Feira do CED 16 de Ceilândia promove a cidadania e reforça a importância da EJA

Já tradicional no calendário escolar do CED 16 de Ceilândia, entre os dias 24 e 26 de outubro ocorreu a Feira Cultural dos alunos da EJA. Organizada desde 2010 (não ocorreu apenas durante a pandemia), é uma demanda do corpo docente e discente, porque é um espaço para que o(a) aluno(a) possa desempenhar e mostrar suas habilidades, fugindo das aulas tradicionais, não importando se ele(a) está à frente do palco, ou nos bastidores.

“Ele abre espaço para que os alunos possam ser protagonistas e construtores do conhecimento. Eles são instigados a fazer a pesquisa, a buscar outras formas de se apresentar (porque a única restrição que nós fazemos são os seminários repetitivos e chatos), a gente desafia os estudantes a apresentar o tema com teatro, com jogral, com vídeo, encenação, testemunho e eles são extremamente criativos e nos surpreende bastante. Mesmo quem não se envolve diretamente, tem a galera da coxia, que está trabalhando, a gente abre espaço para a diversidade, nem todo aluno gosta de ir à frente falar, mas ele pode ser o ponto de apoio em relação à pesquisa, produção de material, cada um tem seu espaço, tem seu talento valorizado e respeitado. A gente vê que na EJA os alunos quando desafiados para mostrarem seus talentos, eles se alegram”, diz Wellington Nascimento dos Santos, coordenador da escola.

O envolvimento foi de cerca de 90% dos estudantes. Neste ano, o tema foi a mulher, “em virtude da crescente violência contra as mulheres, que são diuturnamente violentadas, agredidas, sofrendo maus-tratos. A escalada da violência  nesses últimos 5 anos no Distrito Federal foi exorbitante e acendeu este alerta em nós”, disse Wellington.

Para ele, o maior retorno deste projeto para escola é a valorização do(a) aluno(a) enquanto pessoa. “Nós tivemos nesta última edição da feira, muitos testemunhos, algumas alunas vieram procurar a direção para falar dos seus problemas familiares, até foi proposto pra escola abrir um espaço de acolhimento, de escuta ativa, onde o aluno(a) possa nos procurar e a gente vai buscar os meios legais de encaminhamento e de dar uma solução e um espaço para que os alunos possam ser ouvidos”, afirma.

Outra conquista é a permanência dos estudantes na EJA em um momento tão desfavorável. “Este projeto me emocionou bastante, me fez chorar em vários momentos nas apresentações, porque nós temos um governo que tem trabalhado diuturnamente para destruir a EJA, porque ele não vê com bons olhos os alunos da EJA serem escolarizados, orientados, tendo uma possibilidade de ascensão social. Para o GDF, o conjunto da EJA é só mais um número e incomoda, pelo governador que nós temos agora no DF, então diante disso, a gente consegue mostrar para a sociedade o valor da EJA, a importância do aluno, com testemunhos maravilhosos”, diz Wellington.

Foi realizada uma avaliação no início do ano e a coordenação da escola constatou que há um crescimento, um desenvolvimento escolar dos alunos desde que começam no segundo segmento da EJA até sair do terceiro segmento (ambos oferecidos no CED 16). O coordenador não tem dúvidas de que este projeto tem papel nesta construção.

E na construção por um país melhor, a EJA cumpre um papel importantíssimo para a sociedade. “A EJA só pode deixar de existir quando o nosso país se tornar um país justo, que dá oportunidade a todos e que todos possam ter a escolarização na idade certa. Enquanto isso não acontece, a gente tem uma demanda muito grande de pessoas que não sabem, ou não têm conhecimento das escolas que estão abertas à noite e que podem acolhê-las e dar oportunidade de continuidade dos estudos e da realização do sonho de ter um diploma, da realização pessoal, de galgar dias melhores para elas”, finaliza.

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EC Arniqueira promove feira de empreendedorismo 

Despertar o empreendedorismo e a autonomia das crianças, com cada turma sendo uma empresa e desenvolvendo seu plano de negócios. Isso não apenas foi possível, como viável e bem-sucedido. É o JEPP (Jovens Empreendedores Primeiros Passos), iniciativa do Sebrae para desenvolver o ensino empreendedor no país em escolas públicas e particulares, que atuou na Escola Classe Arniqueira. O ápice e término deste projeto ocorreu no último sábado (28), com a 1ª Feira Empreendendo para Aprender, mas é um trabalho que durou meses. Katia Souza Rodrigues Antunes, vice-diretora da escola, dá mais detalhes do projeto e do seu desenvolvimento.

“A proposta é incentivar os alunos a buscar o autoconhecimento e novas aprendizagens relacionadas ao empreendedorismo e também trabalhar com a coletividade, dando autonomia para o aluno, trabalhando estas habilidades nos estudantes de ensino fundamental I”, diz.

O(a) professor(a), junto com sua turma (cada turma é uma empresa) “criou o plano de negócios, eles escolheram o que iriam fazer, fizeram o planejamento financeiro, definiram um capital inicial, estudaram os custos que iam girar em torno do negócio. Eles também aprendem a entender a parte burocrática, a fazer marketing, divulgação, enfim tudo o que envolve o negócio”, explica a diretora.

O trabalho entre os(as) professores(as) com as crianças é como se eles fossem realmente criar uma empresa de verdade. Aí ao final, eles produzem os produtos, cada sala de aula criou o seu, com materiais recicláveis, pois o projeto também visa trabalhar a sustentabilidade.

Para a escola também são muitos os benefícios. “A gente prepara o(a) aluno(a) para o mercado de trabalho. Sei que eles ainda são muito pequenos (10 turmas envolvidas do 1° ao 5º ano, com cerca de 250 estudantes)  mas eles já começam a ter uma pequena vivência sobre isso, pois tudo o que a criança aprende na escola, ela leva pra família e tendo em vista que a gente tem muitas famílias empreendedoras na região, que têm seus próprios negócios, as crianças aprendem a desenvolver habilidades socioemocionais (a gente utiliza esse projeto pra trabalhar questões do nosso currículo a esse respeito), contribui na formação cidadã do(a) aluno(a) e favorece a aprendizagem de uma forma mais lúdica e prática”, aponta Kátia.

A feira foi o resultado de todo o trabalho no semestre, com a consultoria, capacitação, apoio pedagógico e todo material de divulgação fornecido pelo Sebrae. A vice-diretora se orgulhou do retorno que o projeto proporcionou. “Foi maravilhoso. O(a) professor(a) de cada turma fará com os alunos a prestação de contas, quanto gastaram, quanto receberam e quanto foi o lucro (que ocorreu). E quem vai decidir com o que será investido são as crianças. O resultado foi ótimo e muito elogiado pelas famílias, os pais participaram, se envolveram, auxiliaram os(as) professores(as), as crianças ofereciam os produtos, foi um dos melhores projetos que já vi acontecer dentro de uma escola, pois o resultado realmente foi muito envolvente, entre família, escola e comunidade. As crianças amaram”.

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Nota de pesar | José Miranda de Oliveira Filho

O Sinpro-DF manifesta profundo pesar pelo falecimento do professor José Miranda de Oliveira Filho, da CRE de Sobradinho, aos 65 anos. Aposentado da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal (SEE-DF) desde setembro de 2017, ele era professor de biologia da SEE-DF desde 1982. Faleceu em casa, nesse domingo (29/10), em consequência de um infarto.

A família informa que o sepultamento foi realizado nessa segunda-feira (30), no Campo da Esperança, em Sobradinho. Mesmo aposentado, ele continuou trabalhando como voluntário e dirigia, ainda segundo informações da família, as Obras Sociais Jerônimo Candinho, que tem convênio com a SEE-DF.

O Sinpro se solidariza com seus familiares, amigos(as) e colegas e  reitera seu profundo respeito ao professor, desejando que ele descanse em paz e a família encontre resiliência para seguir em frente. Professor José Miranda, presente!

Estudantes do CEM 804 participam do 8º Festival de Teatro

O Centro de Ensino Médio 804 do Recanto das Emas tem inovado quando o quesito é incentivar os(as) estudantes a conhecerem o mundo das artes, contextualizando suas vivências em nome da luta contra qualquer tipo de preconceito. E o trabalho tem colhido frutos positivos, já que o grupo Formigueiro de Teatro, formado por estudantes e ex-alunos(as) do CEM está entre as escolas públicas que participaram do 8° Festival Estudantil de Teatro Amador – FESTA. O Festival aconteceu no dia 23 de outubro, no Teatro dos Bancários.

No ano passado o grupo realizou o espetáculo Sabe por quê tu não deu bola?, a partir dos relatos em que os estudantes foram vítimas ou tiveram acesso. A temática central parte do racismo contra os diversos gêneros, como LGBTQIAPN+ e mulheres, além de retratar diversas formas em que colocam as pessoas pretas/negras em condição de subalternidade. Além de debater esta temática tão atual e necessária, o espetáculo traz um grande repertório musical dando visibilidade aos artistas pretos brasileiros. O método utilizado para a construção deste espetáculo foi o do teatrólogo Augusto Boal, a partir da técnica Cena Fórum do Teatro do Oprimido.

Tiago Borges Leal, professor de Artes da Secretaria de Educação do DF, comenta que o grupo Formigueiro de Teatro tem o objetivo de elevar e ampliar a cultura no cenário brasiliense. “Através do contato com a arte podemos proporcionar o acesso à cultura, ampliação de debates e formação crítica e social. Além disso, muitos estudantes estão no cenário artístico em busca de oportunidades e este grupo, que atua com diversas temáticas desde 2018 nas comunidades do Recanto das Emas e do Riacho Fundo 2, contribui muito para que outras pessoas vejam o trabalho desses artistas”, explica o professor, agradecendo o apoio das professoras Rosa Vasconcelos, Raíssa Costa, Juliana Soares e Fabiana Rodrigues.

VEJA O ÁLBUM

 

O Festival FESTA tem 12 categorias e o Formigueiro de Teatro teve 9 indicações:

 

-Melhor espetáculo – Sabe por quê tu não deu bola?

-Melhor espetáculo (Júri Popular) – Sabe por quê tu não deu bola?

-Melhor direção – Tiago Leal

-Melhor ator – Wesley Silva

-Melhor ator Coadjuvante- Luiz Santos

-Melhor dramaturgia original – Sabe por quê você não deu bola?

-Melhor Trilha sonora- Sabe por quê tu não deu bola?

-Melhor concepção visual Sabe por quê tu não deu bola?

– Destaque FESTA –  Performance musical

 

🏆O Formigueiro de Teatro ganhou 2 premiações 🏆

 

🏆🎤🎭Melhor espetáculo (Júri Popular)

🏆🎤Destaque FESTA –  Performance músicas

Saiba como será a incorporação para aposentados(as) com paridade e integralidade, e recebia Gaped/ Gase parcial

A partir do contracheque de outubro, pago no quinto dia útil de novembro, aposentados e aposentadas com paridade e integralidade, e que recebiam Gaped ou Gase parcial, notarão mudanças em seu vencimento.

Neste mês, começa a incorporação da Gaped e da Gase. Antes da incorporação, quem não tinha 25 anos completos em atividades que justificassem o recebimento da gratificação recebia 1,2% sobre o vencimento por ano trabalhado. Agora, esse valor será de 1% por ano trabalhado, e a diferença será paga dentro do vencimento, assim como o valor que não era recebido.

Por exemplo: um professor que, tendo trabalhado 10 anos em atividades pedagógicas, até a folha 9 recebia 12% de Gaped, agora receberá 10%. A diferença entre esses dois valores estará incorporada ao vencimento básico, juntamente com a parcela que ele não recebia, referente aos anos não trabalhados em atividades pedagógicas.

A incorporação da Gaped e da Gase beneficiará toda a categoria. Para sanar dúvidas, procure o diretor ou diretora do Sinpro que visita sua escola.

MATÉRIA EM LIBRAS

Calendrag 2024 será lançado no dia 22 de novembro

O Museu Nacional será palco do sétimo Calendrag, no próximo dia 22 de novembro, às 19 horas. O primeiro calendário com o intuito de vir à tona à arte drag tornando-a atuante em questões políticas e sociais foi o do ano de 2018, poucos meses após o surgimento do coletivo Distrito Drag, associação civil que é quem idealizou e faz toda a produção. 

“Um dos maiores objetivos é dar visibilidade à arte transformista como um todo, inclusive para debater questões não somente do campo cultural e artístico, mas também social e político. Por isso que nós tivemos em todas as nossas edições representantes da comunidade LGBTQIA+ como um todo que não necessariamente utilizam da arte drag, da arte transformista. Damos voz e visibilidade para todos os artistas que complementam a nossa comunidade, como também homens e mulheres trans”, diz Victor Baliane, coordenador artístico do Distrito Drag.

Cada mês do ano vem com uma foto. Toda a escolha das artistas, do figurino, dos fotógrafos, tudo é debatido pelo coletivo. “A produção do calendário é por etapas. Nos reunimos, discutimos o que já foi feito,e o que nós podemos levar para a comunidade como uma discussão não só cultural, mas social e política também. Pensamos em como essas fotos vão chegar nas pessoas. Nós discutimos o tema das fotos e depois disso, nós selecionamos as artistas, até hoje nenhuma se repetiu. Então idealizamos o figurino de cada foto, selecionamos os fotógrafos, os figurinistas, desenvolvemos os looks, realizamos as fotos e a pós-produção”, conta Victor.

A expectativa é grande para o próximo dia 22, pois “o evento de lançamento é o mais esperado, porque é muito lindo, ninguém ainda viu as fotos, que só nós publicizamos no dia mesmo do evento, então está todo mundo ansioso e é sempre uma grande emoção. Cada mês que é revelado do calendrag, nós chamamos no palco a artista que está estampando o mês, o fotógrafo, quem produziu o figurino… Sempre é o momento de celebração. E teremos atrações locais, artistas transformistas que vão fazer shows (Carrie Myers, Ginger Mc.Gaffney, Licorice Impéria, Linda Brondi), relata o coordenador.

De acordo com Victor, projetos como calendrag são vitais para a cena. “Graças aos projetos que nos envolvemos que nós mantemos a sede e colocamos cada vez mais artistas LGBTQIA+ para trabalhar, produzir, ganhar dinheiro e para levar a nossa cultura para sociedade de modo geral”.

EC 01 de Taguatinga realiza Feira Literária “Minha Escola lê”

Na próxima quarta-feira, dia primeiro de novembro, a Escola Classe 01 de Taguatinga fará sua primeira Feira Literária, batizada de “Minha Escola lê”, das 8 às 12h.

O evento é aberto a toda a comunidade escolar. Vai ter contação de histórias, apresentações teatrais e, principalmente, dos trabalhos que as crianças desenvolveram ao longo do ano letivo, que estarão em exposição nas salas de aula e no pátio da escola.

https://heyzine.com/flip-book/5e37d550c3.html

O projeto foi todo idealizado por duas professoras readaptadas, e que atuam na biblioteca da escola: Tatiana Santana e Luciana Dias. “Cada turma trabalhou com um autor brasileiro, ao longo de todo o ano letivo. Na feira Literária, vamos apresentar o resultado desse projeto”, conta Tatiana.

Veja o vídeo-convite da Feira Literária feito pelo professor Eduardo Rodrigues.

 

Curso analisa o papel das plataformas digitais nas lutas políticas e sociais

Qual o papel das plataformas digitais nas atuais lutas políticas e sociais? Esse e outros questionamentos o DiraCom – Direito à Comunicação e Democracia propõe debater em seu primeiro curso presencial, intitulado “Plataformas e Democracia: quando o Capital dá o tom e os Algoritmos, o compasso”, realizado em parceria com o projeto de Obscom-Plataformas, do Observatório de Economia e Comunicação da Universidade Federal de Sergipe (OBSCOM-UFS), com financiamento da FAPESP.

O curso será realizado entre os dias 17 e 19 de novembro, no auditório do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Distrito Federal, em Brasília (DF). As inscrições são gratuitas e devem ser feitas previamente, pois as vagas são limitadas. Aberto a qualquer pessoa que se interessar, o evento tem como público-alvo especialmente jornalistas, militantes de movimentos sociais e sindicais, integrantes de organizações da sociedade civil, estudantes e pesquisadores/as. Serão emitidos certificados de participação no curso.

A programação será aberta, no dia 17, com o painel “A disputa política em meio à plataformização da vida”. No sábado, 18, serão discutidos os seguintes temas: “Plataformas e sistemas algorítmicos: água no moinho da extrema direita” e “O cenário internacional da regulação de plataformas”. Também haverá momento dedicado ao diálogo coletivo sobre os impactos das questões abordadas nas mesas no cotidiano das organizações e da população em geral. No domingo, 19, caminhos possíveis para a afirmação de direitos serão discutidos. Em um primeiro momento, “Brasil: regulação: amarras, desafios e saídas”, depois “Rupturas e recriação: caminhos para a soberania tecnológica”.

Inscreva-se

As grandes plataformas digitais são atores políticos e econômicos de extrema relevância no cenário atual, cujos interesses incidem diretamente na configuração das relações entre os países e nas lutas políticas e sociais locais. As constantes interferências desses grupos em processos eleitorais e no debate público, como visto, no Brasil, por ocasião da discussão sobre o Projeto de Lei 2630, ilustram seus impactos para as democracias. Diante disso, o curso tem por objetivo oferecer uma discussão atualizada sobre poder e comunicação, considerando antigos e novos desafios, como a configuração de monopólios e a operação opaca a partir de algoritmos, que viabilizam novas formas de exercício de poder.

Essa situação tem gerado proposições de regras e outras saídas que levem à reconfiguração da internet, com vistas à democratização de fato das tecnologias e ao aproveitamento de seu potencial pelos mais diversos setores. Trata-se de uma agenda atual que consideramos importante ser debatida entre jornalistas, acadêmicos e militantes de movimentos sociais e sindicais para fortalecer as lutas relacionadas aos direitos humanos e à democracia, no cenário atual de digitalização do espaço público.

O curso “Plataformas e Democracia: quando o Capital dá o tom e os Algoritmos, o compasso” propõe também discutir práticas de comunicação, considerando limites e possibilidades de intervenção política nas mídias digitais, detalhar a regulação das plataformas na América Latina e na União Europeia, bem como refletir sobre as relações transversais com outros temas, entre os quais o trabalho no jornalismo, a produção de tecnologias comunitárias e o ativismo digital.

 

PROGRAMAÇÃO

 

DIA 1 – 17 DE NOVEMBRO DE 2023

18h30 – Abertura e saudações

19h30-21h30 – A disputa política em meio à plataformização da vida

Ementa: As mudanças atuais nas dinâmicas de comunicação fazem parte de uma transformação mais geral do capitalismo. Diante dessa transformação, qual lugar o Brasil ocupa nesse cenário marcado pela desigualdade? Como algoritmos opacos incidem sobre a constituição de formas de poder? Diante desse cenário, como tratar os impasses para as organizações e movimentos sociais engajados na disputa política?

César Bolaño (UFS)

Helena Martins (DiraCom/UFC/UFS)

Rodolfo Avelino (Insper / Coletivo Digital)

Janelson Ferreira (MST)

Moderação: Lizely Borges (DiraCom)

 

DIA 2 – 18 DE NOVEMBRO DE 2023

9h às 12h – Plataformas e sistemas algorítmicos: água no moinho da extrema direita

Ementa: Discutir o funcionamento das plataformas digitais, com ênfase sobre a formação dos seus modelos de negócios baseados na extração, processamento e tratamento de dados pessoais e comportamentais. Como esse modelo de negócios configura uma afinidade eletiva com os interesses da extrema direita? Aprofundar a análise sobre a dinâmica dos sistemas algorítmicos na moderação de contas e conteúdos e sua relação com incentivos à produção e distribuição de conteúdos violentos. Refletir sobre o impacto do cenário atual da internet para a intervenção política, sobretudo de mulheres negras, setor da população mais atacado nas redes.

Alexandre Arns Gonzales (DiraCom/UnB)

João Guilherme Santos (INCT.CC/Democracia em Xeque)

Talíria Petrone (Deputada Federal) (a confirmar)

Moderação: Marcos Urupá (DiraCom)

12h30 às 14h – Almoço

14h às 15:45 – Dinâmica: Como esse cenário afeta cada espaço de atuação?

Mediação: DiraCom e Jubileu Sul

16h15 às 18h – O cenário internacional da regulação de plataformas digitais

Ementa:Abordar o estado atual do debate internacional sobre regulação das plataformas digitais, considerando a geopolítica e como as diferentes perspectivas se expressam em problemas associados a conteúdos desinformativos, remuneração de jornalistas e de outros produtores/as e concorrência. Dar ênfase nas regulações propostas na América Latina e na União Europeia; e nas formas de mobilização da sociedade com vistas ao enfrentamento às grandes plataformas digitais.

Gustavo Gomez (Observacom-URU) (online)

Elsa Silva (Universidade do Minho) (online)

Luciano Mazza (Ministério de Relações Exteriores)

Bruna Martins (Global Coalition for Tech Justice) (online)

Moderação: Pedro Rafael Vilela (DiraCom)

 

DIA 3 – 19 DE NOVEMBRO DE 2023

9h às 11h30 – Brasil: regulação, amarras, desafios e saídas

Ementa: Discutir o estado atual do debate regulatório das plataformas digitais no Brasil, a partir da disputa política em torno do PL 2630, bem como agendas que ainda não ganharam centralidade no debate público, como medidas para a garantia da concorrência e da soberania popular. Discutir o arranjo regulatório no Brasil. O intuito é mapear pautas que devam integrar um programa popular para as comunicações, observando o que está e não está posto.

Orlando Silva (Deputado Federal)

Paulo Rená (Coalizão de Direitos na Rede)

Renata Mielli (Comitê Gestor da Internet)

Bia Barbosa (DiraCom)

Secretaria de Políticas Digitais (SPDIGI)

Moderação: Murilo Ramos (UnB e Obscom-Plataformas/UFS)

11h30 às 14h – Almoço

14h às 15:30 – Rupturas e recriações: caminhos para a soberania tecnológica

Ementa: Considerando a necessidade de repensar a internet, analisaremos como as plataformas digitais se tornaram os principais atores da rede e discutiremos como construir condições para exercício de uma soberania popular digital, tendo em vista o papel do Estado e da sociedade civil.

Jonas Valente (online)

Gabriel Simeone (Núcleo de Tecnologia do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto – MTST)

Bruna Zanolli (Rhizomatica)

Juce Rocha (Jubileu Sul)

Mediação: DiraCom

15h30 – Outras saídas coletivas

Mediação: DiraCom

16h30 – Avaliação conjunta do curso e encerramento

 

LOCAL DO EVENTO

 Auditório do Sindicato dos Jornalistas do DF – ed. City Offices Jornalista Carlos Castello Br – SIG Quadra 2 Lotes 420/430/440, Asa Norte, Brasília – Distrito Federal

A Casa Ieda renasce, agora no Plano Piloto

Um espaço para acolhimento, proteção, orientação, lazer e cultura, está de volta para as mulheres em situação de vulnerabilidade no Distrito Federal. Renasce a ocupação de mulheres da Casa Ieda. As portas já estão abertas agora em novo endereço: na Asa Sul (SGAS 603, Lote 21 – L2 Sul, ao lado da Escola Superior do MP).

Foi uma trajetória difícil e turbulenta após a desocupação no Guará. Há um ano, a casa começou um trabalho de acolhimento para mulheres em situação de violência. Apesar da oposição do GDF em não valorizar um trabalho tão importante (só em 2023, já são 29 os casos de feminicídio no DF), elas prosseguiram mesmo sem o espaço físico.

“O GDF em nenhum momento se preocupou em negociar conosco, em tentar manter um movimento civil organizado que tem como objetivo a prevenção de feminicídio e que é um espaço de acolhimento, de abrigo para mulheres em situação de violência doméstica. Simplesmente tiraram a gente da casa e preferiram destruir o espaço em vez de nos manter por lá até nos realocar em outro espaço”, diz Samara Mineiro, coordenadora do Movimento Luta de Classes (um dos movimentos que atuam junto com o Movimento Olga Benario).

De acordo com ela, “mesmo sem o espaço físico da casa, o Movimento de Mulheres Olga Benario se manteve no combate contra o feminicídio. Então foram feitas as atividades da Casa Ieda itinerante. Havia o atendimento psicológico, médico, jurídico para as mulheres em situação de vulnerabilidade em diversos lugares do DF, de forma itinerante. Mas era um atendimento que era limitado, pela ausência do espaço físico. Não era possível abrigar mulheres, por exemplo”. 

A casa itinerante atendeu mulheres em algumas comunidades, como no Sol Nascente e PSul (Ceilândia) e Arapoanga (Planaltina), até encontrarem um outro local permanente. “A procura do local é o que a gente faz sempre para todas as ocupações: são imóveis que são esquecidos pelo governo, que estão em boa condição de uso, mas que não tem o investimento do Estado para o funcionamento. Então a gente ocupa esses espaços e começa a fazer dele uso permanente, faz a cumprir a função social que todo ímovel tem que ter de acordo com a Constituição”, explica Natty Mendes, coordenadora da ocupação Ieda Santos Delgado.

A importância de novamente ter um local, para Natty, é porque agora “as mulheres começam a ter um local de referência para ir e nós começamos a ter um espaço para o acolhimento. Porque hoje, a Casa da Mulher Brasileira da Asa Norte está fechada. E a Casa Brasileira da Mulher em Ceilândia é insuficiente para a demanda que Brasília tem. Então esse é mais um local para as mulheres serem acolhidas”. 

Samara explica que “a gente não quer tomar o espaço do poder público. Nós somos um movimento civil organizado, que tem o objetivo de colaborar na proteção das mulheres, mas a gente acha indispensável a atuação junto com o poder público, então é muito importante que a gente tenha este espaço físico para poder continuar atuando cada vez mais, porque no DF e no Brasil é indispensável este trabalho”.

Natty reforça, que além dos atendimentos, “as mulheres têm acesso à cultura, lazer, política, para que elas também lutem pela vida de mais mulheres, para que o movimento se torne mais forte e que nós possamos construir juntas uma sociedade que vá garantir o nosso direito à vida e também de educação, moradia e alimentação. Então precisamos fazer desta ocupação um lugar de resistência, onde as mulheres se fortaleçam e enfim, fiquem vivas”.

Inspirado em iniciativa do Sinpro, professor idealiza concurso de desenho no CEF 25 da Ceilândia

Professor Laércio Ferreira dos Santos está há mais de uma década na rede pública de ensino do DF. Há dois anos na sala de recursos do Centro de Ensino Fundamental 25 da Ceilândia, o docente transformou em concurso de desenho uma demanda urgente: a criação de um ambiente escolar acessível e inclusivo.

Mestre em Educação Especial, professor Laércio conta que a ideia do I Concurso de Desenho do CEF 25 foi prontamente abraçada pela gestão da unidade escolar e demais professores(as). Nesta primeira edição, o evento que culminou com o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro, teve como tema a inclusão de pessoas com deficiência nas escolas públicas.

Professor Laércio Ferreira dos Santos

Foram cerca de 180 inscrições. Os 35 trabalhos mais bem avaliados entraram em um caderno que será publicado pelo CEF 25. Desse grupo, os três primeiros lugares foram premiados.

Desenhos que trazem desde críticas contra a falta de acessibilidade das escolas públicas às pessoas com deficiência até a convivência integrada entre alunos e alunas com e sem deficiência foram selecionados por uma Comissão Julgadora. Entre as integrantes, as professoras de Artes Wendy Michelle do Nascimento e Rosana Almeida, que não só analisaram os trabalhos, mas se envolvem intensamente no projeto.

Professor Laércio conta que o I Concurso de Desenho do CEF 25 “foi inspirado no Concurso de Redação e Desenho do Sinpro”. Mas o mais interessante dessa parte da história remete à premiação dos três primeiros lugares. Não pelo prêmio em si, mas pela forma como ele foi garantido.

 

Da esquerda para a direita, as professoras de Artes Wendy Michelle do Nascimento e Rosana Almeida, que integraram a Comissão Julgadora do I Concurso de Desenho do CEF 25 de Ceilândia

“Fui o professor vencedor do 3º lugar do Concurso de Redação e Desenho do Sinpro. Com o prêmio que recebi, R$ 500, comprei a premiação dos estudantes vencedores do I Concurso de Desenho do CEF 25”, conta professor Laércio.

Empolgado, o professor diz que a intenção é inserir a categoria redação no Concurso de Desenho do CEF 25, além de realizar a atividade anualmente, sempre com a abordagem da diversidade e dos direitos.

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