Lei Antirracista sancionada por Lula abre caminho para uma sociedade mais justa

O presidente Lula (PT) sancionou, na quarta-feira (11/1), uma lei aprovada pelo Congresso Nacional que equipara a injúria racial ao crime de racismo. Na prática, o texto amplia a pena de injúria racial de 1 a 3 anos de reclusão para 2 a 5 anos. A pena será dobrada se o crime for cometido por duas ou mais pessoas. A injúria é caracterizada quando a honra de uma pessoa específica é ofendida por causa de raça, cor, etnia, religião ou origem. Já o crime de racismo ocorre quando o agressor atinge um grupo de pessoas, discriminando uma raça de forma geral. A nova lei equipara os casos de injúria aos de racismo, que são inafiançáveis e imprescritíveis. O texto também inclui a injúria como parte do Código Penal, na Lei do Crime Racial (Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989).

A nova lei muda muita coisa nas lutas de combate ao racismo. Na avaliação do Sinpro, a equiparação entre injúria racial e racismo é um passo importante na promoção de justiça social no Brasil. Mariana Almada, professora da rede pública de ensino do Distrito Federal, teóloga, arte-educadora, fotógrafa, psicanalista e ativista na educação e em movimentos feministas e antirracismo, com atuação na Frente de Mulheres Negras do DF, Mulheres Negras Decidem, diz que, para falar de injúria racial, é preciso lembrar que o racismo é um crime contra a coletividade e que a injúria é direcionada ao indivíduo. “Mas, ambas, partem de dentro para fora, afetando a população negra e, de alguma forma, o(a) agressor(a) externa o sentimento em relação ao coletivo quando ele agride uma pessoa. Sendo assim, segundo ela, não é possível separar uma questão da outra, por isso, agora a lei”.

A professora explica que o que diferenciava a injúria racial do crime de racismo era o peso da pena, uma vez que o peso da pena de injúria era mais leve e, a do racismo, mais severa. “Por isso é que na maioria das vezes, quando ocorre um ato de racismo, os agentes tipificam de injúria, por ser mais branda. Mas, agora, com a nova lei, é importante ressaltar que cometer injúria contra uma pessoa ou população negra será enquadrado igualmente”, ressalta.

Escola: o local onde tudo acontece

Mariana observa que a lei sancionada pelo presidente Lula também impacta fortemente na escola e na educação públicas.  “A escola é o local onde tudo acontece. Ela é dinâmica, diversificada, e é por isso que, a partir de agora, é preciso continuar trabalhando com as crianças, jovens e adultos as Leis nº 10.639 e a nº 11.645, a 26 A da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e, agora, mais esta Lei nº 14.532, de 11 de janeiro de 2023 porque esta última impacta diretamente nos relacionamentos dentro da escola e sai de lá para o mundo, uma vez que a escola é um espaço de socialização. O debate em torno da nova lei deve estimular também o trabalho em prol do fortalecimento e da ampliação da consciência negra, que precisa ser alimentado todos os dias no ano letivo e encorajar estudantes a denunciar práticas criminosas como essa em questão. Fazem-se necessárias abordagens paralelas aos currículos em todos os componentes curriculares, nas atitudes do dia a dia e pensar, também, nas variadas formas de refletir esse assunto conforme as modalidades e etapas da Educação Básica”, pondera a professora.

A diretoria colegiada do Sinpro também vê como um passo importante na luta antirracista. Carlos Fernandez, diretor do sindicato, professor de sociologia, ciência política e pedagogia da rede pública de ensino, ex-diretor-presidente do Instituto de Apoio Técnico aos Países do Terceiro Mundo (Iattermund) e ex-diretor-presidente da Comunidade Cultural Luther King,  afirma que a lei muda muita coisa importante no cotidiano brasileiro. Segundo ele, esse tema que trata a Lei Antirracista é complexo e é objeto de estudos e muitos anos de dedicação acadêmica. “Mas, apesar da complexidade, a lei é importante porque ela enseja uma mudança na estrutura social que mantém o racismo no Brasil”, afirma.

O diretor destaca a importância da equiparação da injúria racial com o racismo. “A meu ver existem algumas coisas que mudam radicalmente com o decreto”. Ele observa o fato de que a nova lei iguala a injúria racial, que foi individualizada pela lei anterior, ou seja, era uma ofensa a um indivíduo e não abrangia a toda uma raça, ao racismo, que é uma ofensa dirigida ao coletivo, e a toda uma etnia. “Outra coisa que a lei supracitada regulava distintamente.  eram as penalidades para quem sofria uma injúria racial e para o crime de racismo. Tanto as penas como o processo penal eram muito diferentes,  A  leniência das autoridades não só em consolidar um flagrante e conduzir o devido inquérito policial a partir da denúncia da vítima, como quando da própria aplicação da pena pelo juiz em caso de condenação do réu.”, explica o diretor do Sinpro.

Racismo estrutural

Outra observação do professor Fernandez é que enquanto o racismo é uma relação estrutural na história do Brasil, ele atinge a economia, a educação e a cultura. “Da cultura porque o racismo está introduzido em  nossos hábitos cotidianos, dos nossos costumes mais nefastos. É a sujeição  consciente e inconsciente do negro como elemento de uma subclasse, que deve ter “naturalmente”, entre aspas, tratamento social muito diverso do que a população branca. É como se a sociedade brasileira ”tolerasse” a presença do negro(a), desde que o mesmo se submetesse ao seu papel serviçal. Ao longo da história do nosso país, a regra básica de convivência foi a naturalização desse estrato racial, explica.

O professor afirma que, no caso da “economia, é claro que quando se separa e diminui os direitos e o poder social de determinado grupo ou etnia, a etnia discriminada passa a competir  socialmente com enorme desvantagem. Se há toda uma etnia, toda uma população que compete menos, eu proporciono privilégios para a população que não sofre racismo, que não sofre os impactos negativos  na sua formação técnica, nas suas oportunidades de estudo  e de alcançar os melhores postos de trabalho. Nesse caso, tenho, por parte da população de pele branca, uma maior condição estrutural para competir e a imensa possibilitar um sucesso econômico maior”.

Quanto à educação, Fernandez considera essa lei é fundamental. “O racismo está na estrutura social brasileira há mais de 350 anos. E isso não se muda por osmose. É necessário inserir-se ferramentas que proporcionem aceleramento das mudanças e o Decreto assinado pelo Presidente Lula é de fundamental e importantíssima, porque, uma vez a lei existindo, uma vez sendo cobrada, dar-se-á  um grande passo no sentido de começar a transformar a desigualdade em igualdade, de começar a equiparar racialmente as pessoas”.

 

Estatuto da Igualdade Racial

O diretor do Sinpro defende a cota para negros e negras em todas as áreas do mercado de trabalho, nos sindicatos e na educação. Para que essa equiparação aconteça de fato no País,  é preciso a divulgação do Estatuto da Igualdade Racial nas escolas.  Segundo ele, o estatuto deve ser analisado, discutido nas escolas, nas universidades e socialmente difundido.

“As pessoas são formadas também nas escolas, daí a importância dos professores. Devemos entender que a consciência é uma coisa que é formada paulatinamente e as referências, o que se vê, como se aprende, tudo isso é uma função que a escola deve desempenhar para que a gente tenha uma sociedade mais justa. A Lei 14.532 é um primeiro passo. Resolve tudo? Não. Mas é um passo importantíssimo no sentido de a gente incentivar a transformação cultural, de começar, na prática, a mudar essa estrutura. Não é um processo rápido, e sim lento. É um passo de cada vez. E passo dado pelo presidente Lula nesta semana é importantíssimo, principalmente, para que as pessoas negras, todos nós, tenhamos o direito à igualdade, o que, infelizmente, em pleno século 21, ainda temos de lutar para ter”, finaliza.

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Programa EducAtiva oferecerá ônibus para visitas ao Museu Nacional

O programa EducAtiva, do Museu Nacional da República, oferecerá ônibus e visitas mediadas para as exposições em cartaz no museu a professores(as) ou educadores(as) sociais da rede pública do DF que queiram levar seus estudantes. Serão disponibilizados cerca de 13 ônibus e as inscrições de interessados(as) estão abertas até 25 de janeiro (veja cronograma abaixo).

A chamada pública priorizará escolas rurais e grupos que incluam pessoas com deficiência, e buscará a diversidade territorial e de faixa etária/escolaridade. Além das visitas mediadas, os grupos irão participar da experimentação de conteúdos educativos e de colaborações com a equipe de mediação do Programa EducAtiva.

As visitas serão feitas entre março e maio de 2023, às sextas-feiras, das 9h30 às 11h30 ou das 14h30 às 16h30. Para se inscrever, acesse o formulário clicando AQUI

O cronograma da chamada pública é o seguinte:

  • 10/01 a 25/01 – Divulgação de chamada
  • 25/01 a 31/01 – Análise dos formulários de inscrição das(os) candidatas(os) e pré-seleção para a segunda etapa (online)
  • Até 10/02 – Comunicação às(aos) selecionadas(os) e não selecionadas(os) do resultado da pré-seleção para a segunda etapa
  • Até 18/02 – Segunda etapa de seleção (conversa virtual)
  • Até 25/02 – Comunicação do resultado final às(aos) selecionadas(os) e não selecionadas(os)

Programa EducAtiva

O Programa Educativa do Museu Nacional da República desenvolve atividades públicas de educação e mediação cultural, buscando contribuir com o desenvolvimento tanto do papel educativo do Museu com os seus diversos públicos, quanto da sua acessibilidade. As atividades desenvolvidas pensam e promovem reflexões diversas no espaço das relações entre arte e públicos, museu e cidade, patrimônio e sociedade.

Saiba mais clicando aqui: http://www.educativamuseunacional.com/o-programa/.

O Museu Nacional da República fica no Setor Cultural Sul, Lote 2. Para mais informações, ligue: (61) 3325-6410.

FDE divulga nota de repúdio aos ataques golpistas em Brasília

O Fórum Distrital de Educação (FDE) divulgou nota de repúdio aos ataques terroristas contra os Três Poderes da República ocorridos no domingo (8). No documento, os representantes dos movimentos sociais de educação do Distrito Federal classificam os ataques de “criminosos, golpistas e terroristas contra o Estado democrático de direito. Confira a nota na íntegra.


NOTA PÚBLICA DE REPÚDIO Nº 01/2023

SOBRE OS ATOS TERRORISTAS EM BRASÍLIA DIA 08/01/2023

 

 

O Fórum Distrital de Educação/FDE, órgão colegiado formado por representantes do Estado e por 20 (vinte) representantes de movimentos sociais de educação no DF entre outras entidades e/ou conselhos com atividades correlacionadas à educação, repudia veementemente os ataques criminosos, golpistas e terroristas ao Estado Democrático de Direito que culminaram com ataques às sedes dos poderes executivo, legislativo e judiciário, para além dos crimes contra o patrimônio artístico/histórico e público ocorridos no dia 08 de janeiro em Brasília.

 

 Neste sentido, o FDE entende ser necessária uma investigação rigorosa e a punição aos responsáveis, obviamente, priorizando inclusive, os financiadores desses ataques.

 

O FDE entende como decisão acertada por parte do Governo Federal a intervenção na segurança pública do DF, e que ela deve ser ampliada para todo Governo do Distrito Federal (GDF), até porque ficou muito evidente a leniência, cumplicidade e omissão à ação dos golpistas por parte do GDF.

 

Por fim, conclamamos todas as forças políticas democráticas a se unirem e somarem com manifestações públicas em defesa do Estado Democrático de Direito.

 

 

Brasília, 09 de janeiro de 2023.

 

 

FÓRUM DISTRITAL DE EDUCAÇÃO

 

História | Primeiro Ministério dos Povos Indígenas se torna realidade no Brasil

Foto: Eraldo Peres/AP

A posse da ministra Sônia Guajajara é um marco na história do Brasil. Pela primeira vez, um governo eleito institui, no País, o Ministério dos Povos Indígenas. A novidade não para por aí. Ao mesmo tempo, o terceiro governo Lula recria o Ministério da Igualdade Racial e retoma a luta antirracista no âmbito do Estado nacional. Nos governos anteriores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a causa racial era atendida pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).

Com status de ministério, essas duas causas sociais ganham cota financeira no Orçamento Público da União. E isso muda tudo. Outra ação que muda muita coisa é o fato de os dois ministérios terem duas mulheres em seu comando. A posse das duas ministras aconteceu na tarde de quarta-feira (11/1), em Brasília, com a participação do presidente Lula. Tudo isso impacta na educação pública.

A criação dos dois ministérios é fundamental para a implantação de novas políticas públicas para esse setor e para a retomada de outras políticas sociais abandonadas e até extintas pelo governo anterior. Com os dois ministérios, o Brasil passa a valorizar, no âmbito da União, as maiorias historicamente minorizadas, um passo importante na busca pela justiça social. Rosana Lucia Pereira de Moraes, professora de Atividades da Escola Classe 11 de Sobradinho, Distrito Federal, vê a criação desses ministérios como uma ação que irá subsidiar a atuação da categoria no chão da escola.

“A criação desses ministérios traz a sensação de pertencimento para o nosso povo. É como se tivéssemos recebido nomes, corpos, visibilidade. É o direcionamento necessário para que saibamos para onde ir quando for necessário, é termos a validação do Estado por meio daqueles que sabem e vivenciam exatamente das nossas dores e necessidades. Favorecendo a construção e execução de políticas públicas que favoreçam a população”, diz Rosana.

Ela acredita que a ação irá repercutir radical e positivamente na educação. “O maior impacto para a educação será o de retratar, novamente, nossa história sem medo, podendo dizer que já estávamos aqui, e que se viemos… Viemos de onde, para quê? Por quê? É o impacto de liberdade, respeito e reconhecimento. É trazer visibilidade a quem sempre existiu”, afirma.

Marcos Lopes Reis, professor de Atividades em Séries Iniciais da Escola Classe 64 de Ceilândia, também vê a criação dos ministérios como uma ação positiva que favorece a educação. “Ao se falar sobre diversidade em sala de aula o impacto é sempre positivo. Quando o enfoque é sobre a população negra e indígena, historicamente marginalizada, o impacto é ainda mais positivo. E para nossa maior alegria são mulheres no comando dos Ministérios dos Povos Indígenas e da Igualdade Racial. Dessa forma o empoderamento negro, indígena e feminino ganha mais visibilidade. Pessoas que acreditam numa educação antirracista só tem a agradecer”.

Escritor de livros infantis, com duas obras publicadas – Lápis cor de pele e Tiarinha Vermelha e o povo mau –, Marcos Reis lembra que a Lei nº 10.649 completou 20 anos e a Lei nº 11.645 completou 15 anos. “Essas leis legitimaram um esforço que alguns professores e professoras, na sua maioria negros e indígenas, já desenvolviam em sala de aula. No entanto, por mais que as leis sejam antigas, ainda se fala muito sobre a implantação das leis nas escolas. Na verdade, já deveríamos estar avaliando os impactos positivos das leis. As ministras Anielle Franco e Sônia Guajajara, com toda a força ancestral e dos coletivos negros e indígenas, deverão fazer, realmente, acontecer o que está estruturado no artigo 26 A da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a LDB, para que nos próximos anos comecemos a construir um país mais justo pautado numa sociedade antirracista. O trabalho é árduo, mas foi entregue às pessoas certas”, afirma.

Durante a cerimônia, a ministra Sônia Guajajara anunciou a mudança de nome da Funai e informou que o órgão, que passa a se chamar Fundação Nacional dos Povos Indígenas, será presidido pela primeira deputada federal indígena, Joenia Wapichana. A própria ministra também foi eleita deputada federal pelo PSOL de São Paulo nas últimas eleições e é reconhecida, internacionalmente, como ativista e líder indígena na luta pela promoção e direitos dos povos originários.

Guajajara parabenizou o presidente Lula pela coragem e ousadia de criar os dois ministérios, anunciou a recriação do Conselho de Política Indigenista e discursou sobre a importância da demarcação de terras dos povos indígenas, da relevância da resistência. Ela relembrou os séculos de violência e violações contra os povos indígenas e o uso da terra e destacou o fato de as posses dela e de Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, serem o “mais legítimo símbolo da resistência secular preta e indígena do Brasil”.

Foto: Eraldo Peres/AP

Anielle, irmã de Marielle Franco, é ministra da Igualdade Racial

Há dois meses de se completar 5 anos do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, Anielle Franco, irmã da vereadora, assume o cargo de ministra da Igualdade Racial. Em seu discurso, ela mencionou o seu luto, que se iniciou no dia 14 de março de 2018, data em que sua irmã foi brutalmente assassinada.

A ministra agradeceu a todas as pessoas que fizeram da “travessia do luto à luta”: “Desde o dia que tiraram a Marielle da minha vida e da sociedade brasileira, passamos a multiplicar o legado e a regar a semente da minha irmã com a criação do Instituto Marielle Franco”, disse.

O Sinpro vê a criação dos dois ministérios uma das grandes possibilidades de implantar, no País, novas e modernas políticas públicas que favorecem e fortalecem a justiça social. Quem também ganha com a criação dos dois ministérios é a Educação pública, que tem, dentre seus objetivos, a formação acadêmica para a cidadania. “A escola, certamente, será uma das maiores beneficiárias dos dois ministérios”, afirma Luciana Custódio, coordenadora da Secretaria de Finanças do Sinpro.

Márcia Gilda Moreira, coordenadora da Secretaria de Raça e Sexualidade do sindicato, diz que a recriação do Ministério da Igualdade Racial e a criação do Ministério dos Povos Indígenas marca uma nova página na história do nosso País. “Como disse a ministra Sônia Guajajara, ‘nunca mais o Brasil sem nós’. É exatamente isso. Assim, a recriação do Ministério da Igualdade Racial e a criação do Ministério dos Povos Indígenas traz novos marcadores sociais em que se reconhece a importância dos povos originários e do povo negro no nosso País. Isso sinaliza para o fato de que precisamos de estar em todos os lugares e também em todos os espaços, em especial, nos espaços de poder”, finaliza.

Foto: Eraldo Peres/AP

 

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CRBio-4 lança Prêmio para valorizar biólogos docentes na Educação Básica

O Conselho Regional de Biologia 4ª Região (CRBio-4, que compreende os estados de Minas Gerais, Goiás, Tocantins e o Distrito Federal) lançou o Prêmio Prof. Ângelo Machado, que premiará professores e professoras que atuam na Educação Básica na área de Biologia em escolas públicas e privadas.

O objetivo do Prêmio é reconhecer e valorizar o trabalho de biólogos como docentes. Podem participar professores e professoras licenciados em Ciências Biológicas, regularmente registrados no Conselho, em duas categorias: anos finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) e/ou Ensino Médio (1º ao 3º ano); incluindo Educação de Jovens e Adultos (EJA). A instituição escolar à qual o(a) docente está vinculado(a) deve estar devidamente cadastrada, de forma gratuita, no CRBio-4, por meio de formulário próprio.

Para se inscrever, o professor ou professora deve apresentar um portfólio (experiência educativa) com o detalhamento de um case desenvolvido em sala de aula com os alunos, explicitando qual era a questão para a qual se buscava uma solução e os resultados alcançados. Para mais informações sobre como deve ser o portfólio, bem como acesso ao formulário de inscrição e ao edital completo do Prêmio, acesse: https://premiobiologoeducador.crbio04.gov.br/.

As inscrições foram abertas em 15 de outubro e vão até 31 de maio de 2023.

A premiação obedecerá a seguinte ordem:

1º – Prêmio em dinheiro no valor de R$ 20.000,00 para o professor e R$ 10.000,00 para a escola;
2º – Prêmio em dinheiro no valor de R$ 15.000,00 para o professor e R$ 7.000,00 para a escola;
3º – Prêmio em dinheiro no valor de R$ 10.000,00 para o professor e R$ 5.000,00 para a escola;
4º – Prêmio em dinheiro no valor de R$ 7.000,00 para o professor e R$ 3.000,00 para a escola.

 

Quem foi Prof. Ângelo Machado

O professor Ângelo Machado, que dá nome ao Prêmio proposto pelo CRBio-4, foi médico e professor titular da UFMG, neurocientista, entomologista, ambientalista, escritor, compositor e dramaturgo. Ele faleceu em abril de 2020, aos 85 anos.

Em 2017, Ângelo recebeu do Conselho Federal de Biologia (CFBio) o título de Biólogo Honorário. Segundo a entidade, a distinção se deu pela trajetória do professor, que prestou diversos serviços à sociedade em diferentes campos das ciências biológicas. Entre suas realizações, Ângelo Machado foi responsável pela criação do Centro de Microscopia Eletrônica do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG e, junto com sua esposa, Conceição Ribeiro da Silva Machado, fundou o Laboratório de Neurobiologia do Instituto. Foi vice-presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e consultor da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).

Segundo nota publicada pelo ICB em razão de seu falecimento, o professor tinha alma de criança, era querido e genial, “dono de um carisma e de uma competência técnica e profissionail incomparáveis”.

(Com informações do CFBio, UFMG e ICB-UFMG)

TV Sinpro debate “Um novo tempo para a América Latina” com Evo Morales

O TV Sinpro de hoje (11/01) apresenta o tema “Um novo tempo para a América Latina”. O programa foi gravado em 2 de janeiro, quando o ex-presidente boliviano e líder popular Evo Morales esteve no auditório do Sinpro debatendo a nova conjuntura latino-americana e a Unasul dos Povos – rede de movimentos sociais e sindicais da América do Sul.

No debate, Evo falou sobre a trajetória recente dos países sul-americanos, com a ascensão ao poder de representantes do povo – como ele mesmo, primeiro indígena a presidir a Bolívia, e Lula, primeiro trabalhador a assumir a presidência do Brasil -, a consequente nacionalização do patrimônio e dos recursos naturais e a articulação, pelas elites, de golpes de Estado.

Evo abordou o imperialismo estadunidense na região e a necessidade de fortalecer a articulação entre os movimentos de resistência. Por isso, a Unasul dos Povos cumpre papel muito importante.

Participaram da mesa de debate os professores Antônio Lisboa (CUT nacional, Conselho de Administração da OIT e vice-presidente da CSI – Confederação Sindical Internacional; Luciana Custódio (Sinpro) e Rodrigo Rodrigues (CUT-DF). Também compuseram a mesa representantes de movimentos sociais como MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) e da CMP (Central dos Movimentos Populares), proponentes da atividade ao lado da CUT.

 

 

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Convenção 158: STF pode concluir julgamento sobre demissões injustificadas ainda neste semestre

A convenção 158 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) foi acordada na 68º Conferência Internacional do Trabalho, realizada em Genebra em 1982, e proíbe as demissões injustificadas. São consideradas justificadas apenas aquelas baseadas na capacidade ou no comportamento do empregado; ou nas necessidades financeiras ou de funcionamento da empresa.

No Brasil, a aplicação da convenção está suspensa desde 1996, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso “denunciou” (no termo jurídico), via decreto nº 2.100/1996, a convenção, o que significa cancelar sua aplicação no Brasil. Entretanto, seguindo os trâmites legislativos adequados, o ex-presidente deveria ter submetido tal decisão ao Congresso Nacional. Em 1997, Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura) e CUT (Central Única dos Trabalhadores) entraram com uma ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) contra o decreto de FHC.

O julgamento da ADI começou em 2003, e sofreu diversas interrupções por pedidos de vista dos ministros. Ele foi novamente paralisado em 2022. Como um novo prazo regimental para pedidos de vista entrará em vigor a partir de 1º de fevereiro, é provável que o julgamento seja concluído até a metade deste ano.

O que está em jogo, portanto, é a admissão ou não da ADI. Admiti-la implica em declarar inconstitucional o citado decreto de FHC, e, consequentemente, aplicar a convenção 158 no Brasil – reivindicação história do movimento sindical brasileiro. A ação também pode ser acatada apenas parcialmente, que significaria o envio do decreto para apreciação do Congresso Nacional – com prazo a definir. Por outro lado, a rejeição da ADI significa rejeitar, também, a aplicação da 158.

Para Antônio Lisboa, secretário de Relações Internacionais da CUT, membro do Conselho de Administração da OIT e vice-presidente da CSI (Confederação Sindical Internacional), a convenção 158 já foi ratificada e deve ser cumprida. “Nossa expectativa é de que o STF declare o decreto inconstitucional, porque ele de fato o é, e que possamos finalmente ter no Brasil a aplicação dessa convenção tão importante para a proteção dos trabalhadores e trabalhadoras”, afirma Lisboa.

Além de Gilmar Mendes, falta votarem os ministros Kassio Nunes e André Mendonça. Por enquanto, a maioria do Supremo aponta para a admissão total ou parcial da ADI.

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Artigo de Rosilene Corrêa sobre atos terroristas repercute em portais

Artigo de Rosilene Corrêa, ex-diretora do Sinpro e atual Secretária de Finanças da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), aborda os dois grandes acontecimentos deste início de 2023, e o grande contraste entre eles: a festa da posse de Lula, dia 1º, e, uma semana depois, os atos terroristas promovidos por grupos golpistas. Tendo tomado lugar no mesmo palco, a Esplanada dos Ministérios e a Praça dos Três Poderes, ambos os eventos expressaram concepções opostas de mundo.

“Em poucos dias de 2023, nosso país já viveu emoções de naturezas opostas. Dia 1º de janeiro, centenas de milhares de pessoas tomaram a Esplanada dos Ministérios e a Praça dos Três Poderes para celebrar a volta à presidência da República de um verdadeiro líder popular, um dos mais importantes da história do mundo. Sete dias depois, o cenário que foi de festa se tornou uma guerra onde havia apenas um combatente, um lado só”, diz o texto.

O artigo foi publicado em grandes portais, como GGN, Revista Fórum, Brasil Popular e Brasília Capital. Você pode acessar a íntegra do texto na área de artigos do site do Sinpro, clicando AQUI.

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Sinpro repudia ação do presidente do Conselho de Educação por divulgar e incitar ato golpista

O Sinpro-DF vem a público denunciar e repudiar a ação do presidente do Conselho de Educação, Mário Sérgio Mafra, de divulgar e incitar, em suas redes digitais, atos terroristas protagonizados por criminosos bolsonaristas contra a democracia e os prédios das sedes dos Três Poderes nesse domingo (8). Ressaltamos que esse golpista não representa a categoria do Magistério nem a Educação pública do Distrito Federal.

É inadmissível a postura do presidente do Conselho de Educação de apoiar e divulgar as ações terroristas contra o Estado democrático de direito e a depredação absoluta do patrimônio público e tudo o mais que a horda de terroristas via pela frente. Em seu Instagram, Mafra postou várias mensagens agressivas contra a democracia.

Depois da divulgação de prints, Mafra excluiu os posts de cunho golpista de seu perfil, e tornou-o privado.

 

 
 
 
 
 
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Uma publicação compartilhada por Mário Sérgio Mafra (@maframariosergio)


 

Equiparamos a destruição do patrimônio nacional pela turba bolsonarista à gestão de Jair Bolsonaro (PL), que dilapidou o patrimônio público e as riquezas do País durante o seu mandato. Afirmamos que a ação desse domingo é ilegítima e criminosa e defendemos a investigação, identificação dos envolvidos com sua devida e exemplar punição.

O Sinpro pede a todos e todas que quem tenha informações de participantes nos atos criminosos desse domingo (8) enviem para o denuncia@mj.gov.br.

 

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Contra terrorismo, agenda pela democracia começa nesta segunda (9/01)

Manifestações e outras iniciativas para sustentar o regime democrático foram articuladas por movimentos sociais e partidos políticos como resposta às ações terroristas realizadas por apoiadores de Jair Bolsonaro, nesse domingo (8/01). O calendário, construído de forma conjunta, foi elaborado em reunião realizada nesta segunda-feira (9/01). O primeiro encaminhamento foi um ato também nesta segunda, às 17h, em frente ao Palácio do Buriti. Outros estados também realizarão ações contra a tentativa de golpe.

Os manifestantes se reunirão em frente à sede do Executivo distrital para pedir punição exemplar do governador afastado, Ibaneis Rocha, e dos comandos das forças de segurança, que deveriam garantir a ordem e impedir a depredação.

Outra manifestação, esta nacional, foi agendada para quarta-feira (11/01), em Brasília. Horário e local ainda serão informados. “Temos que ter firmeza nas nossas ações, mas sem nos precipitarmos. Entendemos que precisamos consolidar o campo democrático para ter força nas ações unitárias, sem tolher a iniciativa individual das organizações”, disse o presidente do PT-DF, Jacy Afonso.

De acordo com ele, “o momento é delicado”. “Temos que estar atentos, pois sabemos que boa parte do eleitorado do Bolsonaro é originário das forças de segurança. Tanto as forças de segurança do DF como as federais estão contaminadas com o último governo, sem deixar de considerar as posições históricas desse setor”, pontuou Jacy ao lembrar da conivência de agentes da polícia com os atos terroristas. Os criminosos deixaram um rastro de destruição em prédios públicos, patrimônios históricos e obras de arte.

Além das iniciativas populares, medidas institucionais também estão sendo tomadas. Os deputados distritais Chico Vigilante (PT) e Fábio Felix (Psol) anunciaram que a bancada de oposição da Câmara Legislativa do DF entrará com pedido de CPI para averiguar não só as ações terroristas e a omissão do Estado nesse domingo, mas também as realizadas no dia 12 de dezembro.

“Ouvimos de diversos policiais militares que eles só foram convocados 13h, 14h, 15h (nesse domingo). Houve negligência no planejamento da ação. É preciso resposta contundente a isso”, disse o deputado Fábio Felix, que afirmou ainda que a “direita da CLDF já está focando no ato de Alexandre de Moraes, de afastar Ibaneis Rocha, ao invés das ações terroristas”.

Deputado Chico Vigilante reforçou a importância da CPI do DF, mas afirmou que é essencial a instalação também de uma CPI no Congresso Nacional. “Na CPI do DF, o governador do DF e o comandante da PMDF não são obrigados a comparecer. Na CPI do Congresso Nacional, sim. E essa CPI já está sendo articulada para fevereiro”, disse o parlamentar.

Também já começaram a ser protocolados pedidos de impeachment do governador do DF afastado, Ibaneis Rocha. PT e Psol protocolarão pedidos nas próximas horas. PV entrou com pedido na manhã desta segunda.

Povo consciente

Entre os consensos da reunião das organizações da sociedade civil realizada nesta segunda, esteve a conscientização do povo brasileiro sobre quem representa, de fato, a população do país.

“O governo Ibaneis é cúmplice, é um dos responsáveis pela tentativa de golpe. Precisamos também pedir a prisão de Bolsonaro. Ele é o mentor ideológico disso. O povo precisa entender que nós, os movimentos da sociedade civil, o representamos. É preciso fazer com que os trabalhadores compreendam o momento que a gente vive”, disse Marco Baratto, da direção nacional do MST.

Coordenadora da CMP (Central de Movimentos Populares), Cris Santos alerta que o povo que precisa ser conscientizado também “está doente”. “Passamos pela Covid, passamos por esse governo que também nos adoeceu fisicamente e psicologicamente. Temos tarefa que é para além das nossas forças, que é garantir a volta de uma normalidade democrática para que o povo possa trabalhar e viver.”

“Se há uma coisa que tem que ficar clara é que temos que garantir a existência desse casamento que firmamos para eleger lula por mais 4 anos”, disse a presidenta do Psol-DF, Tetê Monteiro. “Iniciamos uma temporada muito dura de luta neste país. É um grupo organizado nacionalmente, com novas lideranças extremistas, e mostrou que vai fazer oposição dura e sanguinária contra o governo Lula”, alertou o deputado Fábio Félix.

O que já foi feito

Ao ver as cenas de terror da invasão do STF, do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto, partidos políticos e movimentos da sociedade civil começaram a se posicionar com notas pedindo a intervenção federal. O decreto foi feito pelo presidente Lula ainda nesse domingo.

Também nesse domingo, Ibaneis Rocha foi afastado do cargo de governador por 90 dias. A decisão foi do ministro do STF Alexandre de Morais.

Além disso, cerca de 300 pessoas que estavam nos atos terroristas foram presas. A pena pelo crime de tentativa de golpe de Estado pode chegar a 12 anos de reclusão.

Fonte: CUT-DF

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