Dirigente do Sinpro, Rosilene Corrêa pede desincompatibilização eleitoral

A dirigente do Sinpro-DF Rosilene Corrêa deu entrada no pedido de desincompatibilização eleitoral, e estará licenciada do cargo de coordenaora de Finanças do Sindicato a partir desta quarta-feira, 1º de junho. O pedido foi feito diante da possibilidade da candidatura da dirigente sindical ao Senado Federal, nas eleições gerais deste ano.

O pedido de desincompatibilização eleitoral é uma exigência constitucional que visa, entre outros pontos, à lisura do pleito, evitar o abuso do exercício do cargo e proporcionar igualdade de oportunidade entre candidatos. Segundo a lei, dirigentes sindicais devem realizar o afastamento do cargo nos quatro meses anteriores ao pleito para concorrer a mandato eletivo.

Rosilene Corrêa atua como dirigente do Sinpro-DF há quase duas décadas. Além de dirigir o Sindicato, a professora aposentada da rede pública de ensino do DF compõe a direção da CNTE e da CUT Nacional.

Agressões no CED 01 da Estrutural revelam o fracasso da militarização das escolas públicas

O Centro Educacional nº 01 da Cidade Estrutural (CED 01 Estrutural) está se tornando, involuntariamente, uma vedete das páginas policiais da imprensa de Brasília desde que foi transformada em escola militarizada. Todo dia a tal gestão compartilhada cria um problema com alguém da comunidade escolar e, cada vez mais, tem transformado a unidade em ambiente de terror e medo. Essa escola é uma das instituições públicas do programa do Estado policial bolsonarista denominado Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (Pecim).

 

Esse tipo de arranjo faz parte de um projeto maior intitulado “Estado policial”. Sabe o que é isso? É um tipo de “organização” neoliberal que se apropria do aparelho estatal e o transforma em um arranjo fortemente armado, baseado no controle da população e, principalmente, de opositores e dissidentes por meio da polícia política, das Forças Armadas e de uma profusão de outros mecanismos de controle ideológico e repressão política, como, por exemplo, a militarização das escolas públicas.

 

Nada melhor do que dinheiro público para atrair adeptos

 

O Pecim nada mais é do que a militarização das escolas públicas nos governos neoliberais de Jair Bolsonaro (PL) e de Ibaneis Rocha (MDB). De 2019 para cá, cerca de 100 escolas públicas foram transformadas em unidades cívico-militares, das quais 16 estão no Distrito Federal. Uma reportagem do início de maio deste ano do jornal O Globo mostra que esse tipo de projeto serve também para desviar dinheiro público da Educação. Na reportagem, o jornal diz que, “mesmo sendo somente 0,1% das escolas públicas, as unidades cívico-militares tiveram o seu orçamento triplicado”. O valor passou de R$18 milhões para R$64 milhões, o dobro do previsto para o Novo Ensino Médio.

Trata-se de um dos dez maiores orçamentos discricionários da educação básica e mostra como o autoritarismo anda de mãos dados com o uso indevido do dinheiro público. E é justamente essa promessa de injeção de dinheiro nas escolas públicas abandonadas pelo Estado que leva muitas comunidades escolares se sujeitarem a qualquer tipo de gestão, mesmo essas, as militarizadas, comprovadamente despreparadas para lidar com crianças e adolescentes no ambiente escolar e que não entende nada de aprendizagem e pedagogia.

 

Gestão compartilhada é incompatível com a gestão democrática

As gestões militarizadas têm comprovado que, pedagogicamente, são um fracasso e são também um mecanismo para desincompatibilizar a gestão democrática, uma forma de extinguir a categoria de professores, uma maneira autoritária de privatizar a educação pública e de o setor privado se apropriar dos equipamentos públicos, como os prédios, os objetos e, principalmente, os recursos financeiros públicos da educação.

Só este ano, a Polícia Militar (PM) que atua nas escolas militarizadas do Distrito Federal já agrediu estudantes, gestores e professores de várias formas e, mais do que isso, afrontou a gestão democrática. A mais recente ação violenta ocorreu no Centro Educacional 01 da Cidade Estrutural (CED 01 Estrutural). Nessa segunda-feira (30/5), um PM utilizou spray de pimenta, uma chave de braço e as algemas para imobilizar um adolescente que brigava com outro estudante.

Na manhã desta quarta-feira (1º), o governo Ibaneis anunciou que toda a equipe “disciplinar” da escola foi afastada. No entanto, a solução é só uma: desmilitarizar a escola e acabar com a tal “gestão compartilhada” e devolver os policiais para os Batalhões Escolares para prevenirem o crime nas ruas.

 

Essas agressões não ocorrem somente no CED 01 da Estrutural. Ocorre em todas. Um exemplo é o vídeo de uma confusão entre estudantes e policiais militares no Centro Educacional 07 de Ceilândia (CED 07), uma das escolas militarizadas do DF, que viralizou nas redes sociais em abril de 2019. Nas imagens é possível ver o momento em que um PM empurra o adolescente e ele cai no chão. Em seguida, outros militares e estudantes se aproximam do adolescente. O vídeo ainda mostra um outro militar por cima do aluno que está no chão. Um segundo militar se aproxima e a gravação acaba.

 

 

CED 01 da Estrutural sufocado entre ameaças, agressões e medo

No início de maio, um policial militar ameaçou “arrebentar” um estudante de 14 anos. A ameaça ocorreu durante um protesto dos estudantes contra a exoneração da vice-diretora Luciana Pain, que critica, com razão, a gestão autoritária na escola pública. Essa não é a primeira ocorrência de violência da PM contra a comunidade escolar. O CED 01 é um exemplo do fracasso da militarização das escolas públicas.

A militarização destruiu o processo pedagógico desenvolvido pela rede pública de ensino do DF. No ano passado, o Sinpro-DF teve de divulgar uma nota de repúdio contra o assédio moral contra professores(as). A PM obrigou a vice-diretora, Luciana Pain, retirar o mural sobre o Dia Consciência Negra em que estavam expostas imagens que denunciavam atitudes racistas da PM; em uma delas, um PM aparece com uma suástica. As ilustrações foram feitas pelos estudantes.

As turmas de 8º e 9º Anos do Ensino Fundamental, a convite do professor de história, expressão reflexões e sensações acerca do Dia da Consciência Negra por meio de charges encontradas, principalmente, na Internet. Os(as) estudantes atenderam e construíram o mural na área comum da escola, onde exibiram os resultados do trabalho. Segundo os(as) professores(as), essa prática pedagógica não é nova, não é exclusiva do CED 01 e, ao contrário da militarização, gera bons resultados na construção de diálogo e trocas entre estudantes e entre eles(as) e seus(as) professores(as).

Mas o tenente e diretor disciplinar da escola se incomodou com os trabalhos, que abordavam a violência e, dentre elas, as abordagens racistas dos policiais, e mandou a vice-diretora, professora Luciana Pain, retirar os trabalhos dos murais. Após isso, o deputado federal bolsonarista Heitor Freire, do PSL do Ceará, invadiu o CED 01, acompanhado de uma assessora, não se apresentaram ao corpo pedagógico da escola e filmaram a vice-diretora sem o consentimento dela. O parlamentar também tentou intimidá-la e fez ameaças do tipo “você vai cair” quando ela lhe informava qual o procedimento formal para registrar reclamações e questionamentos. 

 

Militarização substituiu a aprendizagem pelo terror

Aliás, a primeira atitude dos gestores militares do CED 01 foi perseguir a cultura e a história da população negra. À revelia do desejo da comunidade e das recomendações pedagógicas, apagaram a identidade da juventude da classe trabalhadora dos muros internos e externos da escola. Com uma tinta branca, retiraram das paredes do CED 01 o “mural de inclusão”, pintado por artistas da Estrutural. O obscurantismo prosseguiu para dentro da unidade e apargaram também a imagem de Nelson Mandela.

A militarização conseguiu acabar com o ambiente escolar e transformou o local em um espaço sombrio, triste e vazio de conhecimento. A relação profissional de empatia entre professores deu lugar ao assédio moral, ao ódio, à delação, à traição entre colegas. O CED 01 hoje está refém do medo.

Esse modelo de Estado policial dentro das escolas públicas foi adotado para substituir o ensino-aprendizagem pelo terrorismo, instituir o assédio moral, a perseguição e a pressão sobre os(as) professores(as) e “naturalizar” o uso de agressões físicas e ameaças a estudantes na infância e adolescência. A ideia é adestrar todo mundo para baixar a cabeça perante os abusos dos governantes autoritários.

Caravana da cultura em defesa das Leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc 2 chega a Brasília

O Distrito Federal será o palco de uma grande manifestação contra os vetos de Jair Bolsonaro aos Projetos de Lei Paulo Gustavo e Aldir Blanc 2. Uma caravana da cultura com a participação de vários artistas chega a Brasília, nesta quarta-feira (1º/6), e, na quinta (2), realizará uma articulação presencial junto aos(às) parlamentares para que derrubem os vetos de Bolsonaro às Leis da Cultura.

 

A análise dos vetos do Presidente da República está prevista para ocorrer, nesta quinta-feira (2), pelo Congresso Nacional. O Sinpro-DF e demais organizações culturais do País convidam a todos e todas a pressionar os(as) parlamentares pela derrubada dos vetos.

 

A caravana nacional reúne artistas, técnicos, produtores, ativistas, gestores estaduais, municipais, coletivos, entidades e movimentos sociais. Na articulação presencial junto aos(às) parlamentares e líderes de bancadas visa a garantir um número expressivo de votos para derrubada dos vetos às Leis da Cultura.

 

Os artistas e os mais de 300 mil trabalhadores(as) da cultura, bem como todos os movimentos sindical, docente, estudantil e sociais estão em alerta e em estado permanente de mobilização para a derrubada dos vetos da cultura.

 

O Sinpro convida a todos e todas a pressionarem agora os(as) líderes de bancada no Congresso pelo link: https://bit.ly/nao_ao_veto

Venha e contribua para esta conquista histórica da cultura brasileira!

 

#DerrubarVetos

#DerrubaVetoLeiAldirBlanc2

#DerrubaVetoLeiPauloGustavo

Em vídeo que circula na TV aberta, Sinpro convoca para assembleia dia 1º

O Sinpro dá seu recado também através da TV aberta! No vídeo, o sindicato alerta a toda a população do DF que os profissionais da educação estão com os salários congelados há 7 anos, e que a educação pública no DF encontra-se abandonada pelo governo: são turmas superlotadas, faltam professores(as) e a escola pública tem sido frequentemente desvalorizada!

Confira a vinheta que convoca a categoria para a assembleia geral com paralisação desta quarta-feira, 1º de junho, às 9h30min, no estacionamento da Funarte. Participe!

TV Sinpro apresenta, nesta quarta (1º), minidocs sobre a parceria com MPT e a entrega de tablets nas escolas

Dois minidocumentários disponíveis no canal do YouTube do Sinpro-DF, que mostram como a parceria do sindicato com o Ministério Público do Trabalho (MPT) assegurou o acesso às aulas remotas a estudantes de baixa renda nos 2 primeiros anos da pandemia da covid-19, serão o tema do reprise do TV Sinpro desta quarta-feira (1º/6), às 19h, transmitido pelas redes sociais do sindicato e da TV Comunitária de Brasília.

Não é novidade que a pandemia do novo coronavírus foi usada por vários governos neoliberais no mundo para mudar a história de milhares de pessoas para pior. No Brasil não foi diferente. Nos governos neoliberais de Jair Bolsonaro e Ibaneis Rocha, centenas de milhares de estudantes de escolas públicas perderam o acesso à educação. Nunca se viu uma evasão escolar tão devastadora.

Em 2020, o Sinpro fez um levantamento da situação no Distrito Federal e mostrou que mais de uma centena de estudantes da rede pública ficou de fora do acesso às aulas virtuais por causa da completa falta de equipamentos de informática e de acesso à Internet. Em vez de seguir o exemplo dos países desenvolvidos, que forneceram equipamento para quem ainda não os tinha e asseguraram o direito à escola a seus povos, os governos Bolsonaro e Ibaneis usaram o dinheiro público da Educação para objetivos privados e deixaram as crianças e adolescentes sem o direito fundamental.

Nos dois minidocumentários (minidocs), que já circulam desde o início de maio no canal do YouTube do Sinpro, a entidade mostra como a parceria com MPT foi providencial para minimizar esse estrago na vida das crianças e adolescentes. Eles mostram a alegria e o alívio das mães, avós, pais, professores e, sobretudo, dos próprios estudantes durante a entrega de tablets em escolas públicas.

A entrega foi realizada entre setembro de 2020 e junho de 2021 em escolas situadas em regiões administrativas do Distrito Federal com estudantes, confirmadamente, excluídos do acesso ao direito de estudar por não terem equipamento tecnológico. O Governo do Distrito Federal (GDF) não investiu o dinheiro público na provisão incondicional desses instrumentos de inclusão educacional. 

Muitos(as) estudantes de famílias que vivem na pobreza ou extrema pobreza foram empurrados para a evasão escolar durante a pandemia. Um levantamento da organização “Todos Pela Educação” de dezembro de 2021 indicou que 244 mil crianças de 6 a 14 anos estavam fora da escola no segundo trimestre no Brasil: um aumento de 171% nos índices de evasão escolar. 

Os minidocs mostram como o Sinpro e o MPT atuaram rápido para driblar essa realidade no Distrito Federal e retratada a união do sindicato com o ministério para distribuir tablets com Internet para estudantes de baixa renda que não tinham acesso às aulas remotas. Os links para os documentários podem ser acessados no final desta matéria.

 

As histórias desta edição são comoventes, imperdíveis e uma lição de compromisso e vida! Não perca o TV Sinpro dia 1º de junho, às 19h, nos canais da TV Comunitária, e, ao vivo, no Youtube e no Facebook do Sinpro.

 

https://youtu.be/aKrty74Dm4I

 

 

https://youtu.be/sDhKLOxhH28

“Outro lugar na Solidão” será lançado nesta 5ª-feira (2/6)

Da esquerda pra direita: Marcelo Linhares, Adriana Kortlandt e Marcelo Capucci

É nesta quinta-feira (02/06), no Sebinho (406 Norte), a partir das 17:30, o lançamento presencial de “Outro Lugar na Solidão”, romance de Marcos Linhares, Marcelo Capucci e Adriana Kortlandt. A obra é o quarto fruto desse trio de autores, que criou a Calidt Literária, um escritório de produção textual, uma ação de criação coletiva de obras para tv, cinema, streaming e impresso.

“Giacomo e Nonata vão viver uma história de amor nos tempos do Coronavírus, nos tempos do superfaturamento de equipamentos de proteção, corrupção endêmica no sistema de saúde local. O entrelaço de suas vidas acontecerá par e passo com descobertas que provocam loopings na vida de qualquer pessoa: O pai de Giaco é o prefeito e protagonista dos roubos e do uso da máquina pública para enriquecimento pessoal, a mãe de Giaco dedica sua vida a ocultar segredos de família, e para tal não há limites. Enquanto cada personagem lida com as consequências de escolhas passadas que moldam destinos como “canyons”, por onde eles descem de caiaque, o vírus se alastra e impõe medidas que colocam frente a frente duas características humanas: a solidariedade e a ganância.

Marcos Linhares explica que poder falar de amor na maturidade é algo fantástico. “Temos sempre que superar nossos medos e limitações e sempre é tempo para construirmos novos caminhos”, enfatiza o autor, que também é jornalista.

Marcelo Capucci não esconde a alegria de poder voltar a fazer lançamento de obras presencialmente. “Senti falta desse olhos nos olhos com os nossos leitores. Em tempos de ansiedade, tristeza, lançar um romance é algo que nos enche de satisfação e esperança”, afirma o escritor, que também é professor da SEEDF e baterista da banda Plebe Rude.

Adriana Kortlandt considera essa experiência de produção coletiva de textos muito significativa. E também não esconde a satisfação de poder autografar em Brasília, visto que fica dividida entre o Distrito Federal e a França, onde também possui residência. “É tudo tão surpreendente e novo que o arquivo de textos que estamos produzindo virou para mim uma caixinha de jóias”, comemora a autora que ganhou o International Latino Book Awards de 2018, com “A casa da vida” como “Melhor Livro de Não Ficção em Língua Portuguesa”.

 

A história

Marcos Linhares explica que a ideia do folhetim veio com a chegada da pandemia de COVID-19. “Resolvemos escrever um romance ambientado nessa turbulência, mas não queríamos que fosse um diário da tragédia, queríamos uma história de amor entre dois médicos com 64 anos, ainda na ativa, na linha de frente de hospitais de suas cidades, e tudo isso acontecendo ao mesmo tempo”, revela Linhares.

Marcelo Capucci recorda as primeiras discussões. “Pensamos em escrever essa saga de dois médicos idosos e viúvos que se apaixonam em meio ao colapso sanitário e hospitalar ocasionado pelo Coronavírus… A história ganhou personagens, contornos dramáticos, traição, assassinatos, enfim… Um thriller bem interessante. Depois disso, claro, juntamos tudo e agora lançaremos a obra impressa. Foi intenso o processo”, brinca Capucci, que tem que conciliar a literatura com a vice-direção do CED Casa Grande.

Adriana Kortlandt, que também é psicóloga, traz muitas memórias e experiência na construção da obra.”Minha avó me contava a história de que, durante a Gripe Espanhola, ela e seus vizinhos saíam para comprar o jornal e se reuniam para ler juntos os folhetins da época. Com a pandemia da covid-19, estamos de novo necessitados dessas pausas da literatura, de momentos como esse que nos ajudem também a refletir sobre o que estamos vivendo e a ultrapassar essas dificuldades. Espero que a história que contamos ajude a momentos como esse, sempre que necessário”, pontua a escritora.

“Outro lugar na solidão” conta uma história de amor na maturidade da vida de duas pessoas, Nonata e Giacomo. Exatamente quando pensam que sentimentos e sensações mais simples e básicos da vida não lhes afetam mais, eles irrompem. Giacomo e Nonata vivem uma história de amor nos tempos do Coronavírus, nos tempos do superfaturamento de equipamentos de proteção, corrupção endêmica no sistema de saúde local. O entrelaço de suas vidas acontecerá par e passo com descobertas que provocam loopings na vida de qualquer pessoa: O pai de Giaco é o prefeito e protagonista dos roubos e do uso da máquina pública para enriquecimento pessoal, a mãe de Giaco dedica sua vida a ocultar segredos de família, e para tal não há limites. Enquanto cada personagem lida com as consequências de escolhas passadas que moldam destinos como “canyons”, por onde eles descem de caiaque, o vírus se alastra e impõe medidas que colocam frente a frente duas características humanas: a solidariedade e a ganância.

 

Os autores

Marcos Linhares publicou obras de estilos diversos, com livros de poemas, crônicas, contos, jornalismo esportivo, jornalismo literário, jornalismo policial, jornalismo cultural e biografias. É autor de 12 livros e preside o Sindicato dos Escritores do Distrito Federal (Sindescritores) desde 2015. Está em fase de captação de recursos para o filme Fuga espetacular, baseado em um dos casos de seu livro Não existe crime perfeito, sobre investigações policiais em Brasília. Radicado em Brasília, dá palestras em unidades de internação para jovens que cumprem medidas sócioeducativas e em escolas rurais, levando a literatura como ferramenta de emancipação, de sonho, de esperança. Ganhou o International Latino Book Awards, em 2016, em Los Angeles, com o livro Faço, Separo, Transformo ( escrito em parceria com Marcelo Capucci). Em 2016, coordenou a 32ª Feira do Livro de Brasília. Atualmente, é o curador-geral da 36ª Feira do Livro de Brasília (FeLiB), vice-presidente do Sindescritores e coordenador-geral da programação cultural da Biblioteca Demonstrativa do Brasil Maria da Conceição Moreira Salles.

Adriana Kortlandt mora na França e, além de escritora, é também psicóloga. Começou a escrever anotando sonhos. Escreveu seu primeiro livro, Almagesto – contos anímicos , com algo desta atmosfera imaginosa. Depois vieram outros livros: Fios da Memória – um guia para escrever de si – livro sobre identidade feminina, escrito em parceria com Helena Silveira; Eu sou confiável? Reflexões sobre a autocorrupção, em parceria com Fauzi Mansur. Os artigos de opinião escritos ao longo dos anos em vários jornais brasileiros estão compilados no livro O refúgio das borboletas, e apresentam reflexões sobre temas do cotidiano, sempre pelo viés da psicologia, profissão que exerce há décadas. A casa da vida conta a história de uma mulher inacreditável, literalmente: Maria da Glória Nascimento de Lima, a Glorinha, que acolheu crianças abandonadas pelos pais e pelo Estado ao longo de uma vida. A parceria com Marcos Linhares e Marcelo Capucci surgiu com a série infanto-juvenil “Mayra”, cujo primeiro volume será lançado em breve.

Marcelo Capucci é pedagogo e especialista em Educação Ambiental, suas experiências como professor de escola pública o levaram à literatura. A arte das letras é outra faceta do músico e baterista da banda punk de Brasília Plebe Rude. Publicou seu primeiro livro Faço, Separo, Transformo… em parceria com Linhares em 2015. A obra ganhou o International Latino Book Awards, em 2016, na categoria melhor livro infantil em português. Também com Linhares e Adriana Kortlandt, escreveu a série infantojuvenil “Mayra” (ilustrada por Cerino), além de “O doce delírio de minhas idéias” e o intrigante Síndrome do (Não) Lugar no Mundo.

Animes e educação – tudo a ver

A palestra do professor David Leonardo Teixeira no Anime Summit foi bem empolgante. Entusiasta de videogames e animes, ele demonstrou a relação entre as histórias dos animes e lições de educação, relação professor-aluno e uma série de valores éticos e morais que o professor pode trabalhar em sala de aula com os alunos.

“Os animes, como um todo, são sempre recheados de muitos valores, como determinação, disciplina, superação, resiliência. A partir desses valores, cria-se um vínculo entre pessoas de diferentes pontos de vista. Além disso, os animes trazem uma relação muito honrosa e de solidariedade entre professores e estudantes, e o impacto disso na vida desses atores. Então, é importante trazer os animes para dentro dos nossos processos de ensino aprendizado e para as nossas relações”, explicou o professor ao site do Sinpro.

Durante a palestra no Anime Summit, ocorrido no Parque da Cidade de Brasília na última sexta-feira (27/5), o professor lembrou de como os animes valorizam as escolas e o aprendizado. Contou de um personagem cujo superpoder é a ciência: “o Dr Stone, de Fantástico anime, é um cientista, e usa os conhecimentos científicos para resolver os casos”, conta David.

Para o professor, um dos lemas do Anime “Hero Academia” é uma ode à relação professor-aluno. A expressão “plus ultra” é latina, e significa “vá além”. “É tudo o que um professor espera de seu aluno: que ele vá além, que ele se supere, dê o melhor de si e consiga vencer na vida”.

David Leonardo Teixeira é professor de Educação Física e um apaixonado por jogos eletrônicos. Há pelo menos meia década ele desenvolve projetos da modalidade para estudantes das escolas públicas do DF. O professor atua na rede pública de ensino desde 2013, em regime de contratação temporária, e desde 2014 como efetivo.

Comissão geral na CLDF mostra que novo ensino médio já fracassou

Na última quinta-feira, dia 26 de maio, uma comissão geral convocada pelo Bloco Sustentabilidade e Educação da Câmara Legislativa do DF (CLDF) demonstrou que todas as preocupações dos movimentos da área da educação quanto ao “novo” ensino médio (NEM) se confirmaram. E pior: outros problemas se somaram àqueles que tinham sido previstos. A reunião foi presidida pelo deputado distrital Reginaldo Véras, e contou com a participação dos deputados distritais João Cardoso (Avante) e Leandro Grass (PV) e da subsecretária de Educação Básica, Solange Foizer. A diretora do Sinpro Rosilene Corrêa também integrou a mesa, expondo a visão da categoria, e professores(as) e estudantes das escolas onde o projeto começou a ser implementado de modo piloto foram convidados a dar seu testemunho.

As galerias da CLDF estavam tomadas por estudantes, os principais atingidos pelas mudanças. Os relatos ali compartilhados não deixaram dúvidas: o NEM tem uma orientação privatista, de sucateamento da educação pública. Não há remédio ou forma de melhorar a implementação, a única solução é a revogação.

A forma como o projeto foi apresentado à sociedade e imposto à comunidade escolar representa bem o seu cunho autoritário. A proposta veio à tona – e por medida provisória – durante o governo golpista de Michel Temer, em meio aos cortes de orçamento e o teto de gastos imposto pela Emenda Constitucional 95. “O contexto dessa reforma é de muitos ataques à educação”, disse a diretora do Sinpro Rosilene Corrêa. “Como uma proposta que retira conteúdos em vez de acrescentar pode ser boa?”, indagou ela.

No debate realizado na Câmara Legislativa, ficou nítido que o que está sendo oferecido, na realidade, não é o “aprofundamento” em uma área, conforme vende a propaganda governamental, mas sim, o acesso a um conhecimento em detrimento de outro. Os itinerários a serem percorridos pelos estudantes não são apresentados integralmente a todos: as escolas não são obrigadas a oferecer todos eles. Pior: as escolas públicas sequer dispõe das condições, estrutura e recursos necessários para oferecer todos eles.

Dessa forma, as desigualdades sociais e regionais são aprofundadas: em regiões pobres, itinerários mínimos; em regiões ricas, uma oferta ampla e diversificada. “A escola particular talvez tenha condição de garantir a oferta, mas essa não será a realidade da escola pública. Então, os nossos estudantes ficarão excluídos do conjunto das possibilidades”, destacou Rosilene. “O que se apresenta pra eles não é soma, é substituição, e substituição de coisas importantes”, completou.

Uma das estudantes que apresentou seu depoimento revelou que, embora a área que ela buscasse fosse a da biologia, um sorteio a encaixou na área de química. “E agora eu estou em linguagens”, contou ela. Ou seja, a farsa da autonomia e da liberdade de escolha esbarra na retirada de recursos das escolas públicas e na dificuldade de estrutura para garantir as ilusões criadas. Os jovens não efetuam, de fato, uma escolha – afinal, só seria escolha se a oferta fosse ampla -, e ainda são alijados de conteúdos que seriam fundamentais para compor seu conhecimento e sua futura trajetória em qualquer área. “Imagina qual será a realidade nas escolas do campo”, convidou um estudante.

Os professores e professoras que deram seu testemunho apontaram a falta de diálogo e de comunicação. As lacunas na execução da proposta surgiram desde o primeiro momento da implementação nas escolas-piloto. Os sistemas não estavam preparados sequer para os diários de classe. “É como andar sem bússola”, comparou um professor, ressaltando que a falta de informação e de estrutura faz com que todos se sintam perdidos.

A mudança repentina e sem preparação da organização semestral para a bimestral também foi muito criticada. E toda essa mudança se deu em meio a uma pandemia que ceifou a vida de mais de 660 mil brasileiros e brasileiras, sendo 11,6 mil no Distrito Federal. “Como promover uma mudança desse porte, sem diálogo, com cortes orçamentários e ainda em meio a uma pandemia que nos jogou no ensino remoto?”, foi o questionamento de muitos.

A comissão geral mostrou inequivocamente que o projeto de “novo” ensino médio não apenas não corresponde à ideia de inovação, como reforça o sucateamento da educação pública, abrindo caminho para a consolidação de um projeto de privatização. A esta altura do campeonato, a saída permanece sendo a mesma: revogação já.

Abaixo, a sessão na íntegra:

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA O XII CONCURSO DE REDAÇÃO E DESENHO DO SINPRO

“Semana de Arte Moderna: 100 anos depois – O 22 de agora é mais que eu, somos nós” é tema do XII Concurso de Redação e Desenho do Sinpro-DF. A atividade, direcionada a estudantes da rede pública de ensino, é gratuita. As inscrições já estão abertas pelo link  a seguir:

 

https://sinpro25.sinprodf.org.br/xii-concurso-de-redacao-e-desenho-do-sinpro-df/

 

 

Nesta edição, é feita a reflexão de que o movimento artístico que rompeu com a formalidade e deu um grito por liberdade centrado no “eu” agora é contextualizado com o “nós”. O 22 de hoje traz a arte-resistência que transpõe a estética e se enraíza no social; realizada na periferia, pelo povo pobre, preto, marginalizado.

“A arte é uma das maneiras mais eficazes de denunciar a opressão, os interesses escusos de governos, as atrocidades feitas com um povo. Ao mesmo tempo, a arte também é uma das principais ferramentas de conscientização da população que, a partir do lúdico, pode compreender definitivamente a atuação das classes dominantes”, analisa a coordenadora de Imprensa e Divulgação do Sinpro-DF, Letícia Montandon.

Ela explica que o espaço da escola é determinante para que a arte-resistência seja valorizada e visibilizada. “A partir das redações e desenhos queremos despertar nos estudantes e nas estudantes da rede pública de ensino a importância da arte e da cultura na construção de uma sociedade justa, plural; democrática. No centenário da Semana de Arte Moderna, queremos ressaltar que o hoje quer a periferia em vez de elitismo, o protagonismo do povo preto em vez de racismo; as mulheres organizadas em vez de machismo, o povo indígena em vez de latifúndio, a comunidade LGBTQIA+ em vez de preconceito; a juventude afrontosa em vez de autoritarismo. E é a educação libertadora que traçará esse destino”, diz a sindicalista.

O Concurso de Redação e Desenho do Sinpro-DF integra a campanha “Quem bate na escola maltrata muita gente”.

Inscrições

Podem participar do XII Concurso de Redação e Desenho do Sinpro-DF “Semana de Arte Moderna: 100 anos depois – O 22 de agora é mais que eu, somos nós” os estudantes de escolas públicas do ensino regular, ensino especial, Altas Habilidades e EJA (Educação de Jovens e Adultos), incluindo estudantes do Sistema Socioeducativo ou do Sistema Prisional. As inscrições vão de 4 de abril a 10 de junho.

>> ACESSE AQUI O REGULAMENTO DO XII CONCURSO DE REDAÇÃO E DESENHO DO SINPRO-DF

Embora as inscrições só possam ser feitas pela internet, a entrega do trabalho poderá ser feita digital ou presencialmente, na sede ou em uma das subsedes do Sinpro-DF.

O trabalho deve ser entregue em folha específica disponível para download no site do Sindicato, junto com autorização para utilização do trabalho concorrente em qualquer peça de comunicação do Sinpro-DF. O modelo de autorização também está disponível no link da inscrição.

O regulamento do concurso divide a apresentação de trabalhos em sete categorias, nas modalidades redação/poesia e desenho. Para cada faixa etária/segmento há regras específicas, como, por exemplo, quantidade mínima e máxima de linhas para a redação.

Premiação
Nesta edição, serão premiados os três primeiros lugares de cada categoria. Em todas elas, o 1º lugar receberá um aparelho celular Samsung Galaxy A12 64GB; o 2º será premiado com um aparelho tablet Samsung Galaxy Tab A7 lite 32GB 4G; e o 3º lugar leva um aparelho celular Samsung Galaxy A02 32GB. Estudantes do Sistema Socioeducativo ou do Sistema Prisional poderão ter o prêmio convertido em dinheiro.

Também serão contemplados professores(as) ou orientadores(as) indicados(as) pelos(as) estudantes vencedores(as) de cada categoria, com premiações de R$ 1.200 para o 1º lugar, R$ 500,00 para o 2º lugar e R$ 300 para o 3º lugar.

 

MATÉRIA EM LIBRAS

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Há 7 anos, CEF 407 de Samambaia supera analfabetismo funcional com Projeto de Leitura

Frequentar a escola, assistir às aulas, assinar o próprio nome e ler um livro nem sempre significa que a pessoa esteja entendendo o que está fazendo e que o aprendizado esteja fluindo como deveria. Muitas vezes, crianças e adolescentes passam pelo Ensino Fundamental e Médio sem adquirir e nem internalizar o conhecimento lecionado por falta de habilidades que as capacitem para isso.

 

Números recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) confirmam essa tragédia educacional, com a qual professores(as) e orientadores(as) educacionais das redes pública e privada de ensino convivem todo dia. Em fevereiro deste ano, a ONG Todos pela Educação divulgou estudo segundo o qual 41% das crianças de 6 a7 anos não sabem ler nem escrever, muito embora seja nessa idade que as crianças brasileiras iniciam sua trajetória no mundo das letras e começam, nesse período, a aprender de fato.

 

 

Mesmo assim, a organização diz que esse é o maior índice de analfabetismo registrado no Brasil desde 2012 e que esse recorte de idade ocorreu por causa do Plano Nacional de Educação (PNE), que tem como diretriz curricular a alfabetização de crianças no 1º e 2º Anos do Ensino Fundamental, quando as crianças têm idades entre 6 e 7 anos.

 

 

Analfabetismo funcional na mídia

 

O tema do analfabetismo funcional foi veiculado, nessa segunda-feira (23/5), no Jornal Nacional, da TV Globo, como algo ainda mais grave. Segundo apuração do JN, milhares de estudantes brasileiros chegam ao Ensino Médio sem conseguir ler fluentemente e que mais de 50% chegam ao 3º Ano do Ensino Fundamental sem ter habilidades básicas de leitura.

 

Na matéria, além de mostrar a presidente-executiva da ONG, Priscila Cruz, falando sobre outros dados e atribuindo muito dessa tragédia educacional à pandemia da covid-19, o JN destaca o Projeto de Leitura do Centro de Ensino Fundamental nº 407 da Samambaia (CEF 407 da Samambaia): uma solução pedagógica vitoriosa, que vem retirando muitos estudantes do analfabetismo funcional.

 

O Projeto de Leitura foi criado, em 2015, para ensinar crianças e adolescentes do CEF 407 a ler, entender, compreender e aprender o conhecimento ministrado na escola. Cinco anos antes da pandemia do novo coronavírus, a equipe de docentes da escola pública do Distrito Federal detectou o problema mencionado na matéria do JN e começou a enfrentá-lo.

 

 

Josuel Santos da Silva, professor de história e vice-diretor do CEF 407, é o autor, juntamente com as professoras de língua portuguesa Márcia Videira e Teresa Cunha, do Projeto de Leitura. Ele diz que foi justamente por causa da constatação desse analfabetismo funcional na escola que o elaboraram. “Em 2015 percebemos que um grupo de estudantes de nossa escola estava incluído nessa estatística e resolvemos retirá-los da lista. Criamos o Projeto de Leitura”, conta.

 

“Foi elaborado com a preocupação de criar formas de ensinar o e a estudante a gostar de ler. O projeto foi encampado pela escola e, no início de cada semestre, os(as) professores(as) se unem para escolher um livro de literatura paradidático que será lido por todos em todas as disciplinas juntamente com os estudantes na sala de aula; quer seja na aula de história, geografia, matemática, química”, explica Josuel.

 

Segundo ele, o resultado é extraordinário. “Temos, agora, por exemplo, estudantes se propondo a escrever livros. A proposta é fazer de um grupo de estudantes que tinha dificuldade com a leitura e a escrita a gostar de ler e até a querer ser escritores. Hoje, eles e elas perguntam: ‘professor, como posso escrever um livro?’ Ou seja, se o livro era um objeto afastado numa estante, essa criança agora pensa na possibilidade de ser um escritor, uma escritora”, revela.

 

Do muro ao concreto: do castigo ao prazer de ler

 

 

“Chamamos carinhosamente, entre nós, professores, de Projeto de Leitura, mas a cada ano a gente ajusta o título para a temática do ano. Este ano, o tema está relacionado ao muro da escola em razão da pintura e sua visibilidade, que está vinculada às autoras que trabalhamos nas obras”, anuncia o vice-diretor.

 

Para ele, o muro da escola é uma escolha política. Aliás, o muro e o baobá (foto) são um sinal de resistência ao modelo de gestão militarizada imposto pelo governo Ibaneis Rocha (MDB) em 2019. O Gisno e o CEF 407 foram duas escolas que resistiram a esse modelo de gestão que ocorre em algumas escolas do Distrito Federal, cuja principal ação, quando é instalada, é tolher a liberdade de cátedra, as liberdades individuais e pintar os muros de branco.

 

“Mesmo que a Globo não tenha falado sobre isso, temos lá cinco autoras negras. Mulheres negras, escritoras. E aí temos de pensar em qual é a cor da educação pública. Estamos falando de crianças negras. E na nossa prática lidamos muito mais com as mães. Então quando a gente entra em contado com as famílias, a gente fala com as mães, com as avós. Como é uma forma de representar positivamente essa comunidade. Tanto é que a gente escolheu esse relato de família”, diz Josuel.

 

O vice-diretor conta que, nesses 7 anos, o projeto passou por um amadurecimento que o levou a ter dois princípios básicos: a educação antirracista e a antissexista. “O muro dialoga com esses dois princípios. Agora, estamos construindo um nome temporário que é ‘Do muro ao concreto’. Mas não o concreto do cimento, e sim o concreto da realidade concreta e imediata dos(as) estudantes”, argumenta.

 

Segundo ele, uma das primeiras iniciativas do grupo ao adotar o Projeto de Leitura foi a de mudar a velha e alienante cultura de que salas de leitura são o espaço de castigo das escolas. “A primeira coisa que a gente rompeu foi com essa cultura e instituímos que a leitura não deve ser um lugar de punir estudantes. Pelo contrário, a leitura tem de ser prazerosa. E foi assim que mudamos a cultura de que estudante deve ser punido em sala de leitura.  Conseguimos, em diálogo com os(as) professores(as), superar isso e, em diálogo conosco mesmo, leitores e leitoras, estabelecemos essa nova cultura”.

 

Em 2015, o Projeto de Leitura começou com a preocupação de ensinar a gostar de ler. O problema da deficiência de leitura, da falta de habilidades básicas de leitura entre os estudantes é um diagnóstico detectado muito antes de 2015, de muito antes da pandemia da covid-19. A equipe da 407 já via que os estudantes não liam e que quando liam não entendiam o que liam, não davam sentido ao que liam e alguns copiavam e não davam sentido ao que copiavam. Professores(as) foram vinculando cada vez mais a leitura à docência e superando o problema.

 

A cor da educação pública: uma proposta pedagógica

Gina Vieira, criadora do projeto Mulheres Inspiradoras também esteve no CEF 407
Gina Vieira, criadora do projeto Mulheres Inspiradoras também esteve no CEF 407

 

Os(as) professores(as) aderiram ao projeto e vincularam, cada vez mais, a leitura ao trabalho pedagógico de cada disciplina e à docência de cada um. Assim, quando o projeto nasceu, ele não nasceu como uma coisa à parte do trabalho docente. Ele é parte desse trabalho.

 

“Muitas vezes a gente foca muito no livro paradidático, o livro escolhido no semestre, mas esse projeto de leitura acontece o ano inteiro com o material que a professora e o professor montam com o livro didático, com a escrita do e da estudante, com a elaboração do e da estudante e, muitas vezes, no tempo dele ou dela. Claro que o professor e a professora vão corrigindo e reelaborando essa escrita. Mas, num primeiro momento, valoriza muito a escrita criativa. Por isso que tem aquele relato de estudantes falarem de ter vontade de serem escritores e escritoras”, explica Josuel.

 

Frei Betto e professores no CEF 407
Frei Betto e professores no CEF 407

 

Este ano, o Projeto de Leitura completa 7 anos. Na formatação inicial, de 2015, uma das primeiras obras trabalhadas, foi “O pequeno príncipe”, uma novela escrita pelo aviador aristocrata francês Antoine de Saint-Exupéry. “Escolhemos a tradução de Frei Betto e fomos recebidos por ele, que nos colocou em contato com a editora e com outras possibilidades que refletem até hoje nessa ação pedagógica. Na época, Frei Betto escreveu uma carta para os estudantes da escola que distribuímos para cada um dos estudantes”, conta.

 

Hoje, o projeto trabalha com autoras negras, como Meimei Bastos, de Brasília e moradora da Samambaia, Kiusam de Oliveira, Carolina Maria de Jesus, a nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, dentre várias outras escritoras negras. O CEF 407 vem demarcando uma resistência na educação. Recentemente, a comunidade plantou um baobá (foto) no estacionamento da escola.

 

“Não é acidental. É uma escolha política porque se trata de uma escola que está construindo uma proposta educacional afrocentrada e, por isso, antirracista e antissexista e em diálogo com as Leis nº 10.639/03  e nº 11.645/08, que estabelecem a obrigatoriedade do ensino da cultura e história africana, afro-brasileira e indígena, além de manter um diálogo com o nosso Currículo em Movimento. Assim, plantar o baobá e pintar o muro é uma escolha política”, afirma Josuel.

 

De um Projeto de Leitura que nasceu em 2015 como um trabalho de alguns professores e professoras, ele cresceu de tal forma que, em 2016, foi ajustado e passou a integrar o Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola até o início da pandemia da covid-19, envolvendo o maior número de professores dos turnos matutino e vespertino.

 

Este ano, quando tudo voltou ao normal, presencialmente, o método ainda é utilizado por vários(as) professores(as). Continua sendo um sucesso e segue, há quase uma década, formando novos leitores com habilidades e capacidades para entender o que lê, de escrever textos e até de transformar pessoas com ojeriza à leitura em novos amantes dos livros. O projeto é tão bem recebido pelos(as) estudantes que muitos pedem para a escola os(as) ensinar a ser novos(as) escritores(as).

 

Confira matéria do JN
https://g1.globo.com/jornal-nacional/playlist/jornal-nacional-ultimos-videos.ghtml#video-10602154-id

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