Valorização da carreira de professor caminha a passos lentos

Normalmente, os fatores que espantam o interesse do jovem pela profissão de professor são conhecidos (e sentidos) por todos os profissionais da Educação. No entanto, apesar desses fatores, é possível conseguir realização na carreira, buscando uma atuação socialmente solidária, sem se esquecer do debate para mudar a realidade dos sistemas educacionais em funcionamento hoje. Porém, para que a profissão não sofra um “apagão” e caia em “desuso” por falta de profissionais, é necessária a reestruturação dos sistemas e também da forma de atrair o jovem para aceitar os desafios da docência.
De acordo com a diretora-executiva do movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz, a atratividade da carreira só será possível com mudanças estruturais que ofereçam ao professor um salário inicial atraente, a valorização social da profissão e melhores condições de trabalho. “Os sistemas de ensino, o Ministério da Educação e o Conselho Nacional de Educação estão se movimentando nesse sentido. O que incomoda é a vagarosidade, deveria haver um maior sentido de urgência”, avalia Priscila.
A diretora explica que, devido ao cansaço típico da docência – tendo em vista a forma como ela é praticada atualmente no Brasil –, os formados em licenciaturas ou áreas de disciplinas trabalhadas no ensino básico acabam optando pela pesquisa ou por outras atividades mais atraentes financeiramente e em termos de estrutura de trabalho. “Apenas 10% dos concluintes do ensino médio têm conhecimento adequado para a série em Matemática. Após a licenciatura [em Matemática], alguns que estavam a um passo da sala de aula são de imediato absorvidos por bancos ou pelo mercado financeiro”, exemplifica a diretora.
Segundo o estudo Atratividade da carreira docente no Brasil, publicado em 2009 pela Fundação Carlos Chagas, o momento atual é de jovens, com embasamento bastante sólido, fugindo da função de mestre. A percepção dos alunos é a de que o professor é um profissional relevante, que serve de modelo ou exemplo a ser seguido, atua como formador de opinião e possui valor social, mas é um profissional desvalorizado e desrespeitado por alunos, sociedade e governos.
A pesquisa foi realizada em 18 escolas públicas e particulares, em oito cidades de grande ou médio porte nas cinco regiões do País: Campo Grande (MS), Curitiba (PR), Feira de Santana (BA), Fortaleza (CE), Joinville (SC), Manaus (AM), São Paulo (SP) e Taubaté (SP). Em cada escola, foram montados grupos de discussão com 10 alunos (193 jovens no total) e foram distribuídos questionários para todos os alunos do 3º ano do ensino médio, totalizando 1.501 respostas. De todos os participantes, 67% sequer consideraram a hipótese de seguir a carreira docente. Entre os 9% que escolheram disciplinas específicas do ensino fundamental II ou do ensino médio para a sua formação universitária, 52% declararam ter pensado em ser docentes e 39% querem ser professores. Nas escolas públicas, a diferença entre os que pensaram e os que querem a carreira é de 14% (de 53% para 37%, respectivamente), enquanto nas particulares, ambientes mais controlados, há apenas uma variação de 51% para 50%.
Segundo o relatório final da pesquisa, os jovens que pensaram em ser professores e desistiram apontam a baixa remuneração como o fator decisivo para a escolha. Alguns alunos acreditam até que a profissão de docente está fadada ao desaparecimento. No entanto, é uma possibilidade considerada menos chocante se realizada complementarmente, de forma secundária, concomitantemente a outra atividade profissional ou quando já tiver estabilidade financeira.
Desafios
O físico e professor Luís Carlos de Menezes, do Conselho Técnico-científico da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para Educação Básica, atua há décadas na formação de professores. Para ele, a carreira tem que ser remodelada para ser atrativa, mas também é repleta de alternativas e desafios que precisam ser mostrados ao jovem. “Não devemos convidar o futuro professor para reproduzir o mundo, mas para mudar o mundo com o jovem que está com um problema no seu futuro: quais serão as profissões daqui a 20 anos, com as novas tecnologias? O que será do Direito, do Jornalismo, da docência, do pedreiro? Ser educador é um desafio imenso, é educar para o desconhecido, ensinar as pessoas a ser capazes de se reinventarem, olharem para a realidade aprendendo novamente. Pode-se estimular novos professores pelo tamanho do desafio”, defende.
Para Menezes, outra forma de atrair o jovem é focar no dinamismo que a carreira oferecerá futuramente. Um docente de Artes, que possui atividades fora da sala de aula, por exemplo, pode ter na docência uma retaguarda para desenvolver suas habilidades artísticas no mundo exterior aos muros da escola. “É um ofício que permite trabalhar com a juventude, novos fazeres, construir o futuro. O professor é alguém que pode ser autor, produzir conhecimento. É muito desafiador”, considera.
O maior desafio, no entanto, é a atuação nas fronteiras sociais. Apesar da diversidade das condições de trabalho, Menezes acredita que o trabalho em que as condições de vida são mais precárias para a população torna o professor um construtor do futuro. “Nas manifestações deste ano, a palavra mais sinalizada foi educação, dando visibilidade à função do professor. A primeira coisa a ser dita para o professor é que ele é importante, que a educação não é apenas mais um serviço, mas que é a construção de uma nação. A escola é o local onde a criança encontra pela primeira vez a sua nação, quando ela é recebida em um [ambiente] coletivo, reconhecida como pessoa pela sociedade. Quando alguém escolhe ser professor, escolhe ser construtor do País. É uma função de vocação social”, define.
A abordagem proposta por Menezes não ignora o fato da inexistência de uma carreira que mantenha o profissional em sala de aula, com o aperfeiçoamento e o reconhecimento social e salarial. Há, atualmente, alternativas individuais que visam traçar um trajeto de carreira que permita conseguir melhores empregos, como em escolas de alto desempenho, instituições confessionais ou ensino superior. “Não pode haver uma atitude passiva e estática. Sempre buscar formação permanente, mestrado, mestrado profissionalizante ou doutorado não são apenas qualificadores do desempenho, mas também da remuneração e do projeto de vida e carreira”, recomenda.
Mesmo com todos os problemas universalizados na educação brasileira, Menezes avalia que há uma variedade muito grande de condições de trabalho para os dois milhões de professores que atendem em torno de 50 milhões de estudantes no ensino básico, em todo o País, e que permitem a muitos ter satisfação no trabalho. “Não existe uma condição mediana clara deste professor. Há algumas coisas na carreira que são, em média, muito pouco atraentes. A sugestão de longo prazo é colocar escalonamentos que permitam ao profissional enxergar progressão, o que resultaria em mais estímulo ao jovem. A criação de uma carreira com desempenhos e funções diferentes pode ajudar. O professor mais experiente pode ter uma função de formador de docentes dentro da escola, com uma corremuneração vinda do aparelho formador, por exemplo”, sugere.
Escrito por Fabio Venturini
 

Recursos recuperados em ações judiciais vão para educação e saúde

Os recursos recuperados em ações judiciais relativas à lesão ao patrimônio público poderão ser destinados às áreas de saúde e educação. Projeto de lei com esse objetivo foi aprovado na quarta-feira (2) pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS). Agora a proposta segue para a Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) e, posteriormente, à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).
O projeto de lei do Senado (PLS) 303/2013 é de autoria do senador Waldemir Moka (PMDB-MS) e determina que os recursos arrecadados sejam encaminhados, em proporções iguais, ao Fundo Nacional de Saúde (FNS) e ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Tais recursos provêm do ressarcimento ao erário em sanções a agentes públicos que foram processados por enriquecimento ilícito em razão do exercício de mandato, cargo, emprego ou função na administração pública direta, indireta ou fundacional, nos termos da Lei 8.429/1992.
Ao apresentar a proposta, Moka argumentou que a medida visa compensar a sociedade do desvio de recursos do Estado com o fortalecimento dos serviços públicos mais básicos para o cidadão. O senador ressaltou que esses recursos, quando repatriados, não têm alocação definida e não se sabe onde são aplicados.
Apesar de votar pela aprovação da matéria, o senador Humberto Costa (PT-PE) observou que o projeto pode ser inconstitucional ao vincular recursos a áreas diferentes daquelas em que houve a arrecadação. A dúvida, como ressaltou, será esclarecida quando a proposta for examinada pela CCJ, comissão na qual receberá decisão terminativa.
Por acreditar que a área de saúde é mais carente de recursos do que a de educação, o senador Cyro Miranda (PSDB-GO) disse que vai sugerir ao relator na CCJ que destine 10% à educação e o restante à área de saúde.
Agência Senado
 

Oposição vai à Justiça contra plano de cargos de docentes no Rio

Plano foi aprovado sob protesto e sancionado pelo prefeito Eduardo Paes.
Vereadores de oposição entraram com ação na Justiça, nesta quarta-feira (2), contra a aprovação e sanção do Plano de Cargos e Salários dos professores da rede municipal de ensino. A informação foi confirmada ao pelo vereador Eliomar Coelho (Psol). Outros oito vereadores assinam a ação: Tereza Bergher (PSDB), Paulo Pinheiro (Psol), Jefferson Moura (Psol), Renato Cinco (Psol), Reimont (PT),  Leonel Brizola Neto (PDT), Marcio Garcia (PR), Verônica Costa (PR).
Procurada, a Prefeitura do Rio não quis comentar o assunto. Na terça-feira, em nota, a prefeitura considerou a aprovação uma “vitória para os servidores” e “um passo definitivo para consolidar o ensino público do Rio de Janeiro como o melhor do Brasil”. Segundo o texto, o plano “garante, de imediato, um reajuste salarial de 15,3% para todos os profissionais da Educação e corrige injustiças históricas”.
O projeto de lei foi aprovado na Câmara Municipal na terça-feira (1º), sem a presença de vereadores da oposição, que se retiraram do plenário, sancionado pelo prefeito Eduardo Paes e publicado no Diário Oficial do Município nesta quarta-feira.
Enquanto ocorria a votação, do lado de fora do Palácio Pedro Ernesto, o cenário era de praça de guerra. PMs do Batalhão de Choque lançaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o protesto de professores. Vândalos usando máscaras quebraram agências bancárias e depredaram prédios provocando pânico em pessoas que deixavam edifícios na Avenida Rio Branco na saída do trabalho.
De acordo com a PM, 16 pessoas foram detidas, duas delas tinham passagem na polícia por roubo a mão armada. Nenhum professor foi detido durante a manifestação.
Gabinete 
Uma bomba de gás lacrimogêneo atingiu o gabinete do vereador Brizola Neto na noite desta terça-feira durante a manifestação de professores na frente da Câmara Municipal.
“Saímos do plenário porque não vamos legitimar uma ilegalidade dessa. Os vereadores não podiam votar em condições insalubres. A votação ocorreu debaixo de bombas”, afirmou Brizola Neto.
Na manhã desta quarta, os funcionários do gabinete não conseguiram trabalharam porque o cheiro da bomba ainda era muito forte. O vereador vai registrar ocorrência na 5ª DP (Gomes Freire).
Acampamento
Professores da rede municipal de ensino que estavam acampados do lado de fora da Câmara Municipal do Rio deixaram o local na manhã desta quarta. Às 10h, já não havia nenhuma barraca na lateral do prédio.
“Estamos desmascarando esse governo fascista , que não deixa a gente participar da votação. O tipo de ação que teve aqui ontem é uma herança da ditadura. Eles ainda não perceberam que o momento político é outro. A gente quer educação de qualidade. Escola pública não é depósito de gente”, afirmou o professor de língua portuguesa Fernando Xavier, um dos últimos a deixar o acampamento.
O Sindicato dos Profissionais de Educação do Rio (Sepe) organiza um protesto na Cinelândia previsto para a tarde desta quarta.
Entenda o caso
Os professores afirmam que a greve só chegará ao fim com a elaboração de um novo Plano de Cargos Carreiras e Remuneração para a categoria. No dia 17 de setembro, a prefeitura enviou à Câmara dos Vereadores, em caráter de urgência, um plano, que foi duramente criticado pelo sindicato. Segundo o sindicato da categoria, as propostas apresentadas pelo governo foram insuficientes e ainda não há uma abertura clara para negociação.
Já o prefeito Eduardo Paes afirma, no entanto, que o Plano de Cargos e Salários “é o melhor para a população”. “A gente não pode viver sob ameaça. Estamos fazendo o que é melhor para a população, para prefeitura e pela categoria. O plano está lá na Câmara para ser votado. Tivemos diversos encontros e temos três acordos assinados”, afirmou.
G1/Rio

Desafio na educação infantil é mudar nossa visão sobre os bebês

O papel da educação infantil na vida de bebês e crianças que devem ser atendidos nessa fase – que vai de 0 a 5 anos – não é consenso em todas as unidades de atendimento do País. A “visão da sociedade” sobre as habilidades naturais deles, o que significa sua capacidade de aprendizado, é mal avaliada. Com isso, a oferta de educação infantil perpetua desigualdade de direitos. A avaliação é da professora associada da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP), Zilma de Moraes Ramos de Oliveira. Integrante do Conselho Municipal de Educação de São Paulo, a pesquisadora conversou sobre as dificuldades de se implementar a educação infantil no Brasil, que ainda não tem oferta obrigatória (exceto a partir dos 4 anos de idade).

A demanda por creches, no entanto, tem se tornado cada vez maior. E o currículo que define o que essa fase de ensino deve garantir aos alunos – desenvolvimento de habilidades ou cuidados mínimos para os bebês e crianças – ainda não é consenso em todas as redes e nem mesmo na sociedade. “O principal desafio na educação infantil é mudar nossa visão dos bebês, porque as pessoas ignoram as possibilidades de aprendizagem deles”, afirma conselheira.
Confira os principais trechos da entrevista:
Quais são os maiores desafios do País na educação infantil? É só garantir acesso?
Zilma Oliveira: A demanda não é só pelo acesso à vaga, mas também pelo direito da criança de ser estimulada e desenvolver seu vocabulário. Na verdade, há vários desafios nessa etapa, mas o principal é mudar a visão que a sociedade tem de um bebê, de uma criança. As pessoas ignoram as possibilidades de aprendizagem deles. Não estamos falando em fazer treinamento precoce não, mas sim das habilidades naturais de um bebê. A equidade de atendimento não está garantida no Brasil porque muitas creches estão preocupadas apenas com a guarda da criança. Também é errado pensar na educação infantil para crianças de 3 ou 4 anos como uma miniescola. Ela é um sistema educacional, mas nos obriga a mudar nossa ideia de educação, inclusive nas séries mais adiantadas. Temos uma população que ignora as possibilidades da educação infantil e fica feliz se a criança for bem cuidada e não tiver assaduras. Temos de mostrar a ela que é possível crescer mais.
O que é importante para garantir isso? Assim como em outras séries do ensino fundamental e médio, estamos falando de criar um currículo para essa etapa?
Zilma: Há um grande olhar de renovação curricular para o ensino fundamental, porque as pessoas já perceberam que ir para a escola e ficar sentado copiando no papel deveriam ser coisas do passado. O currículo nada mais é do que o que você faz no cotidiano escolar e, mesmo quando o conceito é de cuidado apenas, há um currículo. Porque a criança aprende a não chorar, aprende a ficar quieta, aprende a se sentar. Os educadores de educação infantil estavam horrorizados com esse currículo de obediência e horrorizados com currículo de escola, então brigaram para ter outro tipo de currículo. As Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil foram feitas para atender essa demanda.
Mas as diretrizes são suficientes para atender a essas demandas por orientação?
Zilma: As formações dos professores ainda não estão examinando as novas diretrizes. Há quem acredite que elas não são suficientes, mas elas são claras. É preciso lembrar também que, por lei, os métodos que os professores e as escolas vão adotar são abertos. Desde que se assegure a aprendizagem, não se pode padronizar métodos. A versão que se tem é a base curricular nacional.
A senhora acredita que seja necessário flexibilizar regras para que os municípios consigam ampliar e construir novas creches?
Zilma: Esse problema de ter documentação em ordem existe para alguns municípios sim. Mas o outro e maior problema para os municípios é a manutenção das creches. É muito mais fácil construir creches do que pagar pela manutenção, que inclui professores, servidores, limpeza. Alguns municípios dão conta de manter e outros não. É difícil para todos, mas para alguns é quase impossível. Esse problema do financiamento tem de ser resolvido.
Com informações do IG

Educação é o maior entrave para a produtividade nacional

Quando o assunto é produtividade, a palavra mais repetida é só uma: educação. Parece unanimidade entre os empresários do setor industrial e economistas que, embora tenhamos grandes problemas de infraestrutura, tecnologia e insegurança jurídica, a falta de preparo da mão-de-obra brasileira é o grande entrave que impede que nosso nível de produtividade alcance os padrões internacionais.
Em debate realizado no EXAME Fórum, que ocorreu na segunda-feira (30) na capital paulista, Besaliel Soares Botelho (presidente da Robert Bosch América Latina), Cledorvino Belini (presidente da Fiat), Pedro Passos (Membro do Conselho de Administração e Cofundador da Natura) e Gustavo Franco (ex-presidente do Banco Central e sócio-fundador da Rio Bravo Investimentos) discutiram sobre as razões que impedem as empresas brasileiras de melhorar sua produtividade.
Contrariando a tese do professor Dani Rodrik, do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, que afirmou que nem infraestrutura, nem educação ou mesmo a gestão macroeconômica das últimas décadas são os maiores entraves que o Brasil enfrenta para vencer a corrida por uma maior produtividade, os quatro brasileiros bateram na mesma tecla: sem educação não dá.
O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, usou como exemplo a comparação entre a produtividade de um empregado de uma empresa brasileira e o de uma empresa com pelo menos 10% de capital estrangeiro.
Segundo ele, o funcionário de uma empresa multinacional é 25% mais produtivo. “Isso acontece porque ele traz pra dentro da empresa as melhores práticas de gestão do mundo, sobretudo no setor de serviços”, afirmou.
Besaliel Soares Botelho, presidente da Bosch, apresentou um número ainda mais impressionante: “nós gastamos quase R$6 bilhões por não-qualidade do setor”. Isto é, foram R$ 6 bilhões desperdiçados no processo produtivo na tentativa de evitar quedas de qualidade. Segundo ele, esse montante está relacionado à educação, treinamento e à capacidade tecnológica da indústria como um todo.
“Nós como empresa multinacional estamos tentando trazer boas práticas para melhorar a produtividade. Nós entendemos que os temas de produtividade estão dentro dos nossos portões, mas eles passam também pelo que o nosso maior sócio, o governo, pode nos ajudar”, afirmou Botelho.

Valorização do magistério: governadores estão indo na contramão

Os governadores dos estados estão indo na contramão do que pediam inúmeros manifestantes que foram às ruas em junho deste ano: uma educação de qualidade. São diversos os fatores para chegarmos a uma escola de referência. Entre eles está a valorização dos professores. A lei do piso do magistério foi um avanço. Em 1988, a Constituição Federal já previa esse dispositivo; no entanto, somente em 2008 ele foi regulamentado.
Desde então, houve questionamentos judiciais para barrar essa conquista. A categoria obteve vitórias importantes, inclusive no Supremo Tribunal Federal. Mais uma vez há uma tentativa de golpe para não fazer valer a lei.
O piso pago aos professores é calculado de acordo com a variação do gasto por estudante do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais do Magistério (Fundeb). Para 2014, a estimativa é que o percentual de reajuste fique em aproximadamente 19%, passando de R$ 1.567 para R$ 1.865. Defender o reajuste de apenas 7,7%, como querem os governadores dos estados, é retroceder.
Antes da lei do piso, havia municípios que pagavam apenas um salário mínimo por 40 horas semanais. Com ela, começou a existir uma política de resgate do magistério porque os reajustes têm sido acima da inflação. Mesmo com esse ganho, o salário desses profissionais ainda é muito aquém do que deveria ser.
Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelam que, de 47 profissões de nível superior, os professores estão em 46º lugar quando o quesito é salário. A média salarial no Brasil na rede municipal é de R$ 2 mil por mês. Na estadual, R$ 2,6 mil. Na Coreia do Sul, o valor chega a R$ 8 mil mensais. Nos Estados Unidos, R$ 10 mil. Uma das metas do Plano Nacional de Educação (PNE) – que terá sua votação concluída até o fim de 2013 – estabelece que, em 6 anos, a remuneração média dos professores seja duplicada. Caso a meta do PNE já estivesse vigorando, a remuneração média do professor no País seria em torno de R$ 4 mil.
O Brasil não terá uma “educação padrão Fifa” se não valorizar os profissionais dessa área. A população que foi às ruas em junho já entendeu essa importância. É preciso agora que os governadores tenham esse mesmo entendimento e avancem nas políticas de valorização do magistério.
 
Artur Bruno
Primeiro vice-presidente da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados

Sinpro não apoia leilão do campo de Libra

O Sinpro/DF apoia todas as ações que visam garantir mais recursos para a educação.
 
A aprovação da destinação dos royalties do petróleo, para a Educação e a Saúde marcam um novo recorde de investimento que não podem ser perdidos nos processos de leilões.
 
Dessa forma, reafirmamos que continuaremos na luta para que a educação pública receba os investimentos necessários para atingir a qualidade desejada pelo povo brasileiro.
 
Clique aqui e saiba mais sobre o leilão
 
 

Brasil fica em 1º lugar na Olimpíada Ibero-Americana de Matemática

Estudantes brasileiros do ensino médio levaram o Brasil ao primeiro lugar na 28ª Olimpíada Ibero-Americana de Matemática (OIM), encerrada nesta sexta-feira (27) no Panamá. Além da vitória por equipes, o Brasil ganhou uma medalha de ouro e três de prata. O evento contou com a participação de 78 jovens com idades que variam entre 13 e 18 anos de 20 países de América Latina, Portugal e Espanha.
Rodrigo Sanches Ângelo, de São Paulo, foi o grande destaque da equipe brasileira conquistando a medalha de ouro com a pontuação máxima da prova, 42 pontos. Os estudantes Franco Matheus de Alencar Severo (RJ), Victor Oliveira Reis (PE) e Rafael Kazuhiro Miyazaki (SP) obtiveram a prata com 41, 40 e 35 pontos respectivamente.
Com este resultado a equipe brasileira garantiu, por segundo ano consecutivo, a primeira posição na classificação geral por países, com  158 pontos, seguido pela equipe de Portugal que obteve 154 pontos e México com 153 pontos. O time brasileiro foi liderado pelos professores Eduardo Wagner, do Rio de Janeiro (RJ) e Pablo Rodrigo Ganassim, de São Paulo (SP).
Na olimpíada, os estudantes tiveram de problemas de álgebra, teoria dos números, geometria e análise combinatória. Foram três problemas a cada dia, com valor de sete pontos cada, aplicados em quatro horas e meia.
A próxima edição da OIM será em Honduras, em 2014. Para participar, os competidores precisam ter no máximo 18 anos de idade e não podem ter participado da competição em duas edições anteriores. A equipe brasileira é formada a partir do resultado da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM).
Com informações do G1

Jogos são opção para ampliar a concentração dos estudantes

Ao observar que alunos das turmas de sétimo ano do ensino fundamental apresentavam dificuldades de concentração nas aulas de matemática, Marilene da Cunha Benetão decidiu fazer experiência com jogos relacionados ao conteúdo abordado. Professora da Escola Estadual Professor Léo Kohler, em Terra Boa, município do noroeste paranaense, ela desenvolve projeto de jogos matemáticos desde 2008. “Os jogos configuram uma ótima alternativa para estimular a aprendizagem, pois desenvolvem habilidades e potencializam a autonomia dos pensamentos”, diz Marilene. Para a professora, eles também ajudam a aumentar a autoconfiança e a capacidade de organização, concentração, atenção, raciocínio lógico dedutivo e o senso cooperativo dos estudantes. “Essas habilidades são muito importantes na aprendizagem”, afirma.
Em sala de aula, os jogos contribuem para o desenvolvimento do raciocínio lógico e ajudam os estudantes a melhorar a coordenação motora, ter maior participação nas atividades conjuntas, desenvolver a capacidade de ouvir e respeitar a criatividade de cada participante, de expressar ideias e fazer questionamentos. Segundo Marilene, as regras impõem a disciplina na sala de aula e o respeito entre os colegas. “Cada um tem a sua vez de participar e se integrar ao grupo.”
Trilha, Batalha Naval, Bingo da Tabuada e Dominó das Quatro Operações são os jogos mais usados. Os próprios estudantes confeccionam as peças, com material como cartolina, pincel atômico e borracha colorida. Outra opção é o Tangram, um quebra-cabeça com sete peças que possibilita a formação de várias formas ou figuras. “Ao trabalhar com materiais concretos, percebo que os educandos prestam mais atenção, interagem com os colegas e assimilam melhor o conteúdo”, analisa a professora. Graduada em ciências, com habilitação em matemática e química, Marilene tem especialização em pedagogia escolar e em educação especial. Há 20 anos no magistério, atende atualmente a quatros turmas do sétimo ano e a três do nono.
Na visão do diretor da escola, Alaércio Cesar Balan, os jogos em sala de aula proporcionam melhoria na atenção, no raciocínio lógico e nas habilidades: “A disciplina torna-se prazerosa”, avalia. Para ele, os jogos possibilitam aos alunos encontrar equilíbrio entre o real e o imaginário e ampliar conhecimentos. Há 12 anos no magistério e há cinco no exercício da direção, Balan é graduado em educação física, com especialização em gestão, supervisão e orientação educacional.
Com informações do MEC

Instituições podem propor cursos para a formação de professores

Instituições públicas federais e estaduais de educação superior podem apresentar ao Ministério da Educação propostas de cursos de formação específicos para professores indígenas. A oferta deve abranger cursos de licenciatura para os anos finais (sexto ao nono) do ensino fundamental e para o ensino médio e de pedagogia intercultural, que prepara o profissional para lecionar na educação infantil, nos anos iniciais (primeiro ao quinto) do ensino fundamental e para a supervisão escolar.
O edital do Programa de Formação Superior e Licenciaturas Indígenas (Prolind) de 2013 traz como novidades o lançamento do curso de pedagogia intercultural e a exigência de que a instituição de educação superior elabore a proposta de curso com as comunidades a serem atendidas. Terão prioridade projetos que também contemplem a produção de material didático para as escolas. Cada instituição pode apresentar proposta de um ou de vários cursos que atendam a distintos grupos étnicos.
Até 18 de outubro, devem entregar os projetos as instituições que já enviaram representantes às comunidades indígenas e obtiveram a manifestação explícita de interesse pelo curso e que tenham firmado convênio ou acordo de cooperação com as redes de educação básica pública dos estados a serem contemplados e com as escolas indígenas.
Até 20 de abril de 2014, a apresentação das propostas deve ser encaminhada pelas instituições que ainda não mantiveram contato com as comunidades ou não assinaram convênio com as redes.

Recursos — Tanto a elaboração de projetos de formação de educadores indígenas quanto sua execução garantem recursos do Ministério da Educação. Para elaborar projetos, o valor chega a R$ 60 mil, com prazo de 12 meses para a conclusão. Para a implantação e desenvolvimento de cursos de licenciatura e pedagogia intercultural, o máximo é de R$ 720 mil por ano. Como a formação é combinada com as atividades docentes dos professores indígenas — a pedagogia da alternância —, a duração dos cursos varia de quatro a cinco anos, conforme o número de módulos propostos pela instituição.
Inscrição — Para concorrer aos recursos do programa, as propostas de cursos devem ser enviadas por Sedex, impressas e em disquete ou CD para o Ministério da Educação – Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão – Diretoria de Políticas de Educação no Campo, Indígena e para as Relações Étnico-Raciais – Coordenação-Geral de Educação Escolar Indígena. Esplanada dos Ministérios, bloco L, anexo I, sala 405. CEP 70047-900, Brasília, DF. Deve constar, na parte externa do envelope, Edital Prolind.
Criado em 2005, o Prolind apoia a oferta de cursos de formação para educadores indígenas que integrem ensino, pesquisa e extensão e que promovam o estudo de temas como as línguas maternas, a gestão e a sustentabilidade dos territórios e a cultura dos povos. A seleção de projetos de cursos é feita por edital.
O programa é uma iniciativa do Ministério da Educação, desenvolvida pelas secretarias de Educação Superior (Sesu), de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) e pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), em parceria com universidades federais, institutos federais de educação, ciência e tecnologia e instituições estaduais públicas.
Com informações do MEC

Acessar o conteúdo