Semana de Promoção da Educação Inclusiva – 06 a 10/03
Jornalista: Alessandra Terribili
Para que a educação seja efetivamente um direito de todos e todas, conforme assegura a Constituição Federal, são necessárias políticas públicas que garantam o acesso e a permanência dos estudantes nas escolas. Quando falamos de pessoas com deficiência, é preciso estar ainda mais atento
A Semana de Promoção da Educação Inclusiva existe desde 2016, com o objetivo de defender os direitos dos estudantes com deficiência, assegurar a consolidação da educação inclusiva, combater a discriminação e a intolerância e promover o respeito à diversidade.
É necessário questionar atitudes discriminatórias que são reproduzidas cotidianamente de modo a excluir e constranger pessoas com deficiência, e a educação é uma arma poderosíssima para isso. A escola deve ser um espaço de construção de cidadania e de igualdade.
Segundo o diretor do Sinpro Carlos Maciel, membro do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Distrito Federal (Coddede), barreiras precisam ser retiradas para que as pessoas com deficiência possam usufruir dos seus direitos. “A escola precisa oferecer um ambiente acessível tanto do ponto de vista arquitetônico e tecnológico, quanto do ponto de vista atitudinal, visando a incluir e a formar cidadãos com empatia e respeito à diversidade”, afirma Carlos.
Carlos Maciel também lembra que a educação inclusiva precisa ser discutida e implementada em todos os níveis da aprendizagem, tanto na educação básica, no ensino superior e técnico, quanto na educação informal. “Hoje, a educação inclusiva está mais adiantada na educação básica. Muitas vezes não há a porta de entrada para pessoas com deficiência no ensino superior; e o ensino tecnológico precisa promover e ampliar as adaptações necessárias para esses estudantes. É preciso derrubar barreiras em todas as esferas”, aponta ele.
Carlos destaca que para se garantirem as políticas públicas de inclusão, é necessário investimento dos governos. “Para adaptar um espaço, para garantir acessibilidade, condições para as pessoas com deficiência, formação de profissionais para atenderem adequadamente, para tudo isso são necessários recursos, então o governo precisa investir nesse segmento da população”, diz.
O Sinpro tratará da Semana de Promoção da Educação Inclusiva ao longo de toda a semana em suas redes sociais, por meio de textos e cards produzidos com base no trabalho das professoras da Sala de Recursos do CED 104 do Recanto das Emas Adriana Budal e Ana Paula Tauber, a quem agradecemos com carinho!
CNTE realiza primeira reunião de aposentadas(os) do ano
Jornalista: Alessandra Terribili
Na última quarta-feira, 1º de março, aconteceu a reunião do coletivo nacional de aposentadas e aposentados da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação). Os três diretores da Secretaria de Aposentados do Sinpro, Elineide Rodrigues, Consuelita Oliveira e Chicão, participaram do encontro. O presidente da CNTE, Heleno Araújo, e Sérgio Kumpfer, secretário de aposentados da entidade, também estiveram presentes.
O ponto principal da pauta era construir um planejamento para 2023. Ao longo do dia, representantes de diversos estados participaram de debates sobre a conjuntura – especialmente no que se refere à reforma da previdência, que interferiu duramente nas condições e na qualidade de vida dos aposentados e aposentadas -, avaliação do último período e perspectivas para o próximo. Houve também muita troca de experiências, com a socialização de ações exitosas que os sindicatos encaminham nos estados.
Para Elineide Rodrigues, coordenadora da Secretaria de Aposentados do Sinpro, a reunião foi muito proveitosa, e fica a expectativa para novos encontros. “Nós nos reunimos para fazer planejamento e avaliação, traçar novas ações, dividir nossas experiências e aprender com as demais”, contou Elineide. “Novos encontros serão necessários para fortalecer essa articulação nacional de professores(as) e orientadores(as) educacionais aposentados(as), pois somos um segmento muito prejudicado por reformas que mexeram com nossos rendimentos e com nossa dignidade”, afirma ela.
Diretores da Secretaria de Aposentados do Sinpro com o presidente da CNTE, Heleno Araújo.
Nota de Pesar | Professora Nilza da Conceição Paranhos
Jornalista: Danielle Freire
É com grande tristeza e pesar que o Sinpro informa o falecimento da professora Nilza da Conceição Paranhos. A educadora faleceu vítima de câncer, nesta quinta-feira (02), aos 77 anos, deixando familiares, amigos e companheiros de magistério saudosos. O velório acontecerá amanhã (03/03), das 9h às 11h, no cemitério Campo da Esperança da Asa Sul.
Tia Nilza, como era carinhosamente conhecida, era pedagoga e lecionou na SEE-DF de 1968 a 1991, na Escola Classe 08 de Taguatinga, uma professora incansável na alfabetização de seus alunos. Eu, a pessoa que escreve este texto com lágrimas nos olhos, sou prova disso. Lembro-me de todo o esforço e dedicação que Tia Nilza teve para que eu pudesse ser alfabetizada. Quando criança, tive muitas dificuldades para identificar as letras e formar palavras. Mesmo que meus pais se esforçassem em casa para me ajudar, eu não conseguia aprender. Mas foi ela, com sua paciência e doçura características de quem nasceu para ser mestra, que insistiu e me fez aprender. Se hoje estou aqui, formada em jornalismo e redigindo este texto, foi porque ela não desistiu de mim.
Nilza marcou não só a minha existência, mas a de muitos meninos e meninas que passaram pela Escola Classe 08 de Taguatinga. Seu olhar amoroso, sua dedicação, seus cartões de Natal e aniversário que chegavam em nossas casas de surpresa, marcaram nossas vidas. Obrigada, amada Tia Nilza, por tua luta incansável pela Educação e por sua vida que marcou as nossas.
A você, a nossa singela homenagem. Aos familiares e amigos, toda a solidariedade e força neste momento de dor.
Aumento indevido na fatura do GDF Saúde será corrigido na folha de pagamento
Jornalista: Alessandra Terribili
Em atendimento a uma solicitação do Sinpro, representantes da direção do Inas (Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores do DF) receberam a comissão de negociação e a Secretaria de Saúde do sindicato para tratar das deficiências e propostas de melhorias no plano de saúde. Uma das pautas do encontro foi o aumento injustificado verificado nos contracheques das servidoras e servidores usuários.
Beneficiárias e beneficiários do GDF Saúde, plano de saúde dos servidores(as) do Governo do Distrito Federal, notaram um aumento indevido em suas faturas. Esse aumento foi um erro do sistema. A diretoria financeira do Inas detectou o erro, e o valor descontado será corrigido nas próximas folhas. Em março, é provável que o débito ainda venha errado. O Inas informou ao Sinpro que o valor debitado a mais será integralmente ressarcido.
A diretoria colegiada do Sinpro informa que continuará monitorando e cobrando que o ressarcimento ocorra o quanto antes. Caso o problema não seja resolvido nos próximos meses, o sindicato dará novas orientações à categoria.
Tramita no Senado um projeto de Lei que criminaliza a misoginia, e iguala essa postura social a racismo, a homofobia e a transfobia.
A misoginia é qualquer ato de demonstração de ódio à mulher e à condição feminina. Ela pode se manifestar em forma de discriminação, invisibilidade ou violência. É diferente do machismo, que se refere ao enaltecimento do masculino em detrimento do feminino. É o “conceito social” segundo o qual o homem, em uma relação, é superior à mulher, que lhe deve obediência.
Condutas misóginas e machistas revestidas de piadas, memes e brincadeiras de meninos não devem mais ser naturalizadas. A ideia é que a Lei Antidiscriminação inclua entre as circunstâncias de discriminação e preconceito também a misoginia.
Precisamos que o Código Penal acrescente ao crime de injúria, a misoginia, para punir com mais rigor quando praticado com elementos, meios ou conteúdo de ódio ou aversão às mulheres.
No evento Vida em Palavras de ontem (28/2) sobre saúde e gênero, a professora Valeska Zanello falou da importância da criminalização da misoginia: “Se é errado discriminar uma pessoa em função de sua sexualidade ou da cor de sua pele, também deve ser crime que uma pessoa seja discriminada por causa de seu gênero”, explicou.
Gestores(as) se reúnem com o Sinpro para debater o início do ano letivo
Jornalista: Alessandra Terribili
Gestores e gestoras das escolas da rede pública do DF se reuniram na sede do Sinpro, no final da tarde de segunda-feira (27), para debater os desafios que o início do ano letivo trouxe para as escolas. Entre os temas mais levantados, estava a falta de profissionais, como monitores(as) e agentes de portaria, e os problemas com os uniformes e cartão PDAF.
A reunião se iniciou com um informe do diretor do Sinpro Cleber Soares, integrante da comissão de negociação, sobre o andamento das negociações com o governo. Segundo ele, as negociações se baseiam na meta 17 do PDE (Plano Distrital de Educação).
O professor Paulo Gileno Ribeiro Bosco, diretor da Escola Classe 410 de Samambaia, trouxe informe sobre a reunião que os gestores e gestoras tiveram com presidente e vice-presidente da Câmara Legislativa (CLDF), respectivamente, deputados Wellington Luiz e Ricardo Vale. Na conversa, os gestores informaram oficialmente as dificuldades que as escolas vêm enfrentando neste início de ano letivo. “Dessa conversa, definimos uma reunião com a SEEDF que deve acontecer nesta quarta-feira (01), e o Sinpro participará conosco”, socializou Paulo.
Ao final da reunião, alguns encaminhamentos foram tirados, e a próxima reunião desse coletivo ficou agendada para dia 06/03 (próxima segunda-feira), em formato online, às 18h30.
A diretora do Sinpro Mônica Caldeira, que conduziu os trabalhos na mesa ao lado dos também diretores Bernardo Távora e Ana Cristina Machado, destacou a necessidade de o grupo se manter mobilizado para dar força às negociações e reivindicações. “Vamos reforçar junto à SEEDF que deve haver um diálogo constante com os gestores. Os problemas identificados neste início de ano precisam de amparo do governo”, ressaltou Mônica. “A assembleia com paralisação dia 14 será um momento muito importante, e é fundamental que todos e todas estejamos lá!”, reforçou.
O deputado distrital Gabriel Magno compareceu à reunião e falou das ações que vem sendo tomadas desde a Comissão de Educação, Saúde e Cultura da CLDF, que ele preside, e afirmou que acompanhará de perto a resolução dos problemas levantados.
Chegou a hora de eleger delegados(as) e representantes sindicais nas escolas
Jornalista: Alessandra Terribili
Mais um ano letivo se inicia, e, com ele, novas lutas e perspectivas se abrem. Para a organização e o fortalecimento da categoria para enfrentar essas lutas, a eleição de delegados e delegadas e de representantes sindicais nas escolas é fundamental.
Entre as tarefas de delegados(as) e representantes sindicais estão a mobilização da categoria na escola, a articulação da presença do sindicato em coordenações coletivas, a divulgação de campanhas e mobilizações virtuais. O delegado sindical é também o interlocutor entre seus pares e a diretoria do sindicato, cumprindo as deliberações do estatuto, das assembleias e da diretoria colegiada do Sinpro-DF. O fortalecimento da organização por local de trabalho é uma condição importantíssima para o sucesso nas lutas!
Cada unidade escolar pode eleger um(a) delegado(a) sindical, além de um representante por turno. Por exemplo, uma escola que funciona nos 3 turnos, pode eleger 1 delegado(a) sindical e 1 representante por turno, num total de 4 pessoas. Não há verticalidade nessa relação; a eleição de delegado(a) e representantes é uma estratégia importante para aumentar o nível de representatividade por escola.
Podem ser delegados sindicais o(a) professor(a) efetivo, de contrato temporário, ou orientador(a) educacional desde que sejam sindicalizados(as) junto ao Sinpro.
O Sinpro sugere que a escolha de delegados(as) sindicais e representantes se dê no espaço da coordenação coletiva. É preciso registrar a presença dos e das participantes! Após o encontro, o delegado(a) sindical eleito(a) deverá acessar o link disponibilizado pelo Sinpro-DF e preencher o formulário com as informações solicitadas. O Sinpro automaticamente receberá as informações.
Também é possível baixar a atae lista de presença, preencher e enviar em formato PDF para a Secretaria de Formação do Sinpro-DF pelo whatsapp (61) 99323-8140 ou pelo e-mail joelma@sinprodf.org.br; ou presencialmente na sede e nas subsedes do sindicato.
Atenção: o(a) delegado(a) só será validado(a) quando o sindicato receber a ata devidamente preenchida! Caso tenha alguma dúvida, contatar a Secretaria de Formação no mesmo número de whatsapp citado acima ou pelo telefone (61) 3343-4209.
Confira o passo a passo abaixo:
1) Após a realização da eleição durante a coletiva, o (a) delegado sindical deverá acessar o LINK e informar o CPF.
2) Se houver representações sindicais por turno, o(a) delegado sindical, deverá preencher e informar no formulário. Havendo necessidade de inserir mais representantes, basta clicar em adicionar “representantes” e, em seguida, salvar os dados informados.
3) O delegado(a) irá inserir o CPF e nome de cada participante da reunião na qual ocorreu a eleição.
Atenção: É de extrema importância que todos os participantes que estiveram presentes na coletiva sejam inseridos no documento digital, independentemente de serem ou não filiados(as). Para cada participante, é preciso salvar o documento.
4) Após o preenchimento de todas as informações, o Sinpro automaticamente receberá as informações do formulário.
5) Por fim, clique em visualizar a Ata de Eleição, imprima ou salve o documento para você.
Caso o candidato(a) queira fazer alguma mudança no formulário, basta acessar o e-mail que será enviado para o endereço eletrônico cadastrado. Os(as) delegados(as) sindicais serão eleitos para mandato de um ano.
Clique no link a seguir e imprima o PDF da Ata de Eleição:
É com profundo pesar que o Sinpro informa o falecimento da professora Vânia Leila Nogueira, ocorrido na tarde desta sexta-feira (24/2), vítima de um atropelamento na cidade de Campos do Jordão (SP), onde passava férias. O acidente causou-lhe hemorragia cerebral, segundo informações de sua prima Gina Vieira Ponte.
Vânia trabalhou como Professora na empresa SEEDF de 1985 a 2017, e estava cursando Letras Espanhol no Instituto Federal de Brasília.
“A Vânia é uma pessoa extraordinária, que tem uma força e uma paixão pela vida gigantescas”, escreveu Gina em suas redes sociais.
A diretoria colegiada do Sinpro manifesta solidariedade à família, amigos e companheiros da professora Vânia Leila Nogueira. Neste momento de grande dor e pesar, nossos mais sinceros sentimentos.
O velório da professora Vânia Leila será neste domingo, 26 de fevereiro, das 16 às 18h, na Capela 1 do Cemitério Campo da Esperança de Taguatinga.
Sinpro retransmite seminário com Pepe Mujica, Celso Amorim e Antônio Lisboa dia 28/2
Jornalista: Letícia Sallorenzo
O Sinpro retransmitirá um dos debates do Seminário Internacional Democracia, Integração Regional e luta contra o neofascismo, que será realizado pela Confederação Sindical dos Trabalhadores das Américas (CSA) no próximo dia 28 de fevereiro. O seminário a ser transmitido nas redes do Sinpro às 16:30 contará com a participação do ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica, o ex-chanceler e atual assessor especial do presidente Lula, Celso Amorim, e o representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e ex-dirigente do Sinpro-DF, Antônio Lisboa. Eles vão discutir sobre os Desafios para a integração regional e para a classe trabalhadora.
O objetivo do Seminário Internacional realizado pela CSA-TUCA é aprofundar a análise sobre a conjuntura regional e global e buscar uma resposta conjunta frente aos ataques contra a democracia, fortalecendo as alianças sindicais com atores políticos e sociais.
Além do debate com Pepe, Amorim e Lisboa, o Seminário também contará, às 14h, com o debate sobre os Ataques à democracia e luta contra o fascismo, que terá a participação da Ministra da mulher, Cida Gonçalves, a deputada federal Erika Hilton (PSOL/SP), o sindicalista togolês Joel Odigie e o Secretário-Geral da CSA, Rafael Freire.
O seminário Internacional Democracia, Integração Regional e Luta contra o Neofascismo ocorre no dia 28 de fevereiro aqui em Brasília, no Centro de Convenções Brasil 21, Salas Mundo Novo 1 e 2, e será transmitido pelas redes da CSA.
Dissertação de mestrado sobre militarização contesta que rigidez de disciplina melhore o desempenho
Jornalista: Alessandra Terribili
O endurecimento da disciplina e a diminuição da violência por meio da militarização de escolas públicas do DF resultam em melhor desempenho dos estudantes? Essa é a pesquisa que Antonio Eustáquio Ribeiro, que foi professor da Secretaria de Educação (SEEDF) entre 2002 e 2015, realizou em sua dissertação de mestrado “Escolas cívico-militares do distrito federal, desempenho, disciplina e violência: a visão dos atores da comunidade escolar”. A dissertação foi apresentada para a conclusão do mestrado em Estado, Governo e Políticas Públicas; oferecido pela Flacso (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais Sede Brasil) em parceria com a Fundação Perseu Abramo.
O trabalho procura investigar se a linha mestra do discurso do GDF para justificar a implantação do modelo se sustenta: se a adoção de um modelo que coloca a disciplina militar como elemento central favorece o desempenho dos estudantes. Para tanto, Antônio traça um raio-x das escolas pesquisadas – as quatro que compuseram o projeto piloto (CED 01 da Estrutural, CED 03 de Sobradinho, CED 07 da Ceilândia e CED 308 do Recanto das Emas) -, considerando o espaço geográfico onde se situam (região administrativa) e o perfil da população local. A dissertação se apoia em indicadores de desempenho nacionais (como SAEB e ENEM), além de dados das próprias escolas sobre a evolução da aprovação e da reprovação.
Para desenvolver suas reflexões, o professor aborda a violência escolar, busca levantar os fatores que influenciam o desempenho, e traz o debate sobre a gestão democrática, uma vez que o modelo agride frontalmente a democratização da gestão. Os resultados apontam para a não realização da promessa: “O bom desempenho das escolas tipicamente militares se ancora em outros elementos além da questão disciplinar”, aponta o professor Antônio. “Na dissertação, também evidencio males causados pelo modelo nas escolas da rede pública, dentre os quais a perda da democracia, além da criação de comportamentos calcados no medo e não na fraternidade que deve nortear uma boa convivência social”, destaca.
Antônio encontra que o fato de as escolas estarem localizadas em regiões periféricas é um dado importante na análise. “Apesar de o modelo ser bastante disseminado pelo país, a literatura aponta para a sua ineficiência, bem como para a incongruência com relação à concepção de uma educação formadora, emancipadora e democrática” – diz o resumo do trabalho.
Confira abaixo uma breve entrevista com o professor Antonio Eustáquio Ribeiro. Ele é graduado em Letras – Português, pós-graduado em Gestão Escolar e Gestão Financeira, e mestre em Políticas Públicas. Foi professor da Secretaria da Educação do DF entre 2002 e 2015, dirigente sindical bancário de 1995 a 2022, e é diretor do Dieese desde 1997. É bancário aposentado pelo Banco de Brasília (BRB). Para ler a íntegra da dissertação, clique AQUI.
1 – Quais as diferenças mais importantes entre escolas militarizadas e as escolas regulares da rede pública do DF, sob o ponto de vista do desempenho dos estudantes e de outros que o senhor julga importantes?
Existem diversas diferenças entre uma escola militarizada e uma regular, mas, até para não me estender muito, vou me ater a dois aspectos: o desempenho e problemas decorrentes da presença de policiais nas escolas controlando a disciplina. Sobre o desempenho, o governo de Ibaneis Rocha (MDB) utilizou como principal argumento para a implantação do projeto um discurso se utilizando do resultado dos estudantes de escolas militares típicas (chamo assim as escolas vinculadas às forças militares como o Colégio Militar do Exército). Tal comparação é absolutamente infeliz, pois outros elementos devem ser considerados nesta equação, seleção para ingresso, cobrança de mensalidades mesmo que baixas, e principalmente o repertório dos estudantes que entram nestas escolas (o que Bourdieu chama de capital cultural), em função de serem geralmente filhos de pais de classe média. Então, embora o período analisado seja ainda considerado pequeno (três anos), já é possível ter algumas indicações de que esta elevação de desempenho não acontece. Os dados das escolas que compuseram o projeto piloto (CED 01 da Estrutural, CED 03 de Sobradinho, CED 07 de Ceilândia e CED 308 do Recanto das Emas), iniciado no ano letivo de 2019, a partir dos resultados do ENEM, SAEB e dados das próprias escolas, não evidenciam isto, apresentando um comportamento muito semelhante ao que havia anteriormente, ou até ligeiramente pior. Claro que temos de considerar também que neste intervalo de tempo atravessamos o período mais agudo da pandemia de Covid-19, que impactou sobremaneira as escolas e consequentemente os alunos.
Por outro lado, pude perceber ocorrências nas escolas militarizadas que são preocupantes e demonstram a inconveniência do modelo. Diversos militares, treinados e acostumados a um ambiente em que lidam efetivamente com violência real, acabaram por protagonizar episódios violentos contra os estudantes e até professores e gestores, o que é o oposto do que deve nortear uma escola fraterna, inclusiva e emancipadora. Creio serem estes os elementos centrais derivados de minha pesquisa.
2 – Uma vez que a promessa de melhoria de desempenho não foi cumprida, qual, na opinião do senhor, é a verdadeira razão para insistência em tal projeto?
Eu creio que o que se pretende é, utilizando o conceito de Foucault sobre a disciplina dos corpos, buscar um adestramento, uma subjugação dos setores da sociedade que são, invariavelmente, considerados inferiores pelas classes dominantes, ou seja, os pobres. A demonstração cabal disto se dá até pela localização das escolas que receberam o projeto piloto, e também as que entraram posteriormente no programa, todas em regiões em que predominam moradores de mais baixa renda, com baixo repertório cultural e crítico, muito mais passíveis desta ação deletéria de subjugação.
Outro aspecto, que se comunica com o que disse acima, é tornar a escola formadora de sujeitos passivos, que sejam incapazes de ter consciência crítica, obedientes cegos às ordens, independentemente de onde venham ou realmente valham. Isto se acomoda na visão dominante de que aos pobres deve ser destinada uma escola que os torne produtivos para serem empregados passivos, sem capacidade crítica de questionamentos, tal qual o que foi feito na ditadura civil/militar de 1964, que buscou suprimir qualquer capacidade de questionamento. Resumindo, o “sistema” dos dominantes é: pobres para serem explorados sem contestar, e ricos para continuarem a perpetuação da dominação. Em minha opinião, esta é a função prioritária deste modelo de escola.
3 – Quem tiver interesse, é possível acessar a íntegra da sua dissertação?
Sim. Eu estou disponibilizando o texto integral ao Sindicato dos Professores, pois quero que ele seja mais um elemento que auxilie no debate sobre o modelo de escola pelo qual devemos lutar, uma escola que forme cidadãos críticos e conscientes de seu lugar no mundo, para além de dotá-los de capacidade produtiva, o que também é importante, porém não inviabiliza a criticidade que se deve ter.
Espero que o meu texto contribua de alguma maneira para o debate e para mais pesquisas sobre o assunto, especialmente após a tragédia que foi o governo Bolsonaro, que incentivou e destinou muito dinheiro para este modelo descabido de escola. Quero uma escola livre, para pensar, para agir, fraterna e emancipadora, em que a disciplina seja internalizada como um valor social, e não como uma imposição pelo medo. Liberdade tem de ser um direito inalienável, o que é absolutamente incompatível com a escola militarizada.