Nota denuncia sucateamento total dos serviços públicos expresso na LDO 2019
Jornalista: Leticia
Mais de 70 entidades representativas do funcionalismo público federal, entre elas a CUT, lançaram uma nota nessa terça-feira (10/7) que denuncia os prejuízos irreparáveis que podem cair sobre o colo da maioria da população brasileira, caso seja aprovado o relatório da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2019. De acordo com a proposta da LDO (art. 15, inciso III, art. 17, inciso XVII e art. 92ª), serão cortados 10% das verbas de custeio para o funcionamento dos órgãos públicos.
“O relatório da LDO 2019 representa a inviabilização completa de serviços que já têm muitos problemas. Na prática, só quem tem uma situação financeira confortável poderá ter acesso a serviços de qualidade, pagando para isso. Para 90% da população brasileira, o Estado é fundamental na garantia e promoção de serviços e direitos. Cortar 10% do orçamento de custeio, como propõe o governo, é fechar a porta de acesso aos serviços essenciais para dezenas de milhões de pessoas”, afirma o documento assinado pelas entidades.
De acordo com os representantes dos servidores públicos de todo o país, a luta é também contra a suspensão das reposições salariais e pela retomada da Mesa Nacional de Negociação Permanente. “Exigimos o cumprimento dos acordos firmados com várias categorias para garantir as boas condições de trabalho e melhoria do atendimento à população, com abertura de concursos públicos para provimento de vagas para todas as áreas”, diz outro trecho da nota.
De acordo com a Condsef/Fenadsef – confederação que representa a maior parte dos servidores do Executivo federal –, a luta das entidades contra a LDO ultrapassa a luta da categoria e atinge toda a sociedade. “Nessa demanda, representamos não só servidores de nossa base, mas os direitos constitucionais de toda população a ter acesso a serviços públicos que o PLDO 2019 congela”, aponta o secretário-geral da Condsef/Fenadsef, Sérgio Ronaldo. Próximo às eleições de 2018, as entidades alertam: “os servidores estarão vigilantes e o recado mais uma vez é esse: Parlamentar que votar sim, não volta”.
O povo brasileiro, desde pequeninho, é ensinado a não gostar de política e a detestar partidos. Isso tem feito, historicamente, a maioria abrir mão de participar das decisões que afetam sua própria vida, permitindo que aquela parte da sociedade que sempre formou a elite domine a economia, a imprensa, a Justiça, o País, enfim.
Não que essa elite não tenha seus partidos: esses partidos mudam de nomes de vez em quando, mas sempre existiram.Há famílias ricas que mantêm seus representantes no parlamentohá cerca de 190 anos, ou seja, desde que o parlamento existe, sempre eleitos com os votos de quem não gosta de partidos ou acha que todos os políticos são iguais.
Por isso, temos deputado e senador Fulano de Tal Filho, Neto, Júnior, Sobrinho, Bisneto. Sim, a maioria no masculino, já que as mulheres, sendo 51% da sociedade, não chegam a ser 10% do Congresso Nacional, por exemplo.
A escola pública e a divisão social
Esse jeito de a maioria do povo encarar a política tem sido eficiente meio de exclusão e, ao mesmo tempo,de manutenção da minoria no poder, sendo a escola, ao longo dos séculos,instrumento de reprodução desse tipo de divisão social.
Mas muitas professoras e muitos professores vêm dedicando suas vidas a tornar o espaço da escola pública um organismo vivo, pleno de democracia, de civilidade, de criatividade, de educação e cultura e de convivência fraterna entre as diferenças e, sobretudo, de combate a todos os tipos de violência.
O resultado é alunas e alunos se sobressaindo, até mundialmente, vencendo em áreas antes povoadas, apenas, pelos de origem muito rica.
Por isso mesmo, prepostos dessa mesma elite, que se senteameaçada pelos avanços propiciados pela escola pública, num exercíciocrueldade sem limites e aproveitando-se da boa fé das pessoas,estão tentando fazer uma proposta chamada “Escola sem Partido”se transformar em lei.
E há muitas/os embarcando em mais esta armadilha, pensando que tal proposta significaria “escola sem PMDB, PP, PCdo B, sem PSB, sem PSOL, sem PT, etc..” Para essa gente, seria uma escola neutra, partidariamente, como tão bem aprendeu.
É isso que querem que o povo pense. Então é preciso dizer, gritar que não é assim!
Desvendando a proposta
Trata-se, isto sim, de uma proposta de escola pública contrária aos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, principalmente os que se referem ao dever deconstruir uma sociedade livre, justa e solidária, que promova o bem de todos e todas, sem preconceitos de origem, raça, religião, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
Trocando em miúdos, o que essa gente quer é escola pública sem interpretação de texto; sem interpretação crítica de sua própria realidade; sem História do Brasil; sem História Geral; sem Geografia; sem Filosofia; sem debate; sem cineclube; sem eleições democráticas; sem direito ao contraditório; sem vida inteligente, sem alegria!
Um ‘paraíso’ que perpetue a exclusão social: trabalhadoras/es em educação amordaçados e estudantes embrutecidos.
Escola contrária ao respeito a quem a frequenta
É escola pública proibida de mostrar de que raças o Brasil é feito ede debater a política transitória de cotas, que é uma indenização pouca e tardia a um povo que foi arrancado de sua terra e trazido para cá como escravo; é escola proibidadecombateroracismo que, no Brasil, além de crime e de prática inaceitável, é burrice, poispoucos de nós não têm sangue negro.
É escola pública proibida de ensinar e aprender que feminismo não é o machismo às avessas, mas, sim, a luta de mulheres por igualdade de direitos, respeitadas as diferenças.O Brasil tem uma média de doze mulheres assassinadas por dia, sendo oPaís o quinto lugar do mundo mais perigoso para as mulheres e crianças viverem. É papel daescola mostrar queassédio, piadinhas, estupro, agressõesfísicas ou morais e assassinatossão violências inaceitáveis e que isso não é engraçado.
Não por acaso, a mesma gente que quer proibir essa discussão não apenas na escola, mas na sociedade, quer ‘amenizar’ as punições previstas na pioneira Lei Maria da Penha.
É escola pública proibida de ensinar o respeito à diversidade cultural e à orientação sexual.
Escola contra a soberania do povo e do país
É escola pública que se omitirá de dizer quetodosos países da América Latina têm a mesma história de genocídio e de exploração e que, por isso mesmo, devemse unir para combateros exploradores que, historicamente, não desistem de nos escravizar.
É escola que não discutirá a soberania a quem têm direitos todos os países e, menos, ainda, mostrará que a solidariedade é o amor entre os povos.
A entrega da imensa riqueza representada pelo nosso pré-sal aos norte-americanos, cujos recursos, inicialmente, eram destinados, 75% para a educação e 25% para a saúde; a perseguição do mundo e da imprensa ocidental à Venezuela, porque o governo se nega a entregar seu petróleo são, ainda hoje, exemplos claríssimos de ataque à soberania de países latino-americanos.
Escola com antolhos
É escola pública que se calará diante do fato de que o povo brasileiro sempre teve negado um direito humano que é o direito à informação correta, porque a imprensa é propriedade de sete famílias ricas, que só noticiam aquilo que é de seu interesse e que, por isso mesmo, mentem, omitem, distorcem, destroem vida e reputação de quem se insurge contra ela e contra seus objetivos. Um imprensa que esconde o Brasil dos brasileiros.
É escola pública ensinando religião, quando ensinar religião é uma decisão apenas e tão somente da família! É a escola impondo uma religião ou uma vertente religiosa em detrimento das demais.
Religião é questão de foro íntimo! Cada um que tenha a sua, respeitando quem tem outra diferente e quem não a tem, inclusive.
Querem destruir o Estado laico, o único que permite liberdade de crença, de culto, de religião. Essa gente não quer escolas para construir cidadãos, mas fanáticos religiosos. Ninguém precisa de talibãs, versão tupiniquim.
Escola pra formar gente tosca e subalterna
Não bastasse o estado de quase barbárie em já que vivemos hoje -os torcedores brasileiros deram ao mundo, durante a Copana Rússia, o testemunho dessa calamidade – a escola pública “sem partido”proposta, em resumo, é um espaço em que valores humanos e científicose o exercício da crítica serão deixados de lado para dar lugar a um campo de adestramento de mão de obra barata e servil. Um escola proibida de dizer aos seres humanos que eles têm direitos.
É, enfim e resumindo, uma proposta de escola para solidificar e perenizar a barbárie de todos ospreconceitos, do fanatismo religioso, da ignorância, da falta de cultura, do machismo, do racismo, da falta de civilidade, da falta de solidariedade em geral e da violência contra trabalhadores e trabalhadoras em educação.
E as escolas particulares frequentadas pelos ricos tratarão de formar os/as que continuarão mandando no Brasil, com prejuízo para a maioria, como acontece há mais de 500 anos.
Uma escola antieducação
Está claríssimo: a proposta de “Escola sem partido”’, na verdade, não é escola; é campo de adestramento. Dentre alunos e alunas adestrados para o subemprego, não sairão cientistas importantes, professoras/es, médicos/as, engenheiros/as, escritoras/as, artistas, compositoras; ninguém que contribua com a elevação do patamar de civilidade paratornar a vida mais saudável.
A professoras e professores das escolas públicas, o papel de capitão do mato ou de adestradores, o que lhes mataria a alma de educadores que, na lida, também se educam e também aprendem; e aos alunos e alunas das escolas públicas, a mediocridade!
A ideia é matar, no nascedouro, o Brasil soberano, feliz e igual que nasceria todos os dias na escola pública, com trabalhadoras e trabalhadores em educação bem remunerados, cientificamente competentes; com crianças e adolescentes participativos, respeitosose respeitados, no exercício de uma educação libertadora. *Por Lúcia Ivanov
Atual política de preço dos combustíveis da Petrobras acelera inflação em junho
Jornalista: Leticia
A política de preços dos combustíveis adotada pelo golpista e ilegítimo Michel Temer (MDB-SP), de reajuste diário nos preços dos combustíveis de acordo com a variação internacional do barril de petróleo e a flutuação cambial, teve impacto direto no resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, que ficou em 1,26% e atingiu a maior taxa para o mês em 23 anos.
A atual política, implantada pela direção da Petrobras nomeada por Temer, foi responsável pela greve dos caminhoneiros, que refletiu no aumento dos preços dos alimentos, em especial o frango e o leite, e pelos reajustes do gás de cozinha e da gasolina. Além disso, teve reflexos nas tarifas de energia elétrica, que ficaram mais caras porque o governo passou a usar mais as termoelétricas, que precisam de combustíveis para operar.
É o que aponta os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (6). Puxada pelos grupos alimentação (2,03%), habitação (2,48%) e transporte (1,58%), que concentram cerca de 60% das despesas das famílias, a inflação oficial do País, pela primeira vez desde janeiro de 2016, ficou acima de 1% – é maior taxa para o mês de junho desde 1995, quando o índice ficou em 2,26%. Preço da gasolina explode
Nos transportes, a gasolina, com variação de 5%, e o etanol (4,22%) contribuíram com, aproximadamente, 21% da composição da inflação para o mês de junho, segundo IBGE. Comer ficou mais caro
Na alimentação, as principais altas ficaram com o leite longa vida, que passou de 2,65% em maio para 15,63% em junho, e o frango inteiro, com variação de -0,99% em maio para 8,02% em junho. As carnes também tiveram um aumento expressivo e passaram de -0,38 em maio para 4,6% no mês seguinte. Contas de luz continuam puxando inflação para cima
No grupo habitação, o destaque foi a energia elétrica, com alta de 7,93%, praticamente o dobro dos 3,53% de maio. Desde 1º de junho está em vigor a bandeira tarifária vermelha, que adicionou R$ 0,05 a cada kwh consumido. Além disso, em algumas cidades, como Curitiba, Brasília, Porto Alegre e Belo Horizonte, as tarifas de energia foram reajustadas. Gás de cozinha
O gás encanado aumentou 2,37% devido ao reajuste de 1,87% nas tarifas no Rio de Janeiro (0,17%), em vigor desde 1º de maio, e de 3,35% nas tarifas de São Paulo (6,13%), vigentes desde 31 de maio. Já o botijão de gás, com alta de 4,08%, também ajudou na alta da taxa. Inflação mais alta em Belo Horizonte
A região metropolitana de Belo Horizonte foi a que apresentou o maior índice, fechando o mês de junho com 2,12%. Além da variação de 21,70% na energia elétrica, decorrentes do reajuste de 18,53% nas tarifas e da cobrança adicional da bandeira tarifária vermelha, também tiveram destaque as altas de 6,66% no preço da gasolina e de 23,5% no leite longa vida. IPCA em junho
• Taxa no mês: 1,26%
• Acumulado no ano: 2,6%
• Acumulado em 12 meses: 4,39%
Movimentos populares, sindicatos e entidades da sociedade civil vão fazer uma caravana pelo interior do país para descrever um cenário de alerta: a fome voltou a assombrar a nação. O número de brasileiros que passam fome cresceu.
A iniciativa de apurar, com uma caravana, o crescimento do número de pessoas que passam fome no país foi idealizada pela Articulação do Semiárido (ASA) e começa no interior de Pernambuco, em Caetés, no dia 26 de julho.
A caravana vai colher relatos para ilustrar este processo, que vai na contramão de compromissos que o país assumiu com a Organização das Nações Unidas (ONU) — entre eles, a segurança alimentar, uma das metas da Agenda 2030, e a redução da fome e da pobreza, um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio que o país atingiu em 2015.
Este ano, o governo brasileiro, novamente, não vai apresentar o relatório de acompanhamento das metas de desenvolvimento sustentável para 2030. A publicação dos dados é voluntária. Mas o grupo de trabalho de organizações sociedade civil que investiga o cumprimento destes objetivos vai divulgar um novo relatório no final de julho.
De acordo com o pesquisador Francisco Menezes, integrante da ActionAid e do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), o relatório deve indicar o agravamento do que as entidades já haviam constatado em 2017: de que haviam indícios que o país pode voltar ao Mapa da Fome da ONU.
O país saiu da lista da fome em 2014, quando foram divulgados os índices mais recentes da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), pesquisa realizada a cada cinco anos. Os dados mostravam que, em 2013, cerca de 3,2% da população, aproximadamente 3 milhões de domicílios, viviam em situação de insegurança alimentar grave — índice mais baixo que o Brasil o país atingiu.
A queda representou 28,8% em relação a 2009, quando 5% da população brasileira vivia em situação de intensa privação de alimentos.
Embora a previsão de divulgação da próxima pesquisa seja em dezembro deste ano, Menezes afirma que já há indícios de que a situação do país se agravou e que o país se distancia das metas assumidas internacionalmente. Desemprego
O pesquisador pontua que cortes nos programas sociais, a adoção de políticas neoliberais e, sobretudo, o desemprego e a precarização do trabalho levaram a este cenário.
Nos últimos três anos, a tendência de queda da pobreza no país se reverteu. Em 2017, o número de pessoas que estavam em extrema pobreza chegou aos mesmos parâmetros de 2005.
“É uma velocidade muito rápida desse empobrecimento ao extremo. E, nestes mesmos três anos, voltamos a oito anos atrás no número de pessoas abaixo da linha da pobreza”, afirma.
As organizações se baseiam nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para fazer o alerta.
“Quando aplicamos um critério de verificar as pessoas que estão em situação de pobreza e as pessoas que estão em situação de extrema pobreza, nós vemos que os índices de desemprego gerais do país, que já são muitos elevados, se multiplicam para a população mais pobre”, explica o pesquisador.
“Há uma grande correlação entre a extrema pobreza e a situação de fome. Ou seja, aqueles que estão em extrema pobreza estão, geralmente, vivendo a situação de fome. Então, quando se tem um quadro em que voltou 12 anos atrás, considerando os dados de 2017 sobre a extrema pobreza, tudo leva a crer que um contingente grande de pessoas voltou a essa situação de insegurança alimentar grave porque não tem condição de garantir a alimentação.” Mapa
A nutricionista Patrícia Jaime, professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), analisa que a saída do Brasil do Mapa da Fome também está relacionada processo ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e à redução da mortalidade infantil.
Mas, após 13 anos de queda consecutiva, a taxa de mortes de crianças antes de completar um ano de vida cresceu 11% entre 2016 e 2017. Já o percentual de crianças menores de cinco anos desnutridas aumentou de 12,6% para 13,1% no período. Segundo ela, este é um alerta vermelho.
“Quando a gente falava da agenda do objetivo do milênio, a gente estava ainda falando em mortalidade, fome e parecia que a gente iria qualificar essa agenda em uma perspectiva mais qualitativa, da qualidade do alimento, do alimento seguro, saudável, sustentável, com fomento à agricultura familiar de base agroecológica. Ou seja, uma agenda mais avançada. E a inflexão dos programas colocam em risco questões estruturais básicas de acesso e disponibilidade de alimentos e renda”, pondera Patrícia.
Já o coordenador da ASA na Bahia, Naidison Baptista, destaca o desestímulo à agricultura familiar e circuitos de comercialização e compras públicas, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
“De um lado, o governo não paga os serviços prestados pelas organizações sociais, então há um déficit muito grande em relação aos serviços prestados pelas organizações sociais. E, de outro, não abre novas chamadas de assistência técnica. Então, o acompanhamento às famílias no processo de produção de alimentos e de geração de renda fica prejudicado”, diz.
Segundo Baptista, a caravana pelo interior do país, organizada pela ASA e outras entidades que compõem a Frente Brasil Popular, é um processo de mobilização social para apontar perspectivas de solução destes problemas.
“O interessante neste processo da caravana é que ele está sendo encabeçado pelos próprios agricultores. Em Feira de Santana [Bahia], por exemplo, os agricultores vão tirar alimentos da sua produção para a alimentação da caravana, quando ela passar por aqui; a universidade está disposta a ceder o auditório para receber um ato público. Então, estamos construindo o ato envolvendo diversos atores sociais”, afirma o integrante da ASA.
Além de Pernambuco, a previsão é que o grupo passe pelos estados da Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná.
Privatização das distribuidoras de energia ameaça a soberania nacional
Jornalista: Leticia
Os deputados da base aliada do golpista e ilegítimo Michel Temer (MDB-SP) aproveitaram a Copa do Mundo, período em que a população está mais interessada no futebol, para cometer um crime de lesa-pátria.
Um dia depois da vitória do Brasil sobre o México por 2 x 0, eles aprovaram a venda de seis distribuidoras de energia da Eletrobras a preço de banana. Aprovaram também um artigo que garante ao novo proprietário uma base maior de lucro. E quem pagará por tudo isso será o povo brasileiro.
As distribuidoras dos estados do Acre, Alagoas, Amazonas, Roraima, Rondônia e Piauí poderão ser vendidas por apenas R$ 50 mil cada uma. Além disso, os novos proprietários ganharão um presente do governo: a Eletrobras vai assumir uma dívida de mais de R$ 11 bilhões para que eles tenham mais lucros. De R$ 10,2 bilhões por apenas R$ 50 mil e ainda com bônus
A empresa que comprar a distribuidora de energia do Amazonas, avaliada em R$ 10,2 bilhões, economizará R$ 10 bilhões, 199 milhões, 950 mil reais e pagará quase o mesmo valor de um carro popular, que custa em média R$ 50 mil.
“Além do fator financeiro existe a questão da soberania nacional”, alerta o vice-presidente do Sindicato dos Eletricitários do Estado do Amazonas (STIU-AM), Hirton Albuquerque.
Segundo ele, as fronteiras do país podem ficar desprotegidas, ameaçando a soberania nacional, já que nesses locais a única presença é a de batalhões do Exército de selva e da empresa de energia.
“Nenhuma empresa privatizada vai investir em comunidades longínquas, tirar dinheiro do bolso para fazer a manutenção nesses locais em que a mata cresce a cada três meses”, diz o dirigente.
De acordo com Hirton, no Amazonas existem pequenos povoados que necessitam do programa Luz para Todos, programa criado pelo governo do ex-presidente Lula, que empresas privadas não se interessariam em investir nos locais em que elas não terão lucro fácil.
“É papel do Estado manter programas sociais que promovam o desenvolvimento do país. Nessas regiões já há dificuldade de acesso à telefonia fixa e móvel, imagine ainda sem energia elétrica”.
“Teremos apagões e voltaremos às lamparinas, pois a população não terá condições financeiras para pagar pelo valor da conta de luz, que deve aumentar e muito, se houver a privatização das distribuidoras, que também têm esse papel social”, diz Hirton.
O dirigente explica ainda que hoje as distribuidoras sofrem pelo custo excessivo de operações como a de transporte, que é pago pela própria empresa.
“Há locais em que para gerar um barril de óleo, gastamos três. O custo não bate e, por isso, é preciso um investimento do Estado para que a energia e, consequentemente, o desenvolvimento cheguem a esses locais”, afirma o vice- presidente do STIU-AM. A ameaça do desemprego de milhares de trabalhadores
Outro fator preocupante para os trabalhadores e trabalhadoras é a possibilidade de demissão em massa, após o processo de privatização.
Segundo o dirigente do STIU-AM, só no estado do Amazonas são dois mil trabalhadores e trabalhadoras que podem perder seus empregos – em todas as distribuidoras são cerca de 6 mil.
Ele diz que já existe uma perseguição aos funcionários mais antigos da companhia, que trabalham há mais de 25 anos na estatal, porém não são concursados.
“Imagine uma vida inteira dedicada à empresa, numa época que nem havia pessoas para operar as máquinas no Amazonas e agora querem utilizar artifícios para demitir esses trabalhadores. Hoje, temos 227 funcionários e outros 48 em Roraima mantendo seus empregos à base de liminar da Justiça”.
A esperança dos funcionários das distribuidoras de energia está na votação na Câmara dos Deputados, na próxima semana, dos destaques do Projeto de Lei (PL) 10.332/18, que podem alterar pontos da proposta. Entre eles, a garantia de emprego por 18 meses após a privatização, proposto pelo PC do B, e a absorção obrigatória dos trabalhadores e trabalhadoras por outras estatais, proposta esta do PSOL.
Apesar da aprovação da venda das distribuidoras, o dirigente do STIU-AM está otimista com os avanços na luta contra a privatização.
Segundo Hirton Albuquerque, o governo pretendia vender as empresas antes do recesso parlamentar e, agora, com a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, de obrigar que o processo de privatização das estatais brasileiras seja aprovado pelo Congresso, os sindicatos vão atuar fortemente junto aos senadores lembrando que as eleições estão próximas e que se votar contra a classe trabalhadora e o país, não vão voltar.
“O presidente da Câmara Rodrigo Maia já deu sinais de que vai deixar para o próximo governo o avanço do PL nº 9463 que é a privatização da Eletrobras”, afirma Hirton. A votação
Na sessão realizada na noite da última terça-feira (3), os deputados aprovaram por 203 votos a 123, o substitutivo do deputado Julio Lopes (PP-RJ) para o PL 10.332/18, encaminhado por Temer, que facilita a privatização das seis distribuidoras de energia, nas regiões norte e nordeste do país.
O texto do PL aproveita dispositivos da Medida Provisória 814/17, que tinha o mesmo objetivo e que perdeu a validade sem ter sido votada nas duas Casas do Congresso.
A maioria dos deputados dos partidos de direita – PSDB, MDB, DEM,PSL, PP, Podemos, Avante ,PSD, PRB, Solidariedade, PSC,PPS, PV, com exceção das bancadas dos estados de Roraima, Rondônia e Amazonas – votou a favor de Temer.
Votação do Projeto Escola sem Partido é suspensa, mas perigo da mordaça ainda existe
Jornalista: sindicato
A comissão especial que analisa o Projeto de Lei (PL) nº 7180, de 2014, que trata da Escola sem Partido, cancelou a reunião dessa quarta-feira (4). Nela, os parlamentares votariam o parecer do relator, o deputado Flavinho (PSC-SP), que apresentou um substitutivo no dia 8 de maio.
A proposta que cria o programa Escola sem Partido proíbe conteúdos de “gênero” e de “orientação sexual” em escolas brasileiras. Se o parecer fosse aprovado na reunião, onde a maioria dos integrantes é de bancadas religiosas conservadoras, o texto seguiria para o plenário da Câmara dos Deputados. A expectativa, a partir de agora, é que o texto não seja votado em plenário nos próximos meses, entre outros motivos, devido ao momento eleitoral.
Ainda assim, parlamentares contrários à medida afirmam que a população, os movimentos populares e entidades sindicais devem manter atenção. Nos corredores do Congresso há quem afirme que os deputados que apoiam o projeto buscam apenas tempo para recompor as forças desde sua base, já que existem divergências entre eles.
Um dos críticos do projeto Escola sem Partido, o deputado Bacelar (Pode-BA) já apresentou voto contrário ao parecer do relator, apontando inconstitucionalidade.
“É um projeto retrógrado. Utilizam valores familiares como um guarda-chuva para implantar a censura na sala de aula. Para os apoiadores, a família representa apenas a relação entre um homem e uma mulher. Eles desconsideram, entre outras questões, os diversos arranjos familiares que existem na sociedade. Além disso, cabe à família a educação informal e cabe à escola a educação crítica, baseada em concepções científicas e republicanas. Imagine se cada família decidisse o conteúdo da educação que a escola deveria dar. Uma família com viés racista, por exemplo, não iria querer trabalhar a história da libertação dos negros no Brasil”, avalia o deputado.
A proposta deste PL é nociva à educação, ao país e à democracia, avalia a deputada federal Erika Kokay (PT-DF). “É muito importante que a comunidade escolar continue sensibilizando a sociedade sobre os riscos que estamos correndo. As mobilizações que vêm acontecendo assustam os fundamentalistas, que decidiram suspender a reunião. Mas é preciso manter as ações e aprofundar o diálogo com a sociedade para impedir que as escolas sejam amordaçadas”, afirma.
Para Bacelar, a educação deve ser laica e estar em sintonia com a realidade do povo brasileiro. “Como combater a violência doméstica sem falar sobre a realidade que as mulheres vivem e sobre a desigualdade de gênero? Como combater a homofobia sem falar sobre orientação sexual? Essas questões precisam ser discutidas nas salas de aula das escolas brasileiras”, propõe o parlamentar.
Ao lado de outros deputados e deputadas contrários ao projeto, Bacelar e Erica Kokay garantem que usarão todos os instrumentos regimentais para obstruir a votação no próximo período. Além disso, a população também pode pressionar os deputados que compõem a comissão, conforme lista a seguir.
RODRIGO MAIA – DEM/RJ
Presidente da Câmara dos Deputados
(61) 3215-5308 | dep.rodrigomaia@camara.leg.br
ALAN RICK MIRANDA – DEM/AC (titular)
(61) 3215-5650 | dep.alanrick@camara.leg.br
ANTONIO BULHÕES – PRB/SP (titular)
(61) 3215-5327 | dep.antoniobulhoes@camara.leg.br
BACELAR – PODE/BA (titular)
(61) 3215-5381 | dep.bacelar@camara.leg.br
DARCÍSIO PERONDI – MDB/RS (titular)
(61) 3215-5518 | dep.darcisioperondi@camara.leg.br
EDUARDO BOLSONARO – PSL/SP (titular)
(61) 3215-5481 | dep.eduardobolsonaro@camara.leg.br
HILDO ROCHA – MDB/MA (titular)
(61) 3215-5734 | dep.hildorocha@camara.leg.br
JOÃO CAMPOS – PRB/GO (titular)
(61) 3215-5315 | dep.joaocampos@camara.leg.br
JOSUÉ BENGTSON – PTB/PA (titular)
(61) 3215-5505 | dep.josuebengtson@camara.leg.br
LINCOLN PORTELA – PR/MG (titular)
(61) 3215-5615 | dep.lincolnportela@camara.leg.br
MARCOS ROGÉRIO – DEM/RO (presidente)
(61) 3215-5930 | dep.marcosrogerio@camara.leg.br
PASTOR EURICO – PATRI/PE (titular)
(61) 3215-5906 | dep.pastoreurico@camara.leg.br
ARNALDO FARIA DE SÁ – PP/SP (suplente)
(61) 3215-5929 | dep.arnaldofariadesa@camara.leg.br
CARLOS ANDRADE – PHS/RR (suplente)
(61) 3215-5758 | dep.carlosandrade@camara.leg.br
JOSÉ CARLOS ALELUIA – DEM/BA (suplente)
(61) 3215-5854 | dep.josecarlosaleluia@camara.leg.br
JUNIOR MARRECA – PATRI/MA (suplente)
(61) 3215-5537 | dep.juniormarreca@camara.leg.br
JEFFERSON CAMPOS – PSB/SP (titular)
(61) 3215-5346 | dep.jeffersoncampos@camara.leg.br
PAULO FREIRE – PR/SP (titular)
(61) 3215-5416 | dep.paulofreire@camara.leg.br
JOAQUIM PASSARINHO – PSD/PA (suplente)
(61) 3215-5339 | dep.joaquimpassarinho@camara.leg.br
FÁBIO SOUSA – PSDB/GO (titular)
(61) 3215-5271 | dep.fabiosousa@camara.leg.br
FLAVINHO – PSC/SP (relator)
(61) 3215-5369 | dep.flavinho@camara.leg.br
ROGÉRIO MARINHO – PSDB/RN (titular)
(61) 3215-5446 | dep.rogeriomarinho@camara.leg.br
IZALCI LUCAS – PSDB/DF (suplente)
(61) 3215-5602 | dep.izalcilucas@camara.leg.br
RICARDO IZAR – PP/SP (titular)
(61) 3215-5634 | dep.ricardoizar@camara.leg.br
LEO DE BRITO – PT/AC (titular)
(61) 3215-5619 | dep.leodebrito@camara.leg.br
PEDRO UCZAI – PT/SC (titular)
(61) 3215-5229 | dep.pedrouczai@camara.leg.br
PROFESSORA MARCIVANIA – PCdoB/AP (titular)
(61) 3215-5338 | dep.professoramarcivania@camara.leg.br
POMPEO DE MATTOS – PDT/RS (titular)
(61) 3215-5704 | dep.pompeodemattos@camara.leg.br
DELEGADO FRANCISCHINI – PSL/PR (titular)
(61) 3215-5265 | dep.delegadofrancischini@camara.leg.br
JUNIOR MARRECA – PATRI/MA (suplente)
(61) 3215-5537 | dep.juniormarreca@camara.leg.br
MARCO FELICIANO – PODE/SP (suplente)
(61) 3215-5254 | dep.pr.marcofeliciano@camara.leg.br
ROBERTO ALVES – PRB/SP (suplente)
(61) 3215-5946 | dep.robertoalves@camara.leg.br
SÓSTENES CAVALCANTE – DEM/RJ (suplente)
(61) 3215-5560 | dep.sostenescavalcante@camara.leg.br
ERIKA KOKAY – PT/DF (suplente)
(61) 3215-5203 | dep.erikakokay@camara.leg.br
JOAQUIM PASSARINHO – PSD/PA (Suplente)
(61) 3215-5339 | dep.joaquimpassarinho@camara.leg.br
SORAYA SANTOS – PR/RJ (suplente)
(61) 3215-5352 | dep.sorayasantos@camara.leg.br
ÁTILA LIRA – PSB/PI (suplente)
(61) 3215-5640 | dep.atilalira@camara.leg.br
EZEQUIEL TEIXEIRA – PODE/RJ
(61) 3215-5210 | dep.ezequielteixeira@camara.leg.br
GLAUBER BRAGA – PSOL/RJ (titular)
(61) 3215-5362 | dep.glauberbraga@camara.leg.br
JEAN WYLLYS – PSOL/RJ (suplente)
(61) 3215-5646 | dep.jeanwyllys@camara.leg.br
Leia também: NOTA DA CNTE | Lei da Mordaça (“Escola Sem Partido”) é inconstitucional, antidemocrática e antipedagógica Fonte: CUT-SP
CUT: um projeto de organização política para derrotar o golpe
Jornalista: sindicato
A necessidade de se reorganizar para enfrentar os desafios impostos pelo golpe jurídico-parlamentar-midiático de 2016 foi consenso na reunião da direção estadual da CUT Brasília, realizada no último dia 30. Reunidos na Chácara do Professor, no núcleo rural de Brazlândia, os dirigentes cutistas refletiram sobre os caminhos alternativos à piora crescente das condições de trabalho, configuradas atualmente em uma situação de precarização, instabilidade, vulnerabilidade e fragilidade. E a solidificação de um movimento sindical militante, eficiente e ativo, que preze, mais que nunca, pelos princípios da CUT, de liberdade e autonomia sindical e solidariedade de classe, se vê urgente e imprescindível.
“Ou nos reorganizamos para enfrentar o novo ciclo, ou o movimento sindical terá prejuízos profundos”, alertou a vice-presidenta da CUT Nacional, Carmen Foro. Para ela, que participou do encontro da direção estadual, essa reorganização da luta “se faz com muito diálogo”.
O principal ataque ao mundo do trabalho foi a criação da nova legislação trabalhista imposta pelo governo ilegítimo Michel Temer. O texto, aprovado às pressas pela base aliada ao golpista no Congresso Nacional, com o respaldo do grande empresariado que financiou o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff e o povo brasileiro, modificou mais de 100 itens na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e estabeleceu um retrocesso sem precedentes. Os danos são tão grandes que, por causa da nova lei, o Brasil entrou em uma “lista suja” da OIT (Organização Internacional do Trabalho), já que a reforma trabalhista viabiliza o descumprimento de leis internacionais de proteção aos trabalhadores, principalmente o direito à organização e à negociação coletiva, estabelecidos na Convenção 98.
O tema foi abordado durante a reunião da direção estadual da CUT Brasília, pelo secretário de Relações Internacionais da CUT, Antônio Lisboa. Ele participou da 107ª Conferência Internacional do Trabalho, em Genebra, na Suíça, quando a “lista suja” foi anunciada. “Com essa afirmação, a OIT confirma o que a CUT e o movimento sindical como um todo vêm dizendo: a reforma trabalhista retrocede direitos e as relações trabalhistas no nosso país em quase um século. Agora, não há outro jeito: temos que ousar”, diz Lisboa.
Para o presidente interino da CUT Brasília, Rodrigo Rodrigues, a luta em defesa da classe trabalhadora está diretamente ligada à luta pela liberdade do presidente Lula e à garantia de que ele se eleja candidato à presidente dos Brasil nas próximas eleições.
“A prisão de Lula também representa a impossibilidade de mudanças do cenário atual. Lula, a representação maior do movimento operário, tornou-se uma ideologia: a que almeja a construção de um Brasil que realize a distribuição de renda, que valorize o patrimônio público, que promova o aprimoramento e a universalização dos serviços públicos. Um Brasil sem miséria, sem fome. Um Brasil em que a relação de explorador x explorado seja, pelo menos, atenuada com a garantia de direitos e legislações que favoreçam a classe trabalhadora”, contextualizou.
Por entender como central a luta em defesa de Lula, Rodrigues destacou duas atividades: o Dia do Basta, programado para 10 de agosto, e a Marcha a Brasília, agendada para 15 do mesmo mês, data em que o presidente Lula registrará sua candidatura. As duas atividades têm como eixo a garantia da participação de Lula nas eleições e a consequente reversão dos inúmeros retrocessos sociais e trabalhistas impostos pelo golpe.
Todavia, o presidente interino da CUT Brasília entende que a luta em defesa de Lula deve ser travada na mesma proporção da solidificação das organizações sindicais cutistas. “É necessário que as nossas bases compreendam a CUT e seus sindicatos como organizações de classe, não como ‘despachantes’. E é por isso que o debate sobre nossa organização e nossa política sindical deve ser diário e urgente. Somente a partir da luta coletiva conseguiremos superar os danos do golpe.” O fantasma da privatização
O processo de privatização das empresas públicas foi um dos temas da reunião da direção estadual da CUT Brasília, no dia 30 de junho. Desde o golpe de Michel Temer, empresas como a Eletrobras, os Correios, a Caixa Econômica e a Petrobras enfrentam uma série de ataques que têm como pano de fundo a entrega do patrimônio público ao capital privado.
A dirigente do Sindicato dos Urbanitários do DF, Fabíola Antezana, falou do atual debate sobre a privatização da Eletrobras e as graves consequências disso para o povo brasileiro, que vão desde o aumento potencial da tarifa de energia, até a precarização do serviço à população.
Segundo ela, atualmente há três projetos de lei no Congresso Nacional que visam à privatização da estatal, dois deles parados e um que pode ser votado a qualquer momento pela Câmara dos Deputados. Durante a reunião da direção estadual da CUT Brasília, a dirigente sindical falou da luta da categoria contra a venda da Eletrobras e o reflexo disso no Congresso. “Passamos o ano de 2017 e chegamos a 2018 com a garantia de que a pauta (da privatização da Eletrobras) fosse polêmica no Congresso. Próximo às eleições, os parlamentares não querem se vincular publicamente a esta pauta”, diz.
A presidenta do Sintect-DF, sindicato que organiza os trabalhadores dos Correios, Amanda Corcino, denunciou o desmonte da estatal com o objetivo de entregá-la ao capital privado.
“A privatização dos Correios vem sendo preparada. Hoje, por causa da sua folha de pessoal, ele não está pronto para ser entregue a uma empresa privada. E essa preparação vem sendo feita com a extinção de cargos, a terceirização ilimitada, o fechamento de mais de 500 agências, com o plano de demissão voluntária e a precarização das negociações com os trabalhadores”, afirma Amanda Corcino.
O representante dos petroleiros, Vereníssimo Barçante, que também é dirigente da CUT, lembrou do ataque à Petrobras e da luta da categoria para manter a empresa como propriedade do Estado. “Estão inventando todo tipo de desculpa para demitir trabalhadores de empresas estatais. Por isso, estamos tentando construir uma greve conjunta com os eletricitários, para denunciar as privatizações e demissões.” A disputa do futuro
A construção do antipetismo, antilulismo e anticutismo teve seu ápice na última vitória de Dilma Rousseff nas urnas, mas sempre foi propagada pela mídia comercial e outros setores reacionários. A ideia, que padece de respaldo material ou histórico, é um dos pilares do golpe de 2016, conseguiu permear a classe trabalhadora e vem causando uma série de problemas no meio sindical, como a entrega das entidades classistas a grupos que compactuam com a ideia patronal.
Para retomar com força total os sindicatos que representam as diversas categorias de trabalhadores, a reunião da direção estadual da CUT Brasília ressaltou a necessidade de intensificar o trabalho de base e a solidariedade de classe como tarefas diárias.
“O que está colocado em jogo não é a perda nas eleições do sindicato A, B ou C: é o nosso futuro”, destacou o bancário Rodrigo Britto, que colaborou com os debates da reunião da direção estadual da CUT Brasília.
A autossustentação dos sindicatos é um dos debates feitos quando se pauta o fortalecimento das organizações de trabalhadores. Quanto a isso, o secretário de Administração e Finanças da CUT Brasília, Julimar Roberto, reafirmou que a Central nasceu com ideia oposta ao imposto sindical, já que isso está vinculado à interferência do Estado na organização classista. “Nós defendemos a substituição do imposto sindical por uma taxa negocial, aprovada em assembleia, onde os próprios trabalhadores definem o percentual do desconto e a forma como é feito. Essa seria a forma de autossustentação dos sindicatos. Mas não aceitamos a forma como o governo golpista pôs fim ao imposto, já que isso foi feito para minar os sindicatos de trabalhadores”, esclarece. GDF mira no servidor público
A reunião da direção estadual da CUT Brasília também denunciou o desmonte dos serviços públicos encabeçados pelo atual governador do DF, Rodrigo Rollemebrg.
Professores, trabalhadores em escolas públicas, trabalhadores do Detran foram algumas das categorias representadas na reunião, que denunciaram o descaso do governo com o funcionalismo público. Segundo eles, a forma que Rollemberg encontra para desmontar o serviço público local é com a desvalorização do serviço e dos servidores. Por diversas vezes, os servidores públicos tiveram negado o direito a reajuste salarial (garantido em lei), e vêem a crescente da terceirização nos postos de trabalho.
Além da linha privatista, o GDF também se mostra inimigo dos trabalhadores terceirizados. “Praticamente todo mês é uma greve por falta de pagamento de salário”, denuncia a presidenta do Sindiserviços, Maria Izabel. Diante do grave ataque à categoria, a sindicalista reforçou a necessidade da contribuição financeira à CUT, como forma de viabilizar a luta sindical.
Todos em defesa das empresas públicas e da soberania nacional em ato nesta quinta (5)
Jornalista: sindicato
Na esteira de uma importante vitória no Supremo Tribunal Federal (STF), que na semana passada proibiu, por meio de liminar, o governo ilegítimo Temer de vender o controle acionário de estatais e suas subsidiárias sem a aprovação do Legislativo e sem licitação prévia, os trabalhadores se unem num grande ato nesta quinta-feira (5), às 16h, na Rodoviária do Plano Piloto, no Dia Nacional de Luta em Defesa das Empresas Públicas e da Soberania Nacional.
A liminar foi concedida em uma ação cautelar movida pela Fenae e pela Contraf-CUT, e de imediato suspendeu o leilão da Lotex, das distribuidoras da Eletrobrás e de subsidiárias da Petrobrás. A decisão se estende aos estados e municípios.
A mobilização é uma orientação do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas e tem como objetivo de construir uma rede de defesa do patrimônio estatal, aí incluídos os bancos públicos.
Segundo a coordenadora do Comitê, Maria Rita Serrano, o objetivo é dar fôlego à luta coletiva em defesa das empresas públicas e garantir que esse assunto seja debatido profundamente durante a disputa eleitoral. Ela acrescenta que o movimento também irá intensificar, nos próximos meses, o corpo a corpo com atores políticos envolvidos nas eleições de 2018. População é contra as privatizações
A pauta das privatizações conta com grande rejeição popular. Uma pesquisa realizada em maio deste ano pela CUT/Vox identificou que 60% dos brasileiros são contra a venda da Petrobrás e da Caixa Econômica, enquanto 58% se colocam de forma contrária à privatização do Banco do Brasil. Além disso, 57% rejeitam a venda da Eletrobrás.
Quando colocada de forma mais genérica, sem citar nomes de empresas públicas específicas, a pauta tem rejeição maior ainda. Essa foi a constatação parte de uma pesquisa publicada em dezembro de 2017 pelo Datafolha segundo a qual 70% dos brasileiros são contra as privatizações. Fonte: Sindicato dos Bancários de Brasília
Por unanimidade, trabalhadores, centrais sindicais e parlamentares, rechaçaram a “reforma” trabalhista (Lei 13.467/17), nesta terça-feira (3), durante seminário sobre os impactos da nova legislação, na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados. O encontro resultou em um documento assinado pelas organizações denunciando a degradação das relações de trabalho e reivindicando a revogação da reforma trabalhista.
Um dos pontos duramente rebatidos pelos participantes foi em relação à extrema precarização advinda da aprovação da medida. A reforma foi sancionada sob a fajuta falácia da necessidade de modernização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e aumento na oferta de empregos. Entretanto, em seu oitavo mês de vigência, não são vistos avanços, mas sim, prejuízos para toda classe trabalhadora.
Essa análise foi feita pelo presidente do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Celso Napolitano. Para Celso, a avaliação da vigência da reforma é negativa. Ele apresentou dados levantados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD que mostrou que não houve avanços. De acordo com o levantamento, o país tem, atualmente, mais de 13 milhões de pessoas desempregadas.
“A desculpa de crescimento e modernidade é uma mentira, pois na verdade o cenário que vemos é de completa precarização das relações de trabalho. O trabalho intermitente, por exemplo, sempre existiu, mas era uma situação específica para determinados trabalhos como buffes e feiras. Agora, os patrões querem demitir trabalhadores formais e contratar trabalhadores intermitentes e isso é muito grave. Está constatado que a reforma, além de precarizar, diminuiu de R$ 10 a R$14 no salário mínimo dos trabalhadores. Os problemas que tínhamos foram legalizados e incorporados na legislação. Uma pesquisa da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) mostrou que 31,5% da população não acredita que a reforma pode gerar novos empregos. Por isso, na avaliação do Diap, é preciso que as representações lutem em conjunto para que haja a revogação ou a correção de vários pontos”, explicou.
Já a vice-presidenta da Associação Brasileira de Advogados Trabalhista (ABRAT), Alessandra Camarano, relembrou os retrocessos que a nova legislação representa para as mulheres. Para ela, a reforma é um ataque, pois coloca as trabalhadoras, já tão penalizadas pela desigualdade de gênero, ainda mais sob o domínio dos patrões.
“A mulher protagoniza situações de total invisibilidade por conta do sistema patriarcal em que estamos inseridas. Verificamos, ao longo da historia, que sempre que a mulher avança nas conquistas, algo acontece e ela retrocede. A Lei 13.467 representa mais um retrocesso. Com ela, a mulher volta a participar de uma atuação de mera utilidade. O que vale é sempre o lucro e não a dignidade do homem e da mulher. O serviço terceirizado que é, em sua maioria, composto por mulheres as coloca em condições e salários ainda mais precários. No atual sistema, o assédio moral e sexual, podem ser ainda mais potencializados”, explica.
A fala de Alessandra Camarano pode ser comprovada pela opinião da presidenta do Sindicato dos Trabalhadores Terceirizados no DF (Sindiserviços), Maria Izabel Caetano. Para a dirigente, reforma não tem nada de inovador.
“Os que impõem a reforma têm a explícita intenção de exploração da mão de obra barata, indiscriminadamente e sem os direitos garantidos, visando única e exclusivamente a ampliação gananciosa dos lucros de patrões. Não podemos admitir tamanho retrocesso”, alegou.
Já o secretário adjunto de Relações de Trabalho da CUT Nacional, Pedro Armengol, esta pauta é de extrema importância, principalmente no atual cenário político que é vivenciado nos pais. “Antes do golpe nós já alertávamos à população que era na verdade um golpe articulado contra a classe trabalhadora. O ataque foi Instituído em uma ampla agenda sustentada em quatro pilares: Emenda Constitucional (EC 95), reforma trabalhista, a ameaça da Reforma da Previdência e o impedimento de Lula ser candidato. Vivemos um estado em que pode tudo, desde aprovar projetos sem voto e prender sem prova. É um verdadeiro Estado de Exceção. Precisamos lutar e mudar essa situação”, convocou o dirigente.
O Seminário foi organizado em três eixos de debate. O primeiro realizado em maio, avaliou as condições econômicas da reforma para a economia nacional. Nesse segundo encontro, foi discutida a controvérsia jurídica gerada do novo texto legal. Por fim, um terceiro eixo, ainda sem data marcada, analisará os impactos concretos e imediatos vivenciados pelos que lidam com a realidade contratual do mundo do trabalho e que realizam as negociações coletivas. Fonte: CUT Brasília
Vencedor das eleições, Obrador promete frear privatizações e recuperar PEMEX
Jornalista: Leticia
O candidato de esquerda Andrés Manuel López Obrador venceu as eleições presidenciais do México com ampla margem de votos, segundo o Instituto Eleitoral do país, que fez uma contagem baseada em resultados de cerca de 8 mil locais de votação, ou 5% do total de cabines. O método tem uma margem de erro de meio ponto percentual. Já o comparecimento dos eleitores é estimado entre 62,9% e 63,8% dos mais de 89 milhões de eleitores registrados.
Obrador tem entre 53% e 53,8% dos votos. O segundo colocado, Ricardo Anaya, de uma coalizão entre o conservador Partido da Ação Nacional centro-esquerdista Partido da Revolução Democrática deve somar 22,1% e José Antonio Meade, apoiado pelo governo atual, deve ter entre 15,7% e 16,3%. O candidato independente Jaime Rodriguez deve ter recebido entre 5,3% e 5,5% dos votos, segundo os cálculos do instituto.
A vitória de Obrador põe fim a 90 anos de alternância no poder entre políticos do Partido Revolucionário Institucional (PRI) e do Partido de Ação Nacional (PAN).
Comprometendo-se a erradicar a corrupção e reprimir os cartéis de drogas com uma abordagem menos agressiva, López Obrador promete também trabalhar para reduzir a desigualdade no país. Saiba quem é o novo presidente do México
Apesar de não ser considerado um candidato da esquerda tradicional, Obrador é um político que surge das bases do chamado “nacionalismo revolucionário mexicano”, representado pelo ex-presidente Lázaro Cardenas, que governou o México entre 1934 e 1940, e promoveu reformas importantes no estado, a exemplo do que fez Getúlio Vargas no Brasil e o general Juan Domingos Perón na Argentina.
O discurso nacionalista de Obrador está relacionado, sobretudo, ao setor econômico. Ele afirma que as riquezas naturais do país, como o petróleo e a água, continuarão sob o controle do Estado mexicano.
O presidente Peña Nieto propôs em 2014 uma reforma energética, que privatizou parte do setor elétrico. Também permitiu maior abertura no setor petroleiro para entrada de empresas estrangeira no setor de exploração e produção, que hoje é controlado pela empresa estatal Pemex.
“Vou frear as privatizações e recuperar a PEMEX para os mexicanos”, disse Obrador.
No dia 10 de abril, o candidato se reuniu com 5 mil camponeses no estado de Zacatecas, na região central do país, onde assinou um documento onde reafirma seu compromisso de implementar o Plano de Ayala do Século 21, que propõe uma série de políticas de produção agrícola direcionada aos pequenos produtores rurais e comunidades indígenas.
“Vamos devolver ao México a soberania alimentar que perdeu com os governos neoliberais”, garantiu Obrador.