Na EC 303 de São Sebastião, a diversidade é internacional
Jornalista: Letícia Sallorenzo
A Escola Classe 303 de São Sebastião tem uma peculiaridade com relação às demais da rede distrital. No mês de novembro, além da valorização da cultura negra e afro-brasileira, a escola aproveita para valorizar e enaltecer a diversidade de culturas latino-americanas e africanas.
“Temos alunos ganeses, venezuelanos e colombianos”, conta a diretora Carem Oliveira dos Santos. “A Festa das Nações é a forma que a escola encontrou de acolher não só a educação antirracista como valorizar as crianças que vêm de outros países.”
Neste ano, a culminância do projeto ocorreu no dia 18 de novembro, com uma evento aberto a toda a comunidade. Houve pesquisas sobre biografias de mulheres negras e suas contribuições para a sociedade, a busca pela ancestralidade, conscientização sobre expressões racistas, exposições sobre brincadeiras típicas da Venezuela (o Gurrufío), apresentação da dança da Waka Waka (tema da Copa do Mundo da África do Sul de 2010, interpretada originalmente pela cantora colombiana Shakira) e uma animada roda de capoeira.
“Os pais e responsáveis participaram das apresentações e ainda teve um pai participando de uma roda de capoeira”, comemora a diretora.
“Fizemos uma pesquisa e descobrimos que nossa comunidade escolar tem maioria de pessoas negras. Percebemos que, muitas vezes, as crianças não se sentem pertencentes, com seus cabelos, narizes e tom de pele. Estamos trabalhando o reconhecimento desse pertencimento desde o ano passado. Neste ano, esse trabalho ganhou bastante visibilidade com a Festa das Nações. As professoras e os professores da escola contam que as crianças estão se percebendo e se reconhecendo nos livros adotados, por exemplo. Também os estudantes de outras nacionalidades, ao trazerem para dentro da escola suas culturas e tradições, demonstram empolgação, identificação e pertencimento. Isso tudo se traduz em autoaceitação e autoestima”, conta a professora Carem.
Projeto do CEMEIT desperta interesse pela pesquisa
Jornalista: sindicato
O Centro de Ensino Médio Escola Industrial de Taguatinga (CEMEIT) promoveu mais uma Exposição Cultural Científica. Neste ano, os(as) estudantes montaram diversos estandes que abordaram temas como escravidão moderna; doenças degenerativas e possibilidades de cura; saúde mental e redes sociais; educação para o futuro e sustentabilidade.
De acordo com a gestão da unidade escolar, a Exposição Cultural Científica, além de incentivar os estudantes a se aprofundarem no mundo da ciência e da cultura, ainda desperta nos(as) alunos(as) o gosto pela pesquisa.
Além de elaborarem toda a decoração dos estandes, os(as) estudantes envolvidos no projeto também realizaram conversas sobre a pesquisa do tema abordado com quem visitava os espaços.
A ideia dos(as) organizadores(as) é fazer com que os(as) estudantes sintam-se parte “do meio onde vivem e possam fazer a diferença neste meio”.
CEF 11 de Ceilândia realiza projeto multidisciplinar de Consciência Afro-indígena
Jornalista: sindicato
Com o intuito de aumentar o estudo histórico, econômico, cultural e sociopolítico das etnias afro-indígenas brasileiras, tendo como base as leis 11.645/08, 10.639/03, 12.519/11 e 14.402/22, o CEF 11 de Ceilândia desenvolveu desde o início do ano, com as turmas de 8° e 9° anos um projeto multidisciplinar de consciência afro-indígena, com a culminância sendo realizada no dia 22 de novembro. Ele existe há 13 anos e envolve as disciplinas história, geografia e o setor de orientação pedagógica.
O projeto contou com a elaboração de cartazes, jogos, slides, barracas gastronômicas, teatros de bonecos, desenhos, resumos, além de caracterização de personalidades históricas que valorizam a composição étnica afro-indígena.
Nas turmas de 8° ano, ele abordou as lendas folclóricas africanas e indígena, que deram origem a formação sociopolítica, econômica e cultural do povo brasileiro. Cada turma através da arte de contar histórias, recebeu uma lenda afro-indígena através de um sorteio e deste modo, dividindo a turma em grupos, abordou por meio de exposições de cartazes, banners, pinturas, dança, teatro, explicações orais (contando histórias), formulando jogos temáticos (cruzadinha, caça palavras, quiz, trilhas, jogo da memória), a produção da lenda no projeto afro-indigena.
As turmas de 9° ano produziram uma barraca gastronômica, com comidas típicas da cultura afro-indígena brasileira. Além de trabalhar o empreendedorismo, o lucros das vendas do que foi produzido pelos estudantes, foi revertido para os mesmos financiarem as comemorações da formatura.
E na culminância, o projeto contou também com o desfile da beleza afro-indígena brasileira, premiando os ganhadores e ganhadoras até o terceiro lugar, que teve a participação de cerca de 30 estudantes do matutino e vespertino do 6º ao 9º anos, organizado pela orientadora Ana Freire e pela professora de história Tatiane Brunes Santos.
Ao final, todos saem ganhando, como atesta Tatiane. “Além do conhecimento teórico que os(as) estudantes adquirirem durante todo o processo de produção do projeto, ele ensina a todos(as) discentes o quanto é valoroso trabalhar o empreendedorismo, pois ao fazer a venda dos produtos, eles aprendem a dividir o lucro final, de forma cooperativista. Bem como auxiliam os estudantes com notas baixas durante o semestre a melhorar o seu desempenho avaliativo. Além disso, como é um trabalho árduo, eles se sentem mais fortes e valorizados, porque montar um projeto com barracas, ornamentação e vendas, é cansativo. Mas ao final, o índice de estudantes que ficariam em recuperação diminui muito, por causa da pontuação de ações como essas feitas nas escolas”.
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Leia a carta aberta do FNE | Contra o PL 1338/22, risco contra nossas crianças e adolescentes
Jornalista: Alessandra Terribili
O Fórum Nacional de Educação (FNE) é um espaço de interlocução entre a sociedade civil e o governo, composto por 61 entidades, articulador das conferências nacionais de educação e uma das esferas legais de monitoramento e avaliação do Plano Nacional de Educação 2014-2024 (PNE).
O FNE é uma instância de participação social e representa milhões de estudantes, trabalhadores e trabalhadoras, pais, mães e responsáveis, gestores, conselheiros e defensores do direito à educação presentes em todo território nacional.
Alicerçado em sua legitimidade institucional, o FNE dirige-se às instituições republicanas, à sociedade brasileira e, especialmente, aos/às parlamentares de todas as esferas, para reiterar sua contrariedade com as tentativas de regulamentação da chamada educação domiciliar (homeschooling) no Brasil, em discussão atualmente na Comissão de Educação do Senado Federal.
Para o FNE se faz urgente a contraposição efetiva do Estado às políticas e propostas ultraconservadoras, nas suas diversas esferas federativas, garantindo a desmilitarização das escolas, um freio às intervenções do movimento Escola Sem Partido e dos diversos grupos que desejam promover silenciamento e perseguição nas instituições educativas, ataques à liberdade de cátedra e ao livre pensamento e, neste contexto, de igual modo, é coerente objetar as tentativas de regulamentação da educação domiciliar (homeschooling).
Uma proposição como esta é absolutamente inoportuna e, em um país marcado por enormes desigualdades e grandes desafios educacionais não vencidos, tende a aprofundar a exclusão educacional e social, especialmente de meninas, formando cidadãos alienados, com baixa capacidade de empatia e de convivência no mundo real, complexo, plural e diverso.
De igual modo, tende a promover profissionais que atuarão junto às famílias ao arrepio da LDB e dos requisitos de formação, sem que o poder público (que estará ainda mais onerado caso o PL prospere) tenha condições objetivas de fiscalizar e efetivamente avaliar esta forma de oferta em todo o território nacional. O PL, ademais, retira das crianças e adolescentes a possibilidade de contarem com a escola na rede de proteção e no sistema de garantia de direitos, grande retrocesso no que tange à identificação e encaminhamento de casos, frequentes no núcleo familiar, de abusos de todas as espécies, de violências e de identificação de doenças psicossociais.
Desta forma, o Pleno do FNE se manifesta contrariamente ao Projeto de Lei n° 1.338, de 2022, que Altera a LDB e o ECA, para dispor sobre a possibilidade de oferta domiciliar da educação básica, tramitando na Comissão de Educação do Senado Federal, nos termos do Parecer FNE n° 003, de 2023.
De igual modo, convoca ampla mobilização social, inclusive nas redes do Senado Federal, com determinado posicionamento contrário à matéria.
Inserido dentro do PPP da EPAT (Escola Parque Anísio Teixeira), em Ceilândia, a Semana da Música ocorre desde 2016 na escola, já o Sarau de Canto, que faz parte deste projeto (assim como as oficinas de teclado, violino, violão e guitarra) chegou na segunda edição, na noite do dia 29 de novembro para cerca de 150 pessoas no auditório da escola, que fizeram uma recepção calorosa.
“O Sarau, assim como todas as apresentações da Semana da Música, é a culminância do semestre letivo na escola. Podemos considerar que foi um semestre de ensaio dos estudantes, considerando que temos alunos que já fazem parte da oficina de canto há anos”, diz César Augusto de Souza Oliveira, professor e coordenador pedagógico da área de música da escola.
O evento teve aproximadamente 3 horas de duração, com a participação de 18 alunos(as) de 13 a 18 anos de idade. Alguns cantaram uma música, outros mais de uma, de acordo com a programação feita pela professora de canto.
“A seleção (de quem se apresenta) é feita pela professora de canto durante o semestre, de acordo com o desenvolvimento dos alunos. O repertório, composto por covers, abrange os mais diversos gêneros: samba, MPB, musical, música sacra, música de concerto”, afirma César. O evento também contou com a presença do Coral Shalom.
O professor observa que “no campo da música, os alunos têm um bom desenvolvimento musical, por vezes bem rápido. Nas outras áreas eles desenvolvem muito a inteligência emocional e a comunicação, além de auxiliar no rendimento escolar dos alunos por expandirem também o foco e a concentração”.
O coral, formado pelos(as) alunos(as) de canto da EPAT se apresentam neste mês na Igreja Batista Central Brasil de Brasília (11/12, às 19h30), no Hospital Regional de Ceilândia (13/12, às 14h) e na Regional de Ensino de Ceilândia (14/12, às 14h).
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Prosa ao Pé do Ouvido conversa com membros da comissão do PAS e suas atualizações
Jornalista: sindicato
Nos canais da Eape no Youtube e Spotify, está no ar a terceira edição do programa “Prosa ao Pé do Ouvido”, que conta na equipe com Pedro Artur Melo, responsável pela pesquisa e da apresentação do programa. É ele quem explica que na verdade é o terceiro episódio no Youtube, mas já o quarto programa produzido, pois antes desses três, teve um apenas em formato de áudio. “Saiu em outubro do ano passado, em comemoração ao Dia do professor e escolhemos falar sobre o livro “Ensinando a Transgredir – A Educação como Prática da Liberdade”, de Bell Hooks. Foi bem bacana, pois esse episódio abriu uma ponte de diálogo com a revista Com Censo, a revista científica da Secretaria de Educação. Recebemos um artigo publicado na revista sobre o mesmo livro e gerou algumas reflexões sobre aproximação do podcast com a revista e consequentemente sobre divulgação científica”.
A ideia de Pedro é realizar no Youtube um programa por mês, porém “nem sempre é possível, pois temos que conciliar com as atividades de formação e coordenação que fazemos na Eape. Bem como estamos sujeitos a alteração nas agendas dos convidados que por alguma contingência da vida precisam desmarcar ou remarcar a gravação”.
Em relação aos convidados, a terceira edição do programa recebeu membros que estão na comissão do PAS (Programa de Avaliação Seriada): Eloísa Pilati, professora da UnB e diretora da Diretoria de Planejamento e Acompanhamento Pedagógico das Licenciaturas (DAPLI); Ana Paulo Prado, professora de língua portuguesa e mestranda em linguística na UnB; Sabrina Cerqueira, professora de licenciatura de língua espanhola e professora da pós-graduação de linguística aplicada e Leonardo Castro de Carvalho, professor de geografia da SEEDF, colaborador e redator do Currículo em Movimento e mestrando em Geografia.
De acordo com Pedro, “estudando para fazer esse programa e depois realizando a entrevista com os participantes, eu cheguei à constatação que o PAS e a Universidade de Brasília estão fazendo um ótimo trabalho em realizar uma prova que solicita ao estudante um pensamento crítico voltado à ação. Ou seja, um processo consciente de tomada de autonomia de alguém que participa na sociedade e que não dissocia a teoria da prática. Nossa conversa girou em torno desta ideia, e usamos como fio condutor a matriz de obras do PAS e última atualização do programa. Links com mais informações sobre o tema podem ser encontrados na descrição do episódio no Youtube”.
Para o apresentador, “a grande novidade é que qualquer pessoa, de qualquer idade, desde que concluiu o ensino médio pode fazer o PAS. E essa decisão vem da premissa de continuar democratizando o acesso à universidade pública neste país brutalmente desigual que vivemos. Outra coisa bacana de mencionar é que a matriz de obras do PAS pode ser uma atividade coletiva compartilhada, seja dentro da família dos estudantes, seja entre amigos. Essa pode ser uma maneira de incentivar jovens que vão passar pela prova e fazer algo em comum com eles”.
Ele ressalta que “uma de nossas ideias fundamentais é fazer circular saberes relevantes, através do diálogo, para toda rede. Também fica o convite para todo aquele ou aquela que tem uma ideia bacana, um projeto, etc e que gostaria de mostrar para a rede como todo para nos procurar, para que possamos pensar juntos um programa a ser realizado, pelo e-mail pedroartur@gmail.com .
A equipe do programa é formada por Paulo Duro na direção; Daniel Fama na direção de fotografia; Yeda Gabriel na produção e still; Alexandre Furtado e Luiz de Almeida (Luizão) como operadores de câmera; Bruno Batista como assistente de câmera; Flávia Oliveira na edição, montagem e finalização; Luiz Carlos (Lucs) no Motion Design e Pedro Artur Melo, responsável pela pesquisa e da apresentação do programa.
O “Prosa ao Pé do Ouvido” pode ser assistido aqui.
Sindicato das(os) psicólogas(os) convida para posse da chapa eleita
Jornalista: Letícia Sallorenzo
O Sindicatos das Psicólogas e Psicólogos do DF convida para a Cerimônia de Posse da Chapa 01, Avanço e Transparência, que conduzirá a gestão do Sindicato no decurso 2023-2026. O evento ocorre no próximo dia 11 de dezembro (segunda-feira), às 19:30 no Auditório do Sinpro-DF no SIG.
De acordo com o sindicato, será um momento marcante, de união da categoria e comemoração de um grande passo para a Psicologia no DF.
Chapa eleita
A eleição no sindicato ocorreu em novembro. A Chapa 1, Avanço e Transparência, reúne psicólogas e psicólogos dos mais variados segmentos da categoria de profissionais da psicologia atuantes no DF.
Cemeb encerra ano letivo com dois espetáculos abertos ao público
Jornalista: Maria Carla
O Centro de Ensino Médio Elefante Branco (Cemeb) da Asa Sul realiza, nesta quinta-feira (7/12), o fechamento do ano letivo 2023 com a reapresentação de dois importantes espetáculos da Cia de Teatro do Elefante Branco estreados neste ano. Ambos terão entrada franca e são abertos ao público.
Trata-se do “Epifania”, um espetáculo de dança contemporânea que integra a programação do I-Festival, Mostra de Dança da Licenciatura em Dança do Instituto Federal de Brasília (IFB), a ser reapresentado às 11h da manhã no Campus Brasília, IFB Norte, L2 Norte.
E o “Sarau das memórias eternas”, espetáculo antirracista que será a abertura do XIII Fórum da Orientação Educacional da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal (SEE-DF), a ser encenado à noite no Auditório do Cemeb.
Cia de Teatro Elefante Branco e parceria com IFB
O Elefante Branco tem o Projeto da Companhia de Teatro (Cia de Teatro) fixado em sua grade curricular desde 2018. Essa é uma companhia de repertório, ou seja, são vários espetáculos montados durante o ano. “Em outubro deste ano, a gente fez o nosso VI Festival de Teatro e, nesse festival, a gente apresentou algumas peças, como ‘Obras do PAS’, e, agora, em dezembro, vai reapresentar dois espetáculos que haviam sido apresentados durante o ano letivo de 2023: o ‘Epifania’ e ‘Sarau das memórias eternas'”, informa Marcello D’Lucas, professor de arte e coordenador do Elefante Branco.
O professor explica que o espetáculo “Epifania” foi montado em parceria com o curso Licenciatura em Dança, do Instituto Federal de Brasília (IFB). “Eu supervisiono, no Cemeb, o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência, o PIBID, de Arte do IFB. Com isso, eu tenho acesso aos ‘pibidianos’ da bolsa. Alguns desses ‘pibidianos’ conduziram uma oficina de dança durante o ano e, dessa oficina, resultou o espetáculo Epifania”, explica.
Esse espetáculo foi apresentado no VI Festival de Teatro e foram convidados a reapresentá-lo na Mostra de Dança do IFB. Além disso, todo ano, em novembro, no Mês da Consciência Negra, o Cemeb estreia um espetáculo novo que, geralmente, fica em cartaz no ano seguinte, com o tema do antirracismo. Este ano, esse espetáculo foi o “Sarau das memórias eternas”, apresentado na Semana da Consciência Negra.
“Vamos reapresentar o ‘Sarau das memórias eternas’ no Fórum da Orientação Educacional, da SEE-DF. Nesta quinta-feira, os orientadores estarão no Elefante Branco e vamos reapresentar esse espetáculo, às 20h, no próprio Elefante Branco, e é também aberto ao público.
Protagonismo juvenil
O professor Marcello explica que os projetos de teatro e dança são uma forma de a escola pública promover o protagonismo juvenil e abrir espaços para os(as) estudantes possam se expressar e ter um espaço em que possam ser vistos, questionar as coisas. “Os dois espetáculos têm conteúdo político. O ‘Epifania’ fala sobre a sociedade fria, que segue padrões, monótona. Esse espetáculo brinca, ironiza um pouco com essa temática, em que as personagens se assemelham a robôs e, com o passar do tempo, durante o espetáculo, por isso o título ‘epifania’, como se fossem ‘epifanizados’, e começassem a enxergar o mundo colorido e multiplural e não um mundo reto, quadrado, sem cor, sem formas”, explica.
Segundo ele, o ‘Sarau das memórias eternas’ é um espetáculo antirracista. “São poemas da autora Cristiane Sobral, que é uma escritora preta carioca, que reside no Distrito Federal e é professora efetiva da SEE-DF, mas, hoje, ela trabalha no Ministério da Educação. Esse espetáculo se chama ‘sarau’ porque se trata de um recital de poemas dela só que em forma de espetáculo de teatro. Essa é uma forma de a gente trazer também uma visibilidade negra porque o elenco é toda preta, a equipe é toda preta, e é um momento de a gente ver os e as adolescentes negros em cena, representando toda a ancestralidade negra de uma forma performática, poética, denunciativa, crítica”, informa Marcello.
O “Sarau das memórias eternas” aborda várias questões relacionadas ao racismo estrutural e a toda a essa rede que converge para o encarceramento do jovem preto. “E como se a gente tivesse também a oportunidade de fazer com que os e as adolescentes se sintam parte da comunidade e, mais do que isso, que eles e elas possam mudar a realidade deles”, afirma. D’Lucas informa ainda que o Cia Elefante Branco está no Instagram @ciaelefantebranco, local em que o público pode conhecer com maiores detalhes o seu histórico.
“É um projeto que visa a trazer o protagonismo juvenil e catapultar para além dos muros da escola toda esse talento e a disponibilidade dos adolescentes de fazer arte, de se engajarem nessas atividades. A gente consegue ver, com o passar do tempo, já estamos no fim do ano e então consigo enxergar em relação a este ano letivo, por exemplo, uma motivação maior dos e das estudantes para frequentar a escola porque agora eles e elas têm essa responsabilidade de fazerem parte das apresentações e, com isso, se sentem integrantes da escola, importantes, e estão ali o tempo inteiro para ensaiar, além de assistirem às aulas e de terem seus trabalhos de artista reconhecidos em sala de aula pelos professores, pela comunidade escolar. É uma forma muito digna de fazer com que os e as estudantes se sintam parte da escola”, afirma.
Ele diz ainda que o projeto é importante também porque “à medida que o estudante vai se desenvolvendo, ele vai tendo consciência de suas potencialidades porque ali a gente não está tentando nem formar artistas, mas apenas trazer um espaço em que cada estudante possa se reconhecer como um sujeito autônomo, capaz de produzir cultura para a sua comunidade e também possibilitar esse diálogo da comunidade escolar, os espectadores, com eles, que são estudantes exercendo a função de artistas. E o mais importante que é formar plateia. A gente conseguindo fazer essas apresentações para o público da escola e também para o público externo, com apresentações externas, como será o caso dessas duas apresentações, a gente mobiliza toda uma comunidade em prol desse entendimento das artes na escola”, finaliza.
EC Cachoeirinha realiza chá literário e manhã de autógrafos nesta neste sábado (9)
Jornalista: Maria Carla
A Escola Classe Cachoeirinha de São Sebastião (EC Cachoeirinha) irá realizar, neste sábado (9), entre 8h30 e 11h, o chá literário e a manhã de autógrafos dos(as) seus(as) estudantes. A escola convida a todos(as) para participar deste “momento único em que celebra a leitura, a escrita, o protagonismo infantil e o trabalho dos profissionais de educação que auxiliaram mais de 122 estudantes a se transformarem em autores de seus próprios livros”.
A escola destaca que o convite é extensivo a toda a comunidade escolar e que se trata de um dia fundamental para o encerramento de um projeto significativo para as crianças e para a comunidade escolar em São Sebastião. O chá literário e a manhã de autógrafos é o resultado final de um projeto literário, realizado pela primeira vez, neste ano letivo de 2023: o Projeto Estante Mágica, que a EC Cachoeirinha aderiu recentemente pelas mãos de Dayse Ulisses da Silva, professora de Atividades e do contrato temporário.
Leitura e escritura: instantes mágicos com viagem única a cada história lida
Há 10 anos ela atua na EC Cachoeirinha e, este ano, apesar de ser do contrato temporário, ou seja, sem a estabilidade necessária para desenvolver um projeto pedagógico, ela ousou a arriscar e, com o apoio da direção e dos(as) demais professores(as) conseguiu materializar a parceria com a Estante Mágica, o que resultou em 122 livros escritos pelos(as) estudantes das turmas e 5ª Série.
“A ideia surgiu com a experiência da minha filha, que estuda em uma escola particular e algumas vezes participou do projeto estante Mágica pela escola. Vendo a empolgação dela na realização do livro, onde ela escreveu o próprio livro e fez suas ilustrações, me despertou o interesse de tentar proporcionar essa experiência para os estudantes da escola que trabalho, que é uma escola rural que atende alunos oriundos dessa comunidade”, conta.
Após uma pesquisa na Internet, Dayse descobriu que o projeto Estante Mágica apoiava escolas públicas, dando a elas a oportunidade de inscrever os(as) estudantes para produzirem livros sem custo financeiros e proporcionando a eles(as) a chance de terem um livro digital. Ela cadastrou a EC Cachoeirinha, uma escola rural, que já possuía, no seu Projeto Político-Pedagógico (PPP) um subprojeto de leitura, o que casou perfeitamente com o Estante Mágica.
“Foi um sucesso e resultou em uma produção individual de escrita e ilustração de livros. Para a produção dos livros contamos com a participação das famílias para fazer biografia dos estudantes. O projeto culminou com os 122 livros escritos, todas as crianças têm seu livro digital, as turminhas da Educação Infantil 1º e 2º Período e o (BIA),1º, 2º e 3º Ano, fizeram as histórias, juntamente com as professoras da turma, e cada uma fez sua própria ilustração. Já os alunos das turmas de 4º e 5º Ano fizeram suas próprias histórias e ilustrações”, conta Dayse.
Ela informa que, depois dos livros prontos, os pais que quiseram comprar o livro físico do(a) seu(a) filho(a), tiveram a oportunidade de compra-lo diretamente no site da Estante Mágica. “Contudo, infelizmente, somente 55 dos 122 estudantes puderam comprar os livros. E, para que acontecesse o dia do chá literário e autógrafos dos livros, todos os estudantes precisariam de adquirir os livros físicos. Foi aí surgiu a ideia de imprimir os 67 livros restantes para que nosso projeto terminasse conforme planejamos”, disse.
Dayse afirma que o projeto contou com o comprometimento de todos e todas: professores e professoras, estudantes e suas famílias. “Todos estavam empolgados e felizes na produção desse trabalho. Enfim, nosso projeto já tem data marcada para o lançamento dos livros, que será o chá literário e autógrafos dos livros de todos os estuantes será dia 09/12/2023, das 8h às 11h30”.
A professora ensina que “o mundo da leitura proporciona ao leitor e à leitora uma viagem única a cada história lida, pois desenvolve a criatividade, a imaginação, a comunicação, o senso crítico e habilidade na escrita. A cada livro novo temos a oportunidade de conhecer não só a história criada, mas também um pouco sobre a vida de quem a criou. Pensando nisso, nada melhor que ser o próprio autor de suas histórias”, finaliza.
Durante duas semanas, os corredores e salas de aula do CED 06 de Ceilândia são tomadas pelos mais diferentes temas, escolhidos pelos(as) alunos(as) da escola. É a Odisseia Cultural, projeto bem tradicional do CED 06, que mobiliza da direção à equipe de apoio, e deixa todo mundo empolgado.
“A Odisseia Cultural nasceu de um desejo de um trabalho coletivo, científico/cultural, mas que fugisse um pouco das feiras de ciências tradicionais. Então, ao invés de uma turma com pequenos grupos com seus trabalhos, pensamos num formato em que cada turma seria um único grupo e apresentaria seu trabalho”, explica o vice-diretor da escola, Ricardo Medeiros.
Não há tema gerador: a premissa principal da Odisseia é a liberdade. Fica a cargo de cada turma definir o tema a ser pesquisado e apresentado, o formato e o local da apresentação.
Neste ano, os assuntos abordados pelas turmas tratam de feminicídio, autoestima, abuso sexual, transgeneridade, química dos alimentos, resgate cultural do cangaço, humor, lendas latinas e do folclore brasileiro.
Veja os temas escolhidos pelas turmas da escola.
“Cada turma tem um professor como uma espécie de padrinho, que orienta a pesquisa e elaboração das atividades que são apresentadas ao longo de uma ou duas semanas, a depender do calendário letivo”, explica o professor Wellington dos Santos.
“O projeto faz parte do PPP, e entra no calendário pedagógico como uma das avaliações do ano”, conta o diretor Jefferson Lobato.
Os estudantes ficam bem empolgados, e toda a escola se transforma em um grande palco.
O resultado final são alunos(as) que acabam por se revelar atores, cantores, desenhistas, roteiristas, coreógrafos, figurinistas, maquiadores, enfim, grandes líderes. “É o amadurecimento dos e das jovens da escola acontecendo diante de nossos olhos”, orgulha-se o vice-diretor.
“É sempre gratificante ver o brilho nos olhos dos alunos e das alunas com orgulho do trabalho realizado”, comemora a diretora do Sinpro Mônica Caldeira.