Empresário defende reforma tributária capaz de reduzir desigualdades sociais
Jornalista: Maria Carla
Fundador e diretor-executivo da Petz, o empresário Sergio Zimerman defendeu uma reforma tributária capaz de reduzir as desigualdades sociais. A declaração foi dada em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, publicada nessa segunda-feira (7). “Pago menos imposto do que um operador de caixa da empresa. É uma vergonha”, diz o fundador da Petz.
Segundo a matéria, Sergio Zimerman acredita que a reforma tributária é a melhor forma de reduzir a desigualdade social. Ele também considera que, para além dos programas sociais de distribuição de renda, a reforma tributária deve ser encarada como uma ferramenta de justiça social. Em sua visão, hoje os ricos pagam impostos de menos e os pobres acabam sendo penalizados.
“Eu, enquanto CEO [Chief Executive Officer, em inglês; e, diretor-executivo, em português], da companhia, pago menos imposto do que um operador de caixa da minha empresa. Isso é uma vergonha. Não acho que um país pode dar certo com esse tipo de mentalidade”, disse Zimerman. “Fico preocupado quando vejo todas as propostas de reforma que foram discutidas até o momento… Vejo que nenhuma toca no assunto mais central, que é essa brutal concentração de renda”.
“É impossível reconstruir um país e torná-lo soberano sem uma reforma tributária justa, destinada a promover justiça social. A denúncia do empresário é semelhante à que temos feito há décadas no movimento sindical e político-partidário e que, agora, está mais à vista por meio da campanha ‘Tributar os Super-Ricos para Reconstruir o País’. O sistema tributário brasileiro é um monstro que enriquece cada vez mais os mais ricos e empobrece cada vez mais os mais pobres. Precisamos mudar isso radicalmente”, afirma Rosilene Corrêa, diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), ex-candidata a senadora pela federação Brasil da Esperança no Distrito Federal e vice-presidenta do PT-DF.
“Acho importante, inclusive, que uma reforma do sistema tributário brasileiro pode e deve ser com destino definido da arrecadação para as áreas que, efetivamente, trarão o equilíbrio social e econômico do nosso País”, afirma a diretora da CNTE. Ela informa que o alerta do empresário expressa muito das propostas e análises que os economistas e auditores fiscais vêm veiculando por meio da campanha “Tributar os Super-Ricos para Reconstruir o País”.
“Nos unimos a parlamentares e a várias organizações do movimento sindical e da sociedade civil e lançamos, em agosto de 2020, essa campanha, que tem sido apoiada e realizada por muitas entidades nacionais. Temos divulgado nossas propostas e sugestões de alteração do sistema tributário nacional nas redes sociais”, informa Rosilene.
A campanha tem um projeto fiscal para o Brasil e, dentre os destaques, estão a isenção de impostos para quem ganha até três salários mínimos e para as micro e pequenas empresas com faturamento anual de até 360 mil reais. Além disso, defende o aumento na taxação de pessoas físicas com salários acima de 60 mil por mês; bem como o aumento no imposto sobre heranças, que teria variação progressiva de 8% a 30%. Segundo os autores da proposta, essas medidas vão gerar um acréscimo na arrecadação de R$ 292 bilhões, onerando apenas os 0,3% mais ricos da população.
Além disso, criou a Niara, uma personagem que está sempre divulgando e explicando as propostas da campanha para a construção desse novo sistema de tributação. Nira divulga análises e comparações com base na realidade nacional e internacional. Nesta semana, por exemplo, Niara divulgou o tema da transição para um tempo de justiça social. Conectada com a eleição de Lula, a personagem afirma que o mundo celebra um tempo mais esperançoso para o Brasil e animador para tantos países frente aos desafios comuns. “A democracia revigorada fortalece sonhos e semeia possibilidades. O momento exige ajustes, colaboração, entendimento para uma transição para mais igualdade com a colaboração de todes”, diz.
E continua: “O Brasil pode oferecer dignidade a toda sua gente e ser o gerador de mais igualdade e justiça social. A justiça fiscal é o instrumento para harmonizar os desequilíbrios. O Brasil tem déficit de cidadania e a população precisa caber no orçamento. Momentos cruciais de crise no mundo comprovaram que a solidariedade tributária superou os piores momentos da história e geraram nações vigorosas. É hora da transição para a solidariedade tributária e a justiça fiscal”. Confira a publicação nas redes:
Para conhecer a opinião do empresário Sergio Zimerman, lei a entrevista na íntegra a seguir:
‘Pago menos imposto do que um operador de caixa da empresa. É uma vergonha’, diz fundador da Petz
O que o resultado das urnas diz para o senhor?
O resultado revela o que o é processo democrático de alternância de poder. Infelizmente estamos vendo esse ruído, mas se Deus quiser isso passa, e passa rápido. Não acho que isso deva se estender. Eu vejo sempre um novo governo como uma esperança renovada. Esperança renovada em um tema que, para mim, é central: a desigualdade social brutal que existe no Brasil. Quando se considera um novo governo com as características de liderança que o (presidente eleito Luiz Inácio) Lula (da Silva, do PT) tem, acho que, talvez, eu possa encontrar um pouco mais de eco nesse tema. No entanto, tenho a sensação de que essa questão pode ser mal endereçada.
Em razão do viés econômico do governo eleito?
Muitas vezes, uma parte significativa dos políticos imagina que a melhor forma de resolver o problema da desigualdade social é por meio de programas sociais ou por um estado gigante, com muito assistencialismo e somente isso. Algum grau de assistencialismo é necessário, principalmente para as pessoas que estão abaixo da linha da pobreza. No entanto, para realmente interferir na desigualdade e promover oportunidades de elevar a condição de vida das pessoas de uma forma estruturada, para mim, a mãe de todas as reformas é a tributária.
Por quê?
O sistema atual brasileiro concentra renda. Ou seja, aqui, quanto mais dinheiro se ganha, menos se paga impostos. Eu como CEO da companhia, pago menos imposto do que um operador de caixa da minha empresa. Isso é uma vergonha. Não acho que um país pode dar certo com esse tipo de mentalidade. Então, fico preocupado quando vejo todas as propostas de reforma que circulam até hoje, que foram discutidas até o momento, e vejo que nenhuma toca no assunto mais central, que é essa brutal concentração de renda. É um sistema regressivo, com tributação no consumo. No Brasil, há uma média de 50% de impostos sobre os bens consumidos que não se verifica no resto do mundo. No resto do mundo, a média é de 20%. Isso dá a dimensão de como quem tem menos recursos paga mais impostos [pois quanto menos recursos se tem, mais eles são destinados ao consumo]. O que agrava a situação é que o sistema de impostos é embutido. As pessoas não têm consciência da carga tributária que suportam. Saber o quanto se paga por produto provocaria uma revolta. Podemos ainda citar outro aspecto que no governo atual foi negligenciado o tempo todo que é o não reajuste da tabela do Imposto de Renda.
Essa era uma proposta de campanha de Jair Bolsonaro (PL) em 2018.
Era uma proposta de campanha. O problema é que isso não é uma concessão, um favor que o governo atual ou o próximo fariam. Isso é uma obrigação, porque a inflação gera mais arrecadação para o governo federal. É uma maneira disfarçada de aumentar impostos. Há 10 anos, só pagava imposto de renda quem tinha cargos de gerente para cima. Não basta a brutal carga sobre o consumo, ainda se faz esses salários mais baixos pagarem imposto de renda. Esse montante poderia estar circulando na economia. Tenho renovadas esperanças com o governo Lula, pois espero que se tenha a visão correta de como empoderar os mais pobres, como fazer justiça de distribuição de renda com a mentalidade correta. Naturalmente ele teve oportunidade de fazer isso em seus mandatos e não fez, mas sempre será tempo de fazer. É preciso encontrar outras bases de tributação. A tributação sobre dividendos, por exemplo, é um absurdo alguém defender que não deveria acontecer.
Isso não costuma ser mal visto no empresariado?
Não posso falar em nome de todo o empresariado, mas acho que o empresariado que tem consciência, não pode imaginar que tributar dividendos seja uma coisa equivocada. Da mesma forma, se por um lado o Brasil não tributa dividendos, por outro, o imposto sobre o lucro das empresas é o imposto mais alto do mundo. O ministro Paulo Guedes fez uma proposta absolutamente coerente, que era a diminuição dessa alíquota sobre as empresas e a tributação sobre dividendos. A lógica é tratar de forma diferente o dinheiro que é reinvestido na economia versus o que vai para o bolso do acionista. Assim, se o dinheiro vai para o acionista comprar um avião, perfeito, paga-se um imposto adicional. Agora, se o empresário vai abrir mais lojas, uma fábrica e gerar empregos, paga-se menos.
E como é possível fazer isso?
O que eu estou dizendo não é simples de fazer. Meu ponto é que se planejarmos o modelo ideal, com fases de transição e um prazo de 20 anos entre o que temos hoje e a proposta final, é possível. Vai se evitar muitas resistências. É muito tempo? Sim, mas se tivéssemos feito isso em 2000, estaríamos colhendo os frutos.
Há um nome preferido do empresariado para o ministério da Fazenda ou da Economia?
Prefiro não falar em nomes. Penso mais em políticas públicas do que em políticos. Qualquer ministro, seja de qual partido ou corrente for, que pense nessas questões, é o meu preferido. Tem nomes que o mercado adora, mas será que agora vão fazer o que não fizeram antes? Eu tenho dúvidas. Prefiro apostar na defesa de uma ideia e apoiar qualquer um que compactue com isso e saiba respeitar o empresariado e suas reivindicações justas, sem se curvar à miopia de alguns empresários que acham que distribuição de renda é assunto de comunismo. Essa é uma visão míope. Acredito nisso como cidadão, mas também como empresário. Minha companhia será mais forte, à medida que a sociedade for mais forte. Quanto mais renda houver no Brasil, mais lojas eu vou abrir.
O bloqueio de estradas por apoiadores do atual presidente traz riscos de desabastecimento?
Potencialmente traz riscos, já que temos caminhões nas estradas todos os dias. Isso é lamentável e gera prejuízos econômicos. Espero que seja controlado o mais breve possível e de forma pacífica. A eleição acabou domingo. A divisão no país deveria ter acabado domingo. Na segunda-feira, a cabeça deveria ser de construção de políticas públicas.
EC 22 do Gama realiza a quarta edição de sua Feira Literária
Jornalista: Alessandra Terribili
Dia 26 de novembro, a Escola Classe 22 do Gama realiza a quarta edição de sua Feira Literária, a IV FLEC 22. O evento contará com a presença dos escritores Jonas Ribeiro e Zenilda Vilarins, e terá o tema Leitura é Show de Bola, aproveitando o clima de Copa do Mundo que se aproxima.
A feira vem coroar um ano inteiro de trabalho no desenvolvimento do gosto dos estudantes pela literatura. “Diversas leituras foram propostas, e depois os estudantes apresentavam trabalhos artísticos e culturais a partir delas”, conta a professora Karla Cristina, diretora da EC 22.
Uma das ferramentas criadas pela escola para incentivar o gosto pela leitura foi um álbum que os estudantes completam à medida que entregam seus trabalhos sobre os livros lidos. Cada trabalho finalizado rende um pacote de figurinhas.
As figurinhas são capas de livros e personagens da própria escola, como professores e servidores, e elas têm sido um sucesso! “As crianças estão empolgadas para completar o álbum”, conta Karla. Uma das idealizadoras da proposta, a professora readaptada Elisângela Dantas, que acompanha a leitura dos livros retirados pelos estudantes e cria as atividades a partir desses livros – atividades que garantem figurinhas àqueles e àquelas que as cumprem!
Os estudantes dispõem de um passaporte da leitura, onde registram autógrafos de autores e autoras, os livros que concluíram e momentos importantes. A escola também vem realizando jornadas literárias com eventos semanais. Diversos autores já estiveram presentes às atividades, enriquecendo o cotidiano dos estudantes. Há trocas de livros entre os estudantes – que indicam para os colegas os livros de que mais gostaram – e, nas gincanas, as perguntas respondidas corretamente são premiadas com figurinhas.
Para a IV FLEC 22, muitas surpresas já estão programadas para fechar o ano com chave de ouro. A feira começa às 8h30 e as atividades acontecem ao longo da manhã.
Empresas de água e saneamento são as mais reestatizadas do mundo
Jornalista: Maria Carla
Sabia que privatizar empresas de águas, aquelas que cuidam do saneamento e de outros serviços, é especialmente danoso para os mais pobres? Isso porque, em geral, a motivação para privatizar é que a privatização diminuiria a conta para os consumidores, o que na prática, além de não acontecer, tem consequência inversa: o aumento dos valores. Por essa má experiência, o setor está no topo da lista de empresas que estão sendo reestatizadas ao redor do mundo.
Segundo a CUT Brasil, “de acordo com recente levantamento da base de dados internacional Public Services, 226 empresas do setor de serviços integrados de água foram reestatizadas no mundo nos últimos anos”, diz a postagem da central nas redes sociais. A CUT fez o destaque com base numa matéria da Folha de S. Paulo que denuncia o projeto do governador eleito Tarcísio de Freitas (Republicanos) de privatizar a Sabesp. Confira o post da CUT: https://bit.ly/3hiakVj
Diferentemente de Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo pela Federação Brasil da Esperança, a mesma que elegeu o ex-presidente Lula, o projeto de Tarcísio é o mesmo de Jair Bolsonaro, que, por sua vez, é o mesmo dos governos neoliberais, como o de Ibaneis Rocha, governador reeleito no Distrito Federal, que visam a privatizar tudo o que pertence ao Estado nacional e que garante a soberania de um país.
As nações ricas não privatizam a água e nem a energia. As que se arvoraram a fazer isso, tiveram de reestatizar as empresas, como mostra a matéria da Folha de S. Paulo. Confira a seguir.
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Empresas como a Sabesp, que Tarcísio cogita privatizar, são as mais reestatizadas no mundo
Setor de serviços integrados de água lideram ranking de base de dados internacional
Levantamento da base de dados internacional Public Services aponta que as reestatizações que mais aconteceram nos últimos anos no mundo foram no setor de serviços integrados de água, como tratamento de esgoto e fornecimento de água potável.
Em São Paulo, esses serviços são oferecidos pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), que entrou no debate eleitoral diante da proposta levantada por Tarcísio de Freitas (Republicanos) de privatizar a estatal.
Segundo a Public Services, 226 empresas do setor de serviços integrados de água foram reestatizadas no mundo nos últimos anos, ou seja, foram privatizadas e voltaram a ser públicas por motivos diversos: fim de contrato, quebra de cláusulas contratuais, desistência ou falência das empresas privadas, entre outros.
Na sequência, empresas de energia elétrica (167), fibra ótica (126), gás (64), fornecimento de água potável (80) e coleta de resíduos (60) completam o ranking. Os dados podem ser consultados neste link.
A Public Services é uma iniciativa criada a partir de parceria do Transnational Institute (TNI), sediado em Amsterdam (Holanda), com o projeto Globalmun, da Universidade de Glasgow (Escócia). A base de dados foi lançada em fevereiro de 2021, com dados coletados pelo TNI desde 2014. Em conferência realizada em dezembro de 2019, o TNI apresentou 1.408 casos de reestatização de 2.400 regiões em 58 países.
O ex-ministro da Infraestrutura tem indicado que pretende tentar a privatização da Sabesp, mas sem afirmar com clareza. Em fevereiro, durante evento promovido pelo site de finanças TC transmitido pela internet, disse que a privatização da Sabesp seria uma meta sua. Mais recentemente, tem dado declarações ambíguas.
A proposta virou ponto de ataque de seu concorrente, Fernando Haddad (PT), no segundo turno. A campanha do ex-prefeito tem afirmado que uma proposta como a de Tarcísio resultaria em aumento das tarifas. Fundada em 1973, a Sabesp é uma sociedade de economia mista que responde pelo fornecimento de água para 28,4 milhões de pessoas em 375 cidades paulistas.
Programa Diálogos ADUnB aborda o papel do movimento sindical nas eleições 2022
Jornalista: Maria Carla
O “papel do movimento sindical nas eleições 2022” é o tema do programa Diálogos ADUnB, que irá ao ar nesta segunda-feira (7), às 18h30, no canal da TV Comunitária de Brasília. Com o tema, a Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) mostra que, no Distrito Federal, a diferença da votação entre Lula e Bolsonaro diminuiu no segundo turno das eleições, em comparação ao primeiro.
Lula aumentou em 12% a quantidade de votos. Este resultado se deu por meio de um intenso trabalho de mobilização que reuniu movimentos sociais, populares, coletivos e sindicatos. Além disso, sindicalistas participaram ativamente do processo eleitoral como candidatas e candidatos.
O programa será apresentado pelo professor e diretor da ADUnB-S.Sind, Nelson Inocêncio, e contará com a presença da diretora da CNTE, vice-presidenta do PT-DF e ex-candidata ao Senado Federal, Rosilene Corrêa.
Serviço:
Programa Diálogos ADUnB
Onde: TV Comunitária de Brasília
Hora: 18h30
Acesso: https://fb.me/e/4q4zwHTN9
Não perca!
Menina Hoje, Cientista Amanhã: ajude a equipe do CED 07 Taguatinga a chegar à premiação no RJ
Jornalista: Alessandra Terribili
Uma equipe composta por 6 estudantes e 3 professoras do CED 07 de Taguatinga venceu a Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) na categoria _Menina hoje, Cientista Amanhã_ com a História em Quadrinhos “Em Sintonia com meu Corpo”. Ana Karolyne, Bárbara Lau Damasceno de Souza, Bianca Guilherme Farto Fernandes, Gabriela Nunes Ramaldes Câmber, estudantes do 1° ano do ensino médio; Anita de Lima Candeia e Giovana de Lima Candeia, do 2º ano; e Suzane Letícia Albuquerque de Araújo, do 3º ano são as estudantes premiadas. Elas contaram com a orientação das professoras Glaucia Santos, Elaine Andrade e Rônia Santana, de Língua Portuguesa, e da professora de Biologia Grazielle Batista. O trabalho também teve a parceria dos gestores da escola.
A premiação acontecerá na sede da Fiocruz no Rio de Janeiro, entre os dias 06 e 09 de dezembro de 2022. A fundação custeia a passagem e a hospedagem de apenas uma professora e uma estudante, mas as integrantes do projeto fazem questão de que todas estejam juntas nesse momento tão especial – e tão merecido!
Por isso, a equipe abriu uma “vaquinha” na internet, solicitando contribuições para custearem a ida do grupo ao Rio de Janeiro para a premiação. A meta é arrecadar R$ 20 mil, e toda contribuição é válida. Para contribuir, clique AQUI.
Além de efetuar sua contribuição através de uma doação, as integrantes do grupo afirmam que compartilhar a vaquinha com colegas e amigos também ajuda muito!
A Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente da Fiocruz está na sua 11ª edição. Saiba mais sobre o prêmio clicando aqui: https://olimpiada.fiocruz.br/.
Veja matéria do DFTV sobre o trabalho das estudantes e professoras do CED 07 de Taguatinga.
Inscrições abertas para o Prêmio Profissionais da Educação 2022 no Brainly
Jornalista: Maria Carla
Estão abertas as inscrições para o Prêmio Profissionais da Educação 2022, organizado pela plataforma de educação online Brainly. As indicações em formato de texto, imagens ou vídeo podem ser feitas pelo site https://premio.brainly.com.br/, até dia 21/11/2022, por estudantes e responsáveis.
O prêmio busca permitir que estudantes e responsáveis de todo o Brasil possam reconhecer profissionais da área, tanto as professoras e professores quanto os funcionários e funcionárias que atuam na parte administrativa ou em outras atividades dentro do ambiente escolar. Haverá um (a) profissional vencedor (a) para cada uma das três categorias, a saber: Ciências Exatas e Biológicas; Ciências Humanas e Sociais; e Atividades Educacionais Complementares.
Cada um (a) dos(as) três profissionais vencedores (as) receberá vales-presente totalizando R$ 3.600. Os (as) estudantes ou responsáveis que indicarem os (as) ganhadores (as) receberão vales-presente no valor de R$ 1.800.
Podem ser indicados quaisquer profissionais envolvidos em atividades educacionais, como professores (as), membros da equipe de apoio, coordenação ou administração escolar e pessoas envolvidas no ensino de atividades extracurriculares ou no cuidado do ambiente escolar como um todo, incluindo inspetores (as) e profissionais dos refeitórios, bibliotecas e da limpeza. Os (as) vencedores (as) serão anunciados pelo Brainly na primeira quinzena de dezembro.
Sobre o Brainly
O Brainly é uma das principais plataformas de aprendizado do mundo e possui a mais extensa base de conhecimento para atender a todas as disciplinas e séries escolares. Mais de 300 milhões de estudantes, responsáveis e educadores confiam no Brainly como uma plataforma comprovada para acelerar a compreensão e o aprendizado.
Segundo dados do site da plataforma, em uma pesquisa feita com a participação de mais de 1.700 estudantes nos Estados Unidos da América (EUA), constatou que 91% dos entrevistados se lembravam de um profissional da educação que tenha tido um grande impacto positivo em suas vidas e 80% afirmaram ter aprendido uma lição de vida junto a um professor ou professora.
É pensando nos profissionais da educação, que transformam as vidas de milhões de estudantes em todo o mundo, que o Brainly lança no Brasil o Prêmio Profissionais da Educação 2022. Mais informações sobre o Prêmio Profissionais da Educação 2022 em: https://premio.brainly.com.br/
Serviço:
Prêmio Profissionais da Educação 2022
– Inscrições: de 03/11 a 21/11 pelo site prêmio.brainly.com.br; as candidaturas vencedoras serão anunciadas na primeira quinzena de dezembro
– Prêmios: R$ 3.600,00 em vales-presente para os três profissionais da educação mais votados e R$ 1.800 em vales-presente para cada estudante ou responsável que indicar um profissional vencedor. Os vales serão oferecidos pelo Brainly e pela Movile, co-patrocinadora do prêmio.
Audiência pública para debater alteração de nome do Centro Cultural e Desportivo de Ceilândia
Jornalista: Maria Carla
Nesta segunda-feira (7), será realizada uma audiência pública da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), às 19h, no auditório do CEM 02 de Ceilândia, localizado na QNM 14 AE, para discutir a alteração do nome do Centro Cultural e Desportivo de Ceilândia. A população da cidade quer incluir no nome do centro o nome de Luciene dos Santos Velez, a Nina.
Nina faleceu no dia 25 de setembro deste ano por complicações resultantes de uma pancreatite e de um ataque cardíaco. Ela dedicou a vida inteira à luta pela cultura, pelo meio ambiente e pelo social de Ceilândia e de todo Distrito Federal.
Os gabinetes dos deputados distritais Chico Vigilante e Arlete Sampaio, ambos do PT, informam que é muito importante que toda comunidade cultural, educacional e a comunidade em geral compareçam para que a proposta seja aprovada e referendada.
“Muito importante que toda comunidade cultural, educacional e a comunidade em geral compareçam, precisamos aprovar e referendar essa reivindicação que é de todo o povo ceilandense, contamos com a mobilização e participação de cada uma e cada um de nós… aquele Auditório vai ficar pequeno para a grandeza da luta de Nina em prol da Cultura de Ceilândia! Força galera de todas as tribos”, afirmam.
Evento de formação debaterá educação antirracista no Gama, no próximo dia 10
Jornalista: Alessandra Terribili
Uma parceria entre a Coordenação Regional de Ensino (CRE) do Gama e a Secretaria de Educação do Estado do Pará (Seduc-PA) realizará a formação Educação antirracista e protagonismo estudantil: experiência bem-sucedida em Belém do Pará, no próximo dia 10 de novembro (quinta-feira), de 9h a 11h30, no auditório do CiL-Gama.
O evento contará com a presença da professora Lilia Melo, da Seduc-PA, vencedora do prêmio de melhor professora do Brasil (MEC/2018) e indicada entre os 50 melhores do mundo no Global Teacher Prize, como reconhecimento de seu trabalho na área de combate ao racismo na sala de aula.
“Essa formação surgiu da necessidade de trabalharmos mais a temática da educação antirracista, que ainda é alvo de dúvidas por parte de muitos professores”, explica a professora Raquel Lima Alves Babolin, da regional do Gama. “Educadores manifestaram esse interesse nos questionários que mapearam os temas que eles gostariam que nossa regional trabalhasse nas formações”, completa ela.
Para participar do evento, é necessário se inscrever clicando AQUI, ou pelo QR Code que consta no card. Mais informações pelo telefone (61) 3901-8093.
Professor Neuder Bastos vende rifa de bicicleta para pagar tratamento de câncer
Jornalista: Maria Carla
O professor Neuder Bastos pede a ajuda da categoria para comprar a rifa de uma bicicleta seminova, Urban Groove 21 veolocidades, paralamas, garfo com suspensão, pedivela shimano e guidão regulável. O valor da rifa é R$ 10,00. A rifa destina-se a arrecadar dinheiro para o tratamento do câncer e pode ser comprada pelo WhatsApp 61986281684, da Geralda. O sorteio será no dia 20 de novembro, às 18h, com transmissão ao vivo no Instagram @laercioqueiroz1. O ganhador será notificado por telefone/e-mail.
Professor do contrato temporário, Neuder trabalhou por vários anos no CED Vale do Amanhecer em Planaltina/DF. O câncer o tem deixado muito fraco e precisando de ajuda. Após meses de mal-estar, emagrecimento e muitas dores nas costas, no fim de agosto deste ano, ele foi diagnosticado com um câncer colorretal, uma neoplasia suboclusiva de colo transverso que evoluiu rapidamente com focos de metástase hepática e foco de carcinomatose peritoneal.
O fato é que o câncer no intestino já chegou ao fígado e pode se expandir. Ele teve de fazer uma cirurgia de emergência em 31 de agosto, quando foram retirados 18 nódulos. Desde então Neuder tem lutado, diariamente, por consultas, exames e, principalmente, uma oportunidade de dar início ao tratamento. Cada sessão de quimioterapia custa R$ 21 mil e as sessões precisam ser quinzenais, por tempo indeterminado.
Neuder precisa de pelo menos R$ 150 mil para fazer o tratamento. Sem condições financeiras para arcar com o tratamento, familiares, amigos e colegas de trabalho pedem a ajuda da categoria. Além da participação na rifa da bicicleta, a categoria pode contribuir também depositando qualquer quantia no PIX do professor (neuder.bastos72@gmail.com). Você também pode contribuir pelo Vakinha online clicando aqui.
Professor da UFRJ diz que o Brasil é “laboratório de criação de ‘realidade paralela'”
Jornalista: Maria Carla
O resultado da eleição de 30 de outubro e as reações antidemocráticas que ocorrem até hoje revelam um Brasil protagonista de uma disputa surpreendente entre a barbárie e a civilização. A história recente do País tem sido objeto de uma profusão de estudos em todos os ramos do conhecimento, que tentam explicar como e por que ideias obsoletas, advindas do movimento ideológico intitulado de nazismo e do sistema político denominado fascismo, cresceram entre uma população extremamente miscigenada e cuja maioria é pobre e assalariada.
Dentre os estudos, destacamos o pensamento do pesquisador, historiador, ensaísta e professor João Cezar de Castro Rocha, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Numa entrevista ao jornal Estado de Minas, em setembro, ele analisa a situação do Brasil e leva o leitor a compreender este fenômeno político de extrema direita surgido no País a partir de 2018, com a eleição de um mandatário do baixo clero da política e representante de setores mais reacionários da sociedade, movimento esse fundamentado na ideologia nazista e no sistema político fascista, que passou a ser conhecido e chamado de bolsonarismo. Confira a entrevista na íntegra a seguir.
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Castro Rocha: ‘Brasil é laboratório de criação de realidade paralela’
Professor alerta para as consequências de ‘processo de lavagem cerebral’ alimentado por engajamento em torno da desinformação e de teorias conspiratórias
(*) Por Bertha Maakaroun – Jornal Estado de Minas
Para o pesquisador e professor João Cezar de Castro Rocha, o Brasil assiste à consolidação das condições para a instauração de um Estado totalitário fundamentalista religioso. Este é o propósito da extrema direita brasileira, que compartilha as mesmas estratégias de seus aliados transnacionais: o uso das plataformas de mídias digitais para a produção da dissonância cognitiva coletiva, um Brasil paralelo, que fratura a espinha dorsal dos valores verdadeiramente cristãos e democráticos. É a opinião de Castro Rocha, ensaísta e professor titular de literatura comparada na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), autor de “Guerra cultural e retórica do ódio” (Editora Caminhos).
“Está acontecendo diante dos nossos olhos. E há dezenas de milhões de brasileiros que parecem não compreender o perigo. E muitos desses brasileiros e brasileiras são pessoas que nós conhecemos, alguns são nossos parentes, não são pessoas más, cuja índole pudesse suspeitar que apoiariam o que está ocorrendo. É um processo de lavagem cerebral coletiva, é um processo de criação de dissonância cognitiva coletiva”, afirma o professor. “Nunca estivemos numa situação tão grave na história da República. Estamos hoje no Brasil em 1913, do filme alemão “A fita branca” (de Michael Haneke), a geração que, posteriormente, participou da ascensão do nazismo. “Estamos vendo pessoas que conhecemos e respeitamos, e jamais imaginamos que pudessem ser cúmplices de um projeto totalitário de poder”, salienta o professor.
Como estudioso da extrema-direita no Brasil, que avaliação faz dos resultados das eleições presidenciais?
Do ponto de vista pessoal, Jair Bolsonaro não é vitorioso, é sobrevivente do primeiro turno: foi o grande derrotado e primeiro presidente de toda a história da Nova República que, buscando a reeleição, não passou ao segundo turno em primeiro lugar. Por outro lado, do ponto de vista político-partidário, o bolsonarismo foi vitorioso com a eleição para o Senado de Damares Alves, no Distrito Federal, Marcos Pontes, em São Paulo, e Hamilton Mourão, no Rio Grande do Sul, entre outros nomes. Isso quer dizer que, se em 2018 Bolsonaro elegeu grande número de parlamentares, governadores e senadores, em 2022, quem sustentou Bolsonaro foi o bolsonarismo. Isso exige compreender que alguns valores bolsonaristas se enraizaram na sociedade brasileira.
Qual é o projeto político da extrema-direita no Brasil?
Criar as condições para instaurar um Estado totalitário e fundamentalista, do ponto de vista religioso. E a estratégia para alcançar esse propósito passa pela midiosfera digital e a produção de dissonância cognitiva coletiva. No Brasil, a dissonância cognitiva coletiva tornou-se esteio de um projeto político totalitário, o bolsolavismo, que mira a despolitização da pólis, desviando com falsas e abjetas notícias o debate dos temas que realmente importam. O Brasil é um laboratório mundial de criação metódica de realidade paralela. O que a extrema-direita tem feito no plano da política é a despolitização do debate público para avançar o projeto político totalitário – de eliminação completa do adversário ou do outro que resiste – em algumas circunstâncias, mesmo teocrático. E como isso se realiza? Produzindo a dissonância cognitiva coletiva pela instrumentalização da midiosfera extremista. Por que as redes sociais são o sal da terra para a extrema-direita? O que se trata é trazer para o campo da política o alto nível de engajamento das redes sociais. Ora, qual é a finalidade da eterna guerra cultural da extrema-direita? Não é mudar o voto do campo adversário! Estão preocupados unicamente em aumentar a presença nas redes sociais, com conteúdo abjeto, absurdo, pois essa presença pode se materializar em votos, capturando o campo dos indecisos. Quando isso acontece de forma vertiginosa? Na véspera das eleições, faltando poucos dias. A dissonância cognitiva coletiva é uma temível máquina eleitoral pela transferência para a política da alta intensidade de engajamento das redes sociais. É um engajamento em torno da desinformação e de teorias conspiratórias. Na imi- nência do segundo turno das eleições, a midiosfera extremista transformou-se em uma usina sórdida de desinformação e seus artífices incorrem nos mais variados tipos criminais como se não houvesse amanhã.
“A extrema-direita está à frente em relação ao campo progressista no que se refere à compreensão profunda da forma própria do mecanismo do universo digital”
O que diz a bibliografia internacional sobre a dissonância cognitiva?
O psicólogo social norte-americano Leon Festinger publicou, em 1957, um clássico chamado “Uma teoria da dissonância cognitiva”. Acrescento ao conceito da dissonância cognitiva de Festinger a perspectiva coletiva, que está associada à capacidade da produção de conteúdo das redes sociais. Dissonância cognitiva é um desconforto subjetivo causado pela consciência da distância entre crenças e comportamentos, ocorre sempre que há uma distância entre aquilo em que acreditamos e a maneira pela qual nos comportamos. Não há ser humano que não viva com certo grau de dissonância cognitiva. Diz Festinger que, quando essa dissonância cognitiva começa a incomodar, torna-se gritante e muito óbvia, há mecanismos para reduzir a dissonância cognitiva. São dois mecanismos principais, e você verá neles o próprio bolsonarismo e a extrema-direita de uma forma pervertida. Diz Festinger: o famoso exemplo do médico que fuma, ninguém melhor do que ele saberá que o tabagismo faz mal à saúde. Então, o que faz ele? Ou ele recusa fontes que demonstram cientificamente que o tabagismo é maléfico, ou, pelo contrário, só busca fontes que amenizam essa informação. Ou você recusa informação que contraria a sua crença, ou você busca informação que reforça o que você já pensava. É a própria midiosfera extremista. Agora aqui a coisa fica mais complexa, pois diz Festinger que sempre agimos para reduzir a dissonância cognitiva, não para aumentá-la ou cristalizá-la. Então, o que está acontecendo com o bolsonarismo é a cristalização, a consolidação de um Brasil paralelo.
O que caracteriza o fenômeno no Brasil?
As pessoas que voluntariamente se submetem à midiosfera extremista estabelecem um pacto: somente se informar na midiosfera extremista; nunca aceitar outra fonte. Então, não há mais possibilidade objetiva de se demonstrar que há erro nessas informações, porque todas as outras fontes de informação foram desqualificadas e vedadas. Hoje, no Brasil, contamos com dezenas de milhões de brasileiros e brasileiras – e como diz Mário de Andrade, brasileiros e brasileiras como nós – que estão vivendo na ilusão, estão realmente convencidos de todo conteúdo dessa usina de desinformação, dessa máquina tóxica de produção de conteúdo com base em fake news e teorias conspiratórias, que domina a midiosfera bolsonarista. Para dizer de forma mais simples: essas pessoas estão vivendo numa dimensão paralela. Tenho uma hipótese na qual que estou trabalhando em um livro para o ano que vem. O bolsonarismo, como fenômeno de massa, enraizado em diversos setores da sociedade, é a manifestação no Brasil de uma onda transnacional que levou a extrema-direita a conquistar o poder por meio do voto em várias partes do mundo. A extrema-direita está à frente em relação ao campo progressista no que se refere à compreensão profunda da forma própria do mecanismo do universo digital. O que ela tem feito? É a inédita criação da dissonância cognitiva coletiva deliberada, por meio de um conteúdo coordenado, estrategicamente produzido para desinformar e fazer circular teorias conspiratórias e fake news. O universo digital e as redes sociais possibilitaram isso e não é casual o fato de que o principal instrumento de divulgação da extrema-direita bolsonarista sejam as redes sociais e plataformas digitais.
“A dissonância cognitiva coletiva é uma temível máquina eleitoral pela transferência para a política da alta intensidade de engajamento das redes sociais. É um engajamento em torno da desinformação e de teorias conspiratórias”
O que ocorre quando a pessoa que vive nessa dimensão paralela é confrontada pela realidade brutal da vida, que contradiz a narrativa dominante desta midiosfera?
Em 1956, Leo Festinger publicou o livro “When prophecy fails” (“Quando a profecia fracassa”), que responde à sua pergunta. Ele trata de um caso que aconteceu em Chicago, em 1954, quando uma pacata dona de casa, Dorothy Martin, começara a receber supostas mensagens de extraterrestre de um planeta chamado Cla- rion. Em torno de Martin foi formada a Fraternidade dos 7 Raios, que acreditava no conteúdo das mensagens, que anunciava que, em 21 de dezembro de 1954, ocorreria um dilúvio de proporções bíblicas que destruiria boa parte da Terra. Contudo, um disco voador pousaria no quintal de Martin e resgataria aqueles que atendessem ao seu chamado. Festinger e pesquisadores associados conseguiram se infiltrar na seita. Na anunciada data, em 21 de dezembro de 1954, os adeptos da fraternidade foram ao jardim da casa de Martin. A madrugada chegou e o disco voador não pousou. Mas, em 22 de dezembro de 1954, o que aconteceu? Martin anunciou ter recebido novas mensagens do planeta Clarion e voltou com uma informação alentadora para os adeptos da seita: o dilúvio não acontecera porque a quantidade de energia positiva concentrada pelos integrantes da fraternidade sustara o dilúvio. Em outras palavras, em lugar de a profecia fracassar, o fracasso da profecia foi racionalizado e os adeptos da seita se tornaram salvadores do mundo.
Que analogia pode ser feita entre esse caso de 1954 nos Estados Unidos e os eventos de massa convocados pelo bolsonarismo, com a promessa de execução de golpes contra as instituições democráticas, como o movimento de 7 de setembro, que não se concretizam?
O que aconteceu em Chicago é o bolsonarismo a que assistimos hoje. Os adeptos da Fraternidade não abandonaram a suas convicções, muito antes pelo contrário, racionalizaram o fracasso da profecia e dobraram a aposta, considerando ter sido a sua ação que teria prevenido a ocorrência do dilúvio. A última frase do livro de Festinger é espantosa e inaugura uma radicalidade para a qual o próprio Festinger não estava preparado, mas que explodiu no século 21: “Eventos conspiraram para oferecer aos membros da seita uma oportunidade verdadeiramente magnífica para que crescessem em números. Tivessem sido mais efetivos, e a fracassada profecia poderia ter sido o começo, não o fim”. A publicidade gerada pelo malogro da profecia teria permitido converter o insucesso em fator de crescimento, em uma fase inédita de expansão da fraternidade, em lugar de seu desaparecimento, o que só não ocorreu por não terem sido muito efetivos. Festinger conclui: “Um homem convicto é resistente à mudança. Discorde dele, e ele se afastará. Mostre fatos e estatísticas, e suas fontes serão questionadas. Recorra à lógica, e ele não entenderá sua perspectiva”. Se você acrescentar a essa certeza paranoica o caráter coletivo da poderosa midiosfera da extrema-direita, temos o caos cognitivo transformando-se em realidade alternativa. É o que vivemos no Brasil hoje.
Se argumentos objetivos não são assimilados pelos participantes da midiosfera extremista – e o filme “Não olhe para cima” representa bem esse fenômeno –, o que pode ser feito para recuperar a perspectiva comum dos fatos na sociedade?
É possível demonstrar, objetivamente, que uma parte considerável da campanha bolsonarista é baseada em erro. Mas se permanecermos na chave do erro objetivo, nunca compreenderemos o fenômeno. Para compreendê-lo, é preciso resgatar uma distinção entre “erro” e “ilusão” que Freud propôs em ensaio de psicologia social muito importante, “O futuro de uma ilusão”. Erro está no campo do objetivo e pode ser demonstrado. Mas, diz Freud, o importante para compreender a sociedade não é o erro; o importante é a ilusão, a projeção de um desejo. Quando estou diante da ilusão, pouco importa se posso demonstrar para a pessoa iludida que, do ponto de vista objetivo, há um erro. Dessa forma, um homem que se casou três vezes, porque sistematicamente trocou a esposa mais velha por outra mais jovem; um homem que, no seu último filho homem, teria concordado com o aborto ou deixado a questão para a decisão da mulher; um homem que foi incapaz de visitar um único hospital quando nos aproximamos de 700 mil mortos; um homem que nunca, nem simbolicamente, foi à casa de uma pessoa com parentes vítimas de Covid para expressar solidariedade, um gesto de compaixão. E ainda riu, imitou de maneira satânica uma pessoa morrendo asfixiada. E ainda assim os cristãos mantêm a ideia de que ele protegerá a família cristã, a própria família que ele não soube manter. Então, não estamos no plano do erro, mas no plano da ilusão, a primeira hipótese. Trata-se da projeção de um desejo. E o desejo é de que as teorias conspiratórias e as fake news que circulam na midiosfera extremista, e que são confirmadas, por exemplo, pela Rádio Jovem Pan, sejam a verdade.
Como é o processo de cooptação e manutenção das pessoas dentro dessa midiosfera extremista?
A midiosfera extremista é poderosa máquina de desinformação, talvez a maior da história da humanidade. É composta por cinco elementos: as correntes de WhatsApp; o circuito integrado de canais de Youtube com capacidade tóxica de desinformação; as redes sociais; aplicativos como o Mano, cujo garoto-propaganda é Flávio Bolsonaro; e um aplicativo do Facebook, a TV Bolsonaro, O que se produz 24 horas, sete dias por semana, é conteúdo audiovisual de adesão incondicional a Bolsonaro. E há um quinto elemento, que é muito grave; como metonímia do processo, cito a Rádio Jovem Pan. Por esse veículo, todas as teorias conspiratórias e as fake news que circulam na midiosfera extremista são legitimadas, são validadas, porque são reproduzidas nesse veículo fora da midiosfera. Bolsonaro passou boa parte de seu governo atacando instituições democráticas, universidades, professores, a ciência, a imprensa e jornalistas. Líderes populistas atacam instituições e o conhecimento porque buscam, nes- se processo, se beneficiar da transferência da autoridade simbólica dessas instituições e pessoas que trabalham com a informação e o conhecimento. A transferência de autoridade está bem trabalhada por Freud no clássico “A psicologia das massas e a análise do eu”, de 1921, em que descreve a relação de submissão das massas a um líder ao qual se atribui autoridade infalível e que há nessa submissão um aspecto libidinal, ligado ao prazer. No caso de Freud, o líder é uma espécie de imã, o que implica subordinação da massa. Isso certamente é modelo perfeito para se pensar uma sociedade em que havia um centro emissor de conteúdo e uma massa receptora passiva de conteúdo. O modelo freudiano, de 1921, é interessantíssimo para pensar e antecipar de maneira notável o que ocorreu com o nazismo e o fascismo. Neste momento em que vivemos há uma diferença fundamental: hoje, o modelo de um centro irradiador para uma multidão receptora e passiva não dá mais conta da complexidade do presente. Há uma outra chave, um pouco diferente. Assim como a extrema- direita mundial, o bolsonarismo no Brasil investe numa campanha de conteúdo e microdirecionamento digital. Nesse sentido, de fato, é equívoco imaginar que as redes sociais sejam horizontais, pois as grandes plataformas fazem o papel do elemento verticalizador: determinam a lógica do algoritmo e as políticas aceitáveis de comportamento no interior das redes. Então, imaginar algo exclusivamente horizontal seria ingênuo, pois não estaríamos levando em consideração o poder que as grandes corporações e plataformas têm. Além disso há, no interior da midiosfera, a circulação sem cessar de produção audiovisual que difunde o sistema de crenças bolsolavista, com exortação incessante aos golpes de Estado e à eliminação física de adversários, entre outras teorias conspiratórias. Os integrantes compartilham e reproduzem horizontalmente esse conteúdo estrategicamente elaborado com as suas redes.
“Hoje, no Brasil, contamos com dezenas de milhões de brasileiros e brasileiras que estão vivendo na ilusão, estão realmente convencidos de todo conteúdo dessa usina de desinformação”
Quais são as semelhanças em relação à forma de operação da midiosfera bolsonarista com outros populistas da extrema-direita mundial?
Nas décadas iniciais do século 21, o grande fenômeno político foi o avanço transnacional da extrema-direita pelo voto, empregando as mesmas narrativas retóricas. Não se trata mais de uma extrema-direita que conquista poder pela botina e pelo tanque, mas que, na primeira eleição, chega ao poder seduzindo o eleitorado e conquistando corações e mentes. Uma vez no po- der, a extrema-direita passa a enfraquecer e corroer as instituições democráticas. É a mesma estratégia de argumentação e conteúdo que foi usada por Rodrigo Duterte, nas Filipinas; por Donald Trump, nos Estados Unidos; por Viktor Orbán, na Hungria; por Andrzej Duda, na Polônia; por Jair Bolsonaro, no Brasil. Então, existe certo nível de coordenação. Steve Bannon, antes de ser preso por ter feito rachadinha ou rachadão com dinheiro arrecadado numa campanha chamada We build the wall, criou o The Movement, uma espécie de internacional da extrema-direita. Viajou a vários países da Europa fazendo seminários e conhecendo lide- ranças jovens para organizar ações combinadas e programadas. A extrema-direita transnacional conta com apoio maciço das megaplataformas e do capital internacional. Por que ela tem sido tão poderosa nas duas primeiras décadas do século 21? Porque aprendeu a combinar o incombinável: a verticalização com a horizontalidade. Combina uma estrutura das redes digitais que, na aparência do exercício cotidiano, é horizontal, mas é verticalizada tanto na produção do conteúdo quanto na configuração dos algoritmos que definem o seu alcance. Essa é a força da extrema-direita no mundo e da extrema-direita bolsonarista. Hoje, o bolsonarismo, assim como a extrema-direita transnacional, criou uma profissão: o MEI (microempreendedor ideológico): há muitas pessoas ganhando dinheiro com radicalização política em seus canais no YouTube.
Como recuperar a consciência coletiva no Brasil?
O Brasil vive uma situação grave, nunca estivemos numa situação tão grave na história da República. E a analogia final que faço: estamos hoje no Brasil em 1913, o ano do filme “A fita branca”, que retrata a futura geração que viverá a ascensão do nazismo. Estamos vendo pessoas que conhecemos e respeitamos, e ja mais imaginamos que pudessem ser cúmplices de um projeto totalitário de poder. O Brasil precisará de pelo menos uma década para tentar remediar o malefício causado pelo ensinamento da retórica do ódio e da ló gica da refutação de Olavo Carvalho, que tornam o debate impossível. Vamos enfrentar dezenas de milhões de brasileiros e brasileiras enredados numa rea lidade paralela. Vamos ter de trabalhar muito.
Sobre João Cezar de Castro Rocha
O ensaísta João Cezar de Castro Rocha é professor titular de literatura comparada da UERJ e pesquisador do CNPq. Graduado em história e mestre e doutor em letras pela UERJ, fez um segundo doutorado em literatura comparada na Stanford University, EUA. Realizou estudos de pós-doutorado na Freie Universität e na Princeton University. Recebeu, em 2014, o prêmio Ensaio e Crítica Literária da Academia Brasileira de Letras, e, em 1998, o Prêmio Mário de Andrade da Biblioteca Nacional. É editor-executivo da revista Portuguese Literary & Cultural Studies, publicada pela University of Massachusetts-Dartmouth. Foi fellow da Universidade de Winsconsin, do Centre for Brazilian Studies da Universidade de Oxford, do St. John’s College da Universidade de Cambridge e da Beinecke Library da Universidade de Yale. Também ocupou a Cátedra Machado de Assis da Universidad del Claustro de Sor Juana, México. Autor de 13 livros, entre os quais “Guerra cultural e retórica do ódio”, é também organizador de mais de 30 títulos. Seu trabalho já foi traduzido para o mandarim, alemão, espanhol, francês, italiano e inglês.
“Guerra cultural e retórica do ódio: Crônicas de um Brasil pós-político” (Caminhos Editora e Livraria, 2021)
“Evolução e Conversão – Diálogos sobre a origem da cultura” (com René Girard e Pierpaolo Antonello; É Realizações, 2011)
“Culturas shakespearianas – Teoria mimética e os desafios da mímesis em circunstâncias não hegemônicas” (É realizações, 2017)