Professores paraenses mantêm greve e ocupam Assembleia Legislativa

Trabalhadores da área de educação da rede pública estadual e municipal de ensino saíram, na última terça-feira, 05, em marcha pelas ruas do centro de Belém. A caminhada foi para expor ao governo e prefeitura a indignação diante da postura dos representantes políticos em relação às propostas apresentadas pela categoria.
A “Marcha pela Educação” teve início ás 9h, na Praça Santuário (CAN), partindo em direção à Secretaria Municipal de educação (Semec). Na tentativa de serem recebidos pela secretária, alguns professores entraram no prédio, mas ninguém foi encontrado para dialogar com os trabalhadores. A ocupação não durou muito tempo e a caminhada seguiu novamente pelas ruas da cidade.
De acordo com Mateus Ferreira, coordenador geral do Sintepp, “A “Marcha” é unificada com o a rede municipal de ensino, com o objetivo de “reivindicar a portaria para as eleições diretas que não está de acordo com as propostas do sindicato. Além disso, estamos exigindo o pagamento do nosso retroativo de abril a dezembro de 2011, mas o Estado ainda está analisando uma possibilidade de pagamento desse retroativo, o que para nós é mais um calote’’, ressaltou Mateus.
“Durante as conversas com o governo e prefeitura, eles reconheceram que deveriam realizar uma eleição nas escolas, através da criação de uma portaria para a publicação de projetos para as eleições, no entanto, esta portaria foi publicada somente no Diário Oficial dos municípios com o início das inscrições no dia 23 de Outubro e encerramento dia 1° de Novembro, e somente no dia 30 do mês passado colocaram avisos nas escolas, ou seja, grande parte dos profissionais e escolas não tiveram tempo para se inscrever, atrapalhando o processo democrático das eleições”. Afirma Maurilo Estumano, coordenador da Executiva Belém Municípios.
Outra reivindicação em relação à portaria instaurada pela Semec é sobre o processo seletivo que faz parte da segunda fase de aprovação do candidato para as eleições nas escolas “Além desse prazo desrespeitoso para as inscrições dos projetos, os professores ainda terão que realizar uma prova escrita sobre assuntos aos quais não tem se quer o conhecimento do que irá cair na avaliação. Por conta disso, o nosso departamento jurídico está entrando, hoje (ontem), com uma ação para suspender esta portaria”. Ressalta Maurilo Estumano.
Um dos assuntos abordados durante a marcha foi a matéria publicada no DIÁRIO DO PARÁ, que mostrou o rombo de R$ 48 milhões na Secretaria Municipal de Educação de Belém (Semec) e um corte de R$ 36 milhões para a construção e reforma de escolas municipais. Refletindo também no pagamento dos trabalhadores em ação e no décimo terceiro.
Ocupação da AL
A marcha dos professores terminou em frente à Assembleia Legislativa do Estado. Dentro do prédio, parte da categoria já organizava a estratégia de ocupação do local, que começou por volta do meio-dia. Alguns policiais militares que faziam a segurança da sede do legislativo ainda tentaram impedir a entrada dos trabalhadores, fechando as grades e os portões, mas a tentativa foi em vão.
Dentro do prédio palavras de ordem decretavam o início de mais uma ação do movimento grevista, que já chegou aos quarenta e três dias.
Com o confronto, o portão de entrada foi derrubado e, finalmente, todos os manifestantes da categoria conseguiram entrar na Assembleia Legislativa. “A estratégia de ocupação da Alepa é mais uma forma da categoria pressionar o governo para atender as nossas reivindicações. Desde o início do movimento grevista sempre deixamos claro que estamos dispostos a negociar. Mas por outro lado, percebemos cada vez mais a intransigência do governo, que insiste em não atender as nossas reivindicações. Estamos todos no limite”, afirma Conceição Holanda, coordenadora do Sintepp.
Com a ocupação, os funcionários da Alepa foram liberados. Dentro do prédio, estudantes e integrantes de movimentos sociais se juntavam à categoria dos trabalhadores em Educação cantando em um só coro: “Negocia Jatene”. Além da Região Metropolitana, professores de diversos municípios do estado também estiveram no ato, pedindo a implantação do Plano de Cargos, Carreira e Salários Unificados, jornada de trabalho de hora-atividade de mínimo de 25% e pagamento do retroativo do piso salarial referente a 2011.
O deputado Edmilson Rodrigues (Psol) estava entre os parlamentares que acompanharam a ocupação. “Eu sou professor também. E fui fundador do Sintepp, não podia deixar de estar presente neste ato. A ocupação da Assembleia Legislativa representa o quanto a categoria chegou ao limite da falta de negociação do governo. Os trabalhadores querem sim acabar com a greve, mas para isso precisam que suas reivindicações sejam respeitadas”, declarou o deputado. A ocupação segue por tempo indeterminado.
Desembargadora
A desembargadora do Tribunal de Justiça do Estado (TJE), Maria do Céo Coutinho, deferiu pedido de liminar em favor do governo do Estado, proibindo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp) e seus filiados de “invadir ou ocupar os bens imóveis onde funcionem órgãos públicos estaduais e os locais onde ocorrerão atividades referentes aos Jogos Escolares da Juventude”.
A decisão dela é válida para os cinco dias e horários, a partir da quinta-feira (07), dos jogos escolares que devem reunir cerca de cinco mil estudantes de vários estados do país. Na decisão, a desembargadora também estabeleceu multa diária de R$ 50 mil, até o limite de R$ 500 mil, caso a sentença seja descumprida.
O governo foi rápido ao ingressar com a liminar de interdito proibitório – ação judicial utilizada para impedir agressões iminentes que ameaçam a posse de alguém -, principalmente depois que o prédio da Assembleia Legislativa foi ocupado, ainda ontem, por dezenas de professores e trabalhadores da educação pública do Estado que há mais de 40 dias estão em greve.
O Sintepp comentou a decisão da desembargadora, dizendo que a liminar não se aplica ao prédio da Alepa, que pertence ao poder legislativo e não ao executivo. E reafirmou que o movimento não se intimidará com as ameaças do governo e da justiça, classificando Jatene de “inimigo da educação”.
Segundo justificativa do governo, o Sintepp se mostra “irredutível” a terminar com a greve e “radicaliza” nas manifestações do movimento, fechando vias públicas, bem como “invadindo e ocupando o prédio sede da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), ocorrida no dia 23 passado”.
Sustenta ainda que, durante a invasão, trabalhadores que não aderiram à greve foram impedidos de trabalhar no prédio. O prédio foi desocupado e uma reunião entre as partes ocorreu na sede do Ministério Público, mas o governo alega que o Sintepp não aceitou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), proposto pelo MPE, decidindo continuar o movimento grevista “com atos de radicalização”.
Diante do fracasso da negociação, o governo diz ter “fundado e justo receio de nova invasão à sede da Seduc” ou de outro imóvel público sejam invadidos. Maria do Céo Coutinho deu razão aos receios do governo, admitindo que se não for concedido o interdito proibitório, os prédios públicos correm o risco de invasão, devido à “radicalização do movimento”. Além da Seduc, o Campus III, da Universidade Estadual do Pará (Uepa), estaria sob risco de invasão.
Reunião
O governador Simão Jatene chamou os deputados da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, por volta das 22h30, no quartel do Comando-Geral da Polícia Militar, para uma reunião de emergência.
Os deputados tucanos, liderados pelo presidente da casa, Márcio Miranda, segundo uma fonte, iriam pedir a interferência de Jatene para que encontrasse uma solução que ponha fim à greve dos professores e à desocupação do prédio da Alepa. Oficiais da PM também seriam ouvidos, para que opinassem sobre a situação, além de receber orientações do governador.
(Diário do Pará)
 

Mestrados ajudam professor a inovar e tornar o ensino mais atraente

Os 360 professores de física selecionados para o primeiro programa de Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física (Mnpef) terão a oportunidade de conhecer, aprender e praticar novas formas de ensinar e de motivar os estudantes a gostar da disciplina. É isso que diz a professora Eliane Veit, do Departamento de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ela integra a equipe que coordena o programa.
Para Eliane, os professores que trabalham na educação básica precisam abandonar as aulas tradicionais de física, assentadas em fórmulas detestadas pelos estudantes. Ela diz ser necessário inovar e mostrar aos estudantes o que fazer com os conhecimentos, como essas informações podem ajudá-los a refletir, a selecionar, a pesquisar.
A capacitação dos professores abrange o domínio de conteúdos de física e de técnicas atuais de ensino para aplicação em sala de aula. Entre essas técnicas estão recursos de mídia eletrônica e meios tecnológicos para motivação, informação, experimentação e demonstração de diferentes fenômenos físicos. É a isso que se propõe o mestrado, sob a coordenação da Sociedade Brasileira de Física (SBF). As aulas começaram na segunda metade de agosto, em 21 polos de instituições federais e estaduais públicas de educação superior vinculadas à Universidade Aberta do Brasil (UAB). Participaram da seleção 933 educadores.
Entre as instituições que receberam maior número de inscrições estão o câmpus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília (UnB), com 89 candidatos para 30 vagas; o câmpus de Mossoró da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), no Rio Grande do Norte, com 77 inscritos para 15 vagas, e o câmpus de Ji-Paraná da Universidade Federal de Rondônia (Unir), com 76 inscritos para 15 vagas.
De acordo com Eliane, além do interesse dos professores de física pelo mestrado, 74 instituições públicas de educação superior apresentaram candidatura para a oferta do curso. A Sociedade Brasileira de Física selecionou 21 polos universitários com reconhecidos programas de pós-graduação na área. Das 360 professores selecionados, 280 estão distribuídos em cidades do interior e 80 em quatro capitais — Brasília, Manaus, Natal e Vitória. As cinco regiões do país foram contempladas. O Sudeste ficou com 125 vagas; Nordeste, 105; Centro-Oeste, 55; Sul, 40, e Norte, 35.
O mestrado profissional em física é um curso semipresencial, gratuito, com duração de dois anos. Os educadores em efetivo exercício profissional em rede pública da educação básica podem pedir bolsa de estudos à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) do Ministério da Educação. O valor da bolsa é de R$ 1,5 mil mensais.
Letras
Os 854 educadores selecionados para a primeira edição do Programa de Mestrado Profissional em Letras (Profletras) começaram as aulas em 19 de agosto. Eles estudam em 39 polos de 34 instituições públicas de educação superior. De acordo com a coordenadora do programa, professora Maria das Graças Soares Rodrigues, os estados da região Nordeste concentram 20 dos 39 polos. Os demais estão no Sudeste, com oito polos; Sul (quatro), Centro-Oeste (quatro) e Norte (três).
Na avaliação de Maria das Graças, os cursos estão democratizados nas regiões Sul e Sudeste. No Nordeste, porém, a pós-graduação ainda não é uma realidade. Para a professora, a situação começa mudar com a criação de cursos de mestrado profissional, como é o caso do Profletras. A Capes já assegurou bolsas de estudos para os cursistas.
Em 2014, no primeiro semestre, serão lançados editais para seleção de professores para a segunda edição, com início das aulas em agosto. No semestre seguinte, para as aulas a serem iniciadas em fevereiro de 2015. O programa pretende que os cursos passem a ter início sempre no primeiro semestre letivo, o que facilitaria as redes de ensino a programar a liberação dos professores para os períodos presenciais.
Para incentivar os professores de letras a fazer o mestrado e ter bom aproveitamento, a Capes, segundo Maria das Graças, vai premiar os 26 cursistas que obtiverem melhor classificação no fim do curso. O prêmio é uma viagem de 30 dias a Coimbra, Portugal.
O curso de física integra a série de mestrados profissionais criados pelo Ministério da Educação para qualificar os professores das redes públicas de ensino. O primeiro foi de matemática, o Profmat, em 2011. Para 2014, na quarta edição, o Profmat selecionou 1,5 mil professores, que começarão as aulas em 22 de fevereiro. Este ano, foi lançado o Profletras. O terceiro mestrado profissional criado pelo MEC é o Mnpef.
Ionice Lorenzoni
 

Servidores se mobilizam para impedir votação de PL que proíbe greve no serviço público

Centrais e entidades de servidores públicos cobram debate ampliado e ratificação imediata da Convenção 151

 
A CUT, as demais centrais sindicais e entidades de servidores públicos reunidas na segunda-feira (4), em Brasília, definiram uma grande mobilização abrangendo servidores das três esferas nesta quinta (7) para impedir que seja votado o anteprojeto do senador Romero Jucá (PMDB/RR) sobre o direito de greve no serviço público.
A proposta estava para ser apreciada pela Comissão Mista de Consolidação da Legislação Federal e Regulamentação de Dispositivos da Constituição Federal no dia 31 de outubro, mas diante da intervenção da CUT e demais entidades a votação foi suspensa e remarcada para esta quinta, às 11h30, no Plenário 3 da Ala Alexandre Costa, no Senado.
Com base no PLS 710/2011 do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), o anteprojeto impõe sob o argumento da ‘essencialidade’ uma série de restrições, proibindo que seja decretado o movimento em algumas áreas e limitando as paralisações em outras num percentual que pode variar entre 50 a 80%.
“Não podemos aceitar essa restrição. Quem definirá se a paralisação será parcial ou total serão os trabalhadores e/ou a característica da atividade, se a mesma for considerada inadiável e, dependendo da característica da mesma, se definirá em assembleia dos trabalhadores o percentual mínimo de atendimento”, esclarece Pedro Armengol, secretário nacional adjunto de Relações do Trabalho da CUT, coordenador do ramo do serviço público na Central e secretário de Finanças da Condsef (Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal), atentando que “na prática, mesmo sem regulamentação, os trabalhadores já exercitam esse conceito de responsabilidade”.
A Constituição de 1988 em seu artigo 37 (inciso VII) reconheceu expressamente a greve como um direito dos servidores públicos civis, mas passados 25 anos as regras ainda não foram regulamentadas.
Na avaliação do dirigente da CUT, o projeto representa um grande retrocesso para a classe trabalhadora. Um dos artigos determina a substituição de grevistas nos moldes do decreto 7.777 instituído durante a greve do ano passado. “É totalmente antidemocrático e, dependendo da atividade, anticonstitucional, como no caso deste decreto, quando atividades exclusivas de servidores de estado (fiscalização) foi repassada para trabalhadores sem vínculo com o Estado e sem qualificação”, destacou Armengol.
Pressão total – a orientação é para que as entidades de base nos seus estados e municípios pressionem os senadores contra a aprovação do anteprojeto. Além disso, as organizações pretendem intervir junto ao Legislativo e ao Executivo para que a tramitação do projeto seja suspensa e que se estabeleça um qualificado processo de negociação com todas as partes interessadas (governo, trabalhadores e Legislativo).
Já nesta terça (5), os dirigentes da CUT Nacional, Graça Costa (secretária de Relações de Trabalho), Maria Faria (secretária-geral adjunta) e Pedro Armengol estiveram reunidos com o assessor especial da Secretaria-Geral da Presidência da República, José Lopez Feijóo, o deputado federal Cândido Vacarezza (presidente da Comissão Mista) e o senador Wellington Dias (líder da bancada do PT no Senado), reivindicando a retirada imediata de pauta deste projeto e a instalação de um processo negociação em torno da regulamentação não apenas do direito de greve, mas principalmente da negociação coletiva no setor público com a efetiva regulamentação da Convenção 151 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) aprovada pelo Congresso Nacional desde 2010.
“Buscaremos também reuniões com senadores de todos os partidos para pedir apoio contra o projeto. Caso esta proposta seja aprovada vamos divulgar os nomes de todos os parlamentares que votaram contra os direitos dos trabalhadores do serviço público”, disse Armengol.
Sem diálogo – O texto apresentado pelo senador Romero Jucá foi construído sem que houvesse qualquer consulta às entidades representativas dos servidores públicos e desconsidera toda a negociação travada desde 2010 com o governo.
No ano passado, as centrais sindicais (CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central e CGTB) debateram intensamente a regulamentação da negociação coletiva e o do direito de greve no serviço público e chegaram a uma minuta de projeto, a qual já foi apresentada aos Ministérios do Planejamento, do Trabalho e Secretaria Geral da Presidência.
O governo criou um grupo de trabalho reunindo estes ministérios mais a Advocacia-Geral da União para análise do projeto, mas até o momento o grupo ainda não conclui as negociações.
De acordo com as entidades, a construção de uma efetiva melhoria nas relações de trabalho no setor público passa pela imediata regulamentação da convenção 151 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) – que estabelece o direito à negociação coletiva nas esferas nacional, estadual e municipal e aguarda o aval do governo para ser regulamentada -, num debate que envolve também os direitos sindicais e o direito de greve.
O governo havia se prontificado junto à OIT em ratificar a Convenção 151 ainda em 2011, mas o que existe até o momento é um decreto assinado pela presidenta Dilma em março deste ano após uma marcha das centrais sindicais no qual se compromete em regulamentá-la.
Na reunião as entidades também definiram que vão encaminhar um documento para a Secretaria-Geral da Presidência solicitando uma audiência para tratar dos riscos impostos pela aprovação do referido projeto e resgatar o debate sobre a regulamentação da 151.

Escrito por: William Pedreira

 

Rede social permite que professores compartilhem conhecimentos

Polinizar é o ato de transferir os pólens de uma flor para outra, fazendo com que elas se reproduzam e se multipliquem. É isso que a Polinize, plataforma que funciona como uma rede social, quer fazer com a educação, conectando estudantes, professores, artigos científicos e de opinião, cursos gratuitos e fóruns de debates num só espaço. No ar desde outubro, a rede já conta com mais de 5.000 usuários e 12 cursos disponíveis.
Um dos maiores cuidados tomados no desenvolvimento da plataforma, segundo Pedro Teberga, um dos fundadores do site, foi justamente o de facilitar a vida dos educadores que querem usar a rede. “Eles não são obrigados a entender e gostar de tecnologia. Tem muito professor com textos bons, materiais opinativos, pesquisas e que não sabe o que fazer com eles, não dominam a estrutura dos blogs ou não usam Facebook”, diz Teberga.
Na plataforma, todos os perfis dos usuários – sejam professores ou estudantes – possuem uma aba chamada Conteúdo, que funciona como uma espécie de blog simplificado. Nela, os professores podem adicionar seus textos e artigos opinativos, além de arquivos em PDF com pesquisas mais aprofundadas, como artigos científicos, dissertações e teses. “As páginas dos professores nas universidades, em escolas, são quase sempre uma bagunça, cada uma num formato, difícil de entender, coisa da ‘idade da pedra’ mesmo. A ideia é facilitar o uso para todo mundo”,  diz Leonardo Avelino, responsável pela engenharia da plataforma.
Além desse espaço para a distribuição de conteúdo, os professores que desejam mostrar ainda mais o seu trabalho, podem criar seus próprios cursos, de maneira bem prática. Ao se cadastrar, basta acessar o link Meus Cursos – clicando no chapéu de formatura na parte superior da tela –,  ir até a aba Ensinando, selecionar a opção Criar um Curso e acrescentar as informações como o Nome, a Descrição e as Seções em que ele será dividido. Esse material pode ser disponibilizado por meio de vídeos, slides de power point, arquivos de áudio ou qualquer outra plataforma que o professor se sinta mais seguro.
Ainda em fase de desenvolvimento está também uma ferramenta que vai possibilitar que professores criem cursos pagos na plataforma, desde que tenham publicado, em contrapartida, um gratuito. “Pensamos nisso para que as pessoas possam ter um primeiro contato com o trabalho do educador, saber se ele é bom, se tem uma boa didática e optar por pagar um curso com ele. E, claro, também porque a ideia não é só ganhar dinheiro com a plataforma, mas ajudar os outros também, compartilhar conhecimento. É esse o conceito de polinizar”, explica Teberga.
Segundo ele, esses cursos poderão passar pela avalição dos próprios usuários – selecionados de acordo com interesse ou proximidade com o tema. Se o professor cria, por exemplo, um curso sobre literatura, o site vai buscar outros usuários que já assistiram ou buscaram por temas relacionados a esse para avaliar e dizer se o material tem qualidade suficiente para ser veiculado. Para isso, será necessário desenvolver algoritmos que saibam identificar essas características, de proximidade e interesse, por exemplo.
Algoritmos que, no futuro, podem ser ainda mais poderosos. Segundo Teberga, quando a plataforma tiver um número grande de pessoas, será possível ter uma tecnologia capaz de entender o que o usuário deseja aprender, com qual tipo de professor ele se identifica e como ele gosta de estudar, a partir daquilo que o sistema entende como necessidades individuais do usuário, nos modelos de plataforma adaptativa que conhecemos.
“Podemos pensar nisso como um subproduto. Quando a gente alcançar uma massa crítica grande, dá para ter uma base de dados que diga, por exemplo, que os alunos de Porto Alegre, do segundo grau, aprendem melhor matemática por meio de textos do que arquivos de áudio. Lá na frente, isso pode ser uma coisa muito poderosa para ajudar muita gente, não só estudantes, mas professores, gestores e até a política pública”, afirma Franquela.
Porvir

Especialistas revelam importância da sociedade no sistema de aprendizagem

E se a Educação fosse realmente encarada com o valor social que tem? E se cada pai, irmão ou tio perguntasse a sua criança como foi o dia dela na Escola? E se você se juntasse a outros e dedicasse algumas horas na semana a um projeto na área do Ensino?
A Educação muda a sociedade, preserva seus valores e permite desenvolvimento. E se a sociedade unisse esforços para retribuir e, desta vez, invertendo a ordem, transformasse a Educação?
Essas perguntas pretendem promover uma reflexão sobre o compromisso de cada um, e não apenas de gestores e Professores, no processo educacional.
Para reunir exemplos de que ações simples levam a resultados concretos, Zero Hora conversou com Educadores, especialistas e também com gente que não teria ligação nenhuma com o mundo do Ensino, não fosse a inquietação de querer mudá-lo.
Da Finlândia, veio a certeza de que a presença da comunidade é fundamental para que a Escola pública se torne uma opção atrativa – a confirmação é da própria ministra da Educação do país, Jaana Palojärvi.
Mas existem muitas outras convicções como essa que já se espalham há tempos pelo Brasil. Uma delas é defendida pela diretora-executiva do movimento Todos Pela Educação, Priscila Cruz:
– Uma sociedade que valoriza o conhecimento sabe claramente que é seu o dever de tornar mais fértil o terreno da Educação. O produto da sociedade é aquilo que ela valoriza.
O gaúcho Eduardo Lima sabe disso. Largou a publicidade para criar um canal de vídeos educativos e gratuitos na internet. Maluco? Não. Convicto.
– Não importa se você pode ajudar uma ou um milhão de pessoas. Cada um sempre poderá ser uma revolução à sua escala – ele responde.
Vamos botar a mão na massa? A importância do engajamento da sociedade no sistema de aprendizagem é tema da campanha A Educação Precisa de Respostas, promovida pelo Grupo RBS e pela Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho.
Educação, compromisso de todos
A Bruxa será a porta-voz desta nova fase da campanha A Educação Precisa de Respostas, promovida pelo Grupo RBS e pela Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho. Ao lado da Bruxinha, a personagem vai mobilizar a sociedade a dar prioridade para a Educação, estimulando a qualidade da aprendizagem e o aperfeiçoamento da gestão Escolar no Brasil.
 
Escola de Pais: aprenda a participar
Sempre que tira uma boa nota na Escola, Taís Heck, 13 anos, corre até o pai para exibir seu desempenho. Para o vigilante Vilson Heck, 46 anos, cada uma destas demonstrações de orgulho da filha é um convite para que ele participe, sempre e cada vez mais, da comunidade Escolar em que está inserido.
É por isso que Vilson faz parte, desde o início do ano, da Escola de Pais criada na instituição em que Taís frequenta o 8º ano, a Escola Municipal de Ensino fundamental Vereador Antônio Giúdice, no bairro Humaitá, em Porto Alegre. O colégio ficou em primeiro lugar no último Ideb (anos finais) entre as Escolas municipais da Capital.
Em encontros mensais, o grupo recebe profissionais para discutir temas ligados à adolescência, como sexualidade e drogas, e também se envolve em aspectos administrativos da Escola, como planejamento do ano letivo, organização das festas e identificação de prioridades para os investimentos.
– Está entre os deveres dos pais mostrar aos filhos o quanto a Escola é importante para o desenvolvimento deles como cidadãos. A Escola de Pais surgiu para que a família e a Escola possam compartilhar os atos de educar e ensinar – afirma a vice-diretora Adriana Branchelli.
Neste primeiro ano do projeto, o número de pais que se envolvem com a iniciativa ainda não chega a 10. Vilson sabe que muitas famílias não conseguem conciliar os horários de trabalho com a atenção à Escola, mas vê outros motivos para a pouca procura:
– Tem pais que acham que a Escola é um depósito, onde se pode largar e pegar as crianças depois do trabalho. Por isso, muitas famílias nem conhecem os Professores. Não é assim. É preciso estar perto para acompanhar e ajudar nas dificuldades que surgirem. A Escola é uma extensão da casa.
 
“A sociedade civil tem um grande papel na Educação”
O país tem a metade da população do Rio Grande do Sul e ostenta um dos melhores sistemas educacionais do mundo. Na Finlândia, as crianças estudam menos que no Brasil, mas aprendem e se divertem mais. Qual o segredo do sucesso? Em entrevista a Zero Hora, feita por e-mail, a ministra de Educação da Finlândia, Jaana Palojärvi, conta como foi o processo que colocou o país nórdico em posição de destaque nos rankings do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa).
Zero Hora – A Finlândia é exemplo mundial de que é possível ter Educação gratuita e de qualidade. Como se chegou a esse modelo?
Jaana Palojärvi – Na Finlândia, há muito tempo se considera importante oferecer oportunidades iguais e de qualidade para todos os cidadãos, que são o maior recurso que um país pequeno pode ter. Acreditamos que, independentemente da origem socioeconômica, todos devem participar e avançar no caminho da Educação. Para que isso acontecesse, foi preciso focar especialmente em um desenvolvimento de longo prazo.
A reforma do Ensino fundamental na Finlândia prolongou a obrigação do estudo e acabou com uma prática que existia antes, de as crianças serem divididas em dois grupos: as que continuavam e as que encerravam os estudos. Hoje, todos têm a oportunidades de continuar. E os resultados são excelentes tanto para Alunos que antes tinham desempenho inferior quanto para os “melhores” Alunos.
ZH – Qual a contribuição do engajamento da sociedade no processo de desenvolvimento da Educação?
Jaana – Na Finlândia, existe uma tradição de Educação popular voluntária que continua até hoje. Os adultos finlandeses também são os mais capazes de utilizar, no dia a dia, os conhecimentos e as competências que adquiriram ao longo da vida. Grande parte desta Educação acontece em associações e centros de Ensino voluntários voltados para adultos. A sociedade civil tem um grande papel na Educação e contribui por meio da legislação, financiamento e planos de desenvolvimento. Além disso, nas Escolas finlandesas, investe-se muito na cooperação entre Escola e família.
ZH – Como a sociedade pode fazer com que essas diferenças entre Escolas públicas e privadas sejam amenizadas?
Jaana – Garantindo recursos para Escolas públicas, na tentativa de diminuir as diferenças entre as Escolas. A Escola pública deve se tornar uma opção atrativa para que pais possam optar por ela em vez da particular. Diminuir a desigualdade entre os Alunos gera melhores resultados para todos.
ZH – Que medidas implantadas na Educação finlandesa poderiam ser aplicadas em um país como o Brasil?
Jaana – Antes de mais nada, deveria se investir fortemente no desenvolvimento do sistema público de Ensino e na diminuição das diferenças entre Escolas. Outro passo importante no modelo finlandês, que poderia ser aplicado em outros locais, é a inserção de crianças de origem socioeconômica diferente na mesma sala de aula.
 
 
Na internet: lições grátis para milhares
Pela criatividade e necessidades que supriram, duas iniciativas surgiram em Porto Alegre e rapidamente se espalharam via internet para todo o país. São os portais Aula Livre e Me Salva!, acessados por milhares de estudantes que buscam, em vídeo, preparar-se para avaliações do que bem entenderem – de vestibulares a provas de cálculo.
O Aula Livre (aulalivre.net) foi criado enquanto o publicitário Eduardo Lima, 30 anos, e a relações públicas Juliana Marchioretto, 28 anos, estudavam para concurso. Eles perceberam que faltava espontaneidade nos vídeos de Ensino à distância.
– Será que a gente não conseguiria trazer nossos conhecimentos da comunicação e oferecer esse conteúdo de forma gratuita e com qualidade? – perguntaram-se.
Em pouco tempo, o Aula Livre estava no ar. A empresa que começou pequena agora ganha o gás da aceleradora carioca Pipa, conquistou novos sócios e tem mais de 1,1 milhão de visualizações em vídeos todos os meses.
Foi também por querer contribuir com um Ensino melhor que o estudante de Engenharia Miguel Andorffy, 23 anos, criou o portal Me Salva! (mesalva.net). Fera em cálculo, o jovem desenvolveu o projeto para ajudar outros universitários que sofriam com a infinidade de números. Hoje, o portal tem mais de 50 mil visualizações diárias.
Mas por que Juliana, Eduardo e Miguel resolveram se dedicar a melhorias na Educação?
– Não importa se você pode ajudar uma ou um milhão de pessoas. Cada um pode contribuir, com trabalho voluntário, incentivo financeiro, boas ideias, ou mesmo pela participação no desenvolvimento Escolar dos filhos – resume Eduardo.
 
 
Editorial: A escola é de todos
Uma lição que pode ser copiada em qualquer lugar, sem restrições, tem contribuído para que a Educação básica supere ou reduza deficiências históricas no Brasil. O ensinamento a ser compartilhado é o do envolvimento comunitário no Ensino formal. Como mostrou reportagem publicada ontem por Zero Hora, na sequên-cia da campanha.
A Educação Precisa de Respostas, promovida pela RBS e pela Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho, exemplos nacionais e mundiais são referência a todos os que pretendem contribuir para a superação das dificuldades do Ensino. Escassez de recursos, deficiências na formação e no aperfeiçoamento dos Professores, baixos salários do magistério e degradação de prédios e equipamentos não podem ser obstáculos à participação das comunidades na vida das Escolas. Pelo contrário, são muitos os casos em que atitudes participativas ajudaram a atender demandas que a estrutura institucional não consegue contemplar.
O foco é essencialmente a Escola pública, como observou, em entrevista a este jornal, a ministra da Educação da Finlândia. Disse a senhora Jaana Palojärvi que uma Educação plena e eficiente deve ser assegurada pelos governos, como possibilidade concreta de redução das desigualdades sociais. Mas os resultados dessa Escola pública somente serão efetivos, como ocorre na Finlândia, se os pais e os organismos comunitários forem cúmplices de gestores, Professores e demais servidores da Educação.
Ressalte-se que a participação não deve ter a pretensão de concorrer com os profissionais da área ou substituir suas atribuições. A adesão das comunidades aos projetos da Escola, nas mais singelas tarefas e responsabilidades, é complementar. Tal participação se revela na presença dos pais na Escola, no acompanhamento do aprendizado dos filhos em casa e no compartilhamento de angústias e projetos comuns a todas as famílias.
O Brasil já tem bons exemplos de cumplicidade comunitária, que merecem ser imitados, para que a Educação vá além do que se ensina e se aprende numa sala de aula.
Fonte: Zero Hora (RS)
 

Seminário em Brasília debate a educação infantil no Mercosul

Ampliação da atenção às crianças de 0 a 5 anos será um dos temas do seminário 
Estabelecer parâmetros para a educação infantil em todos os países do Mercosul. Este é o objetivo do seminário que começa nesta terça-feira (5), em Brasília. Promovido pela Unesco no Brasil e pelo Ministério da Educação (Mec), o evento reunirá autoridades de todos os países membros do Mercosul, além de especialistas nacionais e internacionais.
Durante dois dias, serão discutidas as experiências legislativas dos países do bloco, além de questões que estimulem a universalização da educação. No Brasil, uma grande porcentagem de crianças com menos de 5 anos ainda está afastada da pré-escola. E um dos temas tratados no seminário será a ampliação da atenção às crianças de 0 a 5 anos, por meio da socialização da legislação de todos os países, entre outras ações.
Entre as temáticas propostas pelo seminário estão, ainda, os desafios para a implementação de políticas públicas na área e a troca de experiências dos países para a inclusão e a diversidade na educação primária.
Estimulando a mobilidade, o intercâmbio e a formação de uma identidade e cidadania regional, o objetivo é alcançar também, uma educação de qualidade para todos, com atenção especial voltada aos setores mais vulneráveis.
* EBC, com informações da Unesco no Brasil
 

Punição para aluno que desrespeitar professor divide educadores

Em caso de descumprimento, estudante pode ser encaminhado ao judiciário

Um projeto que está sendo analisado na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados inclui no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) um artigo que obriga os alunos a observarem os códigos de ética e conduta da escola onde estão matriculados e “respeitar a autoridade intelectual e moral de seus docentes”.
Em caso de descumprimento, os alunos nessa faixa etária estarão sujeitos à suspensão e, “na hipótese de reincidência grave, ao seu encaminhamento a autoridade judiciária competente”, conforme diz o texto do dispositivo.
“Visitei quase 200 municípios do meu Estado e percebi, conversando com os pais e com a comunidade escolar, que é preciso fazer alguma coisa para coibir a violência”, explica a deputada Cida Borghetti (PP-PR), autora do projeto de lei 267/11. “Os professores me relatam que são agredidos moral, intelectual e fisicamente.”
Cida explica que a palavra punição não consta em seu projeto de lei. “A palavra correta é responsabilização. Este adolescente precisa ser responsabilizado. A única maneira de resgatar esse aluno é não passar a mão em sua cabeça”, argumenta.
No texto do projeto, a parlamentar diz que os episódios de violência na escola “trata-se de comportamento decrépito, inaceitável e insustentável, que deve ser prontamente erradicado da vida escolar com a adoção de medidas próprias.”
Questionada sobre as medidas judiciais a serem tomadas, a deputada diz que isso caberá ao juiz. “Ele é quem decidirá se encaminha para um atendimento psicológico ou se é o caso de uma decisão mais rígida. Só não podemos continuar convivendo nesse cenário.”
Tramitação
A proposta, que tramita em caráter conclusivo, já foi aprovada na Comissão de Seguridade Social e Família e está atualmente na Comissão de Educação, onde já recebeu parecer favorável da relatora. Em seguida, vai ser analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. De lá, segue para votação no Senado Federal.
A proposta foi tema de audiência pública na terça (29/10), com a participação de diversos setores ligados à educação. E, segundo informações da Agência Câmara, a ideia do projeto dividiu especialistas.
Para alguns, alterar o ECA não vai resolver o problema. A solução para a violência dentro da escola dependeria do fortalecimento do sistema educacional, com a valorização dos profissionais da educação e com a adoção de uma gestão democrática.
Os favoráveis defendemque as escolas precisam de respaldo legal para poder controlar a ação violenta de alunos.
Portal iG
 

‘Só dinheiro não garante ensino de qualidade’, diz professor de Harvard

Para economista americano, investir no desenvolvimento dos professores é a melhor estratégia
Para o economista Richard Murnane, professor da Universidade de Harvard, melhorar a Educação não é uma questão apenas de ter dinheiro, mas de saber como usá-lo. Se os professores não dispõem do conhecimento necessário, dar incentivos financeiros a eles não vai adiantar, diz. Murnane, que esteve no Brasil para um seminário do Instituto Alfa e Beto, e é coautor de um livro sobre desigualdade de renda e educação, afirma que famílias mais ricas investem mais nos filhos.
ENTREVISTA
Uma pesquisa sua e de Greg Duncan mostra que as diferenças nos resultados de Matemática e leitura de crianças de baixa renda e de renda alta nos Estados Unidos são maiores hoje que antigamente. Por quê?
“Isso é correto, mas não significa que os resultados das crianças de baixa renda tenham caído. Eles melhoraram, modestamente. O problema é que as conquistas dos alunos de famílias de classes mais altas melhoraram muito mais. A explicação está em parte relacionada às consequências das crescentes desigualdades de renda nos Estados Unidos. Todas as famílias fazem o seu melhor para cuidar dos filhos. O que as de renda alta perceberam é que a melhor maneira de cuidar dos filhos é investir na educação e nas habilidades deles. Elas apostaram em acampamentos de verão, em tutorias e em uma variedade enorme de atividades para aumentar as chances das suas crianças. E se mudaram para vizinhanças em que outras famílias também têm alta renda. As de baixa renda não conseguiram fazer estes investimentos.”
Qual é o tamanho das diferenças de resultados entre crianças de baixa e de alta renda?
“Cerca de 5% dos alunos mais pobres que eram adolescentes em meados da década de 1970 se formaram em uma universidade, contra 36% dos que estavam entre os 25% mais ricos na mesma época. Em meados de 1990, o percentual de crianças de baixa renda que se formou na universidade foi de 9%, um aumento modesto de 4 pontos percentuais. Em contraste, 54% das crianças mais ricas se formaram, um aumento de 18 pontos percentuais.”
Devemos contar com as escolas para tornar a igualdade de oportunidades uma realidade?
“Pelo menos nos Estados Unidos, as escolas têm tentado fazer isso. Mas ficou mais difícil com o aumento da segregação residencial por renda. Hoje, crianças de baixa renda têm mais tendência a frequentar escolas com outras crianças de baixa renda do que acontecia 30 anos atrás. Isso torna o trabalho de criar uma educação de alta qualidade muito mais difícil.”
Por quê?
“Quando crianças de famílias de baixa renda começam no Jardim de Infância, elas já estão muito atrás em termos de variedade de habilidades. E mais sujeitas a problemas de comportamento. Isso foi muito documentado nos Estados Unidos. Uma criança de baixa renda tem menos chances de ajudar seus colegas a aprender e mais chances de apresentar problemas de comportamento que atrapalhem o bom andamento da aula. Além disso, neste país, crianças de baixa renda mudam muito mais de moradia e de escola. Uma pesquisa recente mostrou que escolas com muita mobilidade estudantil tiveram menos sucesso nas tentativas de aumentar as conquistas dos alunos. E não apenas as dos que se mudaram, mas também as dos que tinham residência estável. O recurso mais precioso do professor é o tempo de aula. Se uma criança nova entra na classe a cada duas semanas, ele vai perder tempo, porque tem de ensinar as normas da sala de aula e de comportamento e descobrir as habilidades de leitura e de Matemática deste aluno. Tem também a qualidade do professor. As condições de trabalho são mais difíceis em escolas com muitas crianças de baixa renda. É mais complicado atrair professores habilidosos e retê-los nestas instituições. Nos Estados Unidos, a maioria dos professores seniores tende a se mudar para escolas frequentadas por crianças de renda melhor. Deixam as escolas com crianças pobres para docentes relativamente novatos.”
Como aumentos na renda familiar impactam as oportunidades educacionais de crianças de baixa renda?
“Dinheiro por si só não é a maneira de pensar a questão. Os pontos-chave são as experiências que os alunos têm diariamente; elas precisam mudar. Muitas vezes os professores não mudam a maneira como ensinam. Se as experiências dos alunos não são tão diferentes, eles não aprendem mais. Eu não estou dizendo que dinheiro não importa; ele importa se for bem utilizado. O realmente necessário é ter instrutores melhores. Gastar mais dinheiro comprando livros não vai automaticamente levar a um ensino melhor. O desafio é melhorar a instrução, e isso pode precisar de recursos extras. Mas prover recursos extras não faz isso acontecer automaticamente.”
Então, embora a desigualdade de renda leve a resultados educacionais ruins, dinheiro não é necessariamente a solução para o problema….
“Os recursos devem seguir, não guiar. É preciso começar desenvolvendo um plano concreto para melhorar o aprendizado dos alunos. E como deve ser este plano? Depende do local e da natureza da situação. Por exemplo: se o problema é o fato de os alunos não estarem indo regularmente à escola, isso pode estar acontecendo porque as instituições são distantes ou porque os pais precisam que eles trabalhem ou tomem cuidado dos irmãos mais novos. Se o problema é as crianças não estarem matriculadas ou não frequentarem as aulas regularmente, então a política inicial deve ser diminuir o custo das famílias de baixa renda para mantê-las na escola. Há muitos exemplos de políticas, em diversos países, que diminuem o custo de ter crianças frequentando escolas e levaram ao aumento de taxas de matrícula e frequência entre as de renda baixa.”
O senhor pode citar exemplos?
“Muitos países investiram em medidas que fizeram as escolas distantes ficarem mais próximas das moradias das crianças. Um estudo recente na Índia mostrou uma política de dar bicicletas aos alunos. Em outro lugar, alunas não estavam indo às escolas porque não havia banheiros limpos. Então, oferecer boas condições sanitárias para elas foi importante. O Brasil tem há anos uma política de transferência de renda, o Bolsa Família, que auxilia famílias pobres com a condição de que elas mandem os filhos para a escola. Todas estas estratégias se provaram eficientes para aumentar o número de crianças estudando. Se o problema é falta de frequência dos professores, dar um incentivo que seja atrelado à presença regular pode fazer uma real diferença. Outro problema é a falta de conhecimento e de habilidade dos professores para ensinar com eficácia. Neste caso, os incentivos, sozinhos, não são boa estratégia. O desafio talvez seja como capacitá-los melhor. E esta é uma estratégia de longo prazo, que pode incluir a criação de incentivos para atrair adultos mais bem educados para o magistério e o ensino de técnicas que ajudem os atuais docentes a lecionar.”
Como deve ser o treinamento dos professores?
“Depende das habilidades deles. Nas partes mais pobres do Brasil, onde os professores têm pouca educação formal, uma solução passa por prover currículos estruturados com instruções muito detalhadas sobre o que ensinar e como, demonstrando como fazê-lo. Em situações em que os professores têm mais conhecimento e só precisam melhorar suas habilidades, diferentes tipos de desenvolvimento profissional e treinamento são necessários. Mas há casos, muito comuns nos Estados Unidos, em que alunos e professores vão à escola, os professores se esforçam ao máximo e têm algumas habilidades, mas existe uma grande necessidade de coordenar o ensino, de maneira que ele pareça o mesmo em todas as salas de aula de todas as instituições. Isso é difícil. E requer a reorganização da escola, que é uma comunidade na qual pessoas continuam aprendendo.”
O que os países em desenvolvimento estão fazendo de bom?
“A Coreia do Sul, que agora é um país relativamente rico, mas não o era em 1960, investiu pesadamente em seu sistema educacional por décadas. E isso fez diferença. A Finlândia agiu da mesma forma. Alguns países com baixas taxas de matrícula no ensino secundário investiram em dar a famílias de baixa renda subsídios para matricular seus filhos neste segmento. Na Colômbia, esta política foi eficaz em melhorar os resultados de estudantes de baixa renda.”
O senhor estudou o Brasil e o caso da Bolsa Família?
“Detalhadamente, não. Há uma necessidade em muitos países, incluindo o Brasil, de pesquisas melhores para sabermos se as políticas adotadas fizeram diferença.”
Jovens de renda maior têm mais vantagens que os de baixa renda para desempenhar funções que não podem ser executadas por computadores?
“A qualidade da educação faz uma grande diferença. O tipo mais fácil de prover é o de habilidades básicas, como ler suficientemente bem para seguir direções, ser capaz de fazer contas básicas e saber o básico de informática. Em contraste, empregos que não estão sendo computadorizados requerem a capacidade de solucionar problemas, de trabalhar em grupo e de aprender coisas novas rapidamente.”
Que políticas o senhor sugere para ajudar estudantes de baixa renda a terem sucesso nesta força de trabalho cheia de robôs?
“Educação de alta qualidade é importante, assim como boas políticas de saúde e bons suportes para famílias de baixa renda, para que as crianças cheguem às escolas bem alimentadas e saudáveis. É preciso ir além de ensinar apenas a ler e seguir instruções. Notamos que educação de qualidade é ainda mais importante hoje que há 20 anos para prever o sucesso no mercado de trabalho, por causa das mudanças técnicas.”
O GLOBO on line

Lei de Meios: Sanção é ponto de partida para democratizar meios de comunicação

Nova lei beneficia liberdade de expressão, mas aplicação tendenciosa impede transformações necessárias
A Lei de Meios argentina democratiza os meios de comunicação em favor da liberdade de expressão?
SIM
O modelo de democracia de uma sociedade reproduz, entre outros aspectos, as condições de participação e acesso da cidadania à comunicação e à cultura. Isto é, as sociedades democráticas são formadas, ainda que não totalmente, por comunicações democráticas.
É complexo responder se a Lei Audiovisual argentina democratiza os meios de comunicação em benefício da liberdade de expressão, porque, como se verá, a sanção de uma norma não resolve: é apenas um ponto de partida de um processo grande.
Por diversas razões (sobre as quais ainda não se discute em profundidade), desde 2008 o governo de Cristina Fernández de Kirchner e os grandes grupos de comunicação (fundamentalmente o Grupo Clarín) mantêm um enfrentamento muito visível, cujo ponto alto aconteceu a partir da aprovação da Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual (LSCA) 26522/09, que estabelece limites para a concentração de propriedade dos meios e propõe novas condições para a produção de conteúdos audiovisuais.
No texto da norma se reconhece a capacidade de administrar os meios de comunicação de três tipos de atores: o Estado, o ator privado com fim lucrativo e o ator privado não comercial, caracterizado de modo amplo e inclusivo. A reserva de 33% para este último setor, em todos os canais e todas as frequências, é o avanço mais relevante, somado aos argumentos que sustentam tal decisão (sua possibilidade de autonomia em relação aos poderes econômicos e políticos).
A isto se pode somar a possibilidade de outorgar licenças de modo direto a emissoras de baixa potência em regiões em que não há conflito, o que poderia acelerar o processo de inclusão de emissoras comunitárias. Além disso, a inclusão de novos limites para a concentração e o avanço na estrutura (não ainda em sua administração) dos organismos de aplicação e controle (Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual, Conselho Federal, Comissão Bicameral) são aspectos destacáveis.
Desde a sua sanção, a LSCA nunca foi plenamente aplicada. Em 2009 e 2011, primou a reação dos grandes grupos concentrados na tentativa de frear a lei e a permeabilidade de alguns setores jurídicos.
Em segundo lugar, houve a falta de decisão integral do governo e, em último lugar, houve o papel exercido pela maioria dos partidos de oposição, que tomaram como própria a agenda dos grupos concentrados e deslegitimaram a LSCA com suas ações.
De 2011 adiante, os fatores se alternam, com destaque para a redução que o governo realizou da norma original no “pacote Clarín”, manteve-se o acionamento dos setores jurídicos atrasando as decisões sobre as medidas cautelares.
Enquanto isso, a oposição mudou sua estratégia, mas foi incapaz de gerar efeitos, como constituir a Bicameral e nomear seus diretores na AFSCA (Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual).
É possível sustentar, então, que a nova lei democratiza os meios de comunicação em benefício da liberdade de expressão em seu texto, mas sua aplicação tendenciosa impede as transformações concretas de que o sistema necessita.
(*) Santiago Marino é diretor do mestrado em Indústrias Culturais na Universidade Nacional de Quilmes, docente dos cursos de graduação e pós-graduação na Universidad Nacional de Quilmes, Universidad de Buenos Aires, e Universidad del Salvador.

Escrito por: Santiago Marino (*)
Fonte: Ópera Mundi
*Os artigos publicados em Duelos de Opinião não representam o posicionamento de Opera Mundi e são de responsabilidade de seus autores.
A batalha judicial sobre a aplicação da LSCA (Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual) – a Lei de Meios – chegou ao fim nesta terça-feira (29/10) na Argentina. A Suprema Corte do país, com seis votos a favor e um contra, considerou constitucional todos os artigos fundamentais para a reconfiguração do espectro radioelétrico – alguns eram contestados pelo Grupo Clarín.

 

“Na escola, a homofobia é escondida pela tolerância mascarada”, diz pesquisadora

Para a socióloga Miriam Abramovay, escolas não sabem combater o preconceito contra homossexuais
A violência nas escolas não é um fenômeno atual. As agressões verbais, físicas, a discriminação e o ciberbullying são situações comuns no ambiente educacional e refletem o que a sociedade machista ainda estabelece como norma: o aluno branco, heterossexual, de classe média e de religião católica que é aceito.
Essa é a opinião de Miriam Abramovay, que coordenou diversas pesquisas da Unesco e atualmente coordena a Área de Juventude e Políticas Públicas da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais.
Ao iG, ela debateu ainda o preconceito e a homofobia dentro do ambiente escolar e a dificuldade das instituições de ensino para lidarem com a questão. Confira a entrevista abaixo.
O que é caracterizado como violência escolar?
É interessante notar que não é só uma violência, mas muitas. Existe uma violência na escola e também a violência da escola. Sabemos que o espaço da escola não é um oásis, não é um local protegido. Então toda a violência que permeia a sociedade está na escola. Mas ela não só é responsável por reproduzir a violência, mas também produzir a sua própria violência.
Eu costumo separar em duas essas violências: a primeira é a chamada violência dura, que é aquela que vem do tráfico dentro da escola, do aluno que leva arma, causa brigas e morte. É aquela violência que encontramos no código penal. Ela chama muito a atenção, mas ainda não é o tipo de violência principal. É a microviolência que está no cotidiano dos estudantes, que é a agressão verbal, o preconceito e em alguns casos a agressão física.
A escola é um local onde as relações sociais são muito tensas, onde se estabelecem vários tipos de problemas, de contradições. Isso acaba aparecendo através do racismo, do preconceito, da homofobia. Geralmente é o aluno branco, heterossexual, de classe média, de religião católica que é aceito, essa é a norma.
E isso pode contribuir para evasão escolar?
A instituição escolar enfrenta muitas dificuldades para lidar com isso. Ela não consegue absorver os seus alunos, principalmente os adolescentes. Muitas vezes acaba o expulsando da escola, não aceitando as suas formas de ser jovem, não trazendo discussões que o interessem.
 
Existe hoje uma exposição da violência na escola, como brigas que são gravadas e colocadas na internet. Qual é o efeito disso?
Essa sociedade do espetáculo em que vivemos tomou vida com isso. E trouxe o ciberbullying. Não é um fenômeno do Brasil. Temos que contextualizar isso dentro de uma sociedade que precisa aparecer, principalmente os jovens. Fiz um trabalho com gangues de meninas e isso acontece muito, quanto mais você aparece, mais você é notado.
O que me chama atenção é a quantidade de vídeos de meninas, é um fenômeno mais recente e isso é muito grave. Às vezes, uma briga acontece e acaba dentro do ambiente escolar, mas quando coloca no YouTube é uma humilhação global e por muito tempo. É algo muito pouco discutido nas instituições de ensino. Mesmo que aconteça na porta da escola, não importa, são alunos, então precisa ser trabalhado, precisa ser discutido.
Em uma pesquisa divulgada neste ano, quase metade dos professores afirmou que já sofreu agressão dentro da escola. A figura do professor é respeitada?
Quando sai uma pesquisa a gente tem que tomar cuidado, porque é somente uma face da questão e do problema. Existe um problema com a nossa educação, uma questão de não reconhecimento do papel do professor, e não é só por parte dos alunos.
Estou fazendo uma pesquisa agora para o Ministério da Educação (MEC) em escolas públicas e me chamou atenção que não teve nenhum aluno que falou que gostaria de ser professor. Acho que o modelo da escola, como ela está funcionando, não está servindo para o jovem do século 21. Ela acaba sendo uma escola sem interesse, desagradável.
O que é preciso fazer para mudar esse quadro?
Precisamos de uma política pública pensada. Nós não temos até agora um quadro nacional sobre a violência nas escolas. Temos estudos específicos, como por exemplo de bullying. Mas precisamos de um quadro geral para que possamos ter políticas públicas mais efetivas, de uma forma nacional.
E temos que perceber que existem programas contra bullying, para pessoas com deficiência, para colocar a ensino da história e cultura afro-brasileira – que pouco está acontecendo por sinal. Estamos fazendo leis, como se a Justiça fosse resolver a questão. Não é assim. Acho que é preciso colocar em cheque também a formação que é oferecida aos professores. Precisamos mudar essa situação.
Você coordenou algumas pesquisas que incluíam a violência contra os homossexuais em escolas. Há dados atualizados sobre o assunto?
Andei pesquisando e existem algumas pesquisas recentes, mas geralmente elas trabalham com conceito de bullying. E isso é complicado e restringe a ideia. Porque bullying é violência entre os pares. Se há violência com professores na escola, isso não é mais bullying, é violência. Essas pesquisas se restringem porque trabalham com esse conceito, mas que é muito discutível.
A questão da sexualidade é muito complicada, a escola não está preparada para lidar com o tema, e os alunos não estão preparados para não serem preconceituosos. Não podemos nos esquecer que vivemos em uma sociedade machista. Então existe uma série de preconceitos, mas principalmente a homofobia. E ela ainda é escondida pela tolerância mascarada, que é complicada. É ensinado que temos que ter tolerância, mas “tolerar é aguentar” e a relação das pessoas não pode ser de suportar.
Dos preconceitos, ela acaba sendo a mais grave porque permeia a sexualidade de qualquer um. Dos adolescentes, dos jovens, dos professores. E tem um aspecto muito violento, porque essas pessoas recebem apelidos, são motivos de piada. Sofrem tanto que abandonam a escola e isso vemos constantemente.
Como o ambiente escolar deveria lidar com a questão?
A escola não sabe bem como atuar nessas ocasiões, nem quando a coisa acontece. Existe toda uma coisa de prevenção que deveria acontecer nas escolas, mas que não acontece, só acontece quando a situação chega ao extremo. Tudo é levado como se fosse brincadeira, quando na verdade acaba gerando uma dor muito grande.
 

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