Câmara Legislativa homenageia o Sinpro-DF pelos seus 44 anos

“Desde que assumi, aqui, no dia 1º de janeiro, já disse várias vezes para a direção desse sindicato e para a categoria que tive e tenho muito orgulho de ter ajudado a construir uma parte da história desses 44 anos. Tenho muito orgulho de dizer e mais uma vez firmar este compromisso com vocês. Podem dizer que o Sinpro tem um mandato na Câmara Legislativa”. Com essa declaração, o deputado distrital Gabriel Magno (PT) abriu a Sessão Solene da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), na noite dessa quinta-feira (23), em homenagem aos 44 anos do Sinpro.

Além de toda a atual diretoria colegiada do Sinpro-DF e membros de gestões passadas do sindicato, estiveram presentes representantes de várias entidades, como a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), CUT-DF, CTB,  Fórum Distrital de Educação e União dos Estudantes Secundaristas do DF. No fim da sessão, a CLDF entregou Moções de Louvor, aprovadas pelo Plenário, a profissionais da Carreira Magistério Público do DF, que integram o sindicato, “pelos relevantes trabalhos pedagógicos prestados a toda população”. A solenidade foi transmitida ao vivo pela TV Câmara Distrital (canal 9.3) e canal da CLDF no YouTube, bem como pelas redes sociais do Sinpro-DF. Na abertura da sessão, o Sinpro apresentou um vídeo com uma breve história da entidade. Confira os links no final desta matéria.

Com apresentações culturais e discursos dos(as) participantes repletos de manifestações metafóricas, a sessão reviveu a história do Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF), que começou, oficialmente, em 14 de março de 1979, data em que a antiga Associação Profissional dos Professores do DF (APPDF) recebeu autorização do Ministério do Trabalho para se converter em uma entidade sindical.

 

Sessão Solene em homenagem ao 44º aniversário do Sinpro-DF. Fotos: Deva Garcia

 

Com a Carta do Ministério do Trabalho, a associação mudou de nome, tornou-se um sindicato e intensificou, o que já acontecia antes: a luta diária em favor da educação pública e gratuita de qualidade referenciada e dos direitos de professores(as)  e orientadores(as)  educacionais. Todas as lutas realizadas nessas mais de quatro décadas influíram profundamente na vida de toda a classe trabalhadora e nos Poderes Públicos do Distrito Federal e do País. Essa história foi relembrada nos discursos e no vídeo apresentado na solenidade, realizada no Plenário da Casa Legislativa a partir das 19h.

Na apresentação, o deputado Gabriel Magno assegurou que, nos “próximos 4 anos, nos encontraremos aqui neste Plenário para celebrarmos juntos e construirmos coletivamente as novas lutas que virão neste sindicato em defesa da escola pública. Hoje temos várias agendas e um governo que retoma a defesa da educação pública, que, por sua vez, retoma para o centro da agenda política brasileira a volta de Paulo Freire”. Ele disse que “machucou demais a gente ver, nos últimos 6 anos, nas ruas, algumas pessoas no auge de sua ignorância, levantar um cartaz dizendo “fora Paulo Freire” e essa ignorância chegou no Ministério da Educação, que também fez coro com essa agenda. E a gente diz: volta Paulo Freire. Fica Paulo Freire. E o Paulo Freire fará parte da nossa trajetória e da nossa luta”.

A Sessão Solene homenageou também várias pessoas que ajudaram a construir a história do sindicato.  Clique aqui e confira os professores e professoras homenageados(as) com a Moção de Louvor da Câmara Legislativa. 

Vários parlamentares enviaram representantes e cartas parabenizando a entidade, como os deputados distritais Fábio Félix e Max Maciel, do PSOL; João Cardoso (Avante), Paula Belmonte (Cidadania), Robério Negreiros (PSD) e a senadora Leila Barros (PDT-DF). Além de toda a diretoria do sindicato, estiveram presentes a deputada federal Erika Kokay (PT-DF); Rejane Pitanga, ex-deputada distrital, ex-diretora do Sinpro, ex-presidenta da CUT-DF.

À Mesa de Solenidade, estiveram presentes Luciana Custódio, diretora representante do Sinpro; Rosilene Corrêa, CNTE; Lucas Cruz, União dos Estudantes Secundaristas do Distrito Federal; Rodrigo Rodrigues, presidente da Central Única dos Trabalhadores no DF (CUT-DF); Flausino Antunes Neto, Central dos Trabalhadores de Brasília (CTB); Denivaldo, pelo SAE, sindicato que representa os(as) servidores(as) técnico-administrativos(as) da rede pública do DF. Confira alguns trechos dos discursos e, ao final desta matéria, assista ao vídeo .

 

 

Outras agendas:

Da revogação do Novo Ensino Médio e o
fim de escolas militarizadas à retomada do PDE

 

Gabriel Magno observou que, para além das pautas reivindicatórias, o País precisa avançar em muitas outras. “É preciso revogar o Novo Ensino Médio: ele não dialoga com uma educação democrática que acreditamos. É preciso acabar, de uma vez por todas, com a aberração que são as escolas militarizadas. Na democracia não é possível conviver com a militarização das escolas. Essa vai ser uma luta que vamos ter de pressionar o governo federal e vamos ter de nos organizar muito em todas as cidades e estados brasileiros para pôr fim a essa aberração. Temos uma agenda muito grande de retomar o Plano Distrital de Educação, aqui no Distrito Federal, o Plano Nacional de Educação, que vai passar pelo Congresso Nacional, fruto da luta dos professores e professoras”.

O parlamentar destacou que a reeleição do presidente Lula representa, também, outros avanços, como o da luta antimanicomial. “É uma grande vitória do povo brasileiro a eleição de Lula porque acabamos, e vamos extinguir e erradicar com o financiamento público dos manicômios, das comunidades terapêuticas que ainda são os espaços de torturas e que foram incentivados pelo bolsonarismo”, completou. Após seu discurso, ele abriu a tribuna para os convidados que participaram da Mesa de Solenidade. Para assistir a toda a solenidade, clique no link no final desta matéria.

 

Confira trechos de alguns discursos

 

Com o neto Davi no colo, Luciana homenageou a categoria por intermédio de sua filha, Ana Carolina, que também é professora da rede 

 

Luciana Custódio, diretora e representante do Sinpro

Representando a diretoria colegiada do sindicato, Luciana Custódio declarou que estava emocionada pelo fato de a sessão solene em comemoração ao aniversário do Sinpro ter sido chamada pelo deputado distrital Gabriel Magno: “o nosso deputado”.  A diretora afirmou que essa convocação pelo deputado Gabriel gerou um sentimento de pertencimento. “Olhando essa história de 44 anos, eu digo, meu Deus, eu participo do aniversário do Sinpro como professora desde os seus 15 aninhos [15 anos do Sinpro]. E lá se vai estrada. Já vão aí 44 anos e é muito bom a gente se vê nessa retrospectiva e nos traz a certeza da importância da nossa luta, do legado deixado pelos que nos antecederam. A gente sempre gosta de resgatar e manter a memória viva daqueles e daquelas que nos antecederam e que ainda continuam conosco e dos e das que não estão mais conosco”.

A diretora destacou uma afirmação que ela mesma disse na posse da nova diretoria do sindicato, no ano passado: “Eu tenho muitos desejos, mas o principal deles é que esta diretoria encerre o seu mandato com os 39 diretores e diretoras que iniciaram o mandato na composição porque tivemos três mandatos consecutivos com um diretor a menos. Aqui eu faço a saudosa recordação e lembrança da nossa querida Isabel Portuguez, do nosso querido Cássio e do nosso querido Melqui. Três mandatos consecutivos nós perdemos um diretor pra luta porque a nossa vida não é fácil. A gente carrega nos ombros a responsabilidade de estar à frente e representar a categoria, que nos elegeu depositando, nessa diretoria, um voto de confiança em um cenário extremamente adverso”.

Luciana homenageou a categoria por intermédio de sua filha, Ana Carolina, que também é professora da rede pública de ensino do Distrito Federal e a acompanha nesta luta desde que nasceu. “Quando ela nasceu, eu já era militante, já era filiada. Não é fácil, não é romântica a vida de uma mulher que está na luta. E a gente se constitui na luta trazendo os nossos filhos e nossas filhas também para esta vivência que se faz essencial. Eu sempre digo que o lugar da mulher na luta é um lugar essencial, mas não é um lugar romântico porque nos impõe muitas coisas, muitos lugares. E para a gente sair desse lugar da culpa, é um exercício diário. Então, para mim, é muito importante. Luiz Felipe não está aqui hoje, mas tem a Carol aqui, professora da rede  hoje, doutoranda da UnB, pesquisadora, mãe do Davi, e é o meu lugar de fala. Esse é o lugar das mulheres, rompendo e furando a bolha e ocupando os seus espaços, mesmo com todas as adversidades e é a realidade de quase 80% de nossa categoria”, destacou.

 

Deputada federal Erika Kokay (PT-DF)

A deputada federal Erika Kokay disse que estava feliz por estar na solenidade e, ao parabenizar o deputado Gabriel, fez poesia com a luta da categoria. “Estamos aqui comemorando em uma sessão solene. Parabenizo o deputado Gabriel Magno, educador, professor de física, que também toca baixo. Eu sempre disse que o Gabriel seria eleito porque professor de física e toca baixo e toca bateria e tanta coisa: isso indica esse caráter amplo que tem os educadores e as educadoras. E essa entidade, o Sinpro, faz parte de todas as nossas histórias. Lembro que quando a gente ia nas Assembleias do Sinpro e eu, nem bancária era. Eu lembro de quando houve a demissão dos dirigentes do Sinpro e o Sinpro resistiu”, contou.

Ela lembrou que mesmo antes de ser uma entidade sindical, a categoria do Magistério Público resistiu aos ataques dos governos de plantão. “Aliás, não era entidade sindical ainda e houve a resistência porque o Sinpro sempre incomodou o arbítrio, àqueles que acham que podem nos roubar a consciência, a vontade. E o Sinpro sempre fez história nesta  cidade, sempre esteve em todas as grandes lutas: pela democracia, em defesa da vida e, particularmente, em defesa da educação. E quando a gente fala de educação, estamos falando de muita coisa porque penso que as políticas públicas são todas enganchadas umas nas outras porque os direitos são encaixados, mas nós temos na educação a política que transborda e dialoga com todas as outras políticas e que a qualidade da política de educação define, inclusive, a qualidade de outras políticas públicas”, disse.  A deputada destacou como o sindicato se organizou na sociedade e fez a luta educação de qualidade, laica, pública.

Rosilene Corrêa, representante da CNTE, destaca que a entidade sempre teve perfil e compromisso de um Sinpro cidadão

 

Rosilene Corrêa, diretora da CNTE

Rosilene Corrêa, diretora e representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) disse que, embora esteja fora da diretoria do sindicato nesta gestão, ela se sente de casa. “É difícil, inclusive, falar e não me sentir lá também. Vai levar um tempinho até passar a fase do desapego. Mas, por outro lado, quero sempre continuar me sentindo assim, muito de casa, que é esse o sentimento que nossa categoria tem pelo sindicato e tem de ter mesmo”, afirmou. Ela informou que estava na solenidade representando o presidente da CNTE, Heleno Araújo, estava numa agenda fora do Distrito Federal.

“44 anos de história e de uma história que muito nos orgulha, que se mistura com a história de Brasília e de vida de cada um e cada uma porque, como a Erika disse, a educação, inevitavelmente, faz parte da vida de todo mundo seja na condição de estudante, trabalhador, de pai e de mãe, mas ela está presente na vida de todo mundo, o Sinpro sempre com o seu perfil e compromisso de um Sinpro cidadão. Um sindicato que defende a sua categoria, que a gente tenha um salário melhor, mas que, sobretudo, tenhamos uma educação de verdade, com qualidade, que é o direito de cada um e cada uma que está se sentando naquelas carteiras de nossas escolas. Isso tudo é feito porque temos uma categoria ativa. Essa história de 44 anos se dá em muitos momentos de dores. Muitas dores nós aqui já sentimos. Dores na luta, dos momentos de desrespeito; dores lá na gestão da escola onde não tem o suporte necessário, na sala de aula, no portão da escola: tantos ataques. Mas também de muitas alegrias e realizações. E é isso que faz a gente continuar caminhando de cabeça erguida”.

Rosilene também explicou que muita gente da categoria deve ser homenageada. “Eu vi a listas dos homenageados e das homenageadas e quero destacar que a lista é apenas simbólica porque os milhares e as milhares de professores e professoras, orientadores e orientadoras educacionais, na verdade, todos os trabalhadores da educação, nas escolas e em qualquer espaço, merecem esta homenagem. A vocês que os nomes são citados, saibam que vocês estarão representando outros e outras tantas”.

 

Presidente da CUT-DF diz que o Sinpro luta pela sua categoria, mas ele é também um instrumento de luta da classe trabalhadora

 

Rodrigo Rodrigues, presidente da CUT no Distrito Federal

Rodrigo Rodrigues, presidente da CUT-DF, informou que o Sinpro fez aniversário no dia 14 de março com uma atividade que ele faz de melhor: a luta. “Foi numa Assembleia que nós celebramos o nosso aniversário, no dia, e, depois, tivemos a belíssima festa com a corrida e estamos aqui em mais uma homenagem nesta sessão”.  Ele cumprimentou representantes de outras categorias que estavam presentes na platéia, como vigilantes, comerciários, jornalistas, bancários, trabalhadores da limpeza urbana, funcionários do Sinpro, representantes de diversos movimentos sociais, agentes de trânsito, entre outros.

“Essa diversidade [de categorias na sessão solene] demonstra a importância que esse sindicato tem. Ele é um sindicato que luta, principalmente, pela sua categoria, pelos direitos de professoras e professores da rede pública de ensino do DF, mas ele é um instrumento de luta da classe trabalhadora e a classe trabalhadora reconhece no Sinpro este instrumento, busca no Sinpro o apoio para as suas lutas e é sempre acolhido. Todos aqueles e aquelas que estão aqui sabem disso e, por isso, essa representatividade”, destacou Rodrigues.

Rodrigues também cumprimentou os professores e professoras que fazem parte da diretoria do Sinpro e também compõem a diretoria da CUT-DF. “Representam, na direção da Central Única dos Trabalhadores, a visão da educação e das suas forças políticas que representam e estão lá, juntamente comigo. Este sindicato se construiu na defesa dos interesses dos trabalhadores das escolas públicas, na luta por uma educação pública e esteve presente em todas as lutas importantes que o Distrito Federal presenciou que não são apenas de nós, do DF, mas que são lutas do Brasil inteiro. Como a Rosilene falou: moramos na capital do país e isto tem um preço. O preço de que as lutas nacionais nos exigem um esforço a mais de além das lutas específicas. E nós cumprimos todas elas”, ressaltou.

Estudante Lucas Cruz pede desculpas à categoria pela cena de racismo e misoginia em escola pública do DF no Dia Internacional da Mulher

 

Lucas Cruz, representante da União dos Estudantes Secundaristas do DF

Lucas Cruz, representante do movimento estudantil, prestigiou a festa do sindicato na CLDF. Inspirado na frase de Paulo Freire, em que o Patrono da Educação Brasileira diz que “ensinar exige rejeição a qualquer forma de discriminação”, ele disse que tem a convicção de que os(as) educandos(as) também podem educar aqueles(as) mediadores(as) do ensinamento. “Os educandos também podem, com seus conhecimentos próprios, apesar das suas humildades, agregarem no conhecimento dos seus professores e professoras, afinal, como nosso mestre Paulo Freire também disse, ‘ninguém educa ninguém; ninguém se educa sozinho; as pessoas aprendem em comunhão’”.

Em referência ao duplo crime de racismo e misoginia cometido por um estudante do CEM 09 de Ceilândia, que, “presentou” uma professora negra, no Dia Internacional da Mulher, com um pacote de palha de aço de lavar louça e uma fala agressiva, Lucas pediu desculpas ao Sinpro e a todos os professores. “Fiz um paralelo com essas citações para iniciar pedindo desculpas ao Sindicato dos Professores e a todos os professores e professoras que aqui estão pelas eventuais situações em que nós, educandos e educandas,agimos de forma desrespeitosa e, infelizmente, discriminatória aos(às) educadores(as) do DF, como, por exemplo, lamentavelmente, recentemente ocorrido no Centro de Ensino Médio 09 de Ceilândia”.

Dentre outras menções, como a música “Como La Cigarra”, sucesso da cantora Mercedes Sosa, o estudante agradeceu o Sinpro, homenageou o diretor do Sinpro falecido em 2021, Melquisedek Garcia, destacou a importância da luta do sindicato e declarou que os estudantes apoiam a luta dos professores. “A luta dos professores é também a luta dos estudantes”.

 

Denivaldo Alves, representante do SAE

Denivaldo Alves disse que a luta do SAE, juntamente com a do Sinpro, é de fundamental importância. “A gente tem aprendido muito com os companheiros e companheiras da carreira do Magistério. Nesses 44 anos, passamos por um momento muito difícil, que foi o da pandemia; passamos por um momento muito difícil que foi o governo golpista de Bolsonaro; e, graças a esta guerreira categoria, que o sindicato completa 44 anos, foi possível lutar, ir para a rua, juntamente com a Central Única dos Trabalhadores, as organizações sociais, e a gente ter a oportunidade de estar aqui hoje num governo verdadeiramente voltado para a classe trabalhadora. Que a luta de vocês seja a vitória de todos”.

 

Flausino Antunes, representante da CTB

O representante da CTB, Flausino Antunes, parabenizou o sindicato e destacou a importância da categoria por toda a história da entidade que  se confunde com a história do Distrito Federal. “Atravessamos várias dificuldades desde a ditadura, a volta do fascismo. Venceu o fascismo nas urnas. Mas, o mais importante, é que desde a posse do presidente Lula, precisamos voltar a ocupar as ruas, a defender o nosso espaço democrático, nossos direitos porque a gente viu a destruição que foi feita não só no DF, mas no Brasil todo. E reconstruir é mais difícil do que destruir. A gente vai precisar de muito apoio e muita unidade da classe trabalhadora, das entidades sindicais, das bases, de toda a sociedade para garantir que o governo Lula dê certo”, disse.

 

Izabela Cintra discursa em nome dos(as) homenageados(as)

 

Izabela Cintra filha da professora Marta Cintra

Representante dos(as) homenageados(as), Izabela Cintra discursou na tribuna destacando a importância do Sinpro e homenageou sua mãe, falecida recentemente. “Sindicato este de enorme relevância no cenário nacional da educação. Estou aqui hoje muito emocionada representando a minha mãe Maria Marta Cintra, falecida há 7 meses em decorrência do Mal de Alzheimer. Falar de Marta Cintra é falar de uma mulher forte, desbravadora, que desembarcou em Brasília, aprovada no primeiro concurso para professores, em fevereiro de 1960. Pernambucana, de uma cidade muito pequena do agreste São Bento do Uma, uma mulher sempre à frente do tempo, que dizia ‘Bela, quem fez a revolução neste país foram as mulheres”.

Clique no link, a seguir, e assista à Sessão Solene em homenagem aos 44 anos do Sinpro-DF e, em seguida, o vídeo com uma breve história do sindicato.

 

 

https://www.youtube.com/watch?v=zGU-amzn-8U&list=PLgjufDVoPk_NJlqfd9x5KyI80FcsTb1eW&index=3

https://www.youtube.com/watch?v=rHkthFcRrPg

MATÉRIA EM LIBRAS

Anúncio do GDF mostra desrespeito com o magistério público

Foi com indignação que a diretoria do Sinpro-DF recebeu o anúncio do governador Ibaneis Rocha, de reajuste de 18% – distribuídos em três parcelas anuais de 6% – para o funcionalismo público do DF. O anúncio foi feito de forma unilateral, ferindo o processo democrático de debate e ignorando a solicitação oficial de reunião do Sinpro com o governador, protocolada há uma semana (17/03).

O governador simplesmente atropelou as discussões acumuladas em grupo de trabalho (GT) composto por representantes da Secretaria de Educação (SEEDF), da Secretaria de Fazenda e pela comissão de negociação do Sinpro. O GT manteve encontros e discussões entre outubro e dezembro de 2022 com o objetivo de elaborar uma proposta de reestruturação da carreira do magistério, que respondesse também à necessidade de recomposição salarial da categoria – que tem seus salários congelados há oito anos.

As discussões tiveram base na meta 17 do Plano Distrital de Educação (PDE), que determina que os vencimentos de professores(as) e orientadores(as) educacionais sejam equivalentes à média dos vencimentos das carreiras de ensino superior do GDF. O PDE está em vigor desde 2015, ou seja, completam-se 8 anos que o governo descumpre a lei.

O Sinpro-DF entende como desrespeito com os e as profissionais do magistério a desconsideração do trabalho realizado por um grupo que ele mesmo, governo, compôs. A proposta de reajuste de 18% divididos em três anos não atende às demandas da categoria, não cumpre o PDE e não dialoga com o que foi desenvolvido pelo grupo de trabalho! O sindicato ressalta: essa proposta não foi discutida com professores(as) e orientadores(as) educacionais!

Vale lembrar que o GDF esteve na ilegalidade por sete anos, até pagar a última parcela do reajuste aprovado em 2012 – que deveria ter sido paga em outubro de 2015, entretanto, só o foi em 2022 -; e que o governo Ibaneis segue acionando a Justiça para não pagar os valores retroativos referentes àquela dívida.

Tais ações do governo geraram perdas salariais imensas. Em 2015, o vencimento básico de um(a) professor(a) PQ3 padrão 1 estava 101,2% acima do Piso Nacional do Magistério. Hoje, professores com esse mesmo perfil recebem vencimento básico 4,3% abaixo do piso: R$ 191,99 menos que o mínimo obrigatório a ser pago em qualquer lugar do país para exercer a docência na educação básica.

A discrepância salarial com outras carreiras de nível superior representa a desvalorização da educação e de seus profissionais no Distrito Federal. Das 29 carreiras de nível superior do GDF, o magistério está em 26º lugar no ranking de remuneração e em penúltimo lugar quando o foco é o valor do vencimento básico.

A diretoria colegiada do Sinpro-DF afirma que não aceitará o desrespeito com nossa categoria e o atropelo do debate democrático. Estamos em plena campanha salarial, debatendo nas escolas e com as comunidades escolares, e vamos fortes para a próxima assembleia geral – marcada para 26/04, com indicativo de greve.

 

 

MATÉRIA EM LIBRAS

Cuidado com o golpe! Criminosos insistem em extorquir a categoria

Fique atento(a) às “modalidades” de golpe de extorsão de dinheiro. 

Na tentativa de lesar a categoria, criminosos continuam os golpes. No exemplo a seguir, eles se apresentam como um advogado de um antigo escritório que não presta mais serviços ao Sinpro. Essas e outras abordagens fazem parte de uma série de mensagens enviadas a professores(as) e orientadores(as) educacionais negociando o recebimento de precatórios. Cuidado! O Sinpro e os escritórios de advocacia parceiros não pedem depósitos ou transferências para receber benefícios. Fique atento(a) às mensagens. Em caso de dúvidas, entre em contato pelos números: 3343-4200 / 3343-4201.

 

Confira a abordagem criminosa utilizada pelos golpistas:

 

Fique atento(a) aos tipos de golpes aplicados pelo WhatsApp

Em um novo formato de golpe para lesar a nossa categoria, criminosos têm procurado professores e professoras que têm precatórios a receber, apresentando-se como uma suposta funcionária do escritório Resende Mori Fontes chamada “Joana Vasconcelos”.

 

Em outros casos, uma mulher se apresenta como dra Luiza Franco de Castro, falsa advogada, e faz contato pelo WhatsApp (61) 9945-7295 e pelo (61) 9643-1866. O Sinpro e o escritório Resende Mori Fontes alertam que essas funcionárias não existem, e destacam, mais uma vez, que os(as) advogados(as) do Sinpro jamais pedirão dinheiro para liberação de precatórios, para se obter vantagens processuais e muito menos ameaçarão parar o processo caso não seja depositada alguma quantia em dinheiro. Isso é golpe!

 

Confira abaixo as mensagens que têm sido enviadas a professores(as) nessa nova abordagem:

 

 

Atenção: os golpistas estão informando um número de telefone fixo muito parecido com o contato verdadeiro do escritório Resende Mori Fontes. O telefone correto do escritório de advocacia é o (61) 3031-4400. Confira abaixo a mensagem com o número errado informado pelos criminosos.

 

Fique atento(a)! O Sinpro funciona nos endereços descritos no link a seguir e o telefone correto do escritório Resende Mori Fontes é o (61) 3031-4400.

Fale Conosco

 

Os golpistas também mandam falsas ordens de pagamento e documentos de arrecadação tributária, em PDF, fraudando a marca do TJDFT e do escritório Resende Mori Fontes. Confira os modelos abaixo e não caia em golpes:

Por e-mail

 

 

Diversas abordagens

Escutem os áudios a seguir e observem o modus operandi dos golpistas em outras situações:

 

Golpes pela Internet

O Sinpro pede a todos e todas para não se deixarem cair em golpes. Fiquem atentos(as) às “modalidades” de golpe de extorsão de dinheiro. A cada nova abordagem, os(as/es) bandidos(as/es) se aperfeiçoam e procuram facilitar e aligeirar o furto de dinheiro de quem tem processos a receber. É preciso ter cuidado e boa observação para não cair no golpe. Não é porque seu nome completo e CPF constam na mensagem, que ela é verdadeira (esses dados podem ser facilmente coletados na Internet). O Sinpro-DF recebe, diariamente, várias denúncias de professores(as/es) e orientadores(as/es) educacionais acusando o recebimento de mensagens que usam o nome do Dr. Lucas e do seu escritório. Nessa modalidade de golpe, uma pessoa diz, na mensagem, que foi autorizada a ordem de pagamento do processo e, em seguida, solicita que o(a) professor(a) ou orientador(a) educacional entre em contato com uma advogada pelos telefones 2626-5741 e 99859-9031. Tudo isso não passa de manobra criminosa para lesar pessoas com processos judiciais e financeiros movidos pelo sindicato. Preste atenção às mensagens! Não caia no golpe! Denuncie! O Sinpro e os escritórios de advocacia ligados a ele NÃO solicitam que sejam feitos depósitos para liberação de valores.

 

Para facilitar a compreensão de todos(as) sobre as estratégias utilizadas pelos(as) golpistas, seguem todas as versões usadas e denunciadas ao Sinpro:

 

Golpe 1

Criminosos entram em contato com professores(as) e orientadores(as) educacionais aposentados(as) informando sobre atualizações no processo de piso salarial e correções monetárias. Os golpistas, que se passam por funcionários do Escritório Resende Mori e Fontes, dizem que a suposta atualização, que na verdade é mais um golpe, diz respeito à cobrança de juros, correção monetária e pelo atraso do pagamento da folha salarial de 2015. Sob o argumento de liberar os valores das ações coletivas e repasse dos pagamentos em atraso, os criminosos pedem para que o(a) professor(a) ou orientador(a) educacional entre em contato com o suposto escritório. Ao ligar, o(a) aposentado(a) é informado que para receber o suposto valor deve depositar um valor na conta para o pagamento de custas advocatícias. O Sinpro volta a afirmar que nem o sindicato, nem os escritórios de advocacia ligados a ele, solicita que sejam feitos depósitos para liberação de valores. A Secretaria de Assuntos Jurídicos ainda ressalta que sindicato não tem processos referentes a piso salarial. Portanto, fique atento e não caia neste golpe.

 

Golpe 2

Uma mensagem enviada por WhatsApp, com foto de perfil com a marca do Sinpro, por um número que não é do sindicato, (61) 99872-4892, informa sobre o assunto: LIBERAÇÃO DO PRECATÓRIO EM FASE DE PAGAMENTO EM REGIME ESPECIAL, com os nomes dos advogados Drª Maria Rosali Barros ou Dr. Lucas Mori, indicando os números (61) 4042-0924 | WhatsApp: (61) 99840-3650 como contatos. Ao final, os golpistas colocam a observação falsa de que o sindicato não está atendendo presencialmente, em virtude os período pandêmico. Fique atento(a)! Isso é golpe! O Sinpro-DF está atendendo, normalmente, de forma presencial, das 8h às 17h, nas sedes e subsedes.

 

Golpe 3

Criminosos ligam para a casa de educadores(as) informando que foi liberado o alvará de precatório para pagamento. Em seguida, dizem que a vítima tem mais de R$ 100 mil para receber, pedem para ligar no número 99639-2111 e solicitam depósito de um valor na conta: NEXT 237 – AG: 3728 – CONTA 609240-3 (Anderson Fabio de Oliveira – CPF: 031.729.793-77). É importante ficar atento, pois a conversa é feita em aplicativo com perfil que leva a foto do logo do Sinpro-DF.

 

Golpe 4

Para o furto via telefone, usam vários nomes. O nome “Cláudia Maria Rodrigues”, que utiliza o telefone fixo 3181-0041 e o celular/WhatsApp, 96519820, é um dos denunciados pela categoria. O Sinpro-DF informa que o nome “Cláudia Maria Rodrigues”, utilizado pela quadrilha, pertence a uma advogada que também está sendo duramente prejudicada pelo bando. Ela avisou ao Sinpro-DF que já denunciou o caso à polícia e tem Boletim de Ocorrência para comprovar o uso indevido do nome dela. O outro nome usado é “Leonardo Mota” (Núcleo Bancário), com o telefone 3181-0285. Um terceiro nome identificado é “Dr. Marcelo Ricardo”, com o número de telefone 99849-7364.

 

Golpe 5

Para extorquir dinheiro das vítimas, a pessoa que realiza a chamada se passa por diretor, ex-diretor ou funcionário da Secretaria de Assuntos Jurídicos, Trabalhistas e Socioeconômicos do Sinpro-DF. Segundo denúncias realizadas ao Sindicato, em alguns casos, o golpista se apresenta como Dr. Daniel ou Dr. Dimas, e chega a utilizar em sua foto de perfil de WhatsApp a logomarca do Sinpro-DF. Em seguida, o farsante solicita depósito em conta bancária vinculada a uma suposta pessoa com nome de Priscila.

 

Golpe 6

Outra modalidade é o golpe com transferência por PIX. Assim como os outros métodos, o golpista solicita um valor para liberar uma quantia à vítima. No caso de transferência por PIX, não há um sistema de retorno ou cancelamento do envio.

 

Golpe 7

Nesta modalidade, o golpista envia à vítima, via WhatsApp ou e-mail, documento simulando papel timbrado do Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT). O documento ainda leva o nome de dirigentes do Sinpro-DF. No último relatado ao Sinpro-DF, constava o nome da dirigente Silvia Canabrava. O envio é feito posteriormente a uma ligação, em que o criminoso confirma vários dados da vítima, como nome completo, CPF e nome do pai e da mãe.

 

Golpe 8

O golpe mais recente consiste no envio de carta nominal, com logomarca de escritório de advocacia fantasma. O documento falso é enviado pelos Correios e traz uma série de argumentos jurídicos bem fundamentados, além de endereço de e-mail, telefones e assinatura com registro da OAB.

 

Golpe 9

O primeiro golpe de 2022 chega por WhatsApp e vem supostamente do “Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, DF”. É nominal, informa que o pagamento do precatório referente ao processo da pessoa está liberado para a data de hoje, “primeira ou segunda parcela”. O titular deverá entrar em contato com uma “Dra. CHRYSTIANE MAIA GUERCO FARIA LUCAS MORI (OAB: 38015/DF)” para solicitação do recolhimento dos alvarás de liberação do precatório, nos telefones (061) 99687-2994 ou (061) 99667-9219 (outros números também são usados nesse golpe), e se a pessoa não entrar em contato até às 15h, deverá esperar “uma segunda chamada com carência de tempo de 5 a 10 anos”. Mas é golpe.

 

Golpe 10

Na nova modalidade criminosa, os bandidos ligam pelo telefone 3322-1515 – contato oficial do Banco de Brasília (BRB), mas clonado – informando que o banco fez um PIX por engano para a conta do(a) professor(a) ou orientador(a) educacional, solicitando a devolução do valor. Além deste procedimento, os estelionatários também ligam dizendo ser de uma empresa jurídica ligada ao BRB, fazendo a cobrança de tarifas não pagas. Na maioria das vezes, os falsários enviam um link ou pedem dados para “corrigir o problema” e até mesmo solicitando dinheiro. Não abra o link, não forneça dados ou transfira qualquer quantia em dinheiro. Trata-se de um golpe!

 

Golpe 11

Em mais uma versão utilizada pelos estelionatários, um professor foi contatado e informado que havia sido autorizado o pagamento de R$ 108 mil referente ao precatório do Ticket Alimentação, ação movida por um suposto escritório jurídico do Sinpro. Porém, para receber o dinheiro, o educador deveria pagar as taxas, valor totalmente indevido, uma vez que o sindicato nunca solicita nenhum tipo de transação bancária para que professores(as) e orientadores(as) educacionais recebam vantagens financeiras. Para identificar se a ligação é um golpe, basta ficar atento ao pedido de qualquer tipo de taxa/valor/dinheiro para recebimento de precatório. Caso a pessoa peça dinheiro, tenha a certeza que se trata de um golpe!

 

Golpe 12

No dia 11 de novembro, o Sinpro recebeu denúncias de que várias pessoas da categoria estão recebendo mensagem de WhatsApp sobre um falso pagamento de precatório. A pessoa da mensagem diz que é do escritório de advocacia e tenta aplicar o crime de extorsão. Uma das vítimas percebeu a tentativa de golpe e avisou o Sinpro que recebeu a mensagem pelo WhatsApp do próprio celular e também pelo da filha dela. “Desconfiei, pois o número era diferente do que eu tinha na Procuração do escritório dos advogados Resende – Mori Fontes –. Liguei para o escritório e a moça que me atendeu me disse ser golpe. O telefone era totalmente diferente dos telefones do escritório. Fiz o print da mensagem e enviei para o e-mail que ela me indicou”. A mensagem inicia com o nome do escritório e o da vítima e segue um texto dizendo que “a Câmara de conciliação de PRECATÓRIOS, informa o resultado do julgamento das propostas de acordo do ultimo loto, nos termos do edital (21/06/2021)”. É escrito assim mesmo, repleto de erros gritantes de português e, após isso, prossegue com um texto repleto de informações erradas.

 

Golpe 13

Supostos parentes fazendo pedidos de envio de PIX de um telefone “provisório” parece não ter mais tanto efeito no mundo dos golpes bancários. Agora, a pergunta feita pelos golpistas é: reconhece esse PIX feito da sua conta bancária? A estratégia é a seguinte: é feita uma chamada telefônica supostamente do BRB, de um número que realmente coincide com o do banco (3322-1515). Na ligação, a funcionária fake pergunta se a vítima reconhece uma transferência via PIX realizada de sua conta bancária. Ao negar a transação, a vítima recebe um número de protocolo e é encaminhada para um pseudo “setor responsável pela segurança bancária”. O golpista que se passa pelo responsável do “setor” solicita que a vítima abra o aplicativo do BRB, mantenha-o aberto, vá até a loja de aplicativos e baixe a atualização do app do banco. Ao fazer a atualização, o golpista consegue todos os dados pessoais e bancários da vítima. Outra estratégia é pedir para que a vítima desligue e ligue de volta para o BRB, no número 3322-1515. Quando a pessoa realiza a chamada, o golpista intercepta a ligação e captura dados solicitados, como senha bancária numérica e dados como data de nascimento e CPF. É importante lembrar que os bancos não entram em contato por telefone com correntistas. Dados pessoais e bancários, de forma alguma, devem ser passados via telefone ou qualquer outra forma de comunicação não presencial. O Sinpro ainda reforça que não solicita qualquer depósito bancário para liberação de processos jurídicos.

 

Confira nas matérias, a seguir, as modalidades e o modus operandi:

Sinpro alerta categoria sobre os golpes de internet

 

Atenção, não caia no golpe!

 

Sinpro informa que criminosos continuam aplicando o golpe na categoria

 

Matéria em Libras

 

MATÉRIA EM LIBRAS

Dia Nacional do Piso Salarial do Magistério: a mobilização continua!

Dia 23 de março é o Dia Nacional do Piso Salarial do Magistério. A data marcou a apresentação do projeto de lei que se transformou na Lei do Piso do Magistério (Lei 11.738/08): 23 de março de 2008.

Com perdas salariais importantes em meio à crise econômica na qual o país mergulhou nos últimos anos, tem sido muito importante destacar que o piso é lei. Nessa quarta-feira (22), a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), em conjunto com os sindicatos filiados, realizou manifestações em todo o país em defesa da valorização profissional de quem trabalha na educação básica pública, e da real aplicação da Lei do Piso. A mobilização também reivindicou que o governo federal encaminhe a regulamentação da lei de diretrizes e carreira para valorizar professores(as), orientadores(as) educacionais, servidores(as) da carreira assistência e todos que fazem a escola funcionar.

No DF, o debate e a mobilização em defesa do piso nacional também têm sido feitos na perspectiva da recomposição salarial e da reestruturação da carreira, pautas centrais da campanha salarial 2023. Nessa quarta-feira (22), a ação foi o Sinpro nas Cidades, visitas às escolas para debater a campanha. Nesta quinta (23), acontecem as três primeiras plenárias regionalizadas – Brazlândia, Núcleo Bandeirante e Sobradinho -, sempre em dois horários: 9h e 14h.

A próxima assembleia geral está marcada para 26 de abril, podendo ser antecipada se necessário. Acompanhe o site e as redes sociais do Sinpro para se manter informada(o)!

 

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SIMILITUDO: Apresentação de dança grátis para professores e estudantes em Taguatinga e no Gama

O grupo PÉS – Teatro-Dança com Pessoas com Deficiência está oferecendo gratuitamente ingressos a estudantes da rede pública de ensino para quatro sessões do espetáculo SIMILITIDO, no SESC nas unidades de Taguatinga e do Gama.

As sessões ocorrem nas seguintes datas e horários:

– 18 de abril, 15h e 20h no Teatro Paulo Autran, SESC Taguatinga;

– 28 de abril, 15h e 20h no Teatro Paulo Gracindo, SESC Gama.

A proposta do espetáculo SIMILITUDO é apresentar o cotidiano em cena. São abordadas questões do convívio social no dia-a-dia e de como esse cotidiano, muitas vezes, poda e molda padrões de movimento, de relacionamento e até de sensibilidade.

O grupo PÉS tem o apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, o que permite protagonizar a pessoa com deficiência em cena. Graças a este apoio, o grupo oferece os ingressos a estudantes da rede pública de ensino.

Há 11 anos o grupo PÉS existe como projeto de extensão no Departamento de Artes Cênicas da Universidade de Brasília, coordenado e dirigido pelo artista educador Rafael Tursi. O elenco conta com pessoas de todas as idades e corpos, artistas com deficiências motoras, intelectuais, sensoriais, múltiplas, síndromes – e também pessoas sem deficiência.

Quase 10 anos depois de sua criação, o PÉS tem, hoje, em seu repertório, mais de cem atividades realizadas, entre apresentações de cenas e espetáculos, aulas, palestras, trabalhos acadêmicos e participações em eventos nacionais e internacionais. 

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Sinpro reúne delegadas(os) sindicais em meio à mobilização da campanha salarial

Na terça-feira (21), aconteceu a primeira reunião do ano do Sinpro com delegados e delegadas sindicais. O encontro foi deliberação da assembleia do dia 14.

Segundo a diretora do Sinpro Vanilce Diniz, a reunião representou um importante momento de escuta das demandas das escolas: “Neste momento de campanha salarial é ainda mais importante termos muita nitidez da realidade dentro das escolas. Há muitas deficiências se acumulando e nós cobraremos uma atitude do governo”, disse ela.

A campanha salarial 2023 tem como principais reivindicações a recomposição salarial e a reestruturação da carreira.

Na reunião, a diretoria do Sinpro divulgou a campanha “Some na luta em defesa do piso e de nossa recomposição salarial”. A ação tem início nesta quarta-feira (22). Para participar, grave um vídeo de até 20 segundos dizendo por que você defende a carreira do magistério público, a reestruturação da carreira do magistério distrital e o Piso Nacional da categoria. Envie o material para o whatsapp 99323-8131, informando também seu nome e a escola em que você atua.

A reunião de delegadas e delegados sindicais fez parte do calendário de mobilização e preparação para a próxima assembleia geral, que está marcada para 26 de abril, mas pode ser antecipada. Também integram o calendário aprovado em assembleia as ações Sinpro nas Cidades e plenárias regionalizadas – estas têm início nesta quinta-feira, 23 de março, em Brazlândia, Núcleo Bandeirante e Sobradinho.

Veja abaixo fotos feitas pelo fotógrafo do Sinpro-DF, Deva Garcia.

>>> Saiba mais: PARTICIPE DAS PLENÁRIAS REGIONALIZADAS! DE 23 DE MARÇO A 15 DE ABRIL

>>> Saiba mais: CATEGORIA DECIDE POR INDICATIVO DE GREVE E NOVA ASSEMBLEIA DIA 26/04 

Uma reforma tributária que combata a desigualdade entre mulheres e homens

Por Rosilene Corrêa, diretora da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação)

 

A reforma tributária precisa vir para corrigir distorções, não para aprofundá-las, ou, sequer, manter tudo como está. O Brasil é um país profundamente desigual. Há desigualdades regionais substanciais, assim como há entre campo e cidade, entre homens e mulheres, entre brancos e negros, e por aí vai.

A carga tributária atual contribui para esse cenário: por ser muito baseada em impostos sobre o consumo e pouco dirigida a taxar grandes fortunas, proporcionalmente, as pessoas pobres pagam mais impostos.

Se sabemos que pobres pagam proporcionalmente mais impostos que ricos, saibamos que as mulheres são a maioria da população pobre. Segundo a Pesquisa de Orçamento Familiar concluída no início de 2023, com base nos dados do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), 69,87% dos bens e direitos declarados são de homens e apenas 30,13% de mulheres. Mais de 80% dos declarantes nas faixas de renda mais elevadas são homens. Os super-ricos no Brasil são quase todos homens brancos.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) 2019 revelou que o rendimento das mulheres corresponde a, aproximadamente, 77% do rendimento dos homens no exercício de mesma função. Já a PNAD 2022 apontou que a maioria dos desempregados no Brasil são mulheres: elas representam 6,5 milhões num total de 12 milhões. A taxa de desemprego entre as mulheres é de quase 14%, enquanto, entre os homens, fica em 9%. E some-se a isso o fato de as mulheres serem maioria no trabalho informal e precarizado.

Para corrigir essa distorção, é importante equilibrar o peso da tributação sobre patrimônio e renda em relação à tributação sobre consumo. Como explicar que proprietários de jatinhos, aviões, helicópteros, barcos, motos aquáticas e iates sejam isentos de IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores)? Como explicar as alíquotas do IRPF, que cobram 15% de quem recebe entre R$ 2.826,66 até R$ 3.751,05; e uma alíquota fixa de 27,5% para todos os que recebem acima de R$ 4.664,68?

Outra proposta que vem sendo considerada é a desoneração fiscal de itens de uso feminino, como absorventes, ou itens comprados majoritariamente por mulheres, como fraldas descartáveis. Nessa chave também podemos incluir os itens que compõem a cesta básica, que impacta sobre a renda das mulheres porque geralmente são elas as responsáveis pela aquisição de tais produtos.

É fundamental que o debate da reforma tributária inclua as mulheres, porque, sim: todos os grandes debates precisam ter o devido recorte de gênero.

 

* Artigo originalmente publicado no portal Brasil Popular.

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Entrevista | Desafios da desnaturalização do machismo na escola

“Não me testa, que eu vou te dar um ‘bombril’. Não me testa. Se você apelar, vai ficar ruim para ‘tu’.”   Essa foi a resposta-ameaça dada pelo estudante que “presenteou” sua professora negra com um pacote de palha de aço da marca Bombril diante dos(as) colegas que reprovaram sua atitude. O fato, protagonizado por um estudante do Centro de Ensino Médio 09 de Ceilândia (CEM 09), aconteceu em pleno 2023, em uma escola pública do Distrito Federal, no Dia Internacional da Mulher.

Desde então, o Sinpro tem reforçado sua atuação na categoria no sentido de estimular todas as escolas a promoverem atividades de conscientização política sobre o racismo estrutural e a misoginia (ódio às mulheres) e reforçado a defesa de uma educação pública, gratuita, democrática, libertadora, inclusiva e socialmente referenciada. Nesse sentido, realizou, na semana passada, uma aula pública no CEM 09 de Ceilândia com envolvimento de toda a escola na atividade.

Na ocasião, o sindicato presentou os(as) professores(as), orientadores(as) educacionais, a direção com o caderno “É preciso ser antirracista” para subsidiar o planejamento pedagógico da escola. Confira aqui a matéria. O caderno segue as diretrizes do Artigo 2ª da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e da Lei nº 10.639/2003, que, há 20 anos, incluiu o ensino de história e cultura afro-brasileiras nos currículos oficiais da educação do País. Na avaliação da diretoria do Sinpro, é preciso atuar pedagogicamente e aplicar a lei antirracista nas escolas para mudar, definitivamente, esse tipo de atitude.

No entanto, como afirma Márcia Gilda, coordenadora da Secretaria de Raça e Sexualidade, o fato em si constitui “crime de racismo porque atingiu e ofendeu a toda uma coletividade”. Embora a professora-alvo da situação tenha tratado o fato com serenidade e maturidade, não conseguiu esconder a gravidade do problema.  O Bombril utilizado como arma pelo estudante apenas explicita, em uma de suas formas mais cruéis, o sarcasmo, o que está enraizado na estrutura da nossa sociedade e que, nos últimos anos, retomou proporções de dois séculos atrás: o machismo.

O Bombril tira do armário e coloca uma lupa sobre um monstro que mesmo estando lá dentro já fazia muitas vítimas e, agora, perdeu o constrangimento de se expor. A misoginia e a cultura do ódio incitadas nos últimos anos no país publicamente, tirou o pudor das manifestações de intolerância, racismo, machismo, misoginia que passaram a alvejar os mais vulneráveis, principalmente as mulheres.

E o que já é inadmissível em qualquer esfera ou setor da sociedade, torna-se emblemático quando acontece na escola; que é locus próprio da esperada mudança das pessoas para a transformação social. É que a escola também sofre dos males do machismo estrutural, sobretudo ao reforçar um processo pedagógico, que se inicia na primeira infância.

Nesta entrevista exclusiva para o site do Sinpro-DF, a professora Olga Freitas fez uma análise da situação. Pedagoga, doutora em Educação, mestra em Neurociência do Comportamento, especialista em Neuropsicologia, Neuropisicopedagogia, Gestão Escolar, Libras e em Educação Inclusiva, Olga é professora aposentada da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal (SEE-DF). Confira a entrevista.

 

 

ENTREVISTA | Olga Freitas

 

Professora, como esse caso da agressão do estudante do CEM 09 da Ceilândia contra a sua professora pode ser fruto de um  “machismo pedagógico? 

Olga Freitas – Bem, pedagógicos são todos os processos que têm por objetivo promover relações significativas entre a/o aprendiz e o conhecimento social e historicamente produzido pela humanidade. Esses processos tanto podem ser intencional e deliberadamente desenvolvidos para possibilitar a aprendizagem

como podem ocorrer de forma não intencional e assistemática, mas é igualmente relevante e eficaz, na perspectiva da produção e assimilação do conhecimento. 

 

Nesse sentido, a escola, seja por meio de currículos e práticas que reproduzem as características do modelo da sociedade patriarcal, seja pela ação generalizada, expressa em comportamentos e atitudes aprendidos e naturalizados, tanto em  homens quanto em mulheres, reverbera a estrutura que enaltece os valores considerados masculinos, em detrimento, desproporcional, dos valores considerados femininos. E isso vale também para as identidades de gênero e orientações sexuais que não são heteronormativas.

 

Basta ver que boa parte das rotinas escolares é estabelecida a partir daquilo que é considerado próprio de menina e o que é próprio de menino, como a organização do espaço social, dos agrupamentos, dos símbolos, da proposição dos jogos, brinquedos, conteúdos, atividades recreativas, práticas de esportes,  expectativas de comportamento, entre outros.

 

Esses aspectos separam meninas e meninos apenas com base nos estereótipos de gênero e ocorrem de forma tão natural que dificilmente percebemos o quanto contribuímos para uma educação sexista para nossas crianças e jovens.

 

Podemos dizer que isso revela a necessidade de a educação estar conectada com a política? 

Olga – Sim. A educação não pode estar desconectada da política, pois, como nos ensina Paulo Freire, educar implica, necessariamente, perguntar-se a todo tempo, que tipo de sujeito queremos ajudar a formar e para que tipo de sociedade. E isso é um ato político. Se queremos viver em um mundo mais justo e mais igual, em que mulheres e homens tenham as mesmas oportunidades, a educação deve ser, intencionalmente, livre de toda e qualquer forma de discriminação e preconceito e, para isso, a escola deve desenvolver planos, programas, ações que eduquem meninas e meninos para essa igualdade.

 

Importantíssimo também que professoras e professores, diretoras e diretores, merendeiras e merendeiros, secretárias e secretários, agentes de portaria, orientadoras e orientadores educacionais, mães e pais, enfim, toda a comunidade escolar se perceba como referência para as crianças e os jovens e que o exemplo educa muito mais do que as palavras.

 

Esse caso expõe o fato de a escola ser um ambiente tóxico para as mulheres? 

Olga – O ambiente escolar ainda é tóxico tanto para meninas quanto para meninos porque tende a reproduzir ideias e estereótipos de gênero, que valorizam mais o masculino em detrimento do feminino. Para citar um exemplo, o estudo da fisiologia humana não aborda a menstruação, como o que ela é: uma evidência da natureza; é biológica, fisiológica.

 

Ao contrário, a escola assume uma posição de aparente “neutralidade”,  para responder à parcela conservadora da sociedade, tratando o tema  como um assunto delicado e, portanto, privado. Dessa forma, a menstruação é mais um conteúdo que fica armazenado na nuvem, sem ser abordado nem na escola nem no âmbito familiar.

 

Na escola, quando abordada, a menstruação é assunto apenas nas aulas de genética,  quando o sistema reprodutor é explicado,  de forma professoral, asséptica e hermética. Além disso, muitas de nós,  professoras (que, em geral, também menstruamos), abordamos o assunto de forma inadequada, na maioria das vezes como algo nojento, por se tratar da expulsão de sangue. Essa é uma atitude que faz com que, em vez de se sentirem confortáveis com seus corpos, as meninas sintam vergonha dele; têm vergonha de fazerem parte da natureza. Mais um ponto para o machismo pedagógico.

 

Além disso, o descaso com o tema também contribui para a pobreza menstrual, que impede muitas meninas de irem à escola quando estão menstruadas, por falta de condições financeiras para comprarem absorventes higiênicos.

 

A discriminação, o bullying e outras práticas criminosas disfarçadas em piadas, por exemplo, têm uma relação estreita com a estereotipização das pessoas. Há décadas as sociedades lutam contra isso. O que é preciso fazer? 

Olga – É necessário implementar ações para desconstruir os estereótipos de gênero e remover as barreiras baseadas neles por meio de currículos inclusivos, antissexistas e que transformem impedimentos construídos, culturalmente, em oportunidades. 

Essa desconstrução passa, necessariamente, pela ampliação da participação feminina nos espaços de poder, seja pela política ou pela carreira profissional, principalmente, nas instâncias legislativas. Quanto maior o número de mulheres ocupando esses espaços, maior sua representatividade na priorização das agendas e na regulação das relações sociais. A construção de normas e regras sociais também deve incluir as mulheres, que, geralmente, são negligenciadas em razão da sua sub-representação nesses espaços.

Basta ver que, na rede pública de ensino do Distrito Federal, as mulheres são mais de 80% do corpo docente, mais de 70% na carreira assistência, mas de 70% como responsáveis legais pelos estudantes e mais de 50% do alunado, mas estão sub-representadas tanto na gestão central quanto nas gestões escolares. Nas escolas, as mulheres só são maioria nas equipes diretivas porque a maioria das escolas está direcionada à educação da primeira infância, segmento ainda fortemente associado à extensão dos cuidados maternos.

 

Esse “machismo pedagógico” se reflete nas relações internas da categoria do Magistério? 

Olga – Sim. Reflete. O processo de escolha das equipes diretivas é um exemplo claro. Mesmo com todos os segmentos da comunidade escolar compostos, majoritariamente, por mulheres, que também são as que votam e são votadas, o fato de as mulheres serem eleitas massivamente para as unidades que contemplam a educação infantil e anos iniciais, e preteridas em relação aos homens em unidades que incluem estudantes maiores e mais autônomos, é sintomático e revela a força do machismo estrutural com seus elementos inseridos na cultura feminina.

 

Professora, nesse sentido, qual o papel da escola e o que é preciso ser feito para isso ser erradicado do ambiente escolar? 

Olga –  O papel da escola não é outro senão o de  proporcionar, às meninas, condições para a superação e transformação da realidade imposta às mulheres de cuidar de coisas consideradas “menos importantes”, de serem  as únicas responsáveis por cuidar de suas casas, dos filhos, e de assumirem atividades cujo salário é menor, ou que, mesmo exercendo o mesmo cargo, recebam salários inferiores aos dos homens.

 

A escola precisa ser um ambiente seguro, intencionalmente estruturado para garantir, principalmente às meninas, a liberdade de ir e vir, de se expressar, de ser; um ambiente em que os sonhos são incentivados e fortalecidos, em que meninos e meninas desfrutam e exercem condições iguais, quer seja na tomada de decisões, quer seja nas rotinas estabelecidas no cotidiano.

 

Em outras palavras, se o machismo é pedagógico, reproduzido de forma naturalizada, por meio da transmissão de um sistema de valores, pensamentos e atitudes sexistas que reforçam o submetimento da mulher e a supervalorização do homem, a igualdade de gênero também pode e deve ser, o que requer uma intencionalidade educativa crítica nesse sentido.

 

É preciso transpor o teto de vidro que impede a mulher de avançar profissional e socialmente, incluindo a ruptura com os estereótipos de gênero e seus papéis sociais, a autopercepção imposta que as próprias mulheres têm sobre suas habilidades, a associação natural do poder com o masculino, a desvalorização do trabalho das mulheres e a desvalorização de suas capacidades intelectuais, entre outros. Precisamos, mulheres e homens, junt@s, lutar por uma educação para a igualdade de gênero.

Gestores(as) cobram PDAF e unificam ações no calendário de lutas da Campanha Salarial

Em reunião bastante representativa, realizada nesta segunda-feira (20) em formato remoto, gestores e gestoras das escolas públicas do DF e diretores e diretoras do Sinpro debateram os problemas da rede, que se arrastam desde o início do ano letivo, e a campanha salarial 2023.

O encontro aconteceu após deliberação da assembleia geral de 14 de março, e foi bastante produtivo para unificar ações no calendário de lutas aprovado pela categoria. Entre as principais reivindicações está o pagamento imediato da primeira parcela do PDAF 2023, bem como seu reajuste. O atraso tem causado grandes transtornos nas escolas, e mostra, mais uma vez, o descaso do GDF com a educação pública.

Descaso que também se revela nas perdas salariais da categoria, que está há oito anos com os salários congelados, diante de um contexto de inflação. Por isso, na reunião, falou-se sobre a importância de gestores e gestoras se envolverem no processo de mobilização da campanha salarial, em especial, para a construção da próxima assembleia geral com paralisação. Ela está marcada para 26 de abril, mas pode ser antecipada caso seja necessário.

Em seu informe sobre as negociações do Sinpro com o governo, o diretor do sindicato Cleber Soares disse que houve avanços nas conversas sobre cartão PDAF. A diretora do Sinpro Luciana Custódio, também integrante da comissão de negociação, falou do calendário de mobilização aprovado pela assembleia geral, especialmente das ações como o Sinpro nas Cidades e as plenárias regionalizadas. “Precisamos da ajuda de todos para ampliar nossa mobilização e exigir que o governo nos apresente avanços reais”, disse Luciana.

Nas suas avaliações, os participantes da reunião também falaram da realidade de turmas superlotadas, da quantidade excessiva de professores e professoras temporários – e, portanto, a importância da realização de concurso público -, e da defesa da gestão democrática.

Ao final, a diretora do Sinpro Mônica Caldeira, que coordenava a reunião, elencou os encaminhamentos: será criado um formulário “google form” para levantar informações sobre o envio da primeira parcela do PDAF em cada escola; o Sinpro solicitará agilidade da Secretaria de Educação na análise dos processos das escolas, para evitar que a verba fique parada; contra o aplicativo para uso do cartão PDAF; nova reunião com gestores e gestoras antes da próxima assembleia geral; estabelecer um cronograma de reuniões periódicas (mensais) online com gestores e gestoras, e, se necessário for, reuniões extraordinárias intercaladas com elas.

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Sinpro realiza aula pública sobre racismo estrutural e misoginia no CEM 09 de Ceilândia

O Sinpro realizou, na sexta-feira (17/3), uma aula pública, ministrada numa roda de conversa, no Centro de Ensino Médio 09 de Ceilândia (CEM 09), sobre racismo estrutural e misoginia. A atividade de conscientização foi realizada após um estudante dessa unidade escolar “presentear” uma professora negra, no Dia Internacional da Mulher, com um pacote de palha de aço de lavar louça com o propósito de discriminar e humilhar, conforme foi revelado nos vídeos veiculados na Internet. Confira no link:  https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2023/03/5080098-estudante-presenteia-professora-negra-com-palha-de-aco-no-dia-da-mulher.html

 

Realizada pelas Secretarias de Raça e Sexualidade e de Mulheres do Sinpro, em conjunto com a Frente de Mulheres Negras do Distrito Federal, “a aula pública abordou o histórico do Brasil, construído em cima dos conceitos do patriarcado, do racismo e de como essa violência pode ser sutil a ponto de a pessoa, muitas vezes, nem perceber que está sendo vítima de uma atitude misógina e racista”, afirma Márcia Gilda, coordenadora da Secretaria de Raça e Sexualidade do Sinpro.

 

Para contrapor o presente ostensivo do estudante, o sindicato presentou todos(as) os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais com o caderno “É preciso ser antirracista”, produzido e lançado, em 2022, para ser material de apoio nas práticas pedagógicas de enfrentamento e combate ao racismo na rede pública de ensino do DF. O caderno segue as diretrizes do Artigo 2ª da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e da Lei nº 10.639/2003, que, há 20 anos, incluiu o ensino de história e cultura afro-brasileiras nos currículos oficiais da educação do País. A publicação será usada no planejamento pedagógico.

 

Segundo Márcia Gilda, a recepção da escola foi muito boa. A direção se colocou à disposição para receber o Sinpro e envolveu toda a unidade escolar na atividade. A diretora conta que as estudantes se sentiram ofendidas e perceberam a atitude misógina e racista na ação do estudante porque a palha de aço trouxe a dupla mensagem de que a professora negra não deveria estar ali exercendo sua profissão acadêmica, e sim em casa, lavando louças.

 

“Ele poderia ter usado qualquer outro objeto de uma casa, mas ele usou o Bombril, um objeto simbólico na perspectiva de que durante muito tempo o Bombril foi utilizado para ridicularizar as pessoas negras pela tentativa de associá-lo ao cabelo afro. Trata-se de crime de racismo porque atingiu e ofendeu a toda uma coletividade”, explica Márcia Gilda.

 

Na avaliação da diretora, o que falta para o Brasil vencer o racismo estrutural e reestruturar esse tema de forma plena, que respeite a diversidade de gênero e de raça, é de fato implantar a lei. “Pôr a lei em prática é a nossa sugestão e é pelo o que lutamos. Infelizmente, a educação antirracista ainda está na perspectiva da pedagogia de projeto. A gente precisa fazer com que a lei seja cumprida em todos os espaços sociais e prevista no próprio Projeto Político-Pedagógico da escola porque a educação é a chave que muda essa consciência. É a porta de entrada de transformação da sociedade”.

 

A diretora afirma também que, quando a escola trabalha esse tema efetivamente, consegue mudar essas consciências. “Infelizmente, nos últimos 6 anos, no Brasil, deu entrada o ‘empoderamento’ do racismo, homofobia, misoginia, xenofobia e algumas atitudes que a gente tinha conseguido dar uma parada, amenizar, fazer com que as pessoas começassem a pensar um pouco mais antes de cometer determinadas ações. Mas, nesses últimos anos, elas passaram a se sentir empoderadas nesse sentido da discriminação. Isso é resultado desse governo derrotado nas eleições de 2022, que colocou um negro na Fundação Palmares que era contra a pauta dos negros; uma mulher na Pasta de direitos humanos, que era contra as mulheres; uma pessoa na Pasta do meio ambiente, que era contra o meio ambiente”, destaca.

Márcia Gilda ressalta que, recentemente, um deputado federal eleito na última eleição tem se manifestado, claramente, contra os direitos trabalhistas. “A gente tem hoje um deputado que é contra direitos trabalhistas enquanto no País há uma explosão de denúncias com centenas de pessoas sendo resgatadas, diariamente, do trabalho análogo à escravidão. Essas pessoas que estavam, de certa forma, adormecidas, submersa, surgiram empoderadas, ganharam força nesses 6 últimos anos”, afirma.

 

Ela lembra que, recentemente, outro deputado federal usou a tribuna na Câmara dos Deputados para ofender as mulheres trans em pleno Dia Internacional das Mulheres. “Se a lei for cumprida e a gente começa a fazer esse não só na escola, mas também em todos os espaços em que existem grupos que debatem, como no trabalho, nas comunidades, nas escolas, a gente vai conseguir vencer esse tipo de situação, essas atitudes e esses gestos que tanto desconstroem o ser humano enquanto humano”.

 

Mônica Caldeira, coordenadora da Secretaria de Mulheres do Sinpro, informa que o evento foi muito agregador e envolveu o movimento negro, o sindicato, os estudantes, os(as) professores(as), a direção da escola, e que todos(as) participaram do debate acerca da importância de uma educação de combate ao racismo. Além do Sinpro, Mônica representou o movimento de mulheres do Distrito Federal e falou sobre o quanto a estereotipização foi utilizada, historicamente, para oprimir um grupo social em detrimento de outro.

 

“Ou seja, a exploração do homem pelo homem. Falei da estereotipização dos judeus no genocídio desse povo durante o nazismo; sobre a escravização do povo negro pela estereotipização da cor da pele e dos traços; e a estereotipização da mulher na condição de cuidadora, doméstica. Até quando isso vai para o mercado de trabalho, são as profissões menos valorizadas porque entra dentro da força e do poder que a estereotipização traz na hora de se correlacionar poderes na sociedade e até mesmo justificar a exploração de grupo social pelo outro”, explica.

 

Mônica considera que a atividade foi positiva e conta que fez um breve relato histórico até chegar ao movimento de mulheres. Houve também apresentações musicais do movimento negro e de mulheres. “Cantamos músicas sobre o empoderamento feminino e foi muito bom. Tivemos a participação dos e das estudantes com uma ciranda”.  A diretora relata que os(as) professores(as) consideraram a realização do evento nessa temática, com a presença do Sinpro, muito importante, e que ajuda a escola na dinâmica do processo pedagógico, trazendo pessoas de fora para abordar as questões em foco.

 

Ela explicou que abordou o tema pelo viés do estereótipo da mulher e a sua condição de cuidadora e doméstica porque o gesto do estudante tem também o viés de que o Bombril, no Dia Internacional da Mulher, passa a mensagem de que a professora só serve para lavar louça, além da discriminação do cabelo afro. “Por isso, foquei minha fala na estereotipação da mulher e expliquei que um grupo é marginalizado pelos traços físicos e que é por isso que não podemos admitir bullying, zoação com características físicas, porque existe um contexto histórico nelas”, finalizou.

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