Comunicadoras Negras se reúnem para debate e premiação no Festival Latinidades

Elas concorrem ao Prêmio Jacira Silva, nas categorias Jornalista Negra e Mídia Negra

No dia 26 de julho, no Museu Nacional, comunicadoras negras se reúnem para debate e premiações. A mesa Mulheres Negras na Mídia: Inovação e Impacto na Comunicação Pública vai compartilhar experiências pessoais no mundo da comunicação, refletindo os desafios impostos pela intersecção do racismo, sexismo e misoginia. A ideia é fazer pensar as possibilidades de futuro com mais participação das mulheres negras em diferentes processos comunicacionais.

Ao final do debate serão definidas as vencedoras do Prêmio Jacira Silva, em reconhecimento ao trabalho e luta de mulheres negras na comunicação e de mídias negras. Na categoria Jornalista Negra, concorrem ao prêmio Basilia Rodrigues (CNN), Juliana Cézar Nunes (EBC) e Maju Coutinho (Rede Globo);  na categoria Mídia Negra, concorrem Cultne, Revista Afirmativa, Alma Preta, Mundo Negro e Africanize.

Os debates e a premiação fazem parte do festival Latinidades, em celebração ao Dia da Mulher Latino Americana e Caribenha. O Festival Latinidades vai até o sábado 27 de julho. Aqui tem mais informações sobre o evento.

17º Festival Latinidades volta a Brasília com debates, música, literatura, moda, humor, documentário e exposição para celebrar o dia da mulher negra latino-americana e Caribenha

O Festival Latinidades encerra o mês das mulheres negras com sua 17ª edição em Brasília. O evento ocorre no Museu Nacional de 25 a 27 de julho. Responsável por amplificar a visibilidade do 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha no Brasil, o encontro é considerado o maior evento de mulheres negras da América Latina, e este ano enaltece a força transformadora delas, fazendo um chamado: Vem Ser Fã de Mulheres Negras. A edição é realizada pela Rede Afrolatinas e pela Funarte, por meio do Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas 2023. Com o patrocínio da Caixa Econômica e Ambev e Apoio dos Correios, a capital federal levará o público a uma jornada pela música, moda, humor, literatura e ancestralidade em três dias de festival.

Esta edição presta homenagem a mulheres que abriram caminhos para artistas negras no Brasil e no mundo — como a rainha do reggae Rita Marley, cantora cubana e CEO de fundações em prol da luta contra pobreza e a fome, Sister Nancy, cantora, compositora e DJ jamaicana, conhecida como a rainha do dancehall, e duas brasileiras: a mãe da bossa nova Alaíde Costa e Sandra Sá, artista considerada a rainha do soul.

Com o objetivo de amplificar vozes e talentos que muitas vezes são marginalizados ou apagados, em 2024 Latinidades leva o foco para a discussão sobre o trabalho das trancistas brasileiras, em defesa de sua regulamentação e de seu reconhecimento como patrimônio cultural. As atividades em Brasília iniciam com a mesa de debate Trancistas – patrimônio cultural, economia criativa e trabalho, realizada em parceria com o Instituto Fios da Ancestralidade e com a Casa Comum. No debatem busca-se compreender a prática de trançar enquanto ofício tradicional afro-brasileiro exercido historicamente por mulheres negras, destacando-se a importância de políticas de regulamentação trabalhista que contribuam para reparações históricas, como direito à memória para trancistas, profissionais que resguardam a história do país nos penteados.

Ainda no dia 25, o Festival Latinidades inaugura a exposição interativa-imersiva Afrolatinas – 30 anos em Movimentos, no Museu Nacional da República, que contará a história do Dia da Mulher Negra e das lutas coletivas após 30 anos de sua criação. O encontro também terá uma sessão especial do documentário Afrolatinas – 30 Anos em Movimentos, dirigido por Viviane Ferreira, cineasta, ex-presidente da SPCine e diretora do filme Ó Paí Ó 2. O material apresenta a história e os desdobramentos políticos e sociais do primeiro Encontro de Mulheres Negras da América Latina e do Caribe, realizado em 1992 na República Dominicana, quando foi estabelecido o Dia da Mulher Afro Latino-Americana e Caribenha em 25 de julho. A narrativa aborda a origem do Latinidades, mostrando como o festival se tornou uma plataforma multilinguagens que divulga, impulsiona e gera renda para a produção artística e intelectual de mulheres negras.

O longa é acompanhado por uma experiência imersiva desenvolvida em uma plataforma de jogos de realidade virtual, que permite ao público acessar a partir da escolha de universos da natureza – a mata, a terra e a água, traduzidos como elementos mágicos —, depoimentos inéditos de mulheres negras, ativistas e importantes lideranças na luta por equidade de gênero e raça que revivem a história dos movimentos sociopolíticos.

Resgatando a estratégia de engajamento para a realização do primeiro encontro de 1992, o Latinidades firmou uma parceria inédita com os Correios. No dia 25 será lançado oficialmente o Selo do Dia da Mulher Afro-Latino Americana e Caribenha. O público que estiver no Museu Nacional da República será convidado a escrever uma carta para uma mulher negra que admire e enviá-la.

O dia 26 terá também a mesa Mulheres Negras na Mídia e o prêmio Jacira Silva de reconhecimento ao jornalismo negro. Veja mais sobre o debate e o prêmio aqui.

Nesse mesmo dia, Sueide Kintê e Sueli Kintê irão conduzir a aula show Folha Funciona, uma imersão sobre a produção de fitoterápicos e fitoenergéticos, a partir de folhas comuns, que são utilizadas na culinária. A atividade acontece na Galeria 2 do Museu Nacional, e propõe uma experiência sensorial, combinando conhecimentos ancestrais, práticas tradicionais e música. Na sequência, em parceria com embaixadas de 20 países africanos, o evento apresenta Fashion Show, um desfile expondo a moda de cada região, que acontece ao som da DJ Odara. A atividade acontece na Galeria 3 do Museu Nacional.

A Mostra Humor Negro apresenta um stand-up comedy com artistas negras no Auditório II, começando com Tatá Mendonça e seu show Cega na Comédia. A humorista é deficiente visual e, por meio de sua apresentação, diverte e conscientiza o público sobre o cotidiano de uma pessoa cega, seus relacionamentos e críticas ao capacitismo em suas mais diversas formas. A segunda apresentação da noite é da humorista Bruna Braga, com o texto Medicada ela é ÓTIMA. A artista é jurada do Drag Race Brasil, roteirista, atriz e comunicadora desde 2017. Encerrando a Mostra, a humorista brasiliense Niny Magalhães apresenta o show Uma Mãe Vida Loka.

As primeiras performances musicais do Festival Latinidades em Brasília acontecem na noite de sexta com o show Nós Negras, grupo de samba formado por cinco cantoras que se reuniram com a proposta de mostrar a força de se utilizar sua voz e talento para falar de negritude, destacando a ancestralidade da mulher no samba brasileiro. Na sequência, será a vez de uma das homenageadas subir no palco do Latinidades; a cantora e compositora Sandra Sá interpreta diversos ritmos, como MPB, soul, samba, funk e clássicos de seu repertório.

No sábado, as crianças terão uma programação especial. A partir das 14h, o Anexo do Museu Nacional recebe o Espaço infantil com brincadeiras e atividades, começando pelo Jardim de Contos, com contação de histórias e criação de quadros botânicos, conduzidos por Lauane Lopes que, desde sua adolescência, encantava crianças com narrativas cativantes. Durante a tarde, os pequenos também poderão participar da Oficina de Break, com Fab Girl, além de fazer Pintura de Rosto, com a artista Mayara Benigno. E para finalizar, a educadora e designer de moda Grasi Medeiros fará a Oficina de Pulseirinhas da Amizade.

No mesmo horário, o Auditório II recebe a atividade IV Julho das Pretas que Escrevem no DF, que destaca a produção literária de autoria negra feminina com a proposta de reunir escritoras, sob o tema Nosso lugar é de fala – escrita, verbalizada, nunca mais engavetada. O projeto foi idealizado pela escritora e jornalista Waleska Barbosa e, nesta quarta edição, a ideia é também atrair mulheres pretas que atuam em outras frentes da cadeia produtiva da literatura como ilustradoras, diagramadoras e editoras. Durante a atividade haverá performances artísticas, sarau, exposição e venda de livros, além da já tradicional homenagem a mulheres escritoras. Este ano, serão agraciadas estas poetas, romancistas e cronistas: as irmãs Lourdes e Jovina Teodoro, Conceição Freitas, Norma Hamilton, Adelaide Paula, Elisa Mattos e Ailin Talibah.

O encerramento do Latinidades acontecerá dia 27 de julho, com intensa programação musical na área externa, com grandes apresentações de artistas negras da América Latina, África e Caribe, iniciando com Alaíde Costa, um dos maiores nomes da música nacional, que chega aos 88 anos encantando plateias com sua voz delicada. Na sequência a cantora, compositora e multi-instrumentista brasileira Bia Ferreira apresenta suas letras que tratam de temas como necropolítica, cotas raciais, antirracismo e direitos LGBTQIAP+, por meio de uma combinação de ritmos afrodiaspóricos — soul, R&B e rap com samba e repente. A cubana La Dame Blanche volta ao palco do Latinidades, após espetáculo em São Paulo, para realizar seu primeiro show em Brasília, levando sua música afro-cubana nativa, influenciada pelas batidas de hip hop, trap, reggae e reggaeton.

Sister Nancy é uma das maiores referências do reggae jamaicano e também faz parte do lineup do festival. A cantora é a dona do clássico “Bam Bam”, que se tornou um hino do reggae e um dos samples mais usados na história da música, aparecendo em várias canções de hip-hop e dancehall. A vencedora do Grammy Latino 2023 Gaby Amarantos vai se apresentar logo em seguida, com seu TecnoShow. A paraense é uma das responsáveis pela difusão do tecnobrega mundialmente.

A noite ainda terá a rapper e gamer Ebony e a rainha do Kuduro, Pongo, artista angolana que se destacou em bandas com o Denon Squad e Buraka Som Sistema. Agora em carreira solo é aclamada pela crítica com sua combinação de kuduro, pop e EDM, vertente da música eletrônica. E para encerrar o evento, o palco do Festival Latinidades receberá as Irmãs de Pau, dupla composta por Vita Pereira e Isma Almeida, da zona oeste de São Paulo e pesquisadoras das Estéticas Sonoras e Visuais da Putaria Brasileira. As artistas transitam em múltiplos gêneros como o drill, vogue, eletrônica e pop, tendo o funk como ligação central das suas obras. Com um bass line intenso e uma viagem pelas vertentes da música negra, as DJs Kethlen e Savana vão comandar o som durante os intervalos dos shows.

Instituto Afrolatinas

O Instituto Afrolatinas é uma organização de mulheres negras que desenvolve ações transversais a partir da educação, das artes, da cultura e da comunicação. Atua para articular e fortalecer diferentes saberes: nas artes, na academia, na rua, em casa, na escola, no chão de fábrica, na comunicação, nos movimentos sociais. Acredita no papel cidadão, político, econômico, inclusivo e inventivo da educação, das artes e da cultura, diante das transformações que o mundo necessita.

O II Encontro de Pesquisa: Currículo, Processos Formativos, Defesa e Interdisciplinaridade abre inscrições dia 01/08

Entre os dias 17 e 19/09, a Faculdade de Educação da UnB (Sala Papirus) e a Uniprojeção em Taguatinga receberão o II Encontro de Pesquisa – Currículo, Processos Formativos, Defesa e Interdisciplinaridade. Este evento de extensão é coordenado pelos Prof. Dr. Francisco Thiago Silva e Prof. Dra. Viviane Machado Caminha. Inscrições de 01/08 até 16/09 neste site.

O curso é gratuito e é destinado para os profissionais da Educação, estudantes de graduação e pós-graduação e ao público interessado no assunto. São 70 vagas.

Programação:

17/09 – Faculdade de Educação da UnB – Sala Papirus

19h30

Palestrante:

Profa. Dra. Cláudia Pinheiro Nascimento

“O Processo de alfabetização geográfica enquanto componente curricular dos cursos de Pedagogia com foco na Educação Infantil: perspectivas dos cursos de Pedagogia com as maiores notas do ENADE (2021)” – Resultados da pesquisa pós doc.

18/09 – Uniprojeção Taguatinga

19h30

Palestrantes:

Profa. Dra Viviane Machado Caminha

Profa. Ma. Patrícia Pontes Bezerra

“Perspectivas sobre ensino e currículo no campo da defesa” 

19/09 – Faculdade de Educação UnB – Sala Papirus

14h30

Painel Temático

“Currículo e processos formativos em diferentes contextos: pesquisas na graduação e pós graduação”

Palestrantes:

Afonso Wescley de Medeiros Santos

Daniela Pereira dos Santos

Gabriel Martins Barbosa

Gustavo Aires de Castro

Kisy Gonçalves de Oliveira

Leilane Toledo Costa

Mara Rúbia Rodrigues da Cruz

Marta Vieira Mendes

Rodrigo Antonio Magalhães Teixeira

Rosângila Domingos Gualberto

Suhelem Brasil Santos

Suzana Regia Oliveira Barbosa Silva

Inscreva-se aqui

Operárias das Artes celebra a Cultura Popular no Palácio da Poesia, em Ceilândia

O projeto Operárias das Artes chega à sua 5ª edição promovendo a ocupação cultural e artística da cidade e fortalecendo a economia criativa do Distrito Federal. No próximo fim de semana, a Casa do Cantador, em Ceilândia, reunirá artistas locais e nacionais em uma ciranda diversificada para celebrar a cultura popular. A entrada é gratuita.

A programação contará com palhaças, poetas, atrizes, cantoras, compositoras, dançarinas, escritoras, instrumentistas – cis, trans, não-binárias, jovens e 60+, num verdadeiro emaranhado cultural que promete encantar toda a família.

No sábado, 20 de julho, o público poderá desfrutar de espetáculos como “As Aventuras de Goyá na Agrofloresta”, com Dielle Mendes, e “Vereda dos Mamulengos”, do Grupo Casa Moringa, e celebrar ritmos como coco, maracatu, maculelê e ciranda com o grupo Taleta de Bambu, formado por Nanci Araújo, Magoo Vale Rio, Lina Rehem, Josiane Araújo, Margô Oliveira, Breno Trindade e Edu Bento. A noite será encerrada com a performance musical de Maboh & Os Jazzies e o coletivo Sambadeiras de Roda.

No domingo, 21 de julho, a programação continua com atrações como o espetáculo “Caixa de Mitos”, das Caixeiras Cia Teatro de Bonecas, e a performance cênica “Mulher da Vida” de Suene Karim. O destaque da noite será a conexão entre Brasília, Pernambuco e Ceará, com Jéssica Caitano convidando RAPadura para uma ode ao rap em Ceilândia, berço do hip hop, do forró e do repente no Distrito Federal.

HOMENAGEADA

Este ano, o Operárias das Artes homenageia a multiartista maranhense Lília Diniz, que há mais de 30 anos transita pelos palcos do Brasil levando a poesia e o sotaque dos babaçuais maranhenses. Nascida no povoado Creoli do Bina, Tuntum, Maranhão, e alfabetizada artisticamente pela literatura de cordel, Lília é atriz, escritora, cantora, produtora, gestora cultural e brincante, com uma trajetória que reflete a riqueza e a diversidade da cultura popular brasileira. Com 5 livros publicados, o repertório da multiartista evoca a força feminina ancestral e lança sementes para o reflorestamento de mentes e corações por meio da Arte. Ela se apresenta nos dois dias de programação, no sábado às 19h50 com o espetáculo “Jacá de prosa, cantiga e verso” e no domingo, às 18h10, acompanhada da poetisa Marina Mara, realiza o “Sarau Fogo”.

IMPACTO SOCIAL E ACESSIBILIDADE
Em seu compromisso com a inclusão e acessibilidade, o festival conta com diversas medidas para garantir que todas as pessoas possam participar plenamente. Entre elas, a contratação de profissionais com deficiência, tradutoras(es) de Libras e audiodescritoras(es). Além disso, o Operárias das Artes promove uma ação de solidariedade: na entrada do evento, que é gratuito, as pessoas podem fazer doações de agasalhos, cobertas e cobertores para ajudar pessoas em situação de rua e famílias em situação de vulnerabilidade. Para mais informações, siga o Instagram @operarias.dasartes.

SOBRE O OPERÁRIAS DAS ARTES

Idealizado por Nanci Araújo, cantora, atriz e militante cultural desde os anos 80, e produzido por Suene Karim, artevista com forte atuação na cultura popular negra, o projeto foi criado durante a pandemia de Covid-19 em 2020, e nasceu da necessidade urgente de apoiar financeiramente artistas mulheres, muitas delas mães solo e profissionais impactadas pela crise. Desde então, o projeto cresceu e se consolidou como uma ação de política sóciocultural, promovendo a equidade de gênero e a inclusão das mulheres cis, trans e não-binárias na cadeia produtiva da cultura. Demonstrando a importância das mulheres artistas como trabalhadoras essenciais e pilar de sustento financeiro e intelectual de suas famílias.

PROGRAMAÇÃO

SÁBADO 20 DE JULHO

17h – As Aventuras de Goyá na Agrofloresta, com Dielle Mendes

17h40 – Margô Oliveira

18h20n – DJ Rachel

19h10 – Grupo Casa Moringa, espetáculo Vereda dos Mamulengos, com Fabiola Resende

19h50 – Lília Diniz com Jacá de prosa, cantiga e verso

20h30 – Taleta de Bambu

21h20 – Maboh & Os Jazzies

22h10 – Coletivo Sambadeiras de Roda

DOMINGO 21 DE JULHO

16h – As Caixeiras Cia Teatro de Bonecas, espetáculo Caixa de Mitos

16h40 – Ana Bea e Dani da Silva

17h20 – Ànna Moura e Haynna

18h10 – Sarau Fogo com Lilia Diniz e convidadas

18h50 – Mulher da Vida, performance cênica com Suene Karim

19h10 – Taleta de Bambu

20h – DreeK

20h50 – Jéssica Caetano e RAPadura

FICHA TÉCNICA:

Nanci Araujo – Proponente, coordenação geral, diretora artística/ curadoria e musicista

Suene Karim – Elaboradora, Produtora e coordenação administrativa financeira

Valéria Amorim – Designer gráfica

Candiá Produções – Assessoria de Imprensa

Jorge William Alves da Silva – Social Media

Iago Kieling – Cobertura audiovisual

Ian Soares – Assistente de Palco

Emily Damasceno – MC/ Apresentadora

Cinese Filmes – Cobertura fotográfica

Tauane Liz / Paula Miná – Assistente de Palco

Gabriel Mayê – Assistente de Produção e Coordenação da Feira

SERVIÇO:

Evento: OPERÁRIAS DAS ARTES – 5ª Edição

Datas: 20 e 21 de julho

Local: Casa do Cantador, Ceilândia, DF

Entrada: Gratuita

Com Ibaneis e Celina, a renúncia fiscal é maior que o orçamento da Educação

Em campanha, Ibaneis deu declarações como “educação será prioridade” e “professor tem que ganhar igual a juiz”. A realidade de seu governo demonstra que se tratava de discurso de campanha, querendo cativar as melhores expectativas do povo do DF. Afinal, os números, dia após dia, mostram o contrário.

Além de continuar brigando na Justiça para não cumprir a lei e não pagar os retroativos que são devidos à categoria desde 2015, a educação está muito longe de ser uma prioridade em seu governo. Isso se verifica facilmente desde no dia a dia das escolas até nas planilhas orçamentárias do governo.

Turmas superlotadas, desmonte da EJA (Educação de Jovens e Adultos), sucateamento da educação inclusiva, problemas graves na alimentação escolar, professores(as) e orientadores(as) educacionais adoecendo por excesso de trabalho, salários defasados são o cotidiano das escolas públicas do DF.

Quando se examinam as planilhas orçamentárias do GDF, mais uma nuance desse descaso fica nítida: o volume de recursos de que o GDF de Ibaneis e Celina abre mão em mecanismos de renúncia fiscal só cresce; enquanto o orçamento destinado à educação só cai.

O gráfico abaixo mostra que o total de recursos públicos investidos em educação pelo GDF (sem contar o Fundo Constitucional) em relação ao PIB-DF, só cai desde 2015. Abaixo dele, uma tabela mostra que, desde que Ibaneis assumiu o governo, em 2019, a renúncia fiscal só cresce.

 

 

        Fonte: TCDF

 

 

Como vemos na tabela acima, para 2024, a previsão de renúncia fiscal ultrapassa os R$ 9 bilhões. Enquanto isso, o orçamento estimado da educação, previsto na Lei Orçamentária aprovada em 2023, está na casa dos R$ 6,5 bilhões. Até o momento, o valor empenhado é de pouco mais de R$2,2 bilhões (dados do Portal da Transparência do DF).

Para 2025, são estimados R$ 8,5 bilhões em renúncia fiscal, número 359% maior do que no início do governo Ibaneis, em 2019.

E mais: falta transparência à política de renúncia fiscal de Ibaneis e Celina. É o que atesta a tramitação do PL 3067/2022, que determina que sejam divulgados no Portal da Transparência a relação das empresas que foram beneficiadas com renúncia fiscal, assim como o valor do benefício correspondente. Hoje, esses valores não estão disponíveis e somente informações genéricas são de conhecimento público.

Prioridade se verifica no investimento, não no discurso. Então, naquilo que realmente vale, é muito nítido que Ibaneis e Celina não apenas não priorizam a educação como têm feito o que podem para desvalorizar a nossa escola pública.

MATÉRIAS EM LIBRAS

Sindicato dos Bancários promove debates sobre a escravidão e participação de mulheres nas políticas públicas do DF

No próximo dia 19 de julho, a Secretaria de Mulheres do Sindicato dos Bancários promove debate “Políticas Públicas do DF sob o Olhar de Mulheres Negras”. Serão abordados dois temas: a escravidão negra no DF e entorno e a participação de mulheres negras na gestão das políticas públicas do DF. O evento começa às 15:30, e contará com a participação de diversas especialistas.

A mesa “Mulheres negras na gestão de políticas públicas do DF” tem como objetivo promover a troca de experiências com relação aos desafios e potencialidades do trabalho desempenhado por gestoras públicas negras do Distrito Federal.

O outro debate discutirá o relatório “A Verdade sobre a Escravidão Negra no Distrito Federal e Entorno” (2017), do Sindicato dos Bancários, sobretudo quanto à participação das mulheres negras na história da região. A publicação traz dados inéditos sobre o contexto histórico da população negra na região, presente na região desde séculos antes da construção de Brasília.

A luta de mulheres negras pela garantia de seus direitos marca o mês de julho em toda a América Latina e Caribe. O dia 25 foi instituído pela Organização das Nações Unidas em 1992 como o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, data em que no Brasil também se celebra o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, instituída pela Lei 12.987/2014.

 

Relatório traz dados sobre a escravização de pessoas negras no Centro-Oeste

No século XVIII, Tereza de Benguela foi líder, durante 20 anos, do Quilombo de Quariterê, na região do Vale do Guaporé, Mato Grosso, e logo se tornou símbolo da resistência contra o colonialismo. Escravizada que se tornou rainha de uma comunidade composta por mais de 100 membros, Tereza foi responsável por formar um tipo de parlamento para que todas as decisões no seu quilombo fossem tomadas em grupo.

De modo semelhante, muitas mulheres negras tiveram papel proeminente em outras comunidades quilombolas no Brasil, além de sempre liderarem as atividades voltadas à subsistência do seu povo e à manutenção dos modos de vida tradicionais. Elas também foram estratégicas para a sobrevivência de seus territórios e populações frente a ataques e violências dos colonizadores contra os quilombos na região Centro-Oeste, como apresenta o Relatório “A Verdade sobre a Escravidão Negra no Distrito Federal e Entorno” (2017), do Sindicato dos Bancários de Brasília.

Séculos depois, mulheres negras seguem o seu legado, como referências de liderança e gestão. Entretanto, esse grupo ainda é minoria nos quadros de órgãos públicos, seja do nível municipal, estadual/distrital ou federal. Nesse último, elas representam apenas 38,7% do total de servidores, à medida que são 65% das empregadas domésticas, possuem a maior taxa de desocupação e, mesmo quando ocupadas, têm um nível elevado de sua população na informalidade.

Tais estatísticas refletem o fenômeno do racismo estrutural e suas reproduções no mercado de trabalho e nas demais esferas da sociedade, para além da misoginia. Essas problemáticas são responsáveis por impedir o acesso de mulheres negras a condições materiais que viabilizem sua ascensão social, colocando-as na maioria das vezes em condição de vulnerabilidade social e, não coincidentemente, na posição de principais usuárias dos serviços públicos de assistência social, saúde, educação, mobilidade, habitação, entre outros.

 

 

PROGRAMAÇÃO

Data: 19 de julho (sexta-feira)

Horário: 15h30 – 18h

Local: Teatro dos Bancários – EQS 314/315 BL A – Asa Sul, Brasília

 

Convidadas/os:

APRESENTAÇÃO CULTURAL

Lydia Garcia, artista, articuladora cultural e ativista

 

ABERTURA

Maria José Furtado, Secretária de Mulheres do Sindicato dos Bancários

Deputada federal Erika Kokay (PT/DF)

 

MESA “ESCRAVIDÃO NEGRA NO DF E ENTORNO”

Daiane Souza Alves, Secretária Executiva da Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra no DF e Entorno

Pastora Wall Moraes da Ruah (Waldicéia de Moraes Teixeira da Silva), Consultora em Educação da Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra no DF e Entorno

 

MESA “MULHERES NEGRAS NA GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS DO DF”

Maura Lúcia, enfermeira da Secretaria de Saúde/DF;

Loyde Cardoso, educadora social da Secretaria de Desenvolvimento Social/DF;

Renata Parreira, professora aposentada da Secretaria de Estado de Educação/DF;

Alice Caetano, assistente social e ex-conselheira tutelar;

Cristiana Luiz, Coordenadora do Movimento Negro Unificado DF e Entorno;

Adelina Santiago, Coletivo Mulheres Negras Baobá.

A 4ª edição do Enpoderaris elabora documento final para deputados distritais

O Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Distrito Federal (Sindsep) sediou no último sábado (13/07) o 4º Enpoderaris (Encontro de Empoderamento das 53 Áreas de Relevante Interesse Social do DF). Mais uma vez, a sociedade civil organizada do DF e a Universidade de Brasília, por meio do Projeto Vida & Água para as ARIS, promoveram “o único e maior encontro com as populações mais vulneráveis do DF, que são as moradoras e moradores das áreas de regularização de interesse social (ARIS). Esse evento só foi possível porque desde 2020 essa rede de redes estão se articulando para oportunizar maior visibilidade dessa realidade segundo a narrativa dos próprios moradores dessas hoje 53 ARIS do DF, segundo dados do próprio PDOT (Plano Diretor de Ordenamento Territorial do DF /2009)”, afirma o professor Dr. Perci Coelho de Souza (UnB), membro do Núcleo de Pesquisas em Habitação NPH/CEAM da própria Universidade.

O encontro

O evento começou no início da tarde, com mesas de abertura (com participações de organizações da sociedade civil e comunidades das ARIS representadas), apresentação cultural do grupo de Boi Encantos do Itapoã e mais duas rodas de conversa simultâneas (ARIS das partes sul e norte do DF). Ao final, os relatores dos grupos apresentaram as propostas para se juntarem às já existentes dos Enpoderaris anteriores para serem contabilizados num documento único, a ser entregue no dia 23 de agosto, na cerimônia da CLDF de lançamento da Frente em Defesa das ARIS.

“Nesse sentido, a avaliação que faço é que o resultado desse 4º Enpoderaria foi plenamente satisfatório, na medida em que mobilizamos parte significativa das redes de apoiadores do projeto, mas, sobretudo das comunidades moradoras de algumas dessas ARIS principalmente de Santa Maria (ARIS Ribeirão – Cond. Porto Rico), Estrutural  (Comunidade de Santa Luzia), Área Rural de Recanto das Emas (Assentamento 10 de junho) e ARIS Itapoã (Quadras 203 e 204). Outras foram representadas remotamente, pois o evento foi transmitido no YouTube no canal do Projeto”, diz o professor.

Mudança de conjuntura

De acordo com Perci, “uma particularidade interessante deste 4º Encontro é que a conjuntura mudou localmente sobre o tema, no que diz respeito diretamente às populações das ARIS (população abaixo de 5 salários mínimos). É porque estamos num período em que o GDF é obrigado por força de Lei Federal em promover meios através de audiências públicas para propor à CLDF a Revisão do PDOT em vigor. E o GDF já está muito atrasado no cumprimento dessa tarefa, visto que, segundo a Lei Federal, essa revisão deveria ter sido realizada em 2019, quando o PDOT completou 10 anos”.

E além disso, de acordo com ele, “por força da articulação do projeto Vida & Água para ARIS, com vários movimentos sociais urbanos e ambientalistas, conseguimos chamar a atenção sobre o atual estágio avançado de degradação dos direitos humanos e socioambientais dessas ARIS, que não podem ser confundidos com termos como ‘invasões’. Na verdade as ARIS são credoras do descumprimento legal por parte do Executivo, mas também do Legislativo e Judiciário, do direito à cidade em termos de acesso às políticas sociais e socioambientais. O total descaso desde 2009 do cumprimento da regularização fundiária, mas também no acesso aos direitos fundamentais humanos, como o direito à água potável e tratada da CAESB e ao saneamento básico”.

Desde 2020, no DF existem aproximadamente 200 mil pessoas nessas 53 ARIS sem acesso à água potável e tratada da CAESB. “Com base nessas informações um total de 8 deputados e deputadas da CLDF se sensibilizaram e deram encaminhamento, com nossa argumentação, para a criação da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos e Socioambientais das ARIS. Com essas mudanças de conjuntura ficou ainda mais importante a realização do 4º Enpoderaris com o tema: ‘A Frente Parlamentar que queremos!’. Ou seja, um encontro que teve como objetivo central a produção de reflexões e proposições para pautar essa nova frente parlamentar que será lançada oficialmente no dia 23 de agosto, a partir das 10h na CLDF”, relata. 

Outro olhar

Os dados das ARIS foram obtidos no GEOportal do GDF, portanto são dados oficiais, mas Perci ressalta que “fizemos uma nova interpretação geopolítica das ARIS, segundo nossos critérios de dar maior visibilidade territorial geoprocessada às 53 ARIS do DF. Fizemos uma organização geopolítica das ARIS segundo 9 eixos. Com isso, aprovamos como encaminhamento de curto prazo a ser realizado pela Frente Parlamentar em Defesa das ARIS, que sejam efetivadas audiências públicas por eixos das ARIS e não mais segundo o critério de Regiões Administrativas”.

Esta mudança, para o professor, significa que “quando se organiza o território a partir do conceito de RAs, na verdade, você mais esconde do que revela a verdadeira realidade das ARIS. Queremos que as ARIS não fiquem na ‘sombra’ da invisibilidade das prioridades políticas, atrás dos dados e realidade das Regiões Administrativas. Ao contrário, queremos colocar no primeiro plano da cena política as próprias ARIS. Assim, as audiências públicas serão organizadas para ouvir as ARIS de cada um dos 9 eixos do território (Arapoanga/Planaltina, Brasília/Paranoá/Itapoã, São Sebastião/Jardim Botânico, Guará/Estrutural/Taguatinga, Samambaia/Água Quente, Santa Maria/Gama/Entorno Sul, Sobradinho, Sobradinho II/Fercal e Ceilândia/Sol Nascente/Brazlândia) do 4º Enpoderaris para a CLDF”.

O documento final encontra-se em fase de sistematização para ser entregue aos deputados distritais. “Não apenas aos 8 deputados que constituíram a Frente em defesa das ARIS, mas também a todos os deputados e deputadas que ainda não assinaram sua subscrição à Frente, mas que temos certeza assinarão quanto tiverem acesso aos resultados do 4º Enpoderaris”, afirma Perci. 

Confira os projetos de licenciatura apoiados pela UnB que são executados nas escolas

O edital Licenciaturas em Ação é uma ação formativa que começou em 2020, do Decanato de Extensão (DEX) e do Decanato de Ensino de Graduação (DEG), promovido pela Diretoria de Acompanhamento e Planejamento Pedagógico das Licenciaturas (DAPLI) da Universidade de Brasília (UnB). O intuito é fomentar projetos com abordagens metodológicas inovadoras, incentivando a interação entre Universidade e escola, através de projetos colaborativos entre escolas, docentes e discentes, mediados por ações que articulem as dimensões de ensino, pesquisa e extensão. Para cada projeto, bolsas são concedidas aos estudantes dos cursos de licenciatura. Neste período, já foram 191 projetos aprovados e 641 bolsas concedidas, sendo que o edital 40/2023 (que está sendo aplicado agora durante o ano letivo de 2024) teve o maior número, com 230 bolsas e 61 projetos.

“Este aumento progressivo do interesse dos docentes das Licenciaturas no edital, com o passar do tempo, trata-se de uma iniciativa nova e sem precedentes na UnB e proporcional investimento dos recursos próprios da UnB para fomentar a pesquisa, extensão e inovação na formação inicial e continuada de professores, de forma sistemática e com previsibilidade, pois o Edital tem tido publicação anual”, diz Profa Dra Eloísa Pilati, professora da UnB e diretora de planejamento e acompanhamento das licenciaturas (DAPLI).

De acordo com a professora, “a Diretoria de Planejamento de Acompanhamento das Licenciaturas da UnB é a única diretoria dessa natureza no âmbito das Universidades brasileiras, iniciativa precursora e inovadora. Todos os projetos estão implementados e em curso e terminam no final do ano (são 8 meses de bolsa)”.

Os docentes da UnB têm liberdade para escolher temas e escolas. Pelo portfólio, é possível saber quem são os coordenadores e é possível entrar em contato. É o docente que coordena tudo, o contato com as escolas, a seleção dos bolsistas etc.

São iniciativas que integram as Licenciaturas da UnB por meio de processos de aprendizagem significativos, inovação, formação de professores em diálogo com as escolas, sempre com excelência acadêmica, diversidade, inclusão e a amorosidade de Paulo Freire. Levando tecnologias, metodologias, inovação e ciência às salas de aula da educação básica, unindo impacto social e também na formação dos (as) estudantes. 

Confira os projetos

Nota de pesar – Erine Brito Spíndola

 

É com grande pesar que a diretoria colegiada do Sinpro-DF informa o falecimento da professora aposentada Erine Brito Spíndola, aos 61 anos. Ela deixa dois filhos e uma neta. O velório será realizado de 16h às 18h, desta segunda-feira (15), na Área Especial para Cremação, do Campo da Esperança (Asa Sul). Ela era professora de Educação Artística aposentada da Escola Parque 313/314 Sul.

Erine lutava contra um câncer agressivo na língua, descoberto em dezembro de 2023. Inclusive ela iniciou uma campanha para arrecadar fundos, pois precisava fazer com urgência uma cirurgia, que o próprio Sindicato divulgou.

O Sinpro-DF presta toda solidariedade aos(às) familiares, amigos(as) e colegas da professora Erine neste momento de grande dor.

Professora Erine, presente!

Entre resistências e lutas: saúde mental da população negra ainda em xeque

(*) Por Mariana Almada

Antes de começarmos a conversa, um breve silêncio se faz… Pelas resistências, pelas mulheres pretas e pardas, por nossa ancestralidade, pela história que foi, e com ela a necessidade de representar os que se foram e nos deixaram memórias registradas também em nossa pele e nossa luta.

Falemos aqui das duas questões que recaem sobretudo naquilo que chamamos de emoções e colocam em xeque a saúde mental da população negra, são elas: a exclusão social e o racismo. Conforme as regras do xadrez, a condição de quem se encontra em xeque evidencia situação de risco, ameaça, perigo.

No campo da exclusão: saúde mental em xeque!

Excluir é deixar de fora, é o que entendemos por não pertencimento. Todas as pessoas querem sentir-se de alguma forma pertencidas a coletivos, e que tal condição permita agregar valor, falemos em pertencer a uma árvore genealógica, a um clã, a um núcleo, a uma classe, ou a quaisquer outros segmentos sociais. Um direito, refutado desde o momento em que pessoas negras foram retiradas de suas próprias histórias e trazidas à escravidão.

Nossos antepassados saíram das senzalas para as ruas, para as periferias urbanas, ‘exclusive’ para casas ou empregos dignos. Não havia lugar para morrer ou para viver.

Desta forma, a vontade de construir algum vínculo de pertencimento é sofrida quando não validada e por isso há necessidade das lutas e resistências sobretudo na coletividade, uma maneira de obter respostas às questões internas ainda não respondidas. Aí acontece o sofrimento mental, uma oportunidade de olhar para tudo o que nos fez chegar até aqui. E isso é muito importante!

No campo do racismo: saúde mental em xeque-mate!

O racismo no que tange às questões de ansiedade e depressão, abrange todas as lutas internas, passadas e atuais, o que não são “pieguices” como dizem os reacionários que estão de fora. Essa prática se constitui em um outro caso de doença mental. Por isso, a importância da consciência negra e do conhecimento sobre os casos de racismos (racismo estrutural, ambiental, religioso, etc.) que testemunhamos, sofremos e que precisa levar-nos a gritar, contestar e levantar os punhos, algo que nos conduza refletir o quanto isso nos afeta enquanto seres humanos.

Sofrer injúrias, ataques que inferiorizam, desumanizam, abordagens policiais abusivas, são situações que podem nos remeter a todos os possíveis traumas da infância, os medos internos, gatilhos que nos remetem a tais sofrimentos. E lá vamos nós às nossas terapias (diga-se de passagem, inacessíveis para a maioria da população negra) buscar novos significados às dores causadas pelo racismo. Ao que ele nos causa: xeque-mate (ergamos os punhos novamente).

Dentre as complexidades, a matemática é simples: ao não pertencimento, em consonância com o racismo, entendamos que o que temos para hoje são as relações com tudo o que nos cerca. Tais violências subtraem a nossa condição humana.

Por isso, na coletividade negra, “escurecer” sobre a importância de nos reconhecermos frente às lutas, valores, oralidades, religiosidades, cooperativismos… como faziam nossos ancestrais, significa multiplicar potencialidades.

Erguer os olhos do coração, em posição de luta, importar no intuito de trazer para dentro de nós a força e a coragem por meio das mudanças que almejamos para o futuro, faz-se necessário.

Neste julho das ‘pretas’, façamos sempre mais! (ergamos os punhos novamente, compreendendo a dimensão simbólica que tal gesto enseja).

*Mariana Almada é professora, psicanalista e fotógrafa.

Acessar o conteúdo