brancos e nulos, contra 37% de Haddad, que alcança 46% dos votos válidos.
Neste cenário, 12% dos entrevistados declararam que não vão votar em ninguém, vão votar em branco ou anular.  Outros 8% não souberam ou não quiseram responder.
O Nordeste é a Região onde Haddad tem mais intenção de votos do que seu adversário – 55% a 27%. O candidato do PT também é o mais votado entre as  mulheres (39%), eleitores com até o ensino fundamental (42%) e entre os que ganham até 2 salários mínimos (43%).
Segundo a pesquisa CUT-Vox, 89% dos entrevistados estão decididos a votar e não pretendem mudar de ideia até o dia 28 de outubro. Outros, 8% dizem que podem mudar a intenção de voto e 3% não têm nada decidido ainda e pode mudar de ideia até amanhã.
Entre os que declararam voto em Haddad, 90% estão decididos e não pretendem mudar, 9% podem mudar e 2% não têm nada decidido ainda e podem mudar até amanhã. A região onde está mais consolidado o voto em Haddad é a Nordeste, onde 89% declararam que não vão mudar a intenção de votar no petista.
Entre os eleitores de Bolsonaro, 93% estão decididos e não vão mudar a intenção de votar no candidato de extrema direita. Outros 6% dizem que é uma possibilidade, mas ainda podem mudar e 1% não tem nada decidido. A região Sudeste é onde o voto em Bolsonaro está mais com solidado: 91% dos eleitores afirmaram que estão decididos a votar no candidato do PSL e que não vão mudar a intenção até o dia da eleição.
Metodologia
A pesquisa CUT-Vox Populi foi realizada nos dias 16 e 17 de outubro. Foram feitas 2.000 entrevistas, em 120 municípios, com pessoas com 16 anos ou mais, residente em áreas urbanas e rurais, de todos os estados e do Distrito Federal, em capitais, regiões metropolitanas e no interior, de todos os estratos socioeconômico.
A margem de erro é de 2,2%, estimada em um intervalo de confiança de 95%
 

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