Mapa Gentil espalha arte e gentileza por 62 pontos do DF

Projeto dissemina, por meio da arte e a educação, o conceito de gentileza com a participação de alunos da rede pública de ensino
Até o dia 23 de setembro, estudantes e a comunidade do Distrito Federal poderão conhecer as obras de arte de cunho social (poesias, pinturas, cartazes, adesivos) instaladas nas cidades de Taguatinga, Samambaia, Ceilândia e Riacho Fundo, percorrendo o roteiro do Mapa Gentil. Trata-se de é um projeto de arte e educação que visa disseminar por meio da arte o conceito de gentileza pela cidade junto a alunos da rede pública de ensino.
Alunos/as do Centro de Ensino Médio EIT – Cemeit de Taguatinga participaram do projeto que começou com palestras e oficinas de capacitação, partindo para a produção das obras e sua distribuição pelas cidades. A partir dos locais onde foram instaladas as obras, foi criado um roteiro chamado de Mapa Gentil para visitação. Também são feitas intervenções em algumas estações e trens do Metrô.
O lançamento do Mapa Gentil ocorreu na manhã do dia 25 de agosto no Cemeit em Taguatinga, com a ação de 20 grafiteiros e 10 alunos daquela escola que se disponibilizaram a revitalizar, com o manto do Gentileza, os mais de 100 metros de muro da escola.
O projeto é inspirado nas ideias do Profeta Gentileza, como era conhecido José Datrino (1917-1996), que a partir da década de sessenta espalhou o conceito de gentileza pela cidade do Rio de Janeiro. O Profeta escrevia suas mensagens gentis pelos muros da cidade além de distribuir flores e frases aos passantes. “Gentileza gera gentileza” era o lema dele.
A visita ao circuito Mapa Gentil pode ser feita até o dia 23 de setembro (nos dias de semana para escolas e nos finais de semana à comunidade) em vans disponibilizadas pelo projeto. Para marcar sua visita ao Mapa Gentil basta ligar no (61) 81267510.

Contagem regressiva para a VI Marcha Nacional Pela Educação

A CNTE inicia a contagem regressiva para a VI Marcha Nacional Pela Educação, marcada para o dia 05 de setembro em Brasília. São esperados cerca de 5 mil trabalhadores em educação de todo o país, representando os 43 sindicatos filiados à Confederação. A marcha contará com a participação da CUT, que marcou para a mesma data o Dia Nacional de Mobilização. O tema é “Independência é educação de qualidade e trabalho decente”. Os manifestantes farão o percurso de 3 km, da Torre de TV até a Esplanada dos Ministérios. Após a Marcha, será feita uma vigília na Praça dos Três Poderes a partir das 18hs.

 
Programação:
 
• Concentração das 6:00 às 8:30 na Torre de Televisão, no Eixo Monumental.
• Início da Marcha às 9:00 até o Congresso Nacional, com previsão de encerramento às 14:30.
• Vigília das 18:00 até às 3:00 da manhã do dia 06/09/2012 na Praça dos Três Poderes.
 
Conheça os detalhes das principais bandeiras da Marcha:
– Piso: cumprimento integral da Lei Nacional do Piso do Magistério (Lei 11.738), que estabelece atualmente o piso de R$ 1.451, o que ainda não é respeitado por vários estados e muncípios. Garantir o anúncio do reajuste do piso para 2012, o que não ocorreu, embora o Fundeb já tenha sido oficialmente divulgado.
– 10% do PIB: aprovação da destinação de 10% do PIB brasileiro para a educação até 2020. O ministro da educação, Aloizio Mercadante e a presidenta Dilma Rousseff, defendem a aplicação de 100% dos royalties do petróleo na educação para o cumprimento da meta.
– PNE: aprovação integral no Senado do Plano Nacional de Educação (PNE – PL 8035/10), já formulado e debatido por uma Comissão Especial. Atualmente o PNE enfrenta recurso, revendo a decisão da Comissão, que pretende levá-lo para votação na Câmara dos Deputados. A CNTE defende o cumprimento do acordo e a votação direta no Senado Federal.
– Carreira: valorização do plano de carreira para os profissionais da educação. A CNTE já propôs diretrizes claras sobre o tema, disponíveis aqui.
– Jornada: normatização da jornada de trabalho do magistério, com o respeito ao cumprimento de um terço da jornada para a hora-atividade, conforme previsto na Lei 11.738 (Lei Nacional do Piso).
 
Participe, divulgue e mobilize. A Marcha Nacional é um grande instrumento de pressão para a necessária melhoria da educação no Brasil e valorização dos profissionais.

Movimento sindical deve disputar e influenciar processos de Cooperação Sul-Sul e triangular

A participação do movimento sindical nos processos de Cooperação Sul-Sul e triangular pautou os debates desta quarta-feira (29) durante o seminário organizado pela CSI (Confederação Sindical Internacional) e CSA (Confederação Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas), com apoio a CUT.

Para Artur Henrique, secretário-adjunto de Relações Internacionais e coordenador do Instituto de Cooperação Internacional da CUT, é papel do movimento sindical se apropriar do tema, disputar e influenciar todos os processos que envolvem cooperação entre países. “Temos que fazer um contraponto ao modelo burocrático de cooperação que leva em conta apenas aprimoramento do comércio e a lucratividade com exploração dos trabalhadores e exigir compromissos e contrapartidas que garantam trabalho decente, liberdade sindical, negociação coletiva e respeito aos direitos humanos.”
Um dos objetivos do Seminário é estabelecer uma agenda comum com normas e princípios, para que assim, o movimento sindical internacional possa pressionar seus respectivos governos a garantir uma cooperação justa e solidária, que traga avanços concretos para a população de ambas as partes. “Este é um grande desafio, já que todas as relações internacionais são pautadas por interesses. A partir desta concepção, o movimento sindical deve construir seus princípios, aproveitando cada oportunidade para influenciar os rumos das políticas que os governos vêm implementando”, declarou Kjeld Jakobsen, ex-dirigente da CUT e consultor em Relações Internacionais.
Victor Báez, secretário geral da CSA, recordou que a conjuntura apresenta processos democráticos recentes, exceto em Honduras e Paraguai, o que abre um espaço maior para participação sindical. Mas nem sempre foi assim. “Estamos numa situação diferente da vivida nas décadas de 70 e 80, onde a cooperação sindical estava restrita apenas a luta pela democracia. Hoje, lutamos pelo aprofundamento da democracia e pelo avanço de um modelo sustentável”, destacou. “Independente da ascensão de governos progressistas, não significa que automaticamente teremos uma cooperação aberta ao sindicalismo. É importante também que se fortaleça a política de cooperação sindical no plano nacional, continental e mundial, com maior capacitação e formação dos atores sociais, que nos permita também disputar com os governos o modelo de cooperação”, complementou o dirigente da CSA.
Cooperação China-África: desacato às leis e exploração dos países africanos
Durante o Seminário foi aberto um espaço para discussão sobre o processo de cooperação entre a China e os países africanos. Em comum, a certeza de que os benefícios são institucionalizados apenas entre os governos dos países envolvidos e empresas chinesas. Para a população local, desrespeito aos direitos humanos, as normas sociais e trabalhistas, desemprego, fome e pobreza.
José da Costa, da central sindical KSTL do Timor Leste, afirmou que a política de cooperação da China em seu país se resume a exportação de matéria prima e mão-de-obra do país asiático e exploração das riquezas naturais do Timor Leste. Em um país com mais de um milhão de habitantes, onde menos de 10% de trabalhadores estão na ativa, existem cerca de sete mil chineses fazendo o trabalho da população local. “Há um grande problema de desemprego e precisamos debater e discutir como o governo deve acalentar esta mão-de-obra que está exclusa do mercado de trabalho. Infelizmente, os efeitos desta cooperação já trouxe muitos impactos negativos às nações africanas” lamentou.
Na República Democrática do Congo, por exemplo, há uma forte presença das empresas chinesas. O movimento sindical local buscou o diálogo com estas corporações, mas enfrentou forte resistência. A maioria dos operários que trabalham no setor de infraestrutura são chineses. “E com essa presença chinesa como vamos reduzir minimamente o desemprego e ter trabalho decente se a sindicalização não é aceita nas empresas?”, indagou Annick de Ruyer, da Confederação Sindical do Congo.
Para Antonio Tuja, co-presidente da BetterAid, apesar da independência dos países, esta forma de cooperação pode ser considerada um processo de colonialismo, no sentido da exploração dos recursos e do trabalhador.
Com informações da CUT

Dilma sanciona Lei de Cotas

A presidenta Dilma Rousseff sancionou hoje (29) a lei que institui o sistema de cotas raciais e sociais para universidades federais de todo o país. A lei prevê que as universidades públicas federais e os institutos técnicos federais  reservem, no mínimo, 50% das vagas para estudantes que tenham cursado todo o ensino médio em escolas da rede pública, com distribuição das vagas entre negros, pardos ou indígenas.

De acordo com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, ao assinar a lei, a presidenta disse que o mecanismo precisa associar inclusão e qualidade do ensino superior público. “Ela falou que temos dois grandes desafios: um é o da inclusão, para permitir que um maior número de estudantes possa acessar a universidades. O outro é a meritocracia, a excelência das universidades. Os dois critérios têm que estar presentes na implantação dessa política”, ressaltou o ministro.
Dilma vetou apenas um ponto do texto aprovado pelo Congresso Nacional, o Artigo 2º, que criava um coeficiente para selecionar os estudantes que poderiam ingressar nas vagas destinadas às cotas. Com o veto a esse trecho, o governo decidiu que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será a ferramenta para definir o preenchimento das vagas reservadas. Segundo Mercadante, as universidades poderão adotar mecanismos complementares.
As universidades e institutos federais terão quatro anos para implantar progressivamente o percentual de reserva de vagas estabelecido pela lei, mesmo as que já adotam algum tipo de sistema afirmativo na seleção de estudantes. As regras e o cronograma para a transição serão estabelecidos pela regulamentação da lei, que deve sair ainda este ano, a tempo de garantir a entrada da lei em vigor no ano que vem.
“O Enem 2012 já servirá como um dos parâmetros para o novo sistema. Ao longo deste ano, faremos a regulamentação complementar necessária. Estamos construindo isso junto com os reitores”, disse Mercadante.
A regulamentação deverá criar, entre outros mecanismos, medidas para compensar eventuais diferenças entre alunos que ingressaram pelas cotas e os egressos do sistema universal. “Teremos que ter uma política das universidades para acolher esses estudantes. Muitas universidades federais já fazem isso, já temos experiências de tutoria – professores que acompanham esses alunos – e de nivelamento, para que aqueles que tenham alguma deficiência possam se preparar para os desafios do curso que em que vão ingressar”, adiantou p ministro.
Com informações da Agência Brasil

Na Argentina, uma condenação histórica contra o agrotóxico

A Argentina é um país de julgamentos. Agora mesmo estão sendo julgados antigos ditadores, generais que ordenaram assassinatos e roubos de recém-nascidos, agentes das forças armadas e da polícia que participaram do terrorismo de Estado durante a ditadura cívico-militar que imperou entre 1976 e 1983.

E, como se fosse pouco, um ex-presidente, o frouxo e confuso Fernando de la Rúa (dezembro 1999-dezembro 2001), aquele que foi posto para fora por manifestações populares e escapou da Casa Rosada pelo telhado, está no banco dos réus, acusado de subornar senadores peronistas, de oposição, para que votassem a favor da nova legislação trabalhista.
Com tanto vai-vem, com tanto entra e sai de tribunais, uma sentença determinada por um tribunal de Córdoba, a segunda província e a segunda maior cidade do país, abriu espaço e conquistou atenções: num julgamento considerado histórico num país de julgamentos históricos, a Justiça cordobesa condenou a três anos de prisão (que serão cumpridos em trabalhos sociais) um latifundiário e o piloto de um avião que fumigou plantações de soja numa região urbana. Dois componentes químicos – endosulfán e glifosato – foram espalhados, em 2004 e 2008, nos inseticidas fumigados pelo piloto Edgardo Pancello nas plantações de soja de Francisco Parra, vizinhas ao bairro de Ituzaingó, em Córdoba.
Foi a primeira vez que a Argentina condena o uso de glifosato, produzido pela multinacional envenenadora Monsanto – a mesma que desenvolveu o ‘agente laranja’ utilizado pelos Estados Unidos na guerra do Vietnã e produz sementes transgênicas utilizadas em vários países, o Brasil inclusive.
É o resultado de uma luta de dez anos dos moradores de Ituzaingó e de outras localidades argentinas, que denunciam as conseqüências do uso do glifosato nos agrotóxicos produzidos pela Monsanto e fumigados a torto e a direito país afora. O embriologista argentino Andrés Carrasco, que há anos denuncia os altíssimos riscos de contaminação do agrotóxico Roundup, fabricado pela Monsanto à base de glifosato, já havia antecipado, à exaustão, o que o tribunal de Córdoba agora concluiu: quem usa esse produto comete crime ambiental gravíssimo.
Contra todos os argumentos da envenenadora multinacional, o tribunal de baseou em dados inquestionáveis: de 142 crianças moradoras de Ituzaingó que foram examinadas, 114 contêm agroquímicos em seu organismo, e em altas quantidades. Foram constatados ainda 202 casos de câncer provocados pelo glifosato, dos quais 143 foram fatais num lapso curtíssimo de tempo. Houve, em um ano, 272 abortos espontâneos. E dos nascidos, 23 sofrem deformações congênitas. Moram em Ituzaingó pouco mais de cinco mil pessoas, o que dá uma dimensão clara dos males sofridos.
A cada ano que passa cerca de 280 milhões de litros de Rondup – ou seja, de glifosato – são despejados nos campos argentinos. São cerca de 18 milhões de hectares aspergidos ou fumigados nas plantações de soja transgênica, que significam 99% de tudo que o país produz. O mais brutal é que essa soja nasce de sementes geneticamente modificadas, produzidas pela própria Montanto. O glifosato contido no Roundb destrói tudo – menos a semente.
Ou seja, a multinacional do veneno criou uma semente que é a única que resiste ao agrotóxico produzido pela mesma indústria. Até agora, as denúncias de Andrés Carrasco, diretor do Laboratório de Embriologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Buenos Aires, haviam esbarrado num muro aparentemente intransponível: em 1996, o glifosato foi autorizado por lei na Argentina, durante o governo de Carlos Menem.
Detalhe: a lei foi aprovada a toque de caixa tomando como base estudos financiados pela própria Monsanto. Das 135 páginas do tal estudo, 108 estavam escritas em inglês. Sequer se deram o trabalho de traduzi-las.
Há outras denúncias, há outros processos. Também em Córdoba foram detectados casos assustadores na localidade de Matabrigo, cercada de plantações de soja transgênica fumigadas com glifosato.
O glifosato continua sendo usado em campo aberto. Mas, na Argentina, já não poderá mais ser aplicado em áreas próximas às zonas urbanas. Além de abrir jurisprudência no país, a sentença do tribunal cordobês abre um precedente importante para milhares de processos em andamento em toda a América Latina.
Aqui no Brasil, nada muda. O veneno continua sendo um dos motores principais do agronegócio. Em nosso país, o volume de pesticidas e agrotóxicos utilizados no campo é mais de três vezes superior ao da Argentina. Somos campeões mundiais de veneno, e tudo continua igual. A Monsanto continua, impávida, envenenando o dia a dia de milhões de brasileiros.
Aliás, e por falar em Monsanto: alguém se preocupou em saber como anda a questão da soja transgênica semeada no Paraguai e fumigada ou aspergida com glifosato? Ou seja, alguém se preocupou em saber até onde a reforma agrária defendida pelo deposto presidente Fernando Lugo afetaria os interesses da Monsanto no país?
Com informações da CUT

Saúde dos professores em alerta

Muitos deles encaram três turnos de jornada de trabalho. E precisam se deslocar entre diferentes pontos para executar suas funções. O acúmulo de serviço e a falta de estrutura adequada para desempenhá-lo são queixas frequentes. Esses são alguns dos ingredientes da rotina dos professores da rede pública, o que faz com que a saúde desses profissionais esteja em alerta.
A carreira no magistério, já considerada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) uma das mais estressantes, tem afastado cada vez mais docentes da sala de aula. Na rede estadual de São Paulo, em que atuam 220 mil professores, são observados 92 afastamentos por motivo de saúde por mês, ou seja, cerca de 33 mil docentes longe das salas anualmente. Destes, 19 mil são em função de depressão. Procurado, o governo do Estado não se pronunciou.
Pesquisa da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) de 2010 mostra que também estão entre os principais motivos para o afastamento problemas na voz, LER (Lesão por Esforço Repetitivo) e obesidade. “Isso é consequência de jornada estafante, falta de infraestrutura e salas de aula superlotadas”, observa a presidente da entidade, Maria Isabel Noronha.
O levantamento destaca ainda que entre as principais queixas dos professores estão superlotação das salas de aula (66,2%), jornada excessiva (60,1%) e violência nas escolas (57,5%). No âmbito municipal, a situação também é preocupante. Entre Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Ribeirão Pires, o índice de profissionais afastados em 2011 foi de 31% do total de 10.540 educadores. São Bernardo lidera o ranking com 2.637 dos 4.400 professores da rede municipal impedidos lecionar no ano passado por doenças no aparelho respiratório, nos olhos e problemas psiquiátricos.
Na visão da professora de Psicologia da Educação da Faculdade de Educação da USP Sílvia Colello, é preciso separar as dificuldades que acometem os educadores em dois tipos: desgastes físicos e emocionais. “A desvalorização do docente pela baixa remuneração e pouco reconhecimento gera doenças sociais, como a depressão”, diz.
O tema é pauta de discussão nos sindicatos municipais, estaduais e federais da categoria. Para a secretária geral da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação), Marta Vanelli, a implantação da Lei do Piso (nº 11.738) é parte da solução do problema que afeta professores em todo o País. A recomendação da ONU (Organização das Nações Unidas), segundo a educadora de Santa Catarina, é que 50% da jornada de trabalho seja dedicada a atividades extraclasse. “Estamos tentando passar de 20% para um terço, mas está bem difícil”, comenta.
Segundo Marta, a OMS (Organização Mundial da Saúde) orienta que o professor só trabalhe em um período, recomendação pouco seguida. Desempenhar outras funções na escola é alternativa.  Nem sempre o afastamento da sala de aula significa ficar em casa. Os educadores são remanejados para outras funções dentro da unidade escolar – a chamada readaptação. A depressão afastou do trabalho há cinco anos a educadora Valéria do Nascimento, 45 anos. Desde então, a funcionária de escola municipal em Diadema exerce outras atividades dentro da unidade, na secretaria e biblioteca. A vontade de voltar a lecionar existe, mas a intolerância ao barulho a impede. Professora há 23 anos, ela diz que ensinar é desgastante porque obriga o profissional a transmitir conhecimento e auxiliar na resolução de problemas sociais dos alunos.
Outra dificuldade citada é a tarefa de lidar com temas como bullying. Em São Bernardo, nódulo nas cordas vocais resultou, há quatro anos, no afastamento de professora de 57 anos, que preferiu não se identificar. Após período longe do giz e da lousa, ela já pode voltar ao trabalho nas redes estadual e municipal. “A principal dificuldade é a falta de limite dos estudantes, além de ter de competir com o som da rua.”
AMEAÇA
A docente Miza Possidônio, 44, chegou a repensar a carreira exercida há 14 anos em escolas estaduais e municipais de Santo André após sofrer ameaça de morte de estudante do 9º ano do Ensino Fundamental. Por receio de que a família fosse prejudicada, a educadora decidiu registrar boletim de ocorrência. “Espero que melhore a vida dos professores e que passem a ser mais respeitados”, diz.
Apesar da intimidação, ela continua lecionando. A Secretaria da Educação do Estado informou que a direção da unidade convocou a professora e a aluna para reunião e que os responsáveis pela estudante também serão chamados. Além do Conselho Tutelar ser acionado, o caso é acompanhado pelo professor-mediador da escola.
Prefeituras intensificam acompanhamento profissional
Na rede municipal, as prefeituras garantem intensificar o acompanhamento dos educadores. De acordo com as administrações públicas, também são feitas ações com intuito de melhorar as condições de trabalho, como implantação de material didático adequado e capacitação profissional.
Em Santo André, desde 2009 os docentes são monitorados por juntas médicas. Além disso, a administração destaca intervenções no ambiente escolar nos aspectos estéticos e de limpeza, investimento em melhoria salarial e cursos. Outro ponto é a gestão participativa que dá ao professor oportunidade de manifestar-se. São Bernardo avalia todos os servidores por meio do Serviço de Saúde Ocupacional.
Nos próximos meses, serão agendados exames periódicos dos professores para acompanhamento e prevenção de problemas. Na tarefa de melhorar as condições de trabalho, é feito fortalecimento dos professores e gestores quanto às demandas encontradas no cotidiano das escolas. As unidades escolares de São Caetano disponibilizam equipe técnico-pedagógica, inspetores de alunos e auxiliares de primeira infância, além de recursos pedagógicos e tecnológicos para auxiliar os educadores.
Para professores afastados, a Prefeitura oferece atendimento de serviço médico e psicológico. Diadema opta por investir em suporte pedagógico, formação continuada, infraestrutura adequada e mobiliário, além de se comprometer com a melhoria da carreira e do salário com a implantação recente do Plano de Carreira do Magistério. Ribeirão Pires informou que oferece acompanhamento e avaliação periódica dos funcionários pelo médico do trabalho. A Secretaria da Educação do Estado não respondeu aos questionamentos. Fonte: Diário do Grande ABC.

CNTE analisa mudanças na Educação

O resultado do IDEB divulgado nos últimos dias, considerado “insuficiente”, provocou o adiantamento de uma série de medidas que estavam em processo de discussão no governo. Entre elas, a reforma no ensino médio, com a expansão do ensino integral, a redução do número de disciplinas, o abandono da Prova Brasil e a adoção do ENEM para o cálculo do IDEB e também a realização de uma Prova Nacional para seleção de professores em 2013.
Heleno Araújo Filho, secretário de assuntos educacionais da CNTE, afirma que fazer qualquer mudança com base apenas no resultado do IDEB é um equívoco. Segundo o secretário, o IDEB é um instrumento incapaz de fazer uma verdadeira avaliação da educação básica. Por consequência, as medidas anunciadas não irão, sozinhas, resolver a situação.
Problemas centrais, como a falta de uma política de valorização dos profissionais da educação e os baixos salários que afastam os melhores profissionais da carreira, além da excessiva prática de terceirização e contratação temporária nas redes municipais e estaduais por falta de concurso público, não estão contemplados como deveriam.
“O governo federal e estadual tem que se preocupar em ter um ambiente de estudo adequado. A partir daí, precisamos de uma política de formação continuada dos profissionais que atuam na escola para contribuir com o professor e garantir incentivos aos nossos estudantes para permanecer na escola”, ressalta o secretário.
A educação em tempo integral precisa vir acompanhada de uma melhora da infraestrutura geral das escolas, já que a maioria das instituições sofre por não ter equipamento suficiente, convivem com salas superlotadas sem ventilação adequada e um local apropriado para desenvolver as atividades.
“Se o governo resolvesse essas questões, nós não entraríamos nesse debate que acha que reduzir disciplinas é a solução para os problemas”, afirma Heleno.
Novo grupo de discussão, adoção do ENEM para cálculo do IDEB e Prova Nacional de seleção para docentes.
No grupo de discussão criado pelo governo federal para o debate dessas questões, que envolve secretários estaduais de educação, representantes do próprio Ministério da Educação e especialistas, a CNTE ainda não foi chamada para fazer parte. O secretário lembra que, no início do governo Lula, existia o CONPEB – Comitê Nacional de Políticas da Educação Básica, que se reunia com frequência e acabou sendo esvaziado, não dando continuidade ao debate.
É preciso envolver, além da CNTE, secretários municipais, trabalhadores, estudantes e pais de estudantes. Todos possuem entidades representativas que estão no Fórum Nacional de Educação debatendo essas questões. Segundo Heleno, fazer esse novo grupo de trabalho com a ausência dessas entidades é o tipo de proposta que pode nem sair do papel.
Outra medida polêmica do governo é a extinção da Prova Brasil para o ensino médio e a adoção do ENEM para o cálculo do IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. Como o ENEM é feito por quem está dentro da escola mas também por quem já saiu do ensino médio, é necessário um mecanismo para se avaliar corretamente o desempenho apenas das escolas e dos alunos, o que não é simples de ser feito. A CNTE aguarda a divulgação dos detalhes da proposta para que possa fazer uma avaliação completa.
Já a Prova Nacional para seleção de docentes, que o governo pretende aplicar no segundo semestre de 2013 para professores dos anos iniciais do ensino fundamental de todo o Brasil, é uma proposta que começou a ser debatida ainda na época de Fernando Haddad como Ministro da Educação.
Modificada a partir da participação de entidades educacionais selecionadas pelo INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, a portaria tem a aprovação do Comitê de Governança, em que a CNTE tem dois titulares e dois suplentes.
Para Heleno Araújo, a prova é importante e pode ajudar a dar uma característica nacional para a carreira, auxiliando as redes municipais e estaduais a diminuir o número excessivo de contratos temporários pela dificuldade de realização de concursos públicos, além de combater possíveis casos de corrupção e fraude do processo de seleção, que são frequentes em muitas cidades.

CTE: 31 de agosto é prazo final para atas de delegados

Lembramos aos professores/as que o prazo para a entrega da ata de eleição dos delegados ao 9º Congresso dos/as trabalhadores/as em Educação Olga Benário termina no dia 31 de agosto. É de extrema importância que as escolas se organizem para garantir seus representantes no evento, que discutirá o PNE e a educação para a sustentabilidade. Lembramos que os delegados sindicais eleitos são participantes natos do CTE.
Participe! Fortaleça a nossa organização! Veja abaixo as regras para participação. Mais informações no banner específico sobre o congresso no site do Sinpro.
 
Podem participar do 9º CTE:
1 – delegados(as) natos(as): diretores(as) do Sinpro;
2 – professoras(es) aposentadas(os) terão garantidas 50 vagas;
3 – delegados(as) sindicais que comprovem sua eleição por meio de Ata atualizada terão
a sua participação garantida, levando- se em consideração o número de delegados(as) a
que cada escola tem direito.
3.1 – escolas com até trinta (30) professores(as) têm direito a uma (01) vaga
de delegado(a);
3.2 – escolas que tenham de 31 a 150 professores(as) têm direito a duas (02) vagas
de delegado(a);
3.3 – escolas com mais de 150 professores(as) têm direito a três (03) vagas de delegado(a);
3.4 – duas (02) vagas de delegado(a) para orientadores(as) por cada Coordenação Regional
de Ensino( CRE). Os(as) orientadores(as) deverão ser indicados(as) pelo coletivo de
suas respectivas Coordenações Regionais com registro em Ata;
3.5 – um (01) vaga de delegado(a) para professor(a) por cada Coordenação Regional
de Ensino (CRE), sendo este(a) delegado(a) retirado na Gerência Regional de Educação
Básica (GREB);
3.6 – duas (02) vagas de delegados(as) para a Secretaria de Educação de Ensino Básico (SEEB);
3.7 – Duas (02) vagas de delegados(as) para a Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais
de Educação (EAPE);
3.8 – Os casos de desistência dos(as) delegados(as) deverão, obrigatoriamente,
estar registrados em ata.
Observações:
1 – O AFAST será encaminhado pelo Sinpro após a confirmação dos(as) delegados(as)
inscritos(as);
2 – A eleição dos(as) delegados(as) ao Congresso deverá ser registrada em Ata Simplificada
e entregue em mão, na sede e subsedes do Sinpro-DF, até o dia 31 de agosto de 2012;
3 – Os casos omissos serão resolvidos pela Comissão Organizadora do 9º Congresso.

CUT completa 29 anos e lança a Rádio Brasil Atual FM

A Central Única dos Trabalhadores completará 29 anos nesta terça-feira (28) com uma iniciativa ousada: o lançamento da Rádio Brasil Atual FM 24 horas no ar. O projeto representa a consolidação de uma rede de informação popular feita por trabalhadores, para trabalhadores.

Sob a frequência 98,9 FM em São Paulo, 93,3 FM no litoral paulista e 102,7 FM no noroeste paulista, e alcance estimado em 22 milhões de pessoas, a Brasil Atual já é transmitida em caráter experimental.
A rádio teve início há sete anos com o programa Jornal dos Trabalhadores. Agora, faz parte de um empreendimento de comunicação, denominado Fundação Sociedade Comunicação, Cultura e Trabalho, que une dezenas de entidades sindicais e agrega a Revista do Brasil, jornais regionais impressos, como o ABCD Maior, TV dos Trabalhadores (TVT) e o portal Rede Brasil Atual.
A rádio opera faixas de FM em regime de concessão e com espaço para a construção de programação própria durante 24 horas. Anteriormente, eram locados os horários de transmissão, no qual o carro chefe da programação, o Jornal Brasil Atual, era transmitido das 7h às 8h. Hoje, o jornal tem duas horas de duração.
Histórico 
Tudo teve início em setembro de 1987, quando foi feito o primeiro pedido de concessão de canais de rádio e televisão para os trabalhadores por meio de sindicatos. Foram quatro concorrências de concessão, sendo todas negadas, apesar de os requisitos exigidos na lei terem sido cumpridos.
Em 1992, houve mais uma negativa, à época já em nome da Fundação Sociedade Comunicação, Cultura e Trabalho. Finalmente, no dia 6 de julho de 2012 foi oficializada a concessão de um espaço radiofônico em FM para um projeto concebido e desenvolvido por entidades de trabalhadores.
29 Anos de CUT
No dia 28 de agosto de 1983, nos estúdios da Companhia Vera Cruz de Cinema, em São Bernardo do Campo, foi fundada a CUT, durante o 1º Congresso da Classe Trabalhadora (foto). Mais de cinco mil trabalhadores de todo o país participaram e elegeram a direção nacional, tendo como coordenador-geral o metalúrgico Jair Meneguelli.
Consolidou-se, naquele momento, a necessidade de combater a estrutura sindical oficial e, com isso, avançar para democratizar as relações de trabalho no país e construir uma sociedade justa, livre e igualitária.
Nos seus 29 anos de história, a luta pela democratização da comunicação se tornou pauta na agenda da CUT, além do entendimento de que era necessária a construção de veículos populares para dar voz à classe trabalhadora. Hoje, a expansão do projeto de comunicação sindical se consolida como um importante contraponto aos grandes veículos de comunicação. escrito por Seeb São Paulo com rede brasil atual.

27 de agosto: Dia do Psicólogo

O Sinpro parabeniza todos os psicólogos e psicólogas pelo seu dia e por toda contribuição científico-social. Ser psicólogo é ultrapassar os limites da absorção do outro, da mera satisfação, da reprodução das práticas e do assistencialismo. É respeitar o velho conhecimento, incorporando-o dentro das novas realidades que se apresentam, sem deixar de questioná-lo, compatilhando-o de forma crítica, responsabilizando pela produção de novos saberes ou, ao menos, acompanhando as mudanças oriundas do seu processo de reciclagem.

Para comemorar a data a Câmara realizará, nesta sexta-feira (31), uma sessão solene, no Plenário Ulysses Guimarães, em homenagem aos 50 anos da Psicologia no Brasil e ao Dia do Psicólogo. O Sinpro fará parte da mesa. Parabéns a todos que realizam a profissão com responsabilidade!

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