Sinpro 46 anos | O papel das gratificações e auxílios e a importância de sua incorporação

Após a redemocratização do Brasil, momento em que a esperança em dias melhores tomou conta dos corações de brasileiros e brasileiras, os anos 90 chegaram indicando um caminho muito mais tortuoso do que o que se esperava. Foram anos de arrocho salarial, desemprego, retirada de direitos e de investimentos nos serviços públicos, inclusive os essenciais, como educação e saúde.

Para a classe trabalhadora, incluindo os servidores públicos, esse foi um dos momentos da história mais difíceis de  conquistar qualquer mínimo avanço, e até mesmo de manter os direitos recém-conquistados. Assim, a criação de gratificações e de auxílios foi uma resposta de curto prazo e paliativa que o movimento sindical encontrou para reduzir os prejuízos de trabalhadores e trabalhadoras, e foi acionada por diversas categorias.

Para a categoria do magistério público do DF, todas as gratificações criadas nos anos 90 foram resultado de mobilizações e pressão do Sinpro sobre os governos. E depois, suas respectivas incorporações ao vencimento básico, também.

 

 

Gratificações e auxílios

O primeiro plano de carreira da categoria, de 1989, foi modificado várias vezes com a criação de gratificações. Foi nessa conjuntura que o Sinpro lutou insistentemente para conquistar, em 1991, a primeira gratificação da carreira do magistério público: a Gratificação de Regência de Classe (GRC), conhecida como “Pó de Giz”, que, em 2013, tornou-se a Gratificação de Atividade Pedagógica (Gaped).

As mudanças não foram somente de nome: embora a essência fosse a mesma, houve mudanças estruturais importantes para ampliar o número de profissionais com direito a receber esse valor que, ao longo dos anos, também aumentou de 20% para 30% do vencimento básico. Tudo produto da luta organizada.

Em 1992, depois de intensa greve, a atuação do Sinpro garantiu a criação da gratificação por dedicação exclusiva e regime de tempo integral (Tidem). Em processos semelhantes, foram conquistadas as gratificações de alfabetização (GAA), de zona rural (GAZR) e de ensino especial (GAEE). E a Gratificação de Incentivo à Carreira (GIC) foi criada em 2004, com o segundo plano de carreira.

Nos anos 2000, também foram criadas a Gratificação de Atividade de Suporte Educacional (Gase), Gratificação de Atividade de Docência em Estabelecimento de Restrição e Privação de Liberdade (GADERL) e a Gratificação de Atividade de Docência em Estabelecimento de Ensino Diferenciado (GADDED).

Em 2012, foi criado o auxílio saúde que, segundo a lei, existiria até que se criasse o que hoje é o GDF Saúde (plano de saúde dos servidores e servidoras do GDF), o que se concretizou em 2020.

 

 

Quando os avanços vêm

A criação de gratificações foi uma forma de conquistar algum ganho em meio a uma conjuntura de muitos retrocessos, isso lhes traz características específicas. Gratificações e auxílios são mecanismos de complementação salarial, mas frágeis, porque podem ser retirados a qualquer momento, podendo se tornar armadilhas para o governo não reajustar salários, não fortalecer a carreira e achatar as aposentadorias.

A valorização da carreira magistério, que sempre foi uma pauta estrutural do Sinpro, passa pela valorização dos vencimentos, do salário-base, além de exigir plano de carreira sólido e uma política salarial coerente, beneficiando todos os profissionais da carreira.

Por isso, a partir dos anos 2000, a estratégia do Sinpro passou a ser a incorporação das gratificações e auxílios aos vencimentos, o que beneficia toda a categoria – profissionais da ativa e aposentados, substitutos e efetivos, regentes e readaptados.

Um exemplo é a incorporação da Tidem. Sua vigência causava distorções internas à categoria, porque aqueles que tinham duas matrículas, uma de 40 e outra de 20 horas, não eram considerados “com exclusividade”, e portanto, não recebiam a gratificação. Com a incorporação da gratificação ao vencimento, aqueles e aquelas que tinham matrícula de 20 horas tiveram aumento de, em média, a 60%. Além disso, tiveram fim as prolongadas disputas judiciais referentes àqueles e àquelas que eram acusados pelo GDF de receber a gratificação indevidamente.

Duas grandes vitórias recentes do Sinpro foram a incorporação da Gaped e da Gase e do auxílio saúde. A Gaped surgiu como gratificação de regência, e é das mais antigas, remetendo, assim como a Tidem, aos anos 90. Mas ela também criava distorções, por exemplo, não beneficiando professores e professoras readaptados ou sendo paga de forma proporcional para aposentadas e aposentados. Com a incorporação, que está se dando em etapas desde 2023, as distorções foram sanadas, além de gerada segurança jurídica a todos os profissionais.

Já o auxílio saúde durou dez anos, e a previsão legal é de que fosse extinto com o estabelecimento do GDF Saúde. Entretanto, num processo intenso de negociação entre Sinpro e governo, o sindicato insistiu na incorporação do auxílio, para que o valor não fosse perdido. O pleito foi atendido, e o auxílio foi incorporado ao salário em 2022.

 

 

Luta, negociação e resiliência

Nestes 46 anos, o Sinpro soube manter a mobilização da categoria, enfrentando momentos de mais arrocho e mais ataques, e também se preparando para alcançar vitórias quando os tempos são de ascenso das lutas democráticas.

A criação e a posterior incorporação das gratificações e auxílios são uma demonstração de que o Sinpro sempre soube ter estratégias para responder aos diferentes momentos históricos. Essas respostas visaram e visam a proteger a categoria de prejuízos, mas também, de fazer avançarem reivindicações e lutas históricas pela valorização da carreira do magistério público.

 

Campanha Salarial

A extensão de incorporações e a valorização de auxílios integram a Campanha Salarial 19,8%, rumo à meta 17 – pela reestruturação da carreira já!. Quanto à gratificações e auxílio, estão na pauta:

>> Garantia de que a gratificação para coordenador(a) pedagógico esteja constante no plano de carreira, nos mesmos moldes das demais gratificações de exercício;

>> Extensão do pagamento da Gratificação de Atividade de Alfabetização (GAA) para quem atua nos anos iniciais do Ensino Fundamental e Primeiro Segmento da Educação de Jovens e Adultos (EJA);

>> Garantia do pagamento da Gratificação de Atividade de Ensino Especial (GAEE) a professores e orientadores educacionais de escolas regulares que atendam estudantes com transtorno ou deficiência;

>> Criação de auxílio para locomoção dos(as) professores(as) itinerantes entre as unidades de ensino;

>> Equiparação do valor do auxílio-alimentação ao dos servidores(as) da Câmara Legislativa do DF;

>> Garantia de pagamento integral do GDF Saúde, com ampliação do atendimento em rede nacional e inclusão do atendimento aos(às) dependentes ascendentes.

 

 

A valorização da carreira do magistério público é uma condição indissociável da defesa da educação pública de qualidade para todas e todos. É por isso que ela pavimenta a Campanha Salarial 19,8%, rumo à meta 17 – pela reestruturação da carreira já!.  Em 46 anos de história, é na direção dessa valorização que o Sinpro sempre caminhou!

 

>> Leia também: SINPRO 46 ANOS | Cuidar da educação é construir o futuro

 

Edição: Vanessa Galassi

MATÉRIAS EM LIBRAS

Redução da Jornada de Trabalho é pauta prioritária da CUT

A Direção Executiva Nacional da CUT esteve reunida em São Paulo, capital, nos dias 18 e 19 de março, em Seminário de planejamento estratégico, onde foram definidas as principais ações para o próximo período.

No primeiro dia de Seminário, o debate sobre a conjuntura teve a contribuição do jornalista Luís Nassif, que apresentou um breve cenário sobre a tendência mundial de governos de extrema-direita e sua estratégia de destruição do Estado.

Durante a exposição, Nassif ressaltou que esta estratégia visa desmontar o Estado para que ele não mais exerça seu papel de mediador de conflitos e, muito menos, de criador de políticas públicas. Para ele, as táticas da extrema-direita para descreditar o Estado se alicerçam na articulação entre o que ele chama de ferramentas de controle do mundo, que são big techs e o mercado, que comandam a economia mundial.

Para a CUT, esta estratégia, que objetiva enfraquecer o Estado e aumentar os lucros dos detentores do capital, é uma ameaça à democracia e aos direitos humanos e prejudica diretamente os trabalhadores, já que retira direitos, gera desemprego e aumenta a desigualdade social.

Redução da Jornada é destaque entre ações planejadas pela Central

Após dois dias de debates no Seminário, a Direção Executiva Nacional da CUT deliberou sobre diversos temas de interesse da classe trabalhadora, entre eles, a retomada da campanha da Redução da Jornada de Trabalho para até 40 horas semanais, sem redução de salários e apoio à PEC pelo fim da escala 6X1; Justiça Tributária – isenção de IR para quem ganha até 5 mil; atuação da CUT no BRICS e na COP 30; Jornada Nacional de Lutas; 1º de maio, e outros temas importantes para o próximo período.

Confira a íntegra da Resolução da Direção Executiva Nacional da CUT abaixo:

RESOLUÇÃO POLÍTICA DA DIREÇÃO EXECUTIVA NACIONAL DA CUT SOBRE REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO SEM REDUÇÃO DE SALÁRIO E APOIO À PEC PELO FIM DA ESCALA 6X1

 A Direção Executiva Nacional da CUT, reunida nos dias 18 e 19 de março de 2025, considerando o atual contexto da luta de classes na sociedade e as mudanças no mundo do trabalho, reafirma o seu compromisso histórico com a redução da jornada de trabalho sem redução de salário e apoio à PEC pelo fim da escala 6×1 sem prejuízo de direitos da redução da jornada já conquistados por algumas categorias por meio da negociação coletiva e de lutas históricas travadas pelo movimento sindical. A CUT orienta os sindicatos que ainda não conquistaram o fim da escala 6×1 a buscarem por meio da negociação e acordos coletivos essa conquista para todas as categorias profissionais.

Seguindo esse posicionamento histórico, reforçamos a resolução do 14º Congresso Nacional da CUT:

O crescimento e o desenvolvimento do país somente serão possíveis com distribuição de renda, com políticas permanentes de proteção social e de valorização do salário mínimo, com redução da jornada de trabalho sem redução de salários e com o povo brasileiro no orçamento público. Portanto, é preciso retomar com força a luta pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários para garantir aos trabalhadores e trabalhadoras trabalho decente, descanso e vida digna.

Avançar na proposta de redução das jornadas de trabalho sem redução salarial é reconhecer e apontar soluções para problemas históricos gerados pelo capitalismo, visto que as tecnologias sempre eliminaram empregos e a ganância dos capitalistas sempre precarizaram as relações de trabalho. Atualmente os novos arranjos de investimentos já não mobilizam a capacidade produtiva na intensidade em que precisa gerar postos de trabalho, além de dirimir padrões de trabalho tradicionalmente associados às ocupações. A redução das jornadas de trabalho contribui sobretudo no sentido de apresentar uma saída para o problema estrutural de falta de trabalho e postos de trabalhos decentes a toda força de trabalho disponível.

É crucial garantir trabalho a todas as pessoas, que estes trabalhos sejam reconhecidos como relevantes socialmente para toda a comunidade e não fiquem restritos ao circuito de acumulação capitalista, distribuindo empregos para todas as pessoas, ampliando o tempo livre para que a classe trabalhadora possa ter uma vida digna a com qualidade. Além disso, a redução da jornada de trabalho contribui para diminuir a disparidade de gênero, visto que são brutalmente afetadas pela sobrecarga de trabalho, fruto das duplas e triplas jornadas de trabalho.

Os avanços tecnológicos permitem tecnicamente reduzir a jornada de trabalho e este debate deve estar articulado ao debate sobre a distribuição do tempo entre o trabalho e não-trabalho e na própria distribuição das responsabilidades familiares por todos os seus membros, também como uma resposta política ao problema da pobreza, da desigualdade e da precariedade que afeta a maioria da classe trabalhadora.

Nesse sentido, a Direção Executiva Nacional da CUT aprova a retomada de forma permanente da CAMPANHA NACIONAL TRABALHAR MENOS, TRABALHAR TODOS, pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários e orienta todas as suas entidades filiadas a reforçarem a defesa dessa pauta nos espaços de atuação nos locais de trabalho, nos territórios, nas comunidades, nos Comitês de Luta, nas Brigadas Digitais e nas redes sociais, como parte da luta estratégica por trabalho decente, por direito ao descanso e ao lazer, e por vida digna.

Viva a Classe Trabalhadora!

Viva a Central Única dos Trabalhadores!

 

São Paulo, 19 de março de 2025.

Direção Executiva Nacional da CUT

Veja dicas do CNJ para se proteger do golpe do “falso advogado”

 

O golpe do “falso advogado”, que prejudica professores(as) e orientadores(as) educacionais, atinge também trabalhadores(as) de outras categorias. Com a onda de casos desse tipo, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) divulgou orientações para que a população possa se proteger.

Uma das principais dicas do CNJ é: ao receber qualquer mensagem solicitando pagamento ou transferência para liberação de crédito judicial, não se deve realizar o pagamento. Em seguida, a pessoa deve entrar em contato diretamente com seu advogado ou escritório de advocacia por meio de canais oficiais previamente conhecidos. 

No caso de tentativas de golpe relacionadas a ações do Sinpro, é essencial entrar em contato com a assessoria jurídica da entidade. O Sindicato ainda reforça que não solicita pagamentos para a liberação de precatórios.

“É importante que a gente siga as instruções do Sinpro e do CNJ para que não tenhamos mais prejuízos com golpes. Estamos à disposição para sanar qualquer dúvida”, alerta o diretor do Sindicato Dimas Rocha.

O golpe

No golpe do “falso advogado”, os criminosos se passam por advogados ou representantes de escritórios de advocacia para enganar e extorquir dinheiro de beneficiários de supostos créditos judiciais. Os golpistas entram em contato por meio de diferentes números de telefones (fixos e celulares) e solicitam transferências de valores, especialmente via PIX, para a “liberação” de recursos financeiros. 

Para dar credibilidade à fraude, os criminosos utilizam informações pessoais da vítima, como nome completo e CPF, além de mencionar nomes de advogados reais e números de processos.

Nos golpes aplicados em professores(as) e orientadores(as) educacionais da rede pública de ensino, os criminosos se passam por funcionários do escritório Resende Mori Hutchison Advocacia e Ribeiro e Guedes Advogados (que prestam serviços ao Sinpro).

 

Confira as dicas do CNJ de como se proteger:

 

 

Verifique a identidade: Entre em contato diretamente com o advogado ou escritório pelos canais oficiais;

Não realize pagamentos sem confirmação: Antes de transferir qualquer valor, certifique-se da autenticidade da solicitação;

Cuidado com mensagens suspeitas: Desconfie de pedidos urgentes vindos de números desconhecidos;

Confirme pessoalmente: Sempre que possível, vá ao escritório do advogado para validar informações;

Denuncie: Se for alvo de um golpe, registre um boletim de ocorrência e informe a OAB. 

 

Edição: Vanessa Galassi

 

INAS disponibiliza demonstrativo para declaração de IR; saiba como acessar

Está disponível o Demonstrativo do Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores do Distrito Federal (INAS) para a declaração do Imposto de Renda (IR) ano base 2024. Professores(as) e orientadores(as) educacionais da rede pública de ensino beneficiários(as) do GDF Saúde já podem gerar o relatório.

O documento serve para comprovar os gastos com saúde e, assim, poder abater esses valores do cálculo do imposto de renda devido.

Veja o passo a passo para acessar o demonstrativo:

1. Acesse a Área do Beneficiário GDF Saúde (https://gdf.maida.health/sso/login) e faça o login usando o seu CPF e senha de acesso. Caso tenha esquecido a senha, entre em contato com a central do INAS pelo telefone (61) 3521-5331 e solicite o cadastramento de nova senha

2. Clique em cobrança

3. Em seguida, clique em gerar relatório

4. Pronto, agora é só imprimir ou gerar um arquivo em PDF

Fundo Positivo divulga pesquisa sobre HIV/AIDS de 19 a 21 de março; participantes terão certificado

O Sinpro convida professores(as) e orientadores(as) para os eventos de divulgação dos resultados da pesquisa do Projeto Amor+, etapa Centro-Oeste. Serão emitidos certificados de participação, que poderão ser somados aos cursos que contam para progressão de carreira da categoria. O estudo foi realizado pelo Fundo Positivo, em parceria com o coletivo Mães da Resistência. As atividades acontecerão em Brasília, de 19 a 21 de março.

O Projeto Amor+
O Projeto Amor+ realizou a coleta de dados oficiais sobre pessoas vivendo com HIV/AIDS no Brasil para subsidiar a análise e discussão com gestores(as) das políticas públicas de prevenção e tratamento de HIV/AIDS.
A ideia é fazer um trabalho em rede, promovendo a conscientização dos poderes executivo, legislativo, judiciário, da militância e das famílias em geral sobre a necessidade de mitigação do estigma e do preconceito que afeta a população LGBTQIA+ vivendo e convivendo com o HIV/AIDS.

Veja as datas
19/03 (Quarta-feira), às 10h: Lançamento da Cartilha do Projeto, no Pleno da 10º reunião do Conselho Nacional dos direitos das Pessoas LGBTQIA+.

20/03 (Quinta-feira), às 10h: Audiência Pública na Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do DF sobre as políticas públicas de HIV/AIDS no Distrito Federal e em Goiás.

21/03 (Sexta-feira), das 9h às 12h: Painel com o tema “O direito ao cuidado: por uma sociedade sem estigmas”, na Biblioteca Demonstrativa de Brasília.

21/03 (Sexta-feira), das 14h às 17h: Workshop “AcolheZine”, com relatos de pessoas vivendo com HIV/AIDS, seguido de oficina de produção de fanzine sobre o tema, na Biblioteca Demonstrativa de Brasília.

Observação: Serão emitidos certificados de participação somente para as duas atividades (painel e workshop) de sexta (21/3).

40 ANOS DA REDEMOCRATIZAÇÃO | Sinpro: compromisso histórico com a democracia

 

Há exatos 40 anos, em 15 de março de 1985, o Brasil abria caminhos para a retomada da democracia. A data, que marca a posse de José Sarney na Presidência da República, simboliza também o fim de 21 anos de ditadura militar e o início de um processo que restabeleceria direitos políticos e sociais duramente reprimidos pelo regime militar. Naquele contexto, a luta pela democracia contou com a participação ativa do Sinpro, que se colocou na linha de frente na defesa dos direitos da classe trabalhadora e do ensino público de qualidade.

Para Rejane Pitanga, ex-dirigente do Sinpro e participante ativa das lutas pela redemocratização, essa história de resistência e mobilização da entidade deve ser lembrada e fortalecida. “Em plena ditadura militar, o Sinpro sempre esteve junto das lutas gerais da classe trabalhadora, seja na educação, na saúde ou em outras categorias. Durante esse processo [das Diretas Já!], o sindicato promoveu debates nas escolas, panfletagens e participou de atos”, relembra.

Ela ressalta que o Sinpro tem uma trajetória marcada pelo compromisso com a prática democrática e que, durante a mobilização pelas Diretas Já! e todo o processo de redemocratização, a entidade esteve ao lado de movimentos sociais, sindicatos e organizações que reivindicavam eleições livres, respeito às instituições e justiça social.

Rejane reforça que essa luta precisa continuar. “O sindicato sempre fez uma reflexão política sobre os projetos em disputa, respeitando a decisão de cada trabalhador, mas o Sinpro sempre teve lado e tem lado. E o que está em jogo agora é que tivemos a eleição de um governo democrático e popular, e é preciso atuar para que a extrema direita não ocupe esse espaço. Precisamos avançar e não retroceder.”

Quatro décadas depois, o Brasil vive uma nova conjuntura, mas enfrenta desafios que remetem a um passado sombrio. Os ataques à democracia, à educação pública e aos direitos da classe trabalhadora se intensificam com a atual composição do Congresso Nacional, colocando em risco conquistas históricas, como a liberdade de cátedra.

A redemocratização foi uma conquista do povo brasileiro, e a defesa da democracia continua sendo uma tarefa permanente das organizações, dos movimentos sociais e sindicais. O Sinpro se mantém firme nesse compromisso, consciente de que o avanço social e educacional depende da preservação e do fortalecimento das instituições democráticas e da proteção da classe trabalhadora. Aos 46 anos o Sinpro se mantem firme na luta pelo direito à educação, à liberdade de expressão e por melhores condições de trabalho sempre esteve atrelada às bandeiras do Sindicato.

 

SINPRO 46 ANOS | Cuidar da educação é construir o futuro

A organização de professores, professoras, orientadores e orientadoras educacionais no DF remete ao início dos anos 1960, quando Brasília era recém-fundada. Desde então, já ficava evidente a lição de que cuidar da educação implica, necessariamente, envolver-se profundamente com o mundo ao redor da escola.

O Sinpro nasceu formalmente em 1979, plena ditadura militar, em meio a uma ascensão da luta sindical por melhores salários e condições de trabalho. Metalúrgicos se levantavam nas famosas greves do ABC paulista e outras mobilizações de resistência pipocavam por todo o país. Nas comunidades, o povo pedia o fim da carestia; e a censura, as perseguições políticas e toda truculência do regime militar começavam a entrar em cheque.

Quem nasce em meio à luta, da luta não se retira! O Sinpro-DF resistiu à repressão; lutou pela democracia no Brasil e no DF — que, até 1990, sempre teve governantes indicados pelo poder central —; e participou das mobilizações sociais que contribuíram para a promulgação da Constituição Cidadã de 1988. Não por acaso, tornamo-nos referência no Brasil em gestão democrática nas escolas: lutar por democracia é uma das nossas especialidades.

Assembleia da categoria em 1986. Foto: Arquivo Sinpro.

 

Democracia e inclusão

Uma democracia só pode ser plena se houver igualdade de condições entre homens e mulheres, pessoas negras e pessoas brancas, para indígenas, para a comunidade LGBTQIAPN+. Essas são questões fundamentais da nossa sociedade, que se aprofundaram e ganharam mais espaço e relevância nos debates do Sinpro, especialmente nos últimos 20 anos.

A importância que o Sindicato passou a dar a essas questões certamente contribuiu para inseri-las com mais ênfase na agenda geral da sociedade e dos governos. Diferentemente de poucas décadas atrás, hoje as pautas e as atividades relacionadas a esses setores contam com estruturas próprias, tanto no movimento sindical e social quanto nos governos.

Ao longo dos anos, o Sinpro compreendeu, cada vez mais, que a cultura é uma grande aliada da democracia e da educação. A entidade diversificou suas formas de diálogo com a categoria e com a sociedade por meio da cultura, promovendo espaços de encontro, valorizando a produção artística brasileira e apoiando iniciativas culturais nas escolas.

Não há democracia plena sem o devido reconhecimento da contribuição e do valor da experiência de aposentados e aposentadas. Esse reconhecimento não se limita ao discurso; exige ações concretas. Por isso, o Sinpro desenvolveu políticas voltadas para esse segmento, que incluem desde a organização de lutas específicas até atividades formativas, lúdicas e culturais, visando não apenas à inclusão, mas também à garantia de uma vida saudável e feliz após o término da trajetória profissional.

Os aprendizados do Sinpro nesses 46 anos contribuíram para ampliar os horizontes do movimento sindical e de cada profissional em relação a todos esses debates, e muitos outros. Além disso, o Sindicato nunca se furtou ao seu papel de dialogar com a sociedade. Afinal, essa é, de fato, uma tarefa essencial, dada a relevância desta categoria numerosa, que participa do dia a dia da grande maioria da população do DF, e pelo fato de o Sinpro ter se consolidado como uma das principais entidades sindicais do país, com uma presença fundamental na vida do Distrito Federal.

 

Assembleia da categoria em 1995. Foto: Arquivo Sinpro.

 

Construir o futuro

A vocação do Sinpro sempre foi a luta democrática, para que todos e todas tenham o direito de construir seu próprio futuro, o futuro do DF e do Brasil. Professores, professoras, orientadores e orientadoras educacionais, que se dedicam com afinco ao seu trabalho, aos seus estudantes e à sua escola, estão construindo o futuro. A categoria, ao lutar nas ruas e nas assembleias em defesa da educação pública, está construindo o futuro.

Lutar por uma carreira valorizada, em que salários e condições de trabalho reflitam a importância desses profissionais para a vida das pessoas, é construir o futuro. A cada campanha salarial, esse é o compromisso do magistério público do Distrito Federal: construir o futuro.

Assim, seguindo uma trajetória inspiradora e com foco no futuro, iniciamos uma série de dez reportagens em celebração aos 46 anos de lutas e conquistas do Sinpro. A evolução dos planos de carreira, os debates da categoria sobre diversas temáticas, os eventos, encontros e atividades, além de outros temas centrais da história do Sindicato, serão apresentados sob uma perspectiva histórica, ligando-se a questões atuais inseridas, sobretudo, na nossa Campanha Salarial 19,8%, rumo à Meta 17 – Pela restauração da carreira já!, que buscam um futuro melhor para todos e todas.

Agora, estamos prontos para escrever um novo capítulo: a campanha salarial segue a todo vapor, e a categoria estará presente em massa na assembleia geral do dia 27 de março, demonstrando sua vocação democrática e sua incansável capacidade de luta e resistência!

Viva os 46 anos Sinpro-DF!

Categoria ocupa as ruas do DF em 2024 para exigir do GDF o atendimento de várias pautas que valorizam professores e orientadores educacionais, o que reflete em uma educação pública de qualidade | Foto: arquivo Sinpro

MATÉRIAS EM LIBRAS

Fórum de SAAs de Taguatinga debate metodologias eficazes no atendimento a estudantes TFE

Na última semana de fevereiro, foi realizado o V Fórum da Sala de Apoio à Aprendizagem (SAA) de Taguatinga, no CED 02. A atividade é essencial para a formação continuada de profissionais, além da construção de materiais pedagógicos e a disseminação de metodologias eficazes no atendimento a estudantes com Transtornos Funcionais Específicos, como TDAH, dislexia, discalculia e TPAC, entre outros.

“O V Fórum das SAAs de Taguatinga é uma semana de preparação para o início dos atendimentos”, conta Ana Paula Sousa Braga, pedagoga itinerante das SAAs de Taguatinga, que organizou o evento em articulação com as professoras, os polos, as equipes especializadas e em trabalho em conjunto com as Coordenadoras Intermediárias Jacqueline Oliveira (pedagoga) e Naddia Cristina Lopes (psicóloga).

Ana Paula conta ainda que o público-alvo do Fórum são as professoras dos Polos, e o objetivo do evento é a formação, troca de experiências, organização do trabalho e a confecção de materiais (jogos pedagógicos) direcionados para o trabalho com as dificuldades acentuadas de aprendizagem.

O evento contou com a participação de professoras e formadoras renomadas, que compartilharam seus conhecimentos e experiências. A professora Raquel Passos abordou “A atuação do profissional da SAA no Atendimento Pedagógico Especializado”; Rayanne Salete Gama de Araújo apresentou “Como o Método das Boquinhas® pode viabilizar a alfabetização e sua continuidade para qualquer aprendiz”; Lourdes Christina dos Santos de Macêdo encerrou o Fórum na EAP do Serviço Especializado de Apoio à Aprendizagem, com a palestra “O trabalho pedagógico das professoras da Sala de Apoio à Aprendizagem da SEEDF”.

As Salas de Apoio à Aprendizagem atendem, no contraturno, alunos com Transtornos Funcionais Específicos (TFEs), com o objetivo de auxiliá-los em suas dificuldades, trabalhando funções cognitivas, executivas, motoras, e de linguagem, dentre outras várias, além da autoestima desses cidadãos e cidadãs em formação.

As SAAs existem para atender estudantes com TDAH (transtorno do déficit de atenção e hiperatividade), TPAC (transtorno do processamento auditivo central), dislexia, disortografia, discalculia, TOD (transtorno opositor desafiador) e TC (transtorno de conduta), dentre outras necessidades.

Atualmente, a SAA é um projeto da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF), desempenhando um papel fundamental na inclusão e no suporte educacional especializado. No entanto, as professoras da área defendem a institucionalização do serviço como uma política pública permanente. Esse reconhecimento garantiria maior visibilidade, ampliação do atendimento e acesso a recursos adequados, fortalecendo ainda mais a educação inclusiva e assegurando um suporte de qualidade para os estudantes que necessitam desse acompanhamento especializado.

Professora lança livro sobre riscos no ambiente virtual no sábado (15)

A professora na Sala de Apoio à Aprendizagem da Escola Classe 01 de Sobradinho e integrante do Serviço Especializado de Apoio à Aprendizagem de Sobradinho (SEAA), Quezia Aguiar, lança o livro “Que jogo é este? Perigos no ambiente virtual”, neste sábado (15/3). O lançamento será a partir das 17h, na Livraria Sebinho (SCLN 406, Asa Norte).

A obra mostra, de forma acessível e interativa, como funciona o processo de aliciamento virtual por abusadores, os riscos do uso excessivo das redes sociais para as relações familiares e a importância de denunciar situações de violência sexual no ambiente digital. Além disso, enfatiza como crianças e adolescentes podem superar o medo de ameaças e pedir ajuda a um adulto de confiança. Entretanto, “Que jogo é este? Perigos no ambiente virtual” também aborda possibilidades de aprendizado e de interação neste ambiente.

Psicóloga, escritora e professora, Quezia tem outras obras publicadas, como os livros “Educação Sexual Protetiva” e “Meu corpo não é brinquedo”.

Serviço

Lançamento do livro “Que jogo é este? Perigos no ambiente virtual”
Data: 15 de março
Horário: 17h
Local: Livraria Sebinho – SCLN 406, Asa Norte, Brasília-DF
Contato: Quezia Aguiar / (61) 981266591 / queziaaguiar.psicologia@gmail.com / @queziaaguiar.psi

 

Professora CT faz rifa para custear tratamento de câncer

A professora do contrato temporário Milena Guimarães foi diagnosticada com câncer de mama no ano passado. Para ajudá-la, os amigos realizam uma rifa com sorteio em 27 de abril. Para participar, basta fazer um pix no valor de R$ 50,00 para a chave (61) 98422-8842, e enviar o comprovante para esse mesmo número, via WhatsApp, escolhendo um número para participar.

Milena realizou sessões de quimioterapia e, ao fazer novos exames de imagem antes da etapa seguinte do tratamento (uma cirurgia para remoção parcial das mamas) descobriu um novo tumor na região do mamilo e outro no pulmão. Diante desse quadro, é necessária a cirurgia para remoção completa das duas mamas.

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