Reunião do Sinpro com delegados(as) sindicais aconteceu nesta quinta (18)
Jornalista: Alessandra Terribili
Na noite de quinta-feira, 18, aconteceu a primeira reunião de 2024 do Sinpro com delegados e delegadas sindicais. A pauta central era a reivindicação por reajuste e a campanha salarial.
O encontro teve a participação do técnico do Dieese Sérgio Lisboa, que explicou os parâmetros adotados para se chegar ao índice da campanha salarial, e houve um rico debate em torno disso.
Para ser delegado ou delegada sindical é necessário a indicação de seus pares na escola. A indicação deve ser materializada em ata, que deve ser entregue à secretaria do Sinpro.
O relatório Estado dos Povos Indígenas no Mundo, elaborado pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais (DESA) da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2021, aponta que, embora os povos indígenas representem 5% da população mundial, eles são responsáveis pela preservação de cerca de 80% da nossa biodiversidade. Entretanto, esses povos ainda lutam pelos seus direitos legais a terras, territórios e recursos.
Segundo Anne Nuorgam, presidente do Fórum Permanente da ONU para Assuntos Indígenas, houve um aumento nos casos de invasão de terras e territórios indígenas durante a pandemia de Covid-19 e os subsequentes lockdowns. “As razões para conflito são muitas: desde extração, desmatamento, terra para fontes de energia renováveis e agronegócio até conflito entre pastorais indígenas, herdeiros nômades e fazendeiros sobre reduzidas terras em função de guerras, além dos efeitos das mudanças climáticas e o estabelecimento de áreas de conservação”, afirmou Anne em comunicado.
Por tudo isso, no Brasil, dia 19 de abril não é o dia do índio, mas sim, o Dia dos Povos Indígenas. É uma data para reforçar a luta por direitos básicos e pelo reconhecimento das vivências plurais desses povos que, há mais de 500 anos, têm sua existência ameaçada – e não para se fantasiar de “índio” e reforçar estereótipos sobre os povos e seus costumes.
Realidade brasileira
No Brasil, existem pelo menos 305 etnias falando 274 línguas diferentes, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A demarcação de terras é a mais forte das demandas.
Os adversários dos direitos dos povos indígenas são o agronegócio, indústrias extrativistas, o garimpo ilegal, caçadores e pecadores clandestinos. Esses setores invadem as terras indígenas, contaminam seu solo, suas águas, destroem o meio ambiente em que eles se inserem, espalham doenças. Em diversos casos, lideranças indígenas são assassinadas por representarem um empecilho aos interesses desses setores.
Atualmente, as terras indígenas ocupam 13% do território nacional, com 778 terras espalhadas pelo Brasil em diferentes fases do procedimento demarcatório, sendo 524 homologadas e reservadas, 66 declaradas, 46 identificadas e 142 em identificação, segundo o ISA (Instituto Socioambiental).
Hoje, pela primeira vez na história do país, temos um Ministério dos Povos Indígenas, sob o comando de Sônia Guajajara, do povo Guajajara/Tentehar. A estrutura é fundamental para concentrar esforços, levantar dados e informações, influenciar políticas públicas em todas as áreas e fortalecer um potencial elaborador e executor de ações de defesa dos direitos, dos territórios e da cultura dos povos indígenas.
Além disso, é fundamental visibilizar a situação atual e as demandas dessas populações, afinal, os povos indígenas não são comunidades exóticas, mas sim brasileiros e brasileiras que têm direito a viver em paz em suas terras e conforme suas próprias tradições, que são anteriores à apropriação do continente pelos europeus.
Acampamento Terra Livre
O Acampamento Terra Livre (ATL) é uma mobilização nacional dos povos indígenas, realizado anualmente desde 2004. O objetivo da ação tornar visível a situação dos direitos indígenas e reivindicar do Estado Brasileiro o atendimento das suas demandas e reivindicações.
Este ano, o ATL vai para sua 20ª edição e terá o tema: “Nosso marco é ancestral. Sempre estivemos aqui”. A ação acontece entre os dias 22 e 26 de abril no espaço da Funarte em Brasília. Para saber a programação, clique: https://apiboficial.org/atl2024/.
Clique no botão abaixo para ouvir o programa Rádio Peão especial Povos Indígenas, que traz a participação da deputada federal Juliana Cardoso (PT-SP) e a música de artistas indígenas de diversas partes do Brasil.
Governo de São Paulo quer que Chat GPT elabore as aulas da rede pública
Jornalista: Alessandra Terribili
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e seu secretário de educação, o empresário Renato Feder, decidiram que professores não mais terão a atribuição de preparar aulas. Essa tarefa, agora, caberá ao Chat GPT, ferramenta de inteligência artificial (IA).
Em documento enviado aos professores da rede estadual informando a mudança, a Secretaria de Educação diz que a IA gerará a primeira versão da aula “com base em temas pré-definidos e referências concedidas pela secretaria”. Segundo a pasta, a iniciativa visa a “melhorar” o que foi elaborado anteriormente pelos professores.
Renato Feder é um dos proprietários da empresa Multi, que atua no segmento de eletrônicos e informática. Em 2023, o secretário decidiu que São Paulo não mais faria parte do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), e que promoveria a digitalização de todo o material escolar da rede estadual.
O caso ganhou a imprensa nacional porque os materiais digitalizados distribuídos pelo governo de São Paulo traziam erros grotescos, como o falso dado de que D. Pedro II assinou a Lei Áurea; que Jânio Quadros proibiu o uso de biquínis nas praias da capital paulista (que não tem praias) em 1961, ano em que ele não era prefeito; que enfermidades como os males de Parkinson e de Alzheimer podem ser transmitidos pela água; e outros. Com a repercussão negativa, a Secretaria de Educação teve de recuar.
As ferramentas de inteligência artificial são apenas ferramentas, e não protagonistas do processo de ensino e aprendizagem. Ao deslocar o professor da responsabilidade de preparar as aulas que serão ministradas, o governo paulista dá um recado claro: faz parte do agrupamento que busca perseguir, desqualificar e esvaziar o trabalho desempenhado por professores e professoras.
O mesmo projeto
A iniciativa do governo de São Paulo faz parte do mesmo eixo de propostas como a da educação domiciliar, por exemplo, que entende que o trabalho do professor ou da professora é prescindível. Também integra a mesma corrente de pensamento que elaborou a proposta de “voucherização” do ensino, buscando fortalecer o ensino privado e sucatear a rede pública. E todas essas se relacionam diretamente com a perseguição de docentes, premissa básica dos defensores da Lei da Mordaça. Ou seja, nada de novo no front.
Além de desqualificar o trabalho docente, a entrega da preparação de aulas ao Chat GPT mostra total descompromisso com a qualidade do ensino ofertado aos estudantes da rede pública. Ações desastrosas como a escancarada pela imprensa no ano passado não são “erros”, mas sim, guardam concepções bastante nítidas de educação
Se um material afirma que a cidade de São Paulo é litorânea, pode contemplar quais “erros” que passam despercebidos? E qual o significado político de programar a elaboração de materiais didáticos sob a tutela ideológica direta do secretário de educação? Quais interesses estavam por trás do ato, já revogado, de abrir mão do PNLD e repassar um volume orçamentário alto para empresas privadas do ramo eletrônico e de informática?
Esses não são meros equívocos, mas sim, um projeto deliberadamente privatista da educação, que tem como horizonte o sucateamento da escola pública e a perseguição de professores e professoras, bem como de instituições geradoras e transmissoras de conhecimento. Para certo segmento da sociedade, o conhecimento é algo perigoso, e nem todos podem ter acesso a ele.
A diretoria colegiada do Sinpro manifesta seu repúdio a mais essa ação do governo Tarcísio, e se solidariza com a luta dos profissionais do magistério público paulista, em defesa da educação pública de qualidade – que é uma obrigação constitucional do Estado.
Vitória da greve: professores(as) e orientadores(as) educacionais conquistam ampliação de carga horária
Jornalista: Alessandra Terribili
Atenção professores(as) e orientadores(as) educacionais que aguardam autorização para ampliação de carga horária: é necessário comparecer à Eape dia 18 de abril (quinta-feira), nas salas e horários indicados na tabela abaixo, conforme seu componente curricular/especialidade. As convocações para assinatura do termo estão sendo feitas pela SEEDF por telefone, e-mail ou via SEI (Sistema Eletrônico de Informações).
O comparecimento presencial é obrigatório para confirmação do interesse e assinatura do termo de ampliação de carga e bloqueio de carência. Feita a assinatura do termo, as ampliações de carga começam a vigorar a partir do dia 22 de abril (segunda-feira).
Essa foi uma conquista da nossa categoria! Havia processos parados no SEI desde 2018. A ampliação da carga horária para quem solicitou era um dos pontos do acordo de suspensão da greve de 2023, e tornou-se mais uma vitória da luta, obtida graças à não interrupção da mesa de negociação do sindicato, que manteve a cobrança à SEE-DF.
“Alcançar o cumprimento deste ponto do acordo de greve é importantíssimo, porque afeta diretamente a vida financeira dessas centenas de pessoas. Era um direito que lhes era sistematicamente negado em diversos processos movidos”, conta Márcia Gilda, diretora do Sinpro e integrante da mesa de negociação.
EC 08 de Taguatinga comemora 60 anos com ação social para a comunidade
Jornalista: Letícia Sallorenzo
No dia 13 de abril, a Escola Classe 08 de Taguatinga celebrou os 60 anos completados no final de março com uma ação social para a comunidade.
Além das tradicionais apresentações das turmas, a escola promoveu uma série de parcerias com prestadores de serviço da região de Taguatinga e outras RAs. Assim, teve atendimento de atendimento com um fisioterapeutada academia Curves, um psicólogo do Centro Especializado de Reabilitação II de Taguatinga e outros psicólogos da Uninassau, um oftalmologista da Mira Ótica, uma proctologista e um clínico geral do Hospital Militar da Área de Brasília (HMAB).
Veterinários da Uniceplac ofereceram consulta, vacina antirrábica e teste de leshimaniose parea os bichinhos, além de um circuito sobre os animais para as crianças. Teve também feirinha de adoção de cachorros.
A escola ofereceu também uma palestra sobre Violência Doméstica com a Dra Glaucia da Comissão da Mulher- ABA/DF, além de participação dos Narcóticos Anônimos e da Justiça Comunitária, oferecida pelo TJDF.
Aas concessionárias de água e energia de Brasília também participaram do evento. A Caesb doou a água para a realização do evento, e a Neoenergia, além de apresentar sua campanha de conscientização para o bom uso da eletricidade, trocou as lâmpadas convencionais da escola por lâmpadas de LED, que consomem menos energia.
Teve ainda oficinas de sabão caseiro, barbante e chocolate.
Governo Federal lança pedra fundamental do campus Sol Nascente do IFB
Jornalista: Alessandra Terribili
Na última quinta-feira (11), em evento que contou com a presença do presidente Lula, foi lançada a pedra fundamental do novo campus Sol Nascente do Instituto Federal de Brasília (IFB). A unidade integra o plano de expansão dos institutos federais pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), que erguerá novos 100 campi do IF em todos os estados. Sobradinho II também receberá uma nova unidade.
Em seu discurso, o presidente Lula lembrou que, antes dele chegar à presidência, o Distrito Federal não tinha nenhum IF. Agora, com a criação dos novos campi no Sol Nascente e Sobradinho, serão 12 unidades na capital. Os já existentes são: Plano Piloto, Taguatinga, Ceilândia, Samambaia, Gama, Planaltina, Recanto das Emas, Riacho Fundo, Estrutural e São Sebastião.
“Eu fui o primeiro filho da minha mãe a tirar um diploma primário. Depois, fui o primeiro filho da minha mãe a fazer um curso técnico profissional. Por isso, arrumei um bom emprego e fui o primeiro a ter casa própria, televisão, geladeira, carro”, disse o presidente, ressaltando a importância da educação e da formação técnica para garantir boas oportunidades de emprego e melhorar a vida de cidadãos e cidadãs das periferias.
A reitora do IFB, Veruska Ribeiro Machado, falou na mesma linha: “Todos os dias eu acompanho a transformação de vidas. Essas vidas transformam os territórios em que elas estão inseridas”, considerou ela.
Os novos campi de institutos federais vão atender regiões que ainda não possuem unidades ou que registram número baixo de matrículas em cursos técnicos de nível médio em relação à população da região. Cada unidade tem custo estimado de R$ 25 milhões, com R$ 15 milhões em infraestrutura e R$ 10 milhões para equipamentos e mobiliário; e a expectativa é de que cada uma ofereça 1.400 vagas, majoritariamente de cursos técnicos integrados ao ensino médio.
Para a diretoria colegiada do Sinpro, a abertura dos novos campi e das novas vagas é uma iniciativa importantíssima para ampliar o acesso ao ensino técnico-profissionalizante, especialmente nas regiões periféricas, onde ele fará diferença nas trajetórias individuais e também para as comunidades. Fortalecer a educação pública e expandir vagas no ensino técnico é democratizar oportunidades no DF e no Brasil.
Para ver o álbum completo no facebook, clique no botão abaixo:
Comédia teatral escrita e estrelada por professoras aposentadas no Espaço Cultural Renato Russo
Jornalista: Letícia Sallorenzo
O espaço Cultural Renato Russo (na 508 Sul) recebe, nos dias 3 e 4 de maio às 20h, e no dia 5 de maio às 19h, a comédia teatral “Entre Elas”. O espetáculo é estrelado pelas atrizes Elisange Oliveira, Léo Thilé e Gelly Saigg, e conta com participação especial da autora e diretora da peça, Márcia Marmori. As quatro têm em comum serem professoras aposentadas da SEE-DF.
A peça Entre Elas é “baseada em histórias reais” – ou quase reais. Conta a história de três amigas que se aventuram em uma viagem e acabam sendo presas. A partir desse momento, os conflitos e afetos surgem enquanto elas discutem suas condições de serem mulheres na sociedade.
Com esse mote, e com muito humor, o espetáculo faz refletir sobre temas importantes do universo exclusivamente feminino: climatério, menstruação, sexualidade, casamento, política e banheiros públicos. Tudo de maneira direta, leve e divertida.
“Entre Elas” tem produção de Kacus Martins, e cenário e figurino de Roumier de Castro.
Os ingressos estarão disponíveis na plataforma Sympla.
Estão abertas as inscrições para as “Rodas de conversas em alfabetização popular no DF”
Jornalista: Maria Carla
Estão abertas as inscrições para o evento “Rodas de conversas em alfabetização popular no DF – Socialização de experiências em alfabetização de jovens, adultos e idosos na educação popular”. A iniciativa e coordenação é do GTPA-Fórum EJA/DF, CEDEP, Genpex, MEB e Cepafre, aberta a educadores, estudantes de graduação e pós-graduação, convidados(as) e professores(as).
Interessados(as) devem fazer a inscrição no site e participar do evento nos dias 30 de abril (terça-feira), às 19h30 (de forma virtual), e no dia 4 de maio, 9h, (de forma presencial), no CESAS, na L2 Sul, Quadra 602. Clique no link a seguir e faça a sua inscrição: https://www.even3.com.br/rodas-de-conversas-em-alfabetizacao-popular-443624/
Em nota divulgada na Internet, os realizadores do evento informam que a proposta “é revelar e reunir experiências exitosas (boas práticas) em alfabetização de jovens, adultos e idosos na educação não formal, ou seja, na educação popular no DF”.
O grupo informa também que “a Educação Popular oferece por meio de organizações e entidades populares e/ou religiosas, a oferta da alfabetização de jovens, adultos e idosos para um grupo social excluído e invisibilizado nos últimos anos. Os sujeitos da EJA – Educação de jovens e adultos, não alcançam respostas da escola pública ao longo dos anos, mas ao contrário, as salas de aulas estão sendo fechadas e a pouca oferta é centralizada na cidade ou município, provocando uma falta de acesso e uma educação precarizada.
Dessa forma, a Educação popular precisa ser favorecida e apoiada, pois ela chega em locais que a educação formal não chega, além de possibilitar uma formação humana e emancipadora. Apoiada em Paulo Freire, a Educação Popular consolida a unidade da classe trabalhadora sob uma liderança política justa na luta. O que está em disputa são dois projetos de Brasil: do povo brasileiro e da elite capitalista. Estamos vivendo um momento de consolidação democrática no país e o processo de alfabetização popular de jovens, adultos e idosos poderá pautar as lutas sociais do povo brasileiro e seu processo de emancipação.
Leia mais:
Confira também a campanha em defesa da EJAIT 2024 do Sinpro-DF.
Professora Tameme se despede e deixa lições eternas
Jornalista: Vanessa Galassi
Professora Maria Tameme Soares fará uma falta imensa. No fim da noite dessa quarta-feira (10/4), ela se despediu dos familiares e dos amigos, após lutar contra um câncer. Se o momento é de tristeza, é também de reflexão sobre as lições que ela ensinou.
Aos 18 anos Tameme já era a professora Tameme. Foi neste espaço onde futuros se constroem que ela iniciou a jornada de uma vida inteira de sonhos e lutas.
Filiada ao Sinpro desde 1980, professora Tameme foi uma das fundadoras do sindicato que representa a categoria do magistério público. Esteve presente em mesas de negociação, assembleias, manifestações, atos; mesmo depois de se aposentar.
“Tameme era uma militante de esquerda, uma pessoa combativa, que acreditava no que fazia, acreditava no trabalho como professora, acreditava na transformação da sociedade através da sala de aula. Mais do que uma militante, era uma sonhadora, mas sonhava com o pé no chão. Ela não se entregava. Uma pessoa excepcional, insubstituível”, conta o professor Márcio Baiocchi Fracari, que foi companheiro de Tameme por 12 anos. Segundo ele, Tameme, “que ainda no movimento estudantil combateu a ditadura militar de ‘peito aberto’”, não tinha inimigos, pois “sempre soube fazer a disputa política com seriedade, sem golpe baixo e trabalhando por aquilo que acreditava”.
Rejane Pitanga, professora aposentada da rede pública de ensino do DF e também fundadora do Sinpro, conheceu Tameme na primeira greve da categoria do magistério público, em 1979. Para ela, a despedida da professora é “uma perda grande para todos nós”. “Ela deixa o exemplo da combatividade, do compromisso, da resistência”, diz.
Professora Lúcia Carvalho conta que a atuação de professora Tameme abraçava causas que transpunham fronteiras geográficas. Amigas de luta há 40 anos, Lúcia lembra com carinho e orgulho da participação de Tameme não só em defesa de uma educação pública de qualidade, mas por um mundo mais justo. “A última vez que nos vimos foi em uma atividade em homenagem à Cuba. Ela era extremamente esclarecida sobre a realidade internacional. Um exemplo de mulher. Calma, serena; mas uma rocha”, conta professora Lúcia com admiração.
Professora Tameme (camiseta lilás) no ato em defesa de Cuba
Emocionada, a professora aposentada Ines Bettoni fala da dificuldade de não ter mais por perto a amiga de mais de quatro décadas, com quem dividiu coisas boas e também as difíceis. “Íntegra, solidaria. Nunca soube de alguém que não a quisesse: ela era unanimidade. Tameme sempre renunciou a benefícios individuais pela luta coletiva”, declara.
O Sinpro se solidariza com familiares e amigos da professora Tameme. Desejamos força para que a saudade que aperta o peito seja amenizada pelo tempo-rei, que mostra com majestade que nada do que realmente importa se vai completamente.
Professora Tameme, presente!
*Professora Tameme será cremada. A cerimônia será neste sábado (13/4), no Jardim Metropolitano – Valparaíso (GO), das 14h às 16h. O velório 8.
Investimento na Educação Inclusiva: um pressuposto democrático
Jornalista: Alessandra Terribili
O Sinpro-DF continua em campanha permanente em defesa da educação inclusiva! Nossa campanha reivindica mais investimento e mais atenção do governo Ibaneis para esse tema tão importante e definidor da qualidade da nossa democracia.
A evolução da civilização faz se ampliarem as noções de democracia, cidadania e inclusão, tornando-as um indicador do nível de desenvolvimento de uma sociedade. Hoje, as pessoas e as instituições são mais sensíveis para entender que a exclusão e a marginalização não é algo natural. Porém, há ainda muito o que avançar; e os avanços que temos se devem à resistência de quem sente na pele as dores da exclusão, e as ressignificam constituindo espaços de luta.
Embora tenhamos uma legislação que garanta o direito à inclusão, as estruturas não estão organizadas para incluir, mas sim, permanecem excludentes. Nas escolas, por exemplo, faltam condições, estrutura e pessoal para atender com dignidade estudantes com deficiência ou transtorno.
É preciso investimento!
O Sinpro tem cobrado do GDF investimento: na construção de escolas; na ampliação de salas de aula e outras reformas que sejam necessárias; na formação, na qualificação e na valorização de profissionais para atuar na educação inclusiva e na educação especial; na nomeação de monitores e monitoras; na ampliação da oferta de salas de Atendimento Educacional Especializado; na oferta de salas de recursos equipadas em todas as unidades escolares.
O governo de Ibaneis Rocha, no entanto, tem negligenciado esse segmento, fazendo com que os princípios constitucionais do direito à educação e do direito à dignidade humana não sejam respeitados. É dever do Estado oferecer aos estudantes com deficiência, com algum tipo de transtorno, ou ainda em situação de vulnerabilidade social as condições necessárias para que o processo de construção de aprendizagens lhes esteja disponível integralmente.
Para tanto, é imprescindível que o Estado garanta acessibilidade, condições dignas de permanência na escola e profissionais valorizados. Há uma carência avassaladora de professores, monitores, orientadores educacionais, psicólogos, dentre outros.
O que vemos, no entanto, é que o governo Ibaneis tem estabelecido um perfil de escola que se assemelha mais a um depósito de estudantes. Num cenário de turmas superlotadas e infraestrutura inadequada, diante de um grande número de estudantes com deficiência ou algum transtorno, não há as condições necessárias para o processo de aprendizagem, muito menos de inclusão.
Os professores e professoras, muitas vezes, ficam isolados no atendimento aos estudantes com deficiência ou transtorno. A diretoria colegiada do Sinpro acredita que as dificuldades vivenciadas nas escolas se devem a um abandono do Estado. “Na educação inclusiva, temos a compreensão de que o estudante com deficiência não é estudante de um professor, nem só da escola, mas sim, de todo o sistema de ensino, que precisa estar articulado também com os serviços estatais de saúde e de assistência social”, afirma Luciana Custódio, professora da educação especial e diretora do Sinpro. “A omissão do Estado em relação a esse segmento sobrecarrega o professor e compromete as possibilidades de a escola atendê-lo da forma adequada, que seria em colaboração com outros profissionais e outras áreas”, completa ela.
Luciana alerta, também, para os limites de um trabalho que, além de desarticulado, é descontínuo. “A maioria dos professores em regência de classe, hoje, trabalha em regime de contrato temporário. Embora sejam profissionais muito qualificados, a descontinuidade do trabalho é um enorme obstáculo para a educação inclusiva, porque é fundamental que o profissional conheça e acompanhe a trajetória do estudante”, aponta ela.
Prioridade
Para Carlos Maciel, diretor do Sinpro e integrante do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Distrito Federal (Coddede), para que todas essas condições sejam cumpridas, é latente a necessidade de investimento: “Para que a educação inclusiva aconteça de fato é preciso formação de profissionais, acessibilidade do espaço, suporte técnico para que as pessoas com deficiência estejam nesse espaço. Tudo isso demanda investimento, é preciso que o governo olhe para o segmento com mais prioridade”, ressalta ele. “Sem investimento, barreiras atitudinais e barreiras arquitetônicas inviabilizam a educação inclusiva”, finaliza.
O Sinpro-DF continua atento e lutando para que a educação inclusiva se realize em toda a sua potencialidade. Esse é um direito das pessoas com deficiência, e é preciso respeitá-lo para construirmos uma sociedade justa e realmente democrática, com cidadania plena para todos e todas. Nossa campanha continua sendo travada na luta pelo direito a uma educação efetivamente inclusiva!