Com colega em coma por Covid-19, professores em MG pedem que prefeito feche escolas

Prefeito de Coronel Fabriciano passa por cima de decisão judicial, mantém trabalho presencial da categoria e casos de contaminação aumentam. Trabalhadores estão na luta para defender vidas

 
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Mesmo sem alunos, os trabalhadores e trabalhadoras da Educação de Coronel Fabriciano, no interior de Minas Gerais, foram obrigados a voltar as escolas  pelo prefeito, Marcos Vinícius da Silva Bizarro (PSDB), e o resultado é trágico: um professor está em coma e mais de 30 trabalhadores foram contaminados pela Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus. A categoria luta pelo  fechamento das escolas para preservar vidas. 

A decisão de abrir as escolas, apesar das aulas estarem proibidas, foi tomada pelo prefeito tucano depois que ele perdeu três ações na Justiça para reabrir as unidades de ensino. Bizarro não desiste de colocar as vidas em risco e já recorreu até ao Superior Tribunal Federal (STF) para conseguir a volta das  aulas presenciais, que havia sido marcado para 22 de maio, em plena pandemia.

A professora, Elisete Alves Pereira Novaes, que está liderando um movimento dos trabalhadores e das trabalhadoras da educação contra a medida do prefeito, gravou um vídeo fazendo um apelo para o chefe do executivo. Ela disse que a categoria só quer trabalhar com segurança e reforçou o pedido de fechamento das escolas.

“Prefeito, eu apelo. Feche as escolas de Coronel Fabriciano! Não estamos fugindo do trabalho, estamos fugindo de um vírus que não é uma gripezinha e que pode matar. Já temos um colega em coma e centenas de casos de trabalhadores da educação que estão adoecendo e a gente só quer proteger nossas vidas”, disse. Assista o vídeo.

Gripezinha é como o presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL), que zomba da pandemia que já matou mais de 94 mil pessoas e contaminou mais de 2,7 mil pessoas no Brasil, se refere ao novo coronavírus.

O descaso do prefeito com a categoria é enorme, Ele que já tirou direitos dos professores, não tem tomado nenhuma medida para evitar a proliferação da doença e ainda mantem os trabalhadores e trabalhadoras da educação dentro das escolas. O que não poderia ter acontecido, como garante uma liminar da ação ajuizada pela deputada Estadual, Bia Cerqueira (PT).

A liminar determina que não ocorra o retorno das atividades educacionais nas escolas da rede municipal de ensino de Coronel Fabriciano a partir do dia 25 de Maio de 2020, até que os órgãos públicos de saúde indiquem que é desnecessário manter o isolamento social para controle da disseminação da  Covid-19, com fixação de multa em caso de eventual descumprimento.

“Mesmo com a decisão judicial o prefeito manteve a convocação dos profissionais, o que levou a contaminação de quase 30 professores e o coma de um deles e mesmo assim ele vem tentando mudar a decisão recorrendo até ao STF, onde também perdeu. Isso é um caso típico de gestor que não compreendeu o que é uma pandemia e nem o seu papel neste momento”, disse a deputada Bia Cerqueira.

Elisete, a professora que apelou à humanidade do prefeito, diz que o trabalho que está sendo feito nas escolas, pode ser feito tranquilamente de casa e ainda com melhor qualidade, porque a categoria se sentirá mais segura e com menos risco até para os próprios alunos.

A professora disse que estão fazendo o planejamento semanal, enviando tarefas e vídeos e atendendo os alunos através de grupos no WhatsApp nos aparelhos celulares individuais. E que, quando precisa ou tem alguma demanda específica atendem algum pai ou mãe na porta da escola.

O pai de um aluno da Escola Municipal de Boa Vista, bairro de Coronel Fabriciano, Ernane Everton Soares da Silva, escreveu uma carta de apoio à luta da categoria, no qual reafirma que o posicionamento da prefeitura de manter os trabalhadores e trabalhadoras da educação dentro das escolas é imprudente, inclusive para pais e alunos. 

Segundo ele, o perigo é invisível para todo mundo, o que pode ser fatal. A transmissão do vírus pode acontecer sem que seja percebido, porque muitas pessoas são assintomáticas. E isso pode ocorrer tanto com as aulas presenciais quanto este formato atual, no qual trabalhadores e trabalhadoras da educação ficam na escola e às vezes os pais ou mães precisam buscar algum material pedagógico. 

“O meu filho poderia ter sido uma possível transmissor pelo fato do meu exame ter constatado que eu tive contato com o vírus em algum momento de forma assintomática.O mesmo risco pode ser verificado na outra ponta, quando estes profissionais são obrigados a interagirem com nós pais que por muitas vezes também podemos ser agentes transmissores da doença por meio das atividades físicas entregues ou mesmo pelo contato desnecessário”, diz trecho da carta.

Elisete disse que nas 23 escolas municipais de Coronel Fabriciano, tem gente com suspeita ou já contaminada pela doença, a prefeitura não está controlando a doença, não tem testagem e nem o número oficial de casos.

“Não sabemos o número certo de contaminados, porque a prefeitura nem faz questão de controlar isso. Nesta escola onde trabalha este professor que está em coma, mais 10 testaram positivo. Fora os que não têm coragem de dizer que estão doentes com medo de represálias. Se continuar assim, daqui uns dias nem terá trabalhador para ir para escola e nem dar aula”, afirmou a professora.

Além disso, aponta Elisete, a prefeitura deu só duas máscaras de panos para cada profissional, álcool em gel sem qualidade, os trabalhadores dividem computador, fazem fila para bater o ponto e a merenda está por conta de cada um.

A categoria já fez abaixo assinado, já denunciou em rádio, em TV e agora espera outra decisão da justiça, porque enviaram as cópias de atestados médicos comprovando o alto número de contágio da doença entre a categoria.

“Não tem condição de estar na escola, o prefeito trata a gente com picuinha, chama a gente de preguiçoso e quer punir a gente porque lutamos contra a reabertura das escolas. A gente vai até o final desta luta mesmo as vezes perdendo a esperança, porque o que a gente não pode perder é a vida”, ressalta Elisete.

*Edição: Marize Muniz

Reprodução: CUT

Inscrições para o VIII Ebrem ainda estão abertas

O VIII Encontro Brasiliense de Educação Matemática (VIII Ebrem) está com as inscrições abertas. Com o tema “Ensino presencial e educação a distância para o presente e possibilidades para o futuro da educação matemática”, o evento é uma realização da Sociedade Brasileira de Matemática — Regional do Distrito Federal  (SBEM-DF) — e ocorrerá, totalmente on-line, entre os dias 17 e 22 de agosto.

Professores(as), estudantes e pesquisadores(as) interessados, acessem os links <www.sbemdf.com.br> ou <https://www.even3.com.br/viiiebrem/> para inscrições e mais informações. O evento terá a participação dos(as) professores Marcelo Borba, que irá falar sobre “Ensino presencial, ensino a distância, covid-19, ignorância e educação matemática”, e Bruno Max, com o tema “A estratégia da gamificação para o ensino a distância”; e das professoras Cleia Nogueira, Gina Vieira e Letícia Montandon, que vão abordar o “Ensino remoto e ensino presencial: o que aprendemos com o afastamento social”.

O VIII Ebrem é uma das várias iniciativas da SBEM na área de educação e ensino de matemática para professores(as), estudantes e pesquisadores(as) com o intuito de promover, incentivar e disseminar pesquisas, estudos e discussões de temas afins, troca de experiências, intercâmbio de atividades, conhecimento e aperfeiçoamento continuado de professores(as) na área de educação matemática no Distrito Federal e Entorno.

“Pretendemos abordar as polêmicas evidenciadas durante a pandemia relacionadas aos paradoxos apontados entre educação presencial e EaD num momento em que a educação escolar se viu em xeque, durante o afastamento social. Como garantir, em tempos de pandemia, a equidade na educação escolar em uma sociedade marcada pela desigualdade de acesso aos meios tecnológicos?”, anuncia a nota sobre o evento da SBEM.

Letícia Montandon, diretora do Sinpro-DF, alerta para a importância da participação dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais. “É fundamental que todos e todas se inscrevam, justamente, para debater um assunto tão relevante neste momento. É uma das raras oportunidades de a gente discutir juntos os desafios impostos e construir um pós-pandemia porque, certamente, as coisas serão diferentes depois que tudo isso passar”.

A diretora avalia que “essa temática é, realmente, oportuna porque estamos num momento excepcional. A educação básica nunca foi feita dessa forma. Portanto, é um grande desafio tanto porque os investimentos em tecnologia para as escolas públicas nunca foram satisfatórios e, hoje, a pandemia do novo coronavírus escancara esse problema porque existe uma necessidade sim desses recursos tecnológicos, dos insumos — a Internet, o computador — e tudo o mais para que os estudantes consigam um mínimo de acompanhamento. A crise sanitária evidenciou o grande problema do não investimento”.

Ela diz ainda que, apesar de ser algo novo e de o Distrito Federal e todo o País enfrentarem o profundo não investimento dos governos na educação, os(as) professores(as) estão buscando, atender, minimamente, aos(às) estudantes. “Realmente, a gente observa que milhares não vão acompanhar, justamente, por causa da falta de gestão do dinheiro público e negligência com a educação dos governos”, afirma.

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Brasil registra mais que o dobro de novos casos de Covid-19 em duas semanas

País tem 2.750.318 infecções e 94.665 vítimas e especialistas acreditam que o país ultrapassa a marca de 100 mil vidas perdidas ainda esta semana

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Nas duas semanas encerradas nesta segunda-feira (3), o Brasil registrou mais do que o dobro de novos casos confirmados do novo coronavírus: foram mais 635.288 pessoas contaminadas, alta de 123% em relação aos 283.755 novos casos registrados na quinzena que terminou em 3 de junho. O número de mortos por quinzena passou de 13.228 para 14.616 no mesmo período.

Nesta segunda, o Brasil alcançou a marca de 94.665 mortes por Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, e 2.750.318 pessoas infectadas  desde o início da pandemia, e manteve a segunda colocação entre os países onde a pandemia continua descontrolada, perdendo apenas para os Estados Unidos, que contabilizam 4,7 milhões de pessoas infectadas e 155,1 mil mortas, de acordo com a Universidade Johns Hopkins.

De acordo com o Ministério da Saúde, a média diária de mortes por Covid-19 foi de 995 – foram registrados 16.641 novos casos 561 óbitos em 24h. É preciso lembrar que as segundas os números caem um pouco porque tem laboratório que não abre e outros que reduzem as equipes que fazem os exames.

Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Acre e Tocantins são os estados que estão com o número de mortes acelerado.

Onze estados e o Distrito Federal estão em estabilidade, ou seja, a média diária de mortes não teve uma alta ou queda expressivas nos últimos dias. São eles: Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Rondônia, Roraima, Bahia, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Já Espírito Santo, Amazonas, Amapá, Pará, Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba e Pernambuco estão com redução na média diária de mortes.

No Rio Grande do Sul, que registra alta nas mortes, o número de vítimas  passou hoje de 2 mil e os casos confirmados para mais de 70 mil. A média diária de mortes no estado é 58 pela média móvel dos últimos sete dias.

Com alta nas mortes, o Tocantins, último estado a registrar óbito por Covid-19, passou de 400 óbitos e a média diária de mortes é de sete. O total de casos confirmados da doença no estado já chega a 26 mil.

O Distrito Federal enfrenta ainda o pico da pandemia. A capital federal registrou a maior média móvel de infecções pelo novo coronavírus 13 dias depois da retomada de bares e restaurantes. Projeção feita pelos especialistas mostra que cerca de 800 óbitos devem ser contabilizados até o fim de agosto. No total, 1.546 vidas foram perdidas no DF e casos confirmados da doença ultrapassam 112 mil.

São Paulo continua o estado mais afetado pela pandemia no Brasil, com 23.365 óbitos pelo novo coronavírus e 560,2 mil casos de coronavírus.

Rio de Janeiro é o segundo com mais fatalidades, com 13.604 vítimas da doença e 168.064 pessoas infectadas.

Estados com mais de mil mortes

Cerca de 20 estados e o Distrito Federal já ultrapassaram mil óbitos pelo novo coronavírus, são eles: Ceará (7.752), Pernambuco (6.669), Pará (5.784), Bahia (3.624), Amazonas (3.288), Maranhão (3.069), Minas Gerais (2.894), Espírito Santo (2.601), Paraná (2.050), Rio Grande do Sul (2.016), Mato Grosso (1.907), Rio Grande do Norte (1.894), Paraíba (1.870), Goiás (1.716), Alagoas (1.607), Distrito Federal (1.546), Sergipe (1.489), Piauí (1.385) e Santa Catarina (1.196).

Estados com menos de mil mortes

Somente seis estados registraram menos de mil vítimas fatais da Covid-19, são eles: Rondônia (888), Amapá (576), Acre (539), Roraima (513), Tocantins (402) e Mato Grosso do Sul (421).

 

Reprodução: CUT

Estudo aponta que Reino Unido corre risco de ter uma segunda onda de Covid-19 duas vezes maior

Pesquisadores concluíram que se as escolas do Reino Unido retomarem as aulas sem um sistema mais eficiente de testes e rastreamentos uma “segunda onda de infecções, que chegaria ao pico em dezembro de 2020, seria 2 ou 2,3 vezes maior do que a onda original de Covid-19”

 

Garota usa máscara em Londres
                                                 Garota usa máscara em LondresReuters – O Reino Unido terá uma segunda onda de Covid-19 no próximo inverno do Hemisfério Norte duas vezes mais ampla do que o surto inicial se reabrir as escolas sem um sistema mais eficiente de testes e rastreamentos, segundo um estudo publicado nesta terça-feira.

Pesquisadores do University College e da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres modelaram o potencial impacto de disseminação do coronavírus se as escolas forem reabertas, em período integral ou meio-período, permitindo que os pais voltem ao trabalho.

Concluíram que a segunda onda pode ser evitada se 75% das pessoas com sintomas forem identificadas e testadas e 68% de seus contatos forem rastreados, ou se 87% das pessoas com sintomas forem identificadas, e 40% dos contatos, testados.

“No entanto, também prevemos que, na ausência de uma cobertura suficientemente ampla para testagem-rastreamento-isolamento, a reabertura das escolas acompanhada da reabertura da sociedade em todos os cenários pode induzir uma segunda onda de Covid-19”, afirmou o estudo, publicado no jornal científico The Lancet Child and Adolescent Health.

“Os resultados de nosso modelo sugerem que a completa reabertura das escolas em setembro de 2020, sem uma estratégia eficiente de testagem-rastreamento-isolamento resultaria em uma taxa R acima de 1 (em que uma pessoa infectada transmite o vírus para pelo menos mais uma pessoa) e em uma segunda onda de infecções que chegaria ao pico em dezembro de 2020 e seria 2 ou 2,3 vezes maior do que a onda original de Covid-19.”

A autora principal do estudo, Jasmina Panovska-Griffiths, disse que o sistema de testagem e rastreamento da Inglaterra estava chegando atualmente a apenas 50% dos contatos das pessoas que testaram positivo.

Panovska-Griffiths, professora de modelagem matemática na University College de Londres, disse à rádio BBC que os piores cenários ainda podem ser evitados.

“O importante do que descobrimos é que é possível evitar uma segunda onda da epidemia se um determinado número de pessoas com infecções sintomáticas for diagnosticada. Seus contatos podem ser rastreados e efetivamente isolados”, disse.

“Somos o primeiro estudo que quantificou isso, o quanto isso precisa ser feito no Reino Unido.”

Escolas no Reino Unido fecharam em março, durante a quarentena nacional, exceto para crianças de trabalhadores essenciais, e reabriram para um pequeno número de alunos em junho.

No entanto, o governo diz que todos os alunos voltarão às escolas ao redor do Reino Unido até o começo de setembro, com o primeiro-ministro Boris Johnson dizendo que essa é uma prioridade do país.

“Eu acho que todos aceitamos que o teste e rastreamento é um programa que precisa continuar a melhorar. Há total humildade do governo em relação a isso”, disse o ministro júnior de governos locais Simon Clarke, à rádio BBC.

“Aceitamos completamente que precisamos continuar a fazer esses números subirem”, disse.

 

Reprodução: BRASIL 247

3 motivos que explicam por que casos de covid-19 voltaram a crescer no Brasil

Coronavírus e seta para cimaNúmero de casos confirmados de covid-19 está em trajetória ascendente – e “deve continuar assim”, diz Domingos Alves, coordenador do Laboratório de Inteligência em Saúde (LIS)

 

A curva de novos casos confirmados de coronavírus no Brasil reverteu a tendência de queda, e, desde a última semana, voltou a subir.

Dados do Laboratório de Inteligência em Saúde (LIS) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, compilados a partir de estatísticas do Ministério da Saúde e baseados na média dos sete dias imediatamente anteriores, revelam que o número de casos confirmados de covid-19 está em trajetória ascendente — e “deve continuar assim”, diz Domingos Alves, coordenador do LIS.

Esse método, que leva em conta a média dos sete dias anteriores, é usado para corrigir possíveis distorções na contabilização dos números.

Um levantamento realizado pela agência de notícias Reuters reforça essa tendência de alta.

Quase 40 países, incluindo o Brasil, registraram recordes diários de infecções por coronavírus na semana passada, o dobro do verificado na semana anterior, segundo a Reuters.

Na última sexta-feira (24/07), segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o mundo registrou 284.196 novos casos em um único dia, um recorde.

A alta foi puxada por Estados Unidos e Brasil, que responderam por quase a metade das novas infecções. A marca anterior era de 259.848 em 18 de julho.

No mundo, já são mais de 15,7 milhões de casos confirmados de covid-19 e 640 mil mortes.

 

Gráfico mostra curva de novos casos de coronavírus no BrasilGráfico do LIS mostra curva de novos casos de coronavírus no Brasil em ascensão

 

O número de casos vem aumentando não apenas em países como Estados Unidos, Brasil e Índia, mas na Austrália, Japão, Hong Kong, Bolívia, Sudão, Etiópia, Bulgária, Bélgica, Uzbequistão e Israel, entre outros.

No Brasil, o número de novas infecções por dia atingiu um pico de 45.665 no último sábado, considerando a média dos sete dias anteriores. Na semana anterior, esse número era aproximadamente 30% menor, 33.573.

 

Mas por que isso vem acontecendo?

Três pontos principais têm chamado a atenção dos especialistas:

1) Interiorização

Alguns Estados onde as capitais registraram uma redução no número de casos passaram a verificar um aumento no número de casos em seu interior.

É o caso de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará, por exemplo.

“O agravamento dessa interiorização pode ser vista por volta do dia 20 de julho nesses três Estados”, diz Alves.

Alves assinala que a média móvel de óbitos nessas unidades da federação permanece “em alta” nas últimas semanas.

Ele diz acreditar que os casos do interior devem começar “a suplantar os da capital”. Esse efeito, segundo Alves, também tem o potencial de voltar a afetar as capitais em médio prazo.

“Chamamos isso de ‘efeito bumerangue’. Além disso, as quedas no número de casos nas capitais desses Estados não são estáveis.”

Alves argumenta que não se pode falar ainda de “imunidade de rebanho” (também chamada “imunidade de grupo” ou “imunidade coletiva”).

Ela ocorre quando uma parte suficientemente grande de uma população está imune (protegida) contra essa doença e contribui para que esta não se dissemine. Como ainda não há uma vacina contra a covid-19, essa imunidade de rebanho só seria alcançada por uma imunidade “natural” desenvolvida por uma parte importante da população, depois de ter sido infectada.

Mas muitos especialistas advertem que a imunidade de rebanho não seria a melhor estratégia para vencer o coronavírus.

Além disso, ainda restam muitas dúvidas quanto à imunidade que desenvolvemos contra essa doença. Um estudo recente da Universidade King’s College em Londres, no Reino Unido, mostrou que pacientes que se recuperam de covid-19 possivelmente perdem a imunidade em um prazo de meses.

“O que aconteceu foi um fenômeno conhecido como ‘bolhas de proteção’. Essas bolhas podem estourar nas próximas semanas, devido ao relaxamento das medidas de isolamento social com a reabertura, e podemos começar a ver um agravamento da situação”, acrescenta.

Um estudo recente realizado por pesquisadores da iniciativa Ação Covid-19, dedicados a estudar a evolução da doença, mostrou que o ritmo de desaceleração do número de casos de coronavírus estaria relacionado à formação de “bolhas de proteção” em cidades como São Paulo.

“Se formaram bolhas de proteção na cidade de São Paulo, em que grupos com muitos infectados e grupos quase sem infecções não interagem. Isto explica por que o ritmo da doença desacelerou na cidade, sem chegar à imunidade comunitária. Também mostramos que um eventual aumento da circulação pode estourar essas bolhas”, dizem os autores do estudo.

Jair Bolsonaro com o ministro da Saúde, Eduardo Panzuello Bolsonaro tem sido muito criticado pela forma como lida com pandemia

 

2) Aumento de casos no Sul e Centro-Oeste

Nas últimas semanas, houve um aumento expressivo de novos casos de coronavírus no Sul e no Centro-Oeste, até então regiões que tinham conseguido controlar o contágio da doença.

Em Santa Catarina, por exemplo, a média móvel dos novos casos chegou a 3274 no último dia 28 de julho, uma alta de 254% comparada à do dia 1 de julho.

O mesmo aconteceu no Paraná e no Rio Grande Sul.

Em Curitiba, onde mais de 90% dos leitos UTI (Unidade de Terapia Intensiva) estão ocupados, os casos estão aumentando exponencialmente. Ainda assim, academias e shopping centers seguem reabertos. A cidade está “no olho do furacão”, destaca a física Patricia Magalhães, pesquisadora da Universidade de Bristol, no Reino Unido.

Já na região Centro-Oeste, Goiás vem registrando uma forte alta no número de novos casos desde o último dia 21 de julho.

3) Aumento de casos em Minas Gerais

O Estado vinha controlando o contágio da doença, mas, a partir de junho, tem registrado um aumento no número de casos e óbitos.

Bastaram, por exemplo, apenas vinte dias para que Minas Gerais dobrasse a marca de mil mortes pelo novo coronavírus.

Apesar de a média de mortes por 100 mil habitantes ser mais baixa do que seus vizinhos do Sudeste, o Estado apurou, nos primeiros 20 dias de julho, em média 52 mortes por dia e 2.339 novos casos.

Segundo Alves, em Belo Horizonte, que até então, tinha sido bem-sucedida em controlar a pandemia, o número de casos aumentou — e a taxa de ocupação das UTIs (Unidades de Tratamento Intensivo) voltou a subir, atingindo 92%, patamar semelhante ao início deste mês.

Já Uberlândia, a segunda cidade mais populosa do Estado, com quase 700 mil habitantes, é um dos epicentros da pandemia no Estado.

Cerca de 90% dos 853 municípios mineiros já registraram casos de coronavírus.

 

Mulher caminha diante de grafiti no RioPaís vem registrando recordes sucessivos de casos e mortes por dia

 

Segunda onda?

Apesar dos aumentos no número de casos, Alves diz acreditar que não está havendo uma segunda onda.

“O que temos visto é consequência ainda da primeira onda. As curvas do Brasil e dos países que realizaram confinamento em massa de sua população ou até mesmo mantiveram-se de portas abertas, como é o caso da Suécia, não são comparáveis”, ressalva.

“O que tem acontecido no Brasil é muito mais parecido ao que acontece nos Estados Unidos”, conclui.

 

Reprodução:  BBC BRASIL

Estudo encontra carga mais alta de coronavírus em crianças pequenas do que em adultos

Foto aproximada de criançaCriança fotograda em Medan, Indonésia; autores de pesquisa no JAMA Pediatrics destacam que saber sobre potencial de transmissão das crianças é ainda mais importante com planos de volta às aulas e de uma eventual vacina.

 

Um novo estudo, publicado nesta quinta-feira (30) no periódico JAMA Pediatrics, dá mais uma pista sobre aquela que tem sido uma das principais incógnitas da pandemia de coronavírus: qual é o papel das crianças na transmissão da doença?

Segundo os autores do trabalho, do Hospital Infantil Ann & Robert H. Lurie de Chicago, nos Estados Unidos, quando doentes, elas têm uma carga viral considerável que, a ser confirmado por novos estudos, pode significar uma capacidade relevante de transmitir a covid-19.

Isto porque testes moleculares (PCR) encontraram em crianças doentes com menos de cinco anos mais fragmentos do material genético do vírus — mas não o vírus “inteiro”, é importante destacar — do que em crianças com 5 a 17 anos ou mesmo adultos.

Os pesquisadores do hospital americano reuniram amostras, retiradas do nariz, de 145 pacientes com covid-19 confirmada por PCR, com sintomas leves a moderados e no estágio inicial da doença — com no máximo sete dias de diagnóstico.

Estes pacientes pertenciam a três grupos: crianças com até cinco anos de idade (46 pacientes); crianças com cinco a 17 anos de idade (51 pacientes); e adultos com 18 a 65 anos (48 pacientes).

As amostras do primeiro grupo, das crianças mais novas, tiveram menor valores CT para PCR — uma medida técnica que indica os ciclos necessários para detecção de fragmentos do vírus. Ou seja, quanto menos ciclos para encontrar o material, isto é um indicativo de uma carga viral maior.

O valor CT mediano foi semelhante para crianças mais velhas (11.1) e adultos (11.0), mas significativamente mais baixo para crianças mais novas (6.5).

“Para tentar remover variáveis que pudessem causar confusão ou parcialidade, foram excluídos os pacientes que estavam mais doentes (precisando de suporte de oxigênio); que estavam assintomáticos; ou que tinham duração dos sintomas desconhecida ou maior que uma semana”, escreveu à BBC News Brasil Taylor Heald-Sargent, médica e autora principal do estudo, do tipo research letter (“carta de pesquisa”, em tradução livre, uma espécie de relato mais conciso de um estudo).

“Nosso estudo não examinou diretamente a replicação viral ou a transmissão do SARS-CoV-2, mas foi demonstrado para outros vírus que quantidades mais altas do patógeno podem aumentar a capacidade de transmissão. Isto aliado ao fato de que crianças pequenas são menos propensas a usar máscaras de forma consistente, manter boa higiene das mãos e evitar tocar a boca ou nariz, parece lógico (supor) que as crianças sejam capazes de transmitir o vírus a outras pessoas”, afirmou Heald-Sargent.

A publicação destaca que “conforme sistemas de saúde planejam a reabertura de creches e escolas, entender o potencial de transmissão das crianças será um guia importante para medidas públicas de saúde”, assim como para o planejamento de quais serão os públicos etários prioritários de uma eventual vacina, acrescentam os autores.

 

Presença do vírus, infecção e transmissão

Técnico trabalhando em laboratório, sentado diante de mesa com amostrasNo estudo, o chamado valor CT foi semelhante para crianças mais velhas (11.1) e adultos (11.0), mas significativamente mais baixo para crianças mais novas (6.5).

 

Como apontou a pesquisadora, é importante lembrar que ter o material genético do vírus detectado no organismo é uma coisa; desenvolver sintomas, outra; e transmitir a doença para outras pessoas, também.

“Para ser sincera, nossos resultados nos surpreenderam e nos intrigaram. Não sei dizer por que as crianças pequenas têm níveis mais altos de RNA viral, mas são menos sintomáticas que as crianças mais velhas e os adultos”, afirmou à reportagem a autora do estudo.

“Já foi apontado que esses altos níveis do vírus podem ser capazes de desencadear uma resposta imunológica mais eficiente, impedindo a propagação do trato respiratório superior para o mais baixo — o que significa que as crianças podem ter apenas sintomas de resfriado e não desenvolver pneumonia. Também é possível que parte da patologia observada na covid-19 seja devida à própria resposta imune. Talvez as crianças mais novas tenham realmente um tipo diferente de resposta imune ao vírus, que não causa danos a órgãos como os pulmões.”

Comentando o estudo para a BBC News Brasil, Marcelo Otsuka, coordenador do comitê de Infectologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), destaca, primeiro, que o PCR captura fragmentos do vírus, e não o vírus em si — como seria possível com a análise de células em laboratório, o que não é tão comum ou acessível.

Assim, o material genético do patógeno pode até ser encontrado no corpo com o PCR, como foi feito no estudo, mas isso não significa que a doença se desenvolveu ou que ela pode ser transmitida.

Otsuka reconhece, porém, que os resultados do estudo no JAMA Pediatrics podem sim indicar maior carga viral e uma capacidade de transmissão relevante por crianças — ainda mais porque, no trabalho, foram considerados pacientes que estavam doentes e com quadros semelhantes, fossem eles adultos ou crianças.

“Em geral, crianças têm maior chance de não ter sintomas, ou de ter sintomas mais tranquilos. E, a princípio, quanto menor sintomatologia, menor carga viral, menor transmissão. Mas, nesse estudo, foram comparadas crianças com sintomas leves a moderados com adultos com sintomas leves a moderados. Foi o mesmo tipo de manifestação (da doença, entre crianças e adultos). Então, a criança pode transmitir igualmente. Não sabemos de algum fator que a impeça de infectar como adultos”, apontou o infectologista e pediatra, ressaltando também que o número de pacientes do estudo, 145, é relativamente pequeno.

“A criança transmite, mas precisamos de mais estudos para dizer o quanto.”

O infectologista, como os próprios autores do artigo, aponta também que há um fator que vai além das células e laboratórios e que pode ter minimizado, no mundo real da pandemia, o papel dos pequenos como transmissores.

“Se tem alguém que está fazendo isolamento são as crianças, principalmente as pequenas. Por estarem mais em casa, isso pode ter reduzido muito a infecção nesta faixa etária”, diz Otsuka, lembrando por exemplo que são os adultos que saem de casa para ir ao mercado ou desempenhar outras atividades essenciais durante a pandemia.

O artigo no JAMA Pediatrics diz também que “relatos iniciais não encontraram evidências fortes de que as crianças sejam contribuidoras significativas para o alastramento do SARS-CoV-2, mas o fechamento das escolas no início da pandemia acabou afastando (a produção de) pesquisas de larga escala sobre estes lugares como fonte de transmissão comunitária”.

 

Duas crianças juntas em um patinete na rua, passando ao lado de um grafite com boneco se protegendo do coronavírusCrianças brincam na Indonésia; isolamento delas, com fechamento de escolas e menor necessidade de ir à rua como adultos, pode explicar papel menor na transmissão.

 

Otsuka aponta que há sinais de que crianças menores do que um ano podem apresentar maiores vulnerabilidades à covid-19 por conta de um sistema de defesa ainda em formação, conforme ele e colegas têm observado no Hospital Infantil Darcy Vargas, em São Paulo — aspectos clínicos registrados ali foram inclusive disponibilizados recentemente na plataforma de pré-publicação (sem revisão dos pares), medRxiv.

Presidente do departamento de infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Marco Aurélio Sáfadi também destaca que “muitas vezes o RNA reflete um vírus que não é viável para infecção”, sugerindo cautela com os resultados obtidos via PCR. Ele também aponta que não se pode ignorar os vários estudos que vêm minimizando a função das crianças como vetores da covid-19.

“Quando você vai para o mundo real, os estudos que tentam investigar o papel das crianças na transmissão são praticamente unânimes em destacar que crianças (abaixo de 10 anos) têm desempenhado um papel menos relevante na transmissão. Eles mostram que obviamente as crianças podem transmitir, mas são os adultos jovens os principais vetores de transmissão”, diz Sáfadi, professor de infectologia e pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Publicado no início do mês na revista científica Pediatrics, um destes estudos mostrou, a partir do de um rastreamento feito pelo Hospital Universitário de Genebra com 111 adultos que tinham tido contato com crianças infectadas, que apenas em 8% dos casos, a criança desenvolveu sintomas primeiro — ou seja, possivelmente tendo sido a origem da cadeia de transmissão. Grande parte dos casos foram de ciclos iniciados com adultos manifestando sintomas.

O médico destaca ainda o conhecimento que se tem sobre crianças e a transmissão de outras doenças — e que pode também ajudar com pistas sobre o que acontece na covid-19.

“Para a influenza, as crianças são claramente vetores de transmissão importantes na comunidade. O próprio vírus que causa a bronquiolite, também”, diz, se referindo neste caso ao vírus sincicial respiratório (VSR), também citado pelos autores do JAMA Pediatrics como um histórico importante a se considerar.

“Por outro lado, outros coronavírus, como os da Sars (síndrome respiratória aguda grave) e Mers (síndrome respiratória por coronavírus do Oriente Médio, na sigla em inglês), não tiveram nas crianças uma fonte importante de transmissão. Então, este também pode ser um comportamento de classe dos coronavírus.”

 

Reprodução: BBC BRASIL

Pais, professores e médicos são contra volta às aulas sem controle da pandemia

O retorno das atividades presenciais expõe mais pessoas ao risco de contaminação e morte pela doença causada pelo novo coronavírus. Campanha da Apeoesp pergunta: Você topa que seja seu filho?

 

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Festas de fim de ano e até o carnaval de 2021 foram cancelados devido a pandemia do novo coronavírus, mas para governos Federal, estaduais e municipais o retorno das aulas presenciais ainda este ano é uma possibilidade, mesmo com inúmeros riscos à saúde e a vida de milhões de alunos, trabalhadores da educação e familiares que podem ser contaminados.

O argumento para a volta às aulas a qualquer custo é que as crianças e adolescentes não podem perder o ano letivo, mas o que vem fazendo governadores e prefeitos desprezarem os cuidados com a saúde e a vida é a pressão econômica dos donos de escolas particulares que temem perder alunos e, consequentemente, lucros.

A maioria das mães, pais, professores e médicos infectologistas são contra o retorno das atividades escolares enquanto a curva de contaminação estiver em alta, com média diária de mais de 40 mil casos confirmados e mais de mil mortes por Covid-19, doença provocada pelo vírus, como vem ocorrendo. 

Se as crianças voltarem às aulas e forem contaminadas podem transmitir o vírus para o pai, a mãe, avós ou mesmo para os educadores. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-C), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 123,5 milhões de pessoas moram em domicílios que possuem pelo menos uma pessoa com idade até 17 anos, ou seja, em idade escolar.

A volta às aulas neste momento também representa risco para 9,3 milhões de brasileiros de grupos de risco que vivem na mesma casa de crianças e adolescentes, como mostra análise da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que ressaltou a importância de as autoridades seguirem as recomendações de órgãos internacionais como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Unesco para um retorno das aulas presenciais de forma segura. 

Segundo a entidade, o poder público deve levar em conta não apenas a curva epidemiológica de casos e mortos, mas também a taxa de transmissão. “De qualquer forma, em todos os cenários, o Brasil não alcança os requisitos básicos”, diz documento da entidade, divulgado esta semana.

E mesmo sem cumprir estas medidas básicas de proteção, a justificativa dos governos sobre o retorno às aulas das escolas públicas é a preocupação com o ano letivo.

Em Manaus, as aulas das escolas públicas estão previstas para voltarem em 3 de agosto e a meta do governo estadual é finalizar o ano letivo antes do Natal, mesmo com 98.118 casos confirmados de Covid-19, segundo boletim epidemiológico divulgado na última terça-feira (28).

Outras escolas, tanto públicas como privadas, estão se organizando para implementar um sistema hibrido de ensino, com escalas de dias na escola outros em ensino a distância. E empresários estão indo às ruas em diversos estados brasileiros protestando e cobrando dos governos a volta às aulas imediatamente.

“A pressão econômica e o ano letivo não podem estar acima das vidas. O mercado quer a volta das aulas porque visam à economia, pensando que a pessoa pode voltar a trabalhar e colocar a responsabilidade da segurança e da saúde de seus filhos na escola, o que não é verdade. Você mandaria seu filho para escola sabendo que lá pode ter um tiroteio ou pode pegar fogo a qualquer momento?”, questiona o médico infectologista, Dr. Alexandre Motta.

 

Pais pretos presentes

 

Segundo ele, é preciso fazer esta analogia porque os riscos de contaminação estão colocados, principalmente no Brasil, um país que vive desgovernado, sem políticas nacionais de enfrentamento a pandemia e onde os dados mostram que a Covid-19 está bem distante de ser controlado.

“É difícil essa situação que estamos vivendo porque o vírus é algo que você não vê e acredita que ele não está em alguns lugares, mas está! Nós temos um nó e não temos um norte. Não temos quem guie este navio para um porto seguro, não temos ministro da Saúde, não temos presidente e não temos política. Por isso nossos números de caos e mortes pela doença são tão altos”, afirma.

Outro fator que precisa ser levado em consideração, aponta a médica infectologista e diretora da CUT e do Sindicato dos Médicos de São Paulo, Juliana Salles, é sobre a criança ser transmissor da doença. Na última semana, um estudo realizado na Coreia do Sul, publicado no periódico Emerging Infectious Diseases, trouxe mais elementos para o debate.

A pesquisa mostrou que crianças entre 10 e 19 anos podem espalhar o vírus na mesma intensidade que os adultos. Já aquelas com menos de 10 anos também são vetores da doença, mas ainda não está claro com qual intensidade. Os resultados, de acordo com os autores do estudo, sugerem que, à medida que as escolas forem reabrindo, há uma grande possibilidade de surgirem novos focos de contaminação.

“As crianças são os vetores da doença e muitas vezes elas ficam sadias, têm quadros leves e são assintomáticas, mas podem infectar outras pessoas. E  cada pessoa doente pode infectar outras seis, inclusive as próprias crianças. Não podemos deixar normalizar a doença e a morte e qualquer probabilidade de morte não deveria ocorrer”.

Eu como mãe, médica e sindicalista não mando meus filhos para escola e vou lutar para que não tenha aulas presenciais no meio deste caos.Volta às aulas segura só com vacina.- Juliana Salles

Nando Motta

 

A campanha do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) contra a reabertura das escolas é justamente em defesa da vida.  Entre as peças da campanha com várias informações contra a reabertura das escolas, a entidade pergunta: Você topa que seja seu filho?

Se não cumprir protocolo da OMS é greve!

Para o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), Heleno Araújo, o debate de retorno às aulas no meio da pandemia é precipitado. Segundo ele, o retorno às aulas presenciais é uma pressão dos empresários, que querem que pais e mães voltem a trabalhar e outros que querem que suas escolas abram logo para não perder alunos.

O dirigente, que também é professor, disse que tanto escola pública quanto privada, o volta às aulas deve ser submetida a um protocolo único, porque iniciar só na escola privada, além do risco de contaminação e morte, também aumenta a desigualdade educacional nos estados e municípios.

“E para isso nós defendemos a orientação da OMS para voltar às aulas com segurança e para isso é preciso que tenha controle sobre a contaminação e sobre o vírus, que os protocolos sejam discutidos amplamente com toda a comunidade escolar e que todas as medidas do protocolo sejam executadas. Mas para isso a gente sabe que precisa de financiamento e recursos, vontade política e um governo comprometido com a educação, o que não é o caso do Brasil”, afirma Heleno.

A orientação da CNTE para seus sindicatos filiados é que se uma das medidas de segurança não estiver sendo executada pela escola ou pelo governo do Estado é para fazer greve.

“Caso qualquer um destes protocolos não seja colocado em prática orientamos sim a fazer uma greve de não retorno e para manter as atividades remotas e uma grande defesa da saúde e da vida”, afirma Heleno.

O que dizem pais e professores sobre o retorno das aulas

A professora da rede estadual de ensino no Distrito Federal, Márcia Lages, que leciona para crianças portadoras de deficiência, disse que mesmo com todos os desafios, como avó de uma criança de 8 anos e também como professora, o retorno às aulas presenciais agora não seria bom para ninguém.

“Aqui em casa já decidimos que meu neto não volta este ano e para ajudar nesta reportagem consultei os pais e mães de nove alunos e os nove disseram que também não vão deixar seus filhos na escola neste momento de pandemia”.

E não é só a professora que tomou esta decisão. Segundo ela, um levantamento feito por uma escola particular na região aponta que 79% das crianças não voltarão este ano e que vão continuar com as aulas online.

O professor de matemática concursado em Tocantins, Rodrigo Mota Marinho, disse que a sobrecarga está demais mesmo, com uso de grupos de rede sociais e no Whatssap, não havendo mais separação entre horário de trabalho e descanso, com mensagens chegando inclusive aos fins de semana. Mas ainda assim, o professor diz ser contra a volta às aulas presenciais e que a medida é temerária.

“Eu acho temerário qualquer retorno escolar neste momento, porque não temos estrutura. Em Palmas, que é a capital, a prefeitura requisitou leitos de UTI da rede privada e isso nos mostra que nós não temos uma estrutura capaz desta abertura total. É algo que precisamos ter um cuidado maior, sobretudo porque colocaria em risco muito mais pessoas, os alunos, professores e suas famílias”, disse Rodrigo.

A professora em São Bernardo do Campo, Paula Batista, também é contra a reabertura das escolas, mesmo estando com muitas saudades de seus alunos. Ela disse que é impossível manter qualquer protocolo com as crianças e adolescentes, que também estão morrendo de saudades dos professores e dos colegas e não têm consciência do perigo da doença.

“Na educação infantil o ensino é baseado em brincadeiras e interações. Como vamos fazer isso com as crianças se temos que evitar aglomerações”  questiona e segue com as perguntas sem resposta: “Como vamos proibir o contato entre eles, que devem estar morrendo de saudades um do outro, isso seria desumano? E ainda, como vamos exigir o uso da máscara nas 4 ou 5 horas que as crianças estarão nas escolas? É tudo muito complicado”, afirmou Paula.  

“Perguntei hoje para as mães dos meus alunos se elas mandariam seus filhos para escola e todas, sem exceção, disseram que não. Nenhuma mãe vai deixar de proteger seus filhos”, complementa a professora.

Tereza Salim, mãe de um aluno da rede privada de ensino em São Paulo, também disse que não mandará seu filho Giuliano para escola de nenhuma maneira até ter vacina. Segundo ela, ele é do grupo de risco e ela não vai mandar seu filho para o abatedouro.

Eu prefiro que meu filho perca o ano escolar do que eu perder ele para esta doença. É como mandar meu filho para um abatedouro e eu não vou fazer isso.- Tereza Salim.

Volta às aulas a qualquer custo?

Em São Paulo, na manhã desta terça-feira (29), houve uma carreata, chamada pela Apeoesp, contra o retorno presencial das aulas neste momento em que os casos da Covid-19 seguem em alta, mas a manifestação de professores, trabalhadores do sistema público de saúde, movimentos sociais e apoiadores foi impedida pela  polícia de chegar na porta do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado de São Paulo.

O governador João Doria (PSDB-SP), anunciou o retorno gradual das aulas presenciais a partir de setembro. Ele vem alterando os critérios para o retorno das atividades econômicas e até da volta às aulas presenciais por causa de pressão de empresários. O critério para a mudança de fase e a volta da “normalidade” era de ter 60% da taxa de ocupação das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Doria aumentou para 75%.

“Além disso, a contagem de número de mortes também mudou e isso facilitou a vida de Doria, que está negligenciando números para facilitar a vida do empresariado enquanto milhares de vidas são perdidas, principalmente na periferia das cidades. Para essa população não está assegurado o direto a saúde e nem a educação”, afirma a médica Juliana Salles se referindo ao modelo atual de educação a distância, que precisa de um estrutura tecnológica que os mais pobres muitas vezes não têm. 

Reprodução: CUT

Retomar as atividades nas escolas é expor mais vidas ao risco de contaminação pela covid-19

A comissão de negociação do Sinpro-DF se reuniu, na sexta-feira (24), de forma remota, com a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) para debater o cronograma de retorno às atividades letivas presenciais e encaminhamentos relacionados às atividades virtuais.

Ela informa que, após o encontro, a secretaria publicou nova circular com explicações acerca de deliberações anteriores relacionadas às atividades escolares desempenhadas neste momento de crescimento acelerado do novo coronavírus. Afirma, também, que, em relação ao calendário escolar, a SEEDF disse que ele depende das condições em que pandemia estiver no Distrito Federal, podendo haver alterações.

A SEEDF afirmou que tem se baseado na curva de contaminação para tomar decisões, pôr em curso providências, delimitar restrições e suspender ou não o calendário escolar vigente. Dentre as ações, destaca-se a proibição de qualquer tipo de reunião presencial para qualquer assunto nas unidades escolares. Confira no final do texto as deliberações da reunião.

A diretoria colegiada destaca que, embora tenham ocorrido avanços pontuais na sexta, faz-se necessária a realização de um profundo e maduro debate sobre a gestão de crises sanitárias e do dinheiro público, a inclusão educacional e o respeito à classe profissional do magistério público do DF. Ela ressalta que esses são conceitos basilares para a efetiva justiça social, trabalhista e educacional.

“O retorno à vida normal está ocorrendo aos trancos e barrancos, como tem feito o governo federal, sem o devido cuidado e com o consequente aumento acelerado das contaminações e mortes pelo novo coronavírus. O Brasil nunca sai do pico da pandemia em razão dessa atitude. Isso tem provocado intensa ansiedade na categoria. A real possibilidade de contaminação pela covid-19, a ausência de milhares de estudantes excluídos das plataformas e a situação dos gestores(as), professores(as) e orientadores(as) educacionais sem equipamentos e web essenciais para sua produção acadêmica têm provocado profunda angústia e adoecimento”, avalia a diretoria do sindicato.

No entendimento dos(as) diretores(as), a reprodução das ações do governo genocida de Jair Bolsonaro (sem partido) pelo governador Ibaneis Rocha (MDB), ao determinar a volta às aulas durante uma pandemia altamente letal e em crescimento desenfreado no Distrito Federal, denuncia a falta de cuidado com a população e com funcionalismo público. Revelam também o desinteresse em resolver tanto o problema da pandemia como o da educação pública.

O foco do bom gestor em todos os momentos, mas, sobretudo neste, de crise sanitária, é investir os recursos financeiros públicos na saúde e na educação públicas para garantir a vida com saúde das pessoas e assegurar as atividades virtuais da escola pública a todos os estudantes da rede. “Não se melhora a educação e não se promove a inclusão educacional sem priorizar e ampliar os investimentos financeiros no setor neste momento de crise”, afirmam os(as) diretores(as). 

A diretoria ressalta a importância do Fale com o Sinpro. Por meio desse serviço, o sindicato tem oferecido à SEEDF o contato e o conhecimento dos problemas vivenciados nas plataformas e nas escolas, em momentos presenciais. Com o serviço, a entidade tem enviado, diariamente, os questionamentos da categoria e da comunidade escolar para a SEEDF. O Fale com o Sinpro tem proporcionado agilidade no retorno aos questionamentos da categoria. Confira, a seguir, os encaminhamentos da reunião de sexta-feira (24). 

Testagem
De acordo com o cronograma apresentado pelo Governo do Distrito Federal (GDF), a testagem da categoria está prevista para ocorrer entre os dias 3 e 14 de agosto. Porém, está a cargo da Secretaria de Estado da Saúde (SES-DF) apresentar um cronograma e uma logística que atendam às condições e viabilizem a testagem.

É preciso construir uma estratégia e verificar se há condições de efetivar essa testagem em milhares de servidores. É preciso observar como anda o atendimento na rede pública de saúde do DF que, a todo momento, se vê notícias de pessoas com dificuldades para acessar o teste, as UTI, aos medicamentos e outros recursos de combate à covid-19. Sabe-se que falta o teste para pessoas que buscam a Saúde Pública do DF.

A SEEDF informou que a SESDF apresentará também uma estratégia de acolhimento de estudantes quando ocorrer o retorno às aulas presenciais e que as providências estão sendo tomadas para que as escolas tenham os medidores de temperatura, tapetes, lavatórios, máscaras, álcool 70% e outros instrumentos para prevenção à covid-19, conforme determina o protocolo.

O lançamento da campanha de higienização começou, nesta segunda-feira (27/7), pela escola Urso Branco, no Núcleo Bandeirante, com entrega de álcool e máscaras e a sanitização do estabelecimento, com higienização do prédio, colocação de tapetes, instalação de lavatórios, entrega de equipamento para conferência de temperatura.

Cestas Verdes
Após muitas denúncias dos gestores sobre a falta de condições e do risco de contaminação pelo novo coronavírus na entrega da Cesta Verde às famílias de estudantes, a SEEDF concordou em postergá-la. Diante dos riscos apresentados e do quadro grave do avanço da pandemia, houve o entendimento da necessidade de prorrogação da entrega, cuja retomada está prevista para recomeçar na segunda quinzena de agosto. Ainda assim vai depender das condições em que o DF estará em relação à pandemia e será iniciada pelas cidades em que as condições forem mais favoráveis, ou seja onde a pandemia estiver mais controlada.

Além disso, foi definido que está eliminada a burocracia da assinatura de um recibo por parte do representante da comunidade escolar da cesta que ele estará recebendo. De agora em diante, será um único recibo, assinado pelo(a) gestor(a) da unidade escolar, acusando o recebimento e reconhecendo a quantidade de alimento recebida.

Continuamos cobrando e solicitamos ao secretário de Educação que buscasse outra estrutura para efetuar essa distribuição, uma vez que se trata de uma ação de assistência social, portanto, é a área de assistência social que deve assumir a entrega das Cestas Verdes. Esse foi o nosso pleito e afirmamos que não é atribuição dos gestores de escolas entregá-la, uma vez que caracteriza um serviço assistencial.

Reconhecemos a necessidade de essa política ser feita com profissionalismo pelo GDF, que é necessário o alimento chegar às famílias que dele precisam, que é também importante garantir a sobrevivência da agricultura familiar para que os(as) pequenos(as) agricultores não fiquem no prejuízo, até porque tem o período certo da colheita. Contudo, reafirmamos que a entrega das cestas é atividade específica da assistência social e deve ser feita por esse setor.

Aplicativo e Internet
A nova circular define o tempo máximo que cada professor(a) deverá ficar no aplicativo. Ele(a) só pode atuar na plataforma por, no máximo, 3 (três) horas. Não haverá delimitação de tempo mínimo para preservar a autonomia do planejamento da escola. A regra vale para professor(a) e estudante. A Internet, que estará disponível até o fim de julho, início de agosto,  é restrita e combinada com o aplicativo para professores(as) e estudantes.

Reuniões presenciais
Está proibida a realização de reuniões presenciais. Não há nenhuma orientação para que haja coordenações ou reuniões presenciais.

Material impresso
O Sinpro-DF é, veementemente, contra a presença de servidores(as) seja lá quem for, incluindo aí a equipe gestora e a comunidade em geral nas unidades escolares para quaisquer atividade presencial. Esse tipo de contato só agrava a situação e o risco de contaminação pela covid-19. O entendimento do sindicato é que deve haver a imediata suspensão de qualquer tipo de atividade presencial. O que precisa ser feito é o governo resolver, definitivamente, a situação dos(as) que estão excluídos(as) para que tenham acesso à Plataforma ou outro tipo de recurso tecnológico, evitando, assim, neste momento, a presença de qualquer pessoa na escola. 

Para isso, apresentamos nosso pleito solicitando a suspensão de qualquer atividade presencial. Entendemos que a solução não pode ser que só a equipe gestora fique  encarregada da entrega de material porque ela também estará exposta. A equipe gestora não está fora de perigo e nem faz parte de um grupo seleto de humanos que está isento de receber a contaminação do novo coronavírus. Defendemos que ninguém faça esse serviço.

Contudo, diante da persistência da SEEDF, defendemos que, no caso do gestor, a logística adotada deve ser outra, com equipes especializadas e devidamente paramentadas para executar a distribuição de material impresso. No caso do(a) professor(a), somente 4 dias após o material estiver guardado na escola é que ele(a) deverá buscá-lo para eventuais correções.

Caso essa entrega de material impresso não seja extinta, o(a) gestor(a), por sua vez, deverá criar uma forma de recebimento desse material sem precisar ter contato nem com ele nem com a comunidade escolar, como, por exemplo, instalando uma caixa na qual os pais irão depositar os impressos. Enfim, para evitar o contato, deverá criar uma logística para esse recebimento.

Respeito à privacidade nas salas de aula virtuais
A orientação da SEEDF é que fique bem claro que não há necessidade nem orientação para que outros profissionais circulem pelas salas de aula virtuais.

Relatórios
Com relação aos relatórios, foi informado que não há solicitação, neste momento, porque a SEEDF está concluindo as orientações para nova forma de produção dos relatórios/avaliação.

Financiamento dos computadores
A SEEDF está em processo de negociação para o financiamento de equipamentos pelo BRB. Vale destacar que, seja ele qual for essa negociação, ela acarretará a cobrança de taxa, embora tenha sido dito que será uma taxa especial.

Plataforma
A comissão de negociação cobrou e apresentou à SEEDF a preocupação com os estudantes de Ensino Médio que, com a manutenção da data dos exames do Enem, terão prejuízos. A SEEDF apresentou como alternativa a busca de uma plataforma gratuita que possa oferecer, especificamente, conteúdos para esses estudantes que farão o Enem.

Contrato temporário
A SEEDF se comprometeu a buscar uma forma legal que possa estender o período da licença uma vez que a legislação vigente do contrato temporário não permite. Com relação à vigência do contrato temporário, foi solicitada a prorrogação de acordo com o novo calendário escolar.

Estratégia de matrícula e remanejamento
A SEEDF iniciará reuniões com os sindicatos da educação para pensarem juntos o que fazer. Não há nenhuma definição. As providências já estão sendo tomadas. Já fecharam convênio para higienização de todas as escolas.

 

 

 

COVID-19 E OS NOVOS AMBIENTES DE TRABALHO DOCENTE SÃO TEMAS DO PROGRAMA SABER VIVER EM CASA DESTA SEGUNDA (27)

Com a chegada da  Covid-19, diferentes adaptações foram necessárias devido ao contágio com o vírus. Os ambientes coletivos e aqueles que necessitam de duas ou mais pessoas precisaram de reinvenção ou opção pelo trabalho remoto, o que para muitos é um enorme desafio. Trabalhar de casa ou fazer o uso das novas tecnologias são algumas das saídas para o novo formato. 

Para debater mais sobre o assunto, o programa Saber Viver em Casa desta segunda-feira (27) às 18h30, abordará “A Covid-19 e os Novos Ambientes de Trabalho Docente”. Participa como convidada Fátima Sueli Neto Ribeiro, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Mestre e Doutora em Saúde Coletiva para debater o tema. Para mediação, participa a diretora do Sinpro, Mônica Caldeira.

O programa vai ao ar, às 18h30, ao vivo, pela TV Comunitária, no canal 12 na NET-DF, e pelo Facebook e Youtube do Sinpro-DF. Assista!

SINPRO REALIZA REUNIÕES NESTA SEXTA (24), COM todas as regionais, Participe!

Seguindo com o calendário de reuniões temáticas realizadas pelo Sinpro, nesta sexta-feira (24), acontecerá o encontro com os professores(as) e orientadores(as) de todas as regionais.

O encontro acontecerá a partir das 19h, nesta sexta-feira (24), pela plataforma Zoom

´Participe você também!

 

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