Com Temer, doenças erradicadas voltam ameaçar população brasileira

Mesmo erradicadas há anos no Brasil, doenças contagiosas, como o sarampo e a poliomelite, voltaram a ser motivo de preocupação entre as autoridades sanitárias, profissionais de saúde e a população. Em 2016, ano do golpe que tirou do governo uma presidenta democraticamente eleita – Dilma Rousseff, os municípios tiveram a menor taxa de vacinação e apenas 43,1% das cidades atingiram a meta recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Nas redes sociais, as justificativas para os retrocessos são as campanhas virtuais contrárias às vacinas e a imigração venezuelana na região Norte do País. Já para o ex-ministro da Saúde dos governos petistas, Alexandre Padilha, o desmonte do Sistema Único de Saúde (SUS) promovido pelo governo golpista e ilegítimo de Michel Temer (MDB-SP) é a única explicação para o retorno dessas doenças.
Ele cita a PEC do Teto dos Gastos, que congelou os investimentos públicos por 20 anos, como uma das iniciativas mais nocivas contra a atenção básica de saúde. “Teve um impacto muito grave não só por contenção de recursos do governo, mas porque estados e municípios sabem que não vão ter a contrapartida federal nos próximos anos, então deixam de investir e situações como a volta de doenças contagiosas viram realidade novamente”, explica.
Para justificar o retorno do surto de doenças erradicadas, o Ministério da Saúde relacionou a escalada do sarampo à passagem de refugiados venezuelanos pelas fronteiras da região Norte. O ex-ministro da Saúde esclarece que o país vizinho é mesmo um dos quatro onde o vírus circula atualmente, porém refuta a explicação de que a imigração é o único e verdadeiro problema.
“Nós tivemos surtos de sarampo por imigração que foram rapidamente controlados, porque existia a atenção básica de saúde funcionando, a Vigilância [Sanitária] funcionando, as vacinas oferecidas”, diz.
A afirmação do ex-ministro dialoga com os dados oficiais sobre a vacinação no País. No ano passado, todas as vacinas disponibilizadas pela rede pública ficaram abaixo da meta de 95% recomendada pela OMS. Em 2016, apenas 43,1% dos municípios atingiram a meta. A Bahia e o Maranhão são as cidades que menos imunizaram seus moradores nos últimos anos. Apenas 15% da população foi vacinada, segundo informações do Ministério da Saúde.
É também a primeira vez em 16 anos que a meta anual de imunização do sarampo não foi alcançada. A tríplice viral só chegou a 83,9% de cobertura e em 312 municípios do País a taxa de vacinação ficou abaixo dos 50%. Em 2011, a cobertura para ambas as doenças – sarampo e poliomelite – era de 100%.
Fim do Programa de Estratégia Saúde da Família
Segundo a diretora executiva da CUT, Juliana Salles, além dos impactos com a redução de investimentos na área da saúde, as coisas podem piorar ainda mais com a última canetada do ilegítimo Temer, que praticamente decretou o fim do Programa de Estratégia Saúde da Família (ESF).
De acordo com a Portaria nº 1717/2018, do Ministério da Saúde, serão descredenciados do programa mais de quatro mil equipes da Saúde da Família, o que deixará cerca de 15 milhões de pessoas sem o acesso ao serviço básico de saúde.
“Estão acabando com os agentes comunitários de saúde, que fazem o porta a porta na casa das famílias e alertam os munícipes sobre as campanhas e os riscos à saúde caso não se vacinem”, denuncia Juliana, que também é médica.
A dirigente da CUT explica, ainda, que a justificativa de que há uma forte campanha para boicotar a vacinação não é suficiente para explicar o atual cenário.
“Há uma forte influência mundial dos naturalistas em boicotar vacinas, como é o caso da Europa, onde o sarampo também voltou. Aqui no Brasil, porém, dados de médicos brasileiros comprovam que são os mais pobres que não estão se vacinando e que nada tem a ver com este movimento antivacina”, esclarece a diretora da CUT.
Doenças já tinham sido erradicadas
No mês de junho, o Ministério da Saúde informou haver alto risco de retorno da poliomielite em pelo menos 312 cidades brasileiras. A doença era considerada erradicada no continente desde 1994, após décadas provocando milhares de casos de paralisia infantil.
O sarampo, considerado extinto desde os anos 2000, também voltou a assustar a população. Entre 1º de janeiro e 23 de maio deste ano, foram registrados 995 casos de sarampo no País (611 no Amazonas e 384 em Roraima), incluindo duas mortes, segundo dados da OMS.
Em 2016, o Brasil recebeu o certificado de eliminação da circulação do vírus do sarampo pela OMS, declarando a região das Américas livre da enfermidade. Porém, desde o início do ano, a incidência de casos da doença voltou a acontecer, principalmente na região Norte do País.
Campanha vacinação
Para a secretária Nacional de Saúde do Trabalhador da CUT, Madalena Margarida da Silva, a volta da circulação do vírus é preocupante e precisa ser enfrentada com uma campanha que chegue para todo mundo.
“Precisamos que haja uma campanha massiva de vacinação, de modo que chegue a todos os lugares do Brasil. Porém, além disso, precisamos mobilizar toda a população para revogar a PEC do Teto, que, se durar mesmo os 20 anos, iremos viver dias piores no próximo período”, afirma Madalena.
“As eleições estão aí e precisamos escolher candidatos que estejam comprometidos com a vida dos trabalhadores e das trabalhadoras. A CUT já tem candidato, porque Lula já disse que vai revogar todas as medidas maldosas destes golpistas e voltará a investir no Brasil e na saúde dos brasileiros”, finalizou Madalena.
Vacine-se
Entre os dias 6 e 31 de agosto, a “Campanha de Vacinação Contra o Sarampo e a Paralisia Infantil” para crianças e adultos estará em todos os estados do País. Alguns estados das regiões Norte e Nordeste, onde a situação é mais grave, já começaram a imunizar a população.
“É uma ação coletiva e é muito importante que os adultos e as crianças, públicos alvos da campanha, vão se vacinar. Só com 95% da sociedade vacinada é que poderemos segurar um possível surto da doença, que, junto com o golpe, só veio atrasar ainda mais o País”, explica a diretora executiva da CUT, Juliana Salles.
“Caso contrário, basta ter uma única pessoa não vacinada em uma cidade para que o vírus, trazido por um infectado, consiga chegar a ela.”
Sarampo
O sarampo é uma doença infecciosa aguda, de natureza viral, grave, transmitida pela fala, tosse e espirro, e extremamente contagiosa, mas que pode ser prevenida pela vacina.
A tríplice viral, vacina que protege contra o sarampo, a caxumba e a rubéola, é uma das 14 vacinas oferecidas de graça pelo Programa Nacional de Imunizações. Ela deve ser tomada na infância e em duas doses: a primeira com 12 meses e a segunda com 15 meses. Na segunda dose, a vacina recebe um reforço contra uma quarta doença, a varicela, infecção viral altamente contagiosa que causa a catapora.
Caso não tenha sido imunizada na idade correta, qualquer pessoa até os 49 anos poderá tomar a tríplice viral em uma única dose. Não devem receber a vacina: casos suspeitos de sarampo, gestantes – devem esperar para serem vacinadas após o parto -, menores de 6 meses de idade e imunocomprometidos.
Sintomas da doença
Febre alta, acima de 38,5°C;
Dor de cabeça;
Manchas vermelhas, que surgem primeiro no rosto e atrás das orelhas, e, em seguida, se espalham pelo corpo;
Tosse;
Coriza;
Conjuntivite;
Manchas brancas que aparecem na mucosa bucal conhecida como sinal de koplik, que antecede de 1 a 2 dias antes do aparecimento das manchas vermelhas.
Poliomielite
A poliomielite, também chamada de paralisia infantil, é uma doença infectocontagiosa causada pelo poliovírus. Ela geralmente ocorre em crianças de até 5 anos, mas pode surgir em adultos que não tomaram a vacina. A poliomielite é uma doença muito grave que pode levar à paralisia dos membros inferiores e, no pior dos casos, à morte dos portadores.
Sintomas da doença
O período de incubação do vírus é de uma a duas semanas. No entanto, ele pode chegar a um mês. Os sintomas da poliomielite surgem cerca de três dias depois de contraído o vírus, sendo que os principais são:
Febre baixa;
Diarreia;
Fadiga;
Náuseas e vômitos;
Dor abdominal;
Dor de cabeça e garganta;
Dor nos membros;
Mal-estar.

Temer quer fazer população pagar pela limpeza urbana nas contas de água e esgoto

A Medida Provisória (MP) 844/2018 – ‘MP do Saneamento’ -, enviada ao Congresso Nacional pelo governo ilegítimo e golpista de Michel Temer (MDB-SP), prevê, além da privatização do saneamento básico do País, que as tarifas de limpeza urbana, como a coleta do lixo, sejam cobradas nas contas de água e esgoto dos brasileiros. Em caso de não pagamento, tanto a limpeza urbana como a água e o esgoto poderão ser cortados pelas empresas privadas prestadoras dos serviços, mas o governo não especifica como seria feito esse corte.
A MP também inclui um artigo que deverá pressionar as prefeituras a criarem tarifas de lixo – o que atualmente é feito em apenas 4% das cidades, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública (Abrelpe). De novo, a medida não esclarece como essas cobranças seriam feitas nem mesmo o controle do serviço.
Caso a MP seja aprovada, além das taxas à população, os municípios que são os responsáveis pelo próprio saneamento básico serão obrigados a abrir uma concorrência para permitir a entrada de empresas privadas para prestar o serviço público.
“Na prática, a medida prevê a privatização do saneamento básico no Brasil”, critica Edson Aparecido da Silva, assessor de saneamento da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU).
Para ele, todo processo de privatização do serviço público leva, inevitavelmente, prejuízo à população, pois o setor privado visa apenas o lucro. “Com isso, além de cobrar a taxa urbana de limpeza nas contas dos brasileiros, certamente haverá aumento de tarifas”, alerta.
Segundo Edson, a MP poderá também impedir a prática do subsídio cruzado – mecanismo em que os municípios superavitários subsidiam os deficitários e, assim, custeiam os investimentos nesses municípios menores.
“A política de Temer é excluir pessoas de baixa renda do processo de desenvolvimento e bem-estar. Por isso, a FNU lutará para que a MP seja rejeitada no Congresso”, enfatiza.
Mais polêmicas
Outro ponto polêmico da MP é o que transforma a Agência Nacional de Águas (ANA) em uma agência reguladora federal de saneamento, uma vez que a Constituição diz que o saneamento básico é uma prerrogativa dos municípios.
Os especialistas da área criticam também a pressa do governo golpista em privatizar o serviço por meio de uma Medida Provisória e não por um Projeto de Lei, que permitiria uma discussão com a sociedade e os municípios sobre os impactos econômicos da decisão.
O prazo inicial de vigência de uma MP é de 60 dias e é prorrogado automaticamente por igual período, caso não tenha sua votação concluída nas duas Casas do Congresso Nacional. Se não for apreciada em até 45 dias, contados da sua publicação, entra em regime de urgência, se sobrepondo a todas as demais deliberações legislativas do Congresso que estiverem em tramitação.
Já um Projeto de Lei (PL) levaria mais tempo para ser aprovado e seria discutido com a sociedade em geral.
Resistência contra a privatização
Em repúdio a mais essa entrega de Temer ao capital privado, a bancada do PT lançou nesta quinta-feira (12) uma nota de repúdio à ‘MP do Saneamento’. Com isso, o Partido dos Trabalhadores se aliou a inúmeras entidades nacionais do setor que já se pronunciaram contrárias à medida, como a Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), para derrotar mais esta proposta entreguista e antipopular do ilegítimo Temer, que pode privatizar o saneamento básico do País.
O líder do PT na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (PT-RS), encaminhou requerimento ao presidente do Congresso Nacional, Eunício Oliveira (PMDB-CE), para que a MP 844/2018, enviada no dia 6 de julho, seja devolvida ao governo golpista por não conter, objetivamente, todos os requisitos exigidos pela Constituição Federal.
Segundo o ofício enviado por Pimenta, as medidas provisórias precisam necessariamente ser justificadas por “inegável e irremediável relevância e urgência”. Porém, um dos pontos da proposta determina que algumas medidas entrem em vigor somente daqui há três anos, o que, segundo o parlamentar, contradiz o caráter de urgência e demonstra a sua “flagrante inconstitucionalidade.”
Além da bancada do PT, o deputado federal Danilo Cabral (PSB-PE) também se posicionou sobre a medida e entrou com uma ação popular na 2ª Vara Federal do Recife (PE) para tentar impedir mais este retrocesso.
A MP também poderá será alvo de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade preparada para ser enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) por entidades de saneamento e agências reguladoras, como a FNU, Associação Nacional de Empresas Estaduais de Saneamento (AESB), Associação Nacional de Prestadores Municipais de Serviço de Saneamento (ASSEMAE) e a Frente Nacional do Saneamento (FNS).
Diga NÃO à MP do Saneamento: vote na consulta pública do Senado
O Senado Federal abriu Consulta Pública sobre a ‘MP do Saneamento’, que altera o marco legal do saneamento básico e a Lei nº 9.984, de 17 de julho de 2000, para atribuir à Agência Nacional de Águas competência para editar normas de referência nacionais sobre o serviço de saneamento.
Para votar NÃO, clique aqui.
Dia do Basta – 10 de agosto
Para dar um basta às privatizações e aos desmandos provocados pelo ilegítimo governo de Temer, a CUT e demais centrais sindicais – Força Sindical, CTB, UGT, Intersindical, NCST e CSP-Conlutas – promovem o Dia do Basta, em 10 de agosto (sexta-feira).
Além de paralisações em locais de trabalho por todo o País, um grande ato será realizado, a partir das 10h, na Avenida Paulista, em frente à Fiesp, em São Paulo, para marcar a mobilização da classe trabalhadora, que exige o fim do ataque aos direitos.

Contracs celebra conquistas e reafirma necessidade de luta

Em reconhecimento a capacidade de luta e unidade da maior confederação de trabalhadores no comércio e serviços do país, a Contracs/CUT, diversas categorias prestigiaram a sessão solene que comemorou os 28 anos da entidade. A atividade, de iniciativa da deputada federal Erika Kokay, foi realizada nesta sexta-feira (13) na Câmara dos Deputados.
No evento, além de parlamentares, dirigentes sindicais dos mais diversos ramos relembraram as conquistas e reafirmaram a resistência aos atuais enfrentamentos.
Segundo o secretário de Coordenação Administrativa e Política da Contracs, Luiz Saraiva, a sessão solene é uma honra. “Para nós, é uma satisfação perceber que o trabalho em conjunto está surtindo efeitos. Foram anos de muita luta e resultados muito significativos. Se somos hoje a maior representação de comerciários e comerciárias no país, é graças ao empenho e participação de todos. Somos uma confederação formada por trabalhadores em prol de trabalhadores. Agradecemos a iniciativa da deputada e a todos que contribuíram para sermos uma entidade combativa e atuante”, disse.
A importância da Contracs e da categoria que ela representa pode ser comprovada através de números. Somente no ano passado, o setor de comércio e serviços foi responsável por 63% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.
Para o técnico do Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese), Max Leno, diante desse quadro é fundamental pesquisar e analisar a maior área econômica do país, principalmente no período posterior ao golpe e a reforma trabalhista. “As medidas impostas pelo governo Temer têm criado dados negativos para os comerciários. Por isso, as pesquisas servem como alternativas para fortalecer a luta e reverter a atual situação”, afirmou o analista ao reforçar que “o Dieese se coloca à disposição de todas as categorias”.
Para Maria Isabel, presidenta do Sindicato dos Trabalhadores Terceirizados no Distrito Federal, Sindserviços/DF, uma das entidades filiadas à Contracs, é essencial lutar para manter e avançar nas conquistas. “Fico emocionada, pois, desde o início acompanhei o surgimento da confederação. Porém, precisamos nos manter fortes na luta, pois o golpe veio com o apoio dessa Casa (Câmara Federal) e o povo deixou de ter voz aqui dentro. Tenho certeza que essa confederação e seus sindicatos continuarão a lutar com todas as forças para manter nossas conquistas e garantir avanços”, ressaltou.
A proponente da homenagem, deputada Erika Kokay (PT/DF), reconhece a Contracs como uma entidade fundamental na defesa dos direitos, não apenas daqueles que estão vinculados a entidades que fazem parte da confederação, mas, a todo o conjunto da classe trabalhadora brasileira.
“A Contracs está, todos os dias, no Congresso, buscando desativar as bombas que o patronato tenta impor aos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. Não apenas, buscando a revogação da reforma trabalhista, mas, impedindo que haja o aprofundamento da retirada de direitos trabalhistas e sociais”, disse a parlamentar.
Para o secretário de Administração e Finanças da CUT Brasília e dirigente do Sindecat-DF – Sindicato dos Empregados no Comércio Atacadista do Distrito Federal -, Julimar Roberto, além de um dia para celebrar, a data é também de reflexão e resistência. “A Contracs nasceu no seio da Central Única dos Trabalhadores e surgiu da necessidade de uma representação nacional dos ramos do comércio e serviços, por isso, temos um imenso orgulho em fazer parte dessa confederação. Sinto-me honrado, porque também sou comerciário e tive vários embates ao lado da confederação. Vamos continuar intensificando o combate pelos direitos dos comerciários e comerciárias, e de toda a classe trabalhadora, contra os ataques do governo golpista e em defesa de Lula”, enfatizou.
O presidente da Contracs, Alci Matos, relembrou as conquistas. “Fizemos um combate histórico contra a abertura dos estabelecimentos comerciais aos domingos, medida defendida pelos empresários sob a falácia de que geraria novos empregos. Nossa unidade ganhou esse embate e agora precisamos reforçar o enfrentamento contra a nefasta reforma trabalhista, que só aumentou a exploração da mão de obra, e pela equiparação dos salários dos empregados domésticos, a diminuição jornada e fim do trabalho aos domingos. Não  vamos parar por aqui. Avante companheirada”, conclamou.
História da Contracs
Em 1990, a Central Única dos Trabalhadores reuniu os sindicatos de comerciários do Piauí, Maranhão, Minas Gerais, Espírito Santo e Santa Catarina e, juntos, fundaram o Departamento Nacional de Comerciários, o DNC. A iniciativa partiu da necessidade de uma estrutura de organização para os ramos de comércio e serviços que, na época, não possuíam representação unificada a nível nacional.
Após três anos, em 1993, no 2° Congresso do Departamento Nacional de Comerciários, realizado de 27 a 29 de janeiro, em Vitória, ES, foi inaugurada uma nova fase da instituição. Nascia então a CONTRACS – Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços da CUT.

LDO 2019 | Vitória do funcionalismo público

Graças à unidade dos servidores e à rápida resposta das entidades sindicais representativas do funcionalismo público, o Congresso Nacional retirou do texto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2019 o art. 92-A, que proibia a concessão de reajuste salarial e dos benefícios aos servidores públicos federais, além da criação de cargos e a realização de concursos públicos.
O dispositivo foi rejeitado por 209 votos a 45 na Câmara, com três abstenções, e em votação simbólica no Senado. A LDO 2019, aprovada na quarta-feira (11), segue para sanção presidencial.
Na avaliação do secretário-geral do Sindsep-DF, entidade que representa os servidores públicos federais no DF, Oton Pereira Neves, a vitória só foi possível devido a forte mobilização do funcionalismo dos três poderes, em conjunto com a ação dos sindicatos e das centrais sindicais. Ele destacou ainda, a atuação da bancada do Partido dos Trabalhadores no Congresso, que apresentou o destaque que retirou o art. 92 do projeto da LDO 2019.
“Enfraquecer o serviço público integra as metas do governo golpista de Temer e seus aliados para retirar direitos e conquistas da classe trabalhadora. Vencemos uma batalha, mas a guerra continua. Temos que permanecer unidos e mobilizados para derrubar a EC 95 e a Portaria 193, e fortalecer o serviço público”, afirmou.
“Tivemos uma grande vitória. Conseguimos derrotar o governo que queria congelar o salário de servidores e o ingresso de novos profissionais no serviço público. Ao atacar os servidores, o governo ataca o povo brasileiro, tendo em vista que o servidor público executa políticas públicas fundamentais para a sociedade. O caminho é continuarmos lutando para que tenhamos a valorização dos servidores e possamos fazer desse país uma grande nação”, avaliou a deputada federal (PT-DF) Erika Kokay.

Temer põe em risco milhares de empregos com vendas da Embraer e da Braskem

A decisão do governo golpista e ilegítimo de Michel Temer (MDB-SP) de aprovar a venda da Embraer pode tirar o emprego direto e indireto de pelo menos 20 mil trabalhadores, sobretudo de engenheiros, no Vale do Paraíba, região da cidade de São José dos Campos, onde a fábrica está instalada. Os compradores norte-americanos da Boeing podem simplesmente fechar a fábrica no Brasil e transferi-la para qualquer parte do mundo.
Já a venda da Braskem à holandesa LyondellBasell, prevista para ocorrer em outubro, pode colocar em risco os postos de trabalho de cerca de cinco mil trabalhadores em todo o País, sendo dois mil apenas na Bahia, onde está concentrado o maior número de empresas petroquímicas do Brasil.
Soberania nacional em risco
No caso da Embraer, não é só a perda de milhares de empregos que podem trazer prejuízos irreparáveis ao estado de São Paulo e ao Brasil. Perde-se também a possibilidade de dar continuidade à estratégia de alcançar a soberania nacional por meio da política de substituição de importações em vários setores, entre eles a indústria aeronáutica, de acordo com modelo que se iniciou com o projeto de industrialização nacional (1930-1980).
“Desde o golpe de 2016, por interromper a política de formação de grandes empresas brasileiras para a competição em dimensão global, o esvaziamento do setor produtivo nacional passou a sofrer processo inédito de desestruturação e enfraquecimento”, critica o economista Marcio Pochmann, que também é presidente da Fundação Perseu Abramo.
Segundo ele, ao se aproximar dos 25 anos da privatização da Embraer – iniciada no governo Collor de Mello e concluída no governo Itamar Franco -, Temer completa mais uma etapa da entrega da empresa, abrindo mão completamente da defesa do patrimônio nacional para entregar de bandeja às grandes corporações transnacionais.
Hoje, a Embraer é formada por três empresas de investimentos norte-americanas e britânicas que detêm quase 30% de suas ações, o BNDES possui outros 5% e o restante está nas mãos de centenas de investidores.
Pochmann critica, ainda, a falta de iniciativa na defesa da Embraer porque até o momento nem o governo do estado de São Paulo, nem os deputados da Assembleia Legislativa e nem os empresários da Fiesp se manifestaram sobre a venda da empresa e os impactos negativos para a economia de São Paulo.
“Mesmo que uma ação só possa ser feita a partir da venda e não apenas de uma hipótese ou intenção, há uma paralisia dos setores empresarias e governamentais sobre essa questão e o governo Temer não está preocupado com a perda de empregos e a soberania nacional”, diz.
Para o Pochmann, os governos Lula e Dilma, do PT, ao contrário da atual administração do ilegítimo Temer, conduziram o Brasil ao fortalecimento da soberania nacional, permitindo com que um “país continental como o nosso, a partir de Parcerias-Público-Privadas (PPPs), expandisse as empresas estatais e privadas, com garantia de geração de emprego no Brasil.”
“Hoje, Temer abandona essa estratégia e comanda a destruição do setor produtivo brasileiro com a entrega de estatais e importantes empresas nacionais ao capital estrangeiro”, conclui o economista.
Braskem
Já a Braskem, empresa petroquímica que tem como principal acionista o grupo Odebrecht – 38% das ações -, seguido da Petrobras, com 36%, deve ser vendida, em outubro, à LyondellBasell, com sede na Holanda. Com isso, cinco mil trabalhadores e trabalhadoras em todo o País, sendo dois mil apenas na Bahia, correm o risco de perder o emprego.
Segundo Carlos Itaparica, diretor da Confederação Nacional do Ramo Químico (CNQ-CUT), do Sindiquímica-BA e funcionário da Braskem, o movimento sindical está muito apreensivo com a possível venda da petroquímica. O dirigente critica as medidas entreguistas de Temer e a falta de uma política industrial para o setor, ao contrário do que ocorreu nos governos do PT, como explicou o economista Marcio Pochmann.
“No governo do ex-presidente Lula é que houve a ideia de fortalecer as empresas brasileiras e a Braskem se tornou uma grande multinacional do setor petroquímico”, ressalta o dirigente.
“Foram as iniciativas de Lula e Dilma, adotadas entre os anos de 2003 e 2016, que favoreceram o desenvolvimento industrial no setor e as players nacionais tiveram condições de enfrentar o capital internacional, fortalecendo a Braskem”, completa.
Embora tenham sido contrários a esse modelo, porque defendem a petroquímica sob o comando apenas estatal, sendo um braço da Petrobras, os sindicalistas do setor entenderam que essa forma garantiu o controle nacional da Braskem.
Segundo Carlos Itaparica, o setor agrega muito valor à cadeia do petróleo e a desnacionalização é contrária aos interesses nacionais. Ele explica que são fabricados a partir da indústria petroquímica televisores, celulares, peças de automóveis, roupas, cosméticos, fraldas, detergentes, produtos farmacêuticos, além das embalagens plásticas.
“Agora, imagine essas mercadorias sendo produzidas apenas por empresas multinacionais, que podem estar instaladas em qualquer parte do mundo, inundando o mercado nacional com produtos importados e acabando com o emprego dos brasileiros”, diz o diretor do Sindiquímica-BA.
Ele conta, ainda, que desde a criação do Polo Petroquímico de Camaçari, na década de 1970, a indústria petroquímica brasileira teve de enfrentar o assédio das multinacionais e rompeu paradigmas ao seguir o sistema tripartite, composto pela Petroquisa, pelo capital nacional e estrangeiro, o que garantiu a administração e o comando da petroquímica nas mãos dos brasileiros.
“Não é só porque a Braskem é uma empresa privada que eles podem vender. Ela está nas mãos dos brasileiros há mais de 60 anos e foi criada para fazer frente às investidas de empresas estrangeiras”, lembra Itaparica.
“Não vamos ficar calados enquanto existir ameaça de entregar o setor às empresas estrangeiras. Vamos continuar lutando em defesa de uma petroquímica ligada à Petrobras, comprometida com os interesses nacionais e com o fortalecimento do setor plástico para que mais empregos e riqueza sejam gerados para os brasileiros.”
O fim da soberania nacional com o desmonte das estatais
O fim da soberania nacional provocada por Temer pode ser confirmado com a venda de estatais de setores estratégicos para o País aos chineses, holandeses, norte-americanos, britânicos e noruegueses.
A Eletrobras tem entre seus principais possíveis compradores o governo chinês; a Petrobras, a norte-americana Shell, entre outras empresas estrangeiras, incluindo uma estatal da Noruega.
Dia do Basta – 10 de agosto
Para dar um basta aos desmandos provocados pelo ilegítimo governo de Temer, a CUT e demais centrais sindicais – Força Sindical, CTB, UGT, Intersindical, NCST e CSP-Conlutas – promovem o Dia do Basta, em 10 de agosto (sexta-feira).
Além de paralisações em locais de trabalho por todo o País, um grande ato será realizado, a partir das 10h, na Avenida Paulista, em frente à Fiesp, em São Paulo, para marcar a mobilização da classe trabalhadora, que exige o fim do ataque aos direitos.

Senado descumpre acordo e entrega da Petrobras e Eletrobras avança

Apesar de ter se comprometido com as lideranças do Senado Federal em não colocar nenhum tema polêmico para ser apreciado antes do recesso parlamentar, o presidente da Casa, Eunício de Oliveira (MDB/CE), resolveu descumprir o acordo na madrugada desta quinta-feira (12) e atendeu ao pedido da base aliada do governo ilegítimo e golpista de Michel Temer (MDB-SP) para agilizar a entrega da Eletrobras e Petrobras.
Eunício fez a leitura dos Projetos de Leis que permitem a entrega das duas estatais, apresentou um requerimento de urgência das pautas e as matérias podem ir para votação no plenário da Casa no dia 7 de agosto. Se aprovados sem qualquer alteração, seguirão para sansão presidencial.
Segundo o diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacellar, a medida de Eunício pegou todo mundo de surpresa. “O combinado era que o tema iria passar por todas as comissões para que tivesse um debate amplo e participativo, e seria votado só depois da eleição, já que são temas em que os eleitores precisam conhecer e participar do debate”, explica o dirigente.
“Além de ter lido o texto do projeto, Eunício ainda apresentou um requerimento de urgência das pautas, acelerando todos os processos de entrega das nossas riquezas”, lamenta.
A secretária de Energia da Federação Nacional dos Urbanitários, Fabíola Antezana, que está em Brasília e acompanha de perto todos os trâmites dentro do Congresso Nacional, tembém lamentou a medida tomada por Eunício e alerta que isso pode impactar nos leilões de seis distribuidoras da Eletrobras que operam no Amazonas, Acre, Roraima, Rondônia, Alagoas e Piauí, previstos para ocorrerem no dia 26 de julho.
“Com o impasse no Congresso, o leilão estava para ser cancelado. Mas, agora, com essa sinalização do Senado de aprovar o PL que facilita e subsidia a venda de distribuidoras que não interessam ao mercado, ativa novamente as negociações para a venda das distribuidoras que estão preparadas para a privatização”, explicou Fabiola.
“Não podemos bobear, temos de ficar de olho e acompanhar passo a passo, mesmo com processos na Justiça para suspender os leilões de Alagoas e Piauí”.
Entrega do Pré-Sal e da Petrobras
O projeto que prevê a entrega do Pré-sal (PL 8.939/2017), aprovado na Câmara no último dia 20, permite que 70% do que a Petrobras explore no Pré-Sal sejam repassados a preço de banana às empresas internacionais, como Shell e Exxon.
Segundo Deyvid Bacellar, com a aprovação desta lei, mais de 20 bilhões de barris irão à venda sem licitação e a preços irrisórios. “E ainda usarão o recurso para pagar dívidas de juros, sem investimentos na cadeia produtiva, na geração de trabalho e renda, na saúde e educação”, critica.
A ex-ministra e ex-senadora Ideli Salvatti (PT-SC), que acompanha o tema de perto, disse que os prejuízos para o País e para a população serão enormes e incalculáveis se o PL for aprovado.
Segundo dados da liderança do Partido dos Trabalhadores (PT), a perda de recursos dos estados e municípios será de quase R$ 400 bilhões e da União em torno R$ 700 bilhões. No caso do Nordeste, a perda de receitas será de quase R$ 150 bilhões, o que causará um forte impacto na economia da região.
“A tão sonhada descoberta do Pré-Sal poderá significar um empobrecimento dos estados e municípios do Nordeste, já que lá vive mais de 8 milhões de brasileiros abaixo da linha da pobreza extrema. É um dado assustador”, diz Ideli.
“Só com muita mobilização é conseguiremos garantir que nosso petróleo continue sendo do Brasil.”
Eletrobras
A secretária de Energia da Federação Nacional dos Urbanitários, Fabíola Antezana, utiliza o exemplo da privatização de uma empresa de energia de Goiás, a Celga, para explicar o impacto da política privatista do ilegítimo Temer na vida dos brasileiros.
“A Celga foi privatizada no início de 2017 e o grupo italiano que comprou prometeu que ia melhorar todos os indicadores, como atendimento, preço e o melhor fornecimento de energia e nada disso aconteceu, pelo contrário”, disse Fabíola.
Ela conta que, segundo dados oficiais, os goianos passaram a ter sete vezes mais queda de energia do que qualquer outra empresa nacional e ainda piorou o fornecimento, o atendimento e o tempo de religamento.
“Além disso, foram demitidos mais de 3 mil trabalhadores e a terceirização aumentou. E como os terceirizados não recebem treinamento, os acidentes de trabalho passaram a ocorrer uma vez por mês, com casos de óbito ou mutilação”, destacou a diretora de energia da FNU.
Mobilização
Segundo Fabíola, no recesso parlamentar será intensificado o trabalho de base para pressionara os senadores nos seus estados a não votarem pela privatização.
“Estamparemos as caras dos traidores brasileiros em todos os cantos deste País”, diz.
No dia 17 de julho, Dia Nacional de Mobilização contra as Privatizações, haverá atos da categoria. “E caso avance o leilão das distribuidoras no dia 26 de julho, iremos fazer uma greve um dia antes e um dia depois”.

Basta de desemprego: 10 de agosto é dia de mobilização em todo o Brasil

No dia em que a reforma trabalhista completou um ano de sua aprovação no Senado, a CUT e demais centrais sindicais (Força Sindical, CTB, UGT, Intersindical, NCST e CSP-Conlutas), reunidas em São Paulo na manhã desta quarta-feira (11), definiram a luta a ser travada nas ruas no próximo dia 10 de agosto. É o Dia do Basta, com paralisações, atrasos de turnos e atos nos locais de trabalho e nas praças públicas de grande circulação de todo o País. Uma grande manifestação na Avenida Paulista, em frente à Fiesp, está prevista para ocorrer a partir das 10h, com a participação de várias categorias de trabalhadores e trabalhadoras e de movimentos sociais.
“Basta de desemprego, basta de retirada de direitos, basta de privatizações, basta de aumentos abusivos nos preços dos combustíveis, basta de sofrimento para o povo brasileiro”, sintetiza o secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre.
“Será um dia de luta pelo país. A desesperança tomou conta do povo brasileiro, por isso é urgente essa luta. O Brasil tem de repensar o seu caminho, porque esse caminho que está sendo trilhado é o da tragédia, da exclusão social, do desemprego”, completa o dirigente.
Ele cita que o Brasil pós-golpe 2016 já contabiliza 28 milhões de desempregados e os postos de trabalho gerados são precários graças à reforma trabalhista.
“Dá para perceber que, em todos os estados brasileiros, as pessoas estão perdendo o emprego. Cada família tem dois ou três desempregados e, com o desmonte das políticas públicas e o congelamento dos investimentos públicos, o que se vê é cada vez mais pessoas e até famílias inteiras dormindo na rua”, afirma Sérgio.
O Dia Nacional de Luta havia sido definido no lançamento da Agenda Prioritária da Classe Trabalhadora, em junho deste ano, quando as centrais sindicais apresentaram um documento com 22 propostas para promover o desenvolvimento do Brasil a partir da geração de emprego e renda, que são as pautas principais do Dia do Basta.
Patrimônio e investimento público
Segundo o secretário-geral da CUT, além do basta ao desemprego, no dia 10 de agosto, os trabalhadores e trabalhadoras vão cobrar também o fim das privatizações e a revogação da Emenda Constitucional 95, que congela os investimentos públicos por 20 anos.
Segundo Sérgio Nobre, a privatização de estatais e serviços públicos significa também precarização das condições de trabalho e mais desemprego. Ele afirma ainda que, no Brasil, existem obras de infraestrutura que estão paradas por conta do congelamento de gastos, que, se fossem retomadas, poderiam gerar milhões de empregos.
Ele cita como exemplo a venda da Embraer – em processo de entrega à norte-americana Boenig -, a entrega da Eletrobras às empresas chinesas, e a privatização da Petrobras e do Pré-Sal, que já teve campos leiloados para estrangeiras – como a Shell.
“Temos 28 milhões de desempregados porque não interessa aos que deram um golpe de Estado que o povo trabalhe e gere renda no Brasil. O propósito disso é jogar o salário para baixo, precarizar as condições de trabalho e entregar o patrimônio público brasileiro”, critica.
Eleições
O Dia do Basta, segundo Sérgio Nobre, também mandará um recado a quem pleiteia qualquer cargo nas eleições deste ano. “Mostraremos que o povo brasileiro não está satisfeito e que não aceita políticas que não sejam voltadas ao amparo dos trabalhadores e trabalhadoras”, diz.
Ele explica que as propostas da Agenda Prioritária da Classe Trabalhadora serão apresentadas aos candidatos à presidência da República nas eleições de outubro.
Tanto para a CUT como para as demais centrais, o que o país precisa é de um caminho novo para recuperar a democracia, o desenvolvimento, a geração de emprego com qualidade e a distribuição de renda e somente a mobilização de todos vai abrir esse caminho.
Para as entidades, não é mais possível conviver com os estragos que a política neoliberal implantada pelo governo golpista e ilegítimo de Michel Temer (MDB-SP) impôs à classe trabalhadora, como a reforma trabalhista, “vendida” à população como uma promessa de criação de mais empregos.

Petroleiros pressionam e Senado tira da pauta projeto que entrega Pré-Sal

A pressão dos petroleiros, que percorreram os gabinetes dos senadores desde a semana passada, alertando os parlamentares sobre os prejuízos que o Projeto de Lei de entrega do Pré-Sal causará ao País e à Petrobras, conseguiu arrancar o compromisso do presidente da Casa, senador Eunício de Oliveira (MDB/CE), de não colocar o projeto em pauta antes do recesso parlamentar, que ocorre entre 18 e 31 de julho.
Às vésperas de entrar em recesso, Eunício anunciou nesta terça-feira (10) que não entrarão em pauta projetos polêmicos, como a entrega do Pré-Sal, aprovado na Câmara dos Deputados às pressas na quarta-feira passada (4).
“Ganhamos mais uma batalha e seguimos na guerra. Precisamos continuar a mobilização junto à sociedade brasileira, explicando os impactos negativos desse projeto para impedir que ele entre em pauta após o recesso”, disse o diretor da Federação Única dos Petroleiros, Deyvid Bacellar, que segue em Brasília, articulando novas ações de resistência contra a entrega do Pré-Sal.
De acordo com o substitutivo do Projeto de Lei nº 8.939/2017, que passou sem que fosse realizado o debate sobre os impactos da medida nas comissões da Câmara, 70% do que a Petrobras exploraria no Pré-Sal seriam repassados a preço de banana às empresas internacionais, como Shell e Exxon.
“Em mais uma estratégia contra os brasileiros, os parlamentares governistas e golpistas manobram para entregar nossas riquezas, que deveriam ser voltadas aos investimentos, sobretudo nas áreas de saúde e educação”, denunciou o secretário nacional de Comunicação da CUT, Roni Barbosa.
O dirigente, que também é petroleiro, explicou que, conforme a proposta de lei, o Brasil pode entregar 15 bilhões de barris do Pré-Sal para petrolíferas estrangeiras praticamente sem nenhum retorno financeiro.
“Só a participação especial que o Rio de Janeiro, por exemplo, pode perder com esse substitutivo chega a R$ 80 bilhões. Serão perdas irreparáveis tanto para a Petrobras quanto para o povo brasileiro”, destacou Roni.
Em junho deste ano, o Portal CUT publicou matéria alertando sobre a manobra sorrateira que estava sendo articulada no Congresso Nacional pelos deputados e senadores que votaram pelo impeachment de Dilma Rousseff no primeiro semestre de 2016 e seguem aplicando golpes contra a classe trabalhadora, como a Emenda Constitucional 95 e a reforma trabalhista.
Cessão onerosa do Pré-Sal
Desde 2017 tramita no Congresso Nacional o substitutivo do PL 8.939/2017, que permite a transferência parcial de áreas contratadas no regime de cessão onerosa da Petrobras.
De autoria do deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), o substitutivo é mais perverso do que o projeto original. O texto aprovado na Câmara permite que os volumes da cessão onerosa do Pré-Sal sejam produzidos por um operador, mas os excedentes por outro. Assim, um mesmo campo poderá ter uma unidade de produção ao lado da outra, com diferentes operadores.
“Isso causará graves dificuldades técnicas, pois é fundamental que cada campo tenha apenas um operador”, alerta o secretário de Comunicação da CUT.
Além disso, diz Roni, na prática, esse projeto prevê apenas o pagamento de um bônus de uma alíquota de royalties de 10%, que não sabemos o valor, e permite que as contratações ocorram sem licitação.
“Ou seja, é o fim das licitações e abertura para que qualquer empresa abocanhe nosso petróleo a preço de banana e revenda por um valor bem maior que o preço de mercado nacional, para revender ao Brasil um produto 100% nacional pelo preço do dólar.”

Mais uma vez, Câmara dos Deputados tenta calar manifestações populares de rua

O livre direito à manifestação está ameaçado pelo Congresso Nacional mais reacionário do Brasil desde a redemocratização do País. No início do mês de junho, o deputado Fábio Ramalho (MDB-MG) apresentou requerimento solicitando tramitação com urgência do Projeto de Lei (PL) 1572/2007, de autoria do ex-senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que propõe a criminalização dos movimentos sociais e sindical.
Na prática, a proposta poderá agravar a repressão aos movimentos populares e sindicais nas ruas do país e significa que, qualquer manifestação poderá ser enquadrada como um crime, com penas severas.
A única saída para impedir que essa proposta seja aprovada é justamente a mobilização de trabalhadores e trabalhadoras e de todos os movimentos populares do país, que lutam contra retirada de direitos sociais e trabalhistas e injustiças, como a prisão do ex-presidente Lula, mantido como preso político desde o dia 7 de abril, na sede da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, no Paraná.
Tanto para a secretária nacional de Mobilização e Relação com os Movimentos Sociais da CUT, Janeslei Albuquerque, quanto para o advogado e mestre em Direito pela UnB, Patrick Mariano, a prisão de Lula é o eixo central da criminalização aos movimentos sociais.
Segundo Janeslei, Lula representa o modelo de um país com justiça e inclusão social que os golpistas estão combatendo e, por liderar todas as pesquisas de intenção de votos à corrida presidencial, com a promessa de revogar todas as medidas que surrupiaram os direitos do povo brasileiro, é o candidato que deve ser combatido, mantido preso para não poder se candidatar.
Já Patrick destaca que o auge dessa visão punitivista e autoritária que estão tentando solidificar no país é a condenação do ex-presidente sem crimes nem provas.
Para ele, “Lula se transformou num símbolo não só da resistência política brasileira, mas também da luta contra o arbítrio porque a condenação dele representa, de fato, a criminalização aos movimentos populares e sociais”.
Patrick Mariano criticou as manobras que o Poder Judiciário brasileiro realizou para prender a principal liderança política nacional e disse que movimentos e entidades de juristas populares denunciam diuturnamente os métodos da Operação Lava Jato e essa onda crescente de autoritarismo da Justiça, além de apontar publicamente a ilegalidade e injustiça da prisão de Lula.
O advogado, que também compõe a Rede de Juristas pela Democracia se manifestou, por meio das redes sociais, sobre as arbitrariedade que juízes e desembargadores fizeram neste domingo (8) para, numa manobra política, desobedecer a lei e não permitir a soltura de Lula, determinada três vezes pelo desembargador plantonista do Tribunal Regional Federação da 4ª Região, Rogério Favreto.
“O episódio deste domingo revelou ao mundo a profundidade da perseguição política que Lula sofre. É um cenário de anarquia jurídica que a [operação] Lava Jato implantou no país”, denunciou Mariano.
O que propõe o PL 1572/2007      
Se aprovado o pedido de urgência para tramitação do PL 1572/2007 feito pelo deputado Fábio Ramalho (MDB-MG), a votação do projeto pode ser mais rápida e, se aprovado, ações como um simples bloqueio de via pública começa a ser enquadrado como ato gravíssimo.
Para Janeslei, é mais um retrocesso patrocinado pelos golpistas que destituíram a presidenta Dilma Rousseff e colocaram no lugar um grupo de políticos com propostas neoliberais e retrógradas, que prejudicam especialmente a classe trabalhadora e as organizações e movimentos populares.
“O que está acontecendo, na verdade, é uma reforma do Estado brasileiro e o que está em processo é a instituição de um projeto ultraneoliberal, com máximo poder para o capital e para as grandes empresas, e nenhum direito para os trabalhadores”, diz a secretária nacional de Mobilização e Relação com os Movimentos Sociais da CUT.
A tese de desmonte do Estado é facilmente comprovada pelos retrocessos aprovados nos últimos dois anos, como a Emenda Constitucional 95, que congela investimentos em áreas como saúde e educação durante 20 anos; a reforma trabalhista; o pacote de privatizações do governo golpista e ilegítimo de Michel Temer (MDB-SP); a aprovação do PL do Veneno pela bancada ruralista; e o enfraquecimento das estruturas públicas, especialmente no que se refere às políticas sociais, que, desde a consolidação do golpe em 2016, exterminou direitos da classe trabalhadora, garantidos e conquistados há décadas, pontua Janeslei.
O advogado e mestre em Direito pela UnB, Patrick Mariano, critica o PL de Azeredo, também, por sugerir um aumento de penas sem nenhum critério científico, apenas por receio de manifestações públicas pacíficas e democráticas.
“Uma das principais formas de conter qualquer tipo de manifestação popular é usando o Direito Penal como instrumento político de repressão e de coerção às reivindicações políticas e ao exercício da cidadania”, esclareceu o advogado.
Para ele, o que fez esse PL voltar à tona foi a recente manifestação dos caminhoneiros, que, no final do mês de maio, paralisou o país por mais de uma semana, provocando desabastecimento nas grandes cidades brasileiras tanto de combustível quanto de hortifrutigranjeiros. Na ocasião, faltou querosene de avião em pelo menos oito aeroportos nacionais, as frotas de transporte público circularam com operações limitadas e algumas escolas públicas e universidades federais suspenderam as atividades.
Mariano comentou que os crimes deste capítulo do Código Penal que trata de incolumidade pública são de pouca aplicabilidade e não ocorrem com frequência. Ele acredita que por isso o objetivo do PL é sufocar ou impedir manifestações públicas e promover a ampliação do direito penal em um Estado que já pode ser considerado policial.
“O que está se propondo é o aumento do controle punitivo da sociedade e o que está em jogo é essa tentativa de intimidar as liberdades individuais e o que eles querem com isso, na verdade, é desestimular a realização de protestos públicos e ações de reivindicações populares”.
Para ele, somente a mobilização dos movimentos populares e da sociedade em geral podem frear essa manobra parlamentar de acelerar a tramitação deste PL.
“São crimes que abrangem a sociedade inteira, por que tem que aprovar sem debate? Qual a necessidade de acelerar o processo pedindo urgência?”, questionou e complementou afirmando que o ideal seria que esse PL tramitasse sem atropelos, passando pelas comissões internas da Câmara, e com realização de audiências públicas para que os movimentos sociais se pronunciassem e as organizações pudessem se manifestar.

Bancários fazem atos nesta quarta para cobrar pré-acordo de bancos

Os direitos dos bancários estão em risco. Na primeira rodada de negociação da Campanha Nacional Unificada 2018, realizada em 28 de junho, os representantes da federação dos bancos (Fenaban) não assinaram o pré-acordo de ultratividade que garantiria tudo que está previsto na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) até a assinatura de um novo acordo. Em anos anteriores, esse pré-acordo, uma formalidade, vinha sendo assinado no início da negociação sem qualquer problema.
Mas, em 2018, há um agravante: a lei trabalhista pós-golpe extinguiu a ultratividade prevista em lei. Assim, sem esse pré-acordo, a partir de 31 de agosto os bancos poderão deixar de pagar vales refeição e alimentação, auxílio-creche, plano de saúde ou contratar com salários abaixo do piso. A data base da categoria é 1º de setembro.
Esse problema já atinge outras categorias. Vigilantes do Rio de Janeiro não assinaram acordo antes do vencimento da data base. Em algumas empresas, quando os trabalhadores foram usar seus vales-refeição, constataram que não tinham recebido nenhum valor.
“Por isso, no dia 11, os bancários promoverão atos, em todo o país, cobrando dos bancos que assinem o pré-acordo. Estamos dispostos a negociar e esperamos o mesmo dos bancos: que demonstrem disposição para debater com seriedade a pauta dos bancários na rodada agendada para 12 de julho”, afirma Juvandia Moreira, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e uma das coordenadoras do Comando.
“Queremos sair da mesa do dia 12 com um calendário de negociações, a exemplo do que sempre fizemos em anos anteriores”, lembra a dirigente. “Nossa CCT completa 26 anos em 2018, foi construída na luta e também num processo democrático com respeito à representação dos trabalhadores e dos bancos. E assim queremos que continue sendo.”
Além do ato no dia 11, os bancários podem participar utilizando #TodosPelosDireitos e #AssinaFenaban para ajudar a pressionar os bancos também pelas redes sociais.
Setor em franco crescimento 
Os cinco maiores bancos lucraram R$ 77,4 bilhões em 2017, alta de 33,5% num dos piores anos da economia nacional. E 2018 já repete essa trajetória de décadas de crescimento: foram R$ 20,6 bi no primeiro trimestre ou 20,4% mais que o mesmo período do ano anterior.
Ainda assim, os bancos promovem cortes no seu quadro de funcionários: foram extintos 17.905 postos de trabalho em 2017. De janeiro a maio deste ano 2.675 bancários já ficaram sem seus empregos.
“Ganhando como ganham, mês a mês os bancos agravam as trágicas estatísticas de desemprego no Brasil”, critica Juvandia. “Por tudo isso, bancários e bancárias de todo o Brasil definiram como prioridade para a Campanha Nacional Unificada 2018, o respeito a todos os direitos previstos na CCT, garantia dos empregos, a defesa dos bancos e das empresas públicas, além de aumento real e PLR maior. Os bancos podem e devem isso aos bancários e à sociedade brasileira.”

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