Secretaria de Educação suspende distribuição do cartão escolar em Santa Maria
Jornalista: sindicato
Após o tumulto na entrega do cartão material escolar em Ceilândia (dia 5), a secretaria de Educação do DF decidiu suspender a distribuição do benefício em Santa Maria, para a sua devida reestruturação.
Na segunda-feira (10), centenas de pais e mães de estudantes da cidade, sem saber da suspensão, foram até o Banco de Brasília (BRB) pela segunda vez na esperança de pegar os cartões (a primeira tentativa ocorreu no sábado).
Segundo a secretaria, o programa está sendo reestruturado para adequar os locais de entrega em cada região. A previsão, de acordo com a pasta, é de que Santa Maria receba um novo cronograma de distribuição nesta terça-feira (11). Ao todo, o benefício será entregue para 130 mil alunos do DF. “Precisamos rever a logística de entrega após a experiência em Ceilândia, que ficou complicada”, explicou o subsecretário de Infraestrutura e Apoio ao Educando da Secretaria de Educação, Marco Aurélio Soares. Ele afirmou que as coordenações regionais de ensino avisaram aos alunos e enviaram bilhetes para casa informando sobre a interrupção.
O Programa Cartão Material Escolar é um vale de R$ 226, que deverão ser gastos até 16 de maio. Cada estudante tem direito a um cartão pré-pago, com função apenas para débito.
(Com informações do Correio Braziliense)
Comissão de Anistia garante direitos a filhos e netos de perseguidos pela ditadura
Jornalista: sindicato
Instância, reunida na quinta-feira (6), analisou 18 processos, entre eles o do filho do educador Paulo Freire, que foi preso e exilado pelo regime militar
No ano que marca os 50 anos do golpe militar de 1964, a primeira reunião da Comissão de Anistia analisou na quinta-feira (6) os processos de filhos e netos de perseguidos pela ditadura. Emoção, dor e angústia foram alguns dos sentimentos demonstrados por aqueles que conviveram ao lado dos pais, ainda na infância, durante a repressão militar.
No total, a Comissão de Anistia analisou 18 processos de filhos e netos de brasileiros perseguidos pela ditadura. Entre os casos aprovados estão os de Mariana Ribeiro Prestes, filha do líder político Luiz Carlos Prestes; de Luís Cláudio Arraes de Alencar, filho do ex-governador Miguel Arraes; e de Lutgardes Costa Freire, filho do educador Paulo Freire.
“Vivi toda a época da ditadura, dos anos 1960, ainda criança. Meu pai convidava muitos amigos brasileiros e estrangeiros para ir em casa e eles relatavam muitos momentos de tortura e perseguição. Tudo isso impactou muito e foi me levando para um quadro psicótico”, disseo cienntista social Lutgardes Costa Freire.
Patrono da educação brasileira, Paulo Freire foi preso e posteriormente exilado pela ditadura militar em 1964. Teve que ir para a Bolívia e o Chile. Ainda pequeno, Lutgardes sofreu com o drama do pai. E os tempos de chumbo deixaram marcas. Hoje, Lutgardes recebeu o pedido de desculpas formal do Estado brasileiro e o direito a indenização.
“Nesse reconhecimento dos erros que o Estado cometeu contra essas pessoas, ele pede desculpas para que as pessoas possam se reconciliar com a nação. Um gesto de caráter moral que vai além da dimensão eminentemente econômica e representa a consolidação da nossa democracia”, ressaltou o presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão. “Um gesto em que o Estado reconhece o legítimo direito de se resistir à opressão”, acrescentou.
Assim como o filho de Paulo Freire, a arquiteta Andrea Curtiss Alvarenga, filha de Afonso Junqueira de Alvarenga e Mara Curtiss Alvarenga, presos e depois banidos do país pela ditadura, também recebeu anistia na cerimônia. Ela e os cinco irmão também vivenciaram a repressão militar aos pais.
“Com a Lei da Anistia, resolvi voltar em 1981. Mas digo sempre que a anistia não é o momento que você retorna ao seu país. É todo um processo de readaptação, de como você vive e é reconhecido”, disse, emocionada. “Para mim, é muito emocionante saber que o Estado, que o governo te reconhece. Estão dizendo ‘nós agimos errado com você’”, acrescentou. Fonte: Agencia Brasil
Sindicato dos Jornalistas culpa Estado por agressão a cinegrafista no Rio
Jornalista: sindicato
Presidenta do Sindicato diz que é difícil fazer emissoras fornecerem equipamentos de segurança aos jornalistas e que elas ainda querem retirar esse item do contrato de trabalho
O Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro responsabilizou nesta sexta-feira (7) o Estado por omissão no caso da agressão ao repórter cinematográfico da TV Bandeirantes Santiago Idílio Andrade. Ele foi atingido nesta quinta-feira (6) por um artefato explosivo enquanto fazia a cobertura de um protesto no Centro do Rio. A situação do cinegrafista é grave, ele passou por cirurgia e permanece internado.
As últimas imagens de Santiago na manifestação, capturadas pela BBC Brasil, mostram que o cinegrafista estava sozinho e não usava equipamentos de segurança. Para a presidenta do Sindicato, Paula Mairán, embora a emissora tenha que ser responsabilizada pelo ocorrido, é tarefa do Estado fiscalizar os canais de TV, que são serviços públicos, e assegurar a proteção aos jornalistas.
“Estamos, desde o ano passado, apontando a falta de políticas públicas para garantir o exercício do jornalismo em segurança. Entre elas, a responsabilidade da autoridade de segurança pública e das empresas”, disse. Segundo Paula, jornalistas continuam sendo enviados às ruas sem equipamentos de proteção e em condições de vulnerabilidade.
“A Bandeirantes explora uma concessão pública que deve ser fiscalizada pelo Estado. Mesmo que a responsabilidade seja, em primeiro lugar, da empresa”, completou Paula.
A presidenta do sindicato lembrou que, desde 2013, o sindicato denuncia agressão a jornalistas em protestos e identificou 49 vítimas. Um documento com todos os casos chamando atenção para o problema foi entregue aos órgãos legislativos e à Secretaria de Segurança Pública do Rio, uma vez que boa parte dos agressores é formada por policiais.
Paula Mairán revela também a dificuldade de obrigar as empresas a fornecer equipamentos de segurança aos jornalistas e conta que as emissoras querem retirar esse item do contrato de trabalho. “A conjuntura nos prova que, em vez de retirar, nós temos que aprimorar as cláusulas de segurança”, declarou a presidenta do sindicato.
A Agência Brasil não conseguiu entrar em contato com o Sindicato das Empresas da Radiodifusão do Estado para comentar as negociações. Já o Grupo Bandeirantes não se pronunciou sobre as críticas do sindicato.
A Polícia Civil investiga a agressão a Santiago e deve solicitar imagens de outras emissoras. A Polícia Militar não se pronunciou sobre o ocorrido.
Parte das testemunhas do episódio dize que o explosivo que atingiu o jornalista partiu dos policiais. Há ainda aqueles que afirmam que o artefato estava em poder dos manifestantes. Fonte: Agência Brasil
Cidadãos podem propor debates nas comissões do Senado
Jornalista: sindicato
Pessoas de todo o Brasil podem sugerir temas para audiências públicas das comissões do Senado. A ferramenta está disponível no portal e-Cidadania, que busca incentivar a participação dos cidadãos na atividade legislativa. Para que a sugestão seja encaminhada a uma comissão, são necessários dez mil apoios, feitos pela internet.
As audiências públicas permitem o debate entre os parlamentares, especialistas e sociedade brasileira e são realizadas com frequência pelas comissões do Senado. O requisito para debates propostos pelos cidadãos é o tema sugerido ser de interesse público, mesmo que não tenha vinculação com projetos em tramitação.
Para propor a audiência é preciso se cadastrar no e-Cidadania e indicar o objetivo da audiência, além de justificar a contribuição do debate para o esclarecimento da questão. Para cada audiência sugerida, o proponente pode indicar até quatro especialistas no tema. Para que o número de apoios não seja enfraquecido, é importante verificar se já não há tema semelhante na lista dos inscritos.
A proposta ficará disponível no portal por até três meses para receber o apoio de outros cidadãos. Se alcançar as dez mil assinaturas nesse prazo, será encaminhada para a comissão que tiver relação com o tema. A comissão é que vai analisar a pertinência do tema e decidir sobre a data e os participantes.
Lista
Atualmente, 23 propostas aguardam apoio no Portal do Senado. Entre os temas estão reforma constitucional, tarifas únicas de até R$ 3 para ônibus, obrigatoriedade de criação de universidades públicas em municípios com mais de 200 mil habitantes, carreira única para polícias civil e federal e uso de animais em experiências.
Uma das propostas que obtiveram as assinaturas necessárias já teve a audiência pública realizada pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS). O tema foi a inclusão dos fisioterapeutas em norma do Ministério do Trabalho e Emprego que trata dos serviços especializados de segurança e medicina do trabalho. Agência Senado
Creche conveniada ao GDF em Taguatinga amplia atendimento
Jornalista: sindicato
A escola Beija-flor, em Taguatinga Norte, ganhou mais duas salas de aula. Com a ampliação, serão atendidas 202 crianças de 1 a 3 anos em situação de vulnerabilidade social, 40 a mais do que em 2013. O investimento na entidade, conveniada à Secretaria de Educação, foi de R$ 125 mil, custeados pela Embaixada do Japão.
Segundo o administrador da creche, João Veloso, a expansão do número de vagas ocorre desde 2011, quando a entidade tornou-se conveniada ao GDF. “Há três anos nós atendíamos apenas 50 crianças, hoje, são 202. Isso mostra a importância dessa parceria para realização do trabalho”, avaliou.
Ao todo, na creche que teve o primeiro dia de aula hoje, são 10 turmas – duas para o Berçário II (1 ano de idade), quatro do Maternal I (2 anos de idade) e quatro para o Maternal II (3 anos de idade). Cada sala tem, em média, 20 alunos.
A coordenadora da entidade, Renata Alves, explicou que as crianças são acompanhadas das 7h30 às 17h30. “Pela manhã, as crianças têm atividades pedagógicas e, no turno contrário, elas tomam banho e realizam atividades recreativas”, explicou.
No local, as refeições são elaboradas pelo Sesc, por intermédio do projeto “Alimentação Saudável”. Além disso, o Sesc também realiza serviço de prevenção bucal pelo projeto “Dentinhos Felizes”.
Os alunos contam com o auxílio de 10 professores habilitados, 16 monitores, uma nutricionista, uma orientadora pedagógica, uma diretora pedagógica, duas cozinheiras e três auxiliares de cozinha em período integral.
Bancada do Distrito Federal se mobiliza para combater violência em Brasília
Jornalista: sindicato
A Bancada do Distrito Federal no Congresso Nacional está mobilizada com o objetivo de combater a violência em Brasília. Reunião na Câmara, nesta terça-feira (4), levantou soluções para a crise que se arrasta desde dezembro, quando se intensificou a chamada Operação Tartaruga por melhores salários de policiais e bombeiros militares do Distrito Federal.
O reflexo da insegurança se traduziu no aumento dos índices de criminalidade em janeiro. A Justiça decretou a ilegalidade do movimento, mas as negociações continuam travadas entre os policiais e o governo do Distrito Federal.
A bancada de oito deputados federais e três senadores do DF reuniu sugestões da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da Associação Comercial (ACDF), das universidades (UnB e Universidade Católica), das associações de policiais e bombeiros e dos próprios parlamentares para discuti-las diretamente com o governador Agnelo Queiroz.
O coordenador da bancada, deputado Luiz Pitiman (PSDB-DF), informou que a bancada decidiu por unanimidade pedir uma audiência imediata ao governador do Distrito Federal para, em conjunto, construir a solução. “Existem alguns projetos que já estão andando na Câmara e no Senado. Houve o compromisso de todos os parlamentares de ver a necessidade de aprovação imediata.”
Entre as propostas que estão em tramitação no Congresso, foram citadas a criação do Sistema Único de Segurança Pública (PL 3734/12), a reestruturação dos órgãos de segurança (PEC 51/13, do Senado) e a internação compulsória de dependentes químicos.
Também foram sugeridas mudanças no Fundo Constitucional do DF (Lei 10.633/02), para que seus recursos priorizem os investimentos em segurança. O secretário de segurança pública do DF, Sandro Avelar, reconheceu a atual crise e afirmou que parte de sua solução está na legislação federal.
Parlamentares também consideram necessária uma mudança na lei do Fundo Constitucional pelo fato de os recursos originalmente destinados para a segurança pública terem sido deslocados, posteriormente, para outros setores, como salário de profissionais da saúde, por exemplo.
Sandro Avelar fez questão de lembrar que, no ano passado, a PM havia conseguido reduzir os índices de homicídio, latrocínio e sequestro-relâmpago. “Era um trabalho que vinha dando resultado, mas que, a partir de dezembro, os índices sofreram uma queda e estamos trabalhando para reverter isso. A Polícia Militar é uma corporação que vem fazendo um trabalho brilhante no Distrito Federal, mas lamentavelmente, neste ano que também sofre injunções políticas, a gente acaba por ter essa dificuldade em retornar a uma situação que vinha sendo muito bem tratada, com índices muito positivos”. Pedido das vítimas
Ana Cleide Almeida, mãe do jovem Leonardo Monteiro, que foi uma das vítimas da atual onda de violência em Brasília, veio à Câmara pedir um basta a essa situação. “Eu estou tentando que o meu filho não seja uma estatística. Por isso é que eu estou aqui. Eu não quero que ele seja só mais um número”.
O presidente da Associação Comercial, Cleber Pires, anunciou que os empresários poderão fechar as portas em protesto, na próxima semana, se a violência não diminuir. Pires cobrou a volta do policiamento ostensivo nas ruas da capital federal. “Gostaria de lançar um desafio: Polícia Militar, com todo o respeito, vamos fazer um ‘rolezão’? É o momento de darmos um ‘rolezão’. Que saudade da época em que saíam de seus gabinetes, iam para as ruas, faziam grandes arrastões e nós tínhamos a sensação de segurança”.
Cléber Pires informou ainda que apenas na área central de Brasília, 1.925 das 10.190 lojas em pavimento térreo fecharam nos últimos anos: “O que significa menos 20 mil empregos diretos na região central da cidade”. Reivindicações dos policiais
A retomada imediata do diálogo com o governo, concurso público urgente e um novo plano de carreira estão entre as reivindicações dos agentes da segurança pública, como afirmou o presidente da Associação das Famílias dos Policiais e Bombeiros do DF, Luzimar Arruda. “Não é uma Operação Tartaruga. Na realidade, o que fazemos é uma Operação Legalidade. Mas esse é um momento delicado. Como é que, ganhando bem menos do que as outras forças de segurança, consegue-se abordar os meliantes e sair motivado para o trabalho se não há reconhecimento por parte do governo?”.
Os comandantes da PM e dos bombeiros foram fortemente criticados por não comparecerem à reunião aberta ao público.
Fonte: Portal da Câmara
Professor inovador e assíduo pode ter vantagem em progressão
Jornalista: sindicato
Para o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), a medida ajudará a reduzir o grande número de faltas de docentes, que compromete a qualidade do ensino
Vital do Rêgo (PMDB-PB) quer modificar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) para incluir a assiduidade e o uso de práticas pedagógicas inovadoras entre os critérios para progressão funcional de docentes.
O senador considera que a medida ajudará a reduzir o grande número de faltas de Professores, que compromete a qualidade do Ensino. Em projeto apresentado pelo parlamentar, assiduidade e inovação pedagógica se somariam a critérios de progressão previstos na LDB, como titulação e avaliação de desempenho.
Para o senador, premiar os profissionais que não faltam ao trabalho e que buscam novas formas de Ensino é uma maneira de aumentar o poder da comunidade Escolar na avaliação dos Docentes.
O PLS 95/2013 está em exame na Comissão de Educação (CE) e recebeu a aprovação do relator, Flexa Ribeiro (PSDB-PA). O senador, no entanto, observa que as faltas dos Professores muitas vezes são motivadas por problemas de saúde decorrentes de jornadas excessivas e condições inadequadas de trabalho.
Ele também aponta a dificuldade de avaliação do uso de novas práticas pedagógicas, alertando para “o risco de qualquer procedimento, inclusive o mais rotineiro, ser tido como inovador”.
No projeto, Vital propõe ainda modificar a LDB para proibir que Professores da Educação básica sejam convocados para prestar serviço durante as eleições, salvo em casos excepcionais.
O relator vê a medida com preocupação. Ele observa que, em muitos municípios, a impossibilidade de convocar Professores para ajudar nas eleições dificultará a realização dos pleitos.
Após a aprovação na CE, a matéria pode seguir direto para a Câmara dos Deputados, se não for apresentado recurso para votação pelo Plenário do Senado. Fonte: Jornal do Senado (DF)
Estudantes demonstram interesse por política e ações de cidadania, mas professores ainda encontram dificuldade em abordar o tema
O jovem Gustavo Medrado, de 16 anos, aluno da Escola Estadual do Parque São Jorge, em Uberlândia (MG), tem muita vontade de contribuir com as questões políticas do País. Ele é um dos estudantes selecionados para integrar o Parlamento Jovem Brasileiro, projeto da Câmara dos Deputados que incentiva a participação política e que, em 2013, selecionou 78 participantes. “É uma honra muito grande poder fazer parte desta família que é o Parlamento Jovem Brasileiro”, afirma Gustavo em seu vídeo de apresentação. Para participar do programa, que acontece anualmente, o estudante deve enviar uma proposta de projeto de lei. Gustavo é autor de um projeto que dispõe sobre a criação de um programa federal que contemple estudantes do ensino médio engajados em ações que beneficiem a comunidade escolar com bolsas de estudos no Brasil e/ou em países que fazem parte do Mercosul, de forma a promover maior integração latino-americana. “O meu projeto vai tentar combater os altos índices de evasão escolar que hoje existem em nosso País e também proporcionar maior integração entre os países do Mercosul”, justifica Gustavo.
Como ele e os demais participantes do projeto da Câmara Federal – ao todo foram 1.631 projetos de lei encaminhados por jovens de todo o País na edição de 2013 –, outros estudantes demonstram interesse por política e ações de cidadania. Mas muitos professores ainda encontram dificuldade em abordar o tema em sala de aula, devido à falta de interesse dos alunos. A movimentação típica de ano eleitoral pode ser uma boa oportunidade de levar o tema para a sala de aula. Para Emerson Cervi, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), doutor em Ciência Política, não dá para esperar que crianças com menos de 14 anos tenham interesse em receber informações sobre eleições, especificamente. “Creio que possa ser mais produtivo se os conceitos [abordados em sala de aula] forem sobre cidadania, ação coletiva, bem público etc., que são [temas] mais gerais e fundantes, do que sobre eleições propriamente ditas”, considera. Cervi sugere práticas que discutam conceitos de democracia, responsabilidade, participação. “A consciência política se forma com prática, exemplos e participação”, acrescenta.
O escritor João Pedro Roriz, que é jornalista, arte-educador e autor da obra Almanaque da cidadania (Editora Paulus), também defende que a escola deve orientar os alunos sobre questões relacionadas à cidadania. “A prática dessa cidadania requer olhar perspectivo, paciência e visão de coletividade, que devem ser propostos já na primeira infância, por meio de jogos lúdicos, encenações teatrais, brincadeiras e exemplos”, observa. Roriz propõe a abordagem de temas como direito, política, cultura, moral e ética. “Também é importante falar sobre o cenário político do País e o ambiente em que a cidadania é exercida”, completa. O educador recomenda o uso de obras literárias paradidáticas para auxiliar o professor em sala de aula, bem como atividades de arte-educação, como palestras dramatizadas, exemplos divertidos e miméticos, apresentação de canções com temas educativos.
Ele reforça que não adianta apenas abordar a questão partidária ou a importância do voto, explicar o sistema de votação ou simplesmente dar lições sobre como usar a urna eletrônica. “É preciso ir mais fundo e destacar o processo que nos trouxe até aqui. E poucas escolas estão dispostas a fazer isso”, lamenta. Para ele, é preciso esclarecer que trabalhar pela coletividade vale a pena, “mesmo para quem está vivendo uma condição desfavorável”, e completa: “para isso, há belos exemplos de superação”. O escritor chama a atenção do professor para a conscientização. “É importante mostrar que a classe política e suas práticas são reflexos da sociedade e que qualquer mudança depende de todos, independentemente das condições social, intelectual ou financeira de cada cidadão. Nesse sentido, vale a pena que cada escola invista em formações continuadas, palestras e atividades de arte-educação também para os professores”, enfatiza. Espaço ideal
A escola torna-se o espaço ideal para a formação cidadã, pois se trata de um lugar onde a criança e o jovem vivenciam suas primeiras experiências relacionadas ao convívio social. A professora de História Marilu de Freitas Faricelli, que leciona no Colégio Humboldt, de São Paulo, considera que o envolvimento dos alunos em projetos que focam cidadania e política traz inúmeros benefícios. “Tudo fica muito mais claro, e eles percebem a importância da participação política e as consequências de quando essa participação não existiu”, ressalta. Marilu desenvolve com os alunos do 8º ano o projeto Parlamento Jovem, em que eles são orientados a elaborar projetos de lei para os programas desenvolvidos pela Câmara Municipal de São Paulo e pela Câmara dos Deputados. “Aproveitamos o conteúdo relacionado à Revolução Francesa, em que é tratado o conceito do absolutismo, e fazemos um contraponto abordando a vida política da atualidade no Brasil”, explica a professora. Os alunos estudam o que é política, democracia e cidadania, além de como esses conceitos se desenvolvem, e, com base em questionamentos e demandas observadas, elaboram seus projetos de lei.
A professora de História Sônia Regina Cordeiro Silva, que leciona no Colégio Estadual João Paulo II, em Curitiba (PR), acredita que a escola é o espaço ideal para a formação política e cidadã. “A escola trabalha com conhecimento e tem que motivar o estudante para essas questões. Se todas as escolas fizessem isso, o cenário político brasileiro seria bem diferente”, comenta. Sônia desenvolve com alunos do 3º ano do ensino médio o projeto Participação Política nas Ruas e nas Praças da Cidade – O Lado Público da Cidadania, em que cada aluno “adota” um vereador da cidade para fiscalizar. As ações dos parlamentares são acompanhadas pelos estudantes por meio das sessões da Câmara, da imprensa e do site oficial dos vereadores. Depois, todo o relatório é divulgado em uma página do Facebook. “O objetivo é despertar a visão crítica e conscientizar os alunos”, ressalta. Ela uniu o interesse dos jovens pela rede social e as facilidades da internet em relação à divulgação das ações dos políticos.
Segundo Déborah Achcar, uma das responsáveis pelo projeto Parlamento Jovem Brasileiro, a participação dos estudantes aumentou durante os dez anos de realização das atividades. Entretanto, ela ainda é considerada pequena. “Ainda é pouco. Contamos muito com a ajuda dos coordenadores estaduais, das secretarias de Educação, que difundem a campanha nos estados. E o Facebook foi a grande sacada, pois [a rede social] ajuda muito na relação com os jovens”, conta. Déborah avalia que o projeto contribui para o professor abordar o tema em sala de aula, pois conta com informações, apresentadas de forma didática, sobre o que é um projeto de lei e os passos para a sua elaboração. Ela ainda considera que se engana quem diz que há desinteresse por política. “Só de dizer ‘bom dia’ a pessoa já está fazendo política. O que há é falta de conhecimento e, sem conhecimento, acabam ficando sempre os mesmos em um espaço que é para todos”, ressalta. Consequências
Quando a escola se redime do papel de atuar com formação política e cidadã, e o país não investe na conscientização, as consequências são as piores possíveis, na opinião do professor da UFPR, Emerson Cervi. “Um país sem cidadania exercida desde a idade em que as pessoas começam a ter contato com o ambiente externo à própria família é um país que terá que gastar mais tempo, dinheiro e energia discutindo formas de fiscalização e punições dos desvios”, afirma.
O escritor João Pedro Roriz também acredita em resultados catastróficos para um cenário em que a formação cidadã não é trabalhada: “muitos desses cidadãos buscarão resoluções de curto prazo para seus problemas mais iminentes, colocando-se em risco e sobrepondo seus interesses aos direitos alheios”.
O alerta para a escola é que essa formação deve ser trabalhada de maneira contínua, e não apenas em períodos relacionados a eleições. A mobilização de jovens ocorrida em manifestações registradas em 2013 ainda não é um indicativo de mudança em relação à conscientização, segundo Cervi. “As manifestações cumpriram seu papel. Não dá para esperar consequências perenes de manifestações de rua como as ocorridas no ano passado”, adverte. “Elas serviram para mostrar um descontentamento generalizado, não apenas dos jovens, mas também de amplos segmentos da sociedade brasileira. Só por isso, já valeram”, enfatiza o professor. Cidadania em prática
Conheça a seguir projetos que visam à formação política e cidadã do estudante: Parlamento Jovem Brasileiro (Câmara dos Deputados – DF)
O Parlamento Jovem Brasileiro é um projeto da Câmara dos Deputados que seleciona, anualmente, 78 estudantes, os quais representam os 27 estados brasileiros e o Distrito Federal. Em 2013, o projeto completou dez anos. Na primeira fase, os estudantes precisam escrever um projeto de lei que seja relevante e se inscrever em suas escolas. Algumas escolas usam o projeto em aulas de redação, sociologia e língua portuguesa. Em seguida, as escolas enviam os projetos de lei para avaliação das secretarias de Educação dos estados, as quais fazem uma avaliação primária e enviam para a Câmara dos Deputados os projetos selecionados. Os projetos finais são escolhidos por uma comissão de assessores legislativos da Câmara, analisados e classificados de acordo com critérios como originalidade, justificativa e clareza. Durante cinco dias, os 78 jovens participam de uma jornada parlamentar na Câmara dos Deputados, onde atuam como deputados federais. A simulação da rotina dos trabalhos legislativos visa despertar os jovens parlamentares para a reflexão crítica e a representação política por meio da vivência do processo democrático. “Eles chegam meio sem jeito, desconfiados, mas ao sair já estão com atitude de parlamentar. Durante o tempo que passam aqui, eles trabalham como um deputado, com uma programação intensa”, explica Déborah Achcar, uma das responsáveis pelo projeto. O número de representantes jovens por estado é definido de maneira proporcional, como nas eleições. Desde 2011, além dos estudantes do 3º ano, os do 2º ano e os do ensino técnico integrado ao ensino médio também podem participar.
Para saber mais: www2.camara.leg.br/responsabilidade-social/parlamentojovem e www.facebook.com/parlamento.jovembrasileiro Parlamento Jovem (Colégio Humboldt – São Paulo/SP)
Os alunos, orientados e supervisionados pelos professores de História, Filosofia e Geografia, criam, escrevem e desenvolvem projetos de ações política e administrativa para o estado de São Paulo, baseados nos problemas observados na atualidade e divulgados por meio de notícias. Os projetos são encaminhados para a Câmara Municipal de São Paulo, que também desenvolve o programa Parlamento Jovem – que tem como objetivo principal possibilitar aos estudantes uma visão de alguns aspectos da democracia, por meio da vivência de um dia de sessão parlamentar, e para a Câmara dos Deputados. Independentemente da análise e da apreciação nas Casas de Lei, todos os projetos são apresentados e discutidos em salas de aula. “Uma das grandes vantagens do projeto é que os alunos conhecem o processo, passam a entender que há regras, que é muito difícil aprovar um projeto de lei, que é preciso aprovar o orçamento, consultar a Constituição, fazer pesquisa”, comenta a professora de História Marilu de Freitas Faricelli. De acordo com ela, o projeto tem como objetivo principal o exercício da cidadania e a vivência de encaminhamentos políticos, sociais e econômicos diante dos problemas da realidade próxima da cidade em que vivem. Marilu comenta que muitos projetos são relacionados ao combate à corrupção e aos problemas da saúde pública. “São temas que fazem parte de nosso universo”, afirma. Nas aulas de língua portuguesa, são trabalhadas as regras específicas para o texto do projeto de lei; em filosofia, trabalha-se com a concepção de política e, em história, são abordadas as formas de governo, entre outros aspectos. “A conscientização dos alunos é muito grande”, acredita a professora.
Para saber mais: novo.humboldt.com.br/projeto/parlamento+jovem+++8+ano Participação Política nas Ruas e nas Praças da Cidade – O Lado Público da Cidadania (Colégio Estadual João Paulo II – Curitiba/PR)
A professora de História Sônia Regina Cordeiro Silva, que leciona no Colégio Estadual João Paulo II, em Curitiba (PR), conta que decidiu desenvolver o projeto Participação Política nas Ruas e nas Praças da Cidade – O Lado Público da Cidadania para incentivar e motivar seus alunos do 3º ano do ensino médio. “Quando eu falava em política, a reação era vinculada àquela visão do senso comum, em que as pessoas odeiam o assunto”, destaca. Como a turma compreende os alunos que estão mais próximos de participar de uma eleição, ela não teve dúvidas e lançou o desafio. Por meio de um sorteio, cada aluno teve que “adotar” um vereador, acompanhá-lo e fiscalizar suas ações. Os estudantes foram até a Câmara Municipal de Curitiba, onde assistiram a uma sessão e apresentaram-se aos parlamentares “adotados”. O monitoramento ocorreu por meio do acompanhamento das sessões, das notícias divulgadas pela imprensa e de sites ou outras ferramentas digitais mantidas pelo próprio vereador. Na sequência, os comentários sobre as ações (boas ou ruins) foram postados no Facebook, na página Terceirão da cidadania. A cada postagem, os alunos podiam comentar, curtir ou compartilhar as mensagens. “A meta é despertar a visão crítica e conscientizar os alunos”, ressalta Sônia. Ela acredita que a internet facilita a participação política e o uso de uma rede social no projeto despertou o interesse dos estudantes. De acordo com a professora, a maioria dos vereadores foi receptiva e encarou a fiscalização como uma contribuição ao mandato. “O principal é os alunos entenderem que fiscalizar [o trabalho do parlamentar] é nosso papel como cidadão”, afirma. Fonte: Revista Profissão Mestre
Nas últimas três décadas a sociedade brasileira vive o mais longo período democrático da sua história. A Constituição Federal de 1988 define os marcos institucionais do nosso Estado Democrático de Direito. A conquista dos direitos civis, sociais e políticos definidos na nossa carta magna foram garantidos com ampla participação popular que através dos movimentos e organizações da sociedade garantiram conquistas cruciais para o povo brasileiro.
No início do século XXI temos o desafio de avançar na democratização do Estado e da sociedade definindo propostas para modificar o nosso sistema político. Nesse sentido, no final de 2013, a Plenária Nacional dos Movimentos Populares aprovou a realização de um plebiscito popular por uma constituinte exclusiva e soberana do sistema político nacional, no ano de 2014.
Compreendemos que a proposta é relevante no processo de mobilização e luta da classe trabalhadora pelo aprofundamento da democracia no país. O atual sistema político nacional é excludente, patriarcal e conservador. De acordo com o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), os empresários têm três vezes mais representantes que os trabalhadores no Congresso Nacional.
A importância de um plebiscito popular reside exatamente na garantia da construção de uma agenda política de mobilização social para a discussão do tema. É preciso garantir ao povo brasileiro o protagonismo cidadão para definir sua posição sobre a necessidade de mudança no nosso sistema político.
O plebiscito ocorrerá entre os dias 1 e 7 de setembro de 2014, e ao longo de todo o ano temos a missão de constituir comitês em todo o país para a discussão das propostas. Disponibilizamos no site da CUT-CE uma cartilha intitulada Plebiscito por um novo Sistema Político para subsidiar o debate e informar a população. É essencial oportunizar ao povo o poder de decidir sobre questões de interesse nacional. Joana D’Arc Almeida, presidente da CUT-CE
‘Escolas devem incorporar a ecologia dos saberes’, diz Muniz Sodré
Jornalista: sindicato
O sociólogo Muniz Sodré é um defensor da diversidade. Em suas obras, que orbitam pelos campos da comunicação, cultura, sociologia e educação, ele exalta a necessidade do reconhecimento das diferenças e de uma aproximação afetiva delas como forma de se caminhar para a aceitação da pluralidade e se valorizar o Outro (em letra maiúscula mesmo, para evidenciar a deferência). Formado em direito, com mestrado da sociologia da informação e doutorado em letras, Sodré é tido como um dos mais importantes intelectuais brasileiros. Ao transitar pelo ambiente acadêmico e o de saberes populares, ele faz o apreço ao diverso não ficar restrito apenas a sua produção científica.
Prova disso é que Sodré, ao mesmo tempo em que é professor emérito da UFRJ e já ocupou o cargo de presidente da Biblioteca Nacional, é também mestre de capoeira e tem o título de Obá de Xangô do Opô Afonjá, conferido a “protetores” de terreiro de cadomblé. Em 2012, ele publicou o livro Reinventando a educação: diversidade, colonização e redes, em que afirma: “A ideia do ‘saber único’ termina recalcando uma parte importante da realidade (…) seus efeitos são igualmente danosos no tocante à educação, porque o monismo cultural impede o pluralismo”.
Para o estudioso, a educação brasileira precisa ser reentendida, uma vez que ela foi concebida com base em saberes eurocêntricos, descartando o potencial intrínseco aos outros povos que constituem a diversidade do nosso país. Ele entende que a experiência que cada aluno traz deve ser valorizada e compreendida na formação do que chama de ecologia de saberes. Entrevista
Em entrevista ao Porvir, o intelectual falou da importância de os professores, figuras que considera cruciais na formação do indivíduo, mudarem de papel. Em vez de transmissores de conhecimento, eles devem assumir a função de tradutores das diversas linguagens do mundo – que são ainda mais vastas quando se considera que o conhecimento tem múltiplas origens. Falou também de tecnologia como um espaço ao qual estamos irremediavelmente ligados pela cultura digital. E criticou o currículo adotado pelas escolas, que acabam criando seres competitivos, e não necessariamente promovem a circulação de saberes. O senhor diz que o professor deve assumir o papel de iniciador nas linguagens do mundo. Como o professor se prepara para apresentar a seus alunos tantas linguagens, que podem ser novas inclusive para ele? A docência como uma iniciação a linguagens supõe uma pedagogia que não se define por inculcação de conteúdos, mas pelo acolhimento da diversidade. Cada linguagem é um modo de ser do conhecimento, que envolve cognição e ética. Isto vale para qualquer campo do saber, até mesmo os mais especializados. Para tanto, o iniciador-tutor-professor, qualquer que seja o nome, precisa de uma formação diferenciada e uma reciclagem permanente. Tudo isto supõe também um status especial para o docente. Como a lógica de diálogo com a tecnologia pode influenciar positivamente nos processos de aprendizagem? Tecnologia é a razão ou a linguagem da técnica. A consciência do homem contemporâneo é fortemente moldada não apenas pelos objetos técnicos de que dispõe, mas principalmente por um “coração” afinado com a ambiência tecnológica. Como toda aprendizagem começa a partir da ambiência (família, meio natural etc.), o diálogo educacional incluirá necessariamente os pressupostos tecnológicos do modo de existência. O que falta para as escolas e as famílias serem capazes de educar para o sensível e para a diversidade? Qual é a importância da aproximação com o outro e do reconhecimento da diferença na formação de cidadãos plenos? A separação (platônica) entre paideia (a cultura do logos) e paidia (jogo, a cultura do sensível) marca ainda hoje profundamente a educação ocidental. Mas é a própria tecnologia que põe em questão a pretensa superioridade lógica dos signos, das palavras (a ideia de cultura como o sério ou o sisudo), expondo a parte importante do sensível nas elaborações culturais. O conceito de cultura ecológica preconiza o dar-se as mãos às diferenças. O senhor costuma falar que a escolarização precisa se desprender da ideia de escola. Como fazer com o que é aprendido fora da escola também seja valorizado e convidado a entrar na sala de aula? Eu falo de desprendimento físico, de escola entendida como centro imóvel de transmissão de conhecimento e formação humana. Escola é, na verdade, uma forma moderna (assim como a democracia e o mercado são formas) da socialização do saber. Essa forma não deveria ser monológica, nem monocultural, e sim o processo de incorporação e diálogo com todos os saberes circulantes num grupo humano qualquer. Seria essa a ecologia dos saberes. Em suas falas, o senhor fala da necessidade da transformação de currículos e conteúdos. Quais são os conteúdos que precisam ser considerados e/ou valorizados no currículo brasileiro? Os currículos escolares são geralmente absurdos: um sem-fim de matérias que o estudante esquece tão logo ultrapassa as barreiras de acesso ao ensino superior. Todo esse absurdo destina-se a preparar o jovem para a competição do teste. O conhecimento acaba definindo-se pela capacidade de passar no teste. Aí não se avalia realmente o saber, mas a competitividade do indivíduo, como se estivesse no mercado. Fonte: Porvir