Artigo – Uma transformação social em gastos com docentes e educação equitativa
Jornalista: sindicato
“Educação parece ser o caminho mais rápido e profundo de transformar ou lançar bases para uma sociedade que caminhe para uma vida mais justa para um número cada vez maior de pessoas”, afirma Gesley Fernandes
Em meu último texto falei sobre o lançamento do relatório de Monitoramento Global de Educação da UNESCO. A Educação para Todos foi um marco lançando pela ONU que tem como objetivos (resumidamente): Objetivo 1 – Educação Pré-Primária, Objetivo 2 – Educação Primária, Objetivo 3 – Primeiro nível do ensino secundário, Objetivo 4 – Alfabetização de Adultos, Objetivo 5 – Paridade de Gêneros na educação primária e Objetivo 6- Melhorar todos os aspectos da qualidade da educação e assegurar a excelência de todos. Estes foram estabelecidos em 2000, com uma previsão de serem alcançados em 2015.
Para um panorama mais detalhado dos objetivos e da posição do Brasil, acesse o link http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/education/education-for-all/education-for-all-goals/#c1097595
O relatório deixa claro que nenhum objetivo terá sua totalidade alcançada a nível global. É importante notar que foram feitos avanços, mas que faltando um ano para que os objetivos fossem alcançados, muito ainda precisará ser feito, principalmente não abandonar tais objetivos passada a data marcada.
Alguns dados são interessantes de notar, como a educação infantil que o relatório aponta que “entre 1999 e 2011, o número de crianças fora da escola caiu quase pela metade. Após um período de estagnação, houve uma pequena melhora, entre 2010 e 2011. No entanto, essa redução de 1,9 milhão mal ultrapassa um quarto da média, entre 1999 e 2004. Se a média de declínio entre 1999 e 2008 tivesse sido mantida, a EPU quase seria alcançada até 2015”, isso mundialmente. Notamos que se houvesse a manutenção das taxas do começo dos anos 2000, teríamos um dos objetivos alcançados e com certeza seria um grande avanço nos programas de educação mundial. O relatório nota que “em muitos casos, as crianças não frequentam a escola por terem nascido com alguma condição de desvantagem”, e podemos imaginar que a ação de governos e famílias sejam fundamentais para que se equalize tal desvantagem.
Outro ponto que quero destacar é o Relatório aponta que muitos países estão distantes de alcançar os objetivos. Apesar de muitos países terem aumentado seus gastos em educação, não existe uma meta estabelecida, sendo 20% de seus orçamentos um parâmetro muito utilizado, mas sendo que se observou que a média mundial gira em torno de 15% e não há perspectivas de melhorias nesses gastos. Aponta-se que “dos 138 países com dados disponíveis, em 2011, apenas 25 gastaram mais do que 20%, enquanto pelo menos seis países de renda baixa e média reduziram o investimento em educação em cinco pontos percentuais ou mais do total de gastos governamentais, entre 1999 e 2011”.
O Relatório aponta que um de seus objetivos é mostrar como o investimento em educação pode ser um meio rápido de transformação. Ele nos dá a subsídios para entender do “porque investir sabiamente em professores e outras reformas destinadas a reforçar a aprendizagem equitativa transforma as perspectivas de longo prazo de pessoas e sociedades”.
Educação parece ser o caminho mais rápido e profundo de transformar ou lançar bases para uma sociedade que caminhe para a possibilidade de uma vida mais justa para um número cada vez maior de pessoas.
Para acessar o relatório, visite o site da UNESCO:
http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/education/education-for-all/ Fonte: Portal UOL/Educação
Projeto amplia lista de situações que caracterizam violência contra a mulher
Jornalista: sindicato
A deputada Erika Kokay (PT-DF) apresentou nesta semana o projeto de lei (PL 7163/14) que amplia o rol de hipóteses que configuram a violência doméstica e familiar contra a mulher, modificando a Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 – Lei Maria da Penha.
“Essa proposta não irá alterar o conceito de violência doméstica contra a mulher, na Lei Maria da Penha, e sim para ampliar o rol de situações que a configuram, onde o agente agressor está motivado pelo gênero, aproveitando-se da situação de vulnerabilidade da mulher” esclareceu a parlamentar.
Segundo a deputada, as novas hipóteses sugeridas no projeto de lei expande o conceito de quem pode cometer violência doméstica contra a mulher. O projeto prevê a aplicação da lei em situações onde o agressor aproveita-se das relações de confiança, das relações domésticas, de coabitação ou até da simples boa receptividade que ela eventualmente venha a ter com aquele, para agredir e humilhar a vítima.
A lei visa punir em flagrante violação à Lei Maria da Penha, os maus profissionais que se aproveitam de sua situação privilegiada para causar danos e lesões às mulheres e no caso do agressor utilizar-se de uma prerrogativa, legítima ou não, e se baseia no gênero para humilhar e cometer violência contra a mulher. Com informações da Agência Câmara
Dilma corta R$ 44 bi do Orçamento, mas preserva Saúde, Educação e programas sociais
Jornalista: sindicato
O governo federal anunciou hoje (20) um corte de R$ 44 bilhões no Orçamento Geral da União em 2014. Ao apertar o cinto, Brasília pretende atingir um superávit primário equivalente a 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB), buscando com isso manter os fundamentos da economia e a confiança dos investidores internacionais e do mercado interno.
Superávit primário é o saldo positivo conjunto de todo o setor público brasileiro – União, estados e municípios – sem contabilizar o pagamento dos juros da dívida. O corte de R$ 44 bilhões, em 2014, é superior ao verificado em 2013, que alcançou R$ 38 bilhões, mas inferior ao enxugamento ocorrido em 2012 (R$ 55 bilhões) e em 2011 (R$ 50,1 bilhões).
O anúncio dos cortes no Orçamento foi feito na manhã de hoje no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, pela titular da pasta, Miriam Belchior, e seu colega da Fazenda, Guido Mantega. Durante entrevista, a ministra disse que os dados referentes ao corte orçamentário serão publicados no Diário Oficial da União, amanhã (21). Mas a Fazenda já divulgou em sua página da internet um resumo das medidas.
Para Mantega, o enxugamento orçamentário constituiu uma boa sinalização aos mercados interno e externo, tendo em vista as turbulências econômicas internacionais do momento. Após os cortes, o ministro acredita que haverá um aumento no otimismo dos agentes econômicos em relação ao Brasil. A previsão é que o governo economize R$ 80,8 bilhões, número maior do que a economia verificada em 2013, quando este patamar chegou a R$ 75,3 bilhões.
Dos R$ 44 bilhões a serem reduzidos nos gastos do governo em 2014, R$ 30,5 bilhões serão cortados das despesas discricionárias – aquelas em que o Executivo tem autonomia para definir. Deste total, R$ 13,3 bilhões serão cortados do que estava previsto para gastos com emendas parlamentares. Essas emendas tinham uma previsão de R$ 19,76 bilhões. Com o corte anunciado hoje (20), esse valor foi reduzido para R$ 6,46 bilhões.
O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi o tipo de gasto mais afetado depois das emendas parlamentares: R$ 7 bilhões – passando dos R$ 61,46 bilhões previstos para R$ 54,46 bilhões. Os gastos do Ministério da Defesa vêm em terceiro lugar nos cortes, com uma redução de R$ 3,5 bilhões: previsão orçamentária reduzida de R$ 14,79 bilhões para R$ 11,29 bilhões nas despesas discricionárias.
As previsões do governo foram feitas com base na manutenção dos seguintes parâmetros da economia brasileira: superávit primário de 1,9% do PIB; inflação de 5,3% e dólar na faixa de R$ 2,44.
Com relação às despesas obrigatórias, que terão corte de R$ 13,5 bilhões, a ministra Miriam Belchior informou que, desse total, R$ 6,67 bilhões serão reduzidos dos gastos com subsídios e subvenções. A Lei Orçamentária de 2014 previa R$ 14,674 bilhões. Por meio do decreto de programação, esse valor cairá para R$ 8 bilhões.
As folhas de pagamentos serão reduzidas em R$ 6 bilhões, ante os R$ 17 bilhões previstos; e os benefícios destinados à Previdência (inicialmente, R$ 388.285 bilhões) serão reduzidos em R$ 1,37 bilhão. Já os cortes extraordinários terão um aporte positivo de R$ 563 milhões.
Os ministérios da Saúde, da Educação, do Desenvolvimento Social e o de Ciência, Tecnologia e Inovação não sofreram cortes no Orçamento para 2014. As quatro áreas tiveram os recursos integralmente preservados por serem consideradas prioritárias pelo governo.
O Orçamento de 2014 previsto para o Ministério da Saúde é pouco mais de R$ 82,5 bilhões, para o da Educação, R$ 42,2 bilhões, o de Desenvolvimento Social, R$ 31,7 bilhões e para o de Ciência, Tecnologia e Inovação é R$ 6,8 bilhões. Os valores previstos para cada uma das quatro pastas são superiores aos que foram empenhados em 2013.
(Da Rede Brasil Atual)
A mídia internacional faz terrorismo e incita o golpe de estado na Venezuela
Jornalista: Maria Carla
O presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro, acompanhado pelo ministro das Relações Exteriores, Elias Jaua, e o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, fez ontem, via cadeia nacional de rádio e televisão, e em transmissão internacional pela Telesul, um forte pronunciamento, onde esclarece ao mundo a verdade sobre os fatos ocorridos, tergiversados pelos grandes meios de comunicação, redes sociais, com matriz e financiamento nos EUA, promotores dos atos violentos e vandálicos da última semana, com intenções sinistras de instigar um golpe de estado, contra 16 anos de democracia e conquistas econômico-sociais do povo venezuelano rumo ao socialismo. E alertou que os EUA tirou a máscara para lançar-se abertamente contra o processo revolucionário na Venezuela, após meses de tentativas desestabilizadoras. Denunciou os indícios reais de um golpe de estado em curso, com atos vandálicos e guerra midiática.
Os fatos
Já a ministra de comunicação Delcy Rodrigues, havia denunciado os vários sinais de uma tentativa de golpe em marcha, evidentes na instigação à violência, pela falsificação dos fatos, manipulação de fotos, vídeos e imagens circulando nas redes sociais de matriz fascista, que são de manifestações reprimidas no Chile, na Grécia, no Egito, e até mesmo da chamada IV República (em ditaduras previas a 1998, quando iniciou-se a era revolucionária de Hugo Chávez) como se fossem ações violentas da polícia governamental atual contra estudantes. Além de tudo, as manifestações iniciadas recentemente, não são estudantis, e muito menos pacíficas. Não há nenhuma reivindicação estudantil concreta, social ou econômica, sequer por preço de passagem, ou verbas estudantis, para poder sentar-se numa mesa de negociação. Nada comparável com movimentos estudantis dos anos 70 ou 90, essas sim contra ditaduras neoliberais e por um projeto de transformações sociais e cultura popular. São jovens manipulados, dirigidos por bandas fascistas (como os black blocs no Brasil) que só sabem dizer: “queremos derrubar Maduro”. Isso para não dizer: “queremos a contra-revolução!”,“queremos acabar com o progresso e a vida!”. Por isso, destruíram praças, pavimentos e edifícios públicos, escolas infantis, hotéis, dezenas de vagões do metrô de Caracas, feriram trabalhadores dos transportes públicos, arremeteram bombas e atacaram a chamada Fiscalia Geral da República (Procuradoria Geral da República), atearam fogo em ônibus com crianças, ameaçaram a casa do governador José Mora do Estado Táchira, o Banco Central, O Ministério dos Transportes, e circundam dia e noite com atos incendiários a VTV (Venezuelana de Televisión, como nossa NBR). Sobre este ataque à Fiscalia, Luisa Ortega a Fiscal Geral da República, denuncia que políticos de direita, instrumentalizaram os manifestantes com um enganoso movimento de petição, recuaram, exigiram a saída à rua da Fiscal (que não caiu na provocação), puseram os violentos na dianteira, e iniciaram o ataque.
Importante esclarecer que a chamada Grande Caracas, é composta por municípios como Libertador (a parte central administrada pelo prefeito Jorge Rodrigues do PSUV, recentemente decretada “Território de paz e livre de fascismo), e pelos demais municípios onde o vandalismo ocupou e destruiu, como Chacao, Baruta e Sucre com prefeitos da oposição, e pertencentes ao Estado Miranda, governado por Capriles Radonski, cujas polícias locais foram cúmplices e não se moveram para parar o incêndio. Diante disso a chamada Guarda Nacional Bolivariana, do governo federal, tem decidido intervir, evitando o confronto para defender o patrimônio público e a vida da população, sem cair em provocações. O governo anunciou detenções dos vândalos que chegam a ser desaconselhados pelas autoridades e restituídos ao controle dos seus familiares de classe média, em alguns casos perplexos com a violência; até ontem os 13 detidos permanentes, são devido a porte de arma, submetidos a investigação, mas não à tortura, como falseiam a grande mídia, ou as chamadas Ongs pelos “direitos humanos”. São jovens, contratados e recrutados por um sistema de financiamento, que é parte do chamado “Plano Estratégico”, com apoio de 30 milhões de dólares da Usaid a organizações civis, e ao movimento “Vontade Popular”, através da embaixada norte-americana na Venezuela. Por isso, ontem o Ministério das Relações Exteriores anunciou a expulsão do país de 3 funcionários dessa embaixada.
“Luta pela paz e pela vida” e os verdadeiros direitos humanos
Reaparecem em cena os mesmos organismos e Ongs que pregam os falsos “direitos humanos” justificados com a violência. Mas, recebem uma resposta contundente da maioria do povo que se expressou, no dia 15 de fevereiro, numa gigantesca manifestação de quase 1 milhão de pessoas, convocada pelo governo sob o lema “Pela paz e pela vida”, demonstrando grande apoio popular a Nicolás Maduro, com um “não” ao golpe, e um “sim” ao “Plano Pátria segura”, que implica num esquema de segurança que em mobiliza soldados motorizados da Guarda e Polícia Nacional Bolivariana e representantes de conselhos comunais para erradicar a violência, desarmando o narco-tráfico nos bairros pobres, levando emprego à juventude carente e criando atividades culturais, para tirá-las do mundo da droga e da violência. Há como 600 orquestras juvenis no estilo José Abreu e Dudamel nos bairros pobres da Venezuela. Os opositores a este projeto, os que fizeram da insegurança nos bairros uma bandeira eleitoral contra o governo, são os que hipocritamente sustentam a violência fascista destes manifestantes de rua. Alguém ainda se pergunta porque? Que coincidência que nos bairros pobres dos morros de Caracas, como Petare, Catia e 23 de Enero (Janeiro), estes movimentos incendiários não tem tido lugar. Somente nos 3 municípios redutos da oposição pequeno-burguesa.
A grande realidade é que os verdadeiros direitos humanos, entendidos por tirar os pobres da indigência, e dar acesso à classe trabalhadora à saúde, a alimentos, casas, cultura, iniciados em 1998 por Hugo Chávez, e consolidados graças a intensos Planos Sociais, chamados Missiones [Misión vivienda (3 milhões de casas populares até 2019), incremento da educação gratuita em todos níveis, analfabetismo zero, livros gratuitos e baratos produzidos pelo Estado, alimentos (Mercal, PDVAL) etc..] já bem detalhados nos nossos artigos anteriores e em livros como “Quem tem medo de Hugo Chávez?”, e na recente matéria do jornalista FC Leite Filho: “O que acontece na Venezuela e Argentina”, (www.cafenapolitica.com.br); tudo isso, está sob ameaça golpista.
Essas ações desesperadas, desta direita denominada “Vontade Popular” dirigida por Leopoldo López, personagem sinistro, de olhar estampado com ódio e loucura, que no golpe de 2002 invadiu a embaixada cubana, títere extremista dos EUA, já levaram a 66 feridos e 3 mortes. Na realidade aparentemente é a minoria radical, e diz-se que não conta com a inteira homogeneidade tática da oposição, chamada MUD. O discurso é o mesmo, como o de Capriles Radonski, ex-candidato presidencial derrotado que, não respeitando o voto constitucional da maioria do povo que elegeu Maduro nas eleições de abril, chamou em 19 de abril a atear fogo nos Centros de Saúde dos Cubanos e nos locais do PSUV, matando 11 pessoas. E 6 meses depois, com esmagadora vitória eleitoral do PSUV e do Polo Patriótico, onde o governo conquistou 20 dos 23 estados, não se conformaram e incitaram a guerra econômica, o boicote ao abastecimento, e a ações de sabotagem petroleira. E se dizem constitucionais.
A mesma matriz desestabilizadora concebida nos EUA
Esta matriz desestabilizadora, concebida no Pentágono, é a mesma que já instigou “revoluções de veludo”, de cor laranja ou verde, “Rebeldes”, na Líbia, Síria, Irã, Ucrânia contra Estados e governos independentes do jugo do FMI e da Otan, e em muitos casos, possuidores de petróleo e riquezas minerais. Por isso, o Brasil que se cuide.
A tragédia que significou para o povo venezuelano e latino-americano a morte de Hugo Chávez, estimulou as inúmeras tentativas golpistas ao largo destes 11 meses. E querem alastrá-las contra Equador e Argentina. O que Maduro denuncia sobre as ameaças de John Kerry, secretário de estado norte-americano, em chamada telefônica ao embaixador venezuelano na OEA, Roy Charleton, de que o “governo deve dialogar com a oposição”, “libertar os presos”; recatando que, se Leopoldo López fosse preso, problemas graves poderão surgir, sinalizando ousada ingerência dos EUA nos problemas de outros países; assim o fizeram nas recentes eleições de Honduras. Em nome do “respeito aos direitos humanos”, dos quais os EUA é campeão (desde que bombardearam Hiroshima, Nagasaki, Vietnã e Iraque) justificam intervenções, como as que pretendem na Síria e na Ucrânia. É o tal do “golpe suave” já aplicado contra Milosevic na Iugoslávia, cujo esquema obedece a sequência: boicote econômico, manifestações violentas, guerra midiática e intervenção. Ninguém se olvida de que a mentira midiática da fossa comum dos “40 mortos por Milosevic” precederam a invasão da Otan no Kossovo. A tentativa de repetir o filme na Venezuela é evidente. Hugo Chávez, numa de suas lições televisivas de junho de 2007, já alertou que as guerras de ontem se faziam com exércitos, e as de hoje se fazem com os meios de comunicação.
Porque agora?
Porque o governo bolivariano expressa firmeza, não renuncia e toma medidas contra a guerra econômica, dos sabotadores do abastecimento alimentar, criando a lei que impõe lucros não superiores a 30% sobre os produtos; leis de controle sobre uso do dólar que golpeia os grandes especuladores; e tem tomado fortes medidas de controle social e militar para blindar os setores estratégicos do Estado contra a sabotagem petroleira e elétrica das transnacionais (Leia mais nos artigos do venezuelano Humberto Gómez García no link: http://revolucaosocialista.com/index.php/2014/02/19/venezuela-rodilla-en-tierra-a-defender-a-revolucao/. Porque a CELAC, criada e impulsionada pela Venezuela chavista, reforçou-se nesta última reunião em Cuba, como alternativa à OEA, e coordenadora de Estados Latino-americanos e caribenhos. Por isso, a resposta de solidariedade dada ao governo Maduro por 20 países, 156 movimentos sociais, mais de 340 intelectuais do mundo, e as declarações de apoio dados pelo Mercosur, Alba e Unasur são fundamentais.
Esta loucura imperial dos EUA, que não deixa de oferecer um grande risco para a democracia de toda a América Latina, faz parte de um esquema que inaugurou-se nas mobilizações “anti-Copa” de junho de 2013 no Brasil. Manifestações como as recentes no Rio de Janeiro, e ações perigosas de black blocs como a que levou à morte do cinegrafista Santiago Andrade, são parte da mesma rede e estratégica desestabilizadora já em marcha no Brasil. Surgiram situações complicadas e macabras como a que os serviços secretos venezuelanos denunciaram de que os próprios promotores do golpe, desde Miami, estariam arquitetando o assassinato de Leopoldo López para acusar o governo venezuelano e provocar uma guerra civil, ou um intervencionismo norte-americano. Neste momento ele acaba de se entregar à Justiça, protegido pelas forças de segurança do governo, dando um primeiro sinal de debilidade, de não querer pagar sozinho pelo isolacionismo golpista.
As novas relações de forças internacionais
As tentativas de golpe podem não ir às últimas consequências por enquanto. Os acontecimentos são dinâmicos e imprevisíveis. Mas, as relações de forças internacionais não são as mesmas que permitiram ao Conselho de Segurança da ONU, aceitar a invasão da Otan na Líbia. A posição firme de Putin de apoio ao governo Sírio, à recuperação econômica da Ucrânia, a união militar entre a Rússia e a China contra qualquer invasão à Síria, o compromisso da China com a CELAC, os acordos militares russo-venezuelanos podem parar as ameaças do intervencionismo norte-americano.
A revolução não será interrompida. Perspectivas e saídas
Mas, evidentemente, o mal tem que ser cortado pela mobilização do próprio povo venezuelano. É de se esperar uma radicalização do processo de mudanças do funcionamento do Estado verso um verdadeiro Estado revolucionário; de reforço do poder popular, sindical, operário sobre os mecanismos de governo. Isso não é impossível. A Venezuela poderá surpreender. Há resquícios de corrupção e burocracia, mas há também uma liderança forjada nestes 16 anos de processo revolucionário, produto do legado deste militar e dirigente revolucionário, Hugo Chávez, que deixou lições, escritos, ideias à classe trabalhadora que estão aprendendo a se organizar em comunas, conselhos comunais, milícias em fábricas (confirmada por Maduro na reunião do Mercosul Operário), em partido de massas, num PSUV e num Polo Patriótico atuantes. O PSUV chamou o ocupar permanentemente todas as praças Bolívar do país, que praticamente existe em todos os municípios. A mídia não fala dos vários mutirões voluntários que estão ocorrendo, limpando ruas e praças destruídas; grupos musicais e teatrais estimulando um clima de paz à cidadania. Criou-se até uma etiqueta de twitter: #RodillaEnTierraPorNicolasMaduro. E hoje, cerca de 100 mil operários petroleiros de PDVSA, se manifestaram nas ruas, somando-se à luta contra o fascismo. O que é mais importante é a aliança cívico-militar bastante sólida construída por Hugo Chávez. Isso fica evidente, no discurso combativo da Ministra da Defesa, Carmen Menendez na comemoração dos 195 anos do Congresso de Angostura: “estejam seguros de que ar, terra e mar estão prontos a defender a revolução socialista na Venezuela”. Hugo Chávez sempre disse que era preciso estar alertas (“rodilla en tierra!”) contra as sucessivas tentativas golpistas que chegariam a uma grande explosão. Mas, disse também que esta poderia converter-se numa explosão revolucionária diante de tantas ameaças. De fato, a surpreendente manifestação dos 100 mil operários de PDVSA, da FUTPV até o Palácio Miraflores, com o Ministro PP do Petróleo e Mineração à cabeça demonstra que o processo de enfrentamento de classes se está radicalizando com o apoio de um setor estratégico da classe operária na defesa da revolução. No seu comovedor discurso, Rafael Ramirez afirma que eles, os trabalhadores de PDVSA, não permitirão nenhuma ingerência de EUA: que não se confundam, que as ruas não são da burguesia, mas da classe operária, porque na Venezuela há uma classe operária disposta a lutar até as últimas consequências contra o fascismo, e que estão prontas a defender a pátria, representada na casa de governo Miraflores, que foi de onde Hugo Chávez decidiu nacionalizar o petróleo e construiur PDVSA. Em seguida, o presidente Maduro respondeu a este grito de adesão e batalha com a decisão de denominar a Franja de Orinoco de Hugo Chávez.
Este é o quadro que se está formando na Venezuela: de uma profunda unidade operário-cívico-militar, arma fundamental para garantir esta revolução. Se o governo de Maduro continuar mobilizando desta forma os trabalhadores, dando voz e poder de decisão ao povo que clama nas ruas por “justiça” contra os golpistas, aprofundando o poder midiático público-estatal, e garantindo a unidade cívico-militar, talvez possamos dizer que um novo Chile não ocorrerá na Venezuela, e a revolução está a caminho de ser vitoriosa.
Preconceito está nos professores e não nos alunos, diz docente transexual
Jornalista: sindicato
Docente há mais de 20 anos e transexual desde 2006, a gaúcha Marina Reidel pediu afastamento da escola da rede pública em que dava aula de artes para fazer sua transformação. Quando voltou, sentiu-se acolhida pelos estudantes, curiosos para saber sobre a mudança. Mas na sala dos professores, encontrou o preconceito entre os colegas.
Comentários como “você é um homem de peito” ou dúvidas sobre sua competência profissional (“você tem condições de dar aula?”) apareceram. A dificuldade enfrentada por ela se repetia nos relatos de outras professoras transexuais.
“Eu senti uma dificuldade no início com os colegas professores, as meninas me contavam a mesma situação. O preconceito surge nos pares: enquanto alunas, o preconceito aparece nos alunos; quando professora, com os professores”, constatou durante sua pesquisa de mestrado sobre a condição de professores transexuais, finalizada em 2013.
Marina conversou com docentes de diferentes Estados, todas do gênero feminino e a maior parte delas na rede pública –o concurso público facilita a contratação por adotar critérios de seleção objetivos, sem que a sexualidade interfira na escolha.
Hoje, a pesquisadora faz parte de uma rede de professores trans que já conta com 80 participantes. “A gente se sente uma ilha na escola, precisamos nos fortalecer. Criamos uma rede para socializar, para trocar experiências já que os professores não conseguem fazer a mesma troca com os colegas da escola.”
Respeito e proximidade com alunos
Em seu mestrado, defendido na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Marina mostra que professores trans que se assumem na escola passam a tratar de questões de sexualidade e se tornam referência.
“A todo tempo a professora trans é buscada para resolver as questões de preconceito e acaba sendo o adulto de referência, para os LGBTs e para os jovens em geral. Ela tem um diálogo maior com os alunos”, diz. “A professora trans muitas vezes é convidada para ser paraninfa de turma, para ir nas festas que os alunos fazem.”
Uma das razões para isso pode ser atribuída ao fato desses professores exporem sua sexualidade e, assim, parecerem mais abertos ao diálogo sobre a vida fora da escola.
Além de passarem o conteúdo das disciplinas que ministram, Marina afirma que a existência de uma professora transexual na escola também traz novos aprendizados para os estudantes. “Você não vai ensinar ninguém a ser travesti, gay ou lésbica, mas a gente deixa os alunos mais sensíveis para o direito à diversidade e o respeito ao outro.”
Fonte: Portal Uol
Rede social de educação reúne 31 milhões de usuários em 190 países
Jornalista: sindicato
Com seis anos de existência, Edmondo promove troca de experiências entre professores e diminui ‘solidão’ da profissão
Quando a porta da sala de aula se fecha, o professor se vê ali, sozinho, com 30, 40 alunos. Bate insegurança, dúvida, solidão, os educadores costumam dizer. Mas a tecnologia tem ajudado a diminuir essa sensação. O Edmodo, maior rede social do mundo voltada para a educação, tem se fortalecido como um espaço em que, para além de organizar a sala de aula com atividades virtuais, os professores podem trocar experiências boas ou ruins, aprender juntos, compartilhar materiais.
Em seis anos de existência, a rede já reúne mais de 31 milhões de usuários, entre educadores e estudantes, espalhados por 190 países, inclusive no Brasil. Desde 2011, eles organizam a EdmodoCon, um dia inteiro de atividades voltadas ao desenvolvimento profissional.
“Com o Edmodo, é como se estivéssemos abrindo as portas da sala de aula, fazendo com que ela fique mais transparente, diminuindo a solidão do professor”, afirma Cesar Nunes, que há anos utiliza a ferramenta para a formação de professores. Ele tem prestado assessoria à Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, que usa o Edmodo em grande escala, como ferramenta oficial da rede.
Nunes conta que a primeira etapa das formações é fazer com que os professores usem a plataforma como se fossem alunos – o que ajuda a diminuir o gap geracional e faz com que os eles compreendam a perspectiva dos estudantes. Isso porque o Edmodo funciona como uma rede social mesmo, em que cada integrante tem um perfil e pode interagir com seus pares. No caso da plataforma, os professores criam turmas e convidam seus alunos a participar de discussões, marcam atividades por um calendário comum, propõem quizzes e indicam materiais interativos relativos aos assuntos debatidos. No seu uso tradicional, o educador convida seus alunos, que são do ensino básico. Nas formações para professores, os moderadores fazem o papel do professor e, os professores, o papel dos alunos.
A segunda etapa das oficinas de Nunes se baseia em usar o potencial do Edmodo para discussões profundas, a partir da troca de experiências práticas. “Conseguimos expor as boas práticas e as discussões não ficam só na teoria”, afirma o especialista. Quando um professor forma um grupo de alunos na plataforma, essa turma recebe um código. Só quem tem esse código pode acompanhar as discussões.
Assim, quando os dilemas e as boas práticas estão sendo discutidas nas oficinas para professores, eles são convidados a mostrar seu trabalho para os colegas. Ao compartilhar o código, esse professor pode mostrar em detalhes como desenvolveu atividades ou resolveu problemas. “Nós criamos heróis dentro da rede, com trabalhos que já existiam e não tinham espaço para ser compartilhados”, diz Nunes.
Para Ana Maria Menezes – coordenadora de tecnologias educacionais da Cultura Inglesa de Uberlândia e usuária do Edmodo desde 2009, quando a plataforma ainda estava no início e nem menu em português tinha – diz que a plataforma ajuda a democratizar o conhecimento. “Antigamente, o poder estava em ter um conhecimento que ninguém tinha. Hoje, essa relação com o conhecimento mudou completamente. Quanto mais você, professor, compartilha o que sabe com os colegas, mais você será procurado como alguém que tem algo a compartilhar.”
Fonte: Por Vir
PNE prevê ensino integral em metade das escolas públicas
Jornalista: sindicato
Educação em tempo integral para no mínimo 25% dos alunos do ensino básico é umas das metas do PNE, que está sendo apreciado no Congresso. Hoje, cerca de 50 mil escolas têm aulas em período integral, nas quais os alunos recebem três refeições diárias e fazem atividades esportivas, de reforço escolar, cultura e artes, entre outras. Para chegar aos 50% previstos no PNE, será necessário dobrar o número de instituições adaptadas à jornada dupla.
Com isso, mais de 11 milhões de crianças e jovens terão aulas durante todo o dia em pelo menos metade das escolas públicas brasileiras. Para atingir a meta do PNE, será preciso aumentar a quantidade de colégios e de professores disponíveis, uma vez que, atualmente, as instituições em geral atendem aos alunos em dois turnos – manhã e tarde.
A fim de assegurar esta meta, será necessário melhorar a infraestrutura das escolas, com a construção de quadras poliesportivas, laboratórios de ciências e informática, auditórios, refeitórios e banheiros, por exemplo.
(Com informações da Agência Câmara)
PNE: Brasil terá que colocar 1 milhão de crianças na pré-escola até 2016
Jornalista: sindicato
Para cumprir uma das metas do Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê a universalização da educação infantil, o Brasil terá de criar 1 milhão de vagas na pré-escola até o ano de 2016.
Os dados são de um levantamento realizado pelo movimento Todos Pela Educação com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) 2012. Os números mostram que, hoje, 20% das crianças com faixa etária de 4 e 5 anos estão fora da escola.
Para os especialistas, tão importante quanto o cumprimento da meta é a garantia de que o atendimento será feito com qualidade.
“A implementação dessa meta é muito complicada porque, além de abrir a vaga, é preciso ter o espaço adequado, bons equipamentos de lazer e um programa pedagógico que sustente o trabalho”, afirma Silvia Colello, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).
“As salas de educação na pré-escola não podem ser depósitos de criança. Muitas vezes a escola não tem estrutura, não tem brinquedo pedagógico, não tem um acompanhamento com qualidade”, afirma Silvia
Incluir não basta
Uma mostra de que só a inclusão não é suficiente pode ser observada no próprio levantamento. Dentre todas as regiões, a Nordeste é a que registra o maior porcentual de crianças na pré-escola: 87,5% dos pequenos com 4 e 5 anos estão matriculados. Apesar disso, a região apresenta baixo desempenho na Prova Brasil, que avalia os estudantes do ensino fundamental.
“Com isso, a gente vê que não é suficiente a presença das crianças na sala, mas que para ter impacto é preciso de qualidade”, afirma Alejandra Meraz Velasco, gerente da área técnica do Todos Pela Educação.
Enquanto o Nordeste tem 87,5% das crianças matriculadas na pré-escola, na outra ponta a região Norte registra índice de apenas 70%. O Centro-Oeste tem 73,9%, o Sul, 75,4% e o Sudeste. 85%.
Desigualdade de acesso
O levantamento também mapeou a desigualdade por renda. No Centro-Oeste – que tem a maior distância entre taxas – enquanto 96% das crianças das famílias mais ricas frequentavam a pré-escola, apenas 62,5% dos mais pobres estavam matriculadas nas instituições de ensino. “Isso mostra que, independentemente da região, aqueles que têm oportunidades colocam o filho na escola mais cedo”, diz Alejandra.
O acesso das crianças na zona rural também é menor. Enquanto cerca de 84% das crianças que vivem nas regiões urbanas vão para pré-escola, na zona rural o índice cai para 73,2%.
Para a professora de Educação da UFMG Mônica Correa Baptista, a diferença tem duas explicações: a dificuldade da oferta do e a falta de um plano pedagógico que atenda as particularidades da zona rural. “Muitas vezes, são comunidades pequenas, que não têm escolas e que muitas vezes não têm estrutura para o transporte das crianças. (…) Além disso, o ensino no campo tem que pensar nas especificidades do campo. Não dá para pensar na mesma lógica da cidade”, diz.
Desafios
Diante desse cenário, cada município precisa descobrir qual será o seu desafio, explica Alejandra. “Para alguns, será a questão de encontrar locais para abrir unidades de pré-escola, para outros será encontrar professores para atender a demanda”, diz.
Isso além da necessidade da crianção de uma base curricular comum, já que o ensino da pré-escola se tornou obrigatório. “É preciso uma base que estabeleça o que todas as crianças têm que aprender para que, de fato, a educação contribua em uma fase tão crucial, que o Brasil ainda patina”, avalia Alejandra.
Mônica, da UFMG, chama a atenção para o problema do financiamento. “Creches e pré-escolas fazem parte do Fundeb, mas não há um dispositivo que obrigue que um montante seja investido na educação infantil”. Sem essa obrigatoriedade, diz ela, as escolas de educação infantil ainda são as mais precárias, com mais improvisações. “Os materiais e espaços precisam ser apropriados para essas crianças, não pode ter a mesma estrutura de uma escola para os mais velhos.”
Por fim, diz Mônica, o tempo de aula na pré-escola também deveria ser maior. “Acho quatro horas e meia muito pouco. Teria de ser seis horas.”
(Do IG)
BA: governo troca nome de colégio de Médici para Marighella
Jornalista: sindicato
O governo da Bahia oficializou na última sexta-feira (14) a troca do nome do antigo colégio estadual Presidente Emílio Garrastazu Médici, em Salvador, para colégio estadual do Stiep Carlos Marighella.
Médici governou o Brasil de 1969 a 1974. No mesmo ano em que assumiu a Presidência, forças de segurança do governo mataram Marighella, em uma emboscada feita na capital paulista.
Em dezembro de 2013, alunos e ex-alunos do colégio realizaram uma eleição para substituir o nome da unidade escolar, que homenageava um presidente do período militar. A mudança foi assinada pelo secretário estadual de Educação, Osvaldo Barreto Filho, no último dia 13, e oficializada após ser publicada no Diário Oficial do Estado na sexta-feira (14). Fonte: Portal Terra
Neurociência vira ferramenta para melhorar aprendizagem nas escolas
Jornalista: sindicato
Entendimento sobre o funcionamento do cérebro facilita trabalho de professores e pode revolucionar a sala de aula
Professores da educação básica de algumas escolas brasileiras têm experimentado estudar algo, aparentemente, muito distante da realidade da própria formação: a neurociência. Projetos ainda pouco comuns – mas inovadores e com bons resultados onde já foram testados – têm mostrado que os conhecimentos sobre o funcionamento do cérebro pode ser um grande aliado dos educadores.
Durante a graduação, os educadores se concentram nos estudos dos estímulos que provocam aprendizagem. “O problema é que ela depende fundamentalmente da biologia, da organização e da estrutura do sistema nervoso para acontecer. Conhecendo essas caraterísticas, o professor consegue entender porque algumas estratégias que utiliza funcionam e outras não”, ressalta Leonor Bezerra Guerra, professora do Departamento de Morfologia do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Pioneira em divulgar a neurociência no mundo educacional, Leonor diz que os avanços da tecnologia digital permitiram compreender sinapses e processos cerebrais essenciais para o funcionamento do cérebro. Com isso, a ciência que estuda o sistema nervoso tem colaborado para a compreensão de outras áreas de conhecimento, como a psicologia e a educação.
Os professores começam a perceber, agora, que o processo biológico da aprendizagem não diminui a importância da educação. “É o estímulo que a criança recebe do meio externo que fará com que ela adquira atitudes, hábitos, valores”, destaca a professora, que coordena o projeto NeuroEduca da UFMG, que divulga e orienta educadores sobre o tema. Sem a resistência, os professores podem enxergar nesse conhecimento um potencial transformador.
Leonor lembra que, sem a devida atenção para o conteúdo repassado pelo professor, o aluno não conseguirá ativar o centro de memória do cérebro. “O sistema nervoso precisa estar direcionado à experiência. Se o professor não consegue chamar a atenção do aluno para que as redes neurais sejam ativadas, ele não vai memorizar e armazenar informações”, explica. Novas estratégias O educador que estuda a neurociência é convidado a entender que todos podem aprender desde que as estratégias sejam adequadas. “Não basta dar acesso à escola, é preciso garantir que as crianças aprendam”, afirma Regina Migliori, que acaba de publicar o livro Neurociências e Educação, que traz pesquisas e modelos de aplicação prática desses conhecimentos em sala.
“Isso cria um novo patamar de responsabilidade dos educadores no desenvolvimento das crianças. A quantidade de diagnósticos de crianças com déficit de atenção é uma piração. Infelizmente, vemos muitas abordagens que têm um ponto de partida equivocado na identificação do problema”, reforça Regina.
Taís Ciboto, professora no curso de pós-graduação em Neurociência aplicada à Educação das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), acredita que os conhecimentos da neurociência podem ser instrumentos para que professores lidem com situações para as quais não foram preparados. Mas não é uma “receita de bolo”. “É importante lembrar que o ser humano completo vai para a sala de aula. Não é só a inteligência, mas também as emoções, o que ele vive fora da escola”, diz. O curso de pós-graduação em neurociência da FMU existe desde 2012 e já formou 50 alunos. Primeiras experiências Idealizado no ano 2000, o NeuroEduca tinha a pretensão de ampliar as palestras esporádicas, feitas pela professora Leonor desde 1994, para explicar em inúmeras escolas o que era a neurociência e como ela poderia auxiliar o processo educacional. O projeto passou a atender solicitações de escolas públicas e particulares, fazendo capacitações ou palestras de “sensibilização ao tema”.
“Isso não significa que o professor vai usar novas estratégias em sala de aula. Às vezes, ele não reflete sobre mudanças e mudar é difícil para qualquer um”, comenta. Quase 14 anos e 25 mil educadores formados ou “sensibilizados” depois do início, Leonor se contenta em saber que o interesse pelo tema é crescente. Ela, que também é autora do livro Neurociência e educação: como o cérebro aprende, conta que muitos estudos e grupos surgiram nos últimos anos.
Agora, ela gostaria de ver as graduações em pedagogia inserindo o tema em seus currículos. “Pretendo ainda sensibilizar os cursos para incluir o conhecimento sobre as bases neurológicas da aprendizagem das diretrizes curriculares nacionais”, afirma. Meditação e concentração Regina Migliori é doutora em Filosofia da Ciência e pós-graduada em Neuropsicologia e conduz o programa Meditação, Neurociência e Educação. O projeto está em fase de testes em uma escola do Sesi de Alagoas para ser ampliado para toda a rede depois. Lá, tem feito sucesso.
O primeiro passo é a formação dos professores. Depois de um curso de oito semanas, eles testam as práticas que farão com os próprios alunos. Usam exercícios de meditação para treinar o foco e a atenção dos alunos e os ensinarem a lidar com as emoções durante o processo de ensino e aprendizagem.
Dilson Costa Neves, diretor geral da Escola Sesi Industrial Abelardo Lopes em Alagoas, conta que o colégio já desenvolvia um trabalho de tentar concentrar os alunos antes das aulas. Pelo sistema de som da escola, eles faziam todos pararem atividades, refletirem, treinarem a respiração e se concentrarem antes das aulas. “O projeto está dentro do que a gente acredita. É uma maneira de repensarmos a aprendizagem e as nossas práticas pedagógicas”, pondera.
Segundo ele, os professores estão encantados com o que aprenderam. “Eles agora repensam suas práticas para não dar aulas repetitivas, encontrar novas formas de chamar a atenção dos estudantes, estimulá-los a aprender e passaram a trocar mais experiências com os colegas”, conta Neves.
Fonte: Portal IG