Conexões Globais: 'Exigimos meios de comunicação transparentes'
Jornalista: sindicato
O debate juntou no palco ativistas de diversos lugares do mundo com uma opinião em comum: a necessidade mundial de meios transparentes de comunicação.
O primeiro debate no último sábado (25/01) no Conexões Globais contou com a presença de Ahmet Ogut, ativista social Turco; Rodrigo Nunes, professor da PUC-RIO; Laura Citlali, ativista política mexicana e representante do movimento #YoSoy132; Yildiz Termurtukan, representante Turca do Comitê Internacional da Marcha Mundial das Mulheres e Alaa Talbi, coordenador do Fórum Social Mundial de 2013 na Tunísia.
O tema “Três anos de revoltas interconectadas – de Túnis ao Brasil” juntou no palco ativistas de diversos lugares do mundo com uma opinião em comum: a necessidade mundial de meios transparentes de comunicação. Desde 2011, com a Primavera Árabe iniciada em Túnis e sua repercussão virtual para o mundo inteiro, movimentos sociais de diferentes países encontram inúmeros pontos comuns em suas reinvidicações. No debate, ativistas da Tunísia e Turquia falaram sobre como a repressão policial e estatal nos protestos é assustadora.
Ahmet Ogud, representante importante na articulação do #OccupyGezi, assunto que desencadeou uma onda de protestos na Turquia, contou sobre os ataques policiais violentos aos manifestantes. “Houve uma forte repressão no parque Gezi, pessoas levaram tiros. Houve seis mortos e alguns com olhos amputados.”, disse Ogud. Na Tunísia, um jovem foi condenado a sete anos de prisão por ter contestado a religião muçulmana na internet.
Com a hashtag alcançando milhões de pessoas e com a adesão da população aos protestos, a situação na Turquia fez com que fossem criadas leis que banissem sites como Youtube e Vimeo. Nas palavras de Ahmet, “a mídia Turca transmitia documentários sobre Pinguins no lugar dos protestos. Os animais viraram símbolos na ruas.”
Laura Citlali, cicloativista, feminista e ativista política introduziu o projeto #YoSoy132. Com forte oposição ao Partido Revolucionário Institucional (PRI) e ao candidato Enrique Peña Nieto do México, o movimento criado por 131 alunos de uma faculdade particular. “As pessoas que não entendiam as passeatas que fazíamos ou não as aceitavam, nos chamavam de vagabundos. Afirmavam que não tinhamos nada de melhor a fazer. A opinião pública pesa muito no México, protestar gera má fama.”, disse Laura.
Com a repercussão enorme que a hashtag teve contra o governo e com o histórico de omissão midiática mexicana, a cobertura dos protestos foi inexistente. Laura declarou que a mídia foi paga para que não transmitisse ou publicasse nada referente às manifestações, ao mesmo tempo que policiais demandavam permissão para protestar e fechavam ruas.
Yildiz, ativista Turca da Marcha Mundial das Mulheres, também comentou sobre a omissão da mídia na Turquia. “A mídia não fala dos protestos, se cala. Temos um governo que se diz liberal, mas sua política é conservadora.” A ativista apontou ainda a importância que a internet tem ao conectar países e histórias e como essa ligação permitiu – por meio do Skype ou Facebook – que ela soubesse do cotidiano dos movimentos feministas e das mulheres de São Paulo.
Rodrigo Nunes, lembrando o uso da lista de email, explicou que o MPL (Movimento Passe Livre) se organizou por meio dela e destacou o uso tecnopolítico das redes sociais, “se organizar em rede é natural. ‘Rede’ e ‘rua’ se complementam.” O professor levantou a questão: “E a fase dois [das manifestações]? Sugiro três formas de organização: complementaridade tática e funcional dos protestos, direcionalidade dos assuntos (como os vinte centavos das passagens) e a ecologia de organizações com mediações institucionais. Para desmilitarizar a polícia, por exemplo, é necessária ajuda estatal.”, disse Nunes. Fonte: Carta Maior
Professor iraniano raspa cabelo em solidariedade a aluno que sofria bullying
Jornalista: sindicato
O professor iraniano Ali Mohammadian raspou o cabelo em solidariedade a um estudante doente
Ao perceber que um de seus alunos estava sofrendo ‘bullying’ por ter perdido os cabelos em decorrência de uma doença, o professor iraniano Ali Mohammadian decidiu raspar sua cabeça para mostrar solidariedade. Dentro de pouco tempo, todos os alunos da classe rasparam também seus cabelos e o bullying acabou. As informações são do jornal inglês “The Guardian”.
Em dezembro, o professor postou sua foto sem cabelo ao lado do aluno no Facebook, para mostrar apoio ao aluno Mahan Rahimi.
“Mahan ficou isolado depois de ficar careca, o sorriso desapareceu de seu rosto e eu fiquei preocupado com seu desempenho escolar. Foi por isso que decidi raspar minha cabeça para trazê-lo de volta ao normal”, disse o professor de 45 anos em entrevista ao “The Guardian”.
A postagem tornou-se popular entre os usuários da rede social no Irã e foi compartilhada centenas de vezes. Com a divulgação de seu ato, o professor, que dá aulas na cidade curda de Marivan, tornou-se um herói nacional. A mídia iraniana o procurou e o governo soube de sua atitude, logo o professor foi convidado pelo ministro da educação a uma visita a Teerã. Quando voltou da capital, outros 23 alunos tinham raspado seu cabelo também.
Com a repercussão, o governo ofereceu apoio financeiro para o tratamento médico do menino. Até o momento, os médicos iranianos ainda não descobriram qual é a doença no sistema imunológico que deixou Mahan careca. De acordo com o professor, algumas amostras foram enviadas para a Alemanha para um possível diagnóstico.
MEC distribuirá 85 mil acervos literários para 60 mil escolas
Jornalista: sindicato
Programa Nacional Biblioteca da Escola fornecerá 45 obras às escolas públicas com turmas do sexto ao nono ano do Ensino Fundamental e as três séries do Ensino Médio
As bibliotecas das escolas públicas com turmas do sexto ao nono ano do ensino fundamental e as três séries do ensino médio serão enriquecidas com acervos do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE temático). A primeira edição do PNBE temático compreende um acervo de 45 obras que abordam nove temas – campo, direitos humanos, educação especial, indígena, juventude, quilombola, relações étnico-raciais, sustentabilidade socioambiental e educação de jovens e adultos.
Concluída a avaliação pedagógica dos livros e divulgada a relação dos aprovados para constituir o acervo, o próximo passo é a produção dos livros, que é de responsabilidade das editoras. De acordo com a secretária de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do MEC, Macaé Evaristo, o Ministério da Educação encomendou 3,8 milhões de livros do PNBE temático.
Esses livros vão constituir 85 mil acervos com 45 títulos cada, que serão distribuídos a 60 mil escolas públicas. Escolas pequenas receberão um acervo e as maiores, dois a três. As bibliotecas escolares devem receber os livros neste ano, mas a data depende da agilidade da produção das editoras.
Sobre a importância desse conjunto de livros, a secretária explica que os temas tratados são essenciais na construção de uma sociedade mais justa e promotora da convivência democrática. Conhecer as peculiaridades das sociedades indígenas, quilombolas, do campo, que estão entre os temas dos livros, diz Macaé, contribui para formar cidadãos.
Lançado em 2012, o PNBE temático recebeu 1.019 inscrições de livros. A seleção e avaliação, realizadas em 2013, segundo Macaé, foram feitas por especialistas e pesquisadores, tendo por base as diretrizes curriculares nacionais aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE). As obras que compõem o acervo são fruto de pesquisa acadêmica e de cursos de formação e professores nos nove temas objeto do programa. O acervo, que tem cinco livros sobre cada tema, é destinado à pesquisa de educadores e estudantes das redes públicas de estados, Distrito Federal, municípios e de escolas federais. O conjunto não tem obra didática. Fonte: MEC
Projeto estimula uso do celular para integrar escola, aluno e comunidade
Jornalista: sindicato
Novas tecnologias são usadas como apoio às atividades educacionais
É comum pelas escolas do país que os estudantes sejam proibidos de utilizar o celular em sala de aula. Mas nos municípios de Caraguatatuba e São Vicente, em São Paulo, os professores seguiram o caminho contrário: no projeto Celular na Escola, os telefones e as redes sociais são utilizados como apoio às atividades escolares.
A iniciativa é da Fundação Vanzollini e teve o apoio das secretarias de Educação dos municípios para implantação em 15 escolas de São Vicente e 10 escolas de Caraguatatuba. Em ambas as cidades, somam-se quase 3 mil alunos e mais de 300 professores envolvidos nas ações, que com foco na sustentabilidade e nas questões ambientais, visam estimular a conscientização e integração dos estudantes à sua realidade social.
“São assuntos interessantes que interferem diretamente nas condições ambientais e, por tabela, na saúde e na qualidade de vida das pessoas envolvidas”, afirma a professora Ghisleine Trigo Silveira. Ela apresentou o projeto nesta terça-feira (28/1), em um dos painéis da Campus Party Brasil, em São Paulo. Como funciona
Os professores envolvidos no projeto recebem, ao longo do projeto, acesso a um curso online com sugestões de atividades para os alunos. Os celulares são utilizados para registro, comunicação e debate das descobertas dos alunos em pesquisas de campo, e os aprendizados são transformados em conteúdos, publicados em uma rede social exclusiva do projeto. O resultado esperado é um mapa colaborativo com informações sobre o município. Fonte: Agência Brasil
Brasil não deve cumprir meta contra o analfabetismo
Jornalista: sindicato
País tem 13,9 milhões de adultos que não leem, diz Unesco; até 2015, nenhuma proposta mundial será alcançada
Brasil tem 13,9 milhões de Analfabetos adultos, segundo levantamento feito entre 2005 e 2011 pela Unesco, no Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos, que será divulgado nesta quarta-feira (29).
O número é maior do que a população de São Paulo, 11,8 milhões, e de todo o Estado do Rio Grande do Sul, 11,1 milhões. O País está entre os dez que concentram a maior parte (72%, no total) do número de Analfabetos adultos do mundo, que é de 774 milhões, junto com Índia, China, Paquistão, Bangladesh, Nigéria, Etiópia e Egito. “Esse indicador mostra a parte, mas não o todo.
Além de ter uma herança de Analfabetos, o sistema educacional brasileiro tem produzido ainda mais Analfabetos”, afirma a pesquisadora em Educação da USP e doutora em Educação por Harvard, Paula Louzano. “Oito por cento das pessoas que têm Ensino médio completo podem ser consideradas analfabetos funcionais, segundo o último relatório do Inaf (Indicador de Analfabetismo Funcional).”
Para Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional Pelo Direito à Educação, o alto número de Analfabetos no País influencia as gerações seguintes. “Em uma família em que um membro é analfabeto, há um contexto menos favorável à educação dos filhos”, afirma.
No entanto, para Priscila Cruz, do Todos Pela Educação, resolver o problema do analfabetismo entre adultos não é tarefa fácil. “É preciso admitir que é uma área muito difícil de se conseguir resultados, pois não existe uma lei que obrigue o adulto a frequentar a Escola.” Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2012 mostram que, no segundo ano do governo Dilma Rousseff, a taxa de analfabetismo da população com 15 anos ou mais parou de cair e teve leve alta. Em 2011, era de 8,6%. Chegou a 8,7% em 2012, mais longe de cumprir a meta firmada na ONU de 6,7% até 2015.
Segundo a Declaração de Dacar “Educação para Todos”, elaborada pela Cúpula Mundial da Educação em 2000 e que campeões objetivos do Relatório da Unesco, os países deveriam reduzir o analfabetismo em pelo menos 50% até 2015. “O Brasil também não vai atingir essa meta”, afirma a coordenadora de Educação da Unesco no Brasil, Maria Rebeca Otero Gomes. Ela afirma que o País precisa observar se os recursos para a Educação estão de fato sendo bem empregados. “O Brasil precisa alcançar uma melhor qualidade de ensino e corrigir as distorções idade/série.”
Mundo. O cenário da Educação em todo o mundo até o ano que vem, quando expira o prazo estabelecido pela Convenção, não é positivo. Nenhuma das metas globais do documento será atingida até 2015, segundo o relatório. De acordo com os dados, 57 milhões de crianças estão deixando de aprender por não estarem na escola. E a falta de qualidade é o que mais compromete a aprendizagem. Análise: Relatório mostra o quanto estamos longe das metas
O Brasil é um dos 53 países que não atingiram e não estão perto de atingir, até 2015, todas as metas pactuadas em Dacar em 2000. O foco do relatório nos aspectos de qualidade mostra o quanto estamos longe delas.
A maior parte das crianças de até 5 anos está matriculada na educação infantil, mas isso não significa que elas estejam aprendendo, o que é necessário para enfrentar a vida escolar formal.
Mesmo com a matrícula quase universal no primeiro ciclo do ensino fundamental, o aprendizado é pífio e os alunos, principalmente os meninos, vão desistindo da escola a ponto de, na idade em que deveriam cursar o ensino médio, estarem fora dela ou não saberem quase nada do que é esperado.
Pelo menos não são Analfabetos como seus avós ou pais. Esse é um dos avanços que o Brasil conseguiu nos últimos anos, mas ainda fazemos parte do grupo de países que mais têm analfabetos. Fonte: Estadão
Para se consolidar como política efetiva, o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa precisa ir além da formação de professores e integrar ações de gestão
A sala que reúne 20 educadoras dos três primeiros anos do ensino fundamental da rede municipal de Porto Alegre concentra uma pequena amostra dos desafios a serem enfrentados pelo sistema educacional brasileiro para garantir a introdução das crianças no mundo das letras com a atenção e qualidade devidas. Ao longo do encontro, o sexto de uma série que faz parte do processo de formação de alfabetizadores do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic), as perguntas e comentários das professoras revelam questões que merecem reflexão dentro e, principalmente, fora das salas de aula. “É difícil fazer o planejamento integrando os três anos. Não temos tempo ou espaço para isso na escola”, diz uma alfabetizadora. “Quando propus algumas mudanças, a supervisão e a direção me cobraram que eu mostrasse onde, no material do Pacto, estava escrito que a gente devia fazer o que eu estava propondo. Acho que eles também precisam ser formados para a questão da alfabetização”, conta outra. “Não sei se vou dar conta de tudo que preciso fazer”, desabafa uma terceira.
Integração das equipes, sensibilização dos gestores e apoio ao trabalho dos educadores – necessidades expostas pelas falas dessas professoras – são apenas uma parte dos problemas a serem enfrentados quando o assunto é a alfabetização de crianças. A análise das ações mais recentes neste sentido, o que inclui o próprio Pnaic e a extensão do ensino fundamental para nove anos (leia na pág. 24), mostra que ainda é preciso tapar muitos buracos na base do processo da educação escolar.
Embora venham melhorando sensivelmente, os resultados do país no Programa Internacional para Avaliação de Estudantes (Pisa) e na Prova Brasil mostram que a maioria dos estudantes chega à metade e ao fim do ensino fundamental com pouca ou muito pouca proficiência em leitura e escrita. Os dados são o retrato do chamado efeito bola de neve: alunos na metade do percurso escolar lidando com dificuldades acumuladas desde os primeiros passos no caminho das letras e dos números.
O relato da professora gaúcha Giseli Silva mostra que esse problema já pode ser sentido durante o processo de alfabetização. Responsável por uma turma A30 – a nomenclatura usada pela rede municipal de Porto Alegre para o que seria o 3o ano do fundamental, desde que foi implementado o sistema de ciclos há 18 anos – na Escola Municipal Villa-Lobos, ela diz que uma das dificuldades de seu trabalho é lidar com alunos em diferentes estágios do processo de alfabetização dentro da mesma sala de aula. “Recebo crianças com níveis muito variados: algumas chegam aqui pré-silábicas ainda, com dificuldade de relacionar som com letra.”
Lançado no ano passado, com a adesão de praticamente 100% dos estados e municípios, o Pnaic apresenta-se como a política da vez para que as redes de ensino públicas melhorem seu desempenho nos anos iniciais do fundamental. A meta do Pacto é garantir que todas as crianças brasileiras estejam plenamente alfabetizadas até os 8 anos de idade. Para isso, foi criado um sistema de formação voltado para a qualificação dos alfabetizadores, o que inclui os professores do 1o, 2o e 3o anos. Eles recebem bolsas de incentivo à participação nos cursos, ministrados por orientadores capacitados por universidades parceiras e coordenados por um gestor designado pela Secretaria Municipal de Educação. O Pnaic oferece, ainda, materiais didáticos e paradidáticos específicos, que devem servir como apoio para que os alfabetizadores concretizem em sala as diretrizes pedagógicas e didáticas propostas pelo MEC. Contra a solidão
A organização e realização dos cursos é tarefa das secretarias municipais de Educação. Em Porto Alegre, as orientações integram os professores dos três anos envolvidos na tarefa da alfabetização. “É importante eles terem contato um com o trabalho do outro, afinal a ideia é que o processo de alfabetização se dá ao longo dos três anos, não é o trabalho isolado de uma professora”, comenta a educadora Carla Cardorello, orientadora do Pnaic e responsável por dois núcleos de formação, incluindo o grupo descrito no início da reportagem. Para as professoras, esses momentos são interessantes, mas não suficientes. “Aqui na escola, estamos até separados fisicamente: as salas dos A10 [1o ano] ficam num prédio à parte e os A20 [2o ano] e A30 [3o ano], noutro”, diz a professora Kátia Ribas, colega de Giseli na Villa-Lobos. “Nem os alunos convivem entre si, nem nós.”
“O professor, em geral, é muito solitário”, diz Antonio Augusto Gomes Batista, coordenador de pesquisas do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). Essa solidão acaba se expressando em dificuldades para inovar práticas de sala de aula. Batista chama a atenção para o que poderia ser feito para além da formação – proposta central do Pnaic e uma oportunidade para aproximar os educadores e proporcionar novas reflexões. “As boas experiências de formação são aquelas que vêm acompanhadas de tutorias, para que o professor possa, a partir de uma base estruturada, ter mais autonomia para desenvolver as atividades”, diz. A demanda das professoras de Porto Alegre sobre o envolvimento dos supervisores com o Pnaic faz, portanto, sentido.
Outro elemento importante seria ter materiais didáticos propositivos, que pudessem guiar os educadores na criação dos projetos e atividades. E um terceiro elo desta rede de apoio ao professor seria o monitoramento. Remetendo ao Programa Alfabetização na Idade Certa (Paic), experiência do Ceará que inspirou o desenho do Pnaic (leia mais na pág. 27), ele cita o “sistema de pilotagem” implementado, com coordenadores locais voltados especificamente para o acompanhamento do trabalho dos alfabetizadores. Além de apoio direto ao professor, um sistema desse tipo permite o acompanhamento permanente do programa. “A avaliação só é boa se ela fornece elementos para correção de caminhos”, ressalta Batista.
A proposta do MEC para o acompanhamento dos resultados do Pnaic é a criação da Avaliação Nacional da Alfabetização. A realização de um teste de desempenho suscitou críticas por colocar pressão sobre as crianças, no momento da aplicação, e sobre os educadores, que se sentiriam pressionados a apresentar bons resultados, o que poderia desviar o foco do processo para a prova. “Os professores demonstram estar muito preocupados com os objetivos traçados”, ressalta Márcia Aparecida Jacomini, professora de educação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Esse tipo de avaliação também pode ajudar a “apagar” variáveis que influenciam o processo de alfabetização, mas que vão além da sala de aula. Além do quadro-negro
“A maior demanda que as professoras trazem para nossos encontros de orientação é como trabalhar com a inclusão, realidade cada vez mais forte na rede pública”, conta a orientadora do Pnaic, Carla. Em outras palavras, as alfabetizadoras demonstram a necessidade de receber apoio para lidar com a diversidade de perfis de alunos que encontram em sala de aula. “Elas têm de alfabetizar – e na idade certa – crianças com deficiência e em situação de vulnerabilidade social”, diz. Isso indica a necessidade de reforçar a articulação entre atores externos à escola: das redes de saúde e assistência social às famílias.
“Não é à toa que essas questões aparecem. O que foge ao alcance da escola gera muita angústia no corpo escolar”, diz Maria do Socorro Nunes Macedo, professora da Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ) e coordenadora do Grupo de Trabalho de Alfabetização, Leitura e Escrita da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped). Ela lembra a pressão exercida pelas avaliações, que exigem bom desempenho da escola e do professor, mas desconsideram questões relacionadas à desigualdade social e acesso a bens simbólicos, problemas com os quais o Poder Público deveria lidar. “A cultura escrita é um bem simbólico fundamental para que a criança tenha um bom desempenho na escola, especialmente no processo de alfabetização”, lembra.
Maria do Socorro diz que o Pnaic, sendo a primeira política pública articulada nacionalmente para enfrentar as dificuldades de alfabetização, tem justamente como ponto forte retirar a culpa pelo fracasso escolar de cima do aluno e de suas condições não ideais. No entanto, ao centralizar a questão no professor e no seu trabalho, exclui outras variáveis que também precisam ser consideradas pelas políticas públicas para que se possa alfabetizar mais crianças com qualidade e dentro do tempo esperado.
Márcia lembra ainda que as políticas públicas precisam garantir a existência de uma escola que não se furte em lidar com as suas próprias limitações e alfabetizar na idade certa e fora dela. “Se algumas crianças não se alfabetizarem até os 8 anos, teremos de ter uma escola capaz de alfabetizar aos 9, aos 10, quando for”, diz ela.
Plataforma do letramento
Lançada este ano, a Plataforma do Letramento reúne diversos materiais de apoio a professores, gestores e outros profissionais envolvidos no processo de alfabetização e desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita dos alunos.
Na página é possível encontrar entrevistas, reportagens, artigos de especialistas, publicações, indicações de leituras, vídeos, infográficos e outros recursos didáticos sobre o tema.
O site conta ainda com discussões, debates e oficinas on-line e de acesso livre para os educadores no seu processo de formulação e planejamento das ações.
Além das discussões pedagógicas, a página debate políticas públicas de letramento e formação de leitores, as expressões culturais relacionadas à leitura e escrita e as novas práticas da cultura digital.
A plataforma, que é uma iniciativa da Fundação Volkswagen com o Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), também funciona como espaço para a realização dos cursos a distância dos projetos desenvolvidos pelos institutos.
Consulte: www.plataformadoletramento.org.br/
Esquerda se articula para tirar CDH das mãos de Feliciano
Jornalista: sindicato
Às vésperas do início do novo período legislativo, parlamentares comprometidos com os direitos humanos dão início às articulações para a retomada do controle da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara que, há um ano, desde que passou a ser presidida pelo deputado e pastor Marcos Feliciano (PSC-SP), inverteu seu papel histórico e passou a se constituir o principal palco de destilação de ódio homofóbico do Congresso.
“A CDH hoje está sequestrada por um projeto de poder, de caráter obscurantista e fascista, que quer acabar com a laicidade do Estado e considera alguns seres humanos superiores a outros. É uma comissão muito importante para o Congresso Nacional e para a sociedade brasileira. Por isso, precisamos tirá-la das garras do fundamentalismo a que está hoje submetida”, afirma a deputada Erika Kokay (PT-DF), que já aparece em campanhas nas redes sociais como candidata à presidência da CDH.
Segundo ela, são campanhas espontâneas e o nome do candidato a ser apoiado pelo PT ainda não está definido. “Nós, os deputados do Núcleo de Direitos Humanos do PT, estamos cientes da necessidade de retomarmos a presidência da Comissão, mas não consideramos que precisa ser, necessariamente, com alguém do partido na presidência: o importante é que a comissão volte a cumprir o papel para o qual foi criada”, afirma ela.
Kokay afirma que os deputados petistas já marcaram uma reunião para discutir o tema para 3 de fevereiro, logo após a retomada dos trabalhos na Câmara. “Como o PT tem direito a três comissões na Casa, nós vamos pleitear que a segunda opção seja a de direitos humanos, mesmo que a presidência fique nas mãos de outro partido”, afirma. A primeira opção, historicamente, tem sido pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), considerada uma das mais importantes.
A deputada lembra que, mesmo em face das inúmeras violações cometidas contra os direitos humanos de mulheres, gays, lésbicas, crianças, negros e índios no ano passado, a CDH manteve uma atividade completamente alheia. “Nós queremos que o fiasco de 2013 fique na história, para que nos lembremos sempre o risco que a nossa democracia corre em mãos fascistas. Como dizia Nelson Rodrigues, o absurdo está perdendo a modéstia”, acrescenta.
Kokay afirma também que, tão logo a comissão seja retomada, os parlamentares pretendem dissolver a Frente Parlamentar criada em 2013 para manter viva e unificada a luta pelos direitos humanos. “A Frente foi a opção que encontramos para manter a luta e fazer frente à atuação fundamentalista da atual presidência da CDH”, esclarece.
MEC lança edital para selecionar obras sobre temática indígena
Jornalista: sindicato
O Ministério da Educação lançou nesta segunda-feira edital para seleção e aquisição de obras de literatura sobre a temática indígena para estudantes e professores da educação infantil, anos iniciais do ensino fundamental e magistério. As obras serão destinadas às escolas públicas federais, estaduais, municipais e do Distrito Federal.
O edital, publicado na edição de hoje do Diário Oficial da União, convoca editores para o processo de inscrição e seleção de obras literárias sobre a temática indígena que, divulguem e valorizem a diversidade sociocultural dos povos indígenas brasileiros, além da contribuição deles no processo histórico de formação da sociedade.
Serão aceitas para participar do processo de aquisição obras de literatura de autores indígenas e não indígenas que estimulem a ruptura de estereótipos sobre as histórias, culturas e identidades, em uma abordagem positiva de pluralidade cultural indígena e da afirmação de direitos culturais diferenciados dos povos indígenas. O cadastramento de editores e pré-inscrição das obras pode ser feito até as 18h do dia 19 de abril. A inscrição/entrega das obras e da documentação vai de 6 a 8 de maio das 8h30 às 16h30. A íntegra do edital está na página do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). As obras são para o Programa Nacional Biblioteca da Escola-PNBE Indígena 2015.
Dilma aponta a educação como estratégia para erradicar a miséria
Jornalista: sindicato
A presidenta Dilma Rousseff destacou nesta sexta-feira, 24, em Davos (Suíça), que a educação cumprirá dupla função estratégica ao contribuir para erradicar a miséria e alicerçar o crescimento econômico do país. Dilma discursou pela manhã na sessão plenária do Fórum Econômico Mundial 2014 e observou que a política educacional brasileira prioriza a inclusão e a qualidade.
“A educação, cada vez mais, cumprirá no Brasil uma dupla função”, afirmou. “Por um lado, moldar uma nação democrática, garantindo a perenidade da erradicação da miséria e da pobreza e que o Brasil não volte atrás em relação à desigualdade. Por outro, alicerçar o crescimento, na tecnologia e na inovação, forjando a economia do conhecimento. Esses dois papéis são estratégicos para o país”, destacou.
A presidenta disse ainda que o objetivo do governo federal é criar uma geração de jovens técnicos, pesquisadores e cientistas, e para isso o Brasil está “promovendo a maior expansão da rede federal de educação superior e tecnológica de nossa história, na rede pública”.
Dilma elencou outros programas federais de inclusão e acesso de jovens à educação superior, como o Programa Universidade para Todos (ProUni), o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Além do Ciência sem Fronteiras, que oferece aos jovens a oportunidade de estudar nas melhores universidades do mundo.
O Programa Nacional de acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) também foi destaque na fala da presidenta. “Nós implantamos um amplo programa de ensino técnico. Em pouco mais de dois anos, para se ter uma ideia, nos ultrapassamos a marca de cinco milhões de matrículas.”
A presidenta completou que a decisão histórica de destinar 75% dos royalties do petróleo, no pré e no pós-sal, e 50% do fundo social do pré-sal, para a educação, vai permitir que o País avance ainda mais na política educacional. “Nós vamos transformar a riqueza finita do petróleo em um patrimônio perene para a nossa população, a educação. Essa alquimia, que é transformar petróleo em conhecimento, beneficiará nossa estrutura produtiva. Trabalhadores bem formados, gerando maior produtividade na economia, conseguem aplicar conhecimento e inovação. E, repito, gera maior produtividade. ”
(Do MEC)