Gina Vieira Ponte palestra na Regional de Sobradinho

A Professora Gina Vieira Ponte ministrou, no último dia 26 de abril, sua palestra “Mulheres Inspiradoras” na Coordenação da Regional de Ensino de Sobradinho.

O evento, realizado pela coordenação intermediária de Orientação Educacional, o contou com a participação de 50 profissionais do magistério de 29 escolas, incluindo orientadores(as) educacionais, profissionais das salas de recursos e professores(as) dos anos finais dos Ensinos Fundamental e Médio.

Também participaram do encontro diversos(as) profissionais da Coordenação Regional de Ensino de Sobradinho.

Durante o Encontro de Articulação Pedagógica, foi trabalhado o eixo Transversal do Currículo em Movimento da SEE-DF, Cidadania e Educação em e para os Direitos Humanos.

Foram abordadas temáticas como direitos das jovens mulheres, educação antissexista e a prevenção ao abuso sexual de crianças e adolescentes.

A palestra de Gina teve como objetivo fazer com que o projeto Mulheres Inspiradoras seja replicado nas escolas.

“Várias orientadoras educacionais se emocionaram durante o evento e se identificaram com o momento. Falamos sobre o empoderamento feminino e sobre as mulheres no mercado de trabalho”, recorda-se Alessandra Curvello, Coordenadora de Orientação Educacional da Regional de Ensino de Sobradinho.

Ao final do encontro, os participantes avaliaram o evento de forma positiva, como a professora do CEF 04 de Sobradinho, Maria Clara Vasconcelos: “Uma formação para professora e para a vida. A luta pelos direitos das meninas e mulheres deve começar na escola para a busca da emancipação feminina”, comentou.

Campanha de Solidariedade às vítimas das enchentes no RS

A solidariedade é marca da classe trabalhadora. Por isso, o Sinpro se soma à Campanha de Solidariedade às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul, e convoca toda a categoria do magistério público a participar da ação. As doações podem ser feitas via PIX: (51)996410961 (celular). O telefone é da CUT Rio Grande do Sul, entidade que lançou a campanha no último dia 2 de maio.

Segundo a Defesa Civil do RS, até às 14h desta segunda-feira (6/5), foram registrados 83 mortes (outras 4 estão sendo investigadas), 111 desaparecidos(as) e 291 pessoas feridas. São 149,3 mil pessoas fora de casa: 20 mil delas em abrigos e 129,2 mil desalojadas. O Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas (RS) é um dos locais que abriga os atingidos pelos temporais. Ao todo, 873 mil pessoas foram atingidas, em 364 municípios gaúchos.

“A classe trabalhadora sempre teve como sua principal estrutura a solidariedade. Essa solidariedade persiste através dos séculos, e é responsável por todas as conquistas de trabalhadores e trabalhadoras Brasil afora. Agora, diante dessa calamidade no Rio Grande do Sul, é nossa tarefa fazer nossa parte, como sempre fizemos. Todos os valores serão muito bem-vindos. Precisamos salvar essas vidas”, diz a diretora do Sinpro Márcia Gilda.

 

Vozes Femininas, do CEF 02, compartilha vivências de mães de estudantes

A culminância do Projeto Vozes Femininas, do CEF 02 de Brasília, foi realizada no último dia 29 de abril, e contou com a participação de mães e mulheres familiares dos(as) estudantes da escola. Elas compartilharam com todos e todas suas vivências, num encontro que também contou com a presença das diretoras do Sinpro Ana Bonina e Monica Caldeira, esta última coordenadora da secretaria de mulheres do Sinpro.

O projeto durou todo o primeiro bimestre. A ideia era estudar as vivências e as lutas das mulheres na sociedade. Na primeira parte do projeto, os(as) professores(as) apresentaram mulheres importantes e relevantes nas áreas de matemática, educação física, português, geografia etc. As turmas fizeram, então, apresentações e exposições no mural da escola a respeito dessas mulheres.

Na segunda parte, o desafio das turmas era trazer uma mulher referência em suas vidas, e o porquê. Os e as jovens, então, entrevistaram suas familiares, trouxeram suas histórias de vidas, e fizeram outro mural com essas mulheres.

Na culminância do projeto, as turmas escolheram as mulheres de destaque, e as convidaram para a roda de conversa.

“Na segunda fase do projeto, quando foram contadas as histórias das mulheres da vida de nossos e nossas estudantes, vimos eles e elas compartilhando histórias em total silêncio e respeito às histórias uns dos outros, foi um momento muito bonito”, lembra o professor José Eduardo Vasconcellos, de Educação Física.

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CEF 03 do Gama | Exposição promove reflexão sobre identidade na família e escola

Nos últimos dias, o auditório do Centro de Ensino Fundamental 03 do Gama expôs cerca de 40 desenhos produzidos por estudantes da unidade, que retrataram suas famílias de diversas formas. Mais que traços e cores, a atividade incentivou os(as) estudantes a se conhecerem e a se perceberem no contexto da família e da escola.

A atividade integra o primeiro dos quatro eixos que sustentam um projeto maior de Educação Integral CEF 03 do Gama. Segundo a proposta da escola, a busca é por “uma educação crítica e transformadora, interdisciplinar e muitas vezes transdisciplinar, que considera as dimensões física, emocional, cognitiva e sociocultural dos(as) estudantes e para isso, se apoia majoritariamente em metodologias ativas”.

Chamada de “Eu, minha família, meu mundo”, esse primeiro eixo trabalha autoconhecimento/autocuidado. A professora de Artes Mardete Sampaio, conta que a produção do desenho das famílias conclui um ciclo iniciado com a análise do autorretrato.

Professora Mardete lembra que, quando os(as) estudantes desenharam suas famílias, o que se exibiu foi a diversidade. “Existem desenhos de famílias numerosas, onde o desenho da criança reflete uma harmonia. Muitos outros desenhos de uma criança e uma pessoa. Temos muitas famílias com mãe solo, com pai solo. Famílias de tios e sobrinhos. Existe também muito a questão da ausência paterna”, diz.

Com experiência de décadas na Secretaria de Educação do DF, a docente afirma que “o desenho é uma atividade projetiva”. “Uma questão que saltou aos olhos é a primeira figura desenhada e o tamanho dessa figura. Ela acaba sendo a pessoa mais importante da vida daquela criança. E pelo desenho apresentado, a gente percebe que o pai ausente é a pessoa mais importante para aquela criança”, reflete.

O projeto desenvolvido no CEF 03 do Gama vem sendo trabalhado de forma transversal. Além da professora Mardete, estão envolvidos um professor de Matemática e duas professoras de Português. “Trabalhamos produção de textos a partir de análises de obras de autoras como Carolina Maria de Jesus, Malala, Clarice Lispector. Em Matemática, por exemplo, temos um viés de problema com conotação social. Quando falo: uma mãe solo tem seis filhos, vêm questões como: o que é uma mãe solo? De onde ela vem? Por que ela se torna mãe solo?”, explica professora Mardete.

Professora Mardete Sampaio, CEF 03 Gama

Pelo projeto do CEF 03 do Gama, outros três temas serão distribuídos ao longo dos próximos bimestres. São temas previstos no Currículo em Movimento, na BNCC e nos Temas Contemporâneos Transversais (TCTs) e que também fazem parte da Base Nacional Comum Curricular. Após trabalhar autoconhecimento/autocuidado com o projeto “Eu, minha família, meu mundo”, serão tratados os temas multiculturalismo, Distrito Federal e Direitos Humanos.

 

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Dirigente do Sinpro participa do programa Fórum Sindical

A coordenadora da Secretaria de Assuntos e Políticas para mulheres Educadoras do Sinpro, Mônica Caldeira, foi uma das participantes do programa Fórum Sindical que foi ao ar na tarde de 1º de maio. O programa é apresentado pela jornalista Conceição Oliveira (a Maria Frô) e, ontem, contou com a participação de mulheres sindicalistas, que falaram da dificuldade de se afirmar em setores de trabalho com predominância de homens.
A professora do Sinpro falou sobre mulheres que têm suas mentes, desejos e visões de mundo sequestradas pelo machismo que tenta mostrar como é lindo servir ao homem, aos cuidados e à família.
O programa contou ainda com a presença de Susana Morais, Bárbara Bezerra e “Jaque Conserta”, todas com ativismo nas redes sociais promovendo diálogo feminista sobre a condição autônoma e protagonista das mulheres. Com muito amor e humor, as mulheres deixaram o recado feminista nesse 1° de Maio comandado por “Frô”.

Veja abaixo a íntegra do programa Fórum Sindical especial de primeiro de maio

Não disponibilização do diário tumultua final do bimestre

Escolas de todo o DF estão enfrentando, mais uma vez, problemas com a não disponibilização dos diários pelo sistema Educa DF. Os diários são entregues, mas não têm funcionalidade.

O Novo Ensino Médio (NEM) está em implementação há quatro anos, e é o quarto ano que o problema com os diários se apresenta da mesma forma. A orientação da SEEDF é de que as escolas contatem o suporte para relatar o problema, mas escolas que tomaram esse procedimento afirmaram que nada aconteceu.

Com o fechamento do primeiro bimestre, professores e professoras estão tendo que elaborar planilhas à parte para nelas lançar as avaliações. Ou seja, o trabalho é dobrado. “Nós precisamos dar um jeito, para poder ter o conselho de classe, para os pais poderem acompanhar o desenvolvimento de seus filhos. Além de serviço dobrado, estar sem o diário atrapalha muito o trabalho pedagógico”, afirma Eldemes Ramos, professora de História e dos itinerários formativos no Cemi (Centro de Ensino Médio Integrado) do Gama. Vilmara Carmo, também professora de História e dos itinerários formativos no CED 01 da Estrutural, completa: “Cada professora e cada professor fechou suas planilhas e não tem um sistema pra lançar as notas”.

Eldemes conta que os estudantes são muito prejudicados pela não funcionalidade do sistema: “Tem dado confusão todo fim de ano, porque os estudantes passam no PAS (Programa de Avaliação Seriada) da UnB e precisam de seu certificado, de seu histórico escolar, e o sistema não libera”.

O problema não é de uma ou outra escola, mas sim, de toda a rede pública do DF. Rosângela Uranga, secretária do CED 03 do Guará, relata que o Educa DF tem causado muitos transtornos para as secretarias, que, além de tudo, encontram-se com pouco pessoal: “O sistema não atende adequadamente a escrituração da escola nem a dos professores, e fica uma defasagem em algo que é necessário, inclusive, para os programas como o Pé de Meia e outros, destinados às famílias em vulnerabilidade social”.

O final de 2023 foi repleto de problemas graves causados pela ausência de diário e deficiências do sistema, como a reprovação de estudantes que tinham sido aprovados e a aprovação de outros, que estavam reprovados por frequência. “Uma inconsistência na vinculação do Educa DF a outro sistema, de gestão de pessoas, está causando essas incompatibilidades”, explica ela. “O resultado é que o sistema não está funcionando adequadamente, portanto, a secretaria não consegue lançar a grade horária dos professores e os diários não são disponibilizados”, conclui.

A questão dos diários é um problema sério, que interfere tanto na dinâmica de trabalho dos professores e professoras quanto no trabalho pedagógico, prejudicando profissionais da educação, estudantes e suas famílias. O Sinpro-DF continua pressionando a Secretaria de Educação para que uma solução seja dada com urgência.

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Coletivo PCD realiza encontro em maio no auditório do Sinpro

No próximo dia 6 de maio, o coletivo PCD do Sinpro realiza mais um encontro, às 14h, no auditório Paulo Freire, na sede do Sinpro no SIG.

Na pauta do encontro, serão discutidos temas como a aposentadoria da PCD, a meta 04 do Plano Distrital de Ensino (PDE) e a Conferência Nacional da Pessoa com Deficiência.

Participam do encontro a coordenadora e os diretores da Secretaria de Assuntos de Saúde do Trabalhador do Sinpro: Élbia Pires, João Braga e rodrigo Teixeira, e também Carlos Maciel, diretor do Sinpro, além de coordenador do Coletivo Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras com Deficiência da CUT Nacional e membro do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Distrito Federal.

Também participa do encontro um integrante do escritório jurídico do Sinpro, para falar sobre a aposentadoria da PcD.

MATÉRIA EM LIBRAS

Reunião dia 02 de maio, no Sinpro, aborda a obrigatoriedade do CREF

O Sinpro convida os(as) professores(as) de Educação Física do magistério público do Distrito Federal para reunião na próxima quinta-feira, dia 02 de maio, às 19h, na sede do sindicato (SIG). Na reunião, com a participação da CNTE e CBCE, iremos falar sobre a obrigatoriedade do CREF e da Decisão Judicial do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, que no dia 9 de abril enviou, via SEI, a notificação 324/2024, com aviso que “seja exigido o registro de todos os(as) professores(as) de Educação Física no respectivo Conselho Regional”.

O Conselho Regional de Educação Física (CREF) é o único a exigir registro de docentes da educação básica e buscar a tutela judicial para obrigar os docentes à filiação compulsória. Não se vislumbra semelhante exigência vinda dos conselhos de outras disciplinas da educação básica, mesmo porque conselhos regionais não têm gerência sobre regência de classe na educação básica, que é regida pelo Ministério da Educação.

Não deixe de participar!

 

Publicada originalmente em 29/04/2024

Caseb celebra a semana da dança

A terceira edição da Semana da Dança do Caseb aconteceu de 23 a 26 de abril deste ano, com oficinas de professores convidados e dançarinos profissionais da cidade, exibição de espetáculos de dança, apresentações promovidas pelos professores de dança e estudantes da escola e a atração principal: a batalha de dança.

A semana da dança acontece desde 2022 no CEF CASEB para realizar ações pedagógicas comemorativas que tenham relação com o dia internacional da dança (29/04). Este ano, o evento ficou a cargo do professor Leonardo Dourado e da professora Christiane Castro.

A escola sempre se mobiliza por inteiro para participar das atividades propostas durante a semana e o momento das apresentações e das batalhas são os mais esperados, a plateia fica muito agitada e os estudantes vibram muito com cada coreografia e show que acontece no palco.

O objetivo maior do evento é afirmar a dança como área de conhecimento, de produção de saberes e disciplina oficial do currículo, incluída no currículo em movimento do DF e fazendo parte da grade de várias escolas da secretaria de educação.

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“Uma voz me disse que eu iria levar a cultura do meu povo para fora do Amazonas”

Durante todo este mês de abril, mês dos Povos Indígenas, a Escola Classe 305 Sul realizou uma série de atividades voltadas à cultura e às tradições dos povos originários. A ideia foi propor algo que levasse às crianças de 6 a 11 anos a realidade dos povos indígenas. A oportunidade surgiu com Kayna Munduruku, do povo Munduruku, que chegou à EC 305 há dois meses, para ser educadora social.

Kayna surpreendeu a equipe gestora da escola. Sem nunca antes ter trabalhado como educadora social, sem ter formação em pedagogia, ela envolveu intensamente os 285 estudantes em práticas de grafismo indígena, cantos, danças. “A Kayna chegou e propôs a atividade. Era algo totalmente original e, claro, a gente aceitou. Se eu fosse pegar livros, nunca conseguiria trabalhar com tanta riqueza como ela trabalhou, por mais que eu procurasse a literatura, por mais que eu me dedicasse. Isso porque ela tem a vivência”, diz a diretora da escola, Lília Batista Felix.

Todas as ações realizadas com os(as) estudantes da EC 305 Sul fizeram o resgate das raízes dos povos originários. No lugar das tintas guache, do glíter e do lápis de colorir, jenipapo, urucum, instrumentos e acessórios dos povos indígenas. Ali, valorizou-se a cultura, um rumo oposto da apropriação cultural.

Como tudo que é novidade, desafios vieram. Kayna percebeu que a ideia das crianças sobre a cultura e a vida dos povos originários, ensinamento vindo sobretudo pelos livros didáticos, era, no mínimo, ultrapassada. “As crianças questionavam: por que você usa roupa? Por que você fala bem? Por que você usa celular? Isso porque o que eles veem nos livros é muito antigo. E os professores não têm culpa”, afirma e completa: “Têm muitos indígenas dizendo: rasguem os livros lá de trás, porque estão muito antigos”.

Foi justamente a partir da constatação dessa deficiência que Kayna, que tomou a primeira Coca Cola aos 15 anos – e quase teve um desmaio devido à quantidade de açúcar do produto –, trouxe aos estudantes o que os livros didáticos atuais deixam a desejar.

Da direita para a esquerda: professora Lília Felix, diretora da EC 305 Sul; Kayna Munduruki, educadora social; Regane Lopes. supervisora pedagógica; Daniele Leite, vice-diretora da EC 305 Sul

Um dos primeiros pontos levantados junto às crianças foram os espaços sociais que os povos originários ocupam. Indígenas são pesquisadores, são servidores públicos, são estudantes, são advogados, são médicos; estão em todos os lugares. Paralelamente, Kayna, que recebeu todo apoio da equipe gestora da escola, mostrou que o Brasil é terra indígena, e que essa cultura precisa ser respeitada, valorizada e perpetuada. “Se não fizermos isso, vamos acabar perdendo essa essência da nossa cultura, que é do Brasil. Isso tem que ser levado com muita seriedade. Se a gente não fortalecer a cultura indígena nas escolas, ela vai escorrer por entre os dedos”, diz a educadora social.

Durante as conversas e as práticas realizadas ao longo do mês de abril, Kayna lembra que os(as) estudantes “tiveram um grande despertar”. “Foi surpreendente. Eles me abraçaram e abraçaram o projeto com tanta alegria, se entregaram tanto… Foi como se eles tivessem fome e sede de aprender o que pertence a eles.”

A surpresa maior veio com a resposta de alunos com autismo. A educadora social que nunca tinha tido contato com crianças com esse tipo de transtorno, fez uma verdadeira revolução na vida de uma delas e de sua família.

O curumim cacique da turma
Pedro é estudante do 5º ano da EC 305 Sul. Ele tem Transtorno do Espectro Autista e um histórico escolar complexo. “Pedro é uma criança que vem de outra escola com histórico de dificuldade de inclusão, dificuldade para socializar. É uma criança que ainda está em processo de alfabetização. Mas no dia que a gente fez a cerimônia na escola, no dia 19 de abril, a mãe do Pedro estava na escola e viu o filho dando o seu melhor na apresentação. Ela chorou muito, pois nunca tinha visto o filho assim”, conta a diretora da escola, Lília Felix.

“Vi, pela primeira vez, Pedro participar de um evento, na frente, cumprindo fielmente a responsabilidade que lhe foi dada. Na apresentação do dia 19, Kayna deu a ele a responsabilidade de ficar na frente e ser o chefe. Nunca tinha visto tamanho comportamento. Ele cantou, dançou independente pela primeira vez. Nos outros anos, ele era colocado atrás, alguém sempre segurando ele pela mão. Ele não se movia na apresentação e se o fazia, era para atrapalhar. Obrigada a todos vocês. Estão conseguindo levar Pedro a mostrar suas capacidades.” As falas emocionantes foram enviadas por mensagem à diretora da EC 305 Sul, pela avó de Pedro.

Kayna conta que, para a apresentação, fez bolsinhas de cesto para as meninas e, para os meninos, entregou apito de passarinho. Mas para Pedro foi diferente. “Pensei: vou colocar ele na banda de música dos curumins. Dei um maracá para ele e o coloquei na linha de frente, junto com os outros músicos. Falei: ‘agora, você vai ficar aqui na frente e vai tocar, cantar e dançar, porque, agora, você é o chefe daqui, você é o cacique’. Ele se sentiu responsável por aquilo e ficou lá na frente, exercendo essa responsabilidade”, lembra com carinho a educadora social que diz ter “um amor imenso” por Pedro.

Para Kayna, o trabalho “despertou algo nas crianças com autismo”. “A única explicação é que eles sentiram que pertencem a um determinado povo”, reflete a educadora social.

A diretora da EC 305 Sul lembra que Pedro levou a sério a responsabilidade não só no momento da apresentação. “Ele disse que queria o grafismo no braço, e mostrou o lugar que queria. Depois que a pintura foi feita, ele pediu um pedaço de barbante para suspender a manga da camiseta e não deixar que ela tocasse no desenho. Tinha orgulho de mostrar o braço”, conta Lília, com um sorriso largo no rosto.

Para a diretora, o projeto desenvolvido na escola teve como principal resultado a promoção do respeito. “A gente vê hoje na sociedade falta de respeito aos povos originários. Por não conhecer, muitas vezes, o que se é praticado é o desrespeito, junto com a falta de humanidade e também de identidade”, avalia a professora.

Diante do resultado, ela diz que espera que “mais escolas busquem realizar essas atividades com o olhar mais atualizado, com parcerias”. “Quem é o indígena? Quem é essa pessoa que trabalha com a gente, que é um estudante, que é um servidor público? Indígena não fica só na floresta. A gente precisa que nossas crianças vejam que os indígenas também estão aqui e devem ser respeitados”, projeta Lília.

Para Kayna, a função de educadora social, que nunca foi planejada por ela, transcende o próprio exercício da profissão. “Sou uma pessoa muito espiritualista. Eu sempre ouço uma voz que me guia. Quando eu saí do Amazonas, essa voz disse que eu iria levar a cultura do povo para fora do meu estado. E é isso que eu estou fazendo”, conta.

 

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