Manifesto pede punição de Bolsonaro por crime contra direito das crianças e adolescentes

Entidades da sociedade civil e parlamentares lançaram nesta segunda-feira (24/10), em ato na PUC-SP, o “Manifesto pela dignidade da infância e em repúdio a ações e omissões da autoridade pública diante de violações de direitos”. No documento, os signatários pedem punição do atual presidente da República e candidato à reeleição Jair Bolsonaro pelos crimes cometidos no caso em que ele afirma que “pintou um clima” com meninas venezuelanas de 14 e 15 anos ao visitar a cidade de São Sebastião, que fica pouco mais de 21 quilômetros de Brasília.

“Pintou um Clima”: Parlamentares e entidades lançam manifesto sobre ataques de Bolsonaro (Foto: Sara Costa)

 

“A sociedade civil organizada em defesa da infância, parlamentares, famílias, mães e pais de crianças e adolescentes, cidadãs e cidadãos brasileiros que reconhecem seu dever legal e ético para com a proteção integral das meninos e meninos, vêm a público denunciar os crimes cometidos pelo Sr. Jair Bolsonaro contra os direitos das crianças e adolescentes em nosso país e exigir que esses crimes não fiquem impunes, pois nenhuma autoridade política nacional está acima da Constituição Federal, do Estatuto da Criança e do Adolescente e da Convenção de Direitos da Criança das Nações Unidas, tratado que o Brasil é signatário”, traz trecho do documento.

No texto, as organizações ainda esclarecem que, como traz os dispositivos legais, nenhuma criança ou adolescente “se prostitui ou faz programa”, “sendo, nessas circunstâncias sempre considerada vítimas pela condição de exploração sexual”. Isso porque, no caso das meninas venezuelanas, Bolsonaro disse: “(…) meninas bonitinhas de 14, 15 anos se arrumam no sábado para que? Ganhar a vida”.

O manifesto ainda reflete que o dever moral e legal do presidente da República ao tomar conhecimento de possível exploração sexual seria “denunciar e encaminhar o caso para investigação no Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente”. “Mas o atual Presidente fez o contrário: ‘supôs’ que as meninas estavam em situação de abuso e exploração sexual, violou o ECA e a Lei da Escuta Protegida, expôs as mesmas a condição vexatória, fomentou estigmas contra a população imigrante e promoveu uma perversa banalização das violações de direitos em nosso país.”

O documento lançado nesta segunda ainda recorda que o atual governo federal “cortou recursos no orçamento público para a prevenção e o enfrentamento do abuso e da exploração sexual de crianças e adolescentes”. Matéria publicada no Brasil de Fato mostra a queda brutal no investimento na área. Enquanto em 2014 o orçamento federal para serviços de proteção social especial foi de R$ 1,1 bilhão, o orçamento de 2023 enviado pelo Executivo ao Congresso prevê apenas R$ 15 milhões para a proteção de crianças de adolescentes.

“Não nos calaremos diante dos crimes cometidos pelo atual Presidente da República contra a infância”, finaliza o “Manifesto pela dignidade da infância e em repúdio a ações e omissões da autoridade pública diante de violações de direitos”.

Abaixo, leia a íntegra do manifesto.

MANIFESTO PELA DIGNIDADE DA INFÂNCIA E EM REPÚDIO A AÇÕES E OMISSÕES DA AUTORIDADE PÚBLICA DIANTE DE VIOLAÇÕES DE DIREITOS

Este Manifesto é por todas as meninas e meninos. Em respeito àquelas e àqueles que já foram e estão sendo vítimas da exploração sexual e para que nenhuma criança ou adolescente venha sofrer tal violência.

A sociedade civil organizada em defesa da infância, parlamentares, famílias, mães e pais de crianças e adolescentes, cidadãs e cidadãos brasileiros que reconhecem seu dever legal e ético para com a proteção integral das meninos e meninos, vêm a público denunciar os crimes cometidos pelo Sr. Jair Bolsonaro contra os direitos das crianças e adolescentes em nosso país e exigir que esses crimes não fiquem impunes, pois nenhuma autoridade política nacional está acima da Constituição Federal, do Estatuto da Criança e do Adolescente e da Convenção de Direitos da Criança das Nações Unidas, tratado que o Brasil é signatário.

As pessoas dignas do nosso país estão estarrecidas pela forma perversa e abusiva utilizada pelo Presidente da República ao referir-se a meninas que segundo ele, teriam 14 e 15 anos e “estariam se arrumando para programas”. A naturalidade com que o Presidente trata o fato que ele próprio relata, desrespeita toda a norma legal brasileira, para qual nenhuma criança ou adolescente “se prostitui ou faz programa”, sendo, nessas circunstâncias sempre considerada vítimas pela condição de exploração sexual.

Tão ou mais grave é o fato de um homem adulto e investido de poder colocar-se diante de meninas, de acordo com seu relato, apresentando tal cena com a expressão “pintou um clima”, que em tal contexto não está associada à proteção das crianças, mas sim a erotização a partir de seu olhar de adulto.

Necessário frisar que o Sr. Presidente não tomou qualquer medida cabível para proteção das meninas ou para responsabilização de agressores que possivelmente frequentassem esse lugar que ao “pedir pra entrar”, ele próprio julgou e divulgou como destinado à exploração sexual.

Ademais, desmentido que as meninas estivessem em condição de exploração sexual, fica claro que foi o Sr. Jair Bolsonaro quem tratou as meninas de forma sexualizada. Neste caso, independentemente do que aconteceu no local e data da tal visita de moto, o que deve ser rigorosamente investigado, ele expôs à condição vexatória e degradante meninas com 14 ou 15 anos. Por este tratamento, já fere o Estatuto da Criança e Adolescente e outras normas legais brasileiras.

Ou seja, o Presidente da República, ao tomar conhecimento de possível violação de direitos humanos de crianças e adolescentes, não cumpriu seu dever moral e legal de denunciar e encaminhar o caso para investigação no Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente. Mas o atual Presidente fez o contrário: “supôs” que as meninas estavam em situação de abuso e exploração sexual, violou o ECA e a Lei da Escuta Protegida, expôs as mesmas a condição vexatória, fomentou estigmas contra a população imigrante e promoveu uma perversa banalização das violações de direitos em nosso país.

Com o único objetivo de se autopromover eleitoralmente, Jair Bolsonaro usou do cargo que ocupa para cometer crimes contra a infância, previstos nos Arts. 4º e 5º do ECA (Lei 8.069/1990), no Art. 20º da Lei º 9.459/1997 e no Art. 13º da Lei da Escuta Protegida (Lei nº 13.431/2017), e no Art. 319 do Código Penal, pois prevaricou; e são essas ações e omissões que não podem ficar impunes. Tal legislação obriga a todos a denunciar nos canais institucionais as possíveis violações de direitos de crianças e adolescentes, bem como protegê-las em suas especificidades, como são as crianças imigrantes.
Por este motivo, nós parlamentares, sociedade civil, famílias, mães e pais de crianças e adolescentes, há décadas assumimos o compromisso pela salvaguarda de direitos das meninas e dos meninos de todas as formas de violência, em especial o combate ao abuso e à exploração sexual. Não nos calaremos diante dos crimes cometidos pelo atual Presidente da República contra a infância.

Recordamos também que o atual governo federal cortou recursos no orçamento público para a prevenção e o enfrentamento do abuso e da exploração sexual de crianças e adolescentes, bem como impediu a participação e o controle social, impedindo o funcionamento do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente e o cumprimento de suas atribuições. A violência sexual pode ser prevenida e isso começa no orçamento público e na participação e controle social!

Ao descumprir o Art. 227 da Constituição Federal de 1988 e o Estatuto da Criança e do Adolescente, o governo federal desconsiderou a absoluta prioridade com que o tema deve ser tratado nas políticas públicas, além de enfraquecer o Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente e o Disque 100, o principal canal de denúncias de violação de direitos humanos em nosso país.

É preciso dar um basta em tantas violações de direitos das crianças e adolescentes. Por ação ou omissão, nenhuma das nossas filhas e filhos, nenhuma criança ou adolescente, podem ser vítimas de qualquer tipo de violência! Juntos e juntas, construímos uma das mais completas legislações, promovemos políticas públicas e um sistema de garantias de defesa e proteção aos direitos. Construímos a campanha FAÇA BONITO!, contra o abuso e à exploração sexual, e a Lei da Escuta Protegida, que garante que meninos e meninas não sejam revitimizados pelas autoridades públicas.

Neste momento, nos unimos à indignação das famílias atingidas pelo descaso com que o atual Presidente trata o tema e repudiamos as estratégias de coação às vítimas. Jamais aceitaremos o uso inescrupuloso do sofrimento de crianças e adolescentes com a finalidade de manutenção no poder.

É inaceitável a postura do Presidente da República e seus apoiadores(as) próximos(as) que violam a Doutrina de Proteção Integral e promovem uma verdadeira banalização da violência contra crianças e adolescentes, inclusive procurando-as para pressioná-las. Por isso, exigimos a imediata investigação e responsabilização.
Ninguém, nenhuma pessoa ou instituição pode ser indiferente diante desta conduta pedofilizada e criminosa. Cabe ao Ministério Público e a Justiça agirem nessa situação emblemática para que ela não represente o incentivo aos que abusam e exploram a infância, sobretudo meninas que vivem ainda maior vulnerabilidade por sua condição de risco social, econômico ou discriminações por serem imigrantes, negras, indígenas ou de grupos étnicos vulneráveis. Não é aceitável qualquer omissão diante de condutas criminosas! Estamos em unidade na defesa de nossas crianças e adolescentes para cumprir o que elas mesmas já nos pediram: “Faça Bonito”!

Esquecer é Permitir,
Lembrar é combater!

São Paulo, 24 de outubro de 2022

Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes

Deputada Federal Maria do Rosário – Coordenadora da Frente Parlamentar Mista de Promoção e Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente no Congresso Nacional

Coalizão Brasileira pelo fim da Violência contra Crianças e Adolescentes

Senador Humberto Costa – Presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal

Deputado Federal Orlando Silva – Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados

 

Itamar Júnior é o convidado do encontro de hoje do projeto Diálogos Contemporâneos

Acontece hoje (24), mais um encontro do projeto Diálogos Contemporâneos, com a presença do geógrafo Itamar Vieira Júnior. O encontro acontecerá no Museu Nacional, às 19h, e tem como tema “O povo negro e a formação da identidade brasileira”.

Não há necessidade de inscrição. Para quem vai assistir às conferências presencialmente, os ingressos serão distribuídos no Museu Nacional, a partir das 18h do dia de cada conferência, por ordem de chegada e apenas um por pessoa. Para aqueles(as) que não puderem comparecer presencialmente, as conferências serão transmitidas ao vivo pelo canal da AACIC no YouTube.

Além da conferência gratuita no Museu da República, todos os convidados visitarão uma escola ou universidade para conversar sobre suas obras. O IFB, Campus São Sebastião, é quem receberá a visita de Itamar Júnior.

 

O convidado

Iramar Júnior é  geógrafo e doutor em estudos étnicos e africanos pela UFBA. Seu romance “Torto arado”, publicado pela Todavia em 2019, venceu o Prêmio Leya, recebeu também os prêmios Oceanos e Jabuti e está sendo traduzido para uma dezena de idiomas. Em 2021, lançou “Doramar ou a Odisseia: histórias” (Todavia). Trabalha como servidor público no Incra e está escrevendo um novo romance.

 

Ato em defesa das crianças e adolescentes acontece neste sábado (22)

O Centro de Formação e Cultura Nação Zumbi, Super Nova e Casa Paulo Freire convocam para ato em defesa das crianças e dos adolescentes, contra o abuso infantil e em repúdio a fala do atual presidente da república, Jair Bolsonaro, em relação às adolescentes venezuelanas. A concentração será amanhã (21/10), em frente ao Colégio Centrão, às 16h, a caminho do Skate Park, onde acontecerá um momento de fala das entidades envolvidas e de pessoas da comunidade de São Sebastião. A organização pedi aos participantes que estejam vestidos em roupas na cor branca.

Faça bonito! Participe!

Novas evidências reforçam que, sob Bolsonaro, MEC se tornou balcão de negócios

O jornal Folha de S. Paulo obteve mensagens enviadas por e-mail pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) a uma prefeitura, no qual o órgão pede um ofício de solicitação de verba para uma obra já liberada. Também pede que tal ofício fosse preenchido com data retroativa à autorização. O detalhe muito importante é que a mensagem foi enviada em fevereiro deste ano, sendo que a verba já tinha sido autorizada em dezembro de 2021.

O FNDE é ligado ao Ministério da Educação (MEC) e está no centro dos escândalos de corrupção que vêm sendo denunciados no ministério há meses. O órgão foi entregue por Bolsonaro ao centrão em troca de apoio. Desde então, viu-se uma explosão de aprovações de obras sem critérios técnicos, buscando fraudar o sistema e priorizar pagamentos a aliados.

A organização não-governamental Transparência Brasil também apontou em levantamento que o FNDE destinou R$ 423 milhões via orçamento secreto a obras de escolas e creches sem aprovação. Os dados utilizados são referentes a 2020 e 2021 e foram obtidos via Lei de Acesso à Informação.

Enquanto isso, 2,5 mil obras estão atrasadas em escolas por todo o país que dependem de recursos do FNDE. Segundo a Transparência Brasil, 72% dessas obras estão completamente paralisadas.

Os casos indicam, mais uma vez, que o MEC se tornou um balcão de negócios sob o governo Bolsonaro. O ex-ministro Milton Ribeiro chegou a ser preso em julho deste ano, quando vieram a público escândalos de corrupção no FNDE, envolvendo pedidos de propina para liberação de verbas e intermédio de pastores nas operações.

Vale lembrar que o delegado da Polícia Federal que vinha conduzindo as investigações foi afastado do cargo. É a velha máxima: todos pensarão que não há corrupção se a investigação da corrupção não for permitida.

A corrupção no MEC

Em julho, o escândalo de corrupção envolvendo dois pastores evangélicos que não exercem cargos oficiais no Ministério da Educação, mas são base de apoio do presidente Jair Bolsonaro (PL), foi confirmado por 10 prefeitos: houve pedido de propina para a liberação de verbas do MEC para suas cidades.

Os prefeitos acusaram os pastores Arilton Moura e Gilmar Santos de operarem um esquema no MEC para facilitar a liberação de recursos no FNDE. A denúncia veio à tona com a divulgação de uma gravação em que o próprio ministro da Educação admite que o presidente Bolsonaro pediu que ele liberasse verbas intermediadas pelos pastores.

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Professora busca apoio para tratamento de saúde

A professora Irma Loos conta com a sua generosidade para dar continuidade a um tratamento de saúde. Irma tem um tumor maligno e o medicamento utilizado custa em média 3,5 mil reais. Para ajudar a custear as despesas, ela está realizando uma vaquinha. A doação pode ser feita por PIX – Tipo de chave: CPF – 657.830.001-59 (Irma Celeste de Castro Loos). Qualquer quantia é de muita ajuda e de imenso valor.

Ao mentir sobre GraphoGame, Bolsonaro despreza professores e ignora realidade

No último domingo (16), Bolsonaro afirmou em um debate entre candidatos que seu governo alfabetiza crianças em 6 meses, graças a um milagroso aplicativo chamado GraphoGame. A declaração é mais uma das sem-número de declarações mentirosas do presidente, mostrando, também, total desconhecimento da realidade da população brasileira, que sofre em decorrência da exclusão digital.

Em primeiro lugar, o GraphoGame é um jogo, e ele não alfabetiza ninguém – muito menos em 6 meses. Lançado pelo Ministério da Educação (MEC) em novembro de 2020, o aplicativo serve para apoiar os professores, em atividades de ensino remoto, e as famílias, no acompanhamento das crianças no processo de aquisição de habilidades de literacia. O GraphoGame ajuda as crianças que estão na pré-escola ou nos anos iniciais do ensino fundamental a aprender a ler e a soletrar suas primeiras letras, sílabas e palavras, com sons e instruções do português brasileiro. O jogo é especialmente eficaz para crianças que estão aprendendo as relações entre letras e sons”; segundo o próprio site do MEC. 

A ferramenta não é brasileira. Ela foi criada por pesquisadores finlandeses, e adaptada e desenvolvida por especialistas do Instituto do Cérebro, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Em nota, a PUC-RS elucida que o GraphoGame não é um app de alfabetização – como disse Bolsonaro -, e sim, apenas uma ferramenta de apoio ao ensino.

“A universidade explica que o aplicativo pode ser uma ferramenta de apoio, mas que sozinho não é capaz de alfabetizar. Este não foi e não é o objetivo da iniciativa e dos pesquisadores em nenhum momento. Para uma criança ser alfabetizada ela precisa de instrução sistemática e consistente, precisa de vivências e sem dúvida alguma do apoio da Escola e especialmente de educadores”, diz a nota da PUCRS. A universidade ainda destaca que o real foco da ferramenta é na consciência fonológica e fonêmica das crianças, ou seja, na relação letra e som.

Nos dias seguintes à afirmação de Bolsonaro, educadores e educadoras do Brasil inteiro se pronunciaram pelas redes sociais e pela imprensa, tamanho o absurdo do que foi dito. Muitos e muitas especialistas se manifestaram de forma unânime para afirmar que um aplicativo não pode ser encarado como uma política de alfabetização porque somente o professor com suas ferramentas e metodologias ensina uma pessoa a ler e a escrever.

Além da falácia em si, Bolsonaro mais uma vez desrespeita professores e professoras, sugerindo ser possível alfabetizar sem a mediação de profissionais de educação. “Esse não é apenas um equívoco, mais sim, uma demonstração de desprezo pelo trabalho dos professores e de total desconhecimento dos processos de alfabetização, de ensino-aprendizagem e da própria realidade brasileira”, opina Cláudio Antunes, coordenador da Secretaria de Políticas Educacionais do Sinpro.

Isso sem falar no quanto é inadequado que um aplicativo dirigido a crianças em fase de alfabetização se utilize de imagens violentas como tiros de canhão para desenvolver uma atividade para-pedagógica.

Pobreza e exclusão digital: experiências da pandemia

Bolsonaro não sabe coisas básicas sobre o Brasil. Ou pior ainda, finge não saber e ignora por opção política.

No primeiro semestre de 2020, em meio ao enfrentamento à pandemia de covid-19, o Sinpro realizou uma pesquisa que apontou que, no DF, o acesso aos equipamentos e à tecnologia foi um dos principais obstáculos ao modelo remoto de ensino. Na pesquisa, mais de 26% dos pais, mães ou responsáveis por estudantes da rede pública responderam que não seus filhos não dispunham de computador, notebook, celular ou tablet em casa. Nas regiões administrativas de São Sebastião e do Paranoá, esse número ultrapassava 40%.

Além disso, 27,71% dos estudantes não contavam com internet em casa para desenvolver as atividades escolares. No Paranoá, esse número superava os 40%. Em seguida, São Sebastião apresentava 37,75% e o Recanto das Emas 36,7% de estudantes sem internet em casa.

>>> Saiba mais: MAIS DE 120 MIL ESTUDANTES DA ESCOLA PÚBLICA DO DF NÃO CONSEGUEM ACESSAR A EAD 

Ou seja, somando-se a todos os problemas pedagógicos que há na expectativa de se concluir a alfabetização de uma criança em 6 meses através de um aplicativo de jogo; tem a triste realidade de que uma parcela muito significativa das crianças não conta com os equipamentos necessários para acessar tal ferramenta.

E o presidente da República, como tem sido de seu feitio, não apenas não ajuda como atrapalha nesse quesito. Vale lembrar que ele vetou o Projeto de Lei 3.477/2020, que garantia tablet e internet para estudantes e professores(as) do ensino público, alcançando mais de 18 milhões de estudantes de baixa renda e aproximadamente 1,5 milhão de professores(as) da rede pública. Depois de ampla mobilização dos movimentos sindicais e sociais da educação, o Congresso Nacional derrubou o veto em junho de 2021.

O déficit de aprendizagem no país foi aprofundado pela pandemia da covid-19, mas não apenas isso. O descaso das autoridades competentes, como o GDF e o Governo Federal, que não disponibilizaram recursos e nenhum tipo de investimento para minimizar os danos, sequer para correr atrás do prejuízo, foi decisivo para problema acumulado que temos agora. É importante destacar que durante esses dois anos, professores e professoras fizeram vaquinhas, organizaram pedidos de ajuda e tiraram dinheiro do próprio bolso para ajudar seus estudantes; enquanto isso, os governos não cumpriram seu papel e, inclusive, atuaram no sentido oposto, como se viu no caso do veto ao PL citado acima.

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FNDC lança relatório com casos de violação à liberdade de expressão no Brasil

O FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação) lança nesta quarta-feira (19/10) a segunda edição do relatório da Campanha Calar Jamais!, que traz um panorama das violações à liberdade de expressão ocorridas no Brasil de junho de 2019 a fevereiro de 2022. O lançamento será online, às 19h. Assista ao lançamento pelo link https://youtu.be/ISReWRduSnI. O Sinpro-DF fará uma reprise nesta quinta-feira (20/10), às 19h, na página de Facebook.

O lançamento do documento terá a participação da pesquisadora e colaboradora do relatório, Renata Mielli, do Barão de Itararé; da trabalhadora da Empresa Brasileira de Comunicação Akemi Nitahara; do professor e pesquisador Pedro Hallal; e do ativista Rodrigo Grassi, o Pilha.

O relatório do FNDC aponta ao menos 110 denúncias de violações à liberdade de expressão nos últimos quatro anos. Os principais alvos são jornalistas, comunicadores sociais, veículos e meios de comunicação. E o principal violador, segundo o documento, são órgãos ou agentes públicos. Entre eles, o presidente Jair Bolsonaro.

“Ao longo dos casos sistematizados no relatório, é possível notar que a violação à liberdade de expressão foi institucionalizada no país à medida em que o presidente da República, Jair Bolsonaro, é o principal porta voz da violência, da agressividade contra qualquer profissional (jornalista, comunicador, artista, professor), veículo de comunicação, grupo artístico-cultural, instituição educacional que expresse uma visão de país e mundo distinta a sua e a de seu governo”, afirma o FNDC em matéria publicada em seu site.

Serviço
Lançamento 2º Relatório Calar Jamais “Violações à Liberdade de Expressão no Brasil – 2019 a 2022
Data: quarta-feira, 19/10
Horário: 19h
Transmissão: Online, pelo link https://youtu.be/ISReWRduSnI

Pedro conta com a sua ajuda para estagiar na Dinamarca

Pedro Henrique (24) é biólogo e mestrando em neurociência na UnB. Recentemente, o jovem, que é filho de uma professora da rede pública, Magna, recebeu um convite para estagiar na Dinamarca, em um dos melhores laboratórios de pesquisa da área. Para custear as despesas, Pedro e sua família estão organizando uma vaquinha e uma rifa de uma caixa de som, no valor de 10 reais. 

Os custos com a viagem são altos e Pedro conta com a sua generosidade para poder realizar mais essa conquista. Para colaborar basta fazer um PIX, tipo de chave celular – 61 98309-0811 – Pedro H. C. Cordeiro.

 

Marcelo Paiva é o convidado do encontro de hoje do projeto Diálogos Contemporâneos

Acontece hoje (18), mais um encontro do projeto Diálogos Contemporâneos, com a presença do escritor Marcelo Rubens Paiva. O encontro acontecerá no Museu Nacional, às 19h, e tem como tema “Memória e Literatura”.

Não há necessidade de inscrição. Para quem vai assistir às conferências presencialmente, os ingressos serão distribuídos no Museu Nacional, a partir das 18h do dia de cada conferência, por ordem de chegada e apenas um por pessoa. Para aqueles(as) que não puderem comparecer presencialmente, as conferências serão transmitidas ao vivo pelo canal da AACIC no YouTube.

Além da conferência gratuita no Museu da República, todos os convidados visitarão uma escola ou universidade para conversar sobre suas obras. A escola contemplada com a visita de Marcelo Paiva é o Centro de Ensino Médio Ave Branca (CEMAB) – Taguatinga.

 

O convidado

Marcelo Paiva é roteirista, escritor e dramaturgo. Foi laureado com três Prêmio Jabuti, um Prêmio Shell, um Moinho Santista e um da Academia Brasileira de Letras. Entre seus livros estão “Feliz ano velho” (1982 – Prêmio Jabuti), “O homem ridículo” (2019), a “Série – O livro” (2021) e “Do começo ao fim” (2022). Foi traduzido para o inglês, espanhol, francês, italiano, alemão e tcheco.

PIB negativo escancara crise econômica no Brasil

No último mês de agosto, o Sinpro alertou que a deflação tão festejada pelo governo Bolsonaro era produto de um crescimento falso, e que as consequências poderiam ser desastrosas. Nesta segunda-feira, 17, o Banco Central anunciou queda de 1,13% na prévia do crescimento do PIB para o mês de agosto – a maior queda desde março/2021, quando o Brasil sofria as consequências da devastadora segunda onda da Covid-19.

>>> Leia mais: DEFLAÇÃO É SINAL DE CRISE E DE PREJUÍZO PARA TRABALHADORES E SERVIDORES PÚBLICOS

A deflação que observamos no Brasil é o reflexo de uma crise profunda: a população detém pouco poder de compra, e isso obriga os preços a caírem; o que não mostra uma economia saudável, muito pelo contrário! Mostra o empobrecimento da população; e que o comércio e a indústria não estão conseguindo vender. “A deflação, no nosso contexto de desvalorização da moeda, é sinal de baixo consumo, o que faz com que caia a produção e gere desemprego”, diz Cláudio Antunes, diretor do Sinpro. “Nós já tínhamos apontado antes que a deflação no Brasil de agora não tem nada de positivo”, completa ele.

Os índices econômicos devem sempre ser observados em conexão com índices socioeconômicos importantes como desemprego, informalidade, e (des)valorização do salário mínimo. Além disso, no Brasil, quase 63 milhões de pessoas estão vivendo abaixo da linha da pobreza, o que equivale a dizer que 30% dos brasileiros têm renda domiciliar per capita de R$ 497 por mês, segundo dados do Mapa da Nova Pobreza, divulgado pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) no final de junho último.

De acordo com o empresário e ex-banqueiro Eduardo Moreira, os números anteriormente alardeados pelo governo configuravam uma bomba-relógio programada para explodir depois das eleições. “Mas era tão frágil que está estourando antes das eleições”, comenta Moreira. “O governo comprou um crescimento falso, comprou uma inflação mais baixa também falsa, que duraria poucos meses”, afirma ele, classificando a situação brasileira atual como de caos e desastre econômico.

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