Meninos do CEF GAN na segunda fase da Olimpíada Nacional de Ciências
Jornalista: Letícia Sallorenzo
Quatro alunos do CEF GAN, na Asa Norte, participarão da segunda etapa da Olimpíada Nacional de Ciências (ONC). A competição é promovida pelo Ministério de ciência e Tecnologia entre estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental. No GAN, Ícaro Samuel, Vincenzzo Ribeiro e Antônio Yam, do 8º ano, e Pedro Pereira, do 6º ano, todos sob orientação da professora Edriana Araújo de Lima, estão classificados para nova bateria de provas.
“O CEF GAN sempre participa das olimpíadas de Ciências e Matemáticas. Este ano, cerca de 15 alunos se inscreveram na competição”, conta a professora Edriana, orgulhosa. “A gente sempre incentiva os meninos e as meninas a participarem.”
Antônio conta como foi a prova: “algumas questões estavam até fáceis, mas no geral a prova estava bem difícil. Também foi difícil estudar tudo em apenas uma semana, mas eu estou bem feliz com esse resultado!”. Já o Ícaro está muito feliz por ter se classificado para a segunda fase: “Ganhei uma recompensa com essa classificação para a segunda fase, que pode me levar a ganhar uma medalha”. Vicenzzo também está muito satisfeito com a conquista: “Eu estudei muito, me esforcei muito, estou muito feliz por ter passado na primeira fase da ONC!”
A segunda fase da ONC acontece na próxima semana, com provas nos dias 12 e 13 de setembro. Quem vencer essa segunda etapa participa de solenidade de premiação aqui em Brasília.
A Olimpíada Nacional de Ciências integra o Programa Ciência na Escola e é uma realização de cinco Sociedades Científicas: a Sociedade Brasileira de Física (SBF), a Associação Brasileira de Química (ABQ), o Instituto Butantan, a Sociedade Astronômica Brasileira e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Se a sua escola também classificou estudantes em competições nacionais ou internacionais, conte pra gente! Mande um e-mail para imprensa@sinprodf.org.br.
Professora precisa de ajuda para custear tratamento contra câncer
Jornalista: sindicato
A professora recém-aposentada Adriana Fernandes de Carvalho precisa da ajuda da categoria, e de quem mais quiser colaborar, para custear a cirurgia de ressecção da maxila, septo nasal, esvaziamento cervical e uma cirurgia reconstrutiva, ou seja, ela vai retirar um câncer localizado na boca e reconstituir a face para tentar reduzir as sequelas faciais e funcionais.
A colaboração financeira pode ser depositada no PIX: 61982428334 (celular), no Nubank, da própria professora Adriana Fernandes de Carvalho.
Trata-se de um tumor cancerígeno altamente grave que, após retirado, necessita da realização de reconstrução da face. Hoje, Adriana precisa de 70 mil reais para a realização dessa cirurgia. É um procedimento médico de grande porte, muito complexo e delicado, que deve ser realizado por uma equipe médica formada por cirurgiões de diversas especialidades (cirurgião de cabeça-pescoço, cirurgião otorrino, cirurgião plástico reconstrutor, patologista, entre outros).
“A cirurgia é de extrema urgência, estamos correndo contra o tempo e, não se pode esperar pelo Sistema Único de Saúde, devido ao fato do SUS não realizar a cirurgia de reconstrução da face”, afirma. A colaboração financeira pode ser depositada no PIX: 61982428334 (celular), no Nubank, da própria professora Adriana Fernandes de Carvalho.
Adriana ingressou na Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) como professora efetiva em 2000, mas atuou como professora de contrato temporário de 1995 e 2000. Antes disso, também trabalhou na rede privada de ensino. Depois de se tornar professora efetiva, lecionou na Escola Classe Paraná de Planaltina e outras escolas dessa cidade-satélite, como a Escola Classe 11, que atualmente é o CEI 02; CEF 03; EC 08, que hoje é o CEF 08; EC 06; e, nos últimos 10 anos, até junho de 2024, atuava na Escola Classe 09 de Planaltina, onde se aposentou.
Jogos Escolares Paradesportivos do DF serão em outubro
Jornalista: Vanessa Galassi
Estudantes com deficiência matriculados nas escolas públicas do DF poderão participar dos Jogos Escolares Paradesportivos, agendado para a segunda quinzena de outubro. O regulamento do campeonato realizado pela Secretaria de Educação (SEEDF) com o apoio da Associação de Centro de Treinamento de Educação Física Especial (CETEFE) será divulgado em breve. As inscrições são gratuitas.
Poderão se inscrever estudantes com deficiência física, visual, auditiva, intelectual ou com Transtorno do Espectro Autista (TEA), de 9 a 20 anos. Eles(as) poderão optar entre nove modalidades: atletismo, natação, bocha, badminton, golbol, futebol PC (paralisia cerebral), futsal intelectual, tênis de mesa e tênis em cadeira de rodas. Para cada modalidade serão aplicadas divisões por faixa etária e classes funcionais.
Para o coordenador dos Jogos Escolares Paradesportivos, Wanderson Cavalcante, o principal objetivo da competição é “a participação”. “Não estamos preocupados em ter campeões, de detectar talentos, em ter medalhistas. Queremos participação. Quanto mais estudantes participarem, melhor. Queremos que esse público, que é carente de eventos esportivos, tenha essa vivência”, diz Wanderson, que é professor de Educação Física da rede pública há cerca de 25 anos e atua na CETEFE.
Wanderson Carvalho, professor de Educação Física da rede pública de ensino do DF e coordenador dos Jogos Escolares Paradesportivos
O professor, que escolheu estudar e atuar com Educação Física para pessoas com deficiência quando ainda estava no Ensino Superior, explica que o “esporte é um instrumento de inclusão” e que, a partir dele, pode-se desenvolver a parte motora e intelectual das pessoas com deficiência, além de fazer o “resgate social e cultural que o estudante precisa”. “Quando trabalhamos uma Educação Física que inclui as pessoas com deficiência, conseguimos ver, na prática, o progresso da independência e da autoestima dessas pessoas. Quando colocamos várias pessoas com deficiência em jogos esportivos, eles se sentem parte daquilo”, diz.
Cento e cinquenta estudantes participaram da última edição dos Jogos Escolares Paradesportivos, realizada em 2023. Wanderson Cavalcante diz que todos os esforços estão sendo feitos para ampliar esse número. “Muitas vezes há falta de conhecimento (sobre os Jogos Escolares Paradesportivos) do público e até mesmo das próprias escolas. Queremos, justamente, chegar a este público que sabe que pode participar da competição, mas não sabe que essa competição existe”. Atualmente, a rede pública de ensino do DF atende mais de 30 mil alunos com necessidades específicas, segundo a Agência Brasília, portal de notícias oficial do Governo do Distrito Federal.
CED 416 de Santa Maria adota projetos pedagógicos e supera desafios
Jornalista: Maria Carla
Após anos enfrentando desafios e uma série de avaliações negativas, o Centro Educacional 416 de Santa Maria (CCMDF – CED 416 de Santa Maria) implantou diversos projetos pedagógicos em conjunto com a comunidade escolar para transformar a qualidade de ensino e melhorar a imagem da escola perante a sociedade.
Essas iniciativas têm feito da escola um exemplo de sucesso e superação. Uma das principais medidas adotadas para elevar a qualidade do ensino foi fomentar uma preocupação coletiva com a eficácia educacional, atribuindo a responsabilidade por essa qualidade não apenas às disciplinas com maior carga horária, como matemática e língua portuguesa, mas a todos os envolvidos na educação, desde o Ensino Fundamental até o Ensino Médio.
Jades Daniel Nogalha de Lima, professor de história e atual supervisor pedagógico, com mestrado em gestão, educação e tecnologias, relata que a escola superou grandes desafios para, recentemente, alcançar boas avaliações em competições externas, como as Olimpíadas de Matemática, Ciências, Astronomia e uma boa nota no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em 2023. “Temos nos dedicado intensamente a melhorar a qualidade da educação, e isso, sem dúvida, levou aos resultados positivos que agora se refletem na nossa nota do Ideb”, afirma Jades.
Ele conta que, em primeiro lugar, houve muita dedicação e comprometimento dos(as) professores(as) no sentido de observar e identificar as dificuldades de cada estudante de forma individual e adotar ações coletivas para superação dessas dificuldades. “Por exemplo, se percebêssemos que determinado aluno estava com dificuldade de leitura e de interpretação, a ação coletiva era para que esse aluno pudesse ler um texto de história, de geografia, e não só de língua portuguesa, e conseguisse entender que cada texto tem como objetivo o aprimoramento do conhecimento do estudante de forma pontual. Essas adequações, nas ações coletivas, fizeram com que cada estudante pudesse superar as dificuldades individuais. Acreditamos que essa foi uma ação muito importante”.
Em segundo lugar, a escola implantou uma ação que, na opinião do professor, foi crucial para transformar o ambiente violento e desmotivador da escola. “Focamos em preparar os estudantes para as avaliações externas, incluindo resoluções de questões do PAS [Programa de Avaliação Seriada] e do Enem [Exame Nacional do Ensino Médio]. Os professores passaram a trazer essas avaliações para a sala de aula, não só as da Universidade de Brasília, mas principalmente as do Saeb [Sistema de Avaliação da Educação Básica], para que os alunos dos 9º e 3º Anos, e de outras séries, soubessem o que esperar dessas provas. Os alunos foram incentivados a realizar essas provas, e sem essas ações, um bom resultado seria, praticamente, impossível de ser alcançado. Além disso, esse foco em avaliações externas ajudou a combater a violência, criando um ambiente mais pacificado, engajado e motivado. Houve uma preparação coletiva do corpo docente para capacitar os alunos a lidarem melhor com essas provas, além de reforços positivos, como premiação pela participação e desempenho”, explica.
Na opinião do supervisor pedagógico, a comunidade do CED 416 também tem passado por mudanças que podem ter influenciado nos resultados da escola. Ele destaca que a escola tem recebido alunos de novas áreas, como o recente setor de condomínios Total Ville, um bairro de classe média em Santa Maria.
Violência
Jades conta, ainda, que todo esse empenho é resultado de uma sucessão de avaliações negativas da escola. “Antes da pandemia da covid-19, a escola enfrentava dificuldades pedagógicas e outros tipos de problemas, como o tráfico de drogas dentro dela e a violência externa, que repercutia internamente. Houve um enfrentamento coletivo a essas violências, com palestras, ações junto à comunidade, projetos pedagógicos desenvolvidos pelo corpo docente e pelo SOE [Serviço de Orientação ao Estudante]”.
A escola ainda enfrenta várias dificuldades que não foram resolvidas, como problemas com a infraestrutura inadequada, salas de aula superlotadas e a necessidade de atender aos alunos de diferentes níveis de ensino, já que é um CED. “A defasagem de aprendizagem no pós-pandemia fez com que muitos alunos apresentassem déficits educacionais significativos, dificultando o processo de ensino regular. Já lidávamos com a desmotivação, a falta de perspectiva e o baixo engajamento dos alunos em relação à educação, e esses problemas persistiram. Esses desafios eram enormes, e aos poucos estamos adotando projetos, palestras e trabalhando em conjunto com o SOE, corpo docente e coordenadores para levarmos os alunos a outros ambientes, oferecendo atividades externas que os motivem. Acredito que isso tem gerado resultados positivos”, destaca o professor.
Jades acredita que, aos poucos, essas dificuldades, cada vez mais, serão sanadas, porque o corpo pedagógico está voltado para unificação e alinhamento do ensino, com o envolvimento de todas as disciplinas e de todos os setores da escola em projetos pedagógicos com o objetivo de superação dos desafios. “O grande desafio é envolver toda a comunidade escolar e fazer com que todos — disciplinas, professores e comunidade — abracem a ideia de que a escola pertence à comunidade do 416. Estamos conseguindo mostrar aos estudantes que a escola é um patrimônio de todos e faz parte de toda a comunidade. Nós, professores e equipe de gestão pedagógica, também abraçamos essa comunidade, que é nossa. Dessa forma, os alunos e, por consequência, os pais e toda a comunidade, também se envolvem com a escola. Graças a esse engajamento, conseguimos uma nota no Ensino Médio que nos colocou em sexto lugar no ranking das 10 melhores escolas, junto com o CED 08 do Gama”.
A nota de destaque da escola foi 4.7, em 2023, depois de uma nota 4.0, em 2021. “Esse resultado reflete o esforço coletivo de todo o corpo docente, com cada área contribuindo com projetos para melhorar a qualidade da aprendizagem dos alunos. Além do Ideb, o CED 416 participa de várias outras avaliações externas, não com o objetivo de ranqueamento, mas para que os estudantes conheçam e entendam o que há além dos muros da escola, como destaca a disciplina projeto de vida. Os alunos são incentivados a explorar essas oportunidades, que ajudam a perceber o mundo fora da escola e a entender que o conhecimento não se limita ao ambiente escolar. A escola abre portas para diferentes tipos de avaliações e conhecimentos, proporcionando aos alunos uma visão mais ampla.”, explica o Supervisor Pedagógico.
Projetos
Atualmente, o CED 416 está com vários projetos voltados para a manutenção desse conhecimento do estudante e seu aprimoramento, como o projeto NAmoral, uma parceria entre o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), criado para difundir o conceito de cidadania plena, o valor da honestidade e colaborar na formação de cidadãos responsáveis. A escola foi contemplada, recentemente, com o projeto “Programadores de Futuro”, que é uma formação dentro da Unidade Escolar em formato de eletiva com o objetivo de formar estudantes em futuros profissionais de programação.
Há o projeto “Estrelas – Guiando o Caminho para o Sucesso”. “Trata-se de um projeto liderado pelos coordenadores da escola, para que possamos pegar aqueles estudantes que se destacam pelas notas e por sua conduta disciplinar, para que sejam monitores de outros estudantes que estão precisando de melhorar seu desempenho escolar. É uma ação em que os melhores estudantes apoiam os que estão com dificuldades acadêmicas. Ele está sendo iniciado. Há o projeto “Saindo da Rotina”, que visa retirar o aluno do ambiente escolar tradicional e, constantemente, oferecemos possibilidades para ele reconhecer a importância da aprendizagem prática por meio do contato com diversos contextos e realidades fora da escola. De alguma forma, esse projeto propõe ampliar os horizontes dos estudantes, ao mesmo tempo que promove uma educação mais holística e significativa”, informa o professor.
Outros projetos estão sendo iniciados, como o “Projeto PASso a PASso”, que surgiu para preparar os nossos estudantes para as avaliações externas, principalmente para o PAS e o Enem. Esse é um projeto que temos procurado desenvolver com as eletivas da nossa escola. Outro projeto é o “Horta e Ciência – Semeando Saberes e Colhendo Conhecimentos”, que surge com a compreensão de que a horta escolar não é apenas um espaço para cultivo de plantas, mas também uma ferramenta valiosa para promover aprendizado significativo interdisciplinar. Com ele, a escola busca unir os conceitos da horta, da ciência, do meio ambiente, para que o estudante possa explorar e aplicar os conhecimentos em diversas áreas científicas, além do desenvolvimento de suas habilidades práticas e socioemocionais.
“Dessa maneira, com o esforço de todos, estamos fazendo com que o nosso aluno entenda e perceba que a escola tem ainda muito a oferecer dentro e também fora do ambiente escolar. Com dedicação e empenho, acreditamos que o futuro reserva ainda mais conquistas e oportunidades para todos nós, é o que deseja a nossa equipe pedagógica”, finaliza.
Sinpro participa de audiência pública contra o confisco das aposentadorias
Jornalista: Alessandra Terribili
Na tarde desta terça-feira, 3 de setembro, uma audiência pública convocada pela deputada federal Carla Ayres (PT-SC) reuniu representantes de diversas categorias para debater as PECs 006/2024 e 555/2006, que tratam da extinção das contribuições previdenciárias de aposentados e pensionistas. A audiência aconteceu por meio da Comissão de Legislação Participativa.
O Sinpro-DF esteve presente, como parte da luta contra o confisco das aposentadorias e pensões. O presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues, professor da SEE-DF, integrou da mesa de debates.
A principal reivindicação dos movimentos sindicais é que a PEC 006/2024 seja apensada à 555/2006 e sejam apreciadas pelo plenário da Câmara. A primeira prevê o fim gradativo das contribuições ao longo de dez anos, enquanto a PEC 555/06 prevê sua extinção imediata.
“Nós defendemos justiça para aposentados, aposentadas e pensionistas que já contribuíram durante a vida toda. O que acontece hoje é um confisco, uma bitributação”, afirma Rodrigo Rodrigues. “A extinção dessa bitributação poderia ser compensada com a inclusão de outras categorias de trabalhadores da ativa no sistema previdenciário, como os motoristas de aplicativo. Isso colocaria imediatamente 1,5 milhão de trabalhadores dentro de um sistema de seguridade social”, destacou ele.
Foto: Elineide Rodrigues
A cobrança da contribuição previdenciária sobre a remuneração de aposentados(as) e pensionistas do serviço público começou com a Emenda Constitucional 41, de 2003. A reforma da previdência de 2019 incluiu nessa tributação aposentados(as) e pensionistas de regimes próprios.
Para a coordenadora da Secretaria de Aposentados do Sinpro, Elineide Rodrigues, essa taxação de aposentados e pensionistas faz parte de um projeto de desmonte do serviço público: “A longevidade está aumentando no nosso país, e a população idosa tende a aumentar. São pessoas que precisam ter cuidados especiais com a saúde, com alimentação saudável, têm mais gastos médicos”, lembra Elineide. “Com a bitributação, aposentados e aposentadas perdem seus salários e têm seus direitos reduzidos”, afirma.
O Sinpro, através da Secretaria de Aposentados, continua acompanhando a tramitação das PECs e participando do debate e das lutas pelo fim do confisco das aposentadorias e pensões. Acompanhe o site e as redes do Sinpro para participar das mobilizações e da pressão aos parlamentares e ministros do STF, que devem apreciar essa questão em breve.
Professora aposentada conta a história do Quilombo que gerou Brasília
Jornalista: Letícia Sallorenzo
Antes de os candangos chegarem por aqui para construírem aquela que viria a ser a Capital Federal, o canteiro de obras de Brasília recebeu mão de obra, além de alimento e água, do quilombo Mesquita, localizado em Cidade Ocidental (GO). Essa história é contada no livro “O Quilombo que Gerou Brasília”, da professora aposentada da rede Antonia Samir, que será lançado no dia 11 de setembro às 19h no Espaço Cultural Renato Russo.
Com esse livro, Antonia busca desconstruir o discurso de que a cidade foi construída “onde não havia ninguém”. “Essa versão torna invisível uma comunidade repleta de saberes tradicionais e práticas culturais”, contesta a professora.
“Por ser filha de pai nascido na região, sempre me incomodaram as manifestações de estigmatização em relação ao povo preto de Luziânia (local onde a comunidade nasceu), tanto pela omissão na implantação de políticas públicas, como pelo próprio morador de Brasília, que invisibiliza essas pessoas. O livro busca ser uma revisão de como se deu a ocupação da região onde hoje se localiza Brasília, e faz uma retrospectiva histórica importante da colonização do território da Capital Federal e da presença do negro na região e na construção da capital”, conta Antonia.
O Quilombo de Mesquita fica a 40 Km de Brasília, em Cidade Ocidental (GO). Surgiu a partir da resistência de três mulheres escravizadas que viviam na fazenda do sargento-mor português José correia de Mesquita. No local, as três mulheres e seus descendentes. O Quilombo Mesquita existe e resiste até hoje, há sete gerações.
Antonia também é pioneira em vários aspectos: Nasceu na Cidade Livre, hoje Núcleo Bandeirante; foi batizada em 21 de abril de 1960, estudou na Escola Classe 1 do Núcleo Bandeirante e foi uma das primeiras moradoras da Ceilândia. A história de Brasília se confunde com a história de sua vida.
“Publiquei esse livro com todos os meus recursos. Me orgulho de minha história, e não quero ver minhas origens e a minha história silenciadas.” O livro “O Quilombo que gerou Brasília” é resultado de sua tese de doutorado, defendida na Faculdade de Educação da Universidade de Brasília.
Serviço:
Lançamento do livro O Quilombo que gerou Brasília, de Antônia Samir Ribeiro
Na tarde desta segunda-feira (2/9), as turmas de 6º e 7º anos do CEF 02 do Plano Piloto, na Asa Sul, assistiram a uma série de palestras sobre os povos originários brasileiros. O evento faz parte do Projeto Povos Originários – Raízes do Brasil, e trabalhou, ao longo dos últimos dois meses, informações sobre as etnias Yanomami, Guarani, Terena, Kaingang, Guajajara, Ticuna e Xavante.
No evento da segunda-feira, as crianças conversaram com o historiador Amarildo Carvalho e com o indígena Lucas Marubo. Carvalho foi à escola por indicação da secretaria de assuntos de raça e sexualidade do Sinpro. Marubo atua na Câmara Federal na parte jurídica dos direitos dos povos originários, e atua na Coordenação da Frente Parlamentar Indígena, uma importante articulação de parlamentares e organizações indígenas de todo o Brasil (municipal, estadual e nacional).
Projeto Interdisciplinar
O projeto povos originários está sendo desenvolvido há 2 meses e é voltado tanto para alunos do 6º e 7º anos quanto para os professores da escola. “A gente também precisa se formar. Buscamos de diversas maneiras trazer formadores da temática indígena, sobretudo indígenas, que trabalhassem trabalharem com os professores durante a coordenação pra gente ter respaldo teórico e prático na hora de prepararmos o conteúdo pedagógico para os alunos”, conta a professora Darc Lene Braga Pereira, uma das coordenadoras do projeto. “E, para além das sete etnias, trabalhamos também a relação dos povos originários brasileiros com a natureza e a necessidade de pensar essa existência que é a nossa própria existência”, completa Darc.
As sete etnias foram trabalhadas transversalmente nas disciplinas, junto com os professores Gabriel Martins, da disciplina CABI (Cultura Afro-Brasileira e Indígena), e Luan Guilherme Lima, de História. “Apresentamos aos alunos contos do escritor Ailton Krenak, cantores indígenas, e vários elementos indígenas da contemporaneidade”, conta a professora.
Além da palestra desta segunda-feira, todas as turmas da escola visitaram o museu dos povos indígenas e o Santuário dos Pajés, a primeira terra indígena demarcada dentro do DF, onde conheceram a história do santuário.
MEC seleciona educadores para elaborar protocolo de prevenção ao racismo nas escolas
Jornalista: Letícia Sallorenzo
Educadores e pesquisadores especialistas em estudos raciais da educação pública têm até a próxima quinta-feira, 5 de setembro, para se candidatarem à seleção pública para elaboração dos protocolos de prevenção e resposta ao racismo em todas as etapas da educação básica e no ensino superior. A medida faz parte da implementação da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ).
A seleção é regida pelo Edital n.º 3/2024, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Cinco consultores (um para cada etapa do ensino) serão escolhidos para colaborar na construção dos protocolos a serem seguidos pelas instituições de ensino em situações de racismo.
Quem se interessar pode enviar o currículo para avaliação e suas propostas preliminares para a Política. As propostas preliminares devem estar apoiadas em:
— Marcos normativos que alicerçam a educação das relações étnico-raciais no Brasil; evidências científicas elaboradas sobre o tema;
— Rigor metodológico no desenho dos protocolos, incluindo evidências da validação do instrumento; e
— Boas práticas referentes a recomendações objetivas e claras para a prevenção a eventos racistas no âmbito escolar e universitário, bem como os modos de agir em cada caso.
“O Sinpro saúda essa iniciativa do governo federal. Entendemos que o trabalho com educação antirracista é muito importante, por isso produzimos material de formação docente e cartilhas com educação antirracista, e já levamos essas formação para as escolas. Vemos agora o compromisso político de um governo com o futuro das relações sociais pautadas pelo respeito à diversidade racial. Esperamos que a criação desse protocolo gere a conscientização antirracista necessária à sociedade”, comemora a coordenadora da secretaria de assuntos de raça e sexualidade do Sinpro, Márcia Gilda.
A PNEERQ busca promover políticas educacionais de equidade e antirracistas nas escolas brasileiras, mediante a implementação de ações e programas voltados à superação das desigualdades étnico-raciais nos ambientes de ensino, bem como a promoção da política educacional para a população quilombola.
Até 2027, R$1,5 bilhão serão investidos nos sete eixos da política, de modo a impactar 5.570 municípios das 27 unidades da Federação, realizando ações universalistas e ações focalizadas em redes com maiores desigualdades.
Instituída pela Portaria n.º 470/2024, a Política tem como compromissos a estruturação de um sistema de metas e de monitoramento da Lei n.º 10.639/2003, modificada pela Lei n.º 11.645/2008; a formação de profissionais em gestão educacional e educação para relações étnico-raciais (Erer) e educação escolar quilombola (EEQ); e a criação de protocolos oficiais de prevenção e de resposta a práticas racistas no ambiente escolar e universitário.
Professora realiza qualificação de doutorado sobre consciência inicial, em si e para si, do coordenador pedagógico
Jornalista: Maria Carla
Nesta quarta-feira (4), a partir das 9h30, Lívia Gonçalves de Oliveira, professora efetiva da rede pública de ensino do Distrito Federal, realizará sua qualificação de doutorado, presencialmente, na Sala Atos da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (FE-UnB). Professora de Atividade, pertencente à Coordenação Regional de Ensino (CRE) do Núcleo Bandeirante, e afastada da sala de aula para estudo, Lívia fará sua qualificação sobre o projeto de tese intitulado “Coordenador pedagógico: formação da consciência inicial, em-si e para-si no e pelo trabalho educativo”, sob orientação da Prof. Drª. Edileuza Fernandes.
Ela explica que o projeto de pesquisa apresenta como objeto de estudo a consciência inicial, em si e para si do coordenador pedagógico. “Nesta temática, compreende-se que a função social precípua da escola pública é oportunizar aos sujeitos a apropriação de conhecimentos historicamente produzidos pela humanidade e a sua formação humana omnilateral. Nesta perspectiva, entende-se que os indivíduos envolvidos no trabalho educativo e pedagógico precisam perceber a escola como uma das esferas fundamentais de enriquecimento da universalidade humana, pois quanto maior for a compreensão crítica dos diversos complexos que constituem a vida humana, mais transformador e emancipatório será o papel dos indivíduos na sociedade”.
Lívia observa que, em assim sendo, entender esse movimento envolve a análise da formação da consciência dos indivíduos, que se dá a partir da realidade concreta existente em um processo inicial de interiorização de valores, normas, juízos e somados a esses, o domínio dos conhecimentos científicos. “Nesse sentido, destaca-se o papel do coordenador pedagógico nas escolas públicas contemporâneas, como um dos responsáveis pela mediação dos saberes pedagógicos que consubstanciam a prática docente e, logo, a formação humana dos seus pares. Este profissional, tem um papel essencial na articulação do trabalho pedagógico e pode em sua atividade, conceber e propor ações que podem manter, reproduzir ou transformar a realidade escolar, os seus pares e a si mesmo, dependendo do nível de consciência que possui de seu trabalho enquanto práxis intencional, planejada e orientada a finalidades”.
Destaca, ainda, a relevância dessa temática e diz que se dedicou a ela porque, “primeiramente, a universalidade que caracteriza a atividade do coordenador pedagógico ainda carece de um entendimento mais profundo e de determinações concretas; com isso, meu objetivo é contribuir para a produção de conhecimento sobre a formação da consciência desse sujeito, que ainda é pouco explorado nos estudos sobre o contexto escolar. Em segundo lugar, ao revisitar os estudos de Mauro Iasi em sua obra ‘Consciência e Ideologia: para além dos muros de pedra’, ele destaca que o movimento de compreensão de quem somos e do que podemos fazer se transforma em uma força material capaz de nos impulsionar para além das barreiras, pois ao reconhecê-las e entendê-las, podemos almejar superá-las. Nesse sentido, meu trabalho busca construir mediações que possibilitem aos coordenadores pedagógicos, e aos demais profissionais envolvidos na atividade pedagógica, transformar o saber e o conhecimento crítico sobre a realidade concreta em uma força material, elevando sua consciência a patamares mais elevados. Isso fortalece as ações emancipatórias e transformadoras desses indivíduos a partir do ato educativo, que é a base para a construção de uma prática pedagógica verdadeiramente comprometida com a transformação social”, finaliza.
Sinpro fortalece Semana Escolar de Combate à Violência Contra a Mulher
Jornalista: Vanessa Galassi
Estudantes do CED 16 da Ceilândia trocaram anotações no caderno por um bate papo sobre a Lei Maria da Penha, no último 29 de agosto. A palestra, promovida pela Secretaria de Mulheres do Sinpro, fez parte da Semana Escolar de Combate à Violência Contra a Mulher, realizada de 26 a 30 de agosto em toda rede pública de ensino do DF.
“Orientar estudantes sobre a Lei Maria da Penha reflete em várias frentes. Ajuda a conscientizar sobre os diferentes tipos de violência doméstica e familiar, suas consequências e formas de prevenção; dá força para que as vítimas, a partir do conhecimento da legislação, reconheçam seus direitos e a busquem proteção; estimula testemunhas a denunciarem casos de agressão”, afirma a diretora do Sinpro Mônica Caldeira, que palestrou no CED 16 da Ceilândia.
Para o supervisor da unidade escolar, Wellington Nascimento dos Santos, debates como o realizado pelo Sinpro têm o potencial de prevenir casos de violência contra as mulheres e, até mesmo, de salvar vítimas. “Quando a gente mexe no vespeiro, sempre vem uma ou outra (pessoa) que nos procura. Tenho certeza que daqui para a semana que vem, uma ou outra (estudante) vai procurar a gente para falar sobre o tema”, conta o supervisor.
O CED 16 da Ceilândia atende estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) do 2º e 3º segmento, o que equivale etapas que vão do 5º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio. Segundo Wellington dos Santos, por terem idade mais avançada (entre 25 a 40 anos, majoritariamente), “muitos estudantes têm sua própria experiência e conseguem se sentir parte do problema”.
Há quase três décadas na rede pública de ensino, Wellington dos Santos defende a discussão de temas como o combate à violência contra as mulheres nas escolas por entender que que elas têm “o papel de mudar a sociedade”. “A escola tem que lutar contra o machismo estrutural. A violência contra a mulher é resultado do machismo estrutural, que não é ruim só para a mulher, mas também para os homens; é ruim para todo mundo. Isso porque banaliza a violência e forma homens violentos, e faz com que as mulheres, muitas vezes, naturalizem aquilo que não é para ser naturalizado. Escola é lugar de formação e de ruptura de paradigma; é lugar de transformação”, afirma.
Para a diretora do Sinpro Mônica Caldeira, é dever de todos os sindicatos discutir questões de gênero em todos os espaços. “Nós, como sindicato dos professores e professoras, orientadores e orientadoras educacionais, temos uma responsabilidade enorme, já que estamos em um ambiente que é, organicamente, transformador. Mas o combate à violência contra as mulheres, a luta contra o machismo e a misoginia, a defesa dos direitos das mulheres devem ser temas da pauta de luta de todos os sindicatos da classe trabalhadora. Essa é uma tarefa de todos e todas”, afirma.