Violência contra mulher está em todas classes sociais, diz professor

Evento discute a colaboração dos homens para o fim da violência

A violência contra as mulheres não é um problema só delas, mas uma questão social, de direitos humanos e de saúde pública. Não é exclusividade do Brasil, está presente em países ricos e pobres e em todas as classes sociais e religiões. O alerta foi feito pelo professor-doutor em Saúde Coletiva e coordenador-adjunto do Centro Latino-Americano de Sexualidade e Direitos Humanos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Marcos Nascimento, que foi o palestrante convidado desta quinta-feira (5) do projeto Quintas Femininas.
Para combater o problema, o pesquisador defendeu a participação efetiva dos homens e o investimento em educação, com a abordagem do tema nas escolas.
“É preciso pensar a relação entre masculinidade e violência. Mostrar-se agressivo e violento é aprendido na mais tenra infância. Na idade adulta, essa violência acaba sendo usada para a solução de conflitos. Por isso acredito na educação. Se quisermos transformar a realidade, tem que ser pela educação”, afirmou Nascimento, depois de lembrar que os homens são maioria da população carcerária e os que mais matam e morrem por causa da violência.
A palestra desta quinta-feira foi realizada para marcar o Dia do Laço Branco, criado há 24 anos no Canadá, depois que o jovem Marc Lepine, de 25 anos, entrou armado numa sala de aula de uma escola de Montreal, mandou que os homens saíssem e atirou contra as alunas e a professora, sob a alegação de que odiava feministas.
Marc suicidou-se logo em seguida e deixou uma carta com uma lista de 19 feministas que ele pretendia matar. Desde então, homens canadenses lançaram a campanha para mostrar ao mundo que, apesar de existirem aqueles que agridem mulheres, há também os que repudiam e não se calam diante da violência. O movimento ganhou o mundo e está presente hoje em mais de 50 países, inclusive no Brasil.

Espaço para elas

O Quintas Femininas é uma iniciativa da Procuradoria Especial da Mulher do Senado Federal e da Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados.
Criado no fim de outubro, o projeto traz todos os meses um convidado para falar de temas diversos relacionados com os direitos das mulheres e o papel delas na sociedade. A aplicação da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) foi o tema da primeira palestra, realizada em 31 de outubro. O programa já debateu também a violência e o preconceito contra as mulheres negras.
Agência Senado

Todos pela Educação lança portal para monitorar PNE

Objetivo é acompanhar andamento do plano e ajudar professores e sociedade a cobrar o estabelecido nas metas
O movimento Todos pela Educação lançou na última quarta-feira (4) o portal Observatório do PNE (Plano Nacional da Educação) com objetivo de acompanhar o andamento do plano, aprovado na quarta-feira (27) na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado.  O projeto de lei que institui o programa (Lei 103/2012), segue para votação em plenário em regime de urgência.
O PNE estabelece 20 metas para a educação, que contemplam desde a infantil até a formação continuada de professores e ampliação do investimento público no setor de forma a chegar a 10% do PIB (Produto Interno Bruto) do País no final dos dez anos do programa.
O observatório nasceu, segundo Alejandra Meraz Velasco, gerente da área técnica do Todos pela Educação, da constatação de que o PNE anterior, que regeu o período 2000-2010, teve apenas 20% das metas cumpridas.
— O observatório nasce com a ideia de manter vivo o PNE. Que ele seja uma ferramenta de gestão, referência para os gestores públicos e para que a sociedade civil possa cobrar o andamento desse plano.
O portal vai concentrar indicadores, análises de especialistas e estudos sobre cada um dos 20 temas do PNE, e reunir programas de governo que são mais relevantes para o alcance das metas.
Todos os 20 temas estão disponíveis para acesso no portal, com detalhamento sobre a implantação e análises de especialistas sobre cada um dos temas.
Alejandra explica que os indicadores serão de fácil visualização e poderão ser desmembrados, de forma a permitir observar a situação em subpopulações diferentes – a partir da etnia, condição social etc.
A gerente lembra que o País está a 1.068 dias sem o PNE, uma vez que o anterior venceu em 2010 e o atual ainda está em tramitação. Como o texto foi modificado no Senado, o texto deve voltar à Câmara dos Deputados.
Na avaliação do Todos pela Educação, o PNE a ser aprovado passa pelos pontos principais da educação no País, mas que ainda deixa arestas.
— A gente acredita que o plano, embora não seja perfeito, vai dar foco, colocar metas […] A gente pede que [a definição sobre] a educação em tempo integral seja mais específico. Não é mais tempo na escola somente. É tempo na escola se expondo ao aprendizado.
A meta 6 define as diretrizes para a educação em tempo integral. Ela se desdobra em ampliação do tempo, construção de escolas, recursos (infraestrutura e equipamentos, material didático e formação), articulação no território, parcerias com entidades privadas, parcerias ong-escolas, diversidade local e tempo integral para pessoas com necessidades especiais.
Alejandra ressalta ainda que a meta 7, que  rege sobre aprendizado adequado com fluxo adequado, se limita a analisar a qualidade do modelo educacional pelo Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Para o Todos pela Educação, é necessário incluir outros instrumentos de avaliação.
— A meta 7, que fala sobre qualidade, limita essa descrição de qualidade às metas do Ideb. É uma questão que a gente também vai acompanhar. As metas do Ideb foram compactuadas com cada Estado da  Federação, e são muito importantes para dar objetividade ao debate. Mas é um indicador com limitações.
O Ideb é composto pelo desempenho do estudante nas disciplinas de portugues e matemática, além de um indicador de rendimento. Para Alejandra, o resumo feito pelo indicador é limitado.
 
 
 

No ritmo atual, Brasil precisará de 25 anos para alcançar média da OCDE

Com um ritmo de evolução de 1,2 pontos por ano no desempenho dos alunos no exame de leitura, o Brasil demoraria mais de 71 anos para alcançar os 496 pontos da média da OCDE na área

Se mantiver o mesmo ritmo de progresso em educação, o Brasil levará, ao menos, 25 anos para alcançar o desempenho médio dos alunos de países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). É isso que mostra o relatório do Pisa 2012 (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), divulgado na terça-feira (3).
A situação é pior em leitura. Com um ritmo de evolução de 1,2 pontos por ano no desempenho dos alunos no exame de leitura, o Brasil demoraria mais de 71 anos para alcançar os 496 pontos da média da OCDE –hoje a média brasileira é de 410 pontos.
Para vencer a diferença de 96 pontos entre a média brasileira (405) e o desempenho dos países da OCDE em ciências (501), o Brasil precisaria manter por mais 41 anos a evolução de 2,3 ponto por ano no exame.
Salto qualitativo
“Mais preocupante do que a colocação do país em um ranking é a distância entre o desempenho dos alunos brasileiros e dos de países desenvolvidos. Esse resultado indica que o país como um todo vai ter de dar um salto qualitativo e não simplesmente fazer ações pontuais”, enfatiza José Carlos Rothen, professor do departamento de educação da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos).
Para esse salto qualitativo, o país precisa superar problemas como a formação dos professores, a qualidade das escolas, o estabelecimento de currículos adequados para cada fase escolar e a criação de uma carreira docente atrativa.
O relatório aponta como desafio para o país reduzir a alta taxa de evasão de alunos que deixam as escolas por considerarem o currículo pouco atrativo, por terem de trabalhar ou pelo excesso de repetência. Em 2012, 36% dos brasileiros que fizeram o Pisa afirmaram ter repetido ao menos um ano em sua vida escolar.
“Temos que atuar principalmente com aqueles que têm maior vulnerabilidade social. Há uma necessidade de criar planos para atingir essas escolas e levar a elas bons professores, bem formados”, pontua Rothen.
Inclusão de alunos

O relatório da OCDE aponta o progresso do Brasil na inclusão de jovens na escola como uma possível explicação para o baixo desempenho dos estudantes.
Segundo o documento, em 2003, 65% dos jovens de 15 anos estavam na escola, a taxa passou para 78% em 2012. Parte desses novos estudantes são de comunidades rurais ou de grupos sociais vulneráveis, o que muda consideravelmente o grupo de alunos que fizeram o exame em 2003 e em 2012.
“A questão da inclusão e da qualidade nem sempre andam juntas. Ainda estamos trabalhando com essa dívida histórica de colocar as crianças nas escolas e isso reflete nos resultados”, explica Eduardo Deschamps, secretário de Educação de Santa Catarina e vice-presidente do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação).
“O país começa agora a dar atenção para a alfabetização com qualidade. Isso ainda vai ter reflexo [negativo] por muitos anos no desempenho dos alunos”, considera Deschamps.
O que é o Pisa

O Pisa busca medir o conhecimento e a habilidade em leitura, matemática e ciências de estudantes com 15 anos de idade tanto de países membro da OCDE como de países parceiros. O exame foi aplicado em 570 mil alunos em 2012.
Figuram entre os países membros da OCDE Alemanha, Grécia, Chile, Coreia do Sul, México, Holanda e Polônia. Países como Argentina, Brasil, China, Peru, Qatar e Sérvia aparecem como parceiros e também fazem parte da avaliação.
A avaliação já foi aplicada nos anos de 2000, 2003, 2006 e 2009. Os dados divulgados foram baseados em avaliações feitas em 2012.
Evento reúne especialistas para debater resultados do Pisa
Um evento vai reunir na sexta-feira (6) especialistas da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), da FGV Projetos e representantes dos setores público, privado e acadêmico para analisar os resultados do Pisa 2012 (Programa de Avaliação de Sistemas Educativos).
O Pisa busca medir o conhecimento e a habilidade em leitura, matemática e ciências de estudantes com 15 anos de idade tanto de países membro da OCDE como de países parceiros. O exame foi aplicado a 510 mil alunos.
No encontro de sexta, os convidados devem debater o desempenho mundial e brasileiro, além de fazer uma análise dos dados. O encontro contará com a presença de Andreas Schleicher, vice-diretor de educação e assessor especial de política do secretário-geral da OCDE.
O debate é aberto ao público e acontece das 8h30 às 10h30 na FGV Projetos de São Paulo – na avenida Paulista, 1294, 15º andar.
Resultados
Segundo os dados divulgados nesta terça-feira (3), a cidade chinesa de Xangai apresenta os melhores desempenhos em matemática (613 pontos), leitura (570 pontos) e ciências (580 pontos) dentre as 65 economias avaliadas pela OCDE.
Com 410 pontos, o Brasil ficou com a 55ª posição do ranking de leitura, quase 90 pontos abaixo da média da OCDE (496). O Brasil tem o desempenho pior que o de países como Chile, Uruguai, Romênia e Tailândia.
Em matemática os brasileiros atingiram 391 pontos –a média da OCDE é de 494 pontos. Em ciências, o Brasil registrou 405 pontos –a média dos países de OCDE nessa disciplina foi de 501 pontos.
 Todos Pela Educação
 

Brasil fica em 3º lugar nos Jogos Mundiais Escolares; Rússia vence

Com a maior delegação do torneio, o Brasil teve o melhor desempenho de sua história, com 19 ouros; a liderança foi da Rússia com 37 ouros

Após seis dias de competições, o 15º Jogos Mundiais Escolares, Gymnasiade, terminou na noite de terça-feira. A cerimônia de encerramento ocorreu no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, na capital federal, e teve apresentações de street dance, além da exibição de um vídeo com os melhores momentos dos jogos. A Gymnasiade reuniu mais de 1,7 mil participantes, entre 14 anos e 17 anos, oriundos de 35 países nas modalidades de atletismo, ginástica aeróbica, artística e rítmica, natação, judô, karatê e xadrez.
Com a maior delegação do torneio, com 210 participantes, o Brasil teve o melhor desempenho de sua história, ficando em terceiro lugar no quadro de medalha. Foram conquistados 19 ouros, 28 pratas e 22 bronzes. A liderança foi da Rússia com 37 ouros.
Esta foi a primeira vez que uma cidade da América Latina sediou o torneio. Para o secretário de Esporte do Distrito Federal, Julio Ribeiro, o evento esportivo foi um importante incentivo para a educação e formação de atletas para as Olimpíadas do Rio, em 2016, e um sucesso tanto na parte esportiva como na organização. De acordo com ele, Brasília superou todas as expectativas. “A Gymnasoade deste ano foi uma preparação para a Universíade, daqui a 6 anos. Nós provamos que Brasília tem capacidade para sediar qualquer evento esportivo mundial”, disse.
Natural da Lituânia, mas competindo pela Inglaterra, a nadadora Ruta Meilutyté foi o principal nome da competição. Apesar da pouca idade, a atleta de 16 anos já tem um pódio olímpico em sua carreira. Ela conquistou a medalha de ouro nos Jogos de Londres, na prova dos 100 metros peito, e se tornou a mais jovem nadadora a conquistar uma medalha olímpica na especialidade. No total, a atleta levou três medalhas de ouro e ainda quebrou o recorde da Gymnasiade em todas as provas que disputou.
 Portal Terra

Dilma assina decreto que regulamenta aposentadoria de deficientes

A presidente Dilma Rousseff assinou nesta terça-feira (3) decreto que regulamenta aposentadoria a deficientes de diferentes gravidades. A medida assegura algo que já estava em vigor: que deficientes filiados à Previdência Social tenham aposentadoria especial.
O beneficiário com deficiência grave poderá requerer aposentadoria a partir dos 25 anos de contribuição, quando homem, e a partir dos 20 anos de contribuição, quando mulher. Com deficiência moderada, o tempo será de 29 e 24 anos para homens e mulheres, respectivamente. E, para aqueles com deficiência leve, de 33 e 28 anos, para homens e mulheres.
Para receber a aposentadoria, além de estarem na condição de deficientes no momento da requisição do benefício, necessitam de ter contribuído para o INSS por pelo menos 15 anos concomitante com a deficiência.
“As condições para o exercício ao direito à aposentadoria serão feitos a partir de uma avaliação funcional (…). Nessa avaliação, não será só considerado se a deficiência é grave, média ou leve, mas será considerado (…) o meio em que trabalha a pessoa. Afinal de contas, é diferente um cadeirante que trabalha numa grande empresa ou num ministério (…) de um cadeirante que mora lá no Morro do Alemão no Rio e ao mesmo tempo tem que sair de lá e ir trabalhar lá no centro da cidade ou no Leblon”, disse a presidente.
Folha

Apesar de avanços na educação, Brasil ocupa baixa posição no Pisa

A pesquisa mede o desempenho dos estudantes em três áreas do conhecimento – leitura, matemática e ciências; país caiu da 54ª posição, em 2009, para 58ª, em 2012
 
Apesar de ter conseguido uma evolução significativa nos itens avaliados pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), o Brasil ainda está nas posições mais baixas do ranking. Entre os 65 países comparados, o Brasil ficou em 58º lugar. No entanto, desde 2003, o Brasil conseguiu os maiores ganhos na performance em matemática, saindo dos 356 pontos naquele ano e chegando aos 391 pontos em 2012, segundo os dados divulgados nesta terça-feira (3).
A avaliação, feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), é aplicada a jovens de 15 anos a cada três anos. A pesquisa mede o desempenho dos estudantes em três áreas do conhecimento – leitura, matemática e ciências. Em 2009, o Brasil ficou na 54ª posição no ranking.
Entre os pontos destacados em relação ao Brasil também está o aumento percentual de estudantes matriculados. De acordo com o estudo, em 2003, 65% dos jovens com 15 anos frequentavam a escola. Em 2012, o país conseguiu matricular 78% dos adolescentes nessa faixa etária.
“Não só a maioria dos estudantes brasileiros melhorou o desempenho, mas também o Brasil aumentou a taxa de matrículas nas escolas primárias e secundárias”, informa o relatório. Segundo o texto, as taxas de escolaridade para jovens de 15 anos aumentaram de 65% em 2003 para 78% em 2012. “Muitos dos alunos que agora estão incluídos no sistema escolar vêm de comunidades rurais ou famílias socioeconomicamente desfavorecidas, de modo que a população de alunos que participaram na avaliação do Pisa 2012 é muito diferente da de 2003”, destaca o documento .
Mesmo com a evolução dos alunos em relação à matemática, o Brasil ainda está abaixo da média da OCDE, ficando no patamar de países como a Albania, Jordânia, Argentina e Tunísia. Comparando com a América Latina, a performance brasileira está abaixo do Chile, México, Uruguai e da Costa Rica. Porém, o país se saiu melhor do que a Colômbia e o Peru. A pesquisa ressalta que metade dos ganhos obtidos pelo Brasil em matemática se deve ao desenvolvimento econômico, social e cultural dos estudantes.
Apesar dos avanços, o Pisa mostra que há desafios em relação ao aprendizado de matemática. Na área, são seis os níveis de proficiência, sendo que o sexto nível é atingido apenas por 4,2% dos estudantes dos países que participaram do exame. A média brasileira atinge apenas o nível 1. Em um gráfico mais detalhado é possível observar que pouco mais de 60% dos estudantes brasileiros que participaram do exame estão no nível 1 ou abaixo dele. Pouco mais de 20% atingiram o nível 2. A porcentagem de estudantes que atingiu os níveis de 3 a 6 não chega a 20%.
Em leitura, o Brasil subiu de 396 pontos em 2000 para 410 pontos em 2012, colocando o país no mesmo patamar da Colômbia, da Tunísia e do Uruguai, abaixo da média da OCDE. Na América Latina, os estudantes brasileiros tiveram performance inferior aos colegas chilenos, costa-riquenhos e mexicanos. Mas, se saíram melhor do que os argentinos e peruanos. O estudo atribui a evolução do Brasil nesse item somente aos avanços econômicos e sociais no período.
A pesquisa mostra que 49,2% dos estudantes brasileiros conseguem, no máximo entender, a ideia geral de um texto que trate de um tema familiar ou fazer uma conexão simples entre as informações lidas e o conhecimento cotidiano. Apenas um em cada duzentos alunos atinge o nível máximo de leitura. Ou seja, cerca 0,5% dos jovens são capazes de compreender um texto desconhecido tanto na forma quanto no conteúdo e fazer uma análise elaborada a respeito.
Em ciências, o desempenho brasileiro também ficou abaixo da média, no nível da Argentina, Colômbia, Jordânia e Tunísia. O Brasil ficou, nesse item, atrás do Chile, da Costa Rica, do Uruguai e do México, mas à frente do Peru. Desde 2006, a performance brasileira saiu dos 390 pontos e chegou aos 405 em 2012. O estudo mostra que cerca da metade dessa evolução deve ser atribuída a mudanças demográficas e socioeconômicas da população.
 
Agência Brasil
 

IBGE: 80% das crianças de até 3 anos não frequentavam creche em 2012

De cada dez crianças de até 3 anos de idade, aproximadamente oito não frequentavam creche ou escola em 2012. Os dados divulgados nesta sexta-feira (29) pela Síntese de Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entretanto, mostra que a taxa de escolarização das crianças nesta faixa etária quase dobrou, entre 2002 e 2012, ao passar de 11,7% para 21,2%.
O estudo mostra também que as desigualdades continuam altas em relação ao acesso à educação infantil. Em 2012, a proporção de crianças com idade entre 2 e 3 anos que frequentavam creche era quase o triplo para o quinto da população mais rica (63%) em relação ao quinto mais pobre (21,9%) da distribuição de rendimento mensal familiar per capita. Em 2002, a razão era 4,1 vezes maior: 48,6% e 12%.
Na faixa etária de 4 a 5 anos de idade, a taxa subiu de 56,7% para 78,2%, em dez anos, embora, na área rural, uma em cada três crianças na faixa etária não frequentasse escola no ano passado. Entretanto, as desigualdades de acesso por renda familiar para as crianças do segmento etário são ainda maiores: 92,5% das crianças dos 20% “mais ricos” tinham acesso à escola, ante 71,2% das crianças que são filhas dos 20% “mais pobres”.
O estudo destaca também que no âmbito da educação houve aumento na proporção de jovens entre 18 e 24 anos que estavam na universidade em dez anos, que passou de 9,8% em 2002 para 15,1% em 2012. Já a desigualdade por cor ou raça continua: enquanto 66,6% do total de estudantes brancos de 18 a 24 anos frequentavam o ensino superior, 37,4% dos estudantes pretos ou pardos cursavam o mesmo nível.
Agência Brasil

Artigo – Exame mostra que é preciso democratizar o ensino médio

A publicidade dos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2012 pelo MEC, mais uma vez, enseja debates sobre a pertinência e relevância de tal prática. Quanto à pertinência, o primeiro questionamento é sobre a elaboração de rankings, porque não seria esta a principal atribuição de um exame. Contudo, a consolidação do Enem como vestibular nacional, ainda que um processo inconcluso, inexoravelmente faz realçar sua natureza classificatória para hierarquizar candidatos e, consequentemente, suas escolas.
Isso destacaria como objetivo central da escola de ensino médio a preparação para a disputa em torno de alguns cursos na educação superior, posição sustentada muitas vezes em nome do mérito. O impacto dessa posição estaria na organização do currículo em torno das matrizes do Enem e na disseminação da disputa entre os alunos em detrimento de outras alternativas.
No que tange à relevância, apesar dos aperfeiçoamentos na difusão de informações pedagógicas, os dados, por um lado, confirmam o abismo que existe entre as escolas públicas da imensa maioria dos alunos – 87% das matrículas – e as privadas. Por outro lado, paradoxalmente, esta é uma verdade na média, pois, quando estudamos a distribuição das notas das escolas, mais da metade das escolas privadas tem um desempenho médio abaixo de 560 pontos, o que corresponde ao desempenho de até 98% das escolas públicas. Ou seja, no afã de propalar a superioridade de um tipo de escola, esconde-se que isso é só meia verdade.
O que nos leva a ponderar que, se o Enem não democratiza o acesso à educação superior, este exame revela a necessidade de se democratizar o ensino médio, compreendendo esta tarefa com a da elevação dos patamares de aprendizagem de nossa juventude, em várias dimensões.
Ocimar Alavarse, professor da Faculdade de Educação da USP – O Estado de S.Paulo
 
Estadão
 

Estudantes querem falar e também ser escutados

Para educadores Alexandre Le Voci Sayad e Gilda Portugal Gouvêa, estudantes são pouco ouvidos

Uma pergunta raríssima foi feita pelo Centro Ruth Cardoso para estudantes durante a primeira edição do Festival Educação, encerrada em novembro: o que você faria pela melhora do ensino e da sua escola?
As mais de 400 ideias analisadas por uma comissão levaram a uma relevante conclusão: nas 9 escolas participantes, programas ligados à expressão do aluno (artes ou comunicação) predominaram. Junto com essas, estão aquelas ligadas ao esporte, leitura, escolha de profissão e melhora de estrutura física da escola.
Não foram as mais originais, pois apareceram aos montes, mas denotaram uma questão comum: a escola parece ainda fechar ouvidos e canais de expressão aos seus estudantes. Não sem motivo, essas ideias recorrentes foram chamadas de “gritos” pela organização do festival e tiveram atenção especial.
O “ecossistema de comunicação” de uma instituição, que é como o educador Jesus Martin-Barbero costuma definir o fluxo de comunicação e poder, ainda é domínio de adultos na escola. Professores reclamam historicamente da remuneração, funcionários clamam por melhoras na estrutura de trabalho e os diretores são frequentemente questionados sobre sua capacidade de gestão. Mas e o estudante? O que ele pensa sobre isso? Com que escola ele sonha?
O aluno, principal beneficiário e interessado, para qual todo o sistema foi estruturado, costuma passar longe desse rodízio de “mea culpas” e cobranças públicas. Ele somente é lembrado quando avaliado, por seus professores, por indicadores nacionais ou internacionais.
Isso nos fez lembrar justamente de uma aula. O professor José Miguel Wisnik, da Universidade de São Paulo (USP), certa vez identificou a raiz da palavra adolescente. Segundo ele, adolescente, do latim, é aquele que exala um perfume. Ou melhor, que está exalando neste momento (gerúndio) um olor. A poética do significado define bem o estágio da vida em que mais estamos propícios a criação, descobertas e inquietações.
A falta de expressão do estudante na construção da escola se reflete nas principais pesquisas sobre evasão escolar. Recentemente, o fator “desinteresse” vem liderando a lista de motivos para que os jovens deixem de frequentá-la. Construímos um modelo escolar feito por adultos sem qualquer participação de jovens e crianças. A cultura do jovem passa longe do ambiente estéril da sala de aula.
Qualquer sistema de avaliação, que se diz 360 graus, deveria colocar o estudante como uma das principais fontes de informação. Afinal, quem pode saber qual o melhor professor, a melhor estrutura, o melhor método e as melhores saídas para um ensino do que aquele para qual a escola foi feita?
Aquelas instituições consideradas de excelência no Brasil, inclusive as particulares, costumam estimular os alunos a avaliar ao menos o trabalho dos docentes. Pode soar estranho a princípio, mas é a avaliação do aluno sobre o professor que mais provoca transformação no seu trabalho, pois toca diretamente a autoestima e o propósito de vida desse profissional.
Mas na grande maioria das instituições, tem cabido tão somente a práticas isoladas elevar o grau de participação do estudante nas questões escolares. Algumas delas lideradas por professores e diretores estimulados, e outras por organizações do terceiro setor que trabalham nos limites entre escola e comunidade. Os grêmios estudantis fortalecidos e autônomos de algumas têm criado ambiência para que os próprios estudantes tomem conta dessa questão.
As práticas de comunicação e arte, cujas ferramentas hoje estão acessíveis às pontas dos dedos nos celulares, também têm sido utilizadas por algumas instituições para dar voz aos alunos. Documentários, blogs, sites e aplicativos são criados por eles em escolas que adotaram programas em seu contra-turno.
Educação de qualidade, esse mote que começou a ser utilizado após a quase universalização do ensino, deve ser seguido sempre das perguntas “para quem?”, “para quê?”. Ora, se a cobrança de uma educação de qualidade se reflete no aprendizado do estudante, parece óbvio que este deva ter alguma ingerência nas definições do que é constituída essa tal qualidade. Nesse sentido, o Festival Educação, que estimula os alunos a pensar sobre suas escolas, parece um modelo simples e barato para acelerar processos decisórios coletivos nas escolas.
Já é passado o momento para que gestores de políticas públicas comecem a prestar atenção no que pensam os estudantes. Há outras redes, como o Facebook, que já fazem esse papel de escuta. As manifestações que se iniciaram em junho já mostraram que podem faltar ruas para tanto desabafo.
* Alexandre Le Voci Sayad é jornalista especializado em educação e diretor geral do MEL (Laboratório de Mídia e Educação). Gilda Portugal Gouvêa é professora do Departamento de Sociologia da Unicamp 
 
Estadão

Os avanços do Plano Nacional de Educação

Posicionamento do movimento Todos Pela Educação em relação à votação urgente do PNE. Já são 1061 dias sem um plano nacional!

Em sua tramitação no Congresso Nacional, o Projeto de Lei que institui o Plano Nacional de Educação (PNE) teve ao longo dos últimos anos ampla participação de diferentes setores e de especialistas das mais diversas áreas. O resultado desse processo, ainda que excessivamente longo, foi um texto mais adequado aos desafios da Educação brasileira.
Trata-se de um plano importante para a próxima década da Educação e, portanto, para o futuro do país. Não podemos entrar em 2014 sem o PNE aprovado.
Ao longo da tramitação tivemos retrocessos preocupantes. Entretanto, é importante nesse momento, em que se aproxima a votação no Senado, não perdermos os avanços, como os contemplados no último texto apresentado pelo relator do PL na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, o senador Álvaro Dias (PSDB/PR), alguns dos quais destacamos abaixo.
 Definição de uma Base Nacional Comum
Um currículo nacional permite a execução eficiente, transparente e justa das políticas públicas na área da educação. É urgente que, democraticamente, seja debatido e definido uma base nacional comum, que oriente as políticas educacionais, o trabalho de milhões de profissionais, o engajamento das famílias e a participação de toda a sociedade em torno do direito de aprender de todas as crianças e jovens.
Nesse sentido, o texto da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado traz grandes avanços em relação aos anteriores.
Na Meta 2, as duas primeiras estratégias são relativas à definição e implantação de uma base nacional comum, reconhecendo que ela é a base para o desenvolvimento das demais estratégias. Vale ressaltar que a estratégia 2.2. é muito mais enfática ao falar em “implantação dos direitos e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento que configurarão a base nacional comum curricular do ensino fundamental” do que o texto anterior que previa que o MEC deveria apenas encaminhar ao Conselho Nacional de Educação “proposta de direitos e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento para os alunos do ensino fundamental”.
Nas Metas 3 e 7 também foram enfatizadas estratégias referentes à proposta e implantação da base nacional comum para cada ano do ensino fundamental e médio.
Ainda nesse mesmo tema, na Meta 15, que trata da formação dos professores, foi inserida na estratégia 15.6 referente à reforma curricular dos cursos de licenciatura, a “articulação com a base nacional comum dos currículos da educação básica”. Ora, se os professores precisam estar formados para garantir as aprendizagens dos alunos, a formação desses professores deve ter como fundamento o currículo dos alunos, uma base concreta onde se apoia a docência dentro da sala de aula.
Matemática
Diante do baixíssimo aprendizado em matemática no Brasil, foi incluída a estratégia  específica para enfrentarmos essa preocupante realidade: “fomentar a qualidade do ensino de Matemática na educação básica, em especial nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio”.
Como referência, no 5º ano do Ensino Fundamental, 36% dos alunos aprenderam o adequado em matemática, caindo para 17% no 9º ano e chegando a 10% ao final do Ensino Médio. Nesta última etapa, estamos estagnados no mesmo patamar de baixa aprendizagem há mais de uma década.
 Participação das famílias e da sociedade
Foi corretamente inserida a estratégia 2.9 para promover a participação das famílias “no acompanhamento das atividades escolares dos filhos por meio do estreitamento das relações entre as escolas e as famílias”. Não há país com educação de alta qualidade sem que isso seja uma demanda da sociedade, com a participação de todos, cada um fazendo a sua parte. Há farta comprovação de que as famílias podem ser vetores importantes para a melhoria da qualidade da educação.
 Esportes
A prática esportiva é fundamental para o desenvolvimento de habilidades não cognitivas com alto impacto na aprendizagem dos alunos, a educação integral, a integração das escolas com as famílias e a comunidade e para o desenvolvimento de uma cultura esportiva entre os alunos brasileiros.
Assim, é positiva a inserção da estratégia 2.13 de promoção de “atividades de desenvolvimento e estímulo a habilidades esportivas nas escolas”.
Educação integral
Outro caminho já consagrado pelas pesquisas educacionais para garantirmos a aprendizagem de todos, principalmente dos alunos mais pobres, é a educação integral. A alteração do termo “Educação em tempo integral” para “Educação integral” na Meta 6 foi um avanço no entendimento, uma vez que sabemos que não basta ampliar o tempo que os alunos passam na escola, mas sim ampliar sua formação por meio de aulas e atividades que promovam um desenvolvimento mais abrangente e contemporâneo.
 Redução da desigualdade educacional
Um dos principais desafios da educação brasileira é reduzir o enorme fosso que existe entre os resultados educacionais entre regiões do país. Os municípios, estados e população mais pobres, em geral, têm resultados piores. Essas desigualdades começam desde cedo, já na alfabetização. Precisamos dar mais para quem tem menos para que possam superar sua condição de vulnerabilidade por meio da Educação. Portanto, é muito bem-vinda a estratégia que garante maior apoio aos municípios com resultados educacionais piores (7.9): “identificar, a cada dois anos, os 250 municípios que apresentem indicadores educacionais e socioeconômicos em maior desvantagem comparativa, para concentrar ações de apoio técnico e financeiro da União e de cooperação com a sociedade civil”.
Uso das avaliações educacionais para a melhoria das práticas pedagógicas
Também foi um importante avanço que o texto atual do PNE reconhecesse a necessidade do uso dos resultados educacionais para orientar as práticas pedagógicas. O Brasil tem um dos maiores sistemas de avaliação da Educação do mundo. Os  abundantes dados educacionais das provas de larga escala, dos censos escolares e das Pnads, deveriam ser de fato insumos para a gestão das secretarias de Educação, mas também para as escolas e professores, conforme colocado na estratégia 7.10: ”aprimorar continuamente os instrumentos de avaliação da qualidade do ensino fundamental e médio,…, e apoiar o uso dos resultados das avaliações nacionais pelas escolas e redes de ensino para a melhoria de seus processos e práticas pedagógicas.”
 Gestão
Por fim, na nova redação da Meta 20, a falsa dicotomia entre gestão e financiamento é substituída por uma ideia mais equilibrada e moderna, a de que além da ampliação dos recursos, precisamos de “mecanismos de gestão e critérios de repartição que visem a combater a ineficiência e as desigualdades educacionais”.
Esperamos que o Senado Federal esteja ao lado da sociedade na defesa de um Plano Nacional de Educação que efetivamente impulsione a qualidade da Educação brasileira.
 
Todos Pela Educação

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