Jornalista lançará livro que viaja pela educação do Brasil

Caio Dib visitou escolas de 58 cidades do País para conhecer diferentes experiências
Os 17 mil quilômetros percorridos, 58 cidades, 12 estados e o Distrito Federal. Foi assim, “Caindo no Brasil”, que o jornalista Caio Dib, de 22 anos, conheceu as mais diversas realidades da Educação pública brasileira. A viagem de cinco meses, iniciada no dia 12 de março em Belém (PA) e encerrada em 20 de agosto, no Rio de Janeiro (RJ), vai virar livro. Nele, Dib pretende relatar as inúmeras práticas educacionais inspiradoras que conheceu em diferentes realidades socioeconômicas.
Escrever o livro, segundo o viajante, foi o caminho natural do projeto. Nele, Dib promete mostrar tudo o que viu e sentiu nesses meses em que esteve fora de casa com sua mochila conhecendo trinta experiências pedagógicas diferentes.
Ao todo, serão relatadas no livro dez delas, mais as histórias de vida de pessoas que conheceu durante o percurso. “Resolvi continuar com o Caindo no Brasil mas não mais viajando e sim compartilhando o conhecimento que adquiri nesse tempo todo”, afirma.
A ideia de Dib, de “colecionar” práticas pedagógicas, agora se soma a um processo de pesquisa de dados, informações e entrevistas para complementar o que colheu pelo País. “Estou aprendendo muito com o livro porque exige uma pesquisa profunda da fundamentação mais teórica do projeto. Ouvi muita gente do dia a dia da escola e agora estou falando com especialistas”, afirma. “Estou estudando as práticas que observei – mesmo por que não sou educador, sou jornalista.”
Segundo ele, o livro vai contar com uma introdução explicando o que foi a viagem em relação às escolhas, objetivos e tudo o que pode analisar como jornalista da área (leia mais abaixo). Para complementar o conteúdo da publicação, ele pretende também pedir para alguns pesquisadores escreverem artigos sobre temas educacionais encontrados nas experiências. A ideia é que o livro fique pronto no primeiro semestre de 2014.
Além de se dedicar ao livro, Dib tem participado de workshops e dado palestras em todo o País para falar um pouco do que aprendeu com o Caindo no Brasil. “Por conta dos muitos contatos que fiz e que continuo fazendo, queria também criar uma rede de troca de experiências em escolas”, objetiva.
A viagem
O projeto de Dib contou alguns parceiros que apoiaram a iniciativa, como o Walk and Talk, o Laboratório Estudar (uma iniciativa da Fundação Estudar) e as revistas Educação e Escola Pública, da Editora Segmento, que realizaram com Dib o blog Escolas do Brasil, no qual ele relatou seus passos ao longo da viagem por meio de personagens e histórias.
Currículo
Dib é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero (SP) e sempre trabalhou com projetos e instituições que têm como temática a Educação, como Fundação Padre Anchieta, Instituto Paramitas, Abril Educação e Colégio Bandeirantes.
 
Todos Pela Educação

Os Moocs e o desafio de democratizar o conhecimento

A missão de democratizar o conhecimento de qualidade por meio dos Moocs (os cursos on-line, abertos e gratuitos ofertados por universidades de prestígio) ainda está por ser cumprida. Mesmo oferecendo livre acesso ao conteúdo de qualidade a qualquer estudante desde 2011 (ou com grande barulho em 2012), os Moocs ainda não conseguiram levar o conhecimento para todos os extratos da população mundial, especialmente aos mais pobres.  Isso é o que mostra recente pesquisa da Universidade da Pensilvânia publicada nesta semana. Segundo o estudo, cerca de 80% dos usuários dos cursos massivos provenientes de nações em desenvolvimento como Brasil, Rússia, China e África do Sul compõem a elite econômica de seus países. São estudantes e profissionais já formados que fazem parte de 6% da parcela mais rica de suas populações e que fazem os cursos, em sua grande maioria, em inglês.
Só nos Estados Unidos, o berço dos Moocs, a grande maioria dos usuários (mais de 80%) já possuem nível superior. Lá, o número total de diplomados no país é bem mais modesto, não ultrapassa os 30%. Para chegar a todos esses dados e conclusões, investigadores da Universidade da Pensilvânia pesquisaram cerca de 35 mil estudantes provenientes de mais de 200 países. Esse universo representa a quantidade de usuários inscritos em 32 Moocs presentes no Coursera, plataforma que possui a maior quantidade de estudantes cadastrados: são mais de 5 milhões. O portal é bem mais representativo que seus dois principais concorrentes: o Udacity, com 1,5 milhão de usuários, e o edX, com 1,3 milhões de pessoas cadastradas, segundo dados do The Wall Street Journal (WSJ).
Ao analisar o resultado das entrevistas, os pesquisadores conseguiram definir um perfil do usuário de Moocs. Analisando o amostra de 35 mil usuários, cerca de 57% eram do sexo masculino. Ao focar os países que não pertencem à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), ou seja, os menos desenvolvidos, o número chega a quase 65%. Analisando os usuários provenientes de países em desenvolvimento como Brasil, percebeu-se que 63% deles possuem menos de 30 anos. Além disso, perto de 80% dos usuários possuem nível superior de escolaridade e a principal razão que o fazem buscar os cursos on-line tem a ver com o aprimoramento profissional de suas carreiras.
“Longe de realizar os grandes ideais dos seus defensores, os Moocs parecem estar reforçando as vantagens daqueles que já ‘têm’, ao invés de educar aqueles outros que ‘ainda não têm’”, afirma o autor do estudo Ezequiel Emanuel ao WSJ. Segundo o pesquisador, primeiro, é necessário melhorar o acesso à tecnologia e a qualidade da educação básica, para que então os Moocs “consigam cumprir com sua promessa” de democratização do conhecimento, especialmente nos países menos desenvolvidos. Ao analisar o perfil de usuários do Coursera, observa-se que 40% dos participantes da plataforma provêm, exatamente, de países em desenvolvimento, como os BRICS (sigla para Brasil, Rússia, China e África do Sul).
O gerente de projeto para iniciativas globais da Universidade da Pensilvânia, Christensen Alcorn, também “culpa” a falta de acesso à tecnologia pelos países menos desenvolvidos como o principal empecilho à democratização dos Moocs. “Além disso, Muitas pessoas não concluíram sequer níveis básicos de educação e instrução que os tornam menos capazes de cursarem o nível universitário”, disse Alcorn ao portal Phill.
Ao serem consultadas pelos pesquisadores, as principais plataformas que oferecem os Moocs e as instituições que produzem esses cursos afirmam que ainda estão no estágio inicial do processo. Eles alegam que ainda estão numa fase de testes da ferramenta e das possibilidades que a tecnologia pode trazer em termos de melhoria no aprendizado. O fato é que, a “elitização” dos Moocs não é apenas o único “problema” diagnosticado pela pesquisa recente. Mesmo com a oferta cada vez mais ampla de cursos por universidades de elite, como Harvard e Stanford, além da tradução de cursos no idioma local e a criação de plataformas nacionais como a da China, da França e do Reino Unido, a maioria dos estudantes cadastrados simplesmente abandonam o curso.
Segundo dados do site especializado em tecnologia Business Insider, a taxa de abandono ultrapassa os 90% de usuários inscritos. Estima-se que apenas 7,5% concluam os Moocs. Os dados ainda mostram que a maioria dos usuários cadastrados em cursos disponibilizados em uma dessas plataformas nem sequer chegam a finalizar a primeira parte do treinamento. Um dos principais motivos, segundo a publicação, não é mistério para ninguém. Aproveitando a novidade da emergência desse tipo de curso, oferecido gratuitamente, muitos usuários não veem problema algum em abandonar o Mooc tão logo surja algum “imprevisto”. Seja por falta de tempo, de despreparo para essa nova forma de aprendizado ou simplesmente desinteresse pelo curso logo após a inscrição.
Ciente dessa realidade, o Porvir publicou recentemente um guia que pode auxiliar o candidato a não desistir do Mooc, confira as dicas.
Com informações do blog Digits (WSJ) e do portal Philly

Maior oferta de creches eleva salários e libera 4 milhões de mulheres para o trabalho

Pesquisa inédita da Secretaria de Assuntos Estratégicos mostra que renda familiar cresce de 20% a 25% quando os filhos estão em creches
RIO – Manter filhos nas creches melhora a vida das crianças e das famílias, principalmente no bolso. Pesquisa inédita da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República comprovou: o salário das mães cresce de R$ 70 a R$ 200, o que representa alta de 20% a 25% na renda familiar. O impacto no emprego feminino é maior: entre as mulheres com filhos na creche, 50% trabalham. Entre as que têm crianças fora da educação infantil, o índice é de 40%. Aumentar o total de creches pode elevar em 3,9 milhões a oferta de mão de obra feminina no mercado de trabalho, num momento em que a falta de pessoal é queixa recorrente. A pesquisa, feita em conjunto com o Banco Mundial e a Universidade College London, acompanhou 1.500 crianças cariocas de 4 e 5 anos: metade conseguiu entrar em creches públicas em 2007 e a outra metade, não.
Seis testes cognitivos aplicados nas crianças mostram o benefício de começar cedo a educação infantil: elas têm mais controle da inibição, vocabulário maior e se acalmam mais facilmente.
“Serão adultos mais preocupados com o bem público, irão melhor na escola, terão maior capacidade de socializar,” diz Ricardo Paes de Barros, subsecretário de Ações Estratégicas.
 Entrada mais cedo na escola
No Rio, onde o estudo tem apoio da Secretaria Municipal de Educação, creches públicas e privadas atendem a 24% das crianças de 0 a 3 anos, taxa superior aos 21,2% da média do país. Na faixa de 4 e 5 anos, são 83%, acima da média, de 78,2%. Mas há demanda reprimida, principalmente na região metropolitana. Neide Ferreira Costa da Silva, moradora de Duque de Caxias (Baixada Fluminense), enfrenta três conduções com a filha Isabella para ir à creche, na Zona Sul do Rio. Ela não conseguiu vaga perto de casa. “Só aceitam depois de dois anos, já desfraldado, e é difícil conseguir entrar.”
Para o economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) Aloisio Araujo, que organizou o livro “Aprendizagem infantil — uma abordagem da neurociência, da economia e psicologia cognitiva”, a taxa de 20% de cobertura do Brasil é razoável. Em países desenvolvidos, não ultrapassa 50%, pois não há obrigação de pôr crianças na creche. “É uma forma de transferência de renda, transfere recursos para aumentar a capacidade futura da sociedade”, disse.
De olho nos benefícios, Petrolina (PE) se distanciou da média nacional e inaugura praticamente uma creche por semana. Em três anos, elevou o total de unidades de 23 para 124. Para isso, contrariou os manuais de administração pública e usa dinheiro até das mães para manter os locais.
Desde o início deste ano, os pais têm obrigação de pôr as crianças na escola a partir dos 4 anos. As prefeituras têm até 2016 para oferecer vagas. Até 2012, a entrada obrigatória na escola era aos 6 anos.
“A creche liberou as mulheres para empregos melhores”, avalia Rosane Mendonça, diretora da Subsecretaria de Ações Estratégicas.
No Rio, há 701 espaços de educação infantil, sendo 247 creches que funcionam em horário integral. Em uma delas, em São Cristóvão, está Ana Júlia, de 2 anos:
“O problema é que funciona das 7 às 16h40m e só chego do trabalho perto de 20h”, conta a mãe, Rafaela Cordeiro Araújo, que precisa pagar R$ 250 por mês para uma vizinha buscar sua filha.
Para Hildete de Melo, professora da UFF e especialista na questão de gênero, a pesquisa ajuda a desmistificar a crença de que as creches são prejudiciais à criança: “A creche permite que a mulher trabalhe e socializa a criança.”
Globo on line

Programa financia projetos voltados para primeira infância

Mais de 200 milhões de crianças que vivem em países em desenvolvimento, como o Brasil, não conseguem atingir o seu pleno potencial cognitivo durante a infância. Problemas de saúde gerados durante a gravidez, subnutrição, pobreza, exposição à violência ou até aprendizagem inadequada são apenas alguns dos fatores de risco que interferem no processo de desenvolvimento cerebral. As informações, do Grand Challenges Canada – organização canadense que apoia projetos na área de saúde em países de média e baixa renda –, são o mote do programa Saving Brains(Salvando Cérebros, em português). A iniciativa, liderada pela entidade do Canadá, visa ao financiamento de propostas que estimulem o potencial cerebral de crianças que vivem em situações de vulnerabilidade social.
Apoiada por parceiros regionais no Brasil, como a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal e a Fundação Bernard van Leer, o Saving Brains está com uma convocatória aberta para projetos propostos por brasileiros ou entidades do país envolvendo a primeira infância. O foco da chamada são soluções inovadoras sobre o tema. Está previsto a concessão de mais de R$ 500 mil por projeto selecionado. Serão consideradas até três propostas apresentadas por brasileiros e todas elas serão acompanhas, durante dois anos, onde serão avaliadas segundo seu impacto positivo e sua viabilidade em serem escaladas. Interessados em participar da seleção deverão inscrever suas propostas no site do Grand Challenges Canada até o dia 14 de janeiro de 2014.
A previsão é que sejam selecionadas propostas de desenvolvimento de produtos, medicamentos, equipamentos médicos, programas de saúde, além de tecnologias da informação e até modelos de empreendimentos sociais. Também serão considerados projetos envolvendo a criação de políticas públicas, envolvendo não apenas a saúde, como também a educação. Entretanto, para que um projeto seja aceito no programa é preciso que ele incorpore a abordagem da chamada Inovação Integrada,  um conceito “definido como a aplicação coordenada de inovação científica, tecnológica, social e empresarial no desenvolvimento de soluções para desafios complexos”, conforme disposto no edital lançado nesta semana.
A ideia que permeia toda essa lógica de inovação integrada é que os projetos possuam abordagens envolvendo todo o desenvolvimento infantil e que considerem não apenas um, mas vários fatores de risco que impedem o pleno desenvolvimento cognitivo dos pequenos. Além disso, as propostas devem considerar ações que estejam relacionadas aos primeiros mil dias de vida da criança. Isso porque, é nesse período onde ocorre a maior parte do desenvolvimento cerebral, conforme destacado no edital de seleção de projetos.
Dessa forma, para facilitar a inscrição de propostas, a entidades regionais apoiadoras –incluindo o Grand Challenges Brasil, organização vinculada ao Ministério da Saúde –, resolveram traduzir toda a convocatória para o português. Assim, fica mais fácil para os participantes interessados ficarem atentos às normas de cadastramento de propostas. O preenchimento do projeto, no entanto, deve ser feito todo em inglês ou em francês. Para mais informações consulte o edital completo ou a seção de perguntas frequentes presente no site da entidade canadense, que organiza a seleção.
PORVIR
 

Faça download gratuito de 16 livros em prol da Educação de Qualidade

Com o intuito de reunir essas obras relevantes para o progresso educacional do país, a Editora Moderna, disponibilizou – para download gratuito – diversos livros que abordam o assunto políticas públicas na área de educação. Os textos foram escritos por especialistas e agora estão disponíveis em versão digital. Faça download gratuito das obras.
Entre as 16 obras selecionadas estão ”Reestruturação do Ensino Médio – pressupostos teóricos e desafios da prática”, “Qual a escola que queremos? – Prêmio Gestão Escolar 2012″ e “Anuário Brasileiro da Educação Básica 2012″. Além de  ”A Urgência da Educação”, ”Por um Sistema Nacional de Educação” e ”Qualidade na Educação – A luta por melhores escolas em São Paulo e Nova York”.
Catraca Livre

MEC lança programa de bolsas no exterior para negros e índios

O Ministério da Educação (MEC) vai lançar um programa de intercâmbio internacional para negros, indígenas e pessoas com deficiência. O programa também fomentará o ingresso em mestrado e doutorado no Brasil de pessoas com esse perfil, com objetivo de aumentar o número de professores.
Batizado de Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias Nascimento, ele será uma espécie de Ciência Sem Fronteiras (CsF) – que já levou 38 mil estudantes para o exterior. Entretanto, enquanto o CsF é focado em áreas como Engenharia e Exatas, o novo programa dá prioridade às Humanas, como o combate ao racismo, igualdade racial, história afro-brasileira e indígena, acessibilidade, inclusão ações afirmativas.
O orçamento e o número de bolsas ainda não foram definidos. Segundo o governo, as bolsas internacionais serão definidas com base na seleção das instituições e na capacidade delas para receber os estudantes. Também depende da demanda de estudantes brasileiros. Somente 11,3% dos negros com 18 a 24 anos frequentavam ou já haviam concluído o ensino superior em 2012 – entre os brancos esse porcentual era de 27,4%
Para incentivar o ingresso desses alunos na pós-graduação no Brasil, o MEC vai criar cursos preparatórios. A ideia é que haja a possibilidade de curso de leitura e produção de textos acadêmicos em português e em língua estrangeira, metodologia e projeto de pesquisa. Também há previsão de assistência estudantil.
Segundo Macaé dos Santos, secretária de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), do MEC, é a primeira vez que uma política pública prioriza a inclusão na pós-graduação. “Estamos trabalhando em busca da equidade. Nossa meta é que negros, indígenas e também pessoas com deficiência tenham a mesma representação dentro da universidade.”
O novo modelo será lançado oficialmente pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, neste domingo (17) durante a Flink Sampa Afroétnica. O evento em São Paulo é organizado pela Faculdade Zumbi dos Palmares.
O reitor da Zumbi, José Vicente, vê com entusiasmo a iniciativa. “É uma ideia importante, que vai ao encontro às demanda de qualificação”, diz. “O Ciência Sem Fronteiras dificilmente permitiria o acesso do negro, pela exclusão do jovem negro nas áreas prioritárias do programa. E não podemos esperar dez anos”, completa.
O programa homenageia um dos pioneiros do movimento negro no Brasil. Abdias Nascimento foi ator, diretor, dramaturgo e político. Morreu em 2011, aos 97 anos.
(ESTADÃO, 15/11/2013)

Termina greve da educação, sem corte de ponto e pagamento de retroativo

A greve dos profissionais da Educação chegou ao fim no Pará, depois de 53 dias. Por ampla maioria, em assembleia geral realizada na sede social do Paysandu, em Belém, a categoria aceitou a proposta do governo do Estado de pagar a primeira parcela do retroativo – referente ao piso nacional de 2011 – a partir de janeiro de 2014. As demais parcelas serão pagas mediante o acréscimo real da arrecadação estadual, que será analisada a cada quadrimestre pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp), Ministério Público do Estado (MPE) e Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
O pagamento do retroativo era o ponto mais polêmico das reivindicações apresentadas pelo sindicato, já que todos os outros, incluindo a regularização através de projeto de lei do Sistema Modular de Ensino (Some), a implementação do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR) e da jornada de trabalho e hora-atividade já haviam sido atendidas pelo governo estadual.
Ainda na noite desta quinta-feira (14), a secretária de Estado de Administração, Alice Viana, afirmou “que os dias parados, que já haviam sido descontados na folha de novembro, serão estornados em folha suplementar já nesta segunda-feira (18)”, mediante a reposição das aulas e das atividades do corpo técnico-administrativo da Secretaria de Estado de Educação (Seduc).
Reposição
Também nesta segunda, a Seduc e os professores devem começar a estudar o calendário de reposição de aulas, uma vez que cada escola apresenta uma situação diferenciada. “Há, inclusive, escolas que não aderiram à greve e outras que aderiram parcialmente. Teremos que analisar caso a caso”, explicou o secretário de Estado de Educação, Cláudio Ribeiro.
A decisão do Sintepp de acabar com a greve foi tomada depois de inúmeras rodadas de negociação, e da determinação do governo do Estado de cortar o ponto dos grevistas e descontar os dias parados. Mesmo diante das propostas destinadas a atender todas as reivindicações da categoria, o Sintepp manteve a greve, iniciada em setembro último, até a quinta-feira (14).
Favoráveis
O coordenador do Sintepp, Matheus Ferreira, também se posicionou favorável ao fim paralisação. “Não acredito que resolveremos todos os problemas da educação nessa greve. Eu ficaria mais seguro se nossas lutas prosseguissem dentro das escolas”, declarou.
Conceição Holanda, diretora do Sintepp, disse que “é preciso saber a hora de entrar e o momento de sair de uma greve. Até porque muitos fizeram da paralisação um período de férias. Por isso, entendo que voltar às salas de aula nos fortalece ainda mais”.
Agência Pará
 

Conteúdo sobre África ainda é escasso nas escolas brasileiras

Lei que obriga o ensino do tema foi sancionada há dez anos, mas sua implementação não está disseminada nas escolas do País
Dez anos após ser sancionada, a Lei 10.639 – que torna obrigatório o ensino da história africana e afro-brasileira – ainda é aplicada de maneira tímida na maioria das escolas brasileiras. A implementação de conteúdos de forma transversal – em todas as disciplinas – ocorre de forma lenta em todas as redes escolares, mas as municipais (com 46% das escolas) e as estaduais (com 39%) estão na frente das particulares (6%).
Os dados fazem parte de uma pesquisa do Centro de Estudos das Relações do Trabalho e Desigualdades (Ceert), em parceria com o Ministério da Educação e a Unesco. Foram compiladas 2,3 mil iniciativas de utilização do conteúdo previsto.
A diretora do Ceert, Maria Aparecida Bento, acredita que a implementação seja menor na rede particular por causa da falta de pressão da sociedade. “O alvo maior é o governo e, por isso, as escolas públicas progrediram mais. Precisamos avançar nas privadas, com maioria de alunos brancos, senão, a relação de preconceito não muda.”
A pesquisa mostra também que a maior parte das iniciativas é feita por professores negros (59%), com destaque para as mulheres negras, responsáveis por 52%. “As ações ainda dependem muito de atitudes pessoais do professor, sem uma institucionalização”, diz Maria, citando a falta de livros nas bibliotecas, materiais didáticos e brinquedos distribuídos.
O maior número de práticas está no Sudeste (48,5%), contra o Norte (6,8%). No Sudeste, o Estado que mais se destaca é São Paulo e no Nordeste, a Bahia e o Ceará. “Quanto maior a população negra no Estado, mais comum é o surgimento de práticas emblemáticas. Isso mostra que a relação com crianças negras é o grande motivador para que os professores busquem formação para pensar práticas pedagógicas”, diz ela.
A maior parte das iniciativas (51,8%) surge para responder aos casos de racismo e discriminação. O professor da USP Dennis de Oliveira, do Núcleo de Pesquisas e Estudos Interdisciplinares sobre o Negro Brasileiro (Neinb), vê o fato com preocupação. “O objetivo da lei é formar cidadãos com consciência multiétnica, não só resolver problema racial nem demanda do movimento negro.” Ele ressalta que deixar de aplicar a lei é como não dar um conteúdo de Matemática ou Geografia.
Avanços
Cristina Teodoro Trinidad, responsável pelos projetos de educação das relações étnico-raciais da Unesco, também identifica um “resultado perverso” na falta de aplicação da lei. Mas Cristina aponta que, entre os avanços, está a produção de material pedagógico e conhecimento para a aplicação de conteúdos sobre África.
A especialista ressalta que a lei avança com a sociedade. “É um país que ainda nega que é racista. Esse é um processo complexo e a sensibilização para que professores compreendam a necessidade de trabalhar o tema demora”, diz.
De acordo com a secretária de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação, Macaé Evaristo, há investimento na formação de professores, no finamento de pesquisa e produção de conteúdo.
De acordo com Macaé, cerca de 140 mil professores já foram capacitados em cursos financiados pelo MEC. A pasta ainda cobra que novos cursos de Licenciatura tenham o conteúdo em sua grade. “Também avaliamos se os cursos já existentes apresentam a temática”, diz ela, lembrando que possíveis sanções pelo descumprimento da lei cabem aos conselhos municipais e estaduais de Educação.
O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieesp), Benjamin Ribeiro da Silva, rebate a pesquisa e afirma que a maior parte das escolas particulares utiliza temas relacionados à cultura e história africanas. “(As escolas públicas) colocam no currículo, mas não ensinam”, afirma. Silva disse que a entidade prepara um curso de formação para os professores trabalharem com o tema.
ESTADÃO

Quando sinto que já sei: filme mostra alternativas para a educação

Autonomia, liberdade. Simplesmente saber e não precisar provar isso a ninguém – sem testes, provas, avaliações formais. A frase Quando sinto que já sei traz essa reflexão, e não é por acaso que foi escolhida para dar nome ao documentário realizado pela Despertar Filmes, com lançamento previsto para o primeiro semestre de 2014. O filme mostra 10 iniciativas alternativas ao sistema convencional de ensino e tem um objetivo claro: mostrar que é possível fazer diferente na educação.
A equipe visitou projetos em sete cidades brasileiras, escolhidos especialmente pelo critério de serem distintos entre eles – o que, nesse caso, é um ponto em comum. Todos têm por princípio o respeito pela individualidade de cada aluno e pelo contexto social em que se inserem, por isso, acabam funcionando de forma única. Para Raul Perez, um dos diretores de Quando sinto que já sei, autonomia e afetividade são as principais semelhanças entre as escolas visitadas, e isso significa entender o aluno como indivíduo e não “como um produto na linha de produção em série, como ocorre nas instituições convencionais”.
A opressão do ambiente escolar tradicional foi o que mais incomodou o jornalista de 23 anos, e o que fez com que a vontade de mostrar que a aprendizagem é possível de outra forma se transformasse em documentário. “O ensino que temos hoje forma especialistas. Você fecha portas e cria cursos para a criatividade acontecer. Isso, de certa forma, é cruel. Se a pessoa tem muitas potencialidades, deve poder desenvolvê-las com liberdade”, argumenta.

Durante o ensino fundamental, Perez frequentou pelo menos cinco escolas públicas de São Paulo – filho de pais separados estudava ora perto da casa de um, ora da de outro. No ensino médio, foi para uma escola técnica em São Bernardo do Campo. Depois, ingressou no curso de jornalismo da PUC-SP. Essas experiências deram ao jovem uma noção sobre como funcionava o ensino brasileiro, e já durante a faculdade, inspirado pela leitura do livro Vigiar e Punir, do filósofo francês Michel Foucault, decidiu tentar compreender esse sistema que busca a “manutenção da ordem” e passou a se dedicar ao estudo da relação entre professor e aluno, questionando por que essa relação não mudara ao longo dos séculos. 
Achou que talvez na Universidade de Coimbra, uma das mais antigas do mundo, pudesse obter algumas respostas, e foi a Portugal para um intercâmbio de seis meses. Na Europa, seu caminho se cruzou com o do amigo Antonio Lovato, que também estava na região fazendo um estudo na área, sobre escolas democráticas. Se encontraram e decidiram unir as duas pesquisas e desenvolver um projeto juntos, o que culminou na produção de Quando sinto que já sei. Quando Perez voltou ao Brasil, no início de 2011, ele e Lovato começaram a procurar modelos alternativos de ensino no País, como os que haviam conhecido durante a viagem. A partir de algumas iniciativas com que já tinham contato e das muitas indicações do educador José Pacheco, idealizador da Escola da Ponte, no distrito português de Porto, selecionaram os projetos que seriam incluídos no filme.
No ano seguinte, começaram a gravar, com uma câmera na mão e uma ideia na cabeça – tinham apenas os próprios recursos para desenvolver o projeto. Para a fase de finalização do filme, em abril de 2013 cadastraram o documentário em um site de financiamento coletivo. Na última semana, haviam atingido apenas R$ 15 mil dos R$ 44.803 que necessitavam. Começaram, então, uma campanha intensa em busca de apoio. E conseguiram. No dia 20 de maio, chegaram a R$ 49.758. “O financiamento coletivo é mais do que conseguir dinheiro, é também um mecanismo de engajamento. As pessoas têm de comprar, concordar com a proposta”, diz Perez. Junto com o suporte financeiro, vieram notícias de projetos de todos cantos do Brasil, o que fez com que as sete iniciativas que seriam retratadas inicialmente virassem dez – e, ainda assim, muitas tiveram que ficar de fora.
Revolução em sala de aula
A cada escola visitada, um aprendizado. Um aluno de 10 anos da Politeia, na capital paulista, queria entender a Teoria da Relatividade. Numa escola tradicional, talvez isso fosse um problema, e o estudante tivesse que aguardar alguns anos e acabasse perdendo o interesse. Lá, os educadores de todas as áreas, da matemática à literatura, se reuniram para discutir como tratar seus conteúdos a partir da teoria de Einstein. No projeto Âncora, de Cotia (SP), coordenado pelo mesmo José Pacheco da Escola da Ponte, um estudante de nove anos era fascinado por mitologia grega, e os professores foram introduzindo novos conhecimentos a partir das histórias e personagens que lhe interessavam.

 “Durante as gravações, cada dia era um ‘primeiro dia de aula’. Você vê as crianças livres, bem relacionadas, e se encanta com isso”, conta Perez.  Além do Âncora e da Politeia, o documentário também passa pelas instituições e projetos Casa do Zezinho (São Paulo – SP), Escola Municipal de Ensino Fundamental Desembargador Amorim Lima (São Paulo – SP), Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (Curvelo – MG), Gente (Rio de Janeiro – RJ), Escola Alfredo J. Monteverde – Projeto de Educação Científica da AASDAP (Natal – RN), Escola do Centro de Realização do Ser (Piracanga – BA), Escola Municipal de Ensino Fundamental Presidente Campos Salles (São Paulo – SP) e Projeto Araribá (Ubatuba – SP). 
No documentário, as escolas de ensino tradicional também são contempladas, e uma das principais questões observadas por Perez durante o filme é que mesmo aqueles professores que estão dentro de uma instituição convencional querem uma transformação. Segundo ele, às vezes o sistema é tão fechado para mudança que os docentes não conseguem empreender, e acabam desmotivados. O filme quer atingir a todos, mas o docente é, desde o início, o principal interlocutor. “A revolução dentro da sala de aula parte dele. Tenho professores que foram meus heróis no tempo de escola, e que me ensinaram coisas fora do currículo, a me relacionar, a pensar”, diz.
As escolas democráticas, de modo geral defendem o professor como mediador, não como distribuidor de conhecimento, e é nessa relação entre docente e aluno que acontece a educação. E é por essa razão que os alunos não precisam provar que aprenderam o conteúdo. Para o jornalista, o nome do documentário resume esse conceito. Ele conta que uma série de acontecimentos contribuiu para a escolha do título. Primeiro, a inspiração veio de um adesivo que ele recebeu após participar de um evento, com os dizeres “Lembra o tempo em que você sentia, e sentir era a forma mais sábia de saber e você nem sabia?”, da poetisa paranaense Alice Ruiz. Em seguida, Eden Castelo Branco, um dos produtores do filme, viu uma foto tirada na Escola da Ponte em que havia duas listas que deveriam ser preenchidas pelos alunos: uma, com o que já sabiam e podiam passar adiante, outra, com o que queriam saber, e sugeriu que o título deveria ir nesse sentido. Mas talvez o mais determinante tenha sido o fato de que a ideia apareceu por diversas vezes durante as gravações – na boca dos alunos e também de José Pacheco. “Quando sinto que já sei, compartilho o conhecimento”, disse o educador na entrevista.
Lançamento
Uma versão preliminar do documentário deve ser apresentada durante a Conferência Nacional de Alternativas para uma Nova Educação (Conane), no final de novembro, e o filme completo fica para o ano que vem – foram quase 100 horas de gravação, ainda há muito trabalho pela frente. O lançamento vai acontecer em todos os projetos visitados e dentro de instituições que tiverem interesse em abrir espaço para exibição, e a equipe pretende levar convidados que tenham sido entrevistados no filme para realizar mesas de discussões. Além disso, o filme deve ser disponibilizado na internet em creative commons. Dirigido por Perez, Lovato e Anderson Lima, Quando sinto que já sei também conta com Anielle Guedes e Eden Castelo Branco na equipe.
PORVIR

Conheça 10 inovações digitais que ajudam a democratizar a educação

Lista foi feita por especialistas em tecnologia da informação da BBC, Financial Times e Universidade de Oxford; três brasileiras estão entre as escolhidas

Três projetos brasileiros entraram para a lista das 100 inovações digitais que ajudam na democratização da educação. A lista, divulgada em Londres, foi escolhida por um jurado formado, entre outros, por especialistas em tecnologia da informação da BBC, Financial Times e Universidade de Oxford.
Entre os brasileiros, foram escolhidos os projetos CDI (Comitê para a Democratização da Informática), Catraca Livre e o polêmico Fora do Eixo. Os três aparecem no meio de projetos de outros países, como os renomados Khan Academy (que oferece educação para pessoas de todo o mundo) e Scratch (ensino de programação para crianças).
Todos os anos serão feitas novas escolhas de mais projetos. A ideia é alimentar um guia destinado a mostrar soluções digitais que encontrem respostas para áreas como saúde, desenvolvimento local, meio ambiente, educação e participação comunitária. Confira a lista inteira aqui
Confira dez projetos escolhidos na lista:
Comitê para Democratização da Informática (CDI) – Organização Não Governamental (ONG), com sede no Brasil. O objetivo do projeto é transformar vidas e fortalecer comunidades de baixa renda com o uso das tecnologias da informação, estimulando o empreendedorismo e a cidadania;
Catraca Livre – projeto jornalístico que tem a cultura como foco principal. Selecionam diariamente oportunidades gratuitas ou a preço popular nos mais variados serviços na região metropolitana de São Paulo e na cidade do Rio de Janeiro, abrangendo educação, esportes, consumo, trabalho, saúde e empreendedorismo.
Fora do Eixo – Polêmico, é uma rede de coletivos articuladores, gestores e produtores de uma série de tecnologias e plataformas sócio culturais no Brasil. Sua área de comunicação colaborativa, Mídia Ninja, ganhou notoriedade a partir da cobertura em vídeo, em tempo real, dos protestos realizados em junho pelo Brasil.
Khan Academy – organização educacional sem fins lucrativos criada em 2008 pelo norte-americano Salman Khan. Oferece educação, por meio de vídeo-aulas e plataforma de exercícios online. Todo conteúdo é aberto e gratuito. Atualmente há mais de 600 aulas em português.
Coursera – empresa de educação que tem parceria com as melhores universidades e organizações de todo o mundo para oferecer cursos on-line de forma gratuita. A plataforma foi criada na universidade de Stanford.
Scratch – programa desenvolvido no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), onde jovens programam as próprias histórias interativas, jogos e animações – e compartilhar suas criações com outros membros da comunidade online. O projeto tem como missão ajudar os jovens a aprender a pensar de maneira criativa.
Bridge21 – programa de educação que oferece um novo modelo de aprendizagem, que pode ser adaptado para uso em escolas secundárias irlandesas. Mediado pela tecnologia, o projeto tem como objetivo rever a forma como os jovens são educados.
Avaaz – rede de ativistas para mobilização social global através da Internet. O projeto se propõe a mobilizar milhões de pessoas de todo tipo para agirem em causas internacionais urgentes, desde pobreza global até os conflitos no Oriente Médio e mudanças climáticas.
WikiLeaks – Organização que publica, em sua página, postagens, documentos, fotos e informações confidenciais, vazadas de governos ou empresas, e de fontes anônimas. Além disso, também desenvolveram e adaptaram tecnologias para apoiar essas atividades
Crowdring – O projeto promete revolucionar a maneira como as pessoas se mobilizam. A ideia é usar o telefone como uma plataforma para emitir uma opinião. A ideia surgiu na Índia, para pressionar políticos locais. A ideia é usar das “chamadas incompletas” para que qualquer um possa participar de mobilizações, mesmo quem não tem acesso à internet.

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