Dois milhões faltam e prejuízo do Enem é de R$ 103 milhões

Sem incidentes graves, a maior edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que ocorreu no fim de semana (26 e 27), foi também a que registrou recorde no número de faltosos. Dos 7,1 milhões de inscritos, mais de 2 milhões (29%) não compareceram na prova, segundo dados preliminares do Ministério da Educação (MEC). O índice representa prejuízo estimado em R$ 103 milhões, com base no custo por inscrito.
A taxa de abstenção cresceu em relação a 2012, quando 1,6 milhão de inscritos (27,9%) faltaram. O índice projetado pelo MEC neste ano só é menor do que o registrado em 2009, quando 37,7% não compareceram – naquele ano, entretanto, o exame havia sido remarcado, depois do vazamento da prova, o que prejudicou a participação.
Em 2011, a média de faltas foi de 26,4% e, em 2010, de 28%. O MEC chegou a anunciar que criaria medidas para inibir faltosos, mas recuou. Em vestibulares tradicionais, a abstenção fica em torno de 10%.
Apesar dos faltosos, cerca de 5 milhões de estudantes participaram das provas, um aumento de 20% em relação ao ano anterior. Para o ministro Aloizio Mercadante, o Enem foi tranquilo. “Tivemos algumas ocorrências, mas nada que mereça destaque”, disse ele. “Agora começa a nova fase, que é a correção das provas. Tomamos medidas para aumentar o rigor”, disse. O gabarito oficial será divulgado na quarta-feira. Os resultados serão apresentados no início de janeiro.
No segundo dia, 12 jovens postaram fotos do cartão de matrícula nas redes sociais e acabaram excluídos pelo MEC. No total, foram 36 exclusões por esse motivo – em 2012, houve 65.
De acordo com Mercadante, 2 milhões de tweets foram monitorados na internet. E a equipe de fiscalização continuará atuando. “Se for descoberto que alguma cláusula foi violada, quem a violou será excluído. Não podemos permitir que alguém ingresse no sistema depois de ter violado um exame que tanto esforço deu para ser elaborado.”
‘Gazolina’
O ministro repercutiu a polêmica de uma questão da prova de sábado que trazia uma charge dos anos 1960 com a palavra gasolina grafada com letra ‘z’. Mercadante defendeu que não havia erro, mas escolha pedagógica. “O MEC não pode alterar uma obra de arte, por qualquer razão que seja.”
Como argumento, ele mostrou uma pesquisa feita nas edições dos jornais O Globo, Folha e Estado, com vários registros da palavra gasolina com ‘z’. E o ministro ponderou que o autor do livro, que reproduz a charge, defende a grafia antiga.
Em Unaí, um radialista fotografou o local da prova e tentou sair. Foi preso por tentar violar o sigilo da prova. Também em Minas, cerca de 100 candidatos de Belo Horizonte perderam o exame de domingo porque, segundo eles, os portões da Faculdade Kennedy, na região de Venda Nova, teriam sido fechados 10 minutos antes. Parte deles chamou a Polícia Militar e registrou boletim de ocorrência. Mercadante disse que nenhum local de prova fechou antes.
Segundo Mercadante, uma candidata grávida fez a prova no Rio com uma enfermeira do lado. Sentido contrações, ela preferiu acabar a prova e depois seguir para o hospital. No sábado, uma candidata entrou em trabalho de parto em Teresina, Piauí. O nome da filha é Luna.
Em Governador Valadares (MG), um candidato transexual diz ter sofrido constrangimentos. “Pediram para que falasse todos os dados. Quando disse que eu era do sexo feminino, ela riu e perguntou se eu tinha certeza. Fiquei calado”, disse Felipe Henriques, de 17 anos. “Saí da sala duas vezes porque não conseguia fazer a prova e acabei chorando.” Mercadante disse que desconhecia o caso.
 

UnB faz Mostra de Filmes sobre Cultura Surda

Semana Universitária da UnB será de 4 a 8 de novembro das 8h às 12h, durante toda a semana. Apenas na quarta-feira, a mostra será no período da tarde das 14h às 18h.
Alunos surdos da Secretaria de Educação do DF, bolsistas do Instituto de Psicologia da UnB, realizam “Mostra de Filmes sobre Cultura Surda”.
O projeto, coordenado pelo prof. Domingos Sávio Coelho, tem o objetivo de reviver o cinema como uma narrativa através de imagens e apresenta filmes curtos criados, roteirizados, editados e montados por estudantes surdos de escolas públicas do DF. As animações mostram situações da vida do surdo contemporâneo e procuram sensibilizar os espectadores.
Para participar e se inscrever é só acessar o link abaixo e seguir as instruções
no campo “titulo da ação” escreva o nome da atividade:
“mostra de filmes de animação sobre cultura surda”
https://www.sistemas.unb.br/siex/publico/oferta_extensao_listagem.xhtml

Conferência e manifesto por uma educação inovadora

Para serem perenes, “os projetos inovadores de educação precisam se encontrar e conversar mais entre si”. Foi com essa mensagem, enviada pela internet para uma série de educadores brasileiros em 2008, que o fundador da Escola da Ponte de Portugal, José Pacheco, deu início à construção dos Românticos Conspiradores, uma rede colaborativa de militantes que luta pela transformação da educação no Brasil. Depois de longos cinco anos, a rede conseguiu não apenas aproximar as pessoas e entidades que desenvolvem projetos inovadores – geralmente relacionados à educação integral -, como se articulou a ponto de criar um manifesto público. O documento, que detalha as principais “transformações” sugeridas pelo grupo (mais informações abaixo), vai ser entregue ao Ministério da Educação (MEC) no dia 19 de novembro, em Brasília, durante a abertura da I Conane (Conferência Nacional de Alternativas para uma nova Educação).
Vai ser na conferência, que vai se estender até o dia 21 de novembro, que representantes de projetos bem sucedidos de educação integral e inovadora buscarão estreitar mais os laços e detalharão suas realizações. Entre os projetos a serem apresentados no encontro estão os bens sucedidos: Gente, uma escola do Rio de Janeiro que não tem paredes; o Projeto Âncora, uma comunidade de aprendizagem em Cotia (SP); e as iniciativas pedagógicas voltadas à autonomia do aluno desenvolvidas pela escola municipal Amorim Lima, em São Paulo. Dessa forma, os organizadores esperam que com o manifesto em mãos e as boas práticas à vista, eles possam sensibilizar o MEC, a sociedade brasileira e outros educadores simpáticos à causa.
crédito shaiith / Fotolia.com
“Trata-se de um movimento articulado pela sociedade civil. Queremos com o encontro, trocar conhecimentos e congregar uma força mais consistente em prol da inovação da educação no país. Nossa intenção prática é começarmos uma conversa com o Ministério da Educação com vistas a efetivar mudanças na educação pública. Por isso, que destacaremos casos consistentes que podem servir de inspiração para esse movimento de mudanças que defendemos”, afirma Talita Porto, do coletivo Gaia Brasília, e uma das organizadoras do Conane.
Para garantir a presença do ministro da educação Aloisio Mercadante, a comitiva do Conante, incluindo o educador José Pacheco, conseguiu se reunir na última semana com Mercadante. Na ocasião, segundo os organizadores, o ministro se prontificou a participar da solenidade de abertura do encontro. Lá, eles esperam que o ministro dê uma indicação sobre alguma ação concreta que o MEC pode fazer no sentido de estimular a adoção dessas novas práticas inovadoras no âmbito das escolas formais. Como o evento não contará com transmissão on-line das palestras, é preciso ir pessoalmente conferir os debates. A boa notícia é que ainda existem vagas abertas. Para participar, é preciso pagar R$ 100. O valor não inclui hospedagem nem alimentação. (veja a programação completa)
Ainda durante o I Conane, está previsto o lançamento do documentário Quando sinto que já sei, realizado com recursos arrecadados via crowndfunding . O doc questiona a educação formal tradicional e traz uma série de entrevistas com educadores que propõem uma abordagem mais inovadora nas práticas de ensino e aprendizagem. Assista ao teaser feito pelos realizadores Antonio Lovato, Raul Perez e Anderson Lima:
Manifesto
Elaborado de forma colaborativa durante cinco anos de discussões virtuais e presenciais, o manifesto pela educação intitulado Mudar a Escola, Melhorar a Educação: Transformar um País teve a contribuição de cerca de 2 mil pessoas que compõe o grupo Românticos Conspiradores além de outros participantes. Depois da triagem de sugestões, o grupo conseguiu condensar os desejos dos militantes em oito páginas. Todo o documento está disponível para consulta pública desde o final de setembro. Simpatizantes à causa ainda podem apoiar virtualmente o movimento, assinando a petição on-line a favor do manifesto através da comunidade do Avaaz.
Buscando detalhar todos os pontos que são levantados pelo documento que propõe colocar em prática mudanças significativas na educação brasileira, o Porvir repassa um resumo dos 19 pontos levantados pelo manifesto. Confira, reflita e deixe o seu comentário:
“Mudar a Escola, Melhorar a Educação: Transformar um País
1. Políticas Públicas em Educação previamente discutidas, aprovadas e supervisionadas pela comunidade;
2. Assegurar às escolas a dignidade de um estatuto de autonomia;
3. Revisão do tipo de gestão das escolas, passando de uma tradição hierárquica e burocrática para decisões colegiadas, coletivas, colaborativas e horizontais, envolvendo a participação da comunidade;
4. Implantação de comunidades de aprendizagem concebidas por um projeto educativo coletivo, baseado num projeto local de desenvolvimento, consubstanciado numa lógica comunitária;
5. Uma educação integral em tempo integral para todos os estudantes;
6. Que a instituição escolar ressignifique seu papel, passando a atuar como locus de construção de conhecimentos e vivências;
7. Que se garanta aos profissionais da Educação, que assim o desejem, prevenção, assistência e apoio terapêutico, gratuito e constante;
8. A formação de uma rede colaborativa de comunicação, onde participem família, educadores, educandos, membros de comunidades de aprendizagem, mídia, etc;
9. Considerar que não se pode ser desconsiderado o desenvolvimento afetivo e emocional do educando;
10. A universalização do ensino e a garantia da matrícula em todos os níveis da educação;
11. Que a universidade se distancie de práticas de formação incompatíveis com necessidades educacionais do nosso século;
12. Reelaboração da cultura pessoal e profissional do educador através da vivência de práticas inovadoras em educação;
13. Reconhecimento público aos profissionais da educação, traduzido também em salários dignos;
14. Fim do desperdício decorrente de más políticas públicas em educação;
15. Erradicação da evasão escolar;
16. Implantação efetiva de uma política da juventude que contemple o espírito empreendedor, o protagonismo juvenil e o desenvolvimento dos valores humanos;
17. Que a educação domiciliar e outros modos de desenvolver aprendizagem sejam permitidos às famílias que assim o desejarem, desde que garantida a coerência e a qualidade dos percursos de aprendizagem do educando à luz de um projeto educativo;
18. Substituição de reprovação, da aprovação automática e da recuperação, paralela ou ao final de um período, pela prática de uma avaliação formativa, contínua e sistemática capaz de permitir que o aprendizado caminhe junto com o desenvolvimento do pensar;
19. Ampliação do uso da mediação escolar, da justiça restaurativa e de técnicas similares, para que os conflitos sejam resolvidos pela própria escola dentro da proposta de Cultura de Paz (Unesco)”.
Porvir

Comissão de Educação aprova novas regras para fiscalizar repasses a escolas

A Comissão de Educação aprovou nesta quarta-feira (23) o Projeto de Lei 2667/11, do deputado Artur Bruno (PT-CE), que estabelece critérios para a fiscalização dos repasses do PDDE (Programa Dinheiro Direto na Escola) e do Pnae (Programa Nacional de Alimentação Escolar), mantidos pelo governo federal.
O PDDE destina recursos para melhorar a infraestrutura física e pedagógica das escolas estaduais e municipais de educação básica. Por sua vez, o Pnae repassa verbas para a compra de merenda escolar.
Para o relator na comissão, deputado Chico Alencar (Psol-RJ), a proposta contribui para o controle social dos programas. Ele lembrou que são frequentes as irregularidades na aplicação de recursos para alimentação escolar, como uso de alimentos vencidos; ou na utilização indevida do PDDE para pagar, por exemplo, despesas de custeio como pagamento de trabalhadores, água e luz.
Cardápio
O projeto determina a divulgação mensal do cardápio da merenda escolar nos sites de Estados e municípios, com a especificação das quantidades e espécies de produtos adquiridos (por fornecedor) e distribuídos (por escola).
O texto também obriga Estados e municípios a fornecer aos deputados estaduais ou aos vereadores, sempre que solicitado, a documentação sobre os recursos repassados pelo PDDE, inclusive os comprovantes de pagamentos efetuados.
A Lei 11.947/09, que trata do assunto, já exige que esses documentos sejam entregues, se requisitados, ao TCU (Tribunal de Contas da União), ao FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), ao sistema de controle interno do Poder Executivo federal e ao CAE (Conselho de Alimentação Escolar).
A fiscalização dos recursos do Dinheiro Direto na Escola é de competência do FNDE e dos órgãos de controle externo e interno da União. Segundo o projeto, essa fiscalização será feita também com base na discriminação e divulgação prévia dos repasses por escola.
Conselhos
O projeto inclui, entre os integrantes dos CAEs, um representante indicado pelos conselhos profissionais de economia, ciências contábeis ou administração. Hoje, os CAEs são compostos por um representante indicado pelo Poder Executivo do respectivo ente federado, dois de entidades de trabalhadores da educação, dois de pais de alunos e dois indicados por entidades civis organizadas.
Os conselhos escolares têm caráter fiscalizador, permanente, deliberativo e de assessoramento e são instituídos pelos estados e pelos municípios.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.
UOL

Investimentos em educação são insuficientes, mal distribuídos e mal geridos, dizem especialistas

Mais investimentos e planejamento educacional mais qualificado são as chaves para que o Brasil possa avançar na educação, facilitando o crescimento econômico e o desenvolvimento. Essa foi uma das advertências feitas pelos quatro especialistas que participaram, na tarde desta quarta-feira (23), da audiência pública promovida pela comissão temporária especial destinada a debater e propor soluções para o financiamento da educação.

Educação Básica

Representando o Conselho de Secretários de Educação (Consed), o secretário da Educação e Cultura do Estado do Tocantins, Danilo de Melo Souza, afirmou que a prioridade deve ser aumentar os investimentos públicos na educação infantil, também conhecida como pré-escolar. Estudos já mostraram, frisou, que os investimentos na pré-escola proporcionam retorno muito maior que os investimentos no ensino superior.
Para o secretário, o país precisa de professores mais bem capacitados, com salários dignos e plano de carreira que torne a profissão atrativa. Ele disse que o piso salarial nacional precisa ser aumentando para atrair profissionais de ponta para a carreira.
– Investimento é colocar um bom salário para o professor que está na sala de aula. É preciso dar condições salariais para que esse profissional possa devotar-se aos estudantes – afirmou.
Danilo de Melo Souza ainda chamou a atenção para a necessidade de o Brasil “pensar a educação de maneira mais técnica” e suprapartidária, como um projeto de nação. Ele acredita que uma formação inicial sólida dos professores é um dos pontos-chave para a melhoria do ensino.
Como sugestões, o secretário apresentou a criação da chamada residência pedagógica, similar ao que já existe na formação dos médicos; ampliação dos investimentos em alimentação e transporte dos estudantes; aumento da jornada de aulas e a destinação total dos recursos provenientes da exploração do petróleo do pré-sal para o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).
– Se não tivermos educação básica de qualidade não teremos universidade competitiva no futuro – acrescentou.
Danilo ressaltou a importância de o estado brasileiro promover uma garantia nutricional mínima para que os estudantes tenham um padrão de nutrição adequado em seu desenvolvimento humano e escolar.
– Muitos estudantes brasileiros estão em situação de risco nutricional – disse.

Planejamento

O economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Waldery Rodrigues Júnior, informou que o Brasil tem 50,5 milhões de alunos na educação básica. Para ele, são necessários investimentos pesados nesse setor, para que a qualidade da educação e dos estudantes brasileiros aumente com o passar dos anos. Ele criticou os baixos investimentos e a má distribuição dos recursos públicos para a educação.
– Investimos pouco e gastamos mal – disse.
Segundo ele, 40% dos estudantes que terminam o ensino fundamental não sabem que “uma hora tem 60 minutos e não 100 minutos”. Waldery disse que a qualidade da educação está direta e brutalmente ligada à capacidade de crescimento econômico e desenvolvimento dos países.
Para o economista os Ministérios da Fazenda e do Planejamento são mais capazes de “revolucionar a educação” que o próprio Ministério da Educação, pois, em sua opinião, o setor precisa urgentemente de mais investimentos e melhor planejamento. Ele acredita que o Brasil, mesmo sem os recursos do pré-sal, já tem dinheiro suficiente para melhorar a educação de maneira contundente, o que falta é a decisão política para que esses recursos sejam redirecionados para onde são necessários.
Ele criticou o direcionamento de  46% do Orçamento da União para financiar a dívida pública e a Previdência, enquanto a educação fica com pouco mais de 3%.

Educação de qualidade

Por sua vez, o professor-pesquisador da Universidade de Brasília (UnB), Manuel Marcos Formiga, informou que o Brasil tem um dos maiores contingentes de estudantes do planeta e ainda se encontra entre as dez nações com maior número de analfabetos. Ele explicou que, além dos analfabetos totais, o país tem milhões de analfabetos funcionais e outros tantos milhões de analfabetos digitais.
– Falta planejamento educacional. O desafio para as próximas décadas é transformar crescimento econômico em desenvolvimento, quantidade em qualidade, e um dos principais instrumentos para que isso ocorra é a educação – pontuou.
Formiga entende que o país deve priorizar a formação superior na área de exatas, como as diversas engenharias, em detrimento da área de humanas. Atualmente, afirmou o professor, a cada 800 formados, apenas um se gradua em engenharia no Brasil, o que limita o avanço tecnológico e em inovação.

Mais investimentos

O editor-chefe da revista da Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação (Fineduca), Juca Gil, reconheceu que o país tem diversos problemas de gestão e de malversação dos recursos públicos destinados à educação. Porém, ele sublinhou que, mesmo que esses recursos não fossem mal geridos ou desviados, ainda assim, o montante de recursos seria insuficiente para sustentar e ampliar um ensino público de qualidade.
– A União tem de entrar com mais recursos – afirmou.
Ele defendeu a aplicação de 10% do produto interno bruto (PIB) na educação, índice que atualmente gira em torno de 5%. Apontou ainda para a necessidade de as autoridades discutirem a prorrogação ou uma alternativa para o Fundeb, que terminará em 2020.

Revolução

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), relator da comissão, apresentou a proposta de uma “revolução republicana na educação”, que seria implantada em duas décadas. Para que isso ocorra, o senador disse serem necessários o aumento dos investimentos públicos, um piso salarial para os professores de R$ 9.500, reforma ou reconstrução das dependências físicas de todas as escolas e aquisição de equipamentos modernos.
A presidente do colegiado, senadora Ângela Portela (PT-RR), disse que já há um consenso sobre a necessidade de mais recursos e de melhor capacitação e valorização dos professores. A senadora disse que a comissão vai apresentar propostas concretas para que isso ocorra. Ela acrescentou que, tanto o Executivo quanto o Legislativo já estão trabalhando nesse sentido.
A reunião foi conduzida pela presidente do colegiado, senadora Ângela Portela, com o apoio do relator, Cristovam Buarque. Também participaram do debate os senadores Vital do Rêgo (PMDB-PB) e Ana Amélia (PP-RS) e as deputadas federais Fátima Bezerra (PT-RN) e Iara Bernardi (PT-SP).
A comissão especial, composta por dez senadores, foi criada em setembro por ato do presidente do Senado, Renan Calheiros, e foi instalada em 1º de outubro, com prazo de 90 dias para a conclusão dos trabalhos. Antes das exposições dos palestrantes, os senadores aprovaram o plano de trabalho da comissão, elaborado pelo relator.
 

Cientista analisa o sistema de pós-graduação no Brasil

Presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (Cgee), associação civil sem fins lucrativos vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia  e Inovação (MCTI), Mariano Laplane faz uma análise, por meio de diferentes recortes, do sistema de pós-graduação do Brasil. Cientista social e econômico, o acadêmico acredita que, por meio de políticas públicas, é possível acelerar a construção de um promissor campo de pesquisas e inovação no país.
Criado em 2001, o Cgee realiza estudos em prospecção e avaliação estratégica baseados na articulação com especialistas e instituições do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia (Sncti). Em abril deste ano, o órgão divulgou o “Estudo sobre mestres e doutores no Brasil”, que apreciou os principais indicadores referentes aos cursos de mestrado e doutorado do Brasil, entre 1996 e 2011.
No período analisado pelo trabalho, a oferta de pós-graduação aumentou 10% ao ano. Tal impulso rendeu ao país mais de meio milhão de profissionais com mestrado e quase 190 mil com doutorado. No entanto, a parcela de brasileiros com pós-graduação representa menos de 0,5% da população, quantitativo ainda insuficiente para responder aos desafios do crescimento econômico. Apenas 0,32% dos brasileiros possuem mestrado, enquanto 0,12% possuem o doutorado.
Em entrevista à FOLHA DIRIGIDA, Mariano Laplane explica que a pós-graduação atravessa um momento de consolidação no país, fruto de esforços iniciados há mais de 50 anos. Esse quadro, segundo o especialista, por ser constatado pelo convívio de cursos de especialização e aperfeiçoamento, com os cursos do tipo MBA e também com os cursos de pós-graduação strictu sensu, que são os mestrados acadêmico e profissionalizante e os cursos de doutorado.


FOLHA DIRIGIDA – Como avalia o cenário da pós-graduação no Brasil, atualmente?

Laplane – A pós-graduação no Brasil está em um processo de consolidação de uma forte expansão que aconteceu nos últimos dez anos. Essa expansão foi planejada, através dos Planos Nacionais de Pós-Graduação. Temos, hoje, um sistema de pós-graduação, bastante complexo, que abrange várias partes do território nacional e envolve instituições com vários perfis — órgãos federais, estaduais, privados. Esse cenário é produto da implementação destas propostas. A expansão não é aleatória. Vivemos um momento de consolidação das políticas e de enfrentamento dos novos desafios.

E quais são os principais problemas verificados nos cursos de pós-graduação?

Após a expansão, é preciso que se coloque alguns desafios. Temos que encontrar um modo de reequilibrar a distribuição dos esforços para formar mestres e doutores na direção daquelas áreas do conhecimento, daqueles temas que o país mais necessita para o seu desenvolvimento. Devemos promover uma ampliação que privilegie, de alguma maneira, a formação de recursos humanos, de pesquisadores nas áreas de Tecnologia, nas Ciências Exatas, nas Engenharias. São campos em que precisaremos concentrar recursos para satisfazer as demandas que virão na medida em que se acelerar o processo de crescimento econômico. Não estou dizendo que as outras áreas não sejam importantes. Mas temos um desequilíbrio fácil de perceber. Há uma desproporção muito grande no número de programas de pós-graduação nas áreas de Tecnologia, Engenharias e Ciências Exatas, quando comparadas a outros campos de conhecimento.
A que o senhor atribui essa baixa oferta de programas de pós-graduação na área das Ciências Exatas e das Engenharias?
A formação de recursos humanos nessas áreas é muito cara, pois há necessidade de uma atividade de pesquisa experimental ao longo do processo de formação. São necessários investimentos significativos em laboratórios. Não basta ter bibliotecas. Elas devem ser complementadas com laboratórios. E esses laboratórios não são compostos apenas, como há algumas décadas, por uma bancada e alguns instrumentos. Eles precisam dispor de equipamentos caros e sofisticados. Por isso, será necessário gastar muito para formar mestres e doutores nas áreas de Ciências Exatas e nas Engenharias. Se contrastarmos a oferta desses cursos entre os sistemas público e particular de ensino, veremos que o desequilíbrio é muito maior no setor privado do que no público, pois a demanda de investimentos é alta.

O senhor acredita que também faltam recursos humanos nessas áreas, uma vez que o país enfrenta um déficit de docentes nas disciplinas de Matemática, Química, Física e Biologia?

Nós temos uma falta de vocações. Os jovens não manifestam essa vocação para estudarem, se formarem e se tornarem pesquisadores nessas áreas na quantidade que nós precisamos. Essa é uma parte do problema. E a razão é exatamente essa: precisamos encontrar maneiras de aumentar a quantidade de professores nessas áreas no ensino fundamental e principalmente no ensino médio. É preciso dar aos professores nessas áreas instrumentos pedagógicos para que eles consigam identificar e estimular essas vocações. Outro fator importante é que os jovens buscam as melhores oportunidades de emprego. E há uma década as oportunidades de trabalho nessas áreas não eram as melhores. Na medida em que a economia brasileira foi se reorientando e as oportunidades de emprego na indústria de petróleo e gás e no agronegócio cresceram, por exemplo, as vocações para engenharia têm aumentado. Existem dois aspectos: precisamos melhorar os estímulos no ensino médio, mas também a empregabilidade e os salários nas engenharias estão crescendo. Daqui a cinco anos, teremos mais engenheiros.

E atualmente, quais são os desafios para o ensino de Engenharia?

O ensino de Engenharia, em todo o mundo, passa por uma transformação. Precisamos ter excelentes laboratórios nas faculdades, nas universidades. Em países como os EUA, Coreia do Sul e Reino Unido, a formação dos engenheiros agora se dá não apenas nos laboratórios. Há uma interação muito intensa dos universitários com os problemas de inovação trazidos pelas empresas. Para se formar bons engenheiros, é preciso expor os estudantes ao ambiente de inovação, que não se restringe aos laboratórios. Nos laboratórios os alunos passam por treinamentos, reproduzem experiências. E no ambiente das empresas, eles resolvem problemas reais. Este é um elemento novo para a formação dos estudantes, já utilizado nas instituições de elite dos países desenvolvidos. Há demandas do mundo real, vindas de empresas, de instituições governamentais e de diversos segmentos da sociedade, que são apresentadas às instituições de ensino para que elas utilizem o conhecimento de forma inovadora. Nesse contexto, o aluno se forma com uma capacidade de resposta aos desafios muito elevada.

Como avalia as políticas públicas voltadas para a pós-graduação? O Plano Nacional de Pós-graduação está sendo aplicado de forma adequada?

Tenho uma avaliação bastante positiva. O Brasil tem, de longe, o sistema de pós-graduação mais sofisticado da América Latina e dos países emergentes. Ele tem sido bastante feliz. Isso não é mérito exclusivo deste ou daquele governo. É resultado de um trabalho desenvolvido há mais de 50 anos. Temos o melhor sistema da América Latina porque começamos muito cedo. E, apesar das idas e vindas que tivemos em funções dos problemas econômicos, com duas décadas perdidas — os anos 80 e anos 90 —, o Brasil persistiu nos seus esforços. E acabou ultrapassando países que tiveram programas de pós-graduação melhores do que os nossos no passado, como Argentina e México. Essa é uma realidade reconhecida por outros países. O Brasil forma mais de dez mil doutores e 30 mil mestres por ano. São números expressivos, inclusive para países desenvolvidos. Parte desse sucesso se dá porque o sistema é bastante aberto e transparente. A instituição responsável pelo monitoramento e avaliação de qualidade desse sistema é a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), vinculada ao MEC. O processo de avaliação, na verdade, está nas mãos dos próprios cientistas das áreas avaliadas. É um processo de discussão e monitoramento, que não é apenas burocrático, mas sim interativo com a comunidade acadêmica e científica. De modo geral, temos sido bem sucedidos. Além dos recursos da Capes/MEC, há os recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) — agência do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) — que servem para os docentes realizarem as suas pesquisas. Não existe pós-graduação sem pesquisas.
Um segmento que tem crescido de forma exponencial é o dos cursos de especialização. Por sinal, esta evolução não é acompanhada pelo MEC e estes cursos nem participam de avaliações. As próprias instituições de ensino têm autorização para criar, diretamente, estes cursos. Esta expansão pode ameaçar a qualidade da formação na área de pós?
Na verdade, os cursos de especialização e aperfeiçoamento são considerados parte da pós-graduação latu sensu. Ele visam complementar, reforçar conteúdos dos cursos de graduação. É verdade que eles não são supervisionados pela Capes/MEC, que monitora e avalia os cursos da pós-graduação strictu sensu. Ainda assim, os cursos de aperfeiçoamento e especialização estão normatizados. O Conselho Nacional de Educação e os Conselhos Estaduais de Educação determinam um número mínimo de horas e outros itens para assegurar um padrão de qualidade. Estes não são programas voltados para a formação de pesquisadores, como é a pós-graduação strictu sensu. Contudo, nos últimos 15 anos, surgiu no Brasil uma modalidade de ensino que é uma adaptação à realidade brasileira de um modelo de ensino que vem dos Estados Unidos. São os cursos MBAs. Os MBAs não têm pós-graduação strictu sensu (mestrado e doutorado) e não atendem os requisitos dos cursos latu sensu (especialização e aperfeiçoamento). Eles são uma outra espécie de curso: se proliferaram e são pagos. Esse segmento se configura como uma alternativa aos cursos de especialização e aperfeiçoamento, atendendo a uma demanda das empresas. E nesse sentido, penso que dependemos de uma avaliação do próprio mercado. Boa parte desses cursos são pagos pelos empregadores, que visam a qualificar seus gerentes e executivos. Se os empregadores julgarem que seus profissionais saírem desses cursos melhor qualificados, os cursos continuarão; caso contrário, não. De todo modo, a proliferação desses programas acabou incentivando o surgimento de um novo tipo de pós-graduação strictu sensu, submetido às avaliações oficiais, que são os mestrados profissionalizantes.
Como analisa o crescimento dos mestrados profissionalizantes? O senhor acredita que eles deveriam ser mais incentivados?
Eles têm sido incentivados pelo MEC na medida em que as instituições identifiquem nesse tipo de programa uma forma de atender uma necessidade que, efetivamente, existe no mercado. Tem ocorrido um aumento destes cursos em todas as áreas. Esses programas estão se generalizando. Eles têm a vantagem do monitoramento do Capes, o que lhes confere uma certificação de qualidade. No entanto, eles ainda não recebem do MEC o mesmo apoio que recebem os cursos tradicionais de mestrado, que são os mestrados acadêmicos. Os alunos desses cursos novos ainda não têm bolsa. Mas essa uma experiência é relativamente nova, desenvolvida há pouco mais de dez anos. Originariamente, a ideia era que, na medida em que esses programas atendem necessidades de serviços em áreas de atuação de governos ou de empresas, essas demandas deveriam se materializar com recursos. Penso que está na hora de fazer uma revisão desse processo, pois já existem vários cursos em funcionamento. Precisamos verificar se há necessidade de fornecer um apoio adicional.
Várias universidades, principalmente no setor privado, buscam fazer parcerias com empresas para conseguir recursos. Com isto, em geral, os projetos são direcionados para atender a demandas destas companhias. Como vê essa prática? É um problema?
Não acredito que essa prática seja um problema. De fato, existem algumas arestas que precisam ser administradas, como o problema de quem se torna dono dos resultados da pesquisa. Quando se trata de uma relação entre uma empresa privada e uma universidade, existe um contrato que define essa questão. O problema é quando existem recursos públicos envolvidos e as instituições se servem destes valores. As pesquisas financiadas, ainda que em parte, por recursos públicos, devem ter a preocupação de ressarcir esses investimentos após a geração de patentes e resultados econômicos. Isso se faz nos EUA e na Europa. Outro problema que pode surgir é o fato de a universidade investir tempo, energia, recursos e pesquisadores em algo que, talvez, pudesse atrapalhar o processo de formação dos alunos. Mas essa seria uma estratégia pouco inteligente de ser adotada a longo prazo pelas universidades. O ideal ocorre quando a universidade recebe de uma empresa, de uma agência pública ou de uma ONG, uma demanda que requeira desenvolvimento científico e geração de novo conhecimento para ser desenvolvida, tornando-se uma oportunidade para aprimorar a formação dos alunos de mestrado e de doutorado. Uma das virtudes dos mestrados profissionais é que, como boa parte dos alunos possuem uma experiência profissional e levam essa bagagem para o ambiente acadêmico, surge um intercâmbio de experiências entre o conhecimento teórico e o mundo do trabalho, o que enriquece o processo de formação.
O Brasil, apesar de estar entre os 15 primeiros países no ranking de produção científica, fica muito distante desta posição, quando o assunto é criação de patentes. Por que o conhecimento produzido nas universidades não se transforma em produtos para o mercado?
Nesse ponto precisamos levar em conta dois aspectos. Patente é um indicador bastante limitado da intensidade com que os conhecimentos que se encontram na universidade se transformam em produtos e serviços. O número de patentes não é o melhor indicador. Entretanto, é praticamente o único que nós temos. A patente é uma modalidade de aproveitar o conhecimento muito eficaz em alguns casos, mas totalmente redundante e inútil em outros. Na indústria farmacêutica  é fundamental; mas em outros setores, não. Em alguns casos, as empresas preferem o sigilo. A patente é um indicador incompleto. Mas no Brasil temos uma situação especial. Muitos afirmam que as universidades são burocráticas e não conseguem acompanhar o ritmo das empresas. E isso pode ser até verdade, de certo modo. A universidade tem o seu tempo. Mas acredito que esse não é o principal problema.
Então, qual é o cerne da questão?
Nós temos um sistema empresarial peculiar, diferente de outros países. No Brasil, predominam as empresas estrangeiras. E quando uma filial de uma empresa brasileira tem uma demanda de conhecimento, ela recorre em primeiro lugar a sua matriz, a laboratórios das próprias empresas localizados no Japão, nos Estados Unidos, na Europa. As empresas agem desta forma pois são hierarquicamente subordinadas a suas filiais. E, se a instância superior não tem a resposta, vai procurar em uma universidade no Japão, nos EUA, na Europa. O fato de termos feito nosso desenvolvimento econômico pós-guerra com a presença muito forte de empresas estrangeiras também explica parte dessa situação onde as nossas universidades ficam aguardando demandas de empresas. Mas as que surgem são poucas, esparsas, sem continuidade. Empresas estrangeiras, no Brasil, demandam das universidades brasileiras soluções mais simples ou adaptações de soluções que vêm lá de fora; ou testes de materiais. Elas contratam serviços. Poucas são as grandes empresas que demandam pesquisas. E esse é um aspecto pouco discutido quando se debate esse tema.

E as por que as empresas nacionais não procuram as nossas universidades?

Nós temos um outro fenômeno que se aplica às empresas nacionais e, em parte, também a algumas empresas estrangeiras. Inovar em produtos novos, novas máquinas, é uma atividade cara e envolve um risco muito grande. Nem sempre a pesquisa dá certo. Às vezes, aposta-se em uma solução e ela se mostra ineficiente. Esses investimentos são elevados e muito arriscados. Nossa economia tem uma história de instabilidade bastante recente. Nos últimos anos, formamos aqui no Brasil, pelo menos, duas gerações de empresários que ainda têm a memória do baixo crescimento, da inflação elevada, da instabilidade econômica, da taxa de juros elevada, do câmbio viciado. Instintivamente, nossos dirigentes empresariais fogem dos investimentos elevados e de alto risco. E, quando esses líderes se confrontam com a necessidade de inovar, eles ficam diante de duas opções: investir no desenvolvimento de um novo produto — o que é caro e arriscado — ou copiar, licenciar, trazer alguma solução de fora, fazendo uma adaptação e não uma inovação. Normalmente, eles ficam com a segunda opção e isso funciona. Felizmente, as circunstâncias mudaram e a situação melhorou, aos poucos. Mas ainda vai demorar muito para termos a mesma aliança empresa/universidade que se observa em países como a Coreia, o Japão, os EUA.
O poder público pode apressar esse processo por meio de políticas públicas?
Não tenho dúvida de que há espaço para políticas públicas. Os países desenvolvidos mostram qual é o caminho pelo qual o Estado pode acelerar esse processo. Nestes países, atividades de inovação muito caras e muito arriscadas, normalmente, são financiadas pelo próprio Estado. Internet, smartphone, tudo isso se originou por meio de pesquisas nos EUA e na Europa financiados pelo Estado, há décadas passadas. O Estado assumiu o risco e o custo das inovações mais radicais. Há governos que criam mercado, garantindo a compra de determinados produtos inovadores. Muitos desses produtos, em um primeiro momento, são de custo elevado e não se sabe se o mercado vai absorvê-los de imediato. O Brasil, nos últimos 15 anos, aprimorou políticas para acelerar esse processo. Está em discussão no Congresso Nacional o Código de Ciência e Tecnologia, que poderia aperfeiçoar os mecanismos, facilitando, por exemplo, os acordos entre empresas e universidades. Há espaço para melhorar. Outro fator é que necessitamos de empresas de ponta, que precisem inovar e saiam da lógica da cópia, do licenciamento. Precisamos criar empresas que ofereçam serviços novos. A Petrobras, por exemplo, tem um desafio enorme, de retirar petróleo de águas profundas. Por isso, ela precisa desenvolver a tecnologia necessária para isso, montando um sistema que gere conhecimento para resolver o seu problema. Temos empresas que já chegaram a esse patamar, mas em número muito reduzido se comparamos com outros países.
Folha Dirigida

Mercadante afirma que o Brasil dará um salto em educação

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, comemorou nesta segunda-feira (21) a conclusão do leilão do pré-sal do Campo de Libra, vencido pelo consórcio formado pelas empresas Petrobras, Shell Brasil, a francesa Total e as chinesas CNPC e CNOOC. Segundo Mercadante, a exploração do campo permitirá um “salto extraordinário” de investimentos em educação.
“O dia de hoje é simbólico. Com a conclusão do leilão de Libra daremos um salto extraordinário de investimento da educação, com 75% dos royalties e 50% do fundo social que irão para a educação brasileira”, disse Mercadante, durante a assinatura da entrada do Brasil para o conselho diretor do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa).
A política educacional brasileira foi elogiada pelo secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Angel Gurría, entidade responsável pelo Pisa. Segundo ele, apesar de o País ter aparecido entre as últimas colocações no início da década de 2000, tem apresentado melhora no Pisa.
“Na primeira rodada do Pisa, o Brasil se classificou entre os últimos colocados. Mas vocês fizeram a lição de casa e já estão colhendo os frutos. Em 2009 as notas médias subiram em Leitura, Matemática e Ciência, colocando o Brasil entre os que mais melhoraram os resultados. O sistema educacional do Brasil é hoje mais inclusivo, de mais fácil acesso”, disse.
Mercadante afirmou que o resultado do Brasil reflete a diferença econômica com os países da OCDE, cuja renda per capita é três vezes maior que no Brasil. O Brasil não faz parte do grupo – que engloba 34 países membros -, mas participa do exame de avaliação desde 2000.
O ministro ressaltou, no entanto, que o Brasil tem investido mais em educação, comparado com o orçamento do país, que a média das nações da OCDE.  São 18% do Produto Interno Bruto (PIB), contra 12% dos demais países, segundo ele.
“Só que nós somos o País que mais esforço está fazendo para investir em escola pública (em comparação com outras nações participantes do Pisa). Apesar desses avanços, o Brasil tem de ter uma consciência que a educação continua a ser o maior desafio estrutural do País”, disse. “E com os royalties seremos o país que mais estará fazendo esforços nessa direção”, acrescentou.
Jornal do Brasil

Vestibulandos ainda têm dúvidas se querem ser professores

Ser ou não ser professor? A dúvida que paira na cabeça de vestibulandos reflete depois no número de matrículas no ensino superior nos cursos de licenciatura. Muitos, na hora de marcar a opção, acabam desistindo. Rodrigo Carvalho, de 18 anos, vive essa realidade. Ele se prepara para fazer o Enem e pensou em seguir os passos da mãe, professora de português. Eles dividem o mesmo gosto pela literatura e pela escrita, mas Rodrigo desistiu do curso de letras ao ver a mãe sempre estressada, dobrando turno para conseguir ter um salário melhor. “Ela voltava para a casa muito desgastada. Durante toda a vida acompanhei o esforço dela, mas é uma profissão sem muito reconhecimento”, disse. Agora, ele decide se vai tentar vaga em jornalismo ou relações públicas, cursos de bacharelado.
Jeane Mendonça, de 19, também mudou de ideia. Aluna do Instituto de Educação, queria fazer educação física, mas optou por ciências contábeis. “Eu praticava vôlei e sempre pensei em seguir essa carreira. Conversei com a minha técnica e ela me explicou que a realidade é muito diferente do que eu imaginava.”
Mas há quem se encoraje para enfrentar o mercado e deixar a vocação falar mais alto. Bruna Souza Rodrigues, de 17, tinha dúvidas se cursava história ou direito. Ouviu críticas, mas decidiu seguir o que chama de “amor pelas descobertas” e vai cursar história. “Meus pais colocaram os prós e contras das duas carreiras, mas na escola todo mundo ficou chocado. Dizem que sou corajosa e até hoje escuto críticas. Acho que o mais importante é gostar do que faz, é o profissional que trilha seu caminho.”
Nem a concorrência pequena, de três candidatos por vaga, em média, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a faz reduzir o ritmo de estudos. “Sei que há preconceito com o professor que dá aula na rede pública, as escolas estão em péssimas condições e o esforço não é recompensado. De maneira geral, é uma profissão desvalorizada, mas melhor que dinheiro é fazer com amor e vontade.”
Estado de Minas

Comissão deTrabalho burocratiza a avaliação do ensino superior

A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público aprovou, na quarta-feira (16), o Projeto de Lei 4372/12, do Executivo, que cria uma autarquia específica para avaliar e supervisionar a educação superior no Brasil.
Conforme a proposta, o futuro Instituto Nacional de Supervisão e Avaliação da Educação Superior (Insaes) será vinculado ao Ministério da Educação (MEC) e assumirá uma tarefa que hoje é do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Pelos argumentos do governo, a criação do Insaes deve-se à necessidade de reestruturar o MEC para que sejam cumpridas metas de ampliação do acesso ao ensino superior e da qualidade das faculdades.
Atividade estratégica
O relator na Comissão de Trabalho, deputado Alex Canziani (PTB-PR), recomendou a aprovação da proposta. “A população encontra-se mais atenta às atividades de natureza estratégica, como o ensino. Nessa conjuntura, é de indiscutível valia um instrumento de controle, na medida em que são oferecidos, ao Poder Público, mecanismos para prevenir ou remediar o descontrole gerencial em instituições de nível superior”, observou Canziani.
Alterações
A proposta foi aprovada com as emendas acatadas anteriormente pela Comissão de Educação. As alterações buscaram reduzir a intervenção estatal sobre instituições de ensino privadas, além de minimizar os valores dos tributos que o projeto prevê para viabilizar o Insaes.
Na Comissão de Trabalho, o projeto recebeu mais duas emendas elaboradas por Canziani. Novamente, as modificações se voltaram para o valor e a cobrança dos tributos. “É necessário diminuir o encargo e a abrangência de sua base de cálculo”, argumentou o relator.
Taxa de Supervisão
Uma das emendas da Comissão de Trabalho estabelece que as matrículas relacionadas a alunos beneficiários do Programa Universidade para todos (Prouni) não serão computadas no cálculo da Taxa de Supervisão da Educação Superior cobrada das instituições de ensino.
A outra emenda determina que a taxa de supervisão, nos três primeiros anos após a constituição do Insaes, terá valor fixo de R$ 3, no caso de instituições de ensino com número de matrículas igual ou inferior a 5 mil alunos, e R$ 4 para aquelas com mais de 5 mil estudantes.
Esta emenda, na verdade, é o detalhamento de um artigo acrescentado pela Comissão de Educação ao projeto. Segundo esse artigo, nos três primeiros anos após a constituição do Insaes, a taxa será recolhida anualmente até o quinto dia útil de abril de cada ano. O projeto original prevê a cobrança de uma taxa semestral variando entre R$ 5 e R$ 7 conforme o número de vagas autorizadas da instituição, e não o número de alunos.
“Após intensas negociações com autoridades do Poder Executivo, a relatoria conseguiu
convencê-las da necessidade de reduzir o valor da Taxa de Supervisão durante os três primeiros anos subsequentes à sua implementação”, ressaltou Alex Canziani.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Agência Câmara

Abraji: 83 jornalistas foram agredidos em manifestações; 65 por militares

Pelo menos 83 jornalistas brasileiros foram agredidos desde junho, quando teve início a onda de protestos no país, segundo levantamento da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Quase 80% dos casos, ou 65 agressões, foram resultado da ação de policiais militares.
Para organizações de direitos humanos e entidades de classe, apesar de as manifestações terem elevado os números deste ano, a violência contra profissionais de comunicação tem crescido nos últimos anos. Os assassinatos, por exemplo, passaram de dois, em 2005, para seis, em 2011, de acordo com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).
O presidente da Fenaj, Celso Schröder, cita alguns fatores que explicam essa curva ascendente de violência contra jornalistas, entre eles a impunidade. “[As agressões] ocorrem principalmente na cobertura de política, há um senso comum de que é permitido fazer. É na imprensa que se dá o confronto direto entre os interesses privados, que sejam ilegais, com o interesse público, e isso produz reações”, declarou em seminário internacional sobre violência contra jornalistas e o cerceamento do direito da sociedade à informação. O encontro é promovido pela comissão organizadora do Prêmio Vladimir Herzog, na capital paulista.
Um dos casos mais recentes ocorreu nas manifestações do Dia do Professor, 15 de outubro, com o repórter fotográfico Yan Boechat. Segundo o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP), Boechat foi espancado por um grupo de policiais militares que tentava impedir que ele registrasse imagens da agressão a um manifestante. Levantamento do sindicato contabilizou 23 casos de agressão e cinco detenções de profissionais de comunicação durante o mês de junho.
O presidente do SJSP, José Augusto Camargo, avalia que esse tipo de violência não se resolve apenas com ações individuais. “É um problema pessoal, porque envolve o direito ao exercício da profissão, mas também é uma questão coletiva, porque cala a voz da sociedade”. Para ele, a escalada de violência percebida no último mês de junho tem paralelo com o período da ditadura militar. “Não se via isso desde então”.
As entidades sindicais defendem a adoção de políticas públicas para combater esse aumento das agressões, como a formação de um observatório nacional que monitore as denúncias. “É uma questão que tem nos preocupado. Desde o ano passado, um grupo de trabalho da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, com organizações da sociedade civil, discute medidas como a federalização desses crimes”, disse Bruno Renato Teixeira, ouvidor nacional de Direitos Humanos da secretaria. Ele informou que a criação do observatório deve ser anunciada ainda este ano.
Schröder propõe a adoção de um protocolo pelas empresas de comunicação que garanta aos profissionais, entre outras questões, seguro de vida, equipamentos, autonomia do repórter para a escolha da pauta e a criação de uma comissão que avalie os enfoques dados às reportagens. “Boa parte das empresas não dá aos seus jornalistas ferramentas para a proteção”, disse. Ele rejeita a ideia de que o risco é inerente ao jornalismo. “Não é verdade isso. Uma cobertura jornalística precisa ser avaliada desse ponto de vista para que possamos minimizar os riscos quando eles ocorrem”, defendeu.
Escrito por: Agência Brasil
 
 

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