“Macarroa e a Muda” está em cartaz em escolas da rede pública de ensino

Nesta segunda-feira (25), o Centro de Ensino Fundamental nº 01 do Varjão (CEF 01 do Varjão) irá receber o espetáculo “Macarroa e a Muda”. A peça de teatro infantil, que apresenta uma concepção inovadora ao integrar recursos de acessibilidade em encenação inclusiva, será apresentada em outras escolas da rede pública de ensino do Distrito Federal.

A peça está em cartaz desde o dia 8 de novembro, quando foi apresentada na Escola Bilíngue de Taguatinga com um ensaio aberto e bate-papo. No dia 11/11, foi apresentada no CAIC Santa Paulina, no Paranoá; em 13/11, na Escola Classe nº 15 de Ceilândia (EC 15 de Ceilândia). Após a apresentção no Varjão, o espetáculo será apresentado na EC 08 de Brazlândia no dia 27/11. A temporada será encerrada no dia 29/11, no Centro de Ensino Especial do Guará.

Teatro acessível e sem mediação

A busca de uma linguagem teatral acessível a crianças com deficiência visual ou auditiva é o principal motivo que levou Nara Faria, atriz e arte-educadora com licenciatura em artes cênicas pela Universidade de Brasília (UnB), com especialização em dança e consciência corporal, a criar a peça “Macarroa e a Muda”. No espetáculo, ela utiliza a Língua Brasileira de Sinais (Libras), que se apresenta integrada à própria interpretação da palhaça Macarroa (Nara Faria), trazendo o foco do público com deficiência auditiva diretamente para a cena, sem a mediação do intérprete de Libras. Além disso, um grande livro pop-up, confeccionado artesanalmente pela atriz, confere ainda mais ênfase na percepção visual e imagética da narrativa.

Nara ministra aulas em teatro, circo e dança desde 1998 como profissional autônoma, e explica que, a perspectiva das crianças com deficiência visual também foi ponto central na criação. “A dramaturgia utiliza o recurso da audiodescrição por meio da narradora em off da história, Dona Voz (também interpretada por Nara Faria). Um libreto texturizado é disponibilizado para as crianças com deficiência visual, possibilitando a percepção tátil de imagens correspondentes às do livro pop-up. A trilha sonora original sensível de Marcello Linhos preenche a ambientação sonora, com a delicadeza da viola caipira”.

A atriz Nara Faria, responsável pela concepção geral da obra, explica outro aspecto que a motivou a criar a peça foi que, “após várias experiências atuando e assistindo peças com recursos de audiodescrição e Libras, me senti instigada a buscar uma encenação em que o público com deficiência pudesse mergulhar na obra em si, sem dividir a percepção entre a peça e sua tradução”. E completa: “E para o público infantil em geral é uma oportunidade riquíssima de entrar em contato com essas linguagens de forma sensível e divertida”. Ela narra que, durante as apresentações, as crianças ouvintes reproduzem os sinais da Libras. “Acredito que despertar a curiosidade é um caminho possível para que um maior número de pessoas se interesse em aprender Libras ou saber mais sobre acessibilidade”.

Macarroa e a Muda

Na história, a palhaça Macarroa está aborrecida por ser alvo de piadas por parte de seus amigos. Ao conversar com sua amiga Muda – uma planta – Macarroa deseja ser como ela para viver em paz. Seu desejo se realiza e ela se vê no lugar da amiga. Este inusitado exercício de empatia transforma sua visão do mundo e de si mesma. A peça proporciona uma reflexão sadia sobre as diferentes percepções de mundo, incluindo as das pessoas com deficiência.

O espetáculo convida o espectador ao questionamento sobre sua própria noção de normalidade, e nada mais coerente com a temática do que a figura do palhaço. “Desajustado por natureza, o palhaço é uma caricatura do ser humano: uma exacerbação de seus traços, sua sensibilidade e suas limitações. O palhaço nos permite tanto rir de nossa própria pequenez, nosso próprio ridículo, quanto nos comover com nossa potencial grandeza enquanto seres humanos”, reflete Nara. “A presença da personagem Muda, uma planta, destaca a necessidade de uma melhor relação do ser humano também com os seres de outras espécies, com o meio ambiente em si”. O espetáculo busca assim sensibilizar o público para o respeito à diversidade de forma ainda mais abrangente.

A montagem contou com a consultoria de Clarissa Barros e Tatiana Elizabeth, profissionais de acessibilidade cultural. O material gráfico, também acessível, apresenta banner tátil e programa da peça em linguagem mista (ilustração e Braille unidos). O diretor convidado, Zé Regino, comenta: “Este é sem dúvida um dos trabalhos mais desafiadores dos quais eu participei nos últimos tempos. Temos muito a caminhar para chegarmos a uma sociedade inclusiva. Tenho aprendido muito, e existe um universo a ser desbravado”.

“Macarroa e a Muda” estreou em novembro e segue em temporada gratuita nas escolas públicas do DF durante o mês, em Ceilândia, Brazlândia, Varjão, Guará e Paranoá. O projeto conta com patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura do DF. Com a direção de Zé Regino, trilha sonora original de Marcello Linhos, fotografia de Diego Bresani, consultoria em acessibilidade feita por Clarissa Barros e Tatiana Elizabeth e gestão da V4 Cultural, Nara, que é a autora do projeto informa que já estão abertas as inscrições para as escolas que quiserem participar desse projeto em 2025. Para agendamento, basta entrar em contato pelo e-mail contato.macarroa@gmail.com ou pelo telefone (61) 99241.2627 – Nara Faria. Instagram: @‌macarroaeamuda

CEM 10 de Ceilândia realiza 3ª Mostra de Curtas com protagonismo das mulheres negras

O protagonismo das mulheres negras e a trajetória do povo negro no Brasil foram os temas e o foco da 3ª Mostra de Curtas Centro de Ensino Médio nº 10 de Ceilândia (CEM 10 de Ceilândia). A escola realizou a edição deste ano do projeto pedagógico “Mostra de Curtas” entre os dias 12 e 14 de novembro. Com o propósito de valorizar a educação antirracista e antifascista, o projeto trouxe curtas elaborados durante o segundo semestre pelos(as) estudantes por meio de pesquisa, roteiro, elaboração de cartazes, filmagens até a realização da culminância do projeto.

Os curtas tinham a duração de 4 a 10 minutos, com temas voltados à temática da Consciência Negra. Com dois temas diferentes manhã trabalhou a trajetória do povo negro no Brasil e a tarde o protagonismo das mulheres negras. O turno matutino enfatizou a trajetória do povo negro no Brasil com temas que vão do movimento negro, leis, lutas e políticas até a abordagem sobre racismo estrutural, feminismo negro, revoltas do povo negro, heranças culturais africanas, poesias e contos, relatos de preconceito, personalidades negras, Quilombo ontem e hoje, representatividade negra na política, protagonismo negro.

No turno vespertino o tema protagonismo das mulheres negras, mulheres que marcaram a história e atuaram nas diversas áreas deu o tom à Mostra de Curtas. As personalidades escolhidas foram Rosa Parks, Carolina Maria de Jesus, Angela Davis, Dandara dos Palmares, Chimamanda, Conceição Evaristo, Elza Soares, Jaqueline Góes de Jesus, Rebeca Andrade, Cristiane de Sobral, Rosana Paulino e Gina Viera que foi inspiração para projeto.

A mostra de curtas faz parte do Projeto Político-Pedagógico (PPP) do CEM 10 e tem intuito de enfatizar uma educação antifascista e antirracista e que valorize a cultura negra. O Projeto da Consciência Negra do ano letivo 2024 consistiu na criação e na apresentação de um Curta Metragem de duração no mínimo de 4 minutos e no máximo de 10  minutos. Após a apresentação do Curta Metragem, a turma promovia uma dinâmica com os(as) estudantes presentes. O cartaz do curta foi divulgado no Instagram da escola e o tinha de ter compatibilidade com os direitos humanos. Confira as fotos nas redes digitais do Sinpro-DF.

Confira no link a seguir o álbum de fotografias: https://www.facebook.com/share/p/1DbTLt1ECk/

Leia mais sobre o projeto Mostra de Curtas do CEM 10 aqui

UECE oferece cursos de formação EAD gratuitos para professores da educação básica

Professores(as) da educação básica em exercício da docência têm até dia 26 de novembro para se inscreverem nos cursos de extensão: Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva e Formação para Docência e Gestão para a Educação das Relações Étnico-Raciais e Quilombolas. As formações, na modalidade a distância, são oferecidas pela Universidade Estadual do Ceará (UECE) e as inscrições são gratuitas. Inscreva-se em www.uece.br/sate

Para o curso de extensão Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, são oferecidas 5 mil vagas, distribuídas para todo o Brasil. Já o curso de extensão Formação para Docência e Gestão para a Educação das Relações Étnico-Raciais e Quilombolas oferece 3.750 vagas, também distribuídas em nível nacional. A seleção dos(as) candidatos seguirá ordem cronológica (dia, hora e minuto) das inscrições.
Para se inscrever, além de preencher a ficha no site www.uece.br/sate, é preciso anexar fotocópia do Documento de Identidade (documento oficial com foto), do CPF e da comprovação de vinculação como professor da educação básica (contra-cheque dos meses de agosto, setembro ou outubro de 2024 ou declaração que comprove o vínculo).

Cada um dos cursos terá carga horária de 120 horas e abordará questões como currículo, tecnologias e práticas pedagógicas inclusivas, no caso da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, e educação antirracista na prática, no caso da formação para Docência e Gestão para a Educação das Relações Étnico-Raciais e Quilombolas.

Acesse AQUI o edital

“As formações contam para progressão e pontuação, pela Carreira do Magistério Público do DF. Isso sem falar no acúmulo de conhecimento, imprescindível para uma educação pública de qualidade”, afirma a diretora do Sinpro Letícia Montandon.

 

 

Inscrições abertas para visita mediada ao Centro de Documentação do Patrimônio CDP/Iphan

O Sinpro informa que estão abertas as inscrições para a visita mediada ao Centro de Documentação do Patrimônio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (CDP/Iphan). A  visita é presencial e ocorrerá na quarta-feira (27/11), às 14h30. Com vagas limitadas, as inscrições estão disponíveis no link a seguir: https://forms.office.com/Pages/ResponsePage.aspx?id=09BNtDCR00qbkHcYe7rXZ8sfERqA081Nv_ClOa1NGFFUOFJQM1dGV1dNRDJORko0U05JWDdTQVc4TS4u

A atividade faz parte do “Mês da Consciência Negra Iphan” e é realizada por meio da parceria entre o Centro de Documentação do Patrimônio (CDP), em parceria com a Coordenação-Geral de Educação, Formação e Participação Social(Cogedu), que disponibilizam 20 vagas para a visita mediada ao CDP que dará acesso ao público ao acervo que trata da temática racial e história local e regional.

Com a integração das unidades e setores do CDP/Iphan-Cogedu, o CDP irá apresentar aos(às) visitantes as possibilidades de pesquisa do acervo histórico do Iphan, com foco em documentos de arquivos e livros, os quais têm o potencial de colaborar e subsidiar a promoção de diálogo e reflexão sobre a temática da igualdade racial e da representação dos(as) negros(as) em espaços de memória.

Segundo o Iphan, essa ação “se propõe, por meio de uma visita guiada ao CDP/IPHAN, apresentar o acervo que trata da temática história local e regional, apresentando aos(às) professores(as) da rede pública e privada do Distrito Federal e aos membros da comunidade, as possibilidades de pesquisa do acervo histórico do Iphan, em foco, apresentaremos documentos de arquivo e livros que tem o potencial de ajudar a promover o diálogo e reflexão sobre a temática da igualdade racial e da representação dos negros em espaços de memória”.

A sede do Iphan se localiza no SEPS (Setor de Edifícios Públicos Sul) Quadra 702/902, Bloco B, Centro Empresarial Brasília 50 – Brasília (DF). A  visita é presencial e será realizada no turno vespertino (de tarde),  às 14h30 e terá a quantidade de vagas limitadas. Faça sua inscrição por meio do link: https://forms.office.com/Pages/ResponsePage.aspx?id=09BNtDCR00qbkHcYe7rXZ8sfERqA081Nv_ClOa1NGFFUOFJQM1dGV1dNRDJORko0U05JWDdTQVc4TS4u

Bailarinas do Projeto Pliê da EC 12 de Taguatinga apresentaram espetáculo de ballet

Elas se apresentaram de collant, saia, meias e sapatilhas. Com esses trajes profissionais, as estudantes bailarinas da Escola Classe nº 12 de Taguatinga (EC 12 de Taguatinga) apresentaram o espetáculo de ballet “O Quebra-Nozes”, na noite de quinta-feira (5/11), no Teatro da Caesb, em Águas Claras. As estudantes participam do Projeto Pliê, desenvolvido na escola há 8 anos.

O projeto Pliê tem por objetivo promover o desenvolvimento integral das crianças e democratizar o acesso ao ballet, principalmente para crianças que não têm condições financeiras de arcar com os custos dessa modalidade de dança e para aquelas que têm necessidades educacionais específicas. No grupo, duas bailarinas cadeirantes participam das aulas.

O ballet como projeto pedagógico

As aulas de ballet ocorrem duas vezes por semana, no contraturno, na própria EC 12 de Taguatinga. “A aprendizagem vai além de passos e gestos. Desenvolve o autoconhecimento, o conhecimento do próprio corpo, das capacidades de resistência física e emocional, a disciplina, a autoestima e, sobretudo, estimula nas meninas o sonho de se tornarem bailarinas”, explicou a idealizadora do projeto e diretora da EC 12 de Taguatinga, Keith Alves.

Anualmente, as crianças matriculadas no projeto fazem duas ou três apresentações para o público. Neste ano, as apresentações ocorreram na Festa da Família e no espetáculo apresentado no dia 5/11. Para custear o traje das bailarinas, a gestão da escola realizou rifas e a ação “Adote uma Bailarina”. Em abril deste ano, duas estudantes do Projeto Pliê participaram de audição realizada pelo Ballet Bolshoi – uma das maiores escolas de dança do mundo.

Como tudo começou…

Uma criança diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) queria ser bailarina e, para tornar esse sonho possível, a diretora Keith idealizou o Projeto Pliê.

Confira fotos no álbum do Facebook do Sinpro no link a seguir:

https://www.facebook.com/share/p/1Ecwfy1YqV/

 

Texto de Jacqueline Pontevedra/CRET com edição da Imprensa do Sinpro-DF.
Foto: Arquivo pessoal.

 

@cre.taguatinga

Escola Classe 415 Norte ensina para a diversidade

Escola não é lugar de aprender apenas Português e Matemática. Na escola também se formam pessoas críticas, que saibam viver em coletividade e tenham interesse em construir um mundo mais justo e equânime. Na Escola Classe 415 Norte essa máxima é levada a sério e foi aplicada durante todo o ano letivo a partir do projeto pedagógico Aprender para a Diversidade.

O trabalho foi dividido em quatro eixos temáticos, um por bimestre. No primeiro, o tema foi “Eu e o outro”, onde foram trabalhadas questões como combate ao bullying e à intolerância religiosa e o respeito à diversidade.

No segundo bimestre, os estudantes trabalharam com o eixo “Corpo, mente e coração”. Durante os dois meses, foram realizadas ações que abordaram a saúde mental de professores e estudantes, partilha, interação, entre outros.

Já no terceiro bimestre, o eixo foi “Cultura popular”, com a abordagem da valorização de aspectos folclóricos, culturais e populares do DF e do Brasil, além dos aspectos da sociedade.

O eixo final deste ano letivo foi “Cidadania”, onde os(as) estudantes trabalharam com questões como respeito à democracia, sistema eleitoral brasileiro, respeito aos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.

O projeto culminou com mostra artística realizada no último 9 de novembro. Foram expostas centenas de pinturas, maquetes, textos, desenhos e uma série de outras expressões artísticas que exploraram a importância e a necessidade da diversidade.

Segundo o professor Pedro Henrique Peres dos Santos, o período de trabalho teve resultados positivos importantes. “Ao longo do desenvolvimento do projeto, vimos mudanças de comportamento e iniciativas que convergem com nossos objetivos de promoção da inclusão e da equidade, estímulo ao respeito e à tolerância, além do desenvolvimento de competências sociais e emocionais. E isso, tanto em estudantes como em professores e outros membros da comunidade escolar”, afirma.

Para a diretora do Sinpro Márcia Gilda, a iniciativa da Escola Classe 415 Norte é base para uma educação pública emancipadora. “Nós, professores, professoras, orientadores e orientadoras educacionais, também contribuímos para a formação dos adultos de amanhã. Se lutamos por um mundo de igualdade, de respeito, de tolerância, devemos levar isso para dentro das escolas. Lá formaremos e seremos formados a partir desses princípios”, afirma.

EC 26 de Ceilândia: educação antirracista é o ano inteiro

A culminância foi no último dia 9 de novembro, mas na EC 26 de Ceilândia Educação antirracista é o ano inteiro e tem nome: Projeto Conhecer-se. O projeto começou em 2021, e desde sua origem tem como uma das metas não ficar apenas na pedagogia do evento do mês da consciência negra.

O Projeto Conhecer-se é fruto de uma característica da comunidade escolar atendida pela EC 26: “nossa escola fica na Ceilândia Norte. As crianças da comunidade são em sua grande maioria negras, e percebemos que elas não estavam representadas nos livros didáticos, nas contações de histórias, salas de aulas, muros da escola. A partir dessa necessidade de atendimento à comunidade escolar, começamos a desenvolver o projeto”, conta a orientadora educacional da escola, Eliane Maria dos Santos Gomes.

A pedagoga explica que o projeto é diário e dura o ano todo, a começar pela formação dos professores na Semana Pedagógica. “O projeto tem dois grandes braços, a identidade étnico-racial e o conhecer-se, que trata da gestão das emoções das crianças. Então, trabalhamos não só a educação antirracista como buscamos nomear com as crianças as emoções que elas sentem, o que fazer quando elas estão com raiva, acolher as emoções”, explica Eliane.

 

Educação antirracista nos mínimos detalhes do dia-a-dia

O Projeto Conhecer-se é o fio condutor da EC 26. A educação antirracista se faz presente nos mínimos detalhes do cotidiano da escola: livros didáticos e literários trazem representatividade de pessoas negras e de autores negros, que são trabalhados ao longo do ano. “Toda sexta-feira, da forma que o professor e a professora quiser, o projeto é trabalhado: com um trabalho de arte, produção de texto, nas aulas de matemática e português, ou qualquer outra atividade à escolha dos professores e das professoras”, conta a orientadora, que completa: “contamos a verdadeira história da África, que os negros brasileiros são descendentes de reis e rainhas”.

A pintura dos muros da escola foi toda mudada. Agora, todas as paredes trazem pessoas negras ou indígenas. “Mudamos o nome da biblioteca da escola para “Biblioteca André Lucio Bento”, que é um professor da rede pública, negro e intelectual. Pintamos o desenho dele na parede da biblioteca”, conta Eliane.

A participação do professor André Bento não se restringiu à biblioteca: “nós o chamamos para plantar um baobá na escola no dia da árvore. As crianças do 5º ano foram ver o Baobá da Asa Norte, o exemplar mais antigo no DF”.

Representatividade e protagonismo profissional de pessoas negras? Também tem: “convidei duas amigas minhas, cientistas, para conversarem com as crianças sobre o dia do trabalhador e da trabalhadora, sobre suas profissões; no dia da mulher, trabalhamos a biografia da professora Gina Vieira Ponte”, detalha Eliane.

 

Autoestima na prática

As características de pessoas negras são apresentadas às crianças como motivo de orgulho, de forma a estimular a autoestima: são trabalhadas as características físicas das crianças: os cabelos crespos, lábios grossos, a cor de pele… Os lápis cor de pele são assunto especial nesse quesito, e são vários os lápis para representar os diferentes tons de pele. “Assim trabalhamos a aceitação e o orgulho.”, explica a pedagoga.

O trabalho com a autoestima das crianças se estende à família: Jaqueline Óliver, do salão Cachos Brasil, deu uma palestra para ensinar os responsáveis a cuidar dos cabelos das crianças “e aproveitamos para excluir do vocabulário expressões pejorativas como ‘cabelo ruim’”, conta Eliane.

Na culminância do projeto, são expostos todos os trabalhos das crianças, executados ao longo do ano. “E já temos várias ideias para o ano que vem”, conclui Eliane.

Clique aqui e confira o álbum do Facebook.

CEF 13 de Ceilândia realiza a culminância do projeto Halloween-Cultura

O Centro de Ensino Fundamental nº 13 de Ceilândia (CEF 13 de Ceilândia) adotou o Halloween, uma das tradições mais antigas e populares do mundo, comemoradas no dia 31 de outubro, como projeto pedagógico multicultural. Trata-se do projeto pedagógico Halloween-Cultura: uma celebração multicultural, cuja culminância ocorreu no dia 8 de novembro, com várias apresentações. Confira as fotos nas redes digitais do Sinpro-DF,

Durante o evento, todos os segmentos da comunidade escolar pôde participar e apreciar exposições de trabalhos acadêmicos relacionados ao tema, como poemas, desenhos, pinturas, esculturas, culinária, murais e cartazes. O evento contou apresentações teatrais, musicais e dança, o que tornou a finalização do projeto Halloween-Cultura em um momento de grande confraternização.

Realizado desde 2022 com a proposta de transformar o Halloween em uma ponte cultural, o objetivo do projeto é desmistificar preconceitos relacionados a essa data e destacar sua importância como uma celebração multicultural. Assim, o CEF promoveu, este ano, um evento especial que não apenas celebrou as tradições do Halloween, mas também procurou integrar e resgatar as lendas e costumes de diversos povos e promover uma maior compreensão sobre as diferentes culturas do mundo, além de estabelecer uma conexão dessas tradições com o folclore brasileiro, como o Carnaval ou o São João, e outras comemorações nacionais de grande importância no Brasil.

O projeto, idealizado por Suyane Lanuze, professora de inglês, já integra o Projeto Político-Pedagógico (PPP) da escola e tem como principal objetivo a valorização da cultura, o incentivo à pesquisa e a promoção da interdisciplinaridade na escola. Segundo as organizadoras, o evento proporciona uma rica oportunidade para os(as) estudantes do 8º e 9º Anos, com idades entre 13 e 14 anos, e da EJA-Interventiva, de explorarem e aprofundarem seus conhecimentos sobre a tradição do Halloween e suas diversas origens.

“A data do Halloween não se resume apenas ao aprendizado de um idioma estrangeiro, como o inglês, mas também é uma chance de descobrir e compartilhar a rica cultura de diferentes países. O trabalho foi desenvolvido respeitando todas as religiões. O estudante está liberado para usar, ou não, a fantasia que desejar. O foco são as apresentações dos temas conectados com as matérias e exposições dos trabalhos realizados no decorrer das três semanas destinadas ao projeto. Para o dia, realizamos uma exposição e apresentação dos trabalhos, com um lanche e atividades especiais preparados com muito carinho para os estudantes”, afirma Jean Magali, coordenadora e professora do CEF 13.

Tradições e costumes do mundo

A coordenadora explica que a era digital tem facilitado o acesso dos(as) estudantes a informações culturais de diversos lugares do mundo, o que amplia o interesse por tradições e costumes de outros países e, consequentemente, permite a incorporação dessas culturas no cotidiano escolar e promover a interdisciplinaridade. Assim, o Halloween-Cultura é um projeto que abrange diversas disciplinas, com atividades específicas para cada área do conhecimento, refletindo a proposta de um trabalho integrado.

Ela cita alguns exemplos de atividades: “Português e inglês: leitura e interpretação de textos literários de fantasia, oficinas de contação de histórias, saraus e apresentações de lendas. Artes: produção de decorações, apresentações teatrais, maquiagem, confecção de fantasias e expressões artísticas relacionadas ao tema. Educação física: jogos e danças típicas, brincadeiras e atividades lúdicas com o clima de festa.Ciências: experimentos e demonstrações de ilusões de ótica e outras atividades científicas que poderiam ser relacionadas ao tema do Halloween. Matemática: uso de gráficos, origamis e outros jogos matemáticos para conectar o conteúdo com a festividade. Geografia e história: estudo das origens do Halloween, suas lendas e personagens míticos, comparando com outras celebrações em diferentes países.

Metodologia e culminância

O projeto foi planejado e desenvolvido por meio de pesquisas realizadas em grupo. Cada uma das 12 turma (seis turmas do 8º Ano e, seis, do 9º Ano) tiveram a missão de decorar suas salas de aula e preparar apresentações sobre o Halloween e suas diversas vertentes culturais. As atividades foram distribuídas de forma que todas as disciplinas estivessem representadas nas apresentações finais.

O trabalho, segundo a coordenadora, também traz a inovação e o engajamento como prática pedagógica e uma das atividades que favorecem esse tipo de prática é o Concurso de Fantasias, com diversas categorias, como a melhor fantasia criativa, melhor fantasia feminina e masculina, e até prêmios para as turmas que mais se destacaram na arrecadação de alimentos, brinquedos ou agasalhos para doação a instituições carentes. Outra iniciativa que estimula a inovação e o engajamento são as “Ações Solidárias”, que trazem um aspecto ainda mais significativo para a celebração e mostra que o Halloween também pode ser um momento de generosidade e aprendizado sobre o valor de ajudar ao próximo.

Avaliação e impacto educacional

Magali explica que, no fim do projeto, os(as) estudantes são avaliados com base em sua participação nas atividades e na organização dos trabalhos, considerando a dedicação e o envolvimento de cada turma. A avaliação, que contemplou todas as disciplinas envolvidas, foi realizada de forma integrada e levou em conta a criatividade, a pesquisa e a colaboração entre os estudantes.

Segundo ela, o Halloween-Cultura no CEF13 é uma experiência enriquecedora para todos(as) estudantes, professores(as) e toda a comunidade escolar. Além de proporcionar um dia de muita diversão e aprendizado, o projeto tem impacto positivo na formação cultural dos(as) estudantes ao promover a valorização das diversidades culturais e ao quebrar tabus sobre uma das celebrações mais populares do mundo.

O evento, na opinião da coordenadora, é uma excelente oportunidade para refletir sobre o papel das festas e das celebrações na construção da identidade cultural, demonstrando como o Halloween pode ser uma rica fonte de aprendizado, diversão e, sobretudo, de respeito às tradições de outros povos. Com a participação ativa dos(as) estudantes e o apoio dos(as) professores(as), o Halloween-Cultura no CEF13 se consolidou como um exemplo de como a educação pode unir cultura, solidariedade e conhecimento de forma criativa e envolvente.

Origem do Halloween

A origem do Halloween remonta a cerca de 2.500 anos, na Irlanda, e desde então se espalhou por diversos países, incluindo Estados Unidos da América (EUA), Inglaterra, Japão e até o Brasil. No Brasil, a data tem ganhado cada vez mais destaque, principalmente em escolas, cursinhos e festas organizadas por instituições públicas e privadas. No entanto, ao longo dos anos, o Halloween foi visto por alguns como uma festividade de conotação negativa, associada a ideias de “demonismo”, um conceito que muitos brasileiros passaram a questionar.

Menino de Lata ensina às crianças a importância da reciclagem

A professora Vany Lopes anuncia a publicação de seu segundo livro infantil. O Menino de Lata trata sobre a questão social e econômica e a tolerância a essas pessoas que retiram do lixão o seu sustento, de forma honesta.

Vany Lopes, professora da Escola Classe 502 de Samambaia, está vendendo pessoalmente os exemplares, que foram publicados pela editora Autografia. Quem se interessar pode fazer a encomenda pelo WhatsApp (61) 99167-5874. Com a autora, cada exemplar sai a R$ 28,99.

O livro conta a história de Esperança e Zé Sonhador, que vivem num lixão e tiram dali o seu sustento. Esperança não pode ter filhos, então usa objetos recicláveis para fazer um boneco, que trata como filho. A história nos remete à lembrança do Pinoquio e Gepeto

A professora da EC 502 também é autora de A Gotinha Gugu, que ensina sustentaqbilidade e cuidados com a água.

Estudo completo sobre os nomes dos brasileiros em lançamento em 21/11

Qual a origem do seu nome? Quantas pessoas no Brasil têm o nome igual ao seu? E em Portugal? Seu nome era “moda” quando você nasceu? Essas perguntas são respondidas por um ramo da Linguística, a antroponímia, que estuda os nomes próprios, e é o tema do livro Os brasileiros e seus nomes, escrito pela linguista Juliana Soledade, professora da UFBA e da UnB. A professora Juliana lança seu livro na próxima quinta-feira, dia 21, a partir das 18h no Capital Bistrô, que fica no Setor de Clubes trecho 02.

“Este é um livro sobre os nomes próprios de pessoa, em especial nomes de bastimos (primeiro nome) dos brasileiros. Vamos conhecer como categorizamos os nomes aqui no Brasil, nomes de pobre X nomes de rico, nomes de velho X nomes de jovem. Vamos entender como e por quais motivos criamos nomes novos, como: Frenciele, Francinelscon, Francisvaldo, Advan, Adielson, Aderlan… etc.”, conta Juliana.

“Os Brasileiros e seus nomes” é resultado da tese apresentada por Soledade como pré-requisito para progressão ao nível de professora titular do Instituto de Letras na Universidade Federal da Bahia.

O texto traz explicações sobre as diferenças entre os tipos de nome que existem: apelido, nome de guerra, nome social, sinal de nome, nome alternativo. Traz também informações sobre como outras culturas usam nomes para identificar seus falantes, e como a história da formação sóciocultural do Brasil fez com que nosso conjunto de nomes seja hoje tão diferente do que é usado em Portugal.

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