Lançamento da revista Jacobin Brasil nesta quarta-feira (2)

Pela primeira vez, a revista Jacobin Brasil realiza o lançamento de uma edição impressa no Distrito Federal. O evento será nesta quarta-feira (2/8), às 19h, no restaurante Tia Zélia, situado na Vila Planalto, Acampamento Pacheco Fernandes. Na ocasião, haverá um debate acerca da temática desta sexta edição intitulada Jacobin Brasil Esquerda & Poder.

A Mesa tem como foco central o debate estratégico da esquerda, especialmente à luz do início do governo Lula III e da, ainda presente, ameaça fascista sobre o País. “Como a Jacobin possui uma ética propositiva, focaremos também em pensar táticas e pautas que possam contribuir na convergência das lutas do campo progressista”, informa Marcos Queiroz, informa Marcos Queiroz, editor-chefe da Jacobin Brasil, professor do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), doutor em Direito pela Universidade de Brasília (UnB), com sanduíche na Universidad Nacional de Colombia e na Duke University

A Mesa será formada por ele mesmo, Marcos Queiroz, como mediador, e os seguintes participantes: Fábio Félix (deputado distrital pelo PSOL); Adriana Erthal Abdenur (Assessora Especial do Presidente da República) e Rita de Oliveira (secretária executiva do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania).

Queiroz informa que a Jacobin surgiu no Brasil, em 2019, para animar e oxigenar o debate da esquerda socialista. “Desde a nossa primeira edição, temos tentado resgatar e mobilizar temas fundamentais do campo progressista, como a atualidade do marxismo, a importância de Paulo Freire e as relações entre ecologia e luta de classes. Estou substituindo as nossas duas primeiras editoras, Sabrina Fernandes e Aline Klein, e essa sexta edição tenta levar o legado delas adiante”, informa o editor.

Segundo ele,  “como está colocado no editorial desta edição, após 10 anos das Jornadas de Junho de 2013 e diante da vitória eleitoral de 2022 e do início do governo Lula III, o nosso foco é debater o que aprendemos com esses últimos anos e como podemos e devemos fazer para empurrar o poder à esquerda, tracionando-o para abrir caminhos a vitórias mais profundas e duradouras”.

Esses foram os questionamentos que acompanharam todos os convites realizados aos autores e às autoras desta edição. “Assim, a edição funciona como um ecossistema de análises, propostas e táticas para a mudança social, na acepção empregada por Rodrigo Nunes em seu texto “Por uma ecologia da práxis”. Numa aproximação com que Antonio Bispo dos Santos chama de “confluência”, trata-se de uma aposta política baseada no respeito, no diálogo e na convergência de diferentes caminhos para derrotar as artimanhas da classe dominante”.

Colaboradores da sexta edição

Entre todas as edições brasileiras, esta é a que traz o maior número de contribuições. Dentre os autores e autoras, destacam-se Ailton Krenak (filósofo e ativista do movimento socioambiental e de defesa dos direitos indígenas), Breno Altman (jornalista e fundador do site Opera Mundi), Juliane Furno (professora de economia da UERJ e assessora da presidência do BNDES), Fábio Felix (deputado distrital do PSOL e mais votado da história do DF), Rosa Amorim (deputada estadual do MST pelo PT/PE) e Vladimir Safatle (filósofo).

O editor-geral diz ainda que a equipe da Jacobin espera que o lançamento em Brasília seja um espaço de confluência e estreitamento de laços da Jacobin com a esquerda presente no Distrito Federal, para compartilharmos não só discussões sobre estratégia política, mas também afetos e visões de mundo. Que dele também sejam reforçadas e surjam alianças e processos de camaradagem.

“Gostaria apenas de reforçar o convite do lançamento para os e as camaradas do Distrito Federal. Será lindo contar com a presença de vocês e seguir estreitando laços, afetos e lutas”, convida.

Conheça a revista Jacobin

A Jacobin surgiu em setembro de 2010, nos Estados Unidos. A Jacobin Brasil existe desde 2019. Nesses 4 anos no Brasil, além das seis revistas impressas, publicamos mais de 1.600 artigos no nosso site, que foram acessados gratuitamente por mais de 3 milhões de pessoas. A Jacobin é uma revista de cultura socialista.

Ela faz parte de uma rede internacional de revistas irmãs, que existe em vários países, e se caracteriam por uma análise de nosso tempo a partir de uma perspectiva de classe e pela tentativa de construir um projeto atualizado da classe trabalhadora para transformação da realidade.

“Nesse sentido, ela não é uma revista de uma organização, de uma tendência ou nem sequer de uma tradição dentro da esquerda. Ela professa o que, às vezes, a gente chama de ‘ecumenismo socialista’: ela é multiconfessional”, explica Victor Ximenes Marques, professor da Universidade Federal do ABC, editor associado e um dos membros fundadores da revista Jacobin.

Assim, o(a/e) leitor(a/e) encontra, na produção do conteúdo dessa revista, colaboradores(as) do PSOL, PT, PCB, de outros tipos de organizações e pessoas não filiadas, autonomistas, que participam da confecção do periódico.

Este número de lançamento no Distrito Federal, em particular, chama-se Esquerda & Poder e se propõe a fazer um debate estratégico no marco dos 10 anos das chamadas Jornadas de Junho de 2013, tentando entender a relação da esquerda com o poder, durante esse momento, ou seja, nesse arco que vai desse momento de agitação de massas até o retorno a um governo progressista de centro-esquerda após a derrota eleitoral do bolsonarismo.

“O que aprendemos com esse arco? Como é que ele pode nos ajudar a pensar para a frente? Quais são as lições e quais são as tarefas da esquerda agora que temos novamente um governo de centro-esquerdas?”. Análises e respostas a essas e outras questões fazem parte desta edição de lançamento no Distrito Federal.

A revista chegou no Brasil, primeiramente, como uma plataforma web, e existe na Internet, mas ainda em 2019, houve o lançamento de uma edição impressa. Desde então ela tem duas edições impressas por ano.

Segundo Marques, ela surge num momento de uma profunda crise política e também na esteira da campanha de solidariedade pela liberdade do presidente Lula, que acompanhamos desde o primeiro momento; pelo enfrentamento da extrema direita, agora na arena eleitoral; e para marcar o contraponto de defesa dos valores, dos símbolos, da luta histórica dos socialistas no momento em que a Presidência da República estava sendo ocupada por forças, abertamente, hostis ao socialismo, fazendo campanhas de divulgação contra o socialismo.

“Queríamos marcar esse contraponto e dizer que os socialistas estão aqui, estão vivos, não temos medo e vamos levantar nossas bandeiras, nossas ideias, defender nossa tradição histórica. E é assim que a Jacobin aparece, num primeiro momento, no Brasil: travando a batalha de ideias e fazendo um trabalho, por um lado, de agitação e de propaganda em defesa dos valores e do projeto socialista; e, em segundo lugar, oferecendo um espaço de formulação, sobretudo de uma formulação estratégica que poderia abarcar uma variedade da esquerda socialista em que a gente poderia atender melhor as nossas divergências e, na melhor das hipóteses, construir algumas sínteses”, afirma o professor da Universidade do ABC.

Lançamentos das edições impressas

A cada 2 meses, sai uma edição impressa da revista e, cada vez que é lançada uma nova edição impressa, a equipe da revista realiza atividades de lançamento. Essa vai ser a primeira atividade que vamos fazer em Brasília e é muito adequado porque esta é uma edição que discute especificamente esquerda e poder.

“Abrimos com um editorial, de autoria do editor-chefe, Marcos Queiroz, cujo título é “A batalha da Alvorada”, fazendo uma menção a nossas pretensões históricas de um novo dia, de um novo mundo, de um novo tempo que vem, mas também à batalha muito específica em torno da Esplanada dos Ministérios e do Palácio da Alvorada, uma região que ficou marcada, inclusive, com a tentativa de inssurreição fascista, uma tentativa de golpe da extrema direita de 8 de janeiro de 2023, e que mostra que tem ainda um embate, uma polarização na sociedade que o nosso governo tem grandes tarefas”, informa.

Marques diz que o governo Lula não é um governo só da esquerda, mas é um governo que tem socialistas dentro. “Nós da Jacobin defendemos uma espécie de atuação combinada, fortalecendo os movimentos extraparlamentares,a mobilização de rua, a pressão da classe trabalhadora organizada por fora das instituições, mas também o engajamento com a institucionalidade, com os partidos, inclusive com as eleições. E temos vários segmentos da esquerda que apontam caminhos, estratégias e táticas diferentes e nós queremos dialogar com essa diversidade. Nesta edição, há participação de pessoas de vários partidos, como, por exemplo, do PT, justamente que se colocam mostrando o que se tem por fazer agora no governo. Assim, achamos muito adequado que, para discutir esquerda e poder, fizessemos, pela primeira vez, uma atividade em Brasília, contando com a presença de pessoas que trabalham no Parlamento e que estão dentro do governo também”.

Para acessar o site, clique no link a seguir: https://jacobin.com.br/

E aqui está a página da atual edição, onde alguns textos podem ser acessados gratuitamente: https://jacobin.com.br/revista/

 

No CCBB, a história dos holandeses no Brasil tem ingressos gratuitos para escolas

A peça teatral Babilônia Tropical estreia dia 3 de agosto no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Sua história tem como pano de fundo a presença holandesa no nordeste brasileiro na primeira metade do século XVII. O espetáculo conta com um programa de formação de plateia, e assim terá sessão com ingressos especiais para ONGs, escolas, universidades e instituições durante esta temporada. No primeiro sábado da temporada brasiliense, haverá um debate sobre como abordar a História do Brasil em peças teatrais.

Os interessados em obter os ingressos podem entrar em contato via WhatsAssp com:

  • Julia Tolentino 61 98257-5405
  • Gabriel Lopes – 21 96936-9515

O debate

No dia 5 de agosto, sábado,  às 17:30, haverá um debate antes da exibição da peça. A ideia é promover uma conversa sobre os desafios de se abordar a história do Brasil numa obra teatral e a percepção de que o passado permanece vivo e operante em nossas vidas. E análise dos mecanismos históricos que reforçam os estereótipos nas relações etnoraciais em nossa Sociedade.”

A mediação e interlocução do debate estará a cargo de Glaucia Verena, diretora geral e fundadora LabVoz Graduada, Mestre e Doutoranda na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Cientista, especialista em Voz com trabalhos publicados em revistas internacionais. Formação musical na ULM em piano e canto lírico. Desenvolve construção de comunicação inclusiva e diversidade em instituições e processos artísticos. Além disso é fundadora do primeiro coletivo negro na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Núcleo Ayé, que promove pertencimento, letramento racial e posicionamento político institucional e é Diretora de Diversidade na Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia.

 

A peça

Babilônia Tropical conta a história da presença holandesa no Brasil no século XVII a partir do olhar de uma mulher que existiu, chamada Anna Paes. Filha de um dono de engenho de Pernambuco, estudou mais do que era permitido às mulheres do seu tempo. Casou-se aos dezoito anos, mas o marido morreu três meses depois numa batalha contra os holandeses. Com a morte do pai na sequência, ela se vê na condição de maior liberdade que uma mulher pôde experimentar na sociedade de então: livre dos jugos do pai e do marido.

Respirando os ares de modernidade e liberdade trazidos pelos holandeses, ela assume a administração do Engenho Casa Forte e vive intensamente a tentativa de construção de uma sociedade civilizada – com todas as contradições que esta ideia traz em si – num lugar até então distante e esquecido do centro das decisões que afetavam o resto do mundo, a Europa.

Anna Paes adota o calvinismo ao se casar com um holandês, mas, com a vitória do movimento de resistência luso-brasileiro, tem seus bens confiscados e é obrigada a partir.

Com sucesso de público e crítica em sua estreia em maio, em Belo Horizonte, Minas Gerais, o
espetáculo tem cenas que revelam lugares mais oblíquos do racismo, justamente por parte
daquelas personagens que se veem como artistas ‘antirracistas.

Com duração de aproximadamente 80 minutos, “Babilônia Tropical” oferece ao público uma
experiência sensorial rica e instigante, com música ao vivo e recursos audiovisuais, utilizando
desde imagens de arquivos históricos até filmagens realizadas em estúdio por uma equipe
audiovisual, com imagens de grande impacto e beleza.

O projeto recebeu apoio da Embaixada dos Países Baixos para o desenvolvimento da
dramaturgia, o que possibilitou uma viagem do autor Marcos Damigo a Pernambuco, bem como a
participação do historiador Daniel Breda no processo de pesquisa, além de uma primeira imersão
com o elenco da peça em 2022.

Babilônia Tropical estará em cartaz de 3 a 27 de agosto, sempre de quinta a sábado às às 19h30 e aos domingos, às 18h. Classificação 14 anos.

Após a temporada em Brasília, a peça segue para o CCBB do Rio de Janeiro e de São Paulo.

SERVIÇO
Babilônia Tropical – A Nostalgia do Açúcar Gênero: Drama Histórico
Temporada: 03 a 27 de agosto
Horário: Quinta a Sábado, 19h30 | Dom, 18h
Classificação indicativa: 14 anos
Duração do espetáculo: 84 minutos

 

Dia 1º de agosto: dia do ato em prol da regulamentação da licença-paternidade

Os coletivos Grupo de Mulheres do Brasil/Brasília, Elas Pedem Vista, liBertha, Elas Discutem realizam, no dia 1º de agosto, às 16h, um ato público em prol da regulamentação da licença-paternidade no Brasil. O ato é aberto à participação de todos e todas e será realizado no hall da taquigrafia, no Anexo II da Câmara dos Deputados.

“A quem interessa a regulamentação da licença-paternidade no Brasil? Aos pais, que criam mais vínculos com seus filhos; às mães, que passam a dividir melhor a responsabilidade pelos cuidados; e aos próprios filhos, que se beneficiam dessa presença”, afirma o grupo Elas Discutem em postagem no Instagram.

Segundo o Elas Discutem, “embora seja um direito fundamental previsto na Constituição desde 1988, o Congresso Nacional pouco se preocupou com ele. Somente agora, em 2023, é que a Câmara dos Deputados finalmente criou um Grupo de Trabalho para dar o devido encaminhamento ao assunto!”

Também está em curso na Suprema Corte (Supremo Tribunal Federal – STF) o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) 20, em que se decidirá se o Legislativo está ou não em mora e quais seriam as consequências práticas disso.

O ato conta com o apoio da Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados e da Gráfica Movimento. O Sinpro-DF também se une à defesa da licença-paternidade e convida a quem puder a participar do ato em prol dessa regulamentação no dia 1º de agosto, às 16h, no hall da taquigrafia (Anexo II da Câmara dos Deputados).

“Esta é uma pauta de todos e de todas nós. Por isso, os coletivos Grupo Mulheres do Brasil, Elas Pedem Vista, LiBertha e Elas Discutem se uniram e contam com o valioso apoio da Secretaria da Mulher e da Gráfica Movimento. Precisamos de vocês!”

 

 

 
 
 
 
 
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Governo federal retoma a EJA com nova política, promessa de bolsas e formação técnica

O governo Lula irá anunciar a retomada da Educação de Jovens e Adultos (EJA) com nova política, que resgata investimentos financeiros do Estado na modalidade e estímulo com bolsas e formação técnica. Completamente abandonada no governo Jair Bolsonaro (PL), a EJA teve o menor orçamento do século XXI nos anos de 2020 e 2021, segundo o jornal O Globo. Dentre os cortes financeiros promovidos pelas gestões Bolsonaro-Temer (2016-2022), nos setores básicos do Estado, a EJA foi a mais impactada com o corte de 94% dos investimentos no setor educacional.

A verba, que ultrapassou R$ 1 bilhão em 2013, foi reduzida, no governo Michel Temer (MDB), para R$ 68 milhões, em 2018; e, no governo Bolsonaro, em 2021, contou com apenas R$ 7 milhões. Só durante a pandemia, segundo a Comissão Externa de Acompanhamento dos Trabalhos do Ministério da Educação (MEC), os recursos destinados à EJA caíram 70%, em 2020, e 67%, em 2021. Além disso, a modalidade perdeu mais de meio milhão de estudantes nos 3 primeiros anos do governo Bolsonaro. A denúncia foi divulgada em fevereiro de 2022, quando o jornal mostrou o resultado do Censo Escolar, o qual revelou uma queda brutal no número de matrículas, passando de 3,5 milhões, em 2018, para 2,9 milhões, em 2021, ano em que os investimentos financeiros na modalidade foram os menores do século XXI.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 72 milhões de pessoas entre 18 e 85 anos não terminaram o Ensino Médio e nem o Fundamental. Essas pessoas poderiam ter se beneficiado do programa. No mesmo retrocesso, 29.787 professores(as) deixaram de dar aulas para a EJA (em 2021, havia 232.607 educadores(as) atuando nessa área no País). O número de turmas, quando somadas EJA Ensino Fundamental e EJA Ensino médio, acompanhou a queda: de 137.144, em 2018, para 119.625, em 2021.

Na avaliação da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), a retomada da EJA pelo governo Lula é o primeiro passo para revogar essa “evasão incentivada” pelo governo Bolsonaro. “O resultado do golpe e a execução de um projeto de exclusão educacional do “governo Temer e Bolsonaro” foi deixar 70 milhões de pessoas de fora da escola pública. O governo Lula abre uma janela de oportunidade e esperança para a educação brasileira; Quando exige da Secadi um projeto revolucionário para a Educação de Jovens e Adultos, cujo o objetivo é garantir o direito à educação pública e gratuita aos filhos e filhas da classe trabalhadora. A CNTE seguirá contribuindo nos espaços de debate como FNE, Conselhos e Grupos de Trabalho na defesa da democratização do acesso à educação pública e gratuita”, afirma Guelda Andrade, secretária de Assuntos Educacionais da CNTE.

O presidente Lula vai anunciar a retomada da EJA nos próximos dias. Vale destacar que essa é a política educacional fundamental para o desenvolvimento do Brasil e a única maneira de o País recuperar a escolarização de quem teve de sair da escola na infância e adolescência. Importante lembrar, que, num gesto eleitoreiro, após abandonar a EJA, com o intuito de abrir essa modalidade à privatização, no início de 2022, ano eleitoral, Bolsonaro editou um decreto reestabelecendo o programa Brasil Alfabetizado, programa criado, em 2003, no primeiro Governo Lula e que estava parado desde o golpe de Estado de 2016. No entanto, ele retomou o programa com vários cortes, tornando-o diferente do original.

 

Confira a matéria do jornal O Globo sobre a retomada da EJA nos primeiros seis meses do novo governo Lula.

 


Retomada na educação

 

Ensino de jovens e adultos terá nova política, com promessa de bolsas e de formação técnica

 

Abandonado nos últimos anos, ensino de jovens e adultos terá nova política, com promessa de bolsas e formação técnica. País tem, atualmente, 9,6 milhões de pessoas com 15 anos ou mais de idade que não sabem ler e escrever; e 46% das pessoas com mais de 25 anos não completou educação básica

 

A educação de jovens e adultos (EJA) voltará a ter uma política nacional após a modalidade ter sido praticamente abandonada no governo Bolsonaro. O modelo já ganhou forma dentro da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), do Ministério da Educação. Ao GLOBO, a responsável pela área revelou que prevê o pagamento de bolsas de estudos para os alunos e interlocução com o ensino técnico para que os estudantes possam continuar sua formação atrelada a uma profissão. O nome provisório é “Alfabetiza Brasil EJA”.

 

— É um direito dessas pessoas estarem dentro de sala de aula num curso que faça sentido para a idade delas e que dê uma formação com a perspectiva que elas desejam, que pode ser ir para o mercado de trabalho ou para a universidade — afirma Zara Figueiredo, secretária responsável pela Secadi, em entrevista ao GLOBO.

 

O Brasil tem, atualmente, 9,6 milhões de pessoas com 15 anos ou mais de idade que não sabem ler e escrever. Cerca de 5,3 milhões delas vivem no Nordeste, e 5,2 milhões têm 60 anos ou mais. Além disso, somente em 2022 o país alcançou mais da metade (53,2%) da população de 25 anos ou mais com o ensino médio completo. Mesmo assim, para pessoas pretas e pardas, esse percentual é de apenas 47%, enquanto entre as brancas é de 60,7%.

 

Isso significa que há cerca de 65 milhões de brasileiros — os 46,8% de adultos que ainda não completaram o ensino médio — que poderiam se beneficiar com políticas de educação de jovens e adultos, completando seus estudos da educação básica (alfabetização, ensino fundamental e médio). No entanto, a modalidade foi esvaziada no governo de Jair Bolsonaro.

 

Em 2014, o orçamento para os programas desse tipo chegou a R$ 820 milhões. Na ocasião, o governo federal — sob a administração de Dilma Rousseff — tinha programas como o Projovem, que pagava uma bolsa para estudantes da EJA e criava condições especiais nas escolas, como espaços destinados aos filhos dos alunos. Também tinha o Brasil Alfabetizado, que destinava verba para voluntários, que não precisavam ser professores, para abrirem turmas de alfabetização sob a supervisão das secretarias municipais.

 

No entanto, a crise econômica e a priorização de outras pautas — como escolas cívico-militares e homeschooling — quase que extinguiram os programas federais para EJA. Em 2020, foram empenhados R$ 9 milhões. No ano seguinte, nova queda, e a verba gasta foi de apenas R$ 6 milhões, o menor montante já registrado para a modalidade no século XXI. Com isso, a EJA perdeu meio milhão de estudantes entre 2018 e 2021. Neste ano, com a mudança do governo, há R$ 60 milhões disponíveis.

 

— Estamos prevendo para os próximos anos um orçamento sólido para a nova política nacional de EJA que estamos criando. É um investimento alto, robusto. Mas não é só dinheiro. Para ela ser efetiva, temos que pensar que instrumentos são necessários para que esses alunos estejam dentro da escola e se formem, além de entender que cada grupo tem demandas diferentes — conta Figueiredo.

 

Outra característica da nova política é a presença de atores estratégicos para fazer a articulação entre as redes de ensino e os alunos, entender as necessidades do território e o que precisa melhorar para que os adultos que já deixaram a escola decidam retomar os estudos.

 

— Atualmente, há um processo de juvenilização da EJA. E boa parte deles já são arrimos de família e vão para o mercado de trabalho. Por isso, estamos fazendo essa política com a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec), do MEC, já que a inclusão produtiva desses alunos é tão importante para a gente — diz.

 

Pauta histórica

 

De acordo com a secretária, a política de EJA é simbólica para este governo. A modalidade esteve no centro da obra de Paulo Freire, mais importante filósofo da educação brasileira no mundo e principal alvo do bolsonarismo nesse campo. Atualmente, seu formato está sendo discutido no MEC e em breve será encaminhado para a Casa Civil. Quando for finalizada, deve ser anunciada pelo próprio presidente Lula. No entanto, ainda não tem data para isso acontecer.

 

— Essa é uma das políticas mais difíceis de se desenhar por conta de todas essas camadas. Estamos fazendo o desenho mais duro da política, considerando acesso, aprendizagem e erradicação do analfabetismo. E, no segundo momento, vamos trabalhar as condições efetivas que as pessoas têm para frequentar a escola. Estamos pensando em temas como: será que a escola não precisa ir até o educando? Estamos levando o educando com a sua necessidade para dentro da escola? Tudo isso precisa de arranjo específico. Estamos debruçados sobre esse plano há quase três meses — afirma a secretária.

 

 

Na matéria, O Globo divulga um gráfico intitulado “Desintegração histórica” no qual mostra a queda no orçamento da EJA, que chegou aos menores valores do século XXI em 2020 e 2021.

 

MATÉRIA EM LIBRAS

CED 6 de Ceilândia apresenta uma Odisseia Cultural

Há dez anos o Centro Educacional 6 de Ceilândia promove um projeto que incentiva os(as) estudantes a passarem por processos importantes e necessários do trajeto pedagógico: lembrar, compreender, aplicar, analisar, avaliar e criar. Em 2009, com intuito de melhorar as práticas avaliativas da escola, o grupo de professores(as) e orientadores(as) educacionais pensou em um projeto ousado: em vez de uma turma com oito pequenos grupos apresentando cada um seu trabalho em uma disciplina específica, a formação de uma escola com 32 macro grupos apresentando seus trabalhos de forma transdisciplinar. Nascia aí o projeto Odisseia Cultural.

Por meio da Odisseia Cultural, os(as) alunos(as) têm total liberdade para tratar quaisquer assuntos com abordagens pedagógicas e/ou artísticas. Nos últimos anos o projeto debateu temas como pertinentes, exemplo do Holocausto, LGBTQIA+Fobia, 100 anos do Samba, Fernando Pessoa, História de Ceilândia, Higiene Básica, entre outros. Este ano o projeto ocorreu de 15 a 22 de julho.

Ana Carolina, coordenadora do CED 6, ressalta que o trabalho pedagógico nesta atividade requer mediação e orientação, a fim de tornar o projeto cada vez mais interessante e consistente, sendo vital que toda a comunidade escolar esteja envolvida no processo. “O que torna mais interessante o projeto é que cada turma decide sobre qual tema vai falar e de que forma apresentar. Esse ano, por exemplo, nós tivemos um trabalho que falava sobre racismo e eles optaram por fazer um documentário entrevistando os alunos, professores e profissionais da escola, com uma apresentação teatral. Também foi proposto um tema pensando sobre a morte do ponto de vista biológico, filosófico, religioso e matemático”, analisa a professora, lembrando que o projeto foi idealizado pelo vice-diretor Ricardo Jardim Medeiros.

A professora lembra que o processo de escolha do tema não fácil. Durante o percurso os(as) alunos(as) discutem, debatem, brigam e nem sempre a sala toda concorda com a ideia que venceu. Os(as) estudantes então precisam lidar com as expectativas da idealização e as frustrações da realização. “Nem tudo o que se imagina se concretiza, além da necessidade de saber encaixar seu talento no trabalho e saber fazer as coisas em equipe. Mas após a apresentação é incrível como os outros colegas, os professores percebem os estudantes com uma maior admiração”, explica.

Para o professor e coordenador do CED, Valter Halyson Leal da Silva, “se tivermos que resumir a essência da Odisseia em uma síntese, esta seria Liberdade de espaços formados e temas”.

 

CUT promove live nesta segunda (24) sobre 32 anos da Lei de Cotas para PCD

A promulgação da lei 8.123/91 completa 32 anos nesta segunda-feira (24) e a CUT promoverá um debate ao vivo que discutirá dificuldades, desafios e alternativas para ampliar a inclusão das pessoas com deficiência (PCDs) no mercado de trabalho.

O encontro organizado pela Secretária Nacional de Políticas Sociais e Direitos Humanos da CUT e pelo coletivo Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras com Deficiência da Central tratará de questões como a proposta desenvolvida pela CUT em parceria com Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) para que sindicatos possam ter acesso a informações e acompanhar o cumprimento da lei.

O programa foi apresentado ao ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, no dia 22 de junho, como uma forma de analisar se a empresas com mais 100 empregados e empregadas têm reservado de 2% a 5% das vagas para a contratação de pessoas desse grupo, conforme determina a norma.

O encontro desta segunda contará com a secretária nacional de Políticas Sociais e Direitos Humanos da CUT, Jandyra Uehara, os representantes da coordenação do Coletivo Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras com Deficiência da CUT, Maria Cleide, a Cleidinha, e Carlos Maciel, o ex-conselheiro do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), Isaias Dias, a diretora dos direitos da pessoas com deficiência da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNDPD), Naira Gaspar, e o técnico do Dieese Gustavo Monteiro.

A discussão sobre a inclusão das PCDs é fundamental no momento em que a classe trabalhadora luta por medidas que garantam condições dignas de trabalho após seis anos dos governos do ex-presidente golpista Michel Temer (MDB) e do ex-presidente inelegível Jair Bolsonaro (PL), que elegeram os direitos trabalhistas como inimigos.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados em 2022, sete em cada 10 pessoas com deficiência estão fora do mercado de trabalho.

Para quem está empregado, o salário médio é R$ 1 mil menor do que os demais. Enquanto as pessoas com deficiência recebiam em média R$ 1.639 mensais, o rendimento médio das pessoas sem deficiência era de R$ 2.619.

Ainda de acordo com o relatório, o Brasil possuía em 2019, 17,2 milhões de pessoas com alguma deficiência, o equivalente a quase 10% da população brasileira. Para acompanhar a live, acesses os canais da CUT.

Facebook – https://www.facebook.com/cutbrasil

 

https://www.youtube.com/watch?v=4E6va6UmbGE

GDF Saúde: Ressarcimento de cobranças indevidas deve ser pago na folha de julho

Em contato feito com o Sinpro-DF, o Inas (Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores do Distrito Federal) informou que foram identificados(as) aproximadamente 5.180 profissionais do magistério público que têm valores a receber. Esses valores são de cobranças indevidas na mensalidade do plano, aplicadas nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2023.

O Inas comunicou que o ressarcimento deve ser efetuado na folha de pagamento de julho, paga no início de agosto.

O Sinpro orienta professores(as) e orientadores(as) educacionais que têm valores a receber a conferirem seu contracheque tão logo ele seja disponibilizado no sistema. Aqueles e aquelas que não receberam (ou receberam incompleto) devem procurar o diretor ou diretora do sindicato da sua regional e enviar nome, CPF e cópia do contracheque.

Todos os ressarcimentos são referentes aos titulares dos planos. Em caso de erros nas cobranças de dependentes serão corrigidos posteriormente.

MATÉRIA EM LIBRAS

Documento tira-dúvidas sobre aposentadoria tem atualizações

Está atualizado no site do Sinpro (clique aqui para ver) o documento tira-dúvidas sobre aposentadoria por idade e tempo de contribuição.

A cartilha foi originalmente elaborada em 2021, e é uma produção da Secretaria de Assuntos dos Aposentados do sindicato, que a preparou um “tira-dúvidas”, com base nas leis vigentes e atuais, para orientar professores(as)/orientadores(as) prestes a se aposentarem.

O material está atualizado com as mais recentes leis vigentes, para orientar a categoria com o passo a passo do roteiro da aposentadoria.

“A ideia aqui é facilitar a vida de quem precisa entrar com o processo de aposentadoria. As informações estão condensadas e reunidas num só lugar”, informa a coordenadora da Secretaria de aposentados, Elineide Rodrigues.

O PDF com a nova cartilha do Sinpro já está disponível aqui no site. Clique aqui e baixe o texto.

MATÉRIA EM LIBRAS

Educação do campo, antirracista e não-sexista está entre eixos de luta da Marcha das Margaridas

Dias 15 e 16 de agosto, mulheres do campo, da floresta, das águas e das cidades de todo o Brasil estarão em Brasília na 7ª Marcha das Margaridas. O evento terá como lema a reconstrução do Brasil e o Bem Viver, sustentado em 13 eixos de luta, entre eles “Educação pública não sexista e antirracista e direito à educação do e no campo”.

A maior ação de mulheres da América Latina entende que “a luta por educação também diz respeito à garantia do direito das diferentes gerações de mulheres, sobretudo as negras e indígenas, a terem condições de acesso e permanência na escola e universidades”.

Além disso, para as Margaridas, “o direito à educação exerce papel fundamental para reparar as desigualdades por elas vividas”. A garantia de creches para crianças, a oferta de educação infantil e de todos os outros níveis de ensino pela rede pública são essenciais para que as mulheres do campo, da floresta, das águas e das cidades possam se inserir no mundo do trabalho e terem autonomia financeira.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua: Educação 2022, do IBGE, 25,8% das mulheres que estão no grupo de 49 milhões de pessoas de 15 a 29 anos não estavam ocupadas, nem estudando ou se qualificando. Entre os homens, esse índice era de 14,3%.

Ainda de acordo com a pesquisa, dos 9,5 milhões de jovens com 14 a 29 anos que não completaram o ensino médio, seja por terem abandonado a escola antes do término dessa etapa ou por nunca a terem frequentado, 58,8% homens e 41,2% mulheres. Para os homens (51,6%) o principal motivo para figurar neste grupo é a necessidade de trabalhar. Para as mulheres, há o fato da necessidade de trabalhar (24%). Entretanto, o grupo abrange também outros motivos que têm flagrante recorte de desigualdade de gênero: 22,4% delas apontam a gravidez como principal motivo por terem abandonado a escola antes do término dessa etapa ou por nunca a terem frequentado; e 10,3% das mulheres apontam a obrigação de realizar afazeres domésticos ou cuidar de pessoas – em comparação com 0,6% dos homens que apontaram esse mesmo motivo.

Em todos os índices da PNAD Contínua: Educação 2022, as pessoas negras são maioria quando levantadas questões relacionadas aos prejuízos educacionais, como analfabetismo, por exemplo. Pela pesquisa, no ano passado, 7,4% do número de pessoas pretas ou pardas com 15 anos ou mais eram analfabetas: mais que o dobro da taxa encontrada entre as pessoas brancas (3,4%). “No grupo etário de 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo dos brancos foi de 9,3%, enquanto entre pretos ou pardos ela chegava a 23,3%”.

“Nós, Margaridas, temos consciência da nossa missão pela reconstrução do Brasil, com democracia e soberania popular, justiça e livre de violência. Depois do golpe político que tirou injustamente a presidenta Dilma Rousseff e dos últimos governos marcados por retrocessos e a exclusão de direitos, programas e políticas públicas das mulheres, nossa luta segue ainda mais forte para enfrentar as desigualdades de gênero, de classe e de raça, e contra tudo que nos ameaça à vida”, afirma a secretária de Mulheres da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Mazé Morais, em matéria publicada no site organização.

 

DF não faz o dever de casa

O Distrito Federal é a unidade da federação com menor índice de analfabetismo (1,9%), na frente do Rio de Janeiro (2,1%), de São Paulo (2,1%) e de Santa Catarina (2,2%). Entretanto, discute-se – e questiona-se – o modelo de educação que vem sendo implementado nas escolas públicas.

A diretora de Raça e Sexualidade do Sinpro Márcia Gilda diz que, no Distrito Federal, por iniciativa de alguns professores(as) e orientadores(as) educacionais, tem-se hoje “uma pedagogia de projetos antirracistas instituída em algumas escolas”. “É preciso avançar, pois temos um dispositivo legal que garante que a pauta antirracista não é uma sugestão de trabalho, é uma questão que deve ser cumprida”, avalia.

Segundo ela, iniciativas do próprio Governo do Distrito Federal vão contra a lei que garante uma educação antirracista nas escolas. É o caso da militarização das escolas. Em vigor desde janeiro de 2019, o projeto implementado por decreto pelo governador Ibaneis Rocha teve revogada sua legalidade a partir de nota técnica do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), mas continua sendo implementado em várias unidades escolares.

Pelo Regulamento Disciplinar para as Unidades de Ensino do Distrito Federal participantes do Programa Colégios Cívico-Militares, um cabelo Black Power ou o uso de guias de religiões de matriz africana, por exemplo, podem ser considerados infrações. “A militarização das escolas compactua com o racismo uma vez que não respeita a identificação pessoal do estudante, já que padroniza a apresentação desses e dessas estudantes”, avalia Márcia Gilda.

O DF também não faz o dever de casa completo quando o tema é educação pública não sexista. Mônica Caldeira, diretora de Política para as Mulheres Educadoras do Sinpro-DF, diz que, assim como a pauta antirracista, a educação não-sexista existe em algumas unidades escolares enquanto projeto e, além disso, é componente curricular obrigatório da Educação Básica.

Entretanto, a sindicalista destaca que, mais uma vez, projetos políticos geram o avesso do que diz a própria lei. “É o caso do Escola Sem Partido, defendido por parlamentares alinhados à direita e ao governador Ibaneis Rocha. Com o projeto, temas como a cultura do estupro, por exemplo, são banidos de sala de aula. E é importante a gente lembrar que milhares de meninas e mulheres são estupradas e nem sabem que estão sendo, justamente por falta de conhecimento sobre o tema. Definitivamente, a escola precisa ser terreno de luta por equidade de gênero e pelo fim da violência contra as mulheres”, destaca Mônica Caldeira.

Berenice Darc, também diretora do Sinpro-DF, diz que a educação do campo no DF é marcada por diretrizes importantes que promovem uma educação que proporciona ao estudante a continuidade da vida no campo, caso seja esse o desejo dele.

Segundo ela, uma das questões que precisam ser aprimoradas é o tempo escolar. “Tempos da educação do campo são os mesmos da escola urbana. Entretanto, as crianças da escola do campo vivem junto com suas famílias o momento de plantio, de colheita. Então, deveria se pensar um calendário escolar diferenciado”, avalia.

Também diretora do Sinpro-DF, Letícia Montandon, que já atuou em escola do campo, alerta quanto ao problema do transporte escolar para essas áreas. “São ônibus precários. Muitas vezes, a gente recebe alunos de assentamento. E em épocas de chuva, tem aluno que fica todo o período inteiro (de chuva) sem ter como ir para a escola porque os ônibus não passam perto de onde ele mora, ou porque os ônibus podem atolar”, lembra.  Segundo ela, outro problema flagrante é o da especulação imobiliária, que força uma outra configuração para o campo, gerando consequências para a vivência nessas regiões.

 

Benfeitoria

A 7ª edição da Marcha das Margaridas lançou campanha de crowdfunding para apoiar o evento. O objetivo é levar ao menos 100 mil Margaridas para marchar em Brasília.

As doações podem ser feitas a partir de R$ 10. A cada R$ 100, está garantida a ida de mais duas Margaridas, e o doador ganha recompensas exclusivas.

Para mais informações sobre a campanha, o endereço é www.benfeitoria.com/marchadasmargaridas2023.

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Artigo | Quem teme o professor doutrinador?

Artigo do professor Wilson Gomes, da Universidade Federal da Bahia, publicado no jornal Folha de S. Paulo de 19/07/2023, aborda a construção da figura do “professor doutrinador” como um personagem de fábula, criado para assustar, e, portanto, gerar um efeito moral nos ouvintes ou leitores.

 

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Quem teme o professor doutrinador?

Wilson Gomes *

 

Fábulas são eficientes recursos pedagógicos. Fábulas infantis foram usadas desde sempre para que toda noite as crianças assimilem valores, representações e significados compartilhados em sua comunidade.

E tão cientes estamos de que se educa por meio de mitos, relatos e lendas mais do que por qualquer outro meio, que até os textos sagrados mais arcaicos, transmitidos oralmente ou por escrituras, são em grande parte coleções de histórias.

Há vários lugares-comuns nas histórias que contamos. Um desses lugares-comuns diz respeito aos personagens usados para se colocar os ouvintes exatamente na posição cognitiva e na disposição emocional que o narrador deseja.

O bicho-papão, por exemplo, representa o que nos assombra e deve ser temido, a condensação do mal. O sedutor —que, literalmente, nos desvia do caminho— é outro lugar-comum das fábulas moralizantes. Não por nos assombrar, mas, ao contrário, porque captura nosso desejo, como o lobo mau que desencaminhou a menina do chapeuzinho vermelho e a levou sorrateiramente à floresta sombria.

A política é também uma arte narrativa, pois depende da conquista de corações e mentes, e de histórias emocionantes e plausíveis que são o meio mais curto e eficiente para a realização dessa tarefa.

Novos movimentos políticos não se estabelecem sem capturar a imaginação de uma parte importante da sociedade, sem novas mitologias políticas que redesenhem valores e virtudes, sem uma nova épica.

Na semana passada, flagramos um dos roteiristas desses novos movimentos, Eduardo Bolsonaro, enquanto vendia a sua história para — vejam só — lobistas de armas.

“Prestem atenção na educação dos filhos. Tirem um tempo para ver o que eles estão aprendendo nas escolas e não vai ter espaço para professor doutrinador tentar sequestrar nossas crianças. Não tem diferença de um professor doutrinador para um traficante de drogas que tenta sequestrar e levar os nossos filhos para o mundo do crime. Talvez até o professor doutrinador seja ainda pior.”

O professor doutrinador é personagem frequente nessa forma de fabulação que são os boatos que os ultraconservadores contam e em que acreditam. Assim como o gay pedófilo, o liberal cristofóbico, o esquerdista que induz criancinhas à homossexualidade, a pessoa trans que se esgueira em banheiros unissex para espiar mulheres, o sinistro comunista, dentre outros tantos tipos extravagantes que povoam as suas histórias de terror moral, o professor doutrinador, basicamente, serve para assombrar.

Aliás, o grande mérito da extrema direita no período da sua ascensão foi a sua capacidade de identificar os estratos de medo e de raiva dos brasileiros e de extrair deles o combustível para a sua boataria.

Na doutrina por trás da fábula, o professor doutrinador é um bicho-papão e um lobo mau. Ele sequestra e alicia criancinhas, mas é, também, a soma de todos os nossos medos, uma vez que a sua maldade consegue alcançar até mesmo a dimensão mais preciosa e protegido da nossa vida particular: nossos filhinhos.

Depois de identificar o mal e de isolá-lo em um grupo, os professores, duas ações precisam ser tomadas. A primeira é uma clivagem moral, pela qual nos separamos dos que participam ou são cúmplices da maldade, no caso, a esquerda progressista, classe a que os docentes pertenceriam.

Com isso, os virtuosos conservadores reivindicam sua superioridade moral ante o vício e a malignidade dos que profanam a infância. A segunda ação requerida depois de isolar a maldade consiste em projetá-la sobre quem pode ser materialmente punido: o bode expiatório.

Lugares-comuns dizem muito sobre as sociedades e os grupos em que prosperam, pois costumam expressar e, ao mesmo tempo, reforçar, determinados sentimentos subjacentes aos coletivos, como hostilidade, esperanças ou temor.

A distribuição proporcional do tipo de personagem tende a indicar qual é a moral dominante em um grupo: excesso de confiança e otimismo dão margem a personagens de sonhos dourados; desespero social e moral em baixa são povoados por personagens de pesadelos: bichos-papões, lobos maus e bodes para a conveniente expiação coletiva.

Não sei quantos creem nas fábulas que o bolsonarismo conta para assombrar e organizar a raiva, a ansiedade e a frustração das massas ultraconservadoras a que se dirigem. Só sei que os seus roteiristas e dramaturgos suam a camisa várias vezes todos os dias para, como diria Carluxo, disputar a narrativa. E vender assombrações.

 

*Professor titular da UFBA (Universidade Federal da Bahia) e autor de “Crônica de uma Tragédia Anunciada”. Artigo publicado na Folha de S. Paulo de 19 de julho de 2023.

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